quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Cumpre-se a profecia de Ulrich: BPI entrega participações em África aos seus accionistas


Fernando Ulrich já tinha dito, na entrevista ao Expresso que uma das soluções para reduzir a exposição aos grandes riscos em Angola é "fazer uma cisão, criando uma holding onde fica a posição no BFA, e as acções dessa holding são distribuídas aos accionistas". Na altura disse ao Expresso: "essa holding teria, no início, a mesma estrutura accionista do BPI, mas seria cotada na bolsa, pelo que quem quisesse depois podia vender", acrescentando que esta estrutura seria comparável a "um banco irmão" do banco português. "Poderá também ser criada uma holding em que se abre o capital a investidores internacionais, mas da qual o BPI será também accionista, com menos de 50%" disse também Fernando Ulrich , revelando que a solução poderá ser "uma combinação" destas possibilidades.


Aí está a confirmação da profecia. Santoro a caminho de controlar BFA. O futuro (e cá estaremos para ver) é o fim da blindagem dos votos no BPI a pedido do Caixabank, por acordo da sociedade de Isabel dos Santos.


Em comunicado ao mercado, o BPI para acomodar o limite de exposição a grandes riscos decorrente da exposição do Banco de Fomento Angola ao Estado Angolano e ao Banco Nacional de Angola, anuncia que as posições no BFA em Angola e BCI em Moçambique passam para a Nova Sociedade (mais uma marca branca no sector financeiro).


Há a salientar que Angola contribuiu com mais de 90% para os lucros consolidados do BPI, o que significa que esta operação irá ter impacto nos lucros do BPI.


Como será feita?


O BPI vai entregar aos seus accionistas a maioria do capital do Banco de Fomento Angola, além de outras participações no sector financeiro africano, para respeitar as exigências do Banco Central Europeu que exigia que a instituição liderada por Fernando Ulrich reduzisse a concentração de riscos ao Estado angolano.


 Na prática, o banco vai transferir para a Nova Sociedade (sem o passivo) 50,1% do BFA, 30% do BCI, 100% do BPI Moçambique e outros activos de suporte daquelas unidades de negócio. Esta Nova Sociedade reproduz a estrutura accionista inicial do BPI, mas depois está prevista a entrada de accionistas (o BPI descreve que já há uma manifestação de interesse numa posição minoritária do BFA), quanto mais não seja através da bolsa. A nova empresa será cotada na Euronext Lisbon e terá um capital de 46 milhões de euros.


Segundo o Negócios, e isto é importante, a proposta para comprar uma posição minoritária no BFA é de Isabel dos Santos. Começa a desenhar-se o figurino futuro da triologia BPI, Caixabank e Santoro..


Com esta operação o BPI evita ter de se desfazer da carteira (elevada) de dívida soberana angolana, pois se o fizesse perdia a rentabilidade oferecida e depois ficava o banco com excesso de liquidez sem ter activos onde aplicar.


Há neutralidade fiscal exigida para a concretização da operação o que muito irritará os velhos opositores de esquerda de Ulrich.


Claro que esta operação tem de ser aprovada em AG e que a Santoro de Isabel dos Santos tem de aprovar, mas não parece provável que este anúncio não tenha sido precedido de um acordo informal por parte do accionista do BPI angolano que é o segundo maior accionista do BFA.


Os accionistas do banco podem vender parte da sociedade que aglutina posições em bancos africanos a terceiros, "com vista a solucionar a ultrapassagem do limite dos grandes riscos".


 P.S. Afinal,  depois de publicar no Facebook, avisaram-me que não há acordo com Isabel dos Santos. Meu Deus, o que se passa no BPI? Repete-se o cenário da OPA? Fernando Ulrich deve a esta hora lamentar o acordo que um dia fez com Isabel dos Santos para a tornar accionista do BPI.

Cumpre-se a profecia de Ulrich: BPI entrega participações em África aos seus accionistas


Fernando Ulrich já tinha dito, na entrevista ao Expresso que uma das soluções para reduzir a exposição aos grandes riscos em Angola é "fazer uma cisão, criando uma holding onde fica a posição no BFA, e as acções dessa holding são distribuídas aos accionistas". Na altura disse ao Expresso: "essa holding teria, no início, a mesma estrutura accionista do BPI, mas seria cotada na bolsa, pelo que quem quisesse depois podia vender", acrescentando que esta estrutura seria comparável a "um banco irmão" do banco português. "Poderá também ser criada uma holding em que se abre o capital a investidores internacionais, mas da qual o BPI será também accionista, com menos de 50%" disse também Fernando Ulrich , revelando que a solução poderá ser "uma combinação" destas possibilidades.


Aí está a confirmação da profecia. Santoro a caminho de controlar BFA. O futuro (e cá estaremos para ver) é o fim da blindagem dos votos no BPI a pedido do Caixabank, por acordo da sociedade de Isabel dos Santos.


Em comunicado ao mercado, o BPI para acomodar o limite de exposição a grandes riscos decorrente da exposição do Banco de Fomento Angola ao Estado Angolano e ao Banco Nacional de Angola, anuncia que as posições no BFA em Angola e BCI em Moçambique passam para a Nova Sociedade (mais uma marca branca no sector financeiro).


Há a salientar que Angola contribuiu com mais de 90% para os lucros consolidados do BPI, o que significa que esta operação irá ter impacto nos lucros do BPI.


Como será feita?


O BPI vai entregar aos seus accionistas a maioria do capital do Banco de Fomento Angola, além de outras participações no sector financeiro africano, para respeitar as exigências do Banco Central Europeu que exigia que a instituição liderada por Fernando Ulrich reduzisse a concentração de riscos ao Estado angolano.


 Na prática, o banco vai transferir para a Nova Sociedade (sem o passivo) 50,1% do BFA, 30% do BCI, 100% do BPI Moçambique e outros activos de suporte daquelas unidades de negócio. Esta Nova Sociedade reproduz a estrutura accionista inicial do BPI, mas depois está prevista a entrada de accionistas (o BPI descreve que já há uma manifestação de interesse numa posição minoritária do BFA), quanto mais não seja através da bolsa. A nova empresa será cotada na Euronext Lisbon e terá um capital de 46 milhões de euros.


Segundo o Negócios, e isto é importante, a proposta para comprar uma posição minoritária no BFA é de Isabel dos Santos. Começa a desenhar-se o figurino futuro da triologia BPI, Caixabank e Santoro..


Com esta operação o BPI evita ter de se desfazer da carteira (elevada) de dívida soberana angolana, pois se o fizesse perdia a rentabilidade oferecida e depois ficava o banco com excesso de liquidez sem ter activos onde aplicar.


Há neutralidade fiscal exigida para a concretização da operação o que muito irritará os velhos opositores de esquerda de Ulrich.


Claro que esta operação tem de ser aprovada em AG e que a Santoro de Isabel dos Santos tem de aprovar, mas não parece provável que este anúncio não tenha sido precedido de um acordo informal por parte do accionista do BPI angolano que é o segundo maior accionista do BFA.


Os accionistas do banco podem vender parte da sociedade que aglutina posições em bancos africanos a terceiros, "com vista a solucionar a ultrapassagem do limite dos grandes riscos".


 P.S. Afinal,  depois de publicar no Facebook, avisaram-me que não há acordo com Isabel dos Santos. Meu Deus, o que se passa no BPI? Repete-se o cenário da OPA? Fernando Ulrich deve a esta hora lamentar o acordo que um dia fez com Isabel dos Santos para a tornar accionista do BPI.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Se as sondagens não valem, porque as compram?


Assisto com espanto à discussão que se tem desenrolado à volta das sondagens de voto para as próximas eleições de 4 de Outubro. Discute-se na praça pública a fé nas sondagens.


Parece incomodar sobejamente o facto de a coligação estar à frente em algumas sondagens. Inicialmente quando as sondagens davam vitória ao PS, ninguém comentava o simples facto de as sondagens serem feitas por ... telefone fixo. De repente é tema em cada fórum o facto de as sondagens só abrangerem o universo de pessoas que têm telefone fixo.


Suspeito que, não fosse a coligação de direita estar à frente das sondagens, e eu nunca teria descoberto essa nuance técnica: o universo de sondados têm telefone fixo. Mas alguém alguma vez exigiu em nota de rodapé a explicação de que a sondagem não é representativa porque só abrange pessoas com telefone fixo? Não, nunca. Mas essa é agora a explicação que todos os portugueses de esquerda (que têm a arrogância de achar que o povo está sempre maioritariamente com eles) e alguns de direita (que não acreditam na popularidade da sua direita) parecem ter encontrado para este fenómeno bizarro "a coligação PSD/CDS está à frente das intenções de voto dos portugueses". Como é que é possível?! É só porque contactam pessoas com telefone fixo, dizem.


As pessoas discutem hoje as sondagens como se discute religião: "eu acredito nas sondagens", ou "eu não acredito nas sondagens". Como se fosse uma questão de fé.


Os pivots dos telejornais questionam os directores das empresas de sondagens e insistem em plantar a dúvida: "Isto pode ser pouco viável, não é? Isto tem uma credibilidade relativa não é?"


Os humoristas fazem piadas. Como é possível que a coligação esteja à frente das sondagens? Não é por mérito da coligação, é por desmérito, do PS, ou... das empresas de sondagens.


É este o pensamento dominante!


Adaptando a frase metafórica do MRPP: Morte ao pensamento único! Caramba. 

Se as sondagens não valem, porque as compram?


Assisto com espanto à discussão que se tem desenrolado à volta das sondagens de voto para as próximas eleições de 4 de Outubro. Discute-se na praça pública a fé nas sondagens.


Parece incomodar sobejamente o facto de a coligação estar à frente em algumas sondagens. Inicialmente quando as sondagens davam vitória ao PS, ninguém comentava o simples facto de as sondagens serem feitas por ... telefone fixo. De repente é tema em cada fórum o facto de as sondagens só abrangerem o universo de pessoas que têm telefone fixo.


Suspeito que, não fosse a coligação de direita estar à frente das sondagens, e eu nunca teria descoberto essa nuance técnica: o universo de sondados têm telefone fixo. Mas alguém alguma vez exigiu em nota de rodapé a explicação de que a sondagem não é representativa porque só abrange pessoas com telefone fixo? Não, nunca. Mas essa é agora a explicação que todos os portugueses de esquerda (que têm a arrogância de achar que o povo está sempre maioritariamente com eles) e alguns de direita (que não acreditam na popularidade da sua direita) parecem ter encontrado para este fenómeno bizarro "a coligação PSD/CDS está à frente das intenções de voto dos portugueses". Como é que é possível?! É só porque contactam pessoas com telefone fixo, dizem.


