segunda-feira, 31 de março de 2014

BES: A vez de António Mexia?


Banco de Portugal e CMVM preferem gestão profissional no BES


 


Já não é segredo que a Ricardo Salgado sucederá um gestor profissional. O Banco de Portugal defende essa mudança. Ricardo Salgado também. 


Quem está na linha da frente para o lugar? António Mexia. Os mandatos acabam ao mesmo tempo, o do BES e da EDP. Até isso vem a calhar. 


Mas poderá ser antes, o Banco de Portugal tem pressa...


 


 

BES: A vez de António Mexia?


Banco de Portugal e CMVM preferem gestão profissional no BES


 


Já não é segredo que a Ricardo Salgado sucederá um gestor profissional. O Banco de Portugal defende essa mudança. Ricardo Salgado também. 


Quem está na linha da frente para o lugar? António Mexia. Os mandatos acabam ao mesmo tempo, o do BES e da EDP. Até isso vem a calhar. 


Mas poderá ser antes, o Banco de Portugal tem pressa...


 


 

O BESI não recebeu a carta... é a Crimeia do Grupo BES!

Coisas verdadeiramente importantes da carta do BES aos colaboradores:


 


Mensagem do Presidente da Comissão Executiva aos Colaboradores do Grupo BES


 


(blá, blá, blá)

o Grupo tem um perfil elevado em termos de visibilidade e atenção. É alvo de uma permanente e impar curiosidade. Tudo o que tem dircta e indirectamente a ver com a marca Espírito Santo é sujeito a uma, muitas vezes desproporcionada, atenção por parte da comunicação social. A essa atenção também não é alheia a vontade de alguns depromover fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objectivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas.


 


Este fim de semana foi publicada uma informação relativa à possibilidade de extinção da BESPAR o que se traduziria em que tanto o GES como o Crédit Agricole passariam a ter participações directas no capital do BES.
(...)


A acontecer, será, portanto, uma evolução positiva e corresponde às recomendações da regulação. No entanto, a decisão de extinguir a BESPAR é uma decisão exclusiva dos accionistas e a ocorrer terá de ser devidamente comunicada ao mercado. Independentemente do que alguns dos nossos detratores possam dizer, o BES está bem e recomenda-se.
(...)


Somos o banco privado com maior envolvimento no financiamento à actividade empresarial e ao comércio externo. Essas serão apostas que nos farão crescer mais rapidamente que os nossos concorrentes.


Uma última palavra em relação ao Grupo Espírito Santo (GES). Dada a proximidade entre as designações - Grupo Espírito Santo e Banco Espírito Santo - há tendência para confundir uma com a outra. Mas sabemos todos que são dimensões empresariais diferentes. Jurídica e formalmente diferentes.



O GES está colocado perante a necessidade de fazer uma profunda reorganização e algumas mudanças estruturais. O modelo de organização em que o GES assentou tinha a sua razão de ser num processo histórico de todos conhecido e que começou há mais de 145 anos e que teve um momento fracturante em 1975 com as nacionalizações. Mas esse modelo está ultrapassado e o GES prepara-se para um novo horizonte de desenvolvimento. Entretanto, terá de fazer uma reestruturação que não será isenta de dor e que passa por dimensões de deleverage, de redução do perímetro de actuação em termos de sectores de actividade e de recapitalização. Este trabalho está a ser feito e haverá no curto prazo mais novidades sobre o GES. Não vos escondo que, entretanto, haverá desafios muito exigentes para ultrapassar. O GES está a preparar-se para todos eles e enfrentá-los-á de frente, sempre defendendo os interesses dos colaboradores e dos investidores, como é apanágio do Grupo.


Algumas das notícias publicadas podem gerar dúvidas e perguntas. Gostava desde já de vos deixar um repto: enviem-me por email as vossas questões. Se há algum tipo de questão que entendam por oportuno colocar, enviem-me sem qualquer constrangimento ou reserva. Eu tentarei responder a todas com o maior grau de informação possível. A explicitação das vossas dúvidas agora contribuirá para construir o nosso futuro mais próximo tal como construímos o passado recente: coesos e firmes!


Ricardo Espírito Santo Salgado


Presidente da Comissão Executiva


31 de Março de 2014




Mistérios por descodificar:


Mistério número 1: porque razão a carta é dirigida aos colaboradores do Grupo BES e os colaboradores do BESI não a receberam?


P.S. O BESI é uma espécie de Crimeia do Grupo...


Mistério número 2: O que quer Ricardo Salgado dizer com "a vontade de alguns de promover fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objectivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas". Está a falar de pessoas do Grupo BES? Do Grupo BES, com ou sem o BESI?


Essas pessoas querem boicotar solução que estão a ser desenhadas para quê? As soluções que estão a ser desenhadas prejudicam quem? 


Mistério número 3: "Independentemente do que alguns dos nossos detratores possam dizer, o BES está bem e recomenda-se". A quem se referirá? Aos jornalistas? Ou a quem faz as alegadas fugas de informação?


Mistério número 4: "Algumas das notícias publicadas podem gerar dúvidas e perguntas. Gostava desde já de vos deixar um repto: enviem-me por email as vossas questões. Se há algum tipo de questão que entendam por oportuno colocar, enviem-me sem qualquer constrangimento ou reserva. Eu tentarei responder a todas com o maior grau de informação possível". Porque razão Ricardo Salgado opta por esta "presidência aberta"? Qual será a resposta a este repto? Milhares de mensagens? Ou nenhuma, tal o medo?


 


Mas pode ser que nas respostas pessoais por mail, algumas das charadas da carta sejam desvendadas.


 


P.S. O BES esclareceu que a carta não foi enviada, ao contrário do que sugerem as notícias publicadas, mas sim publicada na intranet do Grupo e como tal qualquer pessoa podia ter acesso.

O BESI não recebeu a carta... é a Crimeia do Grupo BES!

Coisas verdadeiramente importantes da carta do BES aos colaboradores:


 


Mensagem do Presidente da Comissão Executiva aos Colaboradores do Grupo BES


 


(blá, blá, blá)

o Grupo tem um perfil elevado em termos de visibilidade e atenção. É alvo de uma permanente e impar curiosidade. Tudo o que tem dircta e indirectamente a ver com a marca Espírito Santo é sujeito a uma, muitas vezes desproporcionada, atenção por parte da comunicação social. A essa atenção também não é alheia a vontade de alguns depromover fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objectivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas.


 


Este fim de semana foi publicada uma informação relativa à possibilidade de extinção da BESPAR o que se traduziria em que tanto o GES como o Crédit Agricole passariam a ter participações directas no capital do BES.
(...)


A acontecer, será, portanto, uma evolução positiva e corresponde às recomendações da regulação. No entanto, a decisão de extinguir a BESPAR é uma decisão exclusiva dos accionistas e a ocorrer terá de ser devidamente comunicada ao mercado. Independentemente do que alguns dos nossos detratores possam dizer, o BES está bem e recomenda-se.
(...)


Somos o banco privado com maior envolvimento no financiamento à actividade empresarial e ao comércio externo. Essas serão apostas que nos farão crescer mais rapidamente que os nossos concorrentes.


Uma última palavra em relação ao Grupo Espírito Santo (GES). Dada a proximidade entre as designações - Grupo Espírito Santo e Banco Espírito Santo - há tendência para confundir uma com a outra. Mas sabemos todos que são dimensões empresariais diferentes. Jurídica e formalmente diferentes.



O GES está colocado perante a necessidade de fazer uma profunda reorganização e algumas mudanças estruturais. O modelo de organização em que o GES assentou tinha a sua razão de ser num processo histórico de todos conhecido e que começou há mais de 145 anos e que teve um momento fracturante em 1975 com as nacionalizações. Mas esse modelo está ultrapassado e o GES prepara-se para um novo horizonte de desenvolvimento. Entretanto, terá de fazer uma reestruturação que não será isenta de dor e que passa por dimensões de deleverage, de redução do perímetro de actuação em termos de sectores de actividade e de recapitalização. Este trabalho está a ser feito e haverá no curto prazo mais novidades sobre o GES. Não vos escondo que, entretanto, haverá desafios muito exigentes para ultrapassar. O GES está a preparar-se para todos eles e enfrentá-los-á de frente, sempre defendendo os interesses dos colaboradores e dos investidores, como é apanágio do Grupo.


Algumas das notícias publicadas podem gerar dúvidas e perguntas. Gostava desde já de vos deixar um repto: enviem-me por email as vossas questões. Se há algum tipo de questão que entendam por oportuno colocar, enviem-me sem qualquer constrangimento ou reserva. Eu tentarei responder a todas com o maior grau de informação possível. A explicitação das vossas dúvidas agora contribuirá para construir o nosso futuro mais próximo tal como construímos o passado recente: coesos e firmes!


Ricardo Espírito Santo Salgado


Presidente da Comissão Executiva


31 de Março de 2014




Mistérios por descodificar:


Mistério número 1: porque razão a carta é dirigida aos colaboradores do Grupo BES e os colaboradores do BESI não a receberam?


P.S. O BESI é uma espécie de Crimeia do Grupo...


Mistério número 2: O que quer Ricardo Salgado dizer com "a vontade de alguns de promover fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objectivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas". Está a falar de pessoas do Grupo BES? Do Grupo BES, com ou sem o BESI?


