sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel, um mito empolado pela História


 


Morreu o homem que mandou Che Guevara para a morte. Fidel Castro era o último reduto de uma época de revolucionários ideológicos. Época romântica da história, que oscilava entre revolucionários e reaccionários como o também emblemático Pinochet. Todos ditadores e no seu tempo sanguinários, mas como diria o Milan Kundera: O tempo ilumina tudo com o encanto da nostalgia, mesmo a guilhotina.


Nota para a reacção de Trump, directa e sem rodeios: Fidel Castro foi um “ditador brutal”.


Fidel Castro deixou Cuba pobre em nome da filosofia anti-capitalista. Isso é inegável. 


Estive em Cuba em 2007 e lembro-me de ver escrito nas paredes "Aqui no queremos Amos"! Era a expressão máxima anti-burguesa que Cuba proclamava. Mas Fidel,  como bom comunista que se preze,  sempre gostou de mulheres burguesas. Isso é aliás intemporal e transversal a toda a esquerda. Dizem que teve 35 mil mulheres. Lá virilidade não lhe faltou (ao menos isso teve de bom).


Fidel tem a marca dos lideres que lutavam por aquilo em que acreditavam, por isso é tão  emblemático.


Mas quando se compara a forma como a História tratou Pinochet com a forma como está a tratar Fidel Castro é impossível não questionar os valores que regem a humanidade nos tempos que correm. Cuba é um país pobre, ao contrário do Chile que é um país rico, fruto de um dItador de direita a quem a História condenou, ao contrário do que acontece com Fidel Castro que a História tende a tornar um mito.

Fidel, um mito empolado pela História


 


Morreu o homem que mandou Che Guevara para a morte. Fidel Castro era o último reduto de uma época de revolucionários ideológicos. Época romântica da história, que oscilava entre revolucionários e reaccionários como o também emblemático Pinochet. Todos ditadores e no seu tempo sanguinários, mas como diria o Milan Kundera: O tempo ilumina tudo com o encanto da nostalgia, mesmo a guilhotina.


Nota para a reacção de Trump, directa e sem rodeios: Fidel Castro foi um “ditador brutal”.


Fidel Castro deixou Cuba pobre em nome da filosofia anti-capitalista. Isso é inegável. 


Estive em Cuba em 2007 e lembro-me de ver escrito nas paredes "Aqui no queremos Amos"! Era a expressão máxima anti-burguesa que Cuba proclamava. Mas Fidel,  como bom comunista que se preze,  sempre gostou de mulheres burguesas. Isso é aliás intemporal e transversal a toda a esquerda. Dizem que teve 35 mil mulheres. Lá virilidade não lhe faltou (ao menos isso teve de bom).


Fidel tem a marca dos lideres que lutavam por aquilo em que acreditavam, por isso é tão  emblemático.


Mas quando se compara a forma como a História tratou Pinochet com a forma como está a tratar Fidel Castro é impossível não questionar os valores que regem a humanidade nos tempos que correm. Cuba é um país pobre, ao contrário do Chile que é um país rico, fruto de um dItador de direita a quem a História condenou, ao contrário do que acontece com Fidel Castro que a História tende a tornar um mito.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Quem escolhe a banca como trunfo perde a mão

Os Governos sucedem-se e a banca aparece como o grande trunfo político e invariavelmente acaba numa batata quente. O melhor do governo anterior foi a forma como se portou, de forma exemplar, sem interferir, com o Banco de Portugal na escalada pela revelação das grandes falcatruas nas contas do GES. Mas no fim do dia acabou por ser acusado de ter provocado da queda do BES. Eu sei que se Passos Coelho tivesse cedido ao presidente do BES hoje a CGD estaria técnicamente falida. Mas isso que importa? O BES morreu com pesados custos e isso prevalece.