As pessoas discutem hoje as sondagens como se discute religião: "eu acredito nas sondagens", ou "eu não acredito nas sondagens". Como se fosse uma questão de fé.


Os pivots dos telejornais questionam os directores das empresas de sondagens e insistem em plantar a dúvida: "Isto pode ser pouco viável, não é? Isto tem uma credibilidade relativa não é?"


Os humoristas fazem piadas. Como é possível que a coligação esteja à frente das sondagens? Não é por mérito da coligação, é por desmérito, do PS, ou... das empresas de sondagens.


É este o pensamento dominante!


Adaptando a frase metafórica do MRPP: Morte ao pensamento único! Caramba. 

Na boca das urnas

Sondagens há muitas, e há quem as faça diariamente, e eu não acredito em nenhuma delas. Dia 4, na boca das urnas veremos quem irá ganhar, como também iremos aferir qual é o número de portugueses, que na sua irresponsabilidade - pois é disso que se trata - se absterão! 


Uma boa razão para não ligar a estes barómetros é isto e isto. Ou seja, como é possível que no mesmo dia, segundo o Observador a Coligação alarga vantagem para o PS e segundo o estudo feito para a RTP, o PS encurte distância para coligação?


De facto, o melhor mesmo é esperar pelo lavar do cestos. No entanto, como dificilmente haverá uma maioria inequívoca, estou mesmo a ver que qualquer dia iremos novamente a votos!


 


Sem Título.png


 

Na boca das urnas

Sondagens há muitas, e há quem as faça diariamente, e eu não acredito em nenhuma delas. Dia 4, na boca das urnas veremos quem irá ganhar, como também iremos aferir qual é o número de portugueses, que na sua irresponsabilidade - pois é disso que se trata - se absterão! 


Uma boa razão para não ligar a estes barómetros é isto e isto. Ou seja, como é possível que no mesmo dia, segundo o Observador a Coligação alarga vantagem para o PS e segundo o estudo feito para a RTP, o PS encurte distância para coligação?


De facto, o melhor mesmo é esperar pelo lavar do cestos. No entanto, como dificilmente haverá uma maioria inequívoca, estou mesmo a ver que qualquer dia iremos novamente a votos!


 


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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Lições de experiências tristes

IMG_2915.JPG


 "Uma das coisas que aprendi desta experiência triste, é que a maioria das pessoas põe à frente dos valores, os benefícios, as mordomias, o dinheiro e o poder e as pessoas que põem os valores à frente dessas mordomias são uma minoria muito menor do que eu pensava antigamente"


José Maria Ricciardi no Negócios da Semana

Lições de experiências tristes

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 "Uma das coisas que aprendi desta experiência triste, é que a maioria das pessoas põe à frente dos valores, os benefícios, as mordomias, o dinheiro e o poder e as pessoas que põem os valores à frente dessas mordomias são uma minoria muito menor do que eu pensava antigamente"


José Maria Ricciardi no Negócios da Semana

To be or not to be. I am!

Encontrei na Visão online este texto que dá para pensar,  e até para mim, ou sobretudo para mim, que, gostem ou não gostem do que eu faço, sou um artista.
O texto intitulado “O maior falsário de sempre” sugere uma clara reflexão que cito:“Beltracchi pode ser um sobredotado da técnica e um homem muito inteligente e meticuloso. Ou seja, um grande pintor. Mas não é um artista.” Ou seja, mesmo que não tenha a técnica dele – muito longe disso – procuro ser. E um artista que em vez de ser quer ter, usurpando o que outros verdadeiramente fizeram, não é grande coisa. Não existe, até porque nem tudo é pintar!


Sim. Perante a clássica questão de Shakespeare eu respondo: I am!


 


WP_20150921_006.jpgSem Título. Técnica mista sobre tela. 2015 / Setembro


 


Este trabalho, feito ainda ontem, é da minha autoria e se Beltracchi, ou outro falsário, o imitasse até o considerava um elogio. Devo mesmo valer alguma coisa!

To be or not to be. I am!

Encontrei na Visão online este texto que dá para pensar,  e até para mim, ou sobretudo para mim, que, gostem ou não gostem do que eu faço, sou um artista.
O texto intitulado “O maior falsário de sempre” sugere uma clara reflexão que cito:“Beltracchi pode ser um sobredotado da técnica e um homem muito inteligente e meticuloso. Ou seja, um grande pintor. Mas não é um artista.” Ou seja, mesmo que não tenha a técnica dele – muito longe disso – procuro ser. E um artista que em vez de ser quer ter, usurpando o que outros verdadeiramente fizeram, não é grande coisa. Não existe, até porque nem tudo é pintar!


Sim. Perante a clássica questão de Shakespeare eu respondo: I am!


 


WP_20150921_006.jpgSem Título. Técnica mista sobre tela. 2015 / Setembro


 


Este trabalho, feito ainda ontem, é da minha autoria e se Beltracchi, ou outro falsário, o imitasse até o considerava um elogio. Devo mesmo valer alguma coisa!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Frases a reter

A Standard &Poors's justifica a subida do rating português com o facto da dívida pública líquida portuguesa ter descido pela primeira vez em 15 anos.


P. S. Ou seja, crescimento do PIB 2,6% e Saldo primário positivo (receitas versus despesas, sem os juros) de 1,6%, diz a minha fonte.

Frases a reter

A Standard &Poors's justifica a subida do rating português com o facto da dívida pública líquida portuguesa ter descido pela primeira vez em 15 anos.


P. S. Ou seja, crescimento do PIB 2,6% e Saldo primário positivo (receitas versus despesas, sem os juros) de 1,6%, diz a minha fonte.

Tantos. Tantas esperanças e Portugal, como ficará?

 


 



Tantos. Tantas esperanças e Portugal, como ficará?

 


 



E Portugal?


Já sei que irão criticar mas Portugal (ainda) é Lisboa e o resto é paisagem!


 


Depois de ler isto, ou seja, que o PS ganha em votos mas perde em mandatos, tornando o país ingovernável lembrei-me do que escrevi, pedindo pragmatismo. Nosso e sobretudo deles. Esqueçam o poder, as glórias vãs, e pensem em Portugal. Num Portugal europeu! 


 

E Portugal?


Já sei que irão criticar mas Portugal (ainda) é Lisboa e o resto é paisagem!


 


Depois de ler isto, ou seja, que o PS ganha em votos mas perde em mandatos, tornando o país ingovernável lembrei-me do que escrevi, pedindo pragmatismo. Nosso e sobretudo deles. Esqueçam o poder, as glórias vãs, e pensem em Portugal. Num Portugal europeu! 


 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Debate nas telefonias


Dos resumos que vi, encontrei um Pedro Passos Coelho mais seguro, mais determinado, que corrigiu as falhas do debate anterior na Televisão. Pedro Passos Coelho ganhou o debate. O modelo de debate que foi transmitido na TSF, Antena 1 e Renascença, foi mais eficaz do que o televisivo. E os moderadores do debate na telefonia eram melhores do que os da televisão, talvez porque sejam verdadeiramente jornalistas de economia, área fundamental do debate.


António Costa, que na televisão tinha deitado ao tapete Pedro Passos Coelho com a Segurança Social, que se tinha perdido no palavrão "plafonamento", desta vez o feitiço virou-se contra o feiticeiro e o líder socialista enredou-se nas suas propostas para a sustentabilidade da Segurança Social. Pedro Passos perguntou e António Costa não respondeu: como vai poupar 1000 milhões na segurança social?


Este debate foi mais esclarecedor do que o primeiro. Desta vez houve Europa e refugiados, temas ausentes no anterior debate. Houve impostos, dívida, segurança social e educação.


Questionado sobre que prestações sociais o líder do PS admitiu vir a exigir condições de recurso (i.e., o conjunto das condições que o beneficiário deve reunir para poder solicitar determinada prestação social)? António Costa não respondeu: "Iremos fazer a avaliação do conjunto das prestações", disse primeiro.


Passos Coelho não largou: "Que prestações não estão ainda sujeitas a condições de recursos que o dr. acha que podem permitir à Segurança Social poupar mil milhões?". E insistiu: "É muito dinheiro em quatro anos - tem de dizer quais são as prestações sociais afectadas por isto. Se não sabe é porque tem um número que não sabe a que diz respeito". António Costa não soube responder "será negociado no momento próprio em concertação social", limitou-se a afirmar, e lá voltou a atirar com o programa da coligação que inclui 600 milhões de cortes nas pensões.


Pedro Passos Coelho desta vez não deixou passar o "Quem é afinal o responsável pela resolução da dívida da Câmara de Lisboa?"


 


 

Debate nas telefonias


Dos resumos que vi, encontrei um Pedro Passos Coelho mais seguro, mais determinado, que corrigiu as falhas do debate anterior na Televisão. Pedro Passos Coelho ganhou o debate. O modelo de debate que foi transmitido na TSF, Antena 1 e Renascença, foi mais eficaz do que o televisivo. E os moderadores do debate na telefonia eram melhores do que os da televisão, talvez porque sejam verdadeiramente jornalistas de economia, área fundamental do debate.


António Costa, que na televisão tinha deitado ao tapete Pedro Passos Coelho com a Segurança Social, que se tinha perdido no palavrão "plafonamento", desta vez o feitiço virou-se contra o feiticeiro e o líder socialista enredou-se nas suas propostas para a sustentabilidade da Segurança Social. Pedro Passos perguntou e António Costa não respondeu: como vai poupar 1000 milhões na segurança social?


Este debate foi mais esclarecedor do que o primeiro. Desta vez houve Europa e refugiados, temas ausentes no anterior debate. Houve impostos, dívida, segurança social e educação.


Questionado sobre que prestações sociais o líder do PS admitiu vir a exigir condições de recurso (i.e., o conjunto das condições que o beneficiário deve reunir para poder solicitar determinada prestação social)? António Costa não respondeu: "Iremos fazer a avaliação do conjunto das prestações", disse primeiro.


Passos Coelho não largou: "Que prestações não estão ainda sujeitas a condições de recursos que o dr. acha que podem permitir à Segurança Social poupar mil milhões?". E insistiu: "É muito dinheiro em quatro anos - tem de dizer quais são as prestações sociais afectadas por isto. Se não sabe é porque tem um número que não sabe a que diz respeito". António Costa não soube responder "será negociado no momento próprio em concertação social", limitou-se a afirmar, e lá voltou a atirar com o programa da coligação que inclui 600 milhões de cortes nas pensões.


Pedro Passos Coelho desta vez não deixou passar o "Quem é afinal o responsável pela resolução da dívida da Câmara de Lisboa?"