Essas pessoas querem boicotar solução que estão a ser desenhadas para quê? As soluções que estão a ser desenhadas prejudicam quem? 


Mistério número 3: "Independentemente do que alguns dos nossos detratores possam dizer, o BES está bem e recomenda-se". A quem se referirá? Aos jornalistas? Ou a quem faz as alegadas fugas de informação?


Mistério número 4: "Algumas das notícias publicadas podem gerar dúvidas e perguntas. Gostava desde já de vos deixar um repto: enviem-me por email as vossas questões. Se há algum tipo de questão que entendam por oportuno colocar, enviem-me sem qualquer constrangimento ou reserva. Eu tentarei responder a todas com o maior grau de informação possível". Porque razão Ricardo Salgado opta por esta "presidência aberta"? Qual será a resposta a este repto? Milhares de mensagens? Ou nenhuma, tal o medo?


 


Mas pode ser que nas respostas pessoais por mail, algumas das charadas da carta sejam desvendadas.


 


P.S. O BES esclareceu que a carta não foi enviada, ao contrário do que sugerem as notícias publicadas, mas sim publicada na intranet do Grupo e como tal qualquer pessoa podia ter acesso.

A memória do teu nome


Tenho o teu abraço cheio
Com a solidão no meio
Que não me deixa abraçar

Tenho o teu olhar presente
E o desenhar do movimento do teu corpo a chegar
Tenho o teu riso sentado
Mistério do teu lado que preciso desprender
Tenho o corpo a correr
Tenho a noite a trespassar
Tenho medo de te ver
É perigoso este perfume
E a memoria do teu nome
É do fogo que nos une
Tenho espaço indeciso
Dá-me mais porque preciso
Mais um sopro do que tens
Deixa andar
Deixa ser
Quando queres entender o que não podes disfarçar
Escolhes não sentir mas não é teu para decidir
Se faz bem ao coração
Largar o que há em vão
Faz bem ao coração
Mesmo longe caiem rosas
Como pedras preciosas
Que confundem a razão
Mistério do teu lado
Entre o certo e o errado
Bem e o mal em discussão
Volta a teu o abraço cheio com o coração no meio
Volto eu a disparar
Não percebo o que queres
Diz-me tu o que preferes
Ir embora ou ficar
Este espaço intermédio
Entre a paz e o assédio não nos deixa evoluir
Não é dor nem fogo posto
É amar sem ser suposto
É difícil resistir
Deixa andar
Deixa ser
Quando queres entender o que não podes disfarçar
Escolhes não sentir mas não é teu para decidir
Se faz bem ao coração
Largar o que há em vão
Faz bem ao coração
Meu amor esta vontade
Meu amor se é verdade
Meu amor se queres saber
Abre espaço no que é teu
Vou-te dar o que é meu
Deixa andar
Deixa ser
Faz bem ao coração
Largar o que há em vão
Faz bem ao coração


 


Tiago Bettencourt

A memória do teu nome


Tenho o teu abraço cheio
Com a solidão no meio
Que não me deixa abraçar

Tenho o teu olhar presente
E o desenhar do movimento do teu corpo a chegar
Tenho o teu riso sentado
Mistério do teu lado que preciso desprender
Tenho o corpo a correr
Tenho a noite a trespassar
Tenho medo de te ver
É perigoso este perfume
E a memoria do teu nome
É do fogo que nos une
Tenho espaço indeciso
Dá-me mais porque preciso
Mais um sopro do que tens
Deixa andar
Deixa ser
Quando queres entender o que não podes disfarçar
Escolhes não sentir mas não é teu para decidir
Se faz bem ao coração
Largar o que há em vão
Faz bem ao coração
Mesmo longe caiem rosas
Como pedras preciosas
Que confundem a razão
Mistério do teu lado
Entre o certo e o errado
Bem e o mal em discussão
Volta a teu o abraço cheio com o coração no meio
Volto eu a disparar
Não percebo o que queres
Diz-me tu o que preferes
Ir embora ou ficar
Este espaço intermédio
Entre a paz e o assédio não nos deixa evoluir
Não é dor nem fogo posto
É amar sem ser suposto
É difícil resistir
Deixa andar
Deixa ser
Quando queres entender o que não podes disfarçar
Escolhes não sentir mas não é teu para decidir
Se faz bem ao coração
Largar o que há em vão
Faz bem ao coração
Meu amor esta vontade
Meu amor se é verdade
Meu amor se queres saber
Abre espaço no que é teu
Vou-te dar o que é meu
Deixa andar
Deixa ser
Faz bem ao coração
Largar o que há em vão
Faz bem ao coração


 


Tiago Bettencourt

sábado, 29 de março de 2014

Bom título para um livro que um dia irei escrever ;)


 


"Muito cedo na minha vida foi tarde demais"


Marguerite Duras

Bom título para um livro que um dia irei escrever ;)


 


"Muito cedo na minha vida foi tarde demais"


Marguerite Duras

quinta-feira, 27 de março de 2014

Novos sons nas terras de Vera Cruz

Ontem ao navegar pela internet fomos parar aos novos sons brasileiros que nada devem aos tradicionais ritmos que marcam (e bem) a MPB (música popular brasileira). Este jovem, que se dá a conhecer pelo o nome de Silva, investiu no que se chama de música indie, e fez bem. Este "Vista pró mar" dá-nos a conhecer o seu génio, e obriga-nos a abrir os horizontes para o que os jovens músicos brasileiros tem para nos oferecer.


 


Novos sons nas terras de Vera Cruz

Ontem ao navegar pela internet fomos parar aos novos sons brasileiros que nada devem aos tradicionais ritmos que marcam (e bem) a MPB (música popular brasileira). Este jovem, que se dá a conhecer pelo o nome de Silva, investiu no que se chama de música indie, e fez bem. Este "Vista pró mar" dá-nos a conhecer o seu génio, e obriga-nos a abrir os horizontes para o que os jovens músicos brasileiros tem para nos oferecer.


 


terça-feira, 25 de março de 2014

Espírito Santo Financial Group escolhe o 25 de Abril para realizar a AG, li bem?

Ricardo Salgado


Ironia do BES: A holding do Grupo Espírito Santo (ESFG), que teve de registar provisões de 700 milhões de euros, escolheu a data 25 de Abril para realizar a AG. Será que equiparam esta auditoria do Banco de Portugal a uma Revolução?


 


A Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou hoje que agendou a assembleia geral anual de acionistas para o próximo dia 25 de abril. O anúncio surge um dia depois da holding ter revelado que constituiu uma provisão adicional de 700 milhões de euros para garantir o reembolso do papel comercial que os investidores subscreveram.


Espírito Santo Financial Group escolhe o 25 de Abril para realizar a AG, li bem?

Ricardo Salgado


Ironia do BES: A holding do Grupo Espírito Santo (ESFG), que teve de registar provisões de 700 milhões de euros, escolheu a data 25 de Abril para realizar a AG. Será que equiparam esta auditoria do Banco de Portugal a uma Revolução?


 


A Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou hoje que agendou a assembleia geral anual de acionistas para o próximo dia 25 de abril. O anúncio surge um dia depois da holding ter revelado que constituiu uma provisão adicional de 700 milhões de euros para garantir o reembolso do papel comercial que os investidores subscreveram.


Crédit Agrícole esquece BES. Porque será?

Há sobre a sucessão do BES elevadas esperanças na intervenção (dita como decisiva) do accionista estratégico, exterior à família, Crédit Agrícole. Sempre me suscitou o mais subtil dos "smiles" esta sentença. Pensei cá com os meus botões: "mais depressa fogem da confusão". 


Não foi por isso surpresa para mim esta notícia:


Plano do grupo francês para duplicar lucro não refere Portugal.


O Crédit Agricole, parceiro da família Espírito Santo no BES, pretende praticamente duplicar os lucros de 2013 para 6,5 mil milhões de euros em 2016, de acordo com o plano estratégico divulgado na última quinta-feira e que não faz qualquer referência ao BES, nem à sua presença no mercado português.


Porque será?


"Estão de abalada". Elementar, caro Watson!


 


P.S. O Crédit Agrícole tem 10,8% do BES directamente e ainda indirectamente através da BESPAR onde tem 26,4%, de um participação de 35,3% no banco.


Crédit Agrícole esquece BES. Porque será?

Há sobre a sucessão do BES elevadas esperanças na intervenção (dita como decisiva) do accionista estratégico, exterior à família, Crédit Agrícole. Sempre me suscitou o mais subtil dos "smiles" esta sentença. Pensei cá com os meus botões: "mais depressa fogem da confusão". 


Não foi por isso surpresa para mim esta notícia:


Plano do grupo francês para duplicar lucro não refere Portugal.


O Crédit Agricole, parceiro da família Espírito Santo no BES, pretende praticamente duplicar os lucros de 2013 para 6,5 mil milhões de euros em 2016, de acordo com o plano estratégico divulgado na última quinta-feira e que não faz qualquer referência ao BES, nem à sua presença no mercado português.


Porque será?


"Estão de abalada". Elementar, caro Watson!


 


P.S. O Crédit Agrícole tem 10,8% do BES directamente e ainda indirectamente através da BESPAR onde tem 26,4%, de um participação de 35,3% no banco.


segunda-feira, 24 de março de 2014

BES prepara-se para levar à AG um aumento de capital? Ou é já a sucessão?

Acabo de ler esta notícia no Jornal de Negócios online:


 


BES adia assembleia-geral devido às inspecções aos grandes clientes 


A avaliação do Banco de Portugal aos grandes clientes da banca, que atrasou a divulgação dos resultados do BES, terá estado por trás do segundo adiamento da reunião de accionistas, o que não implica qualquer alteração nas contas de 2013. Assembleia agendada para 28 de Abril poderá ainda trazer pequenos ajustamentos no conselho de administração, mas a ordem de trabalhos ainda não é conhecida.


Uma alteração da AG por causa de uma inspecção às imparidades dos grandes cliente que não implica qualquer alteração das contas?! Só pode querer dizer que o BES vai anunciar um aumento de capital e que o levará à votação dos accionistas ou então, que haverá eleições no cúpula do BES


A mim, habituada a estas andanças, parece-me óbvio.

BES prepara-se para levar à AG um aumento de capital? Ou é já a sucessão?

Acabo de ler esta notícia no Jornal de Negócios online:


 


BES adia assembleia-geral devido às inspecções aos grandes clientes 


A avaliação do Banco de Portugal aos grandes clientes da banca, que atrasou a divulgação dos resultados do BES, terá estado por trás do segundo adiamento da reunião de accionistas, o que não implica qualquer alteração nas contas de 2013. Assembleia agendada para 28 de Abril poderá ainda trazer pequenos ajustamentos no conselho de administração, mas a ordem de trabalhos ainda não é conhecida.


Uma alteração da AG por causa de uma inspecção às imparidades dos grandes cliente que não implica qualquer alteração das contas?! Só pode querer dizer que o BES vai anunciar um aumento de capital e que o levará à votação dos accionistas ou então, que haverá eleições no cúpula do BES


A mim, habituada a estas andanças, parece-me óbvio.

Resposta de José Rodrigues dos Santos aos maldicentes

Vale a pena ler a resposta inteligente e educada (coisa rara) que José Rodrigues dos Santos dá às críticas de que foi alvo por ter confrontado o Sócrates com as suas contradições.

Resposta de José Rodrigues dos Santos aos maldicentes

Vale a pena ler a resposta inteligente e educada (coisa rara) que José Rodrigues dos Santos dá às críticas de que foi alvo por ter confrontado o Sócrates com as suas contradições.

Mais de Agustina

" Não se deve ser demasiado normal. Tornamo-nos caça muito fácil para o imprevisível." (Antes do Degelo); "A Alegria perverte o amor" (idem);" "Não há nada para valorizar a reputação como alguém conhecer que a pode perder, como se perde uma luva ou outra coisa qualquer" (também do mesmo livro); " O arrependimento não dura muito. É um excitante formidável mas só dura até se tornar um hábito"; "Não é o amor que interessa aos homens, mas as crenças naturais na capacidade de sentir" (Antes do Degelo)


 


«Há que gerir o Mal de forma a torná-lo impraticável»


Antes do Degelo, publicado em 2004, foi também tema de conversa. «O enigma da culpa é a chave do livro», explicou Agustina, que escreveu o seu mais recente romance inspirada na obra Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski. «O homem vive da culpa, precisa da culpa para criar. A mulher é aquilo que é, tem esse dom criador, ao ser mãe. O homem usa a culpa como modo de superar esse dom da mulher. É pela culpa que se dão os grandes feitos da humanidade», defendeu.



A problemática do Bem também mereceu a atenção de Agustina: «Cinco séculos de moralidade, de pregação do Bem, não deram resultado. A questão é agora gerir o mal de modo a que ele se torne impraticável», considera. Para a escritora, «o Mal é um excitante. Quando perde a natureza de trangressão, de mistério, deixa de ser excitante e de interessar as pessoas».


Mais de Agustina

" Não se deve ser demasiado normal. Tornamo-nos caça muito fácil para o imprevisível." (Antes do Degelo); "A Alegria perverte o amor" (idem);" "Não há nada para valorizar a reputação como alguém conhecer que a pode perder, como se perde uma luva ou outra coisa qualquer" (também do mesmo livro); " O arrependimento não dura muito. É um excitante formidável mas só dura até se tornar um hábito"; "Não é o amor que interessa aos homens, mas as crenças naturais na capacidade de sentir" (Antes do Degelo)


 


«Há que gerir o Mal de forma a torná-lo impraticável»


Antes do Degelo, publicado em 2004, foi também tema de conversa. «O enigma da culpa é a chave do livro», explicou Agustina, que escreveu o seu mais recente romance inspirada na obra Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski. «O homem vive da culpa, precisa da culpa para criar. A mulher é aquilo que é, tem esse dom criador, ao ser mãe. O homem usa a culpa como modo de superar esse dom da mulher. É pela culpa que se dão os grandes feitos da humanidade», defendeu.



A problemática do Bem também mereceu a atenção de Agustina: «Cinco séculos de moralidade, de pregação do Bem, não deram resultado. A questão é agora gerir o mal de modo a que ele se torne impraticável», considera. Para a escritora, «o Mal é um excitante. Quando perde a natureza de trangressão, de mistério, deixa de ser excitante e de interessar as pessoas».


quinta-feira, 20 de março de 2014

Adoro isto

Quando baterem duas vezes à porta não é o carteiro, que é coisa que só se vê no cinema.


É uma dupla temível!


 



 

Adoro isto

Quando baterem duas vezes à porta não é o carteiro, que é coisa que só se vê no cinema.


É uma dupla temível!


 



 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Freud, Nietzsche, Carnap e Marx jogam Monopólio

Alemães Jogue Monopoly - 01


Alemães Jogue Monopoly - 02


Freud: Sabe Carnap que o carro é o mais fálico dos peões. Não me surpreende que seja o mais popular e que tenha sido o escolhido por si.


Carnap: Sabes Freud, alguma vez pensaste para ti próprio que talvez, só talvez, nem todas as pessoas na Terra estejam obcecadas com pénis, alguma vez pensaste "sou só eu é que estou obcecado com isso".


Freud: E no entanto, reparei que comprou agressivamente todos os caminhos de ferro.


Carnap (desesperado): Porque valem mais juntos!


Nietzsche: Eu fiquei feliz de me ter visto livres delas. São as cartas que menos contribuem para chegar ao topo.


Freud: Sabes que o propósito do jogo não é coleccionar uma carta de cada cor, não sabes Nietzsche?


Nietzsche: O meu portfólio de propriedades pode ser fraco, mas a minha vontade é forte, pelo menos não segui a carneirada que compra cada rua onde pára.


Freud: Pára de confundir a tua obsessão em ser diferente com um traço forte e irresistível de personalidade. Tu és terrível ao Monopólio, o que é mais um sinal de que te consideras um Super-Homem. Nunca vi tantos complexos por resolver  na minha vida.


Nietzsche: Isso vindo do homem que copiou metade das minhas ideias e que depois reclama nunca me ter lido...


Carnap (que é o pai do positivismo lógico, para quem só existia o que tinha lógica e se podia provar): Tu sabes Freud que as tuas teorias não provam nada de nada. É tudo inverificável, é tudo non sense metafísico; e totalmente sem sentido.


Freud: Tão desprovida de sentido como a tua relação com a tua mãe?


Carnap (desesperado): A minha mãe tinha muito com que lidar, ela fez o melhor que pode.


Freud: Ah!Sim, agora sim estamos a fazer alguns progressos!


Nietzsche: É a tua vez Marx!


Marx: Muito Bem!


Marx lança os dados e sai 6.


Freud: Olhem para isto, um seis. Isto leva-te aonde, ora deixa ver, certo, no passeio das minhas propriedades com os hotéis em construção. E isso parece-me que te deixa um bocado pobre,  uma vez que já estavas com pouco dinheiro. Vais ter de vender propriedades Marx.


É isto o grande teórico económico! Tu nunca foste muito bom em finanças pessoais, pois não?


Marx depois de pensar numa saída, vira o tabuleiro e acaba com o jogo: Revolução!


 


 

Freud, Nietzsche, Carnap e Marx jogam Monopólio

Alemães Jogue Monopoly - 01


Alemães Jogue Monopoly - 02


Freud: Sabe Carnap que o carro é o mais fálico dos peões. Não me surpreende que seja o mais popular e que tenha sido o escolhido por si.


Carnap: Sabes Freud, alguma vez pensaste para ti próprio que talvez, só talvez, nem todas as pessoas na Terra estejam obcecadas com pénis, alguma vez pensaste "sou só eu é que estou obcecado com isso".


Freud: E no entanto, reparei que comprou agressivamente todos os caminhos de ferro.


Carnap (desesperado): Porque valem mais juntos!


Nietzsche: Eu fiquei feliz de me ter visto livres delas. São as cartas que menos contribuem para chegar ao topo.


Freud: Sabes que o propósito do jogo não é coleccionar uma carta de cada cor, não sabes Nietzsche?


Nietzsche: O meu portfólio de propriedades pode ser fraco, mas a minha vontade é forte, pelo menos não segui a carneirada que compra cada rua onde pára.


Freud: Pára de confundir a tua obsessão em ser diferente com um traço forte e irresistível de personalidade. Tu és terrível ao Monopólio, o que é mais um sinal de que te consideras um Super-Homem. Nunca vi tantos complexos por resolver  na minha vida.


Nietzsche: Isso vindo do homem que copiou metade das minhas ideias e que depois reclama nunca me ter lido...