No Banif o Governo anterior não queria um novo BES e tentou até à última evitá-lo. Entretanto chega o novo Governo e uma notícia deu o mote que o novo Governo queria. Resolver o Banif e entregá-lo na sua parte boa ao Santander Totta, numa altura em que era possível culpar o Governo anterior. Mas lá está a oferta do banco ao Santander Totta que o Governo embandeira em arco é criticado em surdina. António Costa escolheu ser o arquiteto do edifício bancário e como manda a tradição a maldição vai se virar contra ele. A CGD e a escolha dos administradores topo de gama com condições à partida aceites, está a revelar-se um desastre. Isto até parecia uma boa notícia, depois de uma tentativa bem intencionada de ajudar o BPI a resolver a contenda com a acionista Isabel dos Santos. Ajudar o BPI a divorciar-se de Isabel dos Santos e o CaixaBank a ficar com a maioria do capital parecia mesmo um trunfo, mas até isso está a revelar-se um fracasso. Até ao momento o BPI ainda não conseguiu ser vendido ao CaixaBank, o banco português continua exposto excessivamente aos grandes riscos de Angola (voltou a ser adiada uma AG). Outro grande trunfo a CGD. Mas ainda não foi recapitalizada e só o será em 2017. Mas nem a administração está estabilizada, nem a recapitalização está feita. Outro trunfo que se prepara para apresentar é a venda do Novo Banco. Este ainda não foi vendido, mas já dois dos candidatos estão nesta altura com obstáculos a ajudar a resolver o problema. O BPI arrisca-se a não conseguir ter tempo de reforçar os capitais e de se libertar do BFA a tempo da venda do Novo Banco e até o BCP, que era outro trunfo do Governo, tem um novo problema: não consegue aumentar o capital porque a Sonangol não quer aumento de capital do banco sem que o BCE autorize o reforço no BCP até aos 30%

Quem escolhe a banca como trunfo perde a mão

Os Governos sucedem-se e a banca aparece como o grande trunfo político e invariavelmente acaba numa batata quente. O melhor do governo anterior foi a forma como se portou, de forma exemplar, sem interferir, com o Banco de Portugal na escalada pela revelação das grandes falcatruas nas contas do GES. Mas no fim do dia acabou por ser acusado de ter provocado da queda do BES. Eu sei que se Passos Coelho tivesse cedido ao presidente do BES hoje a CGD estaria técnicamente falida. Mas isso que importa? O BES morreu com pesados custos e isso prevalece.


No Banif o Governo anterior não queria um novo BES e tentou até à última evitá-lo. Entretanto chega o novo Governo e uma notícia deu o mote que o novo Governo queria. Resolver o Banif e entregá-lo na sua parte boa ao Santander Totta, numa altura em que era possível culpar o Governo anterior. Mas lá está a oferta do banco ao Santander Totta que o Governo embandeira em arco é criticado em surdina. António Costa escolheu ser o arquiteto do edifício bancário e como manda a tradição a maldição vai se virar contra ele. A CGD e a escolha dos administradores topo de gama com condições à partida aceites, está a revelar-se um desastre. Isto até parecia uma boa notícia, depois de uma tentativa bem intencionada de ajudar o BPI a resolver a contenda com a acionista Isabel dos Santos. Ajudar o BPI a divorciar-se de Isabel dos Santos e o CaixaBank a ficar com a maioria do capital parecia mesmo um trunfo, mas até isso está a revelar-se um fracasso. Até ao momento o BPI ainda não conseguiu ser vendido ao CaixaBank, o banco português continua exposto excessivamente aos grandes riscos de Angola (voltou a ser adiada uma AG). Outro grande trunfo a CGD. Mas ainda não foi recapitalizada e só o será em 2017. Mas nem a administração está estabilizada, nem a recapitalização está feita. Outro trunfo que se prepara para apresentar é a venda do Novo Banco. Este ainda não foi vendido, mas já dois dos candidatos estão nesta altura com obstáculos a ajudar a resolver o problema. O BPI arrisca-se a não conseguir ter tempo de reforçar os capitais e de se libertar do BFA a tempo da venda do Novo Banco e até o BCP, que era outro trunfo do Governo, tem um novo problema: não consegue aumentar o capital porque a Sonangol não quer aumento de capital do banco sem que o BCE autorize o reforço no BCP até aos 30%

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O passado, a história terão efeitos colaterais?


Um dia perguntaram a João Lobo Antunes, o conhecido neurologista recentemente desaparecido, o que era a inteligência? o conhecido médico terá dito que não sabia o isso era e que, no entanto, conhecia a falta dela.


Eu não sei se a estupidez é o antónimo de inteligência, nem tenho vocação para tanto. Sei que existem pessoas inteligentes, e o médico é um bom exemplo, e sei que há pessoas que são estúpidas. 


Os resultados das últimas eleições americanas, são por si só, um bom exemplo disto mesmo, porque não obstante o que escrevi aqui - e em particular na minha página do Facebook - reconheço inteligência (ou será apenas esperteza saloia?) na candidatura (o timming), durante a campanha eleitoral e na vitória de Donald Trump em contraponto com o insucesso eleitoral da candidata democrata.


O problema não é o erro, já que parte integral da nossa condição. Está, por um lado,  na sua perversão, como também, e principalmente, na sua presistência. Entre outros, Cícero, escreveu « is Cuiusvis errare: insipientis nullius nisi, in errore perseverare ».


Ora, quando sabemos que movimentos de cariz neonazi e extremistas pululam um pouco por todo lado, quando e à boleia do sucesso eleitoral de Trump lemos as anormalidade proferidas por um tal de Richard B. Spencer ao aclamar um perturbador "Hail Trump!", o caldo está entornado. Como é possível alguém apelar, entre outras coisas, a "uma limpeza étnica pacífica"?


Eu não sei o que é inteligência, nem estou particularmente preocupado com esta questão quase-metafísica. Porém, a estupidez generalizada arrepia-me! Ora, se um dia William Pfaff (1928 – 2015) escreveu que "é o passado que nos faz estar onde estamos", resta saber se a história torna ou pode seriamente tornar as pessoas estúpidas? Se sim... então que ela seja tomada como os medicamentos, com prescrição médica, já que os efeitos colaterais podem ser no mínimo fatais!




 


O passado, a história terão efeitos colaterais?


Um dia perguntaram a João Lobo Antunes, o conhecido neurologista recentemente desaparecido, o que era a inteligência? o conhecido médico terá dito que não sabia o isso era e que, no entanto, conhecia a falta dela.


Eu não sei se a estupidez é o antónimo de inteligência, nem tenho vocação para tanto. Sei que existem pessoas inteligentes, e o médico é um bom exemplo, e sei que há pessoas que são estúpidas. 


Os resultados das últimas eleições americanas, são por si só, um bom exemplo disto mesmo, porque não obstante o que escrevi aqui - e em particular na minha página do Facebook - reconheço inteligência (ou será apenas esperteza saloia?) na candidatura (o timming), durante a campanha eleitoral e na vitória de Donald Trump em contraponto com o insucesso eleitoral da candidata democrata.


O problema não é o erro, já que parte integral da nossa condição. Está, por um lado,  na sua perversão, como também, e principalmente, na sua presistência. Entre outros, Cícero, escreveu « is Cuiusvis errare: insipientis nullius nisi, in errore perseverare ».


Ora, quando sabemos que movimentos de cariz neonazi e extremistas pululam um pouco por todo lado, quando e à boleia do sucesso eleitoral de Trump lemos as anormalidade proferidas por um tal de Richard B. Spencer ao aclamar um perturbador "Hail Trump!", o caldo está entornado. Como é possível alguém apelar, entre outras coisas, a "uma limpeza étnica pacífica"?


Eu não sei o que é inteligência, nem estou particularmente preocupado com esta questão quase-metafísica. Porém, a estupidez generalizada arrepia-me! Ora, se um dia William Pfaff (1928 – 2015) escreveu que "é o passado que nos faz estar onde estamos", resta saber se a história torna ou pode seriamente tornar as pessoas estúpidas? Se sim... então que ela seja tomada como os medicamentos, com prescrição médica, já que os efeitos colaterais podem ser no mínimo fatais!




 


domingo, 13 de novembro de 2016

Câmara de Lisboa não sabe inglês

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Câmara de Lisboa não sabe inglês

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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"I'm afraid of Americans" (e não só)


Com o desaparecimento Cohen já me tinha quase esquecido que ano culturalmente ficou musicalmente mais pobre com a morte de David Bowie logo na alvorada de 2016.


Hoje, navegando na net encontrei este tema  de 1997 que desconhecia, e o qual, à boleia dos resultados da passada terça-feira, parece ser actual. Porque os problemas, os nossos medos, ultrapassam e em muito a eleição de Donald Trump. Se os problemas do mundo fossem resolvidos com umas eleições, e onde não somos chamados a opinar, tudo estaria bem mais negro. O problema resulta, porém, no facto de sermos impotentes. E este é que é de facto o nosso maior pavor!