 


 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O dilema


Refugee Crisis

O dilema


Refugee Crisis

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Haja arte

Agora vou pintar. É tão higiénico que o mundo e as chatices parecem não existir. Haja arte. Estamos safos!

Haja arte

Agora vou pintar. É tão higiénico que o mundo e as chatices parecem não existir. Haja arte. Estamos safos!

O nosso rumo

papa.jpg


 


Já escrevi aqui quanto gosto do Papa Francisco. Hoje escrevo para dizer que gostei da entrevista que ele deu à Renascença.


Gosto, principalmente, quando ele diz "que o grande desafio da Europa é voltar a ser a mãe Europa”. Resta saber se a Europa será capaz de se recentrar?


É o nosso rumo. Haja coragem!!!


 


 

O nosso rumo

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Já escrevi aqui quanto gosto do Papa Francisco. Hoje escrevo para dizer que gostei da entrevista que ele deu à Renascença.


Gosto, principalmente, quando ele diz "que o grande desafio da Europa é voltar a ser a mãe Europa”. Resta saber se a Europa será capaz de se recentrar?


É o nosso rumo. Haja coragem!!!


 


 

Uma ideia

A Comissão Nacional de Eleições, que parece ser gente séria, está preocupada com a promiscuidade entre o futebol e a política. De facto, só num país como o nosso, realizar jogos de futebol num dia de sufrágio não é grande ideia. É "pouco sensato”, dizem!


Não é mesmo. Mas eu tenho uma ideia que pode ser vantajosa. Jogos à porta fechada, sem adeptos. Esses vão votar, e os jogadores que joguem. Não é verdade que a maioria dos planteis é composto por estrangeiros?


Fica a ideia…

Uma ideia

A Comissão Nacional de Eleições, que parece ser gente séria, está preocupada com a promiscuidade entre o futebol e a política. De facto, só num país como o nosso, realizar jogos de futebol num dia de sufrágio não é grande ideia. É "pouco sensato”, dizem!


Não é mesmo. Mas eu tenho uma ideia que pode ser vantajosa. Jogos à porta fechada, sem adeptos. Esses vão votar, e os jogadores que joguem. Não é verdade que a maioria dos planteis é composto por estrangeiros?


Fica a ideia…

Um acordo que já era...

Três países já suspenderam acordo de Schengen...


E o que virá a seguir?


 


P.S. - Já agora porque os partidos da governação, incluindo os socialistas, não falam disto?

Um acordo que já era...

Três países já suspenderam acordo de Schengen...


E o que virá a seguir?


 


P.S. - Já agora porque os partidos da governação, incluindo os socialistas, não falam disto?

O Circo e o pragmatismo

WP_20150912_017.jpg


Como habitualmente, realizou-se na Casa-Museu mais um exercício de democracia, convidando as forças políticas correntes às eleições legislativas de 4 de Outubro a participarem num debate, que este ano teve duas variantes: Os eleitores interrogaram os futuros eleitos, como convida-mos as novas forças concorrentes, como as que habitualmente não tem expressão eleitoral.


 


O debate realizou-se em dois distintos, dias 12 e 13 de Setembro, sendo que foi realizado entre as forças de menor expressão, ou que concorrem pela primeira vez, teve maior interesse e foi mais estimulante.


No dia 12, na mesma mesa, estiveram presentes os suspeitos do costume e duas novas forças políticas, o Livre -Tempo de Avançar e o Partido Democrático Republicano, uma força política que, dependendo do seu sucesso eleitoral, poderá ou não ser um “caso de estudo”. O PDR pode ser visto como uma espécie de força “unipessoal”, pois gravita em volta de um nome: o Eurodeputado António Marinho e Pinto. Os do costume apresentaram as cassetes do costume, inclusive os partidos do arco da governação. O que, reconheça-se, era espectável!


 


Habitualmente a campanha eleitoral, pelo folclore que nos habituou, confunde-se com um circo. Há lá de tudo: palhaços, malabaristas e, claro está, a assistência que tem, dê para onde der, a faca e o queijo na mão. E por muito que o português queira mudar, dando oportunidade a outros, sabe que, tal como os artistas nos seus malabarismos políticos, precisa de uma rede. De uma rede que o proteja de uma queda fatal, ou seja, caucionando o seu sufrágio ora na coligação, ora nos socialistas. Porque, ganhe quem ganhar, as políticas serão invariavelmente as mesmas! Aliás, não é por acaso que as “geometrias ideológicas” foram arrumadas na gaveta. Tinha ser que assim. A situação do país, pese embora em desfavor de um certo saudosismo, obriga-o. Hoje, tanto o PS como a coligação, são “farinha do mesmo saco”!


 A 4 de Outubro, ganhe quem ganhar, vencerá o pragmatismo!


 

O Circo e o pragmatismo

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Como habitualmente, realizou-se na Casa-Museu mais um exercício de democracia, convidando as forças políticas correntes às eleições legislativas de 4 de Outubro a participarem num debate, que este ano teve duas variantes: Os eleitores interrogaram os futuros eleitos, como convida-mos as novas forças concorrentes, como as que habitualmente não tem expressão eleitoral.


 


O debate realizou-se em dois distintos, dias 12 e 13 de Setembro, sendo que foi realizado entre as forças de menor expressão, ou que concorrem pela primeira vez, teve maior interesse e foi mais estimulante.


No dia 12, na mesma mesa, estiveram presentes os suspeitos do costume e duas novas forças políticas, o Livre -Tempo de Avançar e o Partido Democrático Republicano, uma força política que, dependendo do seu sucesso eleitoral, poderá ou não ser um “caso de estudo”. O PDR pode ser visto como uma espécie de força “unipessoal”, pois gravita em volta de um nome: o Eurodeputado António Marinho e Pinto. Os do costume apresentaram as cassetes do costume, inclusive os partidos do arco da governação. O que, reconheça-se, era espectável!


 


Habitualmente a campanha eleitoral, pelo folclore que nos habituou, confunde-se com um circo. Há lá de tudo: palhaços, malabaristas e, claro está, a assistência que tem, dê para onde der, a faca e o queijo na mão. E por muito que o português queira mudar, dando oportunidade a outros, sabe que, tal como os artistas nos seus malabarismos políticos, precisa de uma rede. De uma rede que o proteja de uma queda fatal, ou seja, caucionando o seu sufrágio ora na coligação, ora nos socialistas. Porque, ganhe quem ganhar, as políticas serão invariavelmente as mesmas! Aliás, não é por acaso que as “geometrias ideológicas” foram arrumadas na gaveta. Tinha ser que assim. A situação do país, pese embora em desfavor de um certo saudosismo, obriga-o. Hoje, tanto o PS como a coligação, são “farinha do mesmo saco”!


 A 4 de Outubro, ganhe quem ganhar, vencerá o pragmatismo!


 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mundo Moderno



As imagens são de autoria do ilustrador francês Jean Jullien em parceria com dois outros ilustradores, criadores da página News of the Times

Mundo Moderno



As imagens são de autoria do ilustrador francês Jean Jullien em parceria com dois outros ilustradores, criadores da página News of the Times

A importância dos debates (by Monty Python)


 

A importância dos debates (by Monty Python)


 

Uma questão de coração (e algum realismo)


 


Ontem, no meu mural no Facebook, escrevi: “ Cada vez gosto mais da chanceler alemã, tomara que existissem outros assim neste decrépito continente.” É verdade, cada vez gosto mais de Angela Merkel.


Não porque Merkel tirou várias selfies com refugiados, mas porque tem estofo. Tem o estofo que falta aos demais líderes europeus. Bem sei que, tal como nos almoços, estas “selfies” não são de graça. Há frieza gélida na mente desta mulher e pragmatismo suficiente para ela se confirmar como a nossa locomotiva.


No entanto a questão dos refugiados, pelo menos aqui em Portugal, parece passar ao lado. Pelo menos não tenho ouvido grandes discursos sobre este tema na campanha eleitoral. De facto, antes de adoptarmos soluções para estes pobres coitados é preciso olhar para dentro, e encontrar soluções para os nossos miseráveis. Não conheço os número mas são muitos os que dormem ao relento, debaixo das pontes! Não obstante é bom seremos solidários, e mesmo que simbolicamente, dar as mãos e transmitir a ideia que eles não nos passam ao lado. Somos todos seres humanos. É por isso que decidi estar hoje presente, defronte da Sé de Santarém, pelas 21 horas, numa uma acção de "solidariedade e afecto" para com os migrantes, organizada pelo movimento cívico 'No Coração da Cidade', e que conta com o apoio da diocése de Santarém.


Faço-o, porque tal como eles e a Angela, eu tenho coração. E não o quero perder!


 

Uma questão de coração (e algum realismo)


 


Ontem, no meu mural no Facebook, escrevi: “ Cada vez gosto mais da chanceler alemã, tomara que existissem outros assim neste decrépito continente.” É verdade, cada vez gosto mais de Angela Merkel.


Não porque Merkel tirou várias selfies com refugiados, mas porque tem estofo. Tem o estofo que falta aos demais líderes europeus. Bem sei que, tal como nos almoços, estas “selfies” não são de graça. Há frieza gélida na mente desta mulher e pragmatismo suficiente para ela se confirmar como a nossa locomotiva.


No entanto a questão dos refugiados, pelo menos aqui em Portugal, parece passar ao lado. Pelo menos não tenho ouvido grandes discursos sobre este tema na campanha eleitoral. De facto, antes de adoptarmos soluções para estes pobres coitados é preciso olhar para dentro, e encontrar soluções para os nossos miseráveis. Não conheço os número mas são muitos os que dormem ao relento, debaixo das pontes! Não obstante é bom seremos solidários, e mesmo que simbolicamente, dar as mãos e transmitir a ideia que eles não nos passam ao lado. Somos todos seres humanos. É por isso que decidi estar hoje presente, defronte da Sé de Santarém, pelas 21 horas, numa uma acção de "solidariedade e afecto" para com os migrantes, organizada pelo movimento cívico 'No Coração da Cidade', e que conta com o apoio da diocése de Santarém.


Faço-o, porque tal como eles e a Angela, eu tenho coração. E não o quero perder!


 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A democracia passa por aqui

DEBATE.jpg


Desde sempre na Fundação Passos Canavarro, e em espaços que nos eram cedidos, ou agora na Casa-Museu, realizamos debates a propósito dos mais diversos actos eleitorais. Os mais concorridos são sempre os que se realizam em tempos de eleições locais. Já o debate sobre eleições europeias é, regra geral, para as moscas. É normal, mas não é natural!


Não é natural porque as pessoas ainda não entenderam a importância que a Europa e as questões europeias tem nas nossas vidas, como não é normal que a questão da migração não tenha sido abordada ontem.


Gostaria de saber se Costa ainda os quer meter a tomar conta da nossa floresta?


Também é normal que os debates à volta das eleições autárquicas tenham maior impacto. É uma questão de proximidade! Porém como há que variar, procurando afastar as moscas da assistência, decidimos alterar o figurino do debate. Assim, e em dois dias distintos, a 12 e 13 de Setembro, pelas 17 horas, no jardim da Casa-Museu Passos Canavarro, todos os partidos e coligações que concorrem no Distrito de Santarém foram convidados. Há para todos os gostos e feitios, porque achamos que a democracia não deve impedir ninguém de dizer o que pensa. Sejam dos extremos, da direita, da esquerda ou do centro. Todos, mas mesmos todos, foram convidados. Não é para ligarem as cassetes, até porque é coisa “vintage”, mas para responderem aos anseios dos eleitores. Sim, a democracia passa por aqui, e dia 4 de Outubro, é bom lembrar que somos nós que tem a faca e o queijo na mão!


 

A democracia passa por aqui

DEBATE.jpg


Desde sempre na Fundação Passos Canavarro, e em espaços que nos eram cedidos, ou agora na Casa-Museu, realizamos debates a propósito dos mais diversos actos eleitorais. Os mais concorridos são sempre os que se realizam em tempos de eleições locais. Já o debate sobre eleições europeias é, regra geral, para as moscas. É normal, mas não é natural!


Não é natural porque as pessoas ainda não entenderam a importância que a Europa e as questões europeias tem nas nossas vidas, como não é normal que a questão da migração não tenha sido abordada ontem.


Gostaria de saber se Costa ainda os quer meter a tomar conta da nossa floresta?


Também é normal que os debates à volta das eleições autárquicas tenham maior impacto. É uma questão de proximidade! Porém como há que variar, procurando afastar as moscas da assistência, decidimos alterar o figurino do debate. Assim, e em dois dias distintos, a 12 e 13 de Setembro, pelas 17 horas, no jardim da Casa-Museu Passos Canavarro, todos os partidos e coligações que concorrem no Distrito de Santarém foram convidados. Há para todos os gostos e feitios, porque achamos que a democracia não deve impedir ninguém de dizer o que pensa. Sejam dos extremos, da direita, da esquerda ou do centro. Todos, mas mesmos todos, foram convidados. Não é para ligarem as cassetes, até porque é coisa “vintage”, mas para responderem aos anseios dos eleitores. Sim, a democracia passa por aqui, e dia 4 de Outubro, é bom lembrar que somos nós que tem a faca e o queijo na mão!


 

Um retrato de António Costa feito por um leitor


Deixaram este comentário a um post meu no Corta-Fitas, e eu achei tão bom que vou reproduzi-lo aqui:


Foi um suplício assistir àquela seca e confesso que houve momentos em que mudei de canal. É extraordinário como o Passos Coelho não conseguiu desmontar com uma frase, nem é preciso mais, a "obra" do Costa na Câmara de Lisboa. A Câmara de Lisboa é a entidade mais subsidiada do país, só tem de fazer obras, pagar a funcionários, e quando se lhe acaba o dinheiro vai pedir ao Governo. Alguma vez isso é modelo para o país? Portugal não funciona assim, muito menos agora com as regras do Tratado Orçamental. O Costa diminuiu a dívida da Câmara devido a uma receita extraordinária, ainda por cima por uma decisão do Governo, não foi mérito da gestão socialista da Câmara. Então a esquerda anda a atacar o Governo com as privatizações e o Primeiro-ministro deixa passar esta? Só se lembrou da venda dos terrenos do aeroporto no final do debate e mesmo assim deixou o Costa ficar com a última palavra.

Foram várias as vezes que dei um murro no sofá de frustração porque o Costa não levou a resposta que devia. O PS é um partido unipessoal que vive da imagem do seu líder e da construção mediática em torno da sua "obra" na Câmara de Lisboa. A sua imagem passa incólume à forma como tratou António José Seguro e como agora despreza José Sócrates (não que isso me interesse, porque estão os dois bem um para o outro), apesar de ter tido o seu apoio e financiamento para chegar à liderança do PS. Isto diz muito da personalidade de António Costa. Já nem falo no Costa Ministro da Justiça, nomeadamente na sua intervenção no processo Casa Pia e nas alterações à Lei na sequência desse processo, ou na sua megalomania como Ministro da Administração Interna, entregando à GNR lanchas rápidas para vigilância marítima, obrigando o país a gastar ainda mais dinheiro devida à duplicação de meios (felizmente que não teve tempo de fazer mais asneiras...).



A demagogia e a aldrabice ficaram patentes na forma como descreve os efeitos da austeridade imposta pelos credores, omitindo porque é que Portugal ficou sem dinheiro e a Troika tutelou Portugal durante três anos. Além disso, todo o programa socialista é um exercício bacoco efectuado por economistas supostamente competentes, evidenciando o vazio que é o PS neste momento. Tal não é nada de diferente em relação ao que Guterres havia feito com os Estados Gerais, e depois foi o que se viu.

Não gostei da falta de intensidade e da dispersão do Primeiro-ministro. A mensagem tem de ser clara e concisa. O adversário não pode ficar sem resposta, os "moderadores" que se lixem. A esquerda está a usar as perguntas nos debates para fazer acusações e depois o Passos e o Portas têm de se ficar e só responder para o futuro? Não pode ser. Já na terça-feira com a bloquista foi a mesma coisa. Ela não apresentava medidas, só fazia acusações e queixinhas, e quando chegava a vez do Portas a "moderadora" queria que este só falasse no futuro e não pudesse rebatar a outra.


Não é possível construir o futuro sem entender o passado e por isso não se pode deixar o PS passar por entre os pingos da chuva na matéria da dívida, do Euro ou da integração europeia. Não se pode mudar tantas vezes de posição como o PS mudou. Não se pode ser pró-Syriza num dia e no outro já nem conhecer os gregos (não admira que o Costa faça o mesmo ao Sócrates...), não se pode ser europeísta quando a Europa nos financia o modo de vida e passar a ser "nacionalista" quando as regras ficam mais apertadas, não nos podemos queixar do "protectorado" quando temos de reduzir a dívida e já não nos importarmos quando nos obrigam a receber refugiados sem qualquer critério. Os hipócritas e os cínicos podem. O PS pode, à cara podre, por isso é que não merece confiança nenhuma.


 


De Anónimo a 10.09.2015 às 09:51

Um retrato de António Costa feito por um leitor


Deixaram este comentário a um post meu no Corta-Fitas, e eu achei tão bom que vou reproduzi-lo aqui:


Foi um suplício assistir àquela seca e confesso que houve momentos em que mudei de canal. É extraordinário como o Passos Coelho não conseguiu desmontar com uma frase, nem é preciso mais, a "obra" do Costa na Câmara de Lisboa. A Câmara de Lisboa é a entidade mais subsidiada do país, só tem de fazer obras, pagar a funcionários, e quando se lhe acaba o dinheiro vai pedir ao Governo. Alguma vez isso é modelo para o país? Portugal não funciona assim, muito menos agora com as regras do Tratado Orçamental. O Costa diminuiu a dívida da Câmara devido a uma receita extraordinária, ainda por cima por uma decisão do Governo, não foi mérito da gestão socialista da Câmara. Então a esquerda anda a atacar o Governo com as privatizações e o Primeiro-ministro deixa passar esta? Só se lembrou da venda dos terrenos do aeroporto no final do debate e mesmo assim deixou o Costa ficar com a última palavra.

Foram várias as vezes que dei um murro no sofá de frustração porque o Costa não levou a resposta que devia. O PS é um partido unipessoal que vive da imagem do seu líder e da construção mediática em torno da sua "obra" na Câmara de Lisboa. A sua imagem passa incólume à forma como tratou António José Seguro e como agora despreza José Sócrates (não que isso me interesse, porque estão os dois bem um para o outro), apesar de ter tido o seu apoio e financiamento para chegar à liderança do PS. Isto diz muito da personalidade de António Costa. Já nem falo no Costa Ministro da Justiça, nomeadamente na sua intervenção no processo Casa Pia e nas alterações à Lei na sequência desse processo, ou na sua megalomania como Ministro da Administração Interna, entregando à GNR lanchas rápidas para vigilância marítima, obrigando o país a gastar ainda mais dinheiro devida à duplicação de meios (felizmente que não teve tempo de fazer mais asneiras...).



A demagogia e a aldrabice ficaram patentes na forma como descreve os efeitos da austeridade imposta pelos credores, omitindo porque é que Portugal ficou sem dinheiro e a Troika tutelou Portugal durante três anos. Além disso, todo o programa socialista é um exercício bacoco efectuado por economistas supostamente competentes, evidenciando o vazio que é o PS neste momento. Tal não é nada de diferente em relação ao que Guterres havia feito com os Estados Gerais, e depois foi o que se viu.

Não gostei da falta de intensidade e da dispersão do Primeiro-ministro. A mensagem tem de ser clara e concisa. O adversário não pode ficar sem resposta, os "moderadores" que se lixem. A esquerda está a usar as perguntas nos debates para fazer acusações e depois o Passos e o Portas têm de se ficar e só responder para o futuro? Não pode ser. Já na terça-feira com a bloquista foi a mesma coisa. Ela não apresentava medidas, só fazia acusações e queixinhas, e quando chegava a vez do Portas a "moderadora" queria que este só falasse no futuro e não pudesse rebatar a outra.


Não é possível construir o futuro sem entender o passado e por isso não se pode deixar o PS passar por entre os pingos da chuva na matéria da dívida, do Euro ou da integração europeia. Não se pode mudar tantas vezes de posição como o PS mudou. Não se pode ser pró-Syriza num dia e no outro já nem conhecer os gregos (não admira que o Costa faça o mesmo ao Sócrates...), não se pode ser europeísta quando a Europa nos financia o modo de vida e passar a ser "nacionalista" quando as regras ficam mais apertadas, não nos podemos queixar do "protectorado" quando temos de reduzir a dívida e já não nos importarmos quando nos obrigam a receber refugiados sem qualquer critério. Os hipócritas e os cínicos podem. O PS pode, à cara podre, por isso é que não merece confiança nenhuma.


 


De Anónimo a 10.09.2015 às 09:51

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quem ganhou o debate? Depende se olhamos para o primado da forma ou se para o primado do conteúdo

Debate António Costa vs Pedro Passos Coelho (LUSA)




Depende se damos primado à forma se ao conteúdo.