Carnap (que é o pai do positivismo lógico, para quem só existia o que tinha lógica e se podia provar): Tu sabes Freud que as tuas teorias não provam nada de nada. É tudo inverificável, é tudo non sense metafísico; e totalmente sem sentido.


Freud: Tão desprovida de sentido como a tua relação com a tua mãe?


Carnap (desesperado): A minha mãe tinha muito com que lidar, ela fez o melhor que pode.


Freud: Ah!Sim, agora sim estamos a fazer alguns progressos!


Nietzsche: É a tua vez Marx!


Marx: Muito Bem!


Marx lança os dados e sai 6.


Freud: Olhem para isto, um seis. Isto leva-te aonde, ora deixa ver, certo, no passeio das minhas propriedades com os hotéis em construção. E isso parece-me que te deixa um bocado pobre,  uma vez que já estavas com pouco dinheiro. Vais ter de vender propriedades Marx.


É isto o grande teórico económico! Tu nunca foste muito bom em finanças pessoais, pois não?


Marx depois de pensar numa saída, vira o tabuleiro e acaba com o jogo: Revolução!


 


 

terça-feira, 18 de março de 2014

Putin quer a Crimeia e tem a Crimeia (outros separatistas, noutras geografias, se seguirão?)

Putin entrou pela Crimeira adentro sem grande sobressalto. 


«A República da Crimeia é considerada como integrada na Federação da Rússia a partir da data da assinatura do acordo», indicou o Kremlin num comunicado, divulgado nesta terça-feira. 


Está a cumprir-se o veredicto. Há uns dias ouvi o José Milhazes, jornalista especialista em Rússia, dizer que Vladimir Putin ia esperar pelo resultado do referendo e ocupar a Crimeia. Foi exactamente assim. Milhazes dizia que Putin iria tentar ocupar também a Ucrânia Oriental, onde a maioria da população é também pró-russa. O Ocidente não tem alavancas para pressionar Putin. Se acabarem os vistos, a Europa também vai sofrer com essas sanções porque perde os turistas. O turismo russo é um dado importante. 


No entanto Putin já disse a alto e bom som que não vai entrar pela Ucrânia. Mas neste seu sonoro anúncio lê-se um aviso subtil, como que a dizer ao Ocidente e à Ucrânia, se não levantarem ondas a esta "anexação" isto pode ficar por aqui. «Quero que me oiçam: não acreditem naqueles que receiam que, depois da Crimeia, outras regiões se seguirão. A Rússia não quer dividir a Ucrânia. Não precisamos disso», disse Putin, referindo-se às regiões do leste e sudeste da Ucrânia, de população maioritariamente russa, as quais, afirmou, serão defendidas por meios políticos e diplomáticos.


Putin quer a Crimeia e tem a Crimeia, mesmo que comece por dizer: «No que diz respeito à Crimeia, sempre foi e será russa e ucraniana e crimeo-tártara»,  acrescentando que a república autónoma «deve estar sob soberania da Rússia».


 


 


No mesmo programa da SIC, Carlos Gaspar (professor) lembrava que o tratado de Budapeste, se for rompido, a Ucrânia pode voltar a ser um Estado com armas nucleares. O Tratado é rompido a partir do momento que a Rússia invade a Crimeia e agora os Estados Unidos e a União Europeia serão chamados a defender militarmente a Ucrânia. O Tratado foi rompido. 


 


Em poucas horas, o novo Conselho de Estado da República da Crimeia pediu formalmente a integração na Rússia, anunciou a nacionalização de duas grandes empresas de gás ucranianas (a Chornomornaftogaz e a Ukrtransgaz) e deu três opções aos militares ucranianos: integrarem as forças armadas da Rússia, partirem para a Ucrânia ou mudarem de profissão. 


 


O presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje um tratado bilateral de união com o primeiro-ministro da Crimeia, Sergui Aksionov, e outros dirigentes da península, na presença dos membros das duas câmaras do parlamento russo, dos governadores e dos membros do governo russo. Tudo aparentemente limpo, mas a verdade é que um soldado ucraniano já foi morto a tiro durante uma invasão a uma base militar ucraniana nos arredores de Simferopol, capital da Crimeia e o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, já disse que "o conflito passou da fase política à fase militar". "Hoje as tropas russas começaram a atirar sobre os nossos soldados - é um crime de guerra", disse o governante.


 


Será improvável que o ministro russo se sente à mesa com o seu congénere ucraniano, uma vez que Moscovo insiste na ilegitimidade do novo Governo de Kiev. Por isso agora espera-se qual será a resposta da Ucrânia e dos seus aliados (segundo os acordos de Budapeste, os EUA e a UE terão de defender a Ucrânia de qualquer invasão russa)?


Para já, a UE e Estados Unidos anunciaram o congelamento de bens e a revogação de vistos de vários políticos russos e ucranianos. Barack Obama tinha dado uma autorização executiva para a aplicação de sanções a 11 cidadãos russos e ucranianos, seguindo a mesma lógica de Bruxelas. Mas o vice-primeiro-ministro russo, Dmitri Rogozin foi o primeiro a desvalorizar as sanções: "Camarada Obama, e o que fará àqueles que não têm contas nem bens no estrangeiro? Ou não pensou nisso?",  "Acho que o rascunho da ordem do Presidente dos EUA foi feito por algum brincalhão".


 


O impacto das sanções foi praticamente nulo. Os mercados financeiros também não acusaram o anúncio das sanções sobre a Rússia. Durante a tarde, a Bolsa de Moscovo contabilizava ganhos de 3,7% e o rublo tinha recuperado algumas perdas iniciais.


A reacção reflectia o sentimento dos investidores em relação ao carácter apenas simbólico das sanções, uma vez que não incluíram administradores de grandes empresas russas como se chegou a antecipar. Na sexta-feira, o jornal alemão Bild noticiava que Alexei Miller, presidente executivo da Gazprom, e Igor Sechin, presidente da Rosneft, estariam na lista da UE. 


O que quer isto dizer? Que a reacção dos EUA e da UE é apenas simbólica. Ninguém se quer meter com os russos.


 


A União Europeia está numa situação mais delicada que os Estados Unidos, pois tem no seu seio movimentos separatistas (nomeadamente em Espanha e Reino Unido). A fraca actuação sobre a Rússia na "emancipação" da Crimeia, poderá levar a que outros povos com impulsos separatistas se sintam tentados a autonomizar-se. Por exemplo a Catalunha. Hoje saiu o resultado do último inquérito do Centro de Estudos de Opinião da Generalitat (o governo regional) que mostra que quase 60% dos catalães querem que a Catalunha seja um “novo estado da Europa”.  A Geografia está a mudar.

Putin quer a Crimeia e tem a Crimeia (outros separatistas, noutras geografias, se seguirão?)

Putin entrou pela Crimeira adentro sem grande sobressalto. 


«A República da Crimeia é considerada como integrada na Federação da Rússia a partir da data da assinatura do acordo», indicou o Kremlin num comunicado, divulgado nesta terça-feira. 


Está a cumprir-se o veredicto. Há uns dias ouvi o José Milhazes, jornalista especialista em Rússia, dizer que Vladimir Putin ia esperar pelo resultado do referendo e ocupar a Crimeia. Foi exactamente assim. Milhazes dizia que Putin iria tentar ocupar também a Ucrânia Oriental, onde a maioria da população é também pró-russa. O Ocidente não tem alavancas para pressionar Putin. Se acabarem os vistos, a Europa também vai sofrer com essas sanções porque perde os turistas. O turismo russo é um dado importante. 


No entanto Putin já disse a alto e bom som que não vai entrar pela Ucrânia. Mas neste seu sonoro anúncio lê-se um aviso subtil, como que a dizer ao Ocidente e à Ucrânia, se não levantarem ondas a esta "anexação" isto pode ficar por aqui. «Quero que me oiçam: não acreditem naqueles que receiam que, depois da Crimeia, outras regiões se seguirão. A Rússia não quer dividir a Ucrânia. Não precisamos disso», disse Putin, referindo-se às regiões do leste e sudeste da Ucrânia, de população maioritariamente russa, as quais, afirmou, serão defendidas por meios políticos e diplomáticos.


Putin quer a Crimeia e tem a Crimeia, mesmo que comece por dizer: «No que diz respeito à Crimeia, sempre foi e será russa e ucraniana e crimeo-tártara»,  acrescentando que a república autónoma «deve estar sob soberania da Rússia».


 


 


No mesmo programa da SIC, Carlos Gaspar (professor) lembrava que o tratado de Budapeste, se for rompido, a Ucrânia pode voltar a ser um Estado com armas nucleares. O Tratado é rompido a partir do momento que a Rússia invade a Crimeia e agora os Estados Unidos e a União Europeia serão chamados a defender militarmente a Ucrânia. O Tratado foi rompido. 


 


Em poucas horas, o novo Conselho de Estado da República da Crimeia pediu formalmente a integração na Rússia, anunciou a nacionalização de duas grandes empresas de gás ucranianas (a Chornomornaftogaz e a Ukrtransgaz) e deu três opções aos militares ucranianos: integrarem as forças armadas da Rússia, partirem para a Ucrânia ou mudarem de profissão. 


