segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Viver ultrapassa qualquer entendimento


Se fosse viva, Clarice Lispector, faria hoje 98 anos. Faço a referência à escritora brasileira de origrem ucraniana, porque, e não obstante as confusões que o mundo enfrenta, "viver ultrapassa qualquer entendimento"! 


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Viver ultrapassa qualquer entendimento


Se fosse viva, Clarice Lispector, faria hoje 98 anos. Faço a referência à escritora brasileira de origrem ucraniana, porque, e não obstante as confusões que o mundo enfrenta, "viver ultrapassa qualquer entendimento"! 


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

A crónica de um suposto funeral


As pessoas, à boleia deste "youtuber", andam alarmadas. Dizem que se trata do fim da Internet e das redes sociais. São os efeitos dos artigos 11 e 13 , de uma directiva europeia "relativa aos direitos de autor no mercado único digital".


Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, disse mesmo que promove a censura: "a censura naquilo que consideramos ser um espaço de liberdade (...). Como as plataformas e as redes sociais não querem ser responsabilizadas por deixar passar conteúdos protegidos, o que fazem é apertar cada vez mais a circulação livre, ao ponto de não incluir conteúdo de terceiros. É um ataque aquilo que são os direitos dos utilizadores. Somos todos vítimas”.


Do meu ponto de vista, é uma evidência que a "propriedade intelectual" no " mercado único digital" não está   regulamentada. E todos nós, mesmo que inadvertidamente, ao partilharmos algo, estamos ferir os direitos de autor. É, mesmo, o que acabo de fazer postando este vídeo. Mas partindo deste pressuposto para o "enterro" da Internet e das redes sociais é pura ficção cientifica. É, por outro lado, não entender a história das tecnologias, ou seja: porque quando a tecnologia abre janelas –  e foi assim desde a criação da roda – ninguém as conseguirá fechar!

A crónica de um suposto funeral


As pessoas, à boleia deste "youtuber", andam alarmadas. Dizem que se trata do fim da Internet e das redes sociais. São os efeitos dos artigos 11 e 13 , de uma directiva europeia "relativa aos direitos de autor no mercado único digital".


Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, disse mesmo que promove a censura: "a censura naquilo que consideramos ser um espaço de liberdade (...). Como as plataformas e as redes sociais não querem ser responsabilizadas por deixar passar conteúdos protegidos, o que fazem é apertar cada vez mais a circulação livre, ao ponto de não incluir conteúdo de terceiros. É um ataque aquilo que são os direitos dos utilizadores. Somos todos vítimas”.


Do meu ponto de vista, é uma evidência que a "propriedade intelectual" no " mercado único digital" não está   regulamentada. E todos nós, mesmo que inadvertidamente, ao partilharmos algo, estamos ferir os direitos de autor. É, mesmo, o que acabo de fazer postando este vídeo. Mas partindo deste pressuposto para o "enterro" da Internet e das redes sociais é pura ficção cientifica. É, por outro lado, não entender a história das tecnologias, ou seja: porque quando a tecnologia abre janelas –  e foi assim desde a criação da roda – ninguém as conseguirá fechar!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Lá & Cá

ca.jpg


Porque é que se fazem eleições, se referendam propostas etc., se tudo no final termina onde começou, na rua?


Isto vem a propósito da vitória dos Coletes Amarelos que após muita traulitada, e em França é sempre assim, o governo francês recuou na sua intenção de aumentar o preço dos combustíveis.


E nós, que temos combustíveis com elevada carga fiscal o que fazemos?


Nada! Passamos o tempo a assobiar para o lado. E os brandos costumes não fazem andar os carros.

Lá & Cá

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Porque é que se fazem eleições, se referendam propostas etc., se tudo no final termina onde começou, na rua?


Isto vem a propósito da vitória dos Coletes Amarelos que após muita traulitada, e em França é sempre assim, o governo francês recuou na sua intenção de aumentar o preço dos combustíveis.


E nós, que temos combustíveis com elevada carga fiscal o que fazemos?


Nada! Passamos o tempo a assobiar para o lado. E os brandos costumes não fazem andar os carros.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

The Good, the Bad & the Queen


Este é um dos temas do novo projecto musical de Damon Albarn.

The Good, the Bad & the Queen


Este é um dos temas do novo projecto musical de Damon Albarn.

domingo, 18 de novembro de 2018

A alma é um vício

Resultado de imagem para homem mulher amor


Gosto de relações humanas que ficam sempre acima das intempéries, que sobrevivem às intempéries, por mais fortes que elas sejam. São raras, muito raras.


