quarta-feira, 28 de junho de 2017

Do gene canhoto às cambalhotas


Nem sempre estou a par das notícias, sejam elas importantes ou folclóricas. E folclore tem um leitura imediata, cultural, i.e., vinda das nossas raízes ou metafórica. E a notícia – lida na página de um amigo no Facebook, é disto que se trata: de folclore, já que na realidade não interessa - serve somente para um “momento jornalístico” e é sobretudo uma cambalhota, aliás mais uma no percurso político de quem afirmava ter um gene canhoto, bem patente quando militou no Bloco de Esquerda. Joana Amaral Dias parece um ginasta olímpica!


Fiquei espantado por ela, após uma aventura pela coligação Agir, nas legislativas de 2015, ser é a candidata do Nós, Cidadãos! à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.


O filósofo francês Pascal dizia que “quem não mudou de ideias é porque provavelmente não teve nenhuma”, e com o qual estou de acordo. Percebo, por exemplo, que Zita Seabra tenha deixado a ortodoxia comunista, porque viu a realidade sob um outro olhar. Mostrou, a meu ver, inteligência e oportunidade. Optou pela social democracia. No entanto, com este ziguezaguear Amaral Dias, além de ser – e para mim é o que isto significa – puro folclore, e mais uns minutos de fama – tal como quando se despiu para uma revista – reflecte uma imagem de oportunismo que só serve para desgastar a imagem da classe política, e desde logo a sua: se fosse eleitor em Lisboa – e inclusive tinha em boa conta o Nós, Cidadãos! - não lhe daria o meu escrutínio: ela não transmite nenhuma coerência e tampouco credibilidade!

Do gene canhoto às cambalhotas


Nem sempre estou a par das notícias, sejam elas importantes ou folclóricas. E folclore tem um leitura imediata, cultural, i.e., vinda das nossas raízes ou metafórica. E a notícia – lida na página de um amigo no Facebook, é disto que se trata: de folclore, já que na realidade não interessa - serve somente para um “momento jornalístico” e é sobretudo uma cambalhota, aliás mais uma no percurso político de quem afirmava ter um gene canhoto, bem patente quando militou no Bloco de Esquerda. Joana Amaral Dias parece um ginasta olímpica!


Fiquei espantado por ela, após uma aventura pela coligação Agir, nas legislativas de 2015, ser é a candidata do Nós, Cidadãos! à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.


O filósofo francês Pascal dizia que “quem não mudou de ideias é porque provavelmente não teve nenhuma”, e com o qual estou de acordo. Percebo, por exemplo, que Zita Seabra tenha deixado a ortodoxia comunista, porque viu a realidade sob um outro olhar. Mostrou, a meu ver, inteligência e oportunidade. Optou pela social democracia. No entanto, com este ziguezaguear Amaral Dias, além de ser – e para mim é o que isto significa – puro folclore, e mais uns minutos de fama – tal como quando se despiu para uma revista – reflecte uma imagem de oportunismo que só serve para desgastar a imagem da classe política, e desde logo a sua: se fosse eleitor em Lisboa – e inclusive tinha em boa conta o Nós, Cidadãos! - não lhe daria o meu escrutínio: ela não transmite nenhuma coerência e tampouco credibilidade!

terça-feira, 27 de junho de 2017

Da opinião e das ideias: um retrato.

A respeito do que tenho lido um pouco por todo o lado, faço esta reflexão, a que intitulei "Da opinião e das ideias: um retrato."


 


 


Roberto Calasso, ensaísta e ficcionista florentino, em “Os quarenta e nove degraus”, escreve: “A história da opinião é a história mais obscura. Não há nada mais óbvio do que a opinião”, acrescentando, no entanto, que “os vastos pastos da opinião são o orgulho da civilização” e que a “opinião é acima de tudo um poder formal, um virtuosismo que aumenta constantemente, que ataca todos os materiais” (Livros Cotovia, 1996).


Um dos grandes críticos da opinião foi Karl Kraus (1874-1936), para quem “a opinião pode falar de tudo, mas não pode dizer tudo”, acrescentando que – e desde sempre - o órgão oficial da opinião é a imprensa. Hoje, graças aos diversos desenvolvimentos tecnológicos, a opinião está disseminada na globalidade que as rede da comunicação, e em particular nas redes sociais, possibilitam. Opina-se em todo o lado!


 


A referência a este dramaturgo, jornalista, ensaísta, aforista e poeta austríaco, tem, neste contexto, importância, porque serviu-se da “Die Fackel”, revista por si fundada, “para criticar os compromissos, as injustiças e a corrupção, e muito em particular a corrupção da língua”. Para Kraus, “qualquer pequeno erro na escrita é responsável pelas grandes tragédias no mundo. Assim, via na falha de uma vírgula um sintoma de que o estado do mundo permitiria uma guerra mundial”.


Esta referência parece-me ter importância num contexto tecnológico onde a projecção da palavra é global. Provocando, por um lado, uma clara alteração no “ordenamento do espaço e do tempo” [Edmundo Cordeiro; 2000], espelhando o que Ernst Jünger (1895-1998) definia como “mobilização total”: “A mobilização total (…) é, em tempo de paz como em tempo de guerra, a expressão de uma exigência secreta e constrangedora à qual submete esta era das massas e das máquinas” [Ernst Jünger; 1990]. Um conceito que o pensador, arquitecto e urbanista francês, Paul Virilo, transformou em “velocidade”, ou seja, “uma concepção de um tempo de exposição (cronoscópio) da duração dos acontecimentos à velocidade da Luz” [Paul Virilo; 1995].


Daí que sejamos - à boleia desta submissão das massas e das máquinas, com consequências evidentes na “mobilização do nosso campo de percepção” - confrontados com a “ilusão do mundo” e com as mais diversas virtualidades. Sendo o exercício da crítica e da suspeita, a “tábua” para a nossa salvação. Em suma, há que saber encontrar o real, neste “palheiro” a que a realidade parece ter sido confinada. Por outro lado, a crítica supõe um postulado ético já que nos convida a (procurar) ver melhor: “por vezes basta olhar de outra maneira para ver melhor”[Paul Virilo; 1995]!


 


Num dos números da Die Fackel, Kraus escreveu: “há muitos que partilham das minhas ideias. Eu é que não as partilho com eles. Se alguém perfilha todas as minhas ideias, isso não quer dizer necessariamente que a adição resulte num todo. Mesmo que eu próprio não tivesse nenhuma das minhas ideias, ainda seria mais do que um outro que perfilha todas as minhas ideias.” Ou seja: o ser humano é sempre “mais do que a soma das nossas ideias”. Com efeito, nós, tal como Janus, temos duas faces: ora somos emissores, ora somos receptores de ideias, pelo que, a questão traduz-se realmente na falta de espírito crítico e/ou na capacidade da suspeita; na necessidade de seremos capazes de desconfiar! Por outras palavras: como nem tudo o que luz não é de ouro é preciso estarmos atentos!


 


Não se trata, porém, de um problema novo. O que é novidade é a velocidade com que as ideias se espelham. Não foi por causa da transmissão de más ideias que foram cometidos os maiores crimes contra a humanidade, e que estão na base dos movimentos totalitários nascidos no século passado? Não é por ameaças análogas que os “verdadeiros” europeístas suspiram de alívio quando uma ameaça populista perde nas urnas? Com efeito, temos que ter “bons olhos”, e sobretudo a capacidade de adaptação e de resistência para não ceder à realidade. Não é porque uns, sempre em nome de visões circunscritas da realidade, se acham no direito de inverter o mundo que devemos ceder. É esta a pedagogia. É isto que devemos transmitir aos nossos filhos, como é esta a grande missão da educação. É preciso, e sem medo, transmitir os valores em que o Ocidente se baseia. Caso contrário regredimos no tempo!


 


Ninguém está impedido de partilhar as ideias dos outros. É um direito que nos assiste. O que acontece – e isto é grave – é que vivemos presos às ideias dos outros. As ideias dos outros tem o mesmo efeito perverso do eucalipto: secam tudo o que lhes rodeia, secando a autonomia das nossas ideias. Hoje, como disse recentemente António de Castro Caeiro numa entrevista à TSF, “as pessoas não pensam em voz alta”! Acrescento: nem em voz alta, nem em voz baixa: As pessoas simplesmente não pensam!


 


Acontece, todavia, que o fenómeno não é novo. Ou seja, esta imensa preguiça intelectual não é, de facto, recente. Aliás, como dizia Alexandre Herculano, “o homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar”

Da opinião e das ideias: um retrato.

A respeito do que tenho lido um pouco por todo o lado, faço esta reflexão, a que intitulei "Da opinião e das ideias: um retrato."


 


 


Roberto Calasso, ensaísta e ficcionista florentino, em “Os quarenta e nove degraus”, escreve: “A história da opinião é a história mais obscura. Não há nada mais óbvio do que a opinião”, acrescentando, no entanto, que “os vastos pastos da opinião são o orgulho da civilização” e que a “opinião é acima de tudo um poder formal, um virtuosismo que aumenta constantemente, que ataca todos os materiais” (Livros Cotovia, 1996).


Um dos grandes críticos da opinião foi Karl Kraus (1874-1936), para quem “a opinião pode falar de tudo, mas não pode dizer tudo”, acrescentando que – e desde sempre - o órgão oficial da opinião é a imprensa. Hoje, graças aos diversos desenvolvimentos tecnológicos, a opinião está disseminada na globalidade que as rede da comunicação, e em particular nas redes sociais, possibilitam. Opina-se em todo o lado!


 


A referência a este dramaturgo, jornalista, ensaísta, aforista e poeta austríaco, tem, neste contexto, importância, porque serviu-se da “Die Fackel”, revista por si fundada, “para criticar os compromissos, as injustiças e a corrupção, e muito em particular a corrupção da língua”. Para Kraus, “qualquer pequeno erro na escrita é responsável pelas grandes tragédias no mundo. Assim, via na falha de uma vírgula um sintoma de que o estado do mundo permitiria uma guerra mundial”.


Esta referência parece-me ter importância num contexto tecnológico onde a projecção da palavra é global. Provocando, por um lado, uma clara alteração no “ordenamento do espaço e do tempo” [Edmundo Cordeiro; 2000], espelhando o que Ernst Jünger (1895-1998) definia como “mobilização total”: “A mobilização total (…) é, em tempo de paz como em tempo de guerra, a expressão de uma exigência secreta e constrangedora à qual submete esta era das massas e das máquinas” [Ernst Jünger; 1990]. Um conceito que o pensador, arquitecto e urbanista francês, Paul Virilo, transformou em “velocidade”, ou seja, “uma concepção de um tempo de exposição (cronoscópio) da duração dos acontecimentos à velocidade da Luz” [Paul Virilo; 1995].


Daí que sejamos - à boleia desta submissão das massas e das máquinas, com consequências evidentes na “mobilização do nosso campo de percepção” - confrontados com a “ilusão do mundo” e com as mais diversas virtualidades. Sendo o exercício da crítica e da suspeita, a “tábua” para a nossa salvação. Em suma, há que saber encontrar o real, neste “palheiro” a que a realidade parece ter sido confinada. Por outro lado, a crítica supõe um postulado ético já que nos convida a (procurar) ver melhor: “por vezes basta olhar de outra maneira para ver melhor”[Paul Virilo; 1995]!


 


Num dos números da Die Fackel, Kraus escreveu: “há muitos que partilham das minhas ideias. Eu é que não as partilho com eles. Se alguém perfilha todas as minhas ideias, isso não quer dizer necessariamente que a adição resulte num todo. Mesmo que eu próprio não tivesse nenhuma das minhas ideias, ainda seria mais do que um outro que perfilha todas as minhas ideias.” Ou seja: o ser humano é sempre “mais do que a soma das nossas ideias”. Com efeito, nós, tal como Janus, temos duas faces: ora somos emissores, ora somos receptores de ideias, pelo que, a questão traduz-se realmente na falta de espírito crítico e/ou na capacidade da suspeita; na necessidade de seremos capazes de desconfiar! Por outras palavras: como nem tudo o que luz não é de ouro é preciso estarmos atentos!


 


Não se trata, porém, de um problema novo. O que é novidade é a velocidade com que as ideias se espelham. Não foi por causa da transmissão de más ideias que foram cometidos os maiores crimes contra a humanidade, e que estão na base dos movimentos totalitários nascidos no século passado? Não é por ameaças análogas que os “verdadeiros” europeístas suspiram de alívio quando uma ameaça populista perde nas urnas? Com efeito, temos que ter “bons olhos”, e sobretudo a capacidade de adaptação e de resistência para não ceder à realidade. Não é porque uns, sempre em nome de visões circunscritas da realidade, se acham no direito de inverter o mundo que devemos ceder. É esta a pedagogia. É isto que devemos transmitir aos nossos filhos, como é esta a grande missão da educação. É preciso, e sem medo, transmitir os valores em que o Ocidente se baseia. Caso contrário regredimos no tempo!


 


Ninguém está impedido de partilhar as ideias dos outros. É um direito que nos assiste. O que acontece – e isto é grave – é que vivemos presos às ideias dos outros. As ideias dos outros tem o mesmo efeito perverso do eucalipto: secam tudo o que lhes rodeia, secando a autonomia das nossas ideias. Hoje, como disse recentemente António de Castro Caeiro numa entrevista à TSF, “as pessoas não pensam em voz alta”! Acrescento: nem em voz alta, nem em voz baixa: As pessoas simplesmente não pensam!