Na forma, Pedro Passos Coelho foi melhor na primeira parte do que António Costa. Mais seguro, mais claro, mais inteligente. Na segunda parte António Costa foi melhor. Sobretudo por causa do tema dos cortes de pensões. Passos respondeu com o plafonamento encapotado do programa do PS, mas como plafonamento é um palavrão, as pessoas só ouviram que Passos ia cortar 600 milhões nas pensões.


Na forma Costa vinha com o ponto fraco "lesados do BES" e Passos tinha o passado da governação de Sócrates, de que António Costa fez parte, para a troca.


Mas a forma não é o conteúdo, e no conteúdo Pedro Passos Coelho é melhor que António Costa.


Vejamos, no tema sobre a Segurança Social, António Costa, por contraponto a Passos, recusou o corte de 600 milhões nas pensões. : “Não aceitamos qualquer corte nas pensões e não achamos que a sustentabilidade dependa desse corte”. Passos diz que foi estabelecida a meta dos 600 milhões para solucionar o problema de sustentabilidade da segurança social.


Passos que diz que “nós não propusemos um corte de 600 milhões nas pensões" explica que: "A TSU não cobre o valor das pensões que são pagas todos os anos, o que significa que o que temos feito ao longo dos anos é usar impostos para suportar os défices do sistema de pensões”. Passos lembra ainda um estudo que mostra que nos próximos 75 anos “teremos uma dívida implícita enorme”, diz, acrescentando que as pessoas só podem ter confiança na Segurança Social no futuro se “corrigirmos esta situação”.


Privatizar parte da receita da segurança social e entregá-la à gestão privada é um erro para António Costa, diga-se de passagem sem razão nenhuma. Costa diz ainda que a parte da gestão privada é igual à gestão especulativa do BES. O que é um disparate. Pois não foi em fundos mutualistas que os lesados do BES perderam o dinheiro. António Costa precisa de um estágio na PIMCO.


Mais tarde, o socialista Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, diz que com o plafonamento a segurança social pode rebentar. Ora eu diria ela pode rebentar mesmo sem plafonamento.


O que é exactamente o plafonamento? Trata-se de criar um limite salarial, a partir do qual os portugueses no activo deixam de estar obrigados a descontar para o sistema público de Segurança Social, como acontece agora.O remanescente seria aplicado em sistemas de capitalização (ou seja, de investimento), fossem eles públicos ou privados. Ambas as parcelas ajudariam a determinar o valor da pensão futura. A coligação prevê isto: “A introdução, para as gerações mais novas, de um limite superior para efeitos de contribuição, que em contrapartida também determinará um valor máximo para a futura pensão. Dentro desse limite, a contribuição deve obrigatoriamente destinar-se ao sistema público e, a partir desse limite, garantir a liberdade de escolha entre o sistema público e sistemas mutualistas ou privados. Esta reforma, que deve ser analisada em sede de concertação social e objecto de um consenso alargado, deve ser feita em condições de crescimento económico sustentado”.


António Costa diz, preto no branco, que é preciso medidas para garantir a sua sustentabilidade; Passos aproveita para dizer que o PS tem medidas que passam “muito mais” que 600 milhões. Diz vão custar mais 5,5 milhões em quatro anos. “Assim espero que nos possamos entender”, num convite a um entendimento futuro nesta área. Recorde-se que o primeiro-ministro tem dito que "A introdução de uma medida para a sustentabilidade da Segurança Social, cujo impacto está estimado em 600 milhões de euros, tem de merecer um amplo consenso social e político",


Costa diz que esses 600 milhões não vêm do corte de pensões. O PS critica o plafonamento da coligação, Passos rebate que a proposta do PS é um plafonamento encapotado. Um plafonamento parece que é vertical e o outro é horizontal.


Passos diz que o "PS não assume que o que propõe é um plafonamento – quer um estímulo à procura, quer pôr as pessoas a descontar menos para a SS para terem mais dinheiro para consumir – “é uma política José Sócrates” – e quer por isso pôr as pessoas a descontar menos quatro pontos percentuais (TSU). “Mas isso custa no seu programa mais de 5.4 mil milhões de euros à Segurança Social”. Passos diz ainda que o PS “espera convencer Bruxelas de que isto é uma reforma estrutural". 


Sobre a dívida: “De 2005 a 2008 a divida portuguesa passou de 96 biliões de euros para 195 biliões, e desde que eu fui PM, a divida cresceu apenas 20 pontos percentuais, ou seja, menos de metade do que durante 6 anos de governo do PS”. Touché para Passos.


Passos pede a António Costa que olhe para a situação por que o país passou comparando com outras situações semelhantes de outros países – Irlanda e Grécia: “o nível de riqueza destruída foi superior ao de Portugal”.


António Costa responde com a sua experiência na Câmara a diferença para o actual Governo: “Sei bem o que é herdar uma dívida grande. A diferença é que eu reduzi 40% a dívida que recebi e o Dr. Passos Coelho aumentou em 19% a que recebeu”.


Sobre a Câmara de Lisboa – e redução da dívida: Passos lembra que “parte dessa redução foi com o dinheiro que a gente lhe deu com os terrenos do aeroporto”. By the way, mais uma privatização (a da ANA) criticada pelo líder socialista. Ele é contra, mas lá que lhe deu jeito deu.


A questão de António Costa que passou o tempo a usar o chavão de que o Governo foialém da troika (trazendo até Vítor Gaspar para o debate) é um absoluto fait divers. Em muitas questões Portugal ficou muito aquém da troika. Passos não respondeu isto e se o tivesse feito tinha posto no lugar esta demagógica sentença de António Costa.


Passos Coelho teve bem nesta resposta à critica de que não há números no programa da coligação. Evidentemente que a coligação tem as medidas muito mais quantificadas que o PS, em virtude de ser governo e ter de gerir com números, isto é, com a realidade: "Os números estão bem quantificados no programa de estabilidade que o Governo apresentou à Comissão Europeia”. Passos diz que vai agora responder à questão mais importante, “desmistificando” a ideia de que a austeridade é virtuosa. “Eu não tenho uma espécie de entendimento perverso de que gosto de aplicar austeridade ao país, ou de que austeridade e diminuição de rendimento são medidas virtuosas – os países que o fizeram, fizeram porque precisavam, deixemos-nos de brincadeiras”, diz Passos.


Passos volta a lembrar medidas do anterior Governo de Sócrates: cortou salários, baixou pensões, aumentou IVA. “De certeza que não o fez porque gostava”.


Sobre o desemprego, Passos é firme nos números: chegou a estar no patamar dos 18% e “agora está em cerca de 12%”. “O desemprego tem vindo a diminuir e o emprego tem vindo a ser criado – conseguimos criar cerca de 200 mil empregos na economia”. É preciso ver que em recessão, como esteve a economia portuguesa, não há criação de emprego, há aumento do desemprego. Estudar macro-economia para mais explicações. A recessão nasceu quando, ainda no Governo anterior, foi pedida a intervenção da troika porque o país não se conseguia financiar.


Pedro Passos Coelho: Como criamos emprego então? “Quem cria emprego são as empresas, não é o Estado. O nosso programa é claro nesse aspecto”.


Passos esteve bem quando disse que nos 6 anos do PS, a população empregada diminuiu 174 mil e nessa altura a economia não estava em recessão.


Pedro Passos lembra ainda que as “exportações batem recordes” e que o Governo criou condições juntos dos jovens para que a economia fosse “mais competitiva”.


Uma das coisas que não foi dita com suficiente ênfase é que pela primeira vez o saldo primário da dívida (sem juros) foi positivo. 


Passos esteve em alta quando diz que “diminuímos o défice global, que a despesa primária caiu como nunca, e que não é possível fazer cair a despesa sem conseguir poupanças significativas”. “Esse resultado nós conseguimos. E há muita transparência nessa informação, ao contrário do que antes”.


 António Costa esteve bem quando não descartou as responsabilidades do passado socialista.


Passos esteve bem quando diz que o programa do PS baseia na procura e consumo o crescimento económico, uma cópia do programa de Sócrates que levou o país ao excesso de dívida.


Sobre as propostas do PS, para quem não leu, ficou a saber-se pouco mais, mas ficou a saber-se isto: “Eliminamos a taxa do IRS em 2016 e 2017. Iremos rever ao longo da legislatura os escalões do IRS”, sem dizer no entanto se começa essa revisão em 2016. Além disso garante o PS repor a progressividade que deixou de existir com o quociente familiar. “Não são fantasias são compromissos com contas certas”.


Passos é sincero. Voltou a dar essa ideia no frente-a-frente com António Costa, ao assumir que o seu Governo não conseguiu alcançar a meta definida para o Serviço Nacional de Saúde no que toca aos médicos de família. "Aumentámos 700 mil, mas ainda faltam 1,2 milhões."


António Costa é mais demagogo. "Baixaremos as taxas moderadoras, não me comprometo nem com o montante nem com o calendário" Diz o socialista.." Não quero que daqui a quatro anos um sucessor diga de mim o que eu estou a dizer de si... Contra factos não há argumentos. Os números com que me comprometo são os números que estão aqui impressos [toca no programa eleitoral]". 


A melhor resposta de Passos a Costa foi esta, quando este volta pela segunda vez ao que fez na Câmara de Lisboa, procurando dar segurança aos eleitores. A frase “as pessoas sabem que eu prometo menos do que farei” provoca uma reacção de Passos: “Não comento o seu auto-elogio”.


A melhor resposta de António Costa a Pedro Passos Coelho foi: Frase da noite. "sei que gostaria de debater com o Eng. Sócrates. Mas vai ter que debater comigo porque o seu adversário sou eu". Responde bem Passos Coelho: "olhe que não é muito diferente".


No body language Pedro Passos Coelho é melhor. É mais simples e simpático. Penso até que a certa altura o próprio António Costa se rende áquela simpatia cativante. Não fosse a guerra ideológica e até conseguia ter esboçado um sorriso ao adversário. 


De resto sempre senti que António Costa sempre simpatizou especialmente com António Lobo Xavier, da direita católica, na Quadratura do Círculo. António Costa é daqueles socialistas que se atrai pelos antípodas. 




Quem ganhou o debate? Depende se olhamos para o primado da forma ou se para o primado do conteúdo

Debate António Costa vs Pedro Passos Coelho (LUSA)




Depende se damos primado à forma se ao conteúdo.


Na forma, Pedro Passos Coelho foi melhor na primeira parte do que António Costa. Mais seguro, mais claro, mais inteligente. Na segunda parte António Costa foi melhor. Sobretudo por causa do tema dos cortes de pensões. Passos respondeu com o plafonamento encapotado do programa do PS, mas como plafonamento é um palavrão, as pessoas só ouviram que Passos ia cortar 600 milhões nas pensões.