O amor é sempre uma luta contra milhares de forças escondidas que vêm dos outros, do mundo, da natureza, das circunstâncias e de nós próprios.


Já a amizade não vive no mesmo ringue de batalha do amor e por isso é mais fácil passar ao lado das adversidades. Excepto quando não é assim. Excepto quando se revela que afinal também não está acima das intempéries. Às vezes a amizade também sucumbe ao deslumbramento e à insegurança, aos interesses egoístas, à vaidade.


As pessoas que gostam de ser idolatradas e querem agradar carregam em si toda a violência do mundo.

A alma é um vício

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Gosto de relações humanas que ficam sempre acima das intempéries, que sobrevivem às intempéries, por mais fortes que elas sejam. São raras, muito raras.


O amor é sempre uma luta contra milhares de forças escondidas que vêm dos outros, do mundo, da natureza, das circunstâncias e de nós próprios.


Já a amizade não vive no mesmo ringue de batalha do amor e por isso é mais fácil passar ao lado das adversidades. Excepto quando não é assim. Excepto quando se revela que afinal também não está acima das intempéries. Às vezes a amizade também sucumbe ao deslumbramento e à insegurança, aos interesses egoístas, à vaidade.


As pessoas que gostam de ser idolatradas e querem agradar carregam em si toda a violência do mundo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O famoso "diabo" da economia começa a mostrar a cauda

Resultado de imagem para antonio costa no parlamento


Os dados económicos do INE não são animadores. A economia portuguesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, depois dos 0,6% do segundo trimestre. Em termos homólogos, a economia cresceu 2,1%, o ritmo mais lento desde a primeira metade de 2016. Antes (no segundo trimestre) estava a crescer 2,4%. 


Isto é, a economia portuguesa desacelerou para o ritmo mais lento dos últimos dois anos. As exportações e consumo privado, que têm sido o motor do crescimento, abrandaram. Só não foi pior porque houve mais investimento, mas ainda assim não serviu para compensar a queda do consumo das famílias.


Mas António Costa preferiu destacar que Portugal voltou a crescer mais do que a média europeia e do que a zona euro. “Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado e está a acontecer este ano”, disse o nosso primeiro-ministro.


Faltou acrescentar que apesar de estar acima da média Portugal registou a quinta taxa de crescimento mais baixa da zona euro. 


A isto acresce outra má notícia para a economia. O PIB da Alemanha contraiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2015, segundo a estimativa do gabinete de estatística alemão divulgada esta quarta-feira, 14 de Novembro.


Faltou ao Governo falar do que ainda pode estar para vir ao nível da desaceleração da economia europeia.


Portugal arrisca a perder o impulso no turismo. A isto não será alheio o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter introduzido uma moratória que durante um ano vai limitar a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas freguesias. Durante um ano vai ficar proibida a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas zonas históricas, que são as zonas que os turistas preferem.


O imobiliário para investimento pode assim acabar por ficar mais condicionado. E as famílias que usavam as casas para rentabilizar com o Airbnb vão perder esse rendimento extra. Mas em troca não há sinais que o preço do arrendamento em Lisboa vá cair e ajustar-se aos salários baixos dos portugueses - temos um número de trabalhadores a receber salário mínimo como nunca aconteceu, são mais de 700 mil pessoas. Os números são de António Leitão Amaro.


Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que veem os senhorios não renovar os contratos de arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na área da Grande Lisboa.


 As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que veem de fora da capital.


Resultado. A economia vai perder a força sem que os salários dos portugueses tenham chegado sequer a recuperar da crise.


Portugal é um país condenado, inserido numa Europa que perde o comboio da evolução e crescimento (tudo o que é inovação vem dos EUA ou da China).


Portugal é ainda o país onde o problema demográfico tem maior expressão na Europa. Políticas para isso no OE2019? Não há.


É o país que tem o maior problema de dívida do Serviço Nacional de Saúde aos privados (os prazos de pagamento rondam os 270 dias enquanto em Espanha 70 dias é o prazo médio de pagamento das dividas dos hospitais públicos). E não é possível agilizar porque tudo exige a aprovação formal e burocrática do Ministério das Finanças. Tudo exige concursos públicos de seis meses. Há situações em que quando a única pessoa que introduz faturas no sistema, nos hospitais públicos, está de baixa, o serviço pára porque não é possível substituir pessoas sem toda uma complexa burocracia. "Somos todos Centeno", como disse o Ministro da Saúde que acabou substituído.


A descentralização devia começar no SNS (dar autonomia aos hospitais públicos para gerir). Mas o Governo prefere falar da descentralização que passa por promessas ideológicas de transferir o Infarmed para o Porto. 


António Costa é o campeão do "com a verdade me enganas", porque usa números bons para criar uma realidade doirada que na verdade não existe. Mas o que está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça.


(atualizada)

O famoso "diabo" da economia começa a mostrar a cauda

Resultado de imagem para antonio costa no parlamento


Os dados económicos do INE não são animadores. A economia portuguesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, depois dos 0,6% do segundo trimestre. Em termos homólogos, a economia cresceu 2,1%, o ritmo mais lento desde a primeira metade de 2016. Antes (no segundo trimestre) estava a crescer 2,4%. 


Isto é, a economia portuguesa desacelerou para o ritmo mais lento dos últimos dois anos. As exportações e consumo privado, que têm sido o motor do crescimento, abrandaram. Só não foi pior porque houve mais investimento, mas ainda assim não serviu para compensar a queda do consumo das famílias.


Mas António Costa preferiu destacar que Portugal voltou a crescer mais do que a média europeia e do que a zona euro. “Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado e está a acontecer este ano”, disse o nosso primeiro-ministro.


Faltou acrescentar que apesar de estar acima da média Portugal registou a quinta taxa de crescimento mais baixa da zona euro. 


A isto acresce outra má notícia para a economia. O PIB da Alemanha contraiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2015, segundo a estimativa do gabinete de estatística alemão divulgada esta quarta-feira, 14 de Novembro.


Faltou ao Governo falar do que ainda pode estar para vir ao nível da desaceleração da economia europeia.


Portugal arrisca a perder o impulso no turismo. A isto não será alheio o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter introduzido uma moratória que durante um ano vai limitar a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas freguesias. Durante um ano vai ficar proibida a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas zonas históricas, que são as zonas que os turistas preferem.


O imobiliário para investimento pode assim acabar por ficar mais condicionado. E as famílias que usavam as casas para rentabilizar com o Airbnb vão perder esse rendimento extra. Mas em troca não há sinais que o preço do arrendamento em Lisboa vá cair e ajustar-se aos salários baixos dos portugueses - temos um número de trabalhadores a receber salário mínimo como nunca aconteceu, são mais de 700 mil pessoas. Os números são de António Leitão Amaro.


Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que veem os senhorios não renovar os contratos de arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na área da Grande Lisboa.


 As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que veem de fora da capital.


Resultado. A economia vai perder a força sem que os salários dos portugueses tenham chegado sequer a recuperar da crise.


Portugal é um país condenado, inserido numa Europa que perde o comboio da evolução e crescimento (tudo o que é inovação vem dos EUA ou da China).


Portugal é ainda o país onde o problema demográfico tem maior expressão na Europa. Políticas para isso no OE2019? Não há.


É o país que tem o maior problema de dívida do Serviço Nacional de Saúde aos privados (os prazos de pagamento rondam os 270 dias enquanto em Espanha 70 dias é o prazo médio de pagamento das dividas dos hospitais públicos). E não é possível agilizar porque tudo exige a aprovação formal e burocrática do Ministério das Finanças. Tudo exige concursos públicos de seis meses. Há situações em que quando a única pessoa que introduz faturas no sistema, nos hospitais públicos, está de baixa, o serviço pára porque não é possível substituir pessoas sem toda uma complexa burocracia. "Somos todos Centeno", como disse o Ministro da Saúde que acabou substituído.


A descentralização devia começar no SNS (dar autonomia aos hospitais públicos para gerir). Mas o Governo prefere falar da descentralização que passa por promessas ideológicas de transferir o Infarmed para o Porto. 


António Costa é o campeão do "com a verdade me enganas", porque usa números bons para criar uma realidade doirada que na verdade não existe. Mas o que está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça.


(atualizada)

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Finanças rules, quem manda é o Mário Centeno

Resultado de imagem para centeno


A UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) constatou que há 590 milhões nas despesas que constam nos mapas da Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2019, a menos do que aquilo que Governo diz no relatório do Orçamento e que por isso o défice deveria ser de 0,5%. Portanto se essas despesas lá estivessem como deviam o défice seria maior. O Governo veio dizer que é um "procedimento habitual".


"Um orçamento define tectos máximos de despesa. É porque se furam tectos máximos de despesa que há rectificativos", disse Mário Centeno, que assegura que  "em todos os anos, sempre houve um ajustamento face ao que são os mapas das contas sectoriais e os cálculos do total da despesa na administração central e na administração pública".


Pelas palavras do ministro, pode depreender-se que em todos os orçamentos há uma espécie de almofada financeira entre o défice estimado e as despesas constantes nos mapas por sectores.


Isto é, seguindo uma prática já usada em orçamentos anteriores, o Governo está, no cálculo da meta de défice para o próximo ano, a assumir logo à partida que não irá descongelar uma parte substancial das cativações que estão previstas na proposta de OE entregue no parlamento. Em causa estão 590 milhões de euros que, caso viessem a ser descongelados, poderiam, num cenário em que tudo o resto se mantivesse igual, conduzir a um défice de 0,5% em vez dos 0,2% que são apresentados como meta para o próximo ano


O que é que de facto se passa? António Lobo Xavier foi bastante elucidativo sobre este tema na Quadratura do Círculo.  Os técnicos da UTAO quando dizem que o saldo orçamental para 2019 é revisto em baixa no montante de 0,3 p.p. do PIB, passando da cifra -0,2% do PIB projetada na POE/2019 para -0,5% do PIB, têm razão.


Quando Mário Centeno diz que o PIB vai ser 0,2%, também tem razão, porque o défice está construido de modo a ser o que as Finanças decidem no fim do ano. Pois as despesas a mais que estão inscritas no OE, são limites, não vinculam a gastos obrigatórios. Portanto o truque de Mário Centeno é inscrever despesas a mais no OE. Despesas discricionárias, que pode não cumprir, e depois se as receitas previstas não se cumprirem Centeno não cumpre as despesas em nome do défice.


"A inscrição de uma despesa não significa a obrigação de gastar aquele montante, significa apenas um limite. Não posso ultrapassar aquele limite, mas não sou obrigado a chegar lá", é o lema de Centeno no que se refere ao OE.


Isto é, os partidos da geringonça estão todos contente com as suas medidas estarem no OE 2019, mas algumas são despesas que Mário Centeno inscreve como teto máximo, mas que se for necessário não concretiza essas despesas que não são obrigatórias. Portanto os ministérios têm verbas inscritas no OE que nada garante que possam usar.


A estatística da execução orçamental é que dita a verdade do OE.


Faltam também receitas nos documentos do OE, segundo Lobo Xavier, logo o Ministro joga com uma carga fiscal que será provavelmente maior, e a despesa inscrita só vai ser usada na medida em que o défice fique nos 0,2% ou menos.


Já agora acrescenta-se outra medida dada à esquerda, mas nem tanto:


Depois de várias declarações a anunciar, nomeadamente de um acordo entre o BE e o Governo, a descida do IVA na cultura de 13% (a taxa intermédia) para 6% (a taxa mínima), a proposta concreta do OE 2019 detalha que esta descida só se aplica ao que for "realizado em recintos fixos de espetáculo de natureza artística". Ou seja se o concerto acontecer num espaço público o IVA mantêm-se a 13%.


 


(atualizada)

Finanças rules, quem manda é o Mário Centeno

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A UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) constatou que há 590 milhões nas despesas que constam nos mapas da Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2019, a menos do que aquilo que Governo diz no relatório do Orçamento e que por isso o défice deveria ser de 0,5%. Portanto se essas despesas lá estivessem como deviam o défice seria maior. O Governo veio dizer que é um "procedimento habitual".


"Um orçamento define tectos máximos de despesa. É porque se furam tectos máximos de despesa que há rectificativos", disse Mário Centeno, que assegura que  "em todos os anos, sempre houve um ajustamento face ao que são os mapas das contas sectoriais e os cálculos do total da despesa na administração central e na administração pública".


Pelas palavras do ministro, pode depreender-se que em todos os orçamentos há uma espécie de almofada financeira entre o défice estimado e as despesas constantes nos mapas por sectores.


Isto é, seguindo uma prática já usada em orçamentos anteriores, o Governo está, no cálculo da meta de défice para o próximo ano, a assumir logo à partida que não irá descongelar uma parte substancial das cativações que estão previstas na proposta de OE entregue no parlamento. Em causa estão 590 milhões de euros que, caso viessem a ser descongelados, poderiam, num cenário em que tudo o resto se mantivesse igual, conduzir a um défice de 0,5% em vez dos 0,2% que são apresentados como meta para o próximo ano


O que é que de facto se passa? António Lobo Xavier foi bastante elucidativo sobre este tema na Quadratura do Círculo.  Os técnicos da UTAO quando dizem que o saldo orçamental para 2019 é revisto em baixa no montante de 0,3 p.p. do PIB, passando da cifra -0,2% do PIB projetada na POE/2019 para -0,5% do PIB, têm razão.


Quando Mário Centeno diz que o PIB vai ser 0,2%, também tem razão, porque o défice está construido de modo a ser o que as Finanças decidem no fim do ano. Pois as despesas a mais que estão inscritas no OE, são limites, não vinculam a gastos obrigatórios. Portanto o truque de Mário Centeno é inscrever despesas a mais no OE. Despesas discricionárias, que pode não cumprir, e depois se as receitas previstas não se cumprirem Centeno não cumpre as despesas em nome do défice.


"A inscrição de uma despesa não significa a obrigação de gastar aquele montante, significa apenas um limite. Não posso ultrapassar aquele limite, mas não sou obrigado a chegar lá", é o lema de Centeno no que se refere ao OE.


Isto é, os partidos da geringonça estão todos contente com as suas medidas estarem no OE 2019, mas algumas são despesas que Mário Centeno inscreve como teto máximo, mas que se for necessário não concretiza essas despesas que não são obrigatórias. Portanto os ministérios têm verbas inscritas no OE que nada garante que possam usar.


A estatística da execução orçamental é que dita a verdade do OE.


Faltam também receitas nos documentos do OE, segundo Lobo Xavier, logo o Ministro joga com uma carga fiscal que será provavelmente maior, e a despesa inscrita só vai ser usada na medida em que o défice fique nos 0,2% ou menos.


Já agora acrescenta-se outra medida dada à esquerda, mas nem tanto:


Depois de várias declarações a anunciar, nomeadamente de um acordo entre o BE e o Governo, a descida do IVA na cultura de 13% (a taxa intermédia) para 6% (a taxa mínima), a proposta concreta do OE 2019 detalha que esta descida só se aplica ao que for "realizado em recintos fixos de espetáculo de natureza artística". Ou seja se o concerto acontecer num espaço público o IVA mantêm-se a 13%.


 


(atualizada)

Escrito na pedra

Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha.”


Theodor Adorno

Escrito na pedra

Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha.”


Theodor Adorno

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Nós, europeus, hoje!

No ensaio a “Ideia de Europa”,George Steiner, escreveu ["A Ideia de Europa", Lisboa, Gradiva, 2005]: “A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsteres de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkgaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que é já um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século XVIII. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães. Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ideia de Europa”(p.26). Adiante acrescenta: “Mas a Europa é também o espaço que se pode percorrer a pé, sem acidentes geográficos ou distâncias que nos derrotem, solidificando uma ‘uma relação essencial entre a humanidade europeia e a sua paisagem:


Metaforicamente, mas também materialmente, esta paisagem foi moldada, humanizada, por pés e mãos. Como em nenhuma outra parte do globo, as costas, os campos, as florestas e os montes da Europa, de La Coruña a S. Petersburgo, de Estocolmo a Messina, tomaram forma, não tanto devido ao tempo geológico como ao tempo histórico-humano’ (p.28)


No comentário que fez a esta obra, José Henrique Dias, do Instituto Superior Miguel Torga, conclui que este ensaio de Steiner é “ fundamentalmente um alerta para que a ideia de Europa não caia “naquele grande museu de sonhos passados a que chamamos História”.


O problema da Europa, ou se preferirem da crise da Europa – e note-se que faz parte da nossa genética, desde as calendas gregas, estar em crise: de estar e sair da crise, construindo o que fomos – é a incapacidade de nos adaptamos à actualidade, i.e., ao real, num tempo em que o virtual domina.


Aquilo que são as características marcantes do “ser europeu”, os cafés e a mobilidade foram sequestrados pela modernidade tecnológica, onde as pessoas não necessitam disto – ou seja, de estar num café ou caminhar para existir – porque tudo se dilui na virtualidade, na alteração profunda do conceito de contacto: na necessidade de estar num café para dialogar ou de ir, caminhando, para contactar a diferença e conhecer o outro.


Aquilo que marcou o lugar do europeu no mundo, e estou a falar da ideia/necessidade da descoberta, só foi e é possível num continente como um nosso, que geograficamente está mal definido: a Eurásia!


Hoje, e sobretudo pelas suas consequências político-económicas, procuramos medir as consequências do Brexit. Da saída da Grã-Bretanha do “sonho/projecto” europeu. Acontece que eles – que são ilhéus e onde “não há cafés” – na realidade não são “verdadeiramente” europeus, mesmo até quando se inventou uma prótese – o túnel da Mancha – para suprir essa falta de pertença!


Por outro lado, e fruto da globalidade vigente, onde vigora a lei da “fast food” e dos Starbucks, ou seja, a maior cadeia de cafeterias do mundo, que impede pela natureza destes estabelecimentos o contacto directo e a demora, fundamentais para conhecer e se fazer conhecer, perdemos o prazer da aventura que sempre foi razão intelectual da nossa existência: Se a Agora socrática se transformasse num balcão de um “fast food” ou  Starbucks, nunca seríamos o que ao longo de século fomos: sem conhecer, sem a troca de ideias, por mais adversas que tenham sido, mas que condimentaram o nosso devir, a Europa era algo de falhado, ou melhor nem existia…! Seríamos a continuidade do continente asiático. E mais: nem teríamos uma religião unificadora, o que não acontece na Ásia, como o cristianismo. O sucesso da nossa religião é também ela fruto da nossa particularidade geográfica e dialogante!


Hoje na Europa, porque nos esquecemos dos nossos contactos de proximidade, já que graças à tecnologia estamos a milhas daqui, estamos condicionados “à vida dos outros”. Ou seja, estamos mais preocupados com as eleições brasileiras, como o que pensa Trump ou como os efeitos da nova “maluquice” inventada pelo regime norte-coreano do que com os nossos problemas. Com os problemas que estão à nossa porta!


 


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Nós, europeus, hoje!

No ensaio a “Ideia de Europa”,George Steiner, escreveu ["A Ideia de Europa", Lisboa, Gradiva, 2005]: “A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsteres de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkgaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que é já um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século XVIII. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães. Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ideia de Europa”(p.26). Adiante acrescenta: “Mas a Europa é também o espaço que se pode percorrer a pé, sem acidentes geográficos ou distâncias que nos derrotem, solidificando uma ‘uma relação essencial entre a humanidade europeia e a sua paisagem:


Metaforicamente, mas também materialmente, esta paisagem foi moldada, humanizada, por pés e mãos. Como em nenhuma outra parte do globo, as costas, os campos, as florestas e os montes da Europa, de La Coruña a S. Petersburgo, de Estocolmo a Messina, tomaram forma, não tanto devido ao tempo geológico como ao tempo histórico-humano’ (p.28)


No comentário que fez a esta obra, José Henrique Dias, do Instituto Superior Miguel Torga, conclui que este ensaio de Steiner é “ fundamentalmente um alerta para que a ideia de Europa não caia “naquele grande museu de sonhos passados a que chamamos História”.


O problema da Europa, ou se preferirem da crise da Europa – e note-se que faz parte da nossa genética, desde as calendas gregas, estar em crise: de estar e sair da crise, construindo o que fomos – é a incapacidade de nos adaptamos à actualidade, i.e., ao real, num tempo em que o virtual domina.


Aquilo que são as características marcantes do “ser europeu”, os cafés e a mobilidade foram sequestrados pela modernidade tecnológica, onde as pessoas não necessitam disto – ou seja, de estar num café ou caminhar para existir – porque tudo se dilui na virtualidade, na alteração profunda do conceito de contacto: na necessidade de estar num café para dialogar ou de ir, caminhando, para contactar a diferença e conhecer o outro.


Aquilo que marcou o lugar do europeu no mundo, e estou a falar da ideia/necessidade da descoberta, só foi e é possível num continente como um nosso, que geograficamente está mal definido: a Eurásia!


Hoje, e sobretudo pelas suas consequências político-económicas, procuramos medir as consequências do Brexit. Da saída da Grã-Bretanha do “sonho/projecto” europeu. Acontece que eles – que são ilhéus e onde “não há cafés” – na realidade não são “verdadeiramente” europeus, mesmo até quando se inventou uma prótese – o túnel da Mancha – para suprir essa falta de pertença!


Por outro lado, e fruto da globalidade vigente, onde vigora a lei da “fast food” e dos Starbucks, ou seja, a maior cadeia de cafeterias do mundo, que impede pela natureza destes estabelecimentos o contacto directo e a demora, fundamentais para conhecer e se fazer conhecer, perdemos o prazer da aventura que sempre foi razão intelectual da nossa existência: Se a Agora socrática se transformasse num balcão de um “fast food” ou  Starbucks, nunca seríamos o que ao longo de século fomos: sem conhecer, sem a troca de ideias, por mais adversas que tenham sido, mas que condimentaram o nosso devir, a Europa era algo de falhado, ou melhor nem existia…! Seríamos a continuidade do continente asiático. E mais: nem teríamos uma religião unificadora, o que não acontece na Ásia, como o cristianismo. O sucesso da nossa religião é também ela fruto da nossa particularidade geográfica e dialogante!


Hoje na Europa, porque nos esquecemos dos nossos contactos de proximidade, já que graças à tecnologia estamos a milhas daqui, estamos condicionados “à vida dos outros”. Ou seja, estamos mais preocupados com as eleições brasileiras, como o que pensa Trump ou como os efeitos da nova “maluquice” inventada pelo regime norte-coreano do que com os nossos problemas. Com os problemas que estão à nossa porta!


 


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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Sem duvida...

"O riso é a sabedoria, e filosofar é aprender
a rir.
Sem a liberdade de rir, de caçoar e fazer
humor, não há progresso da razão."



Georges Minois in "História do riso e do escárnio"

Sem duvida...

"O riso é a sabedoria, e filosofar é aprender
a rir.
Sem a liberdade de rir, de caçoar e fazer
humor, não há progresso da razão."



Georges Minois in "História do riso e do escárnio"

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Da novela Tancos à agenda de Cravinho


 


Ontem o general Rovisco Duarte, o chefe do Estado-Maior do Exército demitiu-se porque soube ler as entrelinhas das palavras de João Gomes Cravinho, o actual ministro da defesa que, como anuncia o Observador ,"empurrou" o militar para a saída. Efectivamente, a novela de Tancos não poderia ter só consequências políticas, e a forma amadora com o anterior ministro da tutela, Azeredo Lopes,  geriu essa novela, merecia este desfecho - inclusive o seu ex-chefe de gabinete, Tenente-general Martins Pereira, foi constituído arguido no caso do roubo das armas


Este é um assunto que ele terá que resolver, e no mais breve trecho!


Mas há mais! Não é por acaso que António Costa tirou este coelho da cartola. O primeiro-ministro, como a maioria das pessoas informadas, sabe que o nosso modelo de defesa nacional chegou ao prazo da validade, e Tancos só acontece graças ao estado a que ela chegou - fecho de quartéis, fim do serviço militar etc.


Neste contexto, Gomes Cravinho tem o currículo para assumir a pasta da defesa internacional.


Faz bastante tempo que sigo a vida académica. Tenho formação em relações internacionais, e grande parte dos seus estudos académicos do actual ministro são nesta área. Ele conhece bem o meandros da política internacional, pelo que ele parece ser o Homem certo para assumir esta pasta. Uma pasta cuja  agenda terá obrigatoriamente como objectivo principal a "renovação" da política de defesa nacional. Como seja, entre outras decisões, a reinstauração do serviço militar obrigatório.


Por vezes é preciso pensar em guerra para se manter a paz, algo que de há muito foi esquecido por estas bandas! 


 

Da novela Tancos à agenda de Cravinho


 


Ontem o general Rovisco Duarte, o chefe do Estado-Maior do Exército demitiu-se porque soube ler as entrelinhas das palavras de João Gomes Cravinho, o actual ministro da defesa que, como anuncia o Observador ,"empurrou" o militar para a saída. Efectivamente, a novela de Tancos não poderia ter só consequências políticas, e a forma amadora com o anterior ministro da tutela, Azeredo Lopes,  geriu essa novela, merecia este desfecho - inclusive o seu ex-chefe de gabinete, Tenente-general Martins Pereira, foi constituído arguido no caso do roubo das armas


Este é um assunto que ele terá que resolver, e no mais breve trecho!


Mas há mais! Não é por acaso que António Costa tirou este coelho da cartola. O primeiro-ministro, como a maioria das pessoas informadas, sabe que o nosso modelo de defesa nacional chegou ao prazo da validade, e Tancos só acontece graças ao estado a que ela chegou - fecho de quartéis, fim do serviço militar etc.


Neste contexto, Gomes Cravinho tem o currículo para assumir a pasta da defesa internacional.


Faz bastante tempo que sigo a vida académica. Tenho formação em relações internacionais, e grande parte dos seus estudos académicos do actual ministro são nesta área. Ele conhece bem o meandros da política internacional, pelo que ele parece ser o Homem certo para assumir esta pasta. Uma pasta cuja  agenda terá obrigatoriamente como objectivo principal a "renovação" da política de defesa nacional. Como seja, entre outras decisões, a reinstauração do serviço militar obrigatório.


Por vezes é preciso pensar em guerra para se manter a paz, algo que de há muito foi esquecido por estas bandas! 


 

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Por causa do Orçamento de Estado...

DP Pif Paf 71.jpg


 ... o que me salva é o humor!


Obrigado Millôr Fernandes (1923 — 2012)

Por causa do Orçamento de Estado...

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 ... o que me salva é o humor!


Obrigado Millôr Fernandes (1923 — 2012)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Cold War, o amor na guerra fria, ou o amor é uma guerra fria?


Cold War é uma impetuosa história de amor entre um casal, tendo como pano de fundo a Guerra Fria nos anos 50 na Polónia, Berlim, Jugoslávia e Paris. O filme retrata uma história de amor impossível em tempos impossíveis.


O mais interessante do filme é a forma como nos revela como um amor pode nascer e crescer de forma tão intensa num contexto de ditadura (Polónia) e como não conseguiu vingar num contexto de liberdade (Paris). Dá muito que pensar sobre os tempos modernos.


Interessante tema esse da maldição da liberdade no desenvolvimento de um dos mais puros e inexplicáveis sentimentos.

Cold War, o amor na guerra fria, ou o amor é uma guerra fria?


Cold War é uma impetuosa história de amor entre um casal, tendo como pano de fundo a Guerra Fria nos anos 50 na Polónia, Berlim, Jugoslávia e Paris. O filme retrata uma história de amor impossível em tempos impossíveis.


O mais interessante do filme é a forma como nos revela como um amor pode nascer e crescer de forma tão intensa num contexto de ditadura (Polónia) e como não conseguiu vingar num contexto de liberdade (Paris). Dá muito que pensar sobre os tempos modernos.


Interessante tema esse da maldição da liberdade no desenvolvimento de um dos mais puros e inexplicáveis sentimentos.

Ronaldo diz que 99% das vezes é um 'gentleman" (acredito)


O mais bizarro do relato da noite fatídica do Ronaldo em Los Angeles foi ele ter dito no fim “desculpa, normalmente sou um ‘gentleman’”.


Se calhar, depois do hard sex não consentido com Kathryn Mayorga na discoteca do hotel, The Palms Place Casino Resort, em Las Vegas, abriu-lhe a porta do quarto e deixou-a passar à frente, ou abriu-lhe a porta do carro.Ele há cada um... 


As pessoas têm uma imagem delas próprias altamente hiperbolizada.


P.S. Isto não retira que esta senhora seja altamente calculista. Talvez seja. 

Ronaldo diz que 99% das vezes é um 'gentleman" (acredito)


O mais bizarro do relato da noite fatídica do Ronaldo em Los Angeles foi ele ter dito no fim “desculpa, normalmente sou um ‘gentleman’”.


Se calhar, depois do hard sex não consentido com Kathryn Mayorga na discoteca do hotel, The Palms Place Casino Resort, em Las Vegas, abriu-lhe a porta do quarto e deixou-a passar à frente, ou abriu-lhe a porta do carro.Ele há cada um... 


As pessoas têm uma imagem delas próprias altamente hiperbolizada.


P.S. Isto não retira que esta senhora seja altamente calculista. Talvez seja. 

Brasil, quando a defesa dos fracos e oprimidos evoca Lula

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Não, eu não vou alinhar pelo maniqueísmo de chamar a Bolsonaro "extrema-direita e fascismo", e ao Fernando Haddad, o salvador da pátria, idolatrá-lo como o moderado de centro.


O Brasil não é a Europa e Bolsonaro pode não ser o diabo que por aí pintam e se tiver coragem para aplicar a austeridade que o país precisa (o Brasil precisa urgentemente de uma troika), salva o Brasil (sim é preciso cortar os salários e pensões da Função Pública para salvar o Brasil).Bolsonaro pode ser esse político.


Quanto ao resto, é penauts (não me venham com o argumento da homofobia, que é o menor dos problemas do Brasil. Mil vezes alguém que seja contra o casamento gay e do que alguém corrupto).


Agora ouvir o Haddad, depois de perder a primeira volta eleitoral, a invocar o Lula, ao mesmo tempo, que defende os desfavorecidos, e só me veio à memória duas palavras: Lava Jato.


 

Brasil, quando a defesa dos fracos e oprimidos evoca Lula

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Não, eu não vou alinhar pelo maniqueísmo de chamar a Bolsonaro "extrema-direita e fascismo", e ao Fernando Haddad, o salvador da pátria, idolatrá-lo como o moderado de centro.


O Brasil não é a Europa e Bolsonaro pode não ser o diabo que por aí pintam e se tiver coragem para aplicar a austeridade que o país precisa (o Brasil precisa urgentemente de uma troika), salva o Brasil (sim é preciso cortar os salários e pensões da Função Pública para salvar o Brasil).Bolsonaro pode ser esse político.


Quanto ao resto, é penauts (não me venham com o argumento da homofobia, que é o menor dos problemas do Brasil. Mil vezes alguém que seja contra o casamento gay e do que alguém corrupto).


Agora ouvir o Haddad, depois de perder a primeira volta eleitoral, a invocar o Lula, ao mesmo tempo, que defende os desfavorecidos, e só me veio à memória duas palavras: Lava Jato.


 

Fibra lusa

PADEIRA-DE_ALJUBARