terça-feira, 24 de setembro de 2013

Woody Allen e o retrato da crise actual


Subscrevo a crítica que Luís Miguel Oliveira escreve no Público (Ípsilon) a propósito de Blue Jasmine. Woody Allen faz neste filme o retrato da crise actual económico-financeira-social, retratando o downgrade social forçado a que a crise conduziu muita gente (caso Madoff como ténue pano de fundo), mais uma vez o realizador dá tudo por tudo no retrato psicológico de uma personagem (salvaguardando as devidas distâncias, é uma espécie de Dostoiévski do cinema, na medida em que concentra numa personagem toda a complexidade do ser humano diante de problemas universais. Nietzsche referiu-se a Dostoiévski como "o único psicólogo com que tenho algo a aprender"). 


Cate Blanchett a piscar o olho aos Óscares, merecidamente. 


Não posso dizer que este é um filme de Woody Allen que me enche as medidas, porque sou uma fã dos seus filmes cómicos, como o Play it Again Sam; Annie Hall; Poderosa Afrodite; Hollywood Ending. Sempre achei que o Woody Allen faz imensa falta aos filmes dele. Mas há claramente aqui uma pausa na carreira de "cineasta municipal". O que não é mau.




Mas leiam a crítica do crítico do Ípsilon:


 


Uma bendita pausa na carreira de “cineasta municipal” que tem sido a de Woody Allen nos últimos anos, e o antídoto perfeito para aquele último malfadado filme romano que tinha trazido provavelmente o Woody mais “desinvestido” de sempre. É certo que, para o bem e para o mal, a obra de Woody Allen já não muda, e que Blue Jasmine não acrescenta nada de significativo a um corpus que parece ter passado a viver de “adendas”, de exercícios que, sendo melhor ou pior conseguidos, pouco ou nada influem numa visão de conjunto. Mas é um prazer reencontrar a fineza e a inteligência de Woody Allen, quanto mais quando elas se põem ao serviço de um “retrato de carácter” pleno de tortuosidades e becos sem saída, e têm ao seu serviço uma actriz como a excepcional Cate Blanchett.

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