Na forma Costa vinha com o ponto fraco "lesados do BES" e Passos tinha o passado da governação de Sócrates, de que António Costa fez parte, para a troca.


Mas a forma não é o conteúdo, e no conteúdo Pedro Passos Coelho é melhor que António Costa.


Vejamos, no tema sobre a Segurança Social, António Costa, por contraponto a Passos, recusou o corte de 600 milhões nas pensões. : “Não aceitamos qualquer corte nas pensões e não achamos que a sustentabilidade dependa desse corte”. Passos diz que foi estabelecida a meta dos 600 milhões para solucionar o problema de sustentabilidade da segurança social.


Passos que diz que “nós não propusemos um corte de 600 milhões nas pensões" explica que: "A TSU não cobre o valor das pensões que são pagas todos os anos, o que significa que o que temos feito ao longo dos anos é usar impostos para suportar os défices do sistema de pensões”. Passos lembra ainda um estudo que mostra que nos próximos 75 anos “teremos uma dívida implícita enorme”, diz, acrescentando que as pessoas só podem ter confiança na Segurança Social no futuro se “corrigirmos esta situação”.


Privatizar parte da receita da segurança social e entregá-la à gestão privada é um erro para António Costa, diga-se de passagem sem razão nenhuma. Costa diz ainda que a parte da gestão privada é igual à gestão especulativa do BES. O que é um disparate. Pois não foi em fundos mutualistas que os lesados do BES perderam o dinheiro. António Costa precisa de um estágio na PIMCO.


Mais tarde, o socialista Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo, diz que com o plafonamento a segurança social pode rebentar. Ora eu diria ela pode rebentar mesmo sem plafonamento.


O que é exactamente o plafonamento? Trata-se de criar um limite salarial, a partir do qual os portugueses no activo deixam de estar obrigados a descontar para o sistema público de Segurança Social, como acontece agora.O remanescente seria aplicado em sistemas de capitalização (ou seja, de investimento), fossem eles públicos ou privados. Ambas as parcelas ajudariam a determinar o valor da pensão futura. A coligação prevê isto: “A introdução, para as gerações mais novas, de um limite superior para efeitos de contribuição, que em contrapartida também determinará um valor máximo para a futura pensão. Dentro desse limite, a contribuição deve obrigatoriamente destinar-se ao sistema público e, a partir desse limite, garantir a liberdade de escolha entre o sistema público e sistemas mutualistas ou privados. Esta reforma, que deve ser analisada em sede de concertação social e objecto de um consenso alargado, deve ser feita em condições de crescimento económico sustentado”.


António Costa diz, preto no branco, que é preciso medidas para garantir a sua sustentabilidade; Passos aproveita para dizer que o PS tem medidas que passam “muito mais” que 600 milhões. Diz vão custar mais 5,5 milhões em quatro anos. “Assim espero que nos possamos entender”, num convite a um entendimento futuro nesta área. Recorde-se que o primeiro-ministro tem dito que "A introdução de uma medida para a sustentabilidade da Segurança Social, cujo impacto está estimado em 600 milhões de euros, tem de merecer um amplo consenso social e político",


Costa diz que esses 600 milhões não vêm do corte de pensões. O PS critica o plafonamento da coligação, Passos rebate que a proposta do PS é um plafonamento encapotado. Um plafonamento parece que é vertical e o outro é horizontal.


Passos diz que o "PS não assume que o que propõe é um plafonamento – quer um estímulo à procura, quer pôr as pessoas a descontar menos para a SS para terem mais dinheiro para consumir – “é uma política José Sócrates” – e quer por isso pôr as pessoas a descontar menos quatro pontos percentuais (TSU). “Mas isso custa no seu programa mais de 5.4 mil milhões de euros à Segurança Social”. Passos diz ainda que o PS “espera convencer Bruxelas de que isto é uma reforma estrutural". 


Sobre a dívida: “De 2005 a 2008 a divida portuguesa passou de 96 biliões de euros para 195 biliões, e desde que eu fui PM, a divida cresceu apenas 20 pontos percentuais, ou seja, menos de metade do que durante 6 anos de governo do PS”. Touché para Passos.


Passos pede a António Costa que olhe para a situação por que o país passou comparando com outras situações semelhantes de outros países – Irlanda e Grécia: “o nível de riqueza destruída foi superior ao de Portugal”.


António Costa responde com a sua experiência na Câmara a diferença para o actual Governo: “Sei bem o que é herdar uma dívida grande. A diferença é que eu reduzi 40% a dívida que recebi e o Dr. Passos Coelho aumentou em 19% a que recebeu”.


Sobre a Câmara de Lisboa – e redução da dívida: Passos lembra que “parte dessa redução foi com o dinheiro que a gente lhe deu com os terrenos do aeroporto”. By the way, mais uma privatização (a da ANA) criticada pelo líder socialista. Ele é contra, mas lá que lhe deu jeito deu.


A questão de António Costa que passou o tempo a usar o chavão de que o Governo foialém da troika (trazendo até Vítor Gaspar para o debate) é um absoluto fait divers. Em muitas questões Portugal ficou muito aquém da troika. Passos não respondeu isto e se o tivesse feito tinha posto no lugar esta demagógica sentença de António Costa.


Passos Coelho teve bem nesta resposta à critica de que não há números no programa da coligação. Evidentemente que a coligação tem as medidas muito mais quantificadas que o PS, em virtude de ser governo e ter de gerir com números, isto é, com a realidade: "Os números estão bem quantificados no programa de estabilidade que o Governo apresentou à Comissão Europeia”. Passos diz que vai agora responder à questão mais importante, “desmistificando” a ideia de que a austeridade é virtuosa. “Eu não tenho uma espécie de entendimento perverso de que gosto de aplicar austeridade ao país, ou de que austeridade e diminuição de rendimento são medidas virtuosas – os países que o fizeram, fizeram porque precisavam, deixemos-nos de brincadeiras”, diz Passos.


Passos volta a lembrar medidas do anterior Governo de Sócrates: cortou salários, baixou pensões, aumentou IVA. “De certeza que não o fez porque gostava”.


Sobre o desemprego, Passos é firme nos números: chegou a estar no patamar dos 18% e “agora está em cerca de 12%”. “O desemprego tem vindo a diminuir e o emprego tem vindo a ser criado – conseguimos criar cerca de 200 mil empregos na economia”. É preciso ver que em recessão, como esteve a economia portuguesa, não há criação de emprego, há aumento do desemprego. Estudar macro-economia para mais explicações. A recessão nasceu quando, ainda no Governo anterior, foi pedida a intervenção da troika porque o país não se conseguia financiar.


Pedro Passos Coelho: Como criamos emprego então? “Quem cria emprego são as empresas, não é o Estado. O nosso programa é claro nesse aspecto”.


Passos esteve bem quando disse que nos 6 anos do PS, a população empregada diminuiu 174 mil e nessa altura a economia não estava em recessão.


Pedro Passos lembra ainda que as “exportações batem recordes” e que o Governo criou condições juntos dos jovens para que a economia fosse “mais competitiva”.


Uma das coisas que não foi dita com suficiente ênfase é que pela primeira vez o saldo primário da dívida (sem juros) foi positivo. 


Passos esteve em alta quando diz que “diminuímos o défice global, que a despesa primária caiu como nunca, e que não é possível fazer cair a despesa sem conseguir poupanças significativas”. “Esse resultado nós conseguimos. E há muita transparência nessa informação, ao contrário do que antes”.


 António Costa esteve bem quando não descartou as responsabilidades do passado socialista.


Passos esteve bem quando diz que o programa do PS baseia na procura e consumo o crescimento económico, uma cópia do programa de Sócrates que levou o país ao excesso de dívida.


Sobre as propostas do PS, para quem não leu, ficou a saber-se pouco mais, mas ficou a saber-se isto: “Eliminamos a taxa do IRS em 2016 e 2017. Iremos rever ao longo da legislatura os escalões do IRS”, sem dizer no entanto se começa essa revisão em 2016. Além disso garante o PS repor a progressividade que deixou de existir com o quociente familiar. “Não são fantasias são compromissos com contas certas”.


Passos é sincero. Voltou a dar essa ideia no frente-a-frente com António Costa, ao assumir que o seu Governo não conseguiu alcançar a meta definida para o Serviço Nacional de Saúde no que toca aos médicos de família. "Aumentámos 700 mil, mas ainda faltam 1,2 milhões."


António Costa é mais demagogo. "Baixaremos as taxas moderadoras, não me comprometo nem com o montante nem com o calendário" Diz o socialista.." Não quero que daqui a quatro anos um sucessor diga de mim o que eu estou a dizer de si... Contra factos não há argumentos. Os números com que me comprometo são os números que estão aqui impressos [toca no programa eleitoral]". 


A melhor resposta de Passos a Costa foi esta, quando este volta pela segunda vez ao que fez na Câmara de Lisboa, procurando dar segurança aos eleitores. A frase “as pessoas sabem que eu prometo menos do que farei” provoca uma reacção de Passos: “Não comento o seu auto-elogio”.


A melhor resposta de António Costa a Pedro Passos Coelho foi: Frase da noite. "sei que gostaria de debater com o Eng. Sócrates. Mas vai ter que debater comigo porque o seu adversário sou eu". Responde bem Passos Coelho: "olhe que não é muito diferente".


No body language Pedro Passos Coelho é melhor. É mais simples e simpático. Penso até que a certa altura o próprio António Costa se rende áquela simpatia cativante. Não fosse a guerra ideológica e até conseguia ter esboçado um sorriso ao adversário. 


De resto sempre senti que António Costa sempre simpatizou especialmente com António Lobo Xavier, da direita católica, na Quadratura do Círculo. António Costa é daqueles socialistas que se atrai pelos antípodas. 




Uma vitória com sabor a fel


Foi-me solicitado que fizesse a minha análise sobre o debate, esta espécie de derby, entre Pedro Passos Coelho e António Costa, pelo que irei fazer "uma visão futebolística" do que aconteceu, até porque, e após o apitar final dos árbitros (os jornalistas) houve até direito a uma "zona mista", onde os intervenientes, já libertos da pressão, falaram das suas prestações.


Neste debate, um pouco atípico, pelo menos se o comparamos com os calorosos confrontos do pós-25 de Abril, felizmente a componente ideológica foi metida no bolso, já que nunca ou quase nunca se falou em direita e esquerda - o que convenhamos na situação deste país é para mim um bom prenuncio - António Costa, como era sua obrigação ou "prova de vida", esteve bem ao ataque, e o Passos Coelho, particularmente nervoso, à defesa. Assim, e a meu ver,António Costa talvez tenha tido uma prestação mais feliz do que Coelho, até porque não é um hábil tribuno.