 





"I'm afraid of Americans" (e não só)


Com o desaparecimento Cohen já me tinha quase esquecido que ano culturalmente ficou musicalmente mais pobre com a morte de David Bowie logo na alvorada de 2016.


Hoje, navegando na net encontrei este tema  de 1997 que desconhecia, e o qual, à boleia dos resultados da passada terça-feira, parece ser actual. Porque os problemas, os nossos medos, ultrapassam e em muito a eleição de Donald Trump. Se os problemas do mundo fossem resolvidos com umas eleições, e onde não somos chamados a opinar, tudo estaria bem mais negro. O problema resulta, porém, no facto de sermos impotentes. E este é que é de facto o nosso maior pavor!






 





Um comentário tornado post

O problema da América é sistémico. Quem ganhou foi o modelo eleitoral, porque em votos a  menina Clinton foi vitoriosa. Ora, porém, isso não conta e dentro de quatro anos teremos ele, Trump, contra uma senhora de cor, Obama. E olhe que ela limpa-o bem  limpinho...
De facto, quem perdeu foi o partido Democrático. Foi um erro de palmatória! E nem preciso explicar porquê!


 


Escrito em resposta à boa análise que José Mendonça da Cruz escreveu no Corta-fitas.

Um comentário tornado post

O problema da América é sistémico. Quem ganhou foi o modelo eleitoral, porque em votos a  menina Clinton foi vitoriosa. Ora, porém, isso não conta e dentro de quatro anos teremos ele, Trump, contra uma senhora de cor, Obama. E olhe que ela limpa-o bem  limpinho...
De facto, quem perdeu foi o partido Democrático. Foi um erro de palmatória! E nem preciso explicar porquê!


 


Escrito em resposta à boa análise que José Mendonça da Cruz escreveu no Corta-fitas.

Morreu Leonard Cohen... sem o nobel da literatura


Não me canso da beleza destas músicas, e destas letras. Leonard Cohen o verdadeiro músico, cantor, compositor que é um autor, um poeta, um escritor. Morreu sem o nobel da literatura.


 


Poetic mind...

Morreu Leonard Cohen... sem o nobel da literatura


Não me canso da beleza destas músicas, e destas letras. Leonard Cohen o verdadeiro músico, cantor, compositor que é um autor, um poeta, um escritor. Morreu sem o nobel da literatura.


 


Poetic mind...

Escrito na pedra

"O amor não tem cura mas é o único remédio para todas as doenças."


Leonard Cohen


 



via GIPHY

Escrito na pedra

"O amor não tem cura mas é o único remédio para todas as doenças."


Leonard Cohen


 



via GIPHY

Os sacanas também morrem!

 



Ao contrário do Miguel Esteves Cardoso nunca privei com ele, em carne e osso. E, no entanto, ontem, na solidão de quem pinta, privei contigo e perguntava aos botões: quando é que os suecos farão justiça à tua lírica? Nunca! Não premeiam mortos mesmo quando eles, pelas memórias - e no teu caso as gravações, estão cada vez mais vivos!


Ontem, com o pincel em riste e repleto de tinta e ideias, ouvi, de fio e a pavio, ouvi a tua despedida: "You Want It Darker"! O que com naturalidade veio a ser o ponto final de uma carreira simplesmente brilhante!



O disco, repito, chama-se: You Want It Darker. Não, não é verdade! Porque se hoje a coisa está negra, isso passa. Basta ouvir-te, e o dia ficará imediatamente radiante, mesmo que as tuas letras sejam profundamente sombrias. 


O MEC chamou-te de sacana, logo só devo concluir que os sacanas também morrem!


Os sacanas também morrem!

 



Ao contrário do Miguel Esteves Cardoso nunca privei com ele, em carne e osso. E, no entanto, ontem, na solidão de quem pinta, privei contigo e perguntava aos botões: quando é que os suecos farão justiça à tua lírica? Nunca! Não premeiam mortos mesmo quando eles, pelas memórias - e no teu caso as gravações, estão cada vez mais vivos!


Ontem, com o pincel em riste e repleto de tinta e ideias, ouvi, de fio e a pavio, ouvi a tua despedida: "You Want It Darker"! O que com naturalidade veio a ser o ponto final de uma carreira simplesmente brilhante!