 


O presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje um tratado bilateral de união com o primeiro-ministro da Crimeia, Sergui Aksionov, e outros dirigentes da península, na presença dos membros das duas câmaras do parlamento russo, dos governadores e dos membros do governo russo. Tudo aparentemente limpo, mas a verdade é que um soldado ucraniano já foi morto a tiro durante uma invasão a uma base militar ucraniana nos arredores de Simferopol, capital da Crimeia e o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, já disse que "o conflito passou da fase política à fase militar". "Hoje as tropas russas começaram a atirar sobre os nossos soldados - é um crime de guerra", disse o governante.


 


Será improvável que o ministro russo se sente à mesa com o seu congénere ucraniano, uma vez que Moscovo insiste na ilegitimidade do novo Governo de Kiev. Por isso agora espera-se qual será a resposta da Ucrânia e dos seus aliados (segundo os acordos de Budapeste, os EUA e a UE terão de defender a Ucrânia de qualquer invasão russa)?


Para já, a UE e Estados Unidos anunciaram o congelamento de bens e a revogação de vistos de vários políticos russos e ucranianos. Barack Obama tinha dado uma autorização executiva para a aplicação de sanções a 11 cidadãos russos e ucranianos, seguindo a mesma lógica de Bruxelas. Mas o vice-primeiro-ministro russo, Dmitri Rogozin foi o primeiro a desvalorizar as sanções: "Camarada Obama, e o que fará àqueles que não têm contas nem bens no estrangeiro? Ou não pensou nisso?",  "Acho que o rascunho da ordem do Presidente dos EUA foi feito por algum brincalhão".


 


O impacto das sanções foi praticamente nulo. Os mercados financeiros também não acusaram o anúncio das sanções sobre a Rússia. Durante a tarde, a Bolsa de Moscovo contabilizava ganhos de 3,7% e o rublo tinha recuperado algumas perdas iniciais.


A reacção reflectia o sentimento dos investidores em relação ao carácter apenas simbólico das sanções, uma vez que não incluíram administradores de grandes empresas russas como se chegou a antecipar. Na sexta-feira, o jornal alemão Bild noticiava que Alexei Miller, presidente executivo da Gazprom, e Igor Sechin, presidente da Rosneft, estariam na lista da UE. 


O que quer isto dizer? Que a reacção dos EUA e da UE é apenas simbólica. Ninguém se quer meter com os russos.


 


A União Europeia está numa situação mais delicada que os Estados Unidos, pois tem no seu seio movimentos separatistas (nomeadamente em Espanha e Reino Unido). A fraca actuação sobre a Rússia na "emancipação" da Crimeia, poderá levar a que outros povos com impulsos separatistas se sintam tentados a autonomizar-se. Por exemplo a Catalunha. Hoje saiu o resultado do último inquérito do Centro de Estudos de Opinião da Generalitat (o governo regional) que mostra que quase 60% dos catalães querem que a Catalunha seja um “novo estado da Europa”.  A Geografia está a mudar.

Já dizia o Oscar!

"Ser grande é ser incompreendido" "Só os medíocres é que são populares" "O verdadeiro inimigo da humanidade é o homem".


 


The one and only Oscar Wilde

Já dizia o Oscar!

"Ser grande é ser incompreendido" "Só os medíocres é que são populares" "O verdadeiro inimigo da humanidade é o homem".


 


The one and only Oscar Wilde

"Pelo amor à liberdade e pela independência de espírito"


 


Mal soube da morte de Medeiros Ferreira liguei a uma pessoa amiga a dar-lhe a triste notícia. Sabia da amizade que tinha por ele, e em casa de quem tive o prazer de o conhecer. Recordo-me, ainda hoje, desse jantar e da sua simpatia.


Embora não tenha as mesmas convicções políticas, sempre o achei um dos pilares da democracia portuguesa. Ele foi também, enquanto historiador, um dos vultos mais sólidos da nossa academia, pelo que será um intelectual que fará falta a este país. Pois, como escreveu o Presidente Cavaco Silva, em missiva endereçada à família, ele «ao longo da sua vida, teve destacada e exemplar intervenção cívica, sendo, na verdadeira aceção da palavra, um homem de pensamento e de ação. Os portugueses reconheciam em José Medeiros Ferreira um dos intelectuais mais notáveis do país, que sempre se caracterizou pelo amor à liberdade e pela independência de espírito»

"Pelo amor à liberdade e pela independência de espírito"


 


Mal soube da morte de Medeiros Ferreira liguei a uma pessoa amiga a dar-lhe a triste notícia. Sabia da amizade que tinha por ele, e em casa de quem tive o prazer de o conhecer. Recordo-me, ainda hoje, desse jantar e da sua simpatia.


Embora não tenha as mesmas convicções políticas, sempre o achei um dos pilares da democracia portuguesa. Ele foi também, enquanto historiador, um dos vultos mais sólidos da nossa academia, pelo que será um intelectual que fará falta a este país. Pois, como escreveu o Presidente Cavaco Silva, em missiva endereçada à família, ele «ao longo da sua vida, teve destacada e exemplar intervenção cívica, sendo, na verdadeira aceção da palavra, um homem de pensamento e de ação. Os portugueses reconheciam em José Medeiros Ferreira um dos intelectuais mais notáveis do país, que sempre se caracterizou pelo amor à liberdade e pela independência de espírito»

segunda-feira, 17 de março de 2014

Há os que sabem e os que têm voz mediática

Ainda sobre o Manifesto dos 70 (ou 74):


 


Vale a pena ler o que escreve o Pedro Lino da DIF Broker e a economista-chefe do JP Morgan.


 


Ora leiam o Pedro Lino:


Quando um país tem défice orçamental, os aumentos salariais acima da inflação e os gastos supérfluos têm que ser financiados por dívida. Alguns dizem que os culpados são os banqueiros que nos aliciam e emprestam a juros absurdos. Ora qualquer agente económico rejeitaria um empréstimo caso a taxa de juro proposta não fosse por si comportável, algo que não acontece no sector público. Na realidade, os políticos habituaram-se a utilizar a máquina de impressão de dinheiro para camuflar a sua incompetência de gestores da causa pública, pois não existe a prestação de contas pela dívida que contrataram


ou


Portugal tem como principais credores a 'troika' a quem deve 80 mil milhões de euros e o BCE que detém 22 mil milhões de Obrigações do Tesouro, ou seja combinados detêm 47% do total da nossa dívida. O que o manifesto defende é o incumprimento ou para com a 'troika' ou para com os restantes credores, onde se incluem bancos, famílias, e o próprio estado, através da segurança social.


É irresponsável falar em reestruturação de dívida acima dos 60% relativamente ao PIB quando todos os meses temos que pedir dinheiro aos nossos credores para pagar salários e pensões. Muitos dos subscritores, que são pensionistas, deviam saber que é dinheiro de dívida que lhes está a ser pago, e que será suportado pelas gerações futuras.


Se este documento fosse lei, ninguém emprestaria ao estado português, ou a outro agente económico português, com receio de confisco da propriedade.


 


E agora a economista-chefe do JP Morgan, Elga Bartsch:


O banco Morgan Stanley vê pouca margem de manobra para uma restruturação da dívida portuguesa, pois tal afectaria o sistema financeiro nacional: "Em termos de restruturação da dívida soberana, penso que já não haveriam muitos benefícios em Portugal porque, se se decidisse reduzir o valor [writedown] das obrigações do Governo, desencadear-se-ia quase imediatamente uma recapitalização do sistema bancário. Ou seja, o resultado não seria uma redução do valor da dívida do país, mas uma transferência de um lado para outro", disse hoje à agência Lusa durante um briefing para jornalistas em Londres. 


e


"Uma grande parte da dívida de Portugal - e ainda mais da Grécia -  foi beneficiada pela extensão de maturidades e redução dos juros e isso não é considerado nessas análises".


Outra opção segundo Elga Bartsch, "seria a possibilidade de Portugal beneficiar de algum alívio por parte da 'troika'", ao que acrescentou: "Mas tendo em conta que os empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade já são bastante baratos e as maturidades longas, não penso que seja possível fazer algo mais".


 


A economista-chefe para a Europa do banco de investimento norte-americano considera possível que Portugal tenha uma "saída limpa" do Programa de Assistência Financeira, embora não esteja em tão boas condições como estava a Irlanda quando terminou o programa: "A Irlanda tinha um sistema financeiro que detinha muito pouca dívida pública e também tinha fundos de pensões e de seguros com pouca dívida irlandesa. Noutras palavras, no sistema financeiro irlandês há bastante procura de dívida, que penso ter sido esgotada em Portugal porque os bancos portugueses possuem muitos títulos do tesouro [portugueses]"

Há os que sabem e os que têm voz mediática

Ainda sobre o Manifesto dos 70 (ou 74):


 


Vale a pena ler o que escreve o Pedro Lino da DIF Broker e a economista-chefe do JP Morgan.


 


Ora leiam o Pedro Lino:


Quando um país tem défice orçamental, os aumentos salariais acima da inflação e os gastos supérfluos têm que ser financiados por dívida. Alguns dizem que os culpados são os banqueiros que nos aliciam e emprestam a juros absurdos. Ora qualquer agente económico rejeitaria um empréstimo caso a taxa de juro proposta não fosse por si comportável, algo que não acontece no sector público. Na realidade, os políticos habituaram-se a utilizar a máquina de impressão de dinheiro para camuflar a sua incompetência de gestores da causa pública, pois não existe a prestação de contas pela dívida que contrataram


ou


Portugal tem como principais credores a 'troika' a quem deve 80 mil milhões de euros e o BCE que detém 22 mil milhões de Obrigações do Tesouro, ou seja combinados detêm 47% do total da nossa dívida. O que o manifesto defende é o incumprimento ou para com a 'troika' ou para com os restantes credores, onde se incluem bancos, famílias, e o próprio estado, através da segurança social.