 


Acontece, todavia, que o fenómeno não é novo. Ou seja, esta imensa preguiça intelectual não é, de facto, recente. Aliás, como dizia Alexandre Herculano, “o homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar”

Escrito na pedra


Em ano de eleições autárquicas recordo uma citação de Abraham Lincoln para quem “um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda.”.


 


Ele tem razão, pois um voto faz a diferença. No entanto, tal afirmação não o livrou de sido assassinado. Efectivamente, e mesmo em democracia, há quem ache que com tiros, bombas, etc., podem reescrever a história!

Escrito na pedra


Em ano de eleições autárquicas recordo uma citação de Abraham Lincoln para quem “um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda.”.


 


Ele tem razão, pois um voto faz a diferença. No entanto, tal afirmação não o livrou de sido assassinado. Efectivamente, e mesmo em democracia, há quem ache que com tiros, bombas, etc., podem reescrever a história!

domingo, 25 de junho de 2017

A pressão jornalística portuguesa ao El Mundo

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Os jornalistas portugueses não se conformam. O El Mundo atreveu-se, tamanho desplante, a pôr em causa o Governo das esquerdas unidas. Mas que sacrilégio.


Tudo por causa do El Mundo ter noticiado na passada quarta-feira as críticas crescentes à "gestão desastrosa da tragédia" por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, prevendo até "o fim da carreira política" do governante português. No mesmo artigo, o jornal espanhol refere ainda que as principais reivindicações têm recaído "em particular" sobre a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.


O artigo desta quarta-feira, intitulado "Caos no maior incêndio da história de Portugal: 64 mortos, um avião fantasma e 27 aldeias evacuadas", pretende fazer um rescaldo da situação em Portugal ao quarto dia do incêndio em Pedrógão Grande. São ainda apontadas falhas "na coordenação das autoridades, tanto a nível dos trabalhos de extinção, como da comunicação com os media".


Eis que de repente há investigações e denúncias ao jornalista (imagine-se). Queriam identificá-lo para o ostracizar? Para o banir? Para descobrir algum podre que o desacreditasse? Descobrem que não o descobrem e com tamanha lata questionam o El Mundo, como se o jornal não tivesse competência para escolher jornalistas, ou para decidir a credibilidade das reportagens que publica.


Mas o conteúdo da notícia é falso? Isso nem é tema.


O importante é expô-lo na praça pública. Os portugueses queriam queimá-lo na fogueira do mediatismo. Mas lamentavelmente não têm uma cara para acusar, um cadastro, um currículo. Querem obrigar o jornal a revelar o culpado de ter criticado um governo de esquerda. O El Mundo não sabe que isso é imperdoável a um jornalista em Portugal.


Chega ao cúmulo de os jornalistas portugueses, representados pelo Sindicato, pedirem explicações a um jornal espanhol, fundado em 1989 e que vende mais do que o Correio da Manhã  (vou rever a minha condição de sindicalizada), e que não recebe lições dos jornalistas portugueses. Quem é o jornalista que assina como Sebastião Pereira e que escreveu o artigo? A Comissão da Carteira também questiona.


O El Mundo nem queria acreditar e a editora de internacional vê-se obrigada a desligar os meios de contacto.


Respondeu ao sindicato de jornalistas portugueses. "Nada fizémos de errado, recorremos a um jornalista que utiliza pseudónimo e que já conhecemos bem". Respondeu a editora da secção de Internacional do 'El Mundo' ao português Sindicato dos Jornalistas. "Párem de me atacar no Twitter! Párem de me enviar emails! Párem de tentar telefonar-me! Em 22 anos nesta secção nunca me aconteceu algo assim, nem nos casos da Venezuela ou da Turquia!" Nem mais.


Mas o importante agora é saber quem escreve? Ou o importante e refletir-se sobre o que está escrito? Algum leitor lê a assinatura dos artigos? O importante é confiar no jornal e na credibilidade editorial de um jornal. Se o jornalista assina com pseudónimo, ou se não assina sequer não é importante.


Cito um comentário que li no Facebook. "Não consigo perceber que no ano 2017 quando não estamos de acordo com o que se escreve se comece a chamar de facho".


Está ao nível de uma Venezuela, no doubt!


 


P.S. O artigo foi publicado pelo El Mundo, logo vincula ao El Mundo. Não é importante saber se foi o jornalista A ou o jornalista B, não vos parece?

A pressão jornalística portuguesa ao El Mundo

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Os jornalistas portugueses não se conformam. O El Mundo atreveu-se, tamanho desplante, a pôr em causa o Governo das esquerdas unidas. Mas que sacrilégio.


Tudo por causa do El Mundo ter noticiado na passada quarta-feira as críticas crescentes à "gestão desastrosa da tragédia" por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, prevendo até "o fim da carreira política" do governante português. No mesmo artigo, o jornal espanhol refere ainda que as principais reivindicações têm recaído "em particular" sobre a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.


O artigo desta quarta-feira, intitulado "Caos no maior incêndio da história de Portugal: 64 mortos, um avião fantasma e 27 aldeias evacuadas", pretende fazer um rescaldo da situação em Portugal ao quarto dia do incêndio em Pedrógão Grande. São ainda apontadas falhas "na coordenação das autoridades, tanto a nível dos trabalhos de extinção, como da comunicação com os media".


Eis que de repente há investigações e denúncias ao jornalista (imagine-se). Queriam identificá-lo para o ostracizar? Para o banir? Para descobrir algum podre que o desacreditasse? Descobrem que não o descobrem e com tamanha lata questionam o El Mundo, como se o jornal não tivesse competência para escolher jornalistas, ou para decidir a credibilidade das reportagens que publica.


Mas o conteúdo da notícia é falso? Isso nem é tema.


O importante é expô-lo na praça pública. Os portugueses queriam queimá-lo na fogueira do mediatismo. Mas lamentavelmente não têm uma cara para acusar, um cadastro, um currículo. Querem obrigar o jornal a revelar o culpado de ter criticado um governo de esquerda. O El Mundo não sabe que isso é imperdoável a um jornalista em Portugal.


Chega ao cúmulo de os jornalistas portugueses, representados pelo Sindicato, pedirem explicações a um jornal espanhol, fundado em 1989 e que vende mais do que o Correio da Manhã  (vou rever a minha condição de sindicalizada), e que não recebe lições dos jornalistas portugueses. Quem é o jornalista que assina como Sebastião Pereira e que escreveu o artigo? A Comissão da Carteira também questiona.


O El Mundo nem queria acreditar e a editora de internacional vê-se obrigada a desligar os meios de contacto.


Respondeu ao sindicato de jornalistas portugueses. "Nada fizémos de errado, recorremos a um jornalista que utiliza pseudónimo e que já conhecemos bem". Respondeu a editora da secção de Internacional do 'El Mundo' ao português Sindicato dos Jornalistas. "Párem de me atacar no Twitter! Párem de me enviar emails! Párem de tentar telefonar-me! Em 22 anos nesta secção nunca me aconteceu algo assim, nem nos casos da Venezuela ou da Turquia!" Nem mais.


Mas o importante agora é saber quem escreve? Ou o importante e refletir-se sobre o que está escrito? Algum leitor lê a assinatura dos artigos? O importante é confiar no jornal e na credibilidade editorial de um jornal. Se o jornalista assina com pseudónimo, ou se não assina sequer não é importante.


Cito um comentário que li no Facebook. "Não consigo perceber que no ano 2017 quando não estamos de acordo com o que se escreve se comece a chamar de facho".


Está ao nível de uma Venezuela, no doubt!


 


P.S. O artigo foi publicado pelo El Mundo, logo vincula ao El Mundo. Não é importante saber se foi o jornalista A ou o jornalista B, não vos parece?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Pedrogão: Mas porque é que não cortaram a estrada nacional 236?

Foto de Joaquim Casqueiro.


Até agora ainda não percebi porque é que a GNR não cortou o trânsito na estrada nacional 236, já chamada como a estrada da morte?


Será que ouvi bem alguém dizer que as pessoas foram encaminhadas pela GNR para aquela estrada?


Não deviamos já ter prática em incêndios ao ponto de haver especialistas a orientar as populações para as melhores práticas a adoptar?


 

Pedrogão: Mas porque é que não cortaram a estrada nacional 236?

Foto de Joaquim Casqueiro.


Até agora ainda não percebi porque é que a GNR não cortou o trânsito na estrada nacional 236, já chamada como a estrada da morte?


Será que ouvi bem alguém dizer que as pessoas foram encaminhadas pela GNR para aquela estrada?


Não deviamos já ter prática em incêndios ao ponto de haver especialistas a orientar as populações para as melhores práticas a adoptar?


 

Das opiniões a Murphy. Um retrato da calamidade

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Imagem encontrada aqui


A propósito do que se tem escrito sobre o incêndio de Pedrogão Grande, e sobretudo o número abismal de vitimas - se não fossem as mortes não seria "mais um outro incêndio" a lamentar - recordo a leitura de uma obra de Roberto Calasso, ensaísta e ficcionista florentino, que em “Os quarenta e nove degraus” (Livros Cotovia, 1996), escrevia sobre a opinião.


Dizia ele:“a história da opinião é a história mais obscura. Não há nada mais óbvio do que a opinião”. “Os vastos pastos da opinião são o orgulho da civilização” e (sobretudo) “porque a opinião é acima de tudo um poder formal, um virtuosismo que aumenta constantemente, que ataca todos os materiais”.


O maior detractor da opinião foi o vianense Karl Kraus [1874-1936], para quem “a opinião pode falar de tudo, mas não pode dizer tudo.”


Num estado como o nosso, em que a liberdade de expressão passou, pelo menos legalmente, a estar garantida, as opiniões elas valem o que valem. Kraus dizia mesmo que “as boas opiniões não têm valor. Depende de quem as tem.” E, de facto, o elitismo opinador é uma realidade incontornável, uma profissão! E o pior é que eles, tal como os operários, tem que assinar o ponto, nem que seja para “encherem chouriços”!


A calamidade do passado fim-de-semana, que teve o condão de unir os portugueses - somo excelentes a celebrar e a chorar em uníssono - foi sobretudo um dia de muito azar. Um dia em que as circunstancias, ambientais e outras, fazem-me recordar a célebre Lei de Murphy: "qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível”! E foi o que precisamente aconteceu!

Das opiniões a Murphy. Um retrato da calamidade

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Imagem encontrada aqui


A propósito do que se tem escrito sobre o incêndio de Pedrogão Grande, e sobretudo o número abismal de vitimas - se não fossem as mortes não seria "mais um outro incêndio" a lamentar - recordo a leitura de uma obra de Roberto Calasso, ensaísta e ficcionista florentino, que em “Os quarenta e nove degraus” (Livros Cotovia, 1996), escrevia sobre a opinião.


Dizia ele:“a história da opinião é a história mais obscura. Não há nada mais óbvio do que a opinião”. “Os vastos pastos da opinião são o orgulho da civilização” e (sobretudo) “porque a opinião é acima de tudo um poder formal, um virtuosismo que aumenta constantemente, que ataca todos os materiais”.


O maior detractor da opinião foi o vianense Karl Kraus [1874-1936], para quem “a opinião pode falar de tudo, mas não pode dizer tudo.”


Num estado como o nosso, em que a liberdade de expressão passou, pelo menos legalmente, a estar garantida, as opiniões elas valem o que valem. Kraus dizia mesmo que “as boas opiniões não têm valor. Depende de quem as tem.” E, de facto, o elitismo opinador é uma realidade incontornável, uma profissão! E o pior é que eles, tal como os operários, tem que assinar o ponto, nem que seja para “encherem chouriços”!


A calamidade do passado fim-de-semana, que teve o condão de unir os portugueses - somo excelentes a celebrar e a chorar em uníssono - foi sobretudo um dia de muito azar. Um dia em que as circunstancias, ambientais e outras, fazem-me recordar a célebre Lei de Murphy: "qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível”! E foi o que precisamente aconteceu!

Macronite

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Será que a "macronite" é para ficar? E já agora, quais serão os efeitos desta eleição em outros estados da União Europeia?


Por outro lado, ao darem esta maioria absoluta ao centro, os franceses terão passado um cheque em branco ao movimento de apoio ao Presidente Emmanuel Macron, La République en marche em coligação com os centrista (centro esquerda) do MoDem? Talvez sim, porém, e como os conheço bem - sou casado com uma francesa - a oposição será feita nas ruas, e muito provavelmente a ferro e fogo!


A elevada abstenção, 57,36 %, é também um bom indicador que os tempos futuros não serão fáceis para Macron e a maioria!


 

Macronite

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Será que a "macronite" é para ficar? E já agora, quais serão os efeitos desta eleição em outros estados da União Europeia?


Por outro lado, ao darem esta maioria absoluta ao centro, os franceses terão passado um cheque em branco ao movimento de apoio ao Presidente Emmanuel Macron, La République en marche em coligação com os centrista (centro esquerda) do MoDem? Talvez sim, porém, e como os conheço bem - sou casado com uma francesa - a oposição será feita nas ruas, e muito provavelmente a ferro e fogo!


A elevada abstenção, 57,36 %, é também um bom indicador que os tempos futuros não serão fáceis para Macron e a maioria!


 

A Morte Chega Cedo.

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A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

 

Como não sabia como expressar o meu sentimento por estes concidadãos que morreram ceifados pelo incêndio deste sábado, encontrei neste poema, de Fernando Pessoa, uma forma de o fazer. Outra, que já o fiz, é orar. Orar muito: pelos mortos e, principalmente, pelos vivos que tem que viver, dia após dia, com a ausência de quem partiu.

A Morte Chega Cedo.

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A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

 

Como não sabia como expressar o meu sentimento por estes concidadãos que morreram ceifados pelo incêndio deste sábado, encontrei neste poema, de Fernando Pessoa, uma forma de o fazer. Outra, que já o fiz, é orar. Orar muito: pelos mortos e, principalmente, pelos vivos que tem que viver, dia após dia, com a ausência de quem partiu.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Nos dias que correm...

Foto de António Pereira de Carvalho.

Nos dias que correm...

Foto de António Pereira de Carvalho.

Um (bom) fenómeno


Tenho estado a ler um dos ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos da autoria do politólogo Carlos Jalali sobre Partidos e sistemas partidários. É um ensaio, e nessa qualidade vale o que vale. E por ter sido publicado recentemente, em Abril, não dá o devido enfoque à eleição de Emmanuel Macron e, muito menos, ao sucesso do seu movimento político: La République en Marche (A República em Marcha).


Tal como na vitória nas presidenciais, parece que está a ocorrer em França uma revolução política, tendo castigado os partidos tradicionais, em particular os socialistas. Algo muito parecido com o que aconteceu em Portugal, nos idos anos 80, com o sucesso (temporário) do Partido Renovador Democrático.


Emmanuel Macroné é um fenómeno que seguramente irá dar campo, entre os cientistas políticos, a muitos estudos. É uma clara vitória do centro político em França e, para mim, um rasgo de esperança: sempre me considerei um centrista. Defendo que é no centro que está a virtude. Só o centro é o antídoto às ameaças populistas que assustam quem, como eu, acredita no projecto europeu!

Um (bom) fenómeno


Tenho estado a ler um dos ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos da autoria do politólogo Carlos Jalali sobre Partidos e sistemas partidários. É um ensaio, e nessa qualidade vale o que vale. E por ter sido publicado recentemente, em Abril, não dá o devido enfoque à eleição de Emmanuel Macron e, muito menos, ao sucesso do seu movimento político: La République en Marche (A República em Marcha).


Tal como na vitória nas presidenciais, parece que está a ocorrer em França uma revolução política, tendo castigado os partidos tradicionais, em particular os socialistas. Algo muito parecido com o que aconteceu em Portugal, nos idos anos 80, com o sucesso (temporário) do Partido Renovador Democrático.


Emmanuel Macroné é um fenómeno que seguramente irá dar campo, entre os cientistas políticos, a muitos estudos. É uma clara vitória do centro político em França e, para mim, um rasgo de esperança: sempre me considerei um centrista. Defendo que é no centro que está a virtude. Só o centro é o antídoto às ameaças populistas que assustam quem, como eu, acredita no projecto europeu!

domingo, 11 de junho de 2017

A TAP pública é para dar lugares de administrador

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O que salta à vista das notícias sobre a administração da TAP, é que, para calar críticos, o Governo espalhou várias forças na administração da TAP.


No fundo o que pretendia o Executivo era calar as críticas à escolha de Diogo Lacerda Machado para administrador da TAP. Penso que terá passado pela cabeça de António Costa dar-lhe o lugar de chairman, mas achou que seria motivo de críticas da oposição e então, para calar os críticos, escolheu para chairman um social democrata, Miguel Frasquilho.


O advogado Diogo Lacerda Machado, foi escolhido por António Costa para negociar o acordo com o consórcio Gateway, para a reversão da partipação estatal na TAP, que acabou por ser de 50%. Já se percebe para que quer a reversão da privatização da TAP o executivo, para ter sítios onde encaixar administradores. É uma tradição do PS, essa tentação de serem Deus do tecido empresarial.


No fundo o PS é o eterno partido do lobby, nisso mantém a tradição.


Mas há mais escolhidos pelo Estado para administradores. Esmeralda Dourado, administradora da SAG, Bernardo Trindade, ex-secretário de Estado do Turismo  nos XVII e XVIII governos de José Sócrates, integram o lote de administradores não-executivos que são indicados pelo Estado. A estes nomes junta-se ainda o de António Menezes, ex-CEO da companhia aérea açoriana Sata. No sábado, o Expresso tinha confirmado que Miguel Frasquilho será o presidente da administração que integra ainda Ana Pinho, líder da Fundação Serralves, para além do amigo Lacerda Machado.


Acredito que se pudessem retomavam os direitos de nomear administradores na EDP e nos CTT, o Bloco faz o papel de reivindicador, mas o PS adoraria mais "boards" disponíveis. Só nos bancos é que não se querem meter. Já perceberam que os lugares de administradores de bancos são presentes envenenados.Porque os bancos são hiper-regulados por Bruxelas e Frankfurt, não convém. Mas nos outros sectores é o ver se te avias.


P. S. Marques Mendes disse no seu comentário de domingo na SIC que não havia conflito de interesses. Eu gostava de saber o que diria o comentador se o Sérgio Monteiro fosse para a administração  (se fosse possível) do Novo Banco em nome do Fundo de Resolucao?


 

A TAP pública é para dar lugares de administrador

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O que salta à vista das notícias sobre a administração da TAP, é que, para calar críticos, o Governo espalhou várias forças na administração da TAP.


No fundo o que pretendia o Executivo era calar as críticas à escolha de Diogo Lacerda Machado para administrador da TAP. Penso que terá passado pela cabeça de António Costa dar-lhe o lugar de chairman, mas achou que seria motivo de críticas da oposição e então, para calar os críticos, escolheu para chairman um social democrata, Miguel Frasquilho.


O advogado Diogo Lacerda Machado, foi escolhido por António Costa para negociar o acordo com o consórcio Gateway, para a reversão da partipação estatal na TAP, que acabou por ser de 50%. Já se percebe para que quer a reversão da privatização da TAP o executivo, para ter sítios onde encaixar administradores. É uma tradição do PS, essa tentação de serem Deus do tecido empresarial.


No fundo o PS é o eterno partido do lobby, nisso mantém a tradição.


Mas há mais escolhidos pelo Estado para administradores. Esmeralda Dourado, administradora da SAG, Bernardo Trindade, ex-secretário de Estado do Turismo  nos XVII e XVIII governos de José Sócrates, integram o lote de administradores não-executivos que são indicados pelo Estado. A estes nomes junta-se ainda o de António Menezes, ex-CEO da companhia aérea açoriana Sata. No sábado, o Expresso tinha confirmado que Miguel Frasquilho será o presidente da administração que integra ainda Ana Pinho, líder da Fundação Serralves, para além do amigo Lacerda Machado.