O disco, repito, chama-se: You Want It Darker. Não, não é verdade! Porque se hoje a coisa está negra, isso passa. Basta ouvir-te, e o dia ficará imediatamente radiante, mesmo que as tuas letras sejam profundamente sombrias. 


O MEC chamou-te de sacana, logo só devo concluir que os sacanas também morrem!


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A vitória do Trump revela que os eleitores não seguem o mainstream

Eu não sou norte-americana e como tal não me envolvi em campanhas como a maioria dos europeus. Acho este pânico que espalharam sobre o candidato republicano manifestamente exagerado. A história dirá quem tem razão. Mas uma lição há já a tirar desta história toda. Os norte-americanos não se deixam influenciar pela opinião dos jornais e dos opinion-makers. Nem pelo mainstream europeu. Os eleitores dos EUA pensam pela própria cabeça e votam naquilo que eles próprios avaliam. Nisso estão a anos luz dos europeus que pensam o que está na moda pensar.

A vitória do Trump revela que os eleitores não seguem o mainstream

Eu não sou norte-americana e como tal não me envolvi em campanhas como a maioria dos europeus. Acho este pânico que espalharam sobre o candidato republicano manifestamente exagerado. A história dirá quem tem razão. Mas uma lição há já a tirar desta história toda. Os norte-americanos não se deixam influenciar pela opinião dos jornais e dos opinion-makers. Nem pelo mainstream europeu. Os eleitores dos EUA pensam pela própria cabeça e votam naquilo que eles próprios avaliam. Nisso estão a anos luz dos europeus que pensam o que está na moda pensar.

Entre a comédia e a realidade...

Entre a comédia e a realidade...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

As favas estavam mal contadas.


Se há um povo que sou incapaz de o compreender é o norte-americano. Não o escrevo isto para justificar a minha surpresa e, admito, tristeza com a vitória de Donald Trump. Até porque a maioria dos dirigentes republicanos não se revêm na forma insólita - digamos assim - como magnata construi o seu percurso de vida. Porque tenho a esperança que o "natural" realismo que caracteriza os republicanos sirva de travão às loucuras do futuro presidente.


Por outro lado, e numa perspectiva mais local, ou seja, europeia, espero que este resultado seja a alavanca que há muito - diria desde de sempre - falta na construção europeia: de uma vez por todas seremos os senhores do leme, já que o mundo deixou de ser o que era. E nesse mundo andávamos invariavelmente a reboque de Washington! 


Há, finalmente, um dado que me torna um pouco contente com o resultado: a derrota da Senhora Clinton. Se é certo que (caso eu se eu fosse americano) teria votado nela, era um mal menor, eu nunca gostei dela. Era mais do mesmo. E os americanos provaram isso ao optarem por Trump em vez dela. E se o candidato democrata fosse também ele marcado pela rotura sistémica, como Bernie Sanders, será que Trump teria alguma hipótese? 


 


 

As favas estavam mal contadas.


Se há um povo que sou incapaz de o compreender é o norte-americano. Não o escrevo isto para justificar a minha surpresa e, admito, tristeza com a vitória de Donald Trump. Até porque a maioria dos dirigentes republicanos não se revêm na forma insólita - digamos assim - como magnata construi o seu percurso de vida. Porque tenho a esperança que o "natural" realismo que caracteriza os republicanos sirva de travão às loucuras do futuro presidente.


Por outro lado, e numa perspectiva mais local, ou seja, europeia, espero que este resultado seja a alavanca que há muito - diria desde de sempre - falta na construção europeia: de uma vez por todas seremos os senhores do leme, já que o mundo deixou de ser o que era. E nesse mundo andávamos invariavelmente a reboque de Washington! 


Há, finalmente, um dado que me torna um pouco contente com o resultado: a derrota da Senhora Clinton. Se é certo que (caso eu se eu fosse americano) teria votado nela, era um mal menor, eu nunca gostei dela. Era mais do mesmo. E os americanos provaram isso ao optarem por Trump em vez dela. E se o candidato democrata fosse também ele marcado pela rotura sistémica, como Bernie Sanders, será que Trump teria alguma hipótese? 


 


 

Resumo do caso CGD

Resumo do caso CGD: António Costa convida António Domingues para presidente da CGD. António Domingues convida outros para o acompanhar (entre eles Pedro Leitão, antigo administrador da PT, Ángel Corcostegui, antigo presidente do Banco Santander Central Hispano, e Herbert Walter, antigo presidente executivo do Dresdner Bank) que só aceitaram na condição de não serem públicos os seus patrimónios e rendimentos. António Costa aceitou o compromisso e tentou mantê-lo. Mas o assunto veio para a ribalta e António Costa foi o primeiro a demarcar-se do compromisso. Pôs o PS a defender a entrega da declaração. Deitou aos leões o Ministro das Finanças. No fim este vai ser o sacrificado e António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa saem em ombros.


 


P.S. Marques Mendes disse no comentário da SIC que tinha sido o Ministro das Finanças a comprometer-se com António Domingues. Acredito mesmo que Mário Centeno tenha prometido uma nova lei sem o consentimento do primeiro-Ministro. Mesmo. Acho que nem Luis Marques Mendes acredita, mas quis agradar às sua fontes...

Resumo do caso CGD

Resumo do caso CGD: António Costa convida António Domingues para presidente da CGD. António Domingues convida outros para o acompanhar (entre eles Pedro Leitão, antigo administrador da PT, Ángel Corcostegui, antigo presidente do Banco Santander Central Hispano, e Herbert Walter, antigo presidente executivo do Dresdner Bank) que só aceitaram na condição de não serem públicos os seus patrimónios e rendimentos. António Costa aceitou o compromisso e tentou mantê-lo. Mas o assunto veio para a ribalta e António Costa foi o primeiro a demarcar-se do compromisso. Pôs o PS a defender a entrega da declaração. Deitou aos leões o Ministro das Finanças. No fim este vai ser o sacrificado e António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa saem em ombros.


 


P.S. Marques Mendes disse no comentário da SIC que tinha sido o Ministro das Finanças a comprometer-se com António Domingues. Acredito mesmo que Mário Centeno tenha prometido uma nova lei sem o consentimento do primeiro-Ministro. Mesmo. Acho que nem Luis Marques Mendes acredita, mas quis agradar às sua fontes...

sábado, 5 de novembro de 2016

Porque é que a administração da CGD tem de apresentar a declaração de rendimentos?

Por uma simples razão. Porque é preciso saber-se qual o património à chegada à gestão de uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes, para comparar com o património à saída da função.
O resto é palha.
A CGD pode ter deixado de estar acorrentada às correntes do gestor público. Mas não deixou de ser uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes. Só por algum tipo de oportunismos se pode defender o contrário.
Em qualquer país civilizado os gestores de empresas com dinheiro do Estado declaram os rendimentos ao Tribunal Constitucional. Só nos países duvidosos, onde os governantes acabam sempre ricos, e a corrupção é tacitamente aceite é que não é assim.
Antonio Domingues é uma pessoa inteligente e de um enorme bom senso. Se não estivesse preso a um compromisso com as pessoas que convidou para o board da CGD concordaria comigo de certeza.
O problema é que não foi fácil convidar pessoas para aquele lugar, alguns deles estrangeiros, e comprometeu-se (com o aval do primeiro ministro) com uma garantia de discrição que não vai poder cumprir.

Porque é que a administração da CGD tem de apresentar a declaração de rendimentos?

Por uma simples razão. Porque é preciso saber-se qual o património à chegada à gestão de uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes, para comparar com o património à saída da função.
O resto é palha.
A CGD pode ter deixado de estar acorrentada às correntes do gestor público. Mas não deixou de ser uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes. Só por algum tipo de oportunismos se pode defender o contrário.
Em qualquer país civilizado os gestores de empresas com dinheiro do Estado declaram os rendimentos ao Tribunal Constitucional. Só nos países duvidosos, onde os governantes acabam sempre ricos, e a corrupção é tacitamente aceite é que não é assim.
Antonio Domingues é uma pessoa inteligente e de um enorme bom senso. Se não estivesse preso a um compromisso com as pessoas que convidou para o board da CGD concordaria comigo de certeza.
O problema é que não foi fácil convidar pessoas para aquele lugar, alguns deles estrangeiros, e comprometeu-se (com o aval do primeiro ministro) com uma garantia de discrição que não vai poder cumprir.