Seja como for, e pese embora alguns acharem que foi uma goleada, é mais do mesmo, e amanhã já passou à história, pelo que não me pareça que venham daqui grandes dividendos políticos para os socialistas.


No computo geral, e embora eles terem sido uns empatas, tornando este jogo numa chatice, i.e., numa espécie de embate entre solteiros e casados, Costa ganhou. Mas só ganhou à tangente, e como até ao lavar dos cestos é vindima, estou convencido e a fazer fé nas últimas sondagens, a que Coligação ainda poderá ganhar a taça! Tornando a prestação vitoriosa de Costa com sabor a fel!


Dia 4 de Outubro veremos!


 


Nota final:


Este comentário é também dirigido a quem comandou o debate, Judite de Sousa, João Adelino Faria e Clara de Sousa, que apesar de não terem estado mal não levaram para a mesa a questão do momento, e se calhar das nossas vidas. Hoje nem uma palavra foi dita sobre a questão da migração!. Provavelmente são ingénuos. Pensam que vai passar ao largo de Portugal?


 

Uma vitória com sabor a fel


Foi-me solicitado que fizesse a minha análise sobre o debate, esta espécie de derby, entre Pedro Passos Coelho e António Costa, pelo que irei fazer "uma visão futebolística" do que aconteceu, até porque, e após o apitar final dos árbitros (os jornalistas) houve até direito a uma "zona mista", onde os intervenientes, já libertos da pressão, falaram das suas prestações.


Neste debate, um pouco atípico, pelo menos se o comparamos com os calorosos confrontos do pós-25 de Abril, felizmente a componente ideológica foi metida no bolso, já que nunca ou quase nunca se falou em direita e esquerda - o que convenhamos na situação deste país é para mim um bom prenuncio - António Costa, como era sua obrigação ou "prova de vida", esteve bem ao ataque, e o Passos Coelho, particularmente nervoso, à defesa. Assim, e a meu ver,António Costa talvez tenha tido uma prestação mais feliz do que Coelho, até porque não é um hábil tribuno.


Seja como for, e pese embora alguns acharem que foi uma goleada, é mais do mesmo, e amanhã já passou à história, pelo que não me pareça que venham daqui grandes dividendos políticos para os socialistas.


No computo geral, e embora eles terem sido uns empatas, tornando este jogo numa chatice, i.e., numa espécie de embate entre solteiros e casados, Costa ganhou. Mas só ganhou à tangente, e como até ao lavar dos cestos é vindima, estou convencido e a fazer fé nas últimas sondagens, a que Coligação ainda poderá ganhar a taça! Tornando a prestação vitoriosa de Costa com sabor a fel!


Dia 4 de Outubro veremos!


 


Nota final:


Este comentário é também dirigido a quem comandou o debate, Judite de Sousa, João Adelino Faria e Clara de Sousa, que apesar de não terem estado mal não levaram para a mesa a questão do momento, e se calhar das nossas vidas. Hoje nem uma palavra foi dita sobre a questão da migração!. Provavelmente são ingénuos. Pensam que vai passar ao largo de Portugal?


 

A ver vamos...

img_642x416$2015_09_08_21_19_19_262977.jpg


 Ainda há pouco demonstrei o meu interesse pelo grande duelo de hoje, escrevendo: “Se calhar, mas mesmo de se calhar, irei ver o debate entre Costa e Coelho. Mas é só se estiver para ai virado.”


Agora, e depois de ter visto isto, uma sondagem a cargo da Aximage, e que segundo a qual os socialistas andam a afundar-se - o efeito Sócrates é bem perverso - é se calhar uma boa razão para me desdizer. De facto, quero ver como António Costa regirá e será capaz de dar a volta ao texto!


 


P.S. - Uma coisa é certo, o debate desta noite tem tudo para correr mal ao Secretário-Geral socialista. Seja pelo já referido efeito Sócrates, seja por este cenário - e uma sondagem é sempre um cenário - de uma provável vitória da coligação Portugal à Frente.


 

A ver vamos...

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 Ainda há pouco demonstrei o meu interesse pelo grande duelo de hoje, escrevendo: “Se calhar, mas mesmo de se calhar, irei ver o debate entre Costa e Coelho. Mas é só se estiver para ai virado.”


Agora, e depois de ter visto isto, uma sondagem a cargo da Aximage, e que segundo a qual os socialistas andam a afundar-se - o efeito Sócrates é bem perverso - é se calhar uma boa razão para me desdizer. De facto, quero ver como António Costa regirá e será capaz de dar a volta ao texto!


 


P.S. - Uma coisa é certo, o debate desta noite tem tudo para correr mal ao Secretário-Geral socialista. Seja pelo já referido efeito Sócrates, seja por este cenário - e uma sondagem é sempre um cenário - de uma provável vitória da coligação Portugal à Frente.


 

Para inglês ver

Ando um pouco afastado disto tudo. De facto não estou a ligar grande importância a esta campanha, nem mesmo um fait divers como a nudez da líder da coligação Agir entusiasma! Se calhar, mas mesmo de se calhar, irei ver o debate entre Costa e Coelho. Mas é só se estiver para ai virado.


Dito isto até parece que me irei abster. Não, pelo contrário. Votar é um acto de cidadania, e sinto-me incapaz de passar um cheque em branco, delegando noutros (nos votantes) o futuro de Portugal.


É aliás o futuro de Portugal que me leva a este aparente desinteresse pela campanha. Ganhe, que ganhar, nada, será diferente. Será que alguém, com três dedos de testa, acha que caso o PS ganhe, mesmo que coligado pós-eleitoralmente com o Bloco de Esquerda, já que ouvi falar nesse cenário, irá governar diferentemente do que tem sido feito, de há quatro anos a esta parte, pela coligação?


Será que as pessoas, na sua ingenuidade, acham que alguma coisa vai mudar? Será que iremos sair da crise ou acabaremos todos nus, com uma mão á frente e outra atrás, como parece sugerir a fotografia de Joana Amaral Dias?


Sei lá…! No entanto, e bem vistas as coisas, concluo que o verdadeiro fait divers são as eleições agendadas para 4 de Outubro. São, como diz o povo, para “inglês ver”! Não nos levarão a lado nenhum!


 


 

Para inglês ver

Ando um pouco afastado disto tudo. De facto não estou a ligar grande importância a esta campanha, nem mesmo um fait divers como a nudez da líder da coligação Agir entusiasma! Se calhar, mas mesmo de se calhar, irei ver o debate entre Costa e Coelho. Mas é só se estiver para ai virado.


Dito isto até parece que me irei abster. Não, pelo contrário. Votar é um acto de cidadania, e sinto-me incapaz de passar um cheque em branco, delegando noutros (nos votantes) o futuro de Portugal.


É aliás o futuro de Portugal que me leva a este aparente desinteresse pela campanha. Ganhe, que ganhar, nada, será diferente. Será que alguém, com três dedos de testa, acha que caso o PS ganhe, mesmo que coligado pós-eleitoralmente com o Bloco de Esquerda, já que ouvi falar nesse cenário, irá governar diferentemente do que tem sido feito, de há quatro anos a esta parte, pela coligação?


Será que as pessoas, na sua ingenuidade, acham que alguma coisa vai mudar? Será que iremos sair da crise ou acabaremos todos nus, com uma mão á frente e outra atrás, como parece sugerir a fotografia de Joana Amaral Dias?


Sei lá…! No entanto, e bem vistas as coisas, concluo que o verdadeiro fait divers são as eleições agendadas para 4 de Outubro. São, como diz o povo, para “inglês ver”! Não nos levarão a lado nenhum!


 


 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Um beco sem saída chamado Novo Banco


O melhor que podia acontecer era o Novo Banco ser comprado já por algum aventureiro que não se importasse de pagar à cabeça uns biliões sem saber o que o espera de aumento de capital a fazer depois dos testes de stress do BCE. O melhor era que algum dos três candidatos tivesse mais dinheiro que dívida e pudesse arriscar no Novo Banco. 


 


O pior que podia acontecer era a venda ser adiada para depois de um aumento de capital imposto pelo BCE. Porque das duas uma, ou o potencial comprador compra imediatamente e põe ele o dinheiro no aumento de capital, abatendo esse investimento ao preço de compra (os tais que deixam um gap face aos 4,9 mil milhões iniciais), ou o Fundo de Resolução tem de ir ao aumento de capital aumentando o esforço para os bancos no imediato.


 


A situação a que chegou o ex-BES e todo o percurso que o banco percorreu desde a falência do Grupo Espírito Santo (e que é culpa dos que o geriam e não do Governo ou dos reguladores)  está a deixar o Governador do Banco de Portugal sem grande saída, e deixa também o Governo, por contágio, numa situação muito complicada.


Há alguns erros de forma neste processo, há que admitir. Por exemplo, devia-se ter avançado para um leilão competitivo, negociando com os três candidatos ao mesmo tempo, para que não se criasse a ideia de um ranking de propostas que deixa o Banco de Portugal na situação de quem tem de vender à segunda ou à terceira escolha. Dá uma ideia de mal vendido, mesmo que na verdade não seja assim.


 


De resto não se percebe porque não se anteviu o problema da indefinição do aumento de capital. É normal que seja difícil oferecer um preço por um banco sem saber qual a dimensão do aumento de capital que vai surgir imediatamente a seguir. Na verdade, no essencial não há nada de novo aqui. O Banco de Portugal sempre soube que iam haver testes de stress e que daí iria surgir a necessidade de um aumento de capital.


 


Acredito também que as contas semestrais do Novo Banco não fossem surpresa para o Banco de Portugal. Os tais 7,9 mil milhões de euros de crédito em risco e a situação de novas imparidades que podem advir da carteira de crédito herdada do ex-BES, não são surpresa para o Banco de Portugal. Por isso este concurso não tem esse elemento de surpresa. 


 


Mas a verdade é que o facto de os testes de stress poderem agravar as imparidades, num banco cujo core capital é de 9,4%, está a pesar muito nas negociações com os dois candidatos que foram chamados para negociações exclusivas. Um já desistiu e outro irá pelo mesmo caminho. 


 


Resta a Apollo, que tem 14,5 mil milhões de euros para investir. Pode ser que um private equity salve a honra do convento. Pode ser. O Banco de Portugal teria a vantagem de poder dizer que vendeu o melhor possível porque os outros não quiseram e assim livrar-se de eventuais críticas.


 


Para os bancos portugueses este é o pior dos mundos. Estão num beco sem saída. Porque ou vendem o Novo Banco e perdem dinheiro com o negócio já. Ou vendem depois e um aumento de capital ainda agrava mais o gap face ao valor do capital do Novo Banco, se não forem mesmo chamados a recapitalizar o banco (uma vez mais) antes da venda.