Acredito que se pudessem retomavam os direitos de nomear administradores na EDP e nos CTT, o Bloco faz o papel de reivindicador, mas o PS adoraria mais "boards" disponíveis. Só nos bancos é que não se querem meter. Já perceberam que os lugares de administradores de bancos são presentes envenenados.Porque os bancos são hiper-regulados por Bruxelas e Frankfurt, não convém. Mas nos outros sectores é o ver se te avias.


P. S. Marques Mendes disse no seu comentário de domingo na SIC que não havia conflito de interesses. Eu gostava de saber o que diria o comentador se o Sérgio Monteiro fosse para a administração  (se fosse possível) do Novo Banco em nome do Fundo de Resolucao?


 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Tiros nos pés. This hurts. But is not my problem


Não deixa de ser curiosa a forma como os conservadores britânicos vêem a realidade e sobretudo como a procuram gerir. Melhor dito: a governação conservadora tem sido só tiros nos pés.


Primeiro foi o Brexit. Nunca percebi porque Cameron foi nessa cantiga. Foi e deu um valente tiro nos pés. Pior: deve ter "assassinado" a sua carreira política...


Por uma razão que me parece um estúpido teste à sua popularidade, Theresa May foi à procura da sua legitimação. Demiti-se e ontem nas eleições a Primeira-ministra britânica saiu duplamente derrotada e com consequências que irão marcar o seu percurso político. É um tiro nos pés: por um lado, porque precisa de se aliar para poder governar. Escolheu um partido irlandês, que como sabem votaram contra a saídas da União Europeia e, principalmente, vai negociar a saída da União em condições muito pouco vantajosas!


Enfim... São só tiros nos pés, but is not my problem


 


 

Tiros nos pés. This hurts. But is not my problem


Não deixa de ser curiosa a forma como os conservadores britânicos vêem a realidade e sobretudo como a procuram gerir. Melhor dito: a governação conservadora tem sido só tiros nos pés.


Primeiro foi o Brexit. Nunca percebi porque Cameron foi nessa cantiga. Foi e deu um valente tiro nos pés. Pior: deve ter "assassinado" a sua carreira política...


Por uma razão que me parece um estúpido teste à sua popularidade, Theresa May foi à procura da sua legitimação. Demiti-se e ontem nas eleições a Primeira-ministra britânica saiu duplamente derrotada e com consequências que irão marcar o seu percurso político. É um tiro nos pés: por um lado, porque precisa de se aliar para poder governar. Escolheu um partido irlandês, que como sabem votaram contra a saídas da União Europeia e, principalmente, vai negociar a saída da União em condições muito pouco vantajosas!


Enfim... São só tiros nos pés, but is not my problem


 


 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Shimon Peres: a pomba de Israel, a Palestina e a ilusão da tolerância

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Se há coisa que aprendi é que os sentimentos nobres são muitas vezes detonadores de enganos. Falo disto a propósito da tentativa de paz que levou a que Shimon Peres, ex-membro do Partido Trabalhista, recebesse o Nobel da Paz de 1994, junto com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, por causa do acordo de paz. Em setembro de 1993 foi assinado na Casa Branca o Acordo de Paz de Oslo que nunca surtiu efeito.


Shimon Peres assinou acordos que se comprometiam a unir esforços para a realização da paz entre os dois povos. Estes acordos previam o término dos conflitos, a abertura das negociações sobre os territórios ocupados, a retirada de Israel do sul do Líbano e a questão do estatuto de Jerusalém. Mas falharam. A Palestina diz que nunca se criou uma agenda para a paz e que não impediram as atividades dos colonatos. Diz que não cumpriram o prazo de 1999 para a criação de um Estado Palestiniano.


Israel diz que houve progressos, reconheceram o povo palestiniano e os palestinos reconheceram o Estado de Israel, concordaram com as fronteiras, mas elas não criavam nenhum Estado e Arafat não conseguiu impor a sua autoridade. Não conseguiu passar de chefe de um movimento revolucionário para chefe de Estado. Sem uma autoridade única o que há são fações. "O Hamas, o Irão, que fundou um império religioso com a ajuda do urânio enriquecido, tem o apoio do Hamas e do Hezbollah que destrói o Líbano, ao passo que o Hamas destroi os palestinianos, e depois há quem defenda a paz, Mahmud Abbas e Fayat, com quem Israel se senta à mesa", explica Shimon Peres num documentário que passou há uns dias na RTP3. Shimon Peres foi Presidente de Israel entre 2007 e 2014. 


O documentário começa assim: Israel contraria toda a História do Mundo. Um povo em diáspora, espalhado pelo mundo, voltar à terra de origem, é inédito.


Um pergunta emerge do documentário. Israel conseguiu a paz com o Egipto e com a Jordânia, com devolução de terras e tudo mais, mas nunca com a Palestina. Porquê?


Shimon Peres queria ser a pomba da paz de Israel, e acreditava que era possível. Acreditava que era possível porque era Israelita, mas para o povo que está ressabiado pela ocupação dos territórios a paz é apenas um instrumento de ser ressarcido em parte de uma dívida. A paz pode ser um instrumento para a retaliação. A Palestina não consegue (ou não quer?) a paz. O Médio Oriente não quer a paz.


Quando a crispação entre povos dura décadas imensas há um povo que está em supremacia que quer a paz, e o outro que quer vingar a história e que só conhece a pulsão primária do ódio colectivo. Mesmo quando a razão quer a paz a alma não consegue converter-se.


Há uma certa hipocrisia no médio oriente. É que a Palestina nunca foi amada pelo mundo árabe. Mas é a martir da zona e nesse aspecto ganhou o respeito do médio oriente. Os países à volta odeiam mais Israel do que amam a Palestina, se não fosse assim já tinham ajudado ao processo de paz e à constituição do Estado da Palestina. Aliás vê-se no programa que a Palestina pede ao Irão que a ponha no mapa, não que expulse Israel.


A primeira coisa que ressalta é que (tal como sempre pensei) a Palestina não era nada antes da criação do Estado de Israel, nunca teve a atenção de ninguém do mundo muçulmano. A sua força e poder resulta da fraqueza de "terem sido ocupados". Até aos acordos de Oslo, não existia a identidade Palestina.


Nunca houve um Estado palestino. A margem ocidental era da Jordânia, nunca foi dos palestinianos. Gaza era dos Egípcios e estes nunca a deram aos palestinos. Os primeiros a reconhecerem a identidade palestina e o direito a uma terra deles, ironicamente, foi Israel.


Só em 27 de setembro de 2013, 134 (69,4%) dos 193 países-membros das Nações Unidas reconheceram a existência do Estado da Palestina.