É irresponsável falar em reestruturação de dívida acima dos 60% relativamente ao PIB quando todos os meses temos que pedir dinheiro aos nossos credores para pagar salários e pensões. Muitos dos subscritores, que são pensionistas, deviam saber que é dinheiro de dívida que lhes está a ser pago, e que será suportado pelas gerações futuras.


Se este documento fosse lei, ninguém emprestaria ao estado português, ou a outro agente económico português, com receio de confisco da propriedade.


 


E agora a economista-chefe do JP Morgan, Elga Bartsch:


O banco Morgan Stanley vê pouca margem de manobra para uma restruturação da dívida portuguesa, pois tal afectaria o sistema financeiro nacional: "Em termos de restruturação da dívida soberana, penso que já não haveriam muitos benefícios em Portugal porque, se se decidisse reduzir o valor [writedown] das obrigações do Governo, desencadear-se-ia quase imediatamente uma recapitalização do sistema bancário. Ou seja, o resultado não seria uma redução do valor da dívida do país, mas uma transferência de um lado para outro", disse hoje à agência Lusa durante um briefing para jornalistas em Londres. 


e


"Uma grande parte da dívida de Portugal - e ainda mais da Grécia -  foi beneficiada pela extensão de maturidades e redução dos juros e isso não é considerado nessas análises".


Outra opção segundo Elga Bartsch, "seria a possibilidade de Portugal beneficiar de algum alívio por parte da 'troika'", ao que acrescentou: "Mas tendo em conta que os empréstimos do Mecanismo Europeu de Estabilidade já são bastante baratos e as maturidades longas, não penso que seja possível fazer algo mais".


 


A economista-chefe para a Europa do banco de investimento norte-americano considera possível que Portugal tenha uma "saída limpa" do Programa de Assistência Financeira, embora não esteja em tão boas condições como estava a Irlanda quando terminou o programa: "A Irlanda tinha um sistema financeiro que detinha muito pouca dívida pública e também tinha fundos de pensões e de seguros com pouca dívida irlandesa. Noutras palavras, no sistema financeiro irlandês há bastante procura de dívida, que penso ter sido esgotada em Portugal porque os bancos portugueses possuem muitos títulos do tesouro [portugueses]"

sexta-feira, 14 de março de 2014

Boa notícia

Co-Adopção por pessoas do mesmo sexo foi chumbada.


Boa decisão!

Boa notícia

Co-Adopção por pessoas do mesmo sexo foi chumbada.


Boa decisão!

Eles também são bons de bola!


Quantos golos terá marcado o ponta de lança, Passos Coelho?




 



Eles também são bons de bola!


Quantos golos terá marcado o ponta de lança, Passos Coelho?




 



A cereja que faltava

Depois do copy & paste que fiz ao artigo de opinião de José Gomes Ferreira, o Inimigo Público oferece hoje a cereja para pormos em cima do bolo. Esta é seguramente a melhor capa de sempre do suplemento humorístico do Público.


 


A cereja que faltava

Depois do copy & paste que fiz ao artigo de opinião de José Gomes Ferreira, o Inimigo Público oferece hoje a cereja para pormos em cima do bolo. Esta é seguramente a melhor capa de sempre do suplemento humorístico do Público.


 


quinta-feira, 13 de março de 2014

Coincidências

Hoje vota-se o projecto de lei da co-adopção por pessoas do mesmo sexo. Ironicamente no mesmo dia da missa e enterro de Dom José Policarpo, ex-cardeal Patriarca de Lisboa, que sempre se preocupou com a evolução sociológica das sociedades. Para quem claramente a existência de dois pais e duas mães, em vez de um pai e de uma mãe, era um passo para o absurdo, para a desagregação da célula família.


Poder a família ser constituida por dois pais ou duas mães em vez de um pai e de uma mãe, é um passo para o fim do contexto que serviu de base ao estudo da psicologia e psicanálise, pelo seu pai Freud, autor da teoria do Complexo de Édipo. Um passo para o fim da base da organização social. Para o fim daquilo que nos dá a segurança e auto-estima. As referências masculina e feminina, que contribuem para a definição da nossa identidade, tendem a desaparecer por decreto. Contribui para tornar relativo tudo aquilo que, quer na socialização primária, quer na socialização secundária, nos ajuda a definir: estamos sempre num processo de reconhecimento por identificação, e esse começa com os progenitores, identificação com um por oposição ao outro do sexo oposto, a quem queremos conquistar. 


Mas eu já sei que vai tudo falar do amor e das festas de anos com palhaços que as crianças vão ter. Um idílico quadro de felicidade com um horizonte máximo de 10 anos. Vai tudo usar esses argumento do amor e do mimo para defender esta realidade social que a compaixão pessoal (e a culpa?) estão a criar. 


 

Coincidências

Hoje vota-se o projecto de lei da co-adopção por pessoas do mesmo sexo. Ironicamente no mesmo dia da missa e enterro de Dom José Policarpo, ex-cardeal Patriarca de Lisboa, que sempre se preocupou com a evolução sociológica das sociedades. Para quem claramente a existência de dois pais e duas mães, em vez de um pai e de uma mãe, era um passo para o absurdo, para a desagregação da célula família.


Poder a família ser constituida por dois pais ou duas mães em vez de um pai e de uma mãe, é um passo para o fim do contexto que serviu de base ao estudo da psicologia e psicanálise, pelo seu pai Freud, autor da teoria do Complexo de Édipo. Um passo para o fim da base da organização social. Para o fim daquilo que nos dá a segurança e auto-estima. As referências masculina e feminina, que contribuem para a definição da nossa identidade, tendem a desaparecer por decreto. Contribui para tornar relativo tudo aquilo que, quer na socialização primária, quer na socialização secundária, nos ajuda a definir: estamos sempre num processo de reconhecimento por identificação, e esse começa com os progenitores, identificação com um por oposição ao outro do sexo oposto, a quem queremos conquistar. 


Mas eu já sei que vai tudo falar do amor e das festas de anos com palhaços que as crianças vão ter. Um idílico quadro de felicidade com um horizonte máximo de 10 anos. Vai tudo usar esses argumento do amor e do mimo para defender esta realidade social que a compaixão pessoal (e a culpa?) estão a criar. 


 

EDP à porta da AG ganha novos accionistas


A dia 10 de Abril de 2014 realiza-se a Assembleia Geral da EDP.


Os chineses da China Three Gorges, maiores accionistas da EDP com 21,35%, querem reduzir os custos com os órgãos sociais da EDP e aumentar a sua influência junto da gestão da companhia (o que não é nada absurdo tendo em conta que pagaram cerca de 3 bi de euros para entrar numa empresa para qual não têm sequer poder para escolher o presidente executivo).


Este mandato da equipe de António Mexia acaba em 2015 (curiosamente o mandato da gestão do BES também), e os chineses vão querer ter um papel importante na definição da gestão executiva da EDP no próximo mandato. Para isso terão de ser alterados os estatutos da empresa (em AG). O que exige uma maioria de dois terços.


Já foi notícia que a maior accionista da EDP vai propor aos outros investidores de referência a redução do número de membros do conselho geral e de supervisão (CGS), hoje presidido por Eduardo Catroga (que vai sair!), e está no horizonte também a mudança do modelo de ‘governance', para o clássico Conselho de Administração (em vez do CGS) e Comissão Executiva. Hoje a gestão executiva da EDP é escolhida pela Assembleia Geral, contra o que diz o Código das Sociedades Comerciais.


Portanto, como se poderão processar as mudanças na EDP que os chineses querem? Com votos na Assembleia Geral.


Como se poderão travar as mudanças que os chineses querem? Com votos na Assembleia Geral.


Tendo isto como pano de fundo o que vos parece estas compras súbitas de acções EDP?


 


O Capital Group comprou em Março 6.529.070 ações da EDP, passando a deter uma participação qualificada de 370.584.953 ações, representativas de 10,13% do capital social da EDP e 10,13% dos respetivos direitos de voto. 


 


BES compra acções a 6 de Março e reforça posição na EDP para 0,05%


 


Mais compras de acções EDP são esperadas nos próximos dias.

EDP à porta da AG ganha novos accionistas


A dia 10 de Abril de 2014 realiza-se a Assembleia Geral da EDP.


Os chineses da China Three Gorges, maiores accionistas da EDP com 21,35%, querem reduzir os custos com os órgãos sociais da EDP e aumentar a sua influência junto da gestão da companhia (o que não é nada absurdo tendo em conta que pagaram cerca de 3 bi de euros para entrar numa empresa para qual não têm sequer poder para escolher o presidente executivo).


Este mandato da equipe de António Mexia acaba em 2015 (curiosamente o mandato da gestão do BES também), e os chineses vão querer ter um papel importante na definição da gestão executiva da EDP no próximo mandato. Para isso terão de ser alterados os estatutos da empresa (em AG). O que exige uma maioria de dois terços.