 

Um beco sem saída chamado Novo Banco


O melhor que podia acontecer era o Novo Banco ser comprado já por algum aventureiro que não se importasse de pagar à cabeça uns biliões sem saber o que o espera de aumento de capital a fazer depois dos testes de stress do BCE. O melhor era que algum dos três candidatos tivesse mais dinheiro que dívida e pudesse arriscar no Novo Banco. 


 


O pior que podia acontecer era a venda ser adiada para depois de um aumento de capital imposto pelo BCE. Porque das duas uma, ou o potencial comprador compra imediatamente e põe ele o dinheiro no aumento de capital, abatendo esse investimento ao preço de compra (os tais que deixam um gap face aos 4,9 mil milhões iniciais), ou o Fundo de Resolução tem de ir ao aumento de capital aumentando o esforço para os bancos no imediato.


 


A situação a que chegou o ex-BES e todo o percurso que o banco percorreu desde a falência do Grupo Espírito Santo (e que é culpa dos que o geriam e não do Governo ou dos reguladores)  está a deixar o Governador do Banco de Portugal sem grande saída, e deixa também o Governo, por contágio, numa situação muito complicada.


Há alguns erros de forma neste processo, há que admitir. Por exemplo, devia-se ter avançado para um leilão competitivo, negociando com os três candidatos ao mesmo tempo, para que não se criasse a ideia de um ranking de propostas que deixa o Banco de Portugal na situação de quem tem de vender à segunda ou à terceira escolha. Dá uma ideia de mal vendido, mesmo que na verdade não seja assim.


 


De resto não se percebe porque não se anteviu o problema da indefinição do aumento de capital. É normal que seja difícil oferecer um preço por um banco sem saber qual a dimensão do aumento de capital que vai surgir imediatamente a seguir. Na verdade, no essencial não há nada de novo aqui. O Banco de Portugal sempre soube que iam haver testes de stress e que daí iria surgir a necessidade de um aumento de capital.


 


Acredito também que as contas semestrais do Novo Banco não fossem surpresa para o Banco de Portugal. Os tais 7,9 mil milhões de euros de crédito em risco e a situação de novas imparidades que podem advir da carteira de crédito herdada do ex-BES, não são surpresa para o Banco de Portugal. Por isso este concurso não tem esse elemento de surpresa. 


 


Mas a verdade é que o facto de os testes de stress poderem agravar as imparidades, num banco cujo core capital é de 9,4%, está a pesar muito nas negociações com os dois candidatos que foram chamados para negociações exclusivas. Um já desistiu e outro irá pelo mesmo caminho. 


 


Resta a Apollo, que tem 14,5 mil milhões de euros para investir. Pode ser que um private equity salve a honra do convento. Pode ser. O Banco de Portugal teria a vantagem de poder dizer que vendeu o melhor possível porque os outros não quiseram e assim livrar-se de eventuais críticas.


 


Para os bancos portugueses este é o pior dos mundos. Estão num beco sem saída. Porque ou vendem o Novo Banco e perdem dinheiro com o negócio já. Ou vendem depois e um aumento de capital ainda agrava mais o gap face ao valor do capital do Novo Banco, se não forem mesmo chamados a recapitalizar o banco (uma vez mais) antes da venda.


 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Mistério da venda do Novo Banco (como sabemos quem são os candidatos?)

 



Algo está podre no reino da venda do Novo Banco. Desde o início do ano que o Novo Banco está em processo de venda. Em todos os comunicados era omitido os nomes dos candidatos. Mas em surdina saía das entidades oficiais os nomes dos candidatos Anbang; Apollo e Fosun. Em nenhum comunidado o Banco de Portugal diz os nomes dos interessados. O que se sabe, sabe-se por conversas não oficiais com os protagonistas.


O que era a verdade até ontem era isto:


Anbang deu uma proposta muito mais alta, cerca de 3,5 bi. Mas exigiu garantias estatais sobre imparidades futuras de créditos do Novo Banco. A Fosun, deu o preço mais baixo. Cerca de 1,5 bi, porque a Fosun não queria competir com a Anbang, seus conterrâneos. Havia até a intenção de sair da corrida, por desinteresse, "porque aquilo não vale".Mas as propostas vinculativas eram válidas até fim de Outubro.


Sabia-se que a Apollo deu a segunda proposta mais alta.


O comunicado do Banco de Portugal assumia que  havia numa segunda proposta e uma terceira e que se falhassem as negociações com o primeiro avançavam para o segundo. As propostas mais altas eram a da Anbang, Apollo, Fosun, todos assumiam isto. Todos mesmo. 


O Banco de Portugal comunica hoje que as negociações falharam com o primeiro candidato e que avançam os segundos candidatos. Ora todos olharam para a Apollo. Mas pelo que parece, os chineses perder ainda vá, para os norte-americanos é que não. 


Hoje de manhã começa a surgir o rumor que talvez a segunda melhor proposta fosse a da Fosun. De repente a Fosun é quem tinha a segunda melhor proposta. A Fosun que tinha dito que a sua aposta era a saúde e a felicidade, começa a dizer à Reuters que continua empenhada no Novo Banco. 


De repente salta para a ribalta: a Fosun tem a segunda melhor proposta e foi convidada para as negociações. O Banco de Portugal não diz isso em comunicado. Mas isso não quer dizer nada. Porque a notícia é oficiosamente confirmada.


Mas as outras notícias também eram oficiosamente confirmadas.  


Agora é legítimo perguntar: será que o Banco de Portugal esteve em negociações com a Anbang? É que nunca disse em nenhum comunicado oficial que era a Anbang. Na verdade nem nunca disse em nenhum comunicado que os interessados eram a Apollo e a Fosun. Na verdade nunca disse que a Anbang tinha a melhor proposta. Como sabemos que foi assim? Pelas mesmas fontes que nos disseram que a Apollo tinha a segunda melhor proposta.


O que levou ao engano? Um engano que foi dos jornalistas mas também dos próprios candidatos.


É que cada um dos candidatos recebeu uma carta a dizer quem passava à IV fase das negociações e a dizer que a escolha tinha por base um ranking de valores. 


Não disse mais nada na carta. Mas a esta carta era junto um anexo. Nesse anexo havia uma lista dos nomes e cada destinatário tinha o seu nome nessa lista. Os outros, ou o outro que não passou num primeiro momento à quarta fase, aparecia ocultado, estando no seu lugar uns pontinhos.


 Em primeiro lugar aparecia a Anbang, e depois vinha a Apollo (no caso do anexo da carta à Apollo), e o outro que aparecia com três pontinhos. Obviamente a Fosun. Na carta à Fosun a mesma coisa, havia a Anbang, e depois uns pontinhos e por fim Fosun. Todos pensaram que era um ranking. Todos assumiram que aquele era o ranking.


Mas o Banco de Portugal, diz-se nos bastidores, fez aquela lista com base numa "Ordem Alfabética"!!!! Inacreditável? Claro. Acredito mesmo. 


 


 

O Mistério da venda do Novo Banco (como sabemos quem são os candidatos?)

 



Algo está podre no reino da venda do Novo Banco. Desde o início do ano que o Novo Banco está em processo de venda. Em todos os comunicados era omitido os nomes dos candidatos. Mas em surdina saía das entidades oficiais os nomes dos candidatos Anbang; Apollo e Fosun. Em nenhum comunidado o Banco de Portugal diz os nomes dos interessados. O que se sabe, sabe-se por conversas não oficiais com os protagonistas.


O que era a verdade até ontem era isto:


Anbang deu uma proposta muito mais alta, cerca de 3,5 bi. Mas exigiu garantias estatais sobre imparidades futuras de créditos do Novo Banco. A Fosun, deu o preço mais baixo. Cerca de 1,5 bi, porque a Fosun não queria competir com a Anbang, seus conterrâneos. Havia até a intenção de sair da corrida, por desinteresse, "porque aquilo não vale".Mas as propostas vinculativas eram válidas até fim de Outubro.


Sabia-se que a Apollo deu a segunda proposta mais alta.


O comunicado do Banco de Portugal assumia que  havia numa segunda proposta e uma terceira e que se falhassem as negociações com o primeiro avançavam para o segundo. As propostas mais altas eram a da Anbang, Apollo, Fosun, todos assumiam isto. Todos mesmo. 


O Banco de Portugal comunica hoje que as negociações falharam com o primeiro candidato e que avançam os segundos candidatos. Ora todos olharam para a Apollo. Mas pelo que parece, os chineses perder ainda vá, para os norte-americanos é que não. 


Hoje de manhã começa a surgir o rumor que talvez a segunda melhor proposta fosse a da Fosun. De repente a Fosun é quem tinha a segunda melhor proposta. A Fosun que tinha dito que a sua aposta era a saúde e a felicidade, começa a dizer à Reuters que continua empenhada no Novo Banco. 


De repente salta para a ribalta: a Fosun tem a segunda melhor proposta e foi convidada para as negociações. O Banco de Portugal não diz isso em comunicado. Mas isso não quer dizer nada. Porque a notícia é oficiosamente confirmada.


Mas as outras notícias também eram oficiosamente confirmadas.  


Agora é legítimo perguntar: será que o Banco de Portugal esteve em negociações com a Anbang? É que nunca disse em nenhum comunicado oficial que era a Anbang. Na verdade nem nunca disse em nenhum comunicado que os interessados eram a Apollo e a Fosun. Na verdade nunca disse que a Anbang tinha a melhor proposta. Como sabemos que foi assim? Pelas mesmas fontes que nos disseram que a Apollo tinha a segunda melhor proposta.


O que levou ao engano? Um engano que foi dos jornalistas mas também dos próprios candidatos.


É que cada um dos candidatos recebeu uma carta a dizer quem passava à IV fase das negociações e a dizer que a escolha tinha por base um ranking de valores. 


Não disse mais nada na carta. Mas a esta carta era junto um anexo. Nesse anexo havia uma lista dos nomes e cada destinatário tinha o seu nome nessa lista. Os outros, ou o outro que não passou num primeiro momento à quarta fase, aparecia ocultado, estando no seu lugar uns pontinhos.


 Em primeiro lugar aparecia a Anbang, e depois vinha a Apollo (no caso do anexo da carta à Apollo), e o outro que aparecia com três pontinhos. Obviamente a Fosun. Na carta à Fosun a mesma coisa, havia a Anbang, e depois uns pontinhos e por fim Fosun. Todos pensaram que era um ranking. Todos assumiram que aquele era o ranking.


Mas o Banco de Portugal, diz-se nos bastidores, fez aquela lista com base numa "Ordem Alfabética"!!!! Inacreditável? Claro. Acredito mesmo.