Benjamin Netanyahu diz no documentário que Arafat nunca foi um homem de paz e esse foi o erro do Acordo de Oslo. Para o primeiro-ministro de Israel, Arafat não era sincero e iria usar os territórios que Israel lhe entregaria no âmbito do acordo, para atacar Israel "e confirmou-se". Arafat pôs fim ao processo de paz em 2000, na conferência de Camp David. Netanyahu diz que Arafat só deu em troca a Israel a Intifada que é a fonte do terror dos ataques suicidas nas cidades israelitas. "Israel saiu de Gaza, saiu dos colonatos, que era o que queria a Palestina", diz Netanyahu. Já os palestinos dizem que Israel saiu mas desarmou a exercito palestino de Gaza e que isso abriu o caminho ao Hamas que comprou armas em todos o lado, e acabou por fazer um golpe do Estado em Gaza.


Mas Israel não teme o Hamas ou o Hezbollah. Israel teme o Irão porque lhe pode lançar um ataque nuclear. Shimon Peres diz que o Iraque era apenas um problema para Israel, mas o Irão é um problema para o mundo. Porque pode torná-lo ingovernável, pode dar armas nucleares a terroristas, se perderem o sentido da responsabilidade.


Interessante e permite perceber as palavras de Trump na Arábia Saudita. "Tudo o que está a acontecer na Síria é culpa do regime iraniano”, disse Trump ao discursar perante os líderes de 55 países muçulmanos numa conferência na capital da Arábia Saudita, em que responsabilizou o Irão pela instabilidade na região e pelo que está a acontecer na Síria. O presidente norte-americano apelou a todas as nações para “trabalharem para isolar o Irão e [privá-lo] dos fundos que financiam o terrorismo”. 


O documentário sobre Shimon Peres é também sobre a constituição do Estado de Israel. Nele é referido que Shimon Peres foi injustamente esquecido na história do país, por exemplo no seu papel na operação de libertação de refugidados, a Operação Entebbe. Esteve sozinho, enquanto ministro da defesa (no Governo de Yitzak Rabin - Rabin e Peres não gostavam um do outro, mas aprenderam a trabalhar em conjunto mesmo não gostando um do outro), na decisão de libertar os refugiados sem ceder à chantagem dos terroristas. Mas o seu papel nessa operação apagou-se.


Nessa altura, entre 1974 a 1979, Shimon Peres era ainda "um falcão" e não "a pomba" em que veio a tornar-se, e ajudou mesmo a construir os primeiros colonatos de Samaria.


Shimon Pires torna-se o secretário geral do Partido Trabalhista (socialista) e muda de atitude, muito ativo na Internacional Socialista onde convive com todos os socialistas da época François Mitterand, Mário Soares, Olof Palme, Bruno Kreisky, muito favoráveis à causa palestina, e Shimon Peres torna-se uma pomba da paz. 


Nessa altura, em 1979, fica reactiva a central nuclear de Dimona o que faz de Israel uma potência nuclear. Shimon Peres acredita que agora que Israel é forte, pode dar-se ao luxo de ser socialista (parece a Europa). Desaparecendo a ameaça à existência do Estado de Israel, começa numa demárche pela causa da Palestina, pela paz com os vizinhos, porque agora havia riscos que podiam correr pela paz, que antes não podiam.


É preciso voltar atrás ao tempo do Kennedy, Shimon Peres constroi um reator nuclear (foi muito criticado na altura) em nome da paz, precisavam de estar protegidos de ameaças, "um holocausto em 100 anos, chega-nos", diz. Mas a desconfiança vale por si, e marca o ritmo dos acontecimentos, e está sempre um passo atrás da agressividade. Portanto o que ficou dessa iniciativa foi uma desconfiança sobre Israel.


Sobre a Europa Shimon Peres diz uma coisa intemporal: "A Europa tem sempre razão mas sempre demasiado tarde. Foi assim com Hitler, com os comunistas e pagou um preço muito alto". Shimon Peres acredita que vai ser assim com o Irão.


*Interessante a história do apoio da Alemanha. Joseph Strauss que era ministro da defesa e tinha combatido na segunda guerra, a brillant mind, segundo Peres que o convenceu a apoiar a criação do Estado de Israel. Explicou-lhe numa reunião de cinco horas que era muito novo e estava no batalhão de anti-aéreas e que sabia que não tinha grande futuro na Alemanha, porque era da Baviera, era filho de um homem do talho e era ministro da defesa, mas ajudou Peres com o suporte de Adenauer. Porque é que um alemão, que foi soldado no regime do Hitler apoia a criação do Estado judeu? Dizem que Strauss decidiu ajudar Shimon Peres por duas razões. Uma porque o Estado de Israel seria uma barreira à influência russa/comunista no Médio Oriente, e a outra foi pela culpa do que o regime nazi tinha feito ao povo judeu. Os alemães deram um imenso contributo, ao fornecerem todo o armamento de graça em segredo.


"Sem os dez mandamentos a civilização fica sem os seus fundamentos", disse Shimon Peres que morreu no ano passado em setembro.

Shimon Peres: a pomba de Israel, a Palestina e a ilusão da tolerância

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Se há coisa que aprendi é que os sentimentos nobres são muitas vezes detonadores de enganos. Falo disto a propósito da tentativa de paz que levou a que Shimon Peres, ex-membro do Partido Trabalhista, recebesse o Nobel da Paz de 1994, junto com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, por causa do acordo de paz. Em setembro de 1993 foi assinado na Casa Branca o Acordo de Paz de Oslo que nunca surtiu efeito.


Shimon Peres assinou acordos que se comprometiam a unir esforços para a realização da paz entre os dois povos. Estes acordos previam o término dos conflitos, a abertura das negociações sobre os territórios ocupados, a retirada de Israel do sul do Líbano e a questão do estatuto de Jerusalém. Mas falharam. A Palestina diz que nunca se criou uma agenda para a paz e que não impediram as atividades dos colonatos. Diz que não cumpriram o prazo de 1999 para a criação de um Estado Palestiniano.


Israel diz que houve progressos, reconheceram o povo palestiniano e os palestinos reconheceram o Estado de Israel, concordaram com as fronteiras, mas elas não criavam nenhum Estado e Arafat não conseguiu impor a sua autoridade. Não conseguiu passar de chefe de um movimento revolucionário para chefe de Estado. Sem uma autoridade única o que há são fações. "O Hamas, o Irão, que fundou um império religioso com a ajuda do urânio enriquecido, tem o apoio do Hamas e do Hezbollah que destrói o Líbano, ao passo que o Hamas destroi os palestinianos, e depois há quem defenda a paz, Mahmud Abbas e Fayat, com quem Israel se senta à mesa", explica Shimon Peres num documentário que passou há uns dias na RTP3. Shimon Peres foi Presidente de Israel entre 2007 e 2014. 


O documentário começa assim: Israel contraria toda a História do Mundo. Um povo em diáspora, espalhado pelo mundo, voltar à terra de origem, é inédito.


Um pergunta emerge do documentário. Israel conseguiu a paz com o Egipto e com a Jordânia, com devolução de terras e tudo mais, mas nunca com a Palestina. Porquê?