Já foi notícia que a maior accionista da EDP vai propor aos outros investidores de referência a redução do número de membros do conselho geral e de supervisão (CGS), hoje presidido por Eduardo Catroga (que vai sair!), e está no horizonte também a mudança do modelo de ‘governance', para o clássico Conselho de Administração (em vez do CGS) e Comissão Executiva. Hoje a gestão executiva da EDP é escolhida pela Assembleia Geral, contra o que diz o Código das Sociedades Comerciais.


Portanto, como se poderão processar as mudanças na EDP que os chineses querem? Com votos na Assembleia Geral.


Como se poderão travar as mudanças que os chineses querem? Com votos na Assembleia Geral.


Tendo isto como pano de fundo o que vos parece estas compras súbitas de acções EDP?


 


O Capital Group comprou em Março 6.529.070 ações da EDP, passando a deter uma participação qualificada de 370.584.953 ações, representativas de 10,13% do capital social da EDP e 10,13% dos respetivos direitos de voto. 


 


BES compra acções a 6 de Março e reforça posição na EDP para 0,05%


 


Mais compras de acções EDP são esperadas nos próximos dias.

Um homem transversal


 


Esta tarde, quando passeava por Santarém, oiço alguém a reclamar o facto de o Estado Português ter decretado um dia de luto nacional pela morte de D. José Policarpo, o cardeal-patriarca emérito de Lisboa. Não me meti na conversa, porque embora eu saiba, compreenda e aceite a separação das águas entre o que é de Deus e o que é de César, enquanto cidadão exemplar, e também pelo o facto do povo português ser maioritariamente católico, aceito e aplaudo a decisão do Conselho de Ministros. Posição idêntica teve o anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, que aos microfones da Renascença afirmou que “se o Governo tiver essa decisão acho correcto, porque foi uma figura da maior importância. Na prática dos lutos nacionais, e tenho experiência disso como Presidente, é sempre complicado saber onde é que se estabelece o critério. Aqui não há dúvidas, num país com as nossas características, não tenho dúvidas sobre isso.”  


 


D. José mais do que ter sido um excelente cristão, e um óptimo cardeal-patriarca, as suas qualidades humanas foram elogiadas por todos sectores da sociedade portuguesa. Seja pelos seus pares, seja pelos mais diversos sectores da sociedade portuguesa, Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho e até o Partido Socialista, bem como por elementos de outros credos, como é o caso do Xeque David Munir, líder da Comunidade Islâmica de Lisboa, que se referiu a ele como sendo “uma pessoa afável, amável. Alguém muito preocupado com a situação [do país]”.


 


Entre os católicos cito o Padre Anselmo Borges, um homem da Igreja muito há frente do seu tempo que fala de D. José como um "homem que se movia à-vontade, tanto dentro da Igreja como na sociedade civil. Era um homem de fé, mas que, ao mesmo tempo, queria uma Igreja aberta ao mundo, pelo que não é por acaso que escolhe para tese de doutoramento os sinais dos tempos. Ele movia-se no meio do mundo como homem da Igreja que não era eclesiástico e movia-se como homem de fé dentro do mundo contemporâneo com todos os seus problemas.”


 


Nunca tive o o privilégio de ter privado com ele, ou inclusive de assistir a um oficio religioso presidido pelo o cardeal-patriarca emérito de Lisboa. No entanto, sempre que podia lia o que dizia e ouvia-o. Era uma pessoa extraordinariamente sábia que irá fazer falta a esta igreja muito desnorteada.


 


Nota: As citações foram encontradas nos sites da Rádio Renascença e do Jornal Público.

Um homem transversal


 


Esta tarde, quando passeava por Santarém, oiço alguém a reclamar o facto de o Estado Português ter decretado um dia de luto nacional pela morte de D. José Policarpo, o cardeal-patriarca emérito de Lisboa. Não me meti na conversa, porque embora eu saiba, compreenda e aceite a separação das águas entre o que é de Deus e o que é de César, enquanto cidadão exemplar, e também pelo o facto do povo português ser maioritariamente católico, aceito e aplaudo a decisão do Conselho de Ministros. Posição idêntica teve o anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, que aos microfones da Renascença afirmou que “se o Governo tiver essa decisão acho correcto, porque foi uma figura da maior importância. Na prática dos lutos nacionais, e tenho experiência disso como Presidente, é sempre complicado saber onde é que se estabelece o critério. Aqui não há dúvidas, num país com as nossas características, não tenho dúvidas sobre isso.”  


 


D. José mais do que ter sido um excelente cristão, e um óptimo cardeal-patriarca, as suas qualidades humanas foram elogiadas por todos sectores da sociedade portuguesa. Seja pelos seus pares, seja pelos mais diversos sectores da sociedade portuguesa, Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho e até o Partido Socialista, bem como por elementos de outros credos, como é o caso do Xeque David Munir, líder da Comunidade Islâmica de Lisboa, que se referiu a ele como sendo “uma pessoa afável, amável. Alguém muito preocupado com a situação [do país]”.


 


Entre os católicos cito o Padre Anselmo Borges, um homem da Igreja muito há frente do seu tempo que fala de D. José como um "homem que se movia à-vontade, tanto dentro da Igreja como na sociedade civil. Era um homem de fé, mas que, ao mesmo tempo, queria uma Igreja aberta ao mundo, pelo que não é por acaso que escolhe para tese de doutoramento os sinais dos tempos. Ele movia-se no meio do mundo como homem da Igreja que não era eclesiástico e movia-se como homem de fé dentro do mundo contemporâneo com todos os seus problemas.”


 


Nunca tive o o privilégio de ter privado com ele, ou inclusive de assistir a um oficio religioso presidido pelo o cardeal-patriarca emérito de Lisboa. No entanto, sempre que podia lia o que dizia e ouvia-o. Era uma pessoa extraordinariamente sábia que irá fazer falta a esta igreja muito desnorteada.


 


Nota: As citações foram encontradas nos sites da Rádio Renascença e do Jornal Público.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A morte de um bom homem


 


Sempre tive grande admiração pelo D. José Policarpo, Patriarca emérito de Lisboa, que hoje morreu. Ele era, como considerou o Dr. Guilherme d' Oliveira Martins  “um grande académico”, um “homem de grande rigor” e “uma das grandes figuras da igreja portuguesa no Século XX”. Para mim, ele era provido de um sentido de humanismo que a todos os níveis era notável.


Paz à sua alma!

A morte de um bom homem


 


Sempre tive grande admiração pelo D. José Policarpo, Patriarca emérito de Lisboa, que hoje morreu. Ele era, como considerou o Dr. Guilherme d' Oliveira Martins  “um grande académico”, um “homem de grande rigor” e “uma das grandes figuras da igreja portuguesa no Século XX”. Para mim, ele era provido de um sentido de humanismo que a todos os níveis era notável.


Paz à sua alma!

Obrigado Zé. O povinho gosta do que escreveste.




 


Se eu fosse o Nilton e se tivesse a sua ousadia teria pegado no telefone, ligado para o José Gomes Ferreira a dizer-lhe: "eu amo você". Mas não tenho, e por isso só lhe agradeço ter escrito o texto que no final deste parágrafo introdutório cito. No entanto, pergunto-lhe se ele tem confiança nas gerações vindouras? Pois eu temo que a coisa tal está não se endireite. Da minha parte só espero que os meus filhos tenham um futuro mais promissor do que o meu! 


 


Seja como for, o Zé tem razão no que escreveu (aliás há culpados na direita como na esquerda, tal como referiu bem a Maria), e o povinho seguramente que gostou do que leu!


   




"Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?


 


Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:


 


– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!


Permitam-me uma pergunta simples e directa: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?


Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?


Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?


Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?


Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?


Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.


Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?


Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.


Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?


Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.


Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vitor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luis Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respectivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.


Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.


A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.


Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correcção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correcção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.


Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.


E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de Janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor actual.


É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projectos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.


É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objectivamente a dívida pública directa e indirecta.


Foram co-responsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça actual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar directa e indirectamente nos nossos bolsos.


Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitectura e agora queimam as nossas finanças.


Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.


Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.


Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?


Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?


Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?


Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege sectores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?


Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?


Um sector eléctrico que recebe demais para não produzir electricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?


Um sector das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?


Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?


Acham que tudo está bem nestes sectores? Ou será que alguns de vós beneficiam directa ou indirectamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?


Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?


Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.


Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.


E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.


Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas. Deixem os mais novos trabalhar."





Obrigado Zé. O povinho gosta do que escreveste.




 


Se eu fosse o Nilton e se tivesse a sua ousadia teria pegado no telefone, ligado para o José Gomes Ferreira a dizer-lhe: "eu amo você". Mas não tenho, e por isso só lhe agradeço ter escrito o texto que no final deste parágrafo introdutório cito. No entanto, pergunto-lhe se ele tem confiança nas gerações vindouras? Pois eu temo que a coisa tal está não se endireite. Da minha parte só espero que os meus filhos tenham um futuro mais promissor do que o meu! 


 


Seja como for, o Zé tem razão no que escreveu (aliás há culpados na direita como na esquerda, tal como referiu bem a Maria), e o povinho seguramente que gostou do que leu!


   




"Caros João Cravinho, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Ferro Rodrigues, Sevinate Pinto, Vitor Martins e demais subscritores do manifesto pela reestruturação da divida publica: Que tal deixarem para a geração seguinte a tarefa de resolver os problemas gravíssimos que vocês lhes deixaram? É que as vossas propostas já não resolvem, só agravam os problemas. Que tal darem lugar aos mais novos?


 


Vi, ouvi, li, e não queria acreditar. 70 das mais importantes personalidades do país, parte substancial da nossa elite, veio propor que se diga aos credores internacionais o seguinte:


 


– Desculpem lá qualquer coisinha mas nós não conseguimos pagar tudo o que vos devemos, não conseguimos sequer cumprir as condições que nós próprios assinámos, tanto em juros como em prazos de amortizações!


Permitam-me uma pergunta simples e directa: Vocês pensaram bem no momento e nas consequências da vossa proposta, feita a menos de dois meses do anúncio do modo de saída do programa de assistência internacional?


Imaginaram que, se os investidores internacionais levarem mesmo a sério a vossa proposta, poderão começar a duvidar da capacidade e da vontade de Portugal em honrar os seus compromissos e poderão voltar a exigir já nos próximos dias um prémio de risco muito mais elevado pela compra de nova dívida e pela posse das obrigações que já detêm?


Conseguem perceber que, na hipótese absurda de o Governo pedir agora uma reestruturação da nossa dívida, os juros no mercado secundário iriam aumentar imediatamente e deitar a perder mais de três anos de austeridade necessária e incontornável para recuperar a confiança dos investidores, obrigando, isso sim, a um novo programa de resgate e ainda a mais austeridade, precisamente aquilo que vocês dizem querer evitar?


Conseguem perceber que, mesmo na hipótese absurda de os credores oficiais internacionais FMI, BCE e Comissão Europeia aceitarem a proposta, só o fariam contra a aceitação de uma ainda mais dura condicionalidade, ainda mais austeridade?


Conseguem perceber que os credores externos, nomeadamente os alemães, iriam imediatamente responder – Porque é que não começam por vocês próprios?


Os vossos bancos não têm mais de 25 por cento da vossa dívida pública nos seus balanços, mais de 40 mil milhões de euros, e o vosso Fundo de Capitalização da Segurança Social não tem mais de 8 mil milhões de euros de obrigações do Tesouro? Peçam-lhes um perdão parcial de capital e de juros.


Conseguem perceber que, neste caso, os bancos portugueses ficariam à beira da falência e a Segurança Social ficaria descapitalizada?


Nenhum de vós, subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública, faria tal proposta se fosse Ministro das Finanças. E sobretudo não a faria neste delicadíssimo momento da vida financeira do país. Mesmo sendo uma proposta feita por cidadãos livres e independentes, pela sua projecção social poderá ter impacto externo e levar a uma degradação da percepção dos investidores, pela qual vos devemos responsabilizar desde já. Se isso acontecer, digo-vos que como cidadão contribuinte vou exigir publicamente que reparem o dano causado ao Estado.


Conseguem perceber porque é que o partido que pode ser Governo em breve, liderado por António José Seguro, reagiu dizendo apenas que se deve garantir uma gestão responsável da dívida pública e nunca falando de reestruturação?


Pergunto-vos também se não sabem que uma reestruturação de dívida pública não se pede, nunca se anuncia publicamente. Se é preciso fazer-se, faz-se. Discretamente, nos sóbrios gabinetes da alta finança internacional.


Aliás, vocês não sabem que Portugal já fez e continua a fazer uma reestruturação discreta da nossa dívida pública? Vitor Gaspar como ministro das Finanças e Maria Luis Albuquerque como Secretária de Estado do Tesouro negociaram com o BCE e a Comissão Europeia uma baixa das taxas de juro do dinheiro da assistência, de cerca de 5 por cento para 3,5 por cento. Negociaram a redistribuição das maturidades de 52 mil milhões de euros dos respectivos créditos para o período entre 2022 e 2035, quando os pagamentos estavam previstos para os anos entre 2015 e 2022, esse sim um calendário que era insustentável.


Ao mesmo tempo, juntamente com o IGCP dirigido por João Moreira Rato, negociaram com os credores privados Ofertas Públicas de Troca que consistem basicamente em convencê-los a receber o dinheiro mais tarde.


A isto chama-se um “light restructuring”, uma reestruturação suave e discreta da nossa dívida, que continua a ser feita mas nunca pode ser anunciada ao mundo como uma declaração de incapacidade de pagarmos as nossas responsabilidades.


Sabem que em consequência destas iniciativas, e sobretudo da correcção dos défices do Estado, dos cortes de despesa pública, da correcção das contas externas do país que já vai em quase 3 por cento do PIB, quase cinco mil milhões de euros de saldo positivo, os credores internacionais voltaram a acreditar em nós. De tal forma que os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos no mercado secundário já estão abaixo dos 4,5 por cento.


Para os mais distraídos, este é o valor médio dos juros a pagar pela República desde que aderimos ao Euro em 1999. O valor factual já está abaixo. Basta consultar a série longa das Estatísticas do Banco de Portugal.


E sim, Eng. João Cravinho, é bom lembrar-lhe que a 1 de Janeiro de 1999, a taxa das obrigações a 10 anos estava nos 3,9 por cento mas quando o seu Governo saiu, em Outubro desse ano, já estava nos 5,5 por cento, bem acima do valor actual.


É bom lembra-lhe que fazia parte de um Governo que decidiu a candidatura ao Euro 2004 com 10 estádios novos, quando a UEFA exigia só seis. E que decidiu lançar os ruinosos projectos de SCUT, sem custos para o utilizador, afinal tão caros para os contribuintes. O resultado aí está, a pesar na nossa dívida pública.


É bom lembrar aos subscritores do manifesto pela reestruturação da dívida pública que muitos de vós participaram nos Conselhos de Ministros que aumentaram objectivamente a dívida pública directa e indirecta.


Foram co-responsáveis pela passagem dos cheques da nossa desgraça actual. Negócios de Estado ruinosos, negócios com privados que afinal eram da responsabilidade do contribuinte. O resultado aí está, a pesar directa e indirectamente nos nossos bolsos.


Sim, todos sabemos que quem pôs o acelerador da dívida pública no máximo foi José Sócrates, Teixeira dos Santos, Costa Pina, Mário Lino, Paulo Campos, Maria de Lurdes Rodrigues com as suas escolas de luxo que foram uma festa para a arquitectura e agora queimam as nossas finanças.


Mas em geral, todos foram responsáveis pela maneira errada de fazer política, de fazer negócios sem mercado, de misturar política com negócios, de garantir rendas para alguns em prejuízo de todos.


Sabem perfeitamente que em todas as crises de finanças públicas a única saída foi o Estado parar de fazer nova dívida e começar a pagar a que tinha sido acumulada. A única saída foi a austeridade.


Com o vosso manifesto, o que pretendem? Voltar a fazer negócios de Estado como até aqui? Voltar a um modelo de gastos públicos ruinosos com o dinheiro dos outros?


Porque é que em vez de dizerem que a dívida é impagável, agravando ainda mais a vida financeira das gerações seguintes, não ajudam a resolver os gravíssimos problemas que a economia e o Estado enfrentam e que o Governo não tem coragem nem vontade de resolver ao contrário do que diz aos portugueses?


Porque é que não contribuem para que se faça uma reforma profunda do Estado, no qual se continuam a gastar recursos que não temos para produzir bens e serviços inúteis, ou para muitos departamentos públicos não produzirem nada e ainda por cima impedirem os empresários de investir com burocracias economicamente criminosas?


Porque não canalizam as vossas energias para ajudar a uma mudança profunda de uma economia que protege sectores inteiros da verdadeira concorrência prejudicando as famílias, as PME, as empresas exportadoras e todos os que querem produzir para substituir importações em condições de igualdade com outros empresários europeus?


Porque não combatem as práticas de uma banca que cobra os spreads e as comissões mais caros da Europa?


Um sector eléctrico que recebe demais para não produzir electricidade na produção clássica e para produzir em regime especial altamente subsidiado à custa de todos nós?


Um sector das telecomunicações que, apesar de parcialmente concorrencial, ainda cobra 20, 30 e até 40 por cento acima da média europeia em certos pacotes de serviços?


Porque não ajudam a cortar a sério nas rendas das PPP e da Energia? Nos autênticos passadouros de dinheiros públicos que são as listas de subvenções do Estado e de isenções fiscais a tudo o que é Fundações e Associações, algumas bem duvidosas?


Acham que tudo está bem nestes sectores? Ou será que alguns de vós beneficiam directa ou indirectamente com a velha maneira de fazer negócios em Portugal e não querem mudar de atitude?


Estará a vossa iniciativa relacionada com alguns cortes nas vossas generosas pensões?


Pois no meu caso eu já estou a pagar IRS a 45 por cento, mais uma sobretaxa de 3,5 por cento, mais 11 por cento de Segurança Social, o que eleva o meu contributo para 59,5 por cento nominais e não me estou a queixar.


Sabem, a minha reforma já foi mais cortada que a vossa. Quando comecei a trabalhar, tinha uma expectativa de receber a primeira pensão no valor de mais de 90 por cento do último salário. Agora tenho uma certeza: a minha primeira pensão vai ser de 55 por cento do último salário.


E não me estou a queixar, todos temos de contribuir.


Caros subscritores do Manifesto para a reestruturação da dívida pública, desculpem a franqueza: a vossa geração está errada. Não agravem ainda mais os problemas que deixaram para a geração seguinte. Façam um favor ao país – não criem mais problemas. Deixem os mais novos trabalhar."