Shimon Peres queria ser a pomba da paz de Israel, e acreditava que era possível. Acreditava que era possível porque era Israelita, mas para o povo que está ressabiado pela ocupação dos territórios a paz é apenas um instrumento de ser ressarcido em parte de uma dívida. A paz pode ser um instrumento para a retaliação. A Palestina não consegue (ou não quer?) a paz. O Médio Oriente não quer a paz.


Quando a crispação entre povos dura décadas imensas há um povo que está em supremacia que quer a paz, e o outro que quer vingar a história e que só conhece a pulsão primária do ódio colectivo. Mesmo quando a razão quer a paz a alma não consegue converter-se.


Há uma certa hipocrisia no médio oriente. É que a Palestina nunca foi amada pelo mundo árabe. Mas é a martir da zona e nesse aspecto ganhou o respeito do médio oriente. Os países à volta odeiam mais Israel do que amam a Palestina, se não fosse assim já tinham ajudado ao processo de paz e à constituição do Estado da Palestina. Aliás vê-se no programa que a Palestina pede ao Irão que a ponha no mapa, não que expulse Israel.


A primeira coisa que ressalta é que (tal como sempre pensei) a Palestina não era nada antes da criação do Estado de Israel, nunca teve a atenção de ninguém do mundo muçulmano. A sua força e poder resulta da fraqueza de "terem sido ocupados". Até aos acordos de Oslo, não existia a identidade Palestina.


Nunca houve um Estado palestino. A margem ocidental era da Jordânia, nunca foi dos palestinianos. Gaza era dos Egípcios e estes nunca a deram aos palestinos. Os primeiros a reconhecerem a identidade palestina e o direito a uma terra deles, ironicamente, foi Israel.


Só em 27 de setembro de 2013, 134 (69,4%) dos 193 países-membros das Nações Unidas reconheceram a existência do Estado da Palestina.


Benjamin Netanyahu diz no documentário que Arafat nunca foi um homem de paz e esse foi o erro do Acordo de Oslo. Para o primeiro-ministro de Israel, Arafat não era sincero e iria usar os territórios que Israel lhe entregaria no âmbito do acordo, para atacar Israel "e confirmou-se". Arafat pôs fim ao processo de paz em 2000, na conferência de Camp David. Netanyahu diz que Arafat só deu em troca a Israel a Intifada que é a fonte do terror dos ataques suicidas nas cidades israelitas. "Israel saiu de Gaza, saiu dos colonatos, que era o que queria a Palestina", diz Netanyahu. Já os palestinos dizem que Israel saiu mas desarmou a exercito palestino de Gaza e que isso abriu o caminho ao Hamas que comprou armas em todos o lado, e acabou por fazer um golpe do Estado em Gaza.


Mas Israel não teme o Hamas ou o Hezbollah. Israel teme o Irão porque lhe pode lançar um ataque nuclear. Shimon Peres diz que o Iraque era apenas um problema para Israel, mas o Irão é um problema para o mundo. Porque pode torná-lo ingovernável, pode dar armas nucleares a terroristas, se perderem o sentido da responsabilidade.


Interessante e permite perceber as palavras de Trump na Arábia Saudita. "Tudo o que está a acontecer na Síria é culpa do regime iraniano”, disse Trump ao discursar perante os líderes de 55 países muçulmanos numa conferência na capital da Arábia Saudita, em que responsabilizou o Irão pela instabilidade na região e pelo que está a acontecer na Síria. O presidente norte-americano apelou a todas as nações para “trabalharem para isolar o Irão e [privá-lo] dos fundos que financiam o terrorismo”. 


O documentário sobre Shimon Peres é também sobre a constituição do Estado de Israel. Nele é referido que Shimon Peres foi injustamente esquecido na história do país, por exemplo no seu papel na operação de libertação de refugidados, a Operação Entebbe. Esteve sozinho, enquanto ministro da defesa (no Governo de Yitzak Rabin - Rabin e Peres não gostavam um do outro, mas aprenderam a trabalhar em conjunto mesmo não gostando um do outro), na decisão de libertar os refugiados sem ceder à chantagem dos terroristas. Mas o seu papel nessa operação apagou-se.


Nessa altura, entre 1974 a 1979, Shimon Peres era ainda "um falcão" e não "a pomba" em que veio a tornar-se, e ajudou mesmo a construir os primeiros colonatos de Samaria.


Shimon Pires torna-se o secretário geral do Partido Trabalhista (socialista) e muda de atitude, muito ativo na Internacional Socialista onde convive com todos os socialistas da época François Mitterand, Mário Soares, Olof Palme, Bruno Kreisky, muito favoráveis à causa palestina, e Shimon Peres torna-se uma pomba da paz. 


Nessa altura, em 1979, fica reactiva a central nuclear de Dimona o que faz de Israel uma potência nuclear. Shimon Peres acredita que agora que Israel é forte, pode dar-se ao luxo de ser socialista (parece a Europa). Desaparecendo a ameaça à existência do Estado de Israel, começa numa demárche pela causa da Palestina, pela paz com os vizinhos, porque agora havia riscos que podiam correr pela paz, que antes não podiam.


É preciso voltar atrás ao tempo do Kennedy, Shimon Peres constroi um reator nuclear (foi muito criticado na altura) em nome da paz, precisavam de estar protegidos de ameaças, "um holocausto em 100 anos, chega-nos", diz. Mas a desconfiança vale por si, e marca o ritmo dos acontecimentos, e está sempre um passo atrás da agressividade. Portanto o que ficou dessa iniciativa foi uma desconfiança sobre Israel.


Sobre a Europa Shimon Peres diz uma coisa intemporal: "A Europa tem sempre razão mas sempre demasiado tarde. Foi assim com Hitler, com os comunistas e pagou um preço muito alto". Shimon Peres acredita que vai ser assim com o Irão.


*Interessante a história do apoio da Alemanha. Joseph Strauss que era ministro da defesa e tinha combatido na segunda guerra, a brillant mind, segundo Peres que o convenceu a apoiar a criação do Estado de Israel. Explicou-lhe numa reunião de cinco horas que era muito novo e estava no batalhão de anti-aéreas e que sabia que não tinha grande futuro na Alemanha, porque era da Baviera, era filho de um homem do talho e era ministro da defesa, mas ajudou Peres com o suporte de Adenauer. Porque é que um alemão, que foi soldado no regime do Hitler apoia a criação do Estado judeu? Dizem que Strauss decidiu ajudar Shimon Peres por duas razões. Uma porque o Estado de Israel seria uma barreira à influência russa/comunista no Médio Oriente, e a outra foi pela culpa do que o regime nazi tinha feito ao povo judeu. Os alemães deram um imenso contributo, ao fornecerem todo o armamento de graça em segredo.


"Sem os dez mandamentos a civilização fica sem os seus fundamentos", disse Shimon Peres que morreu no ano passado em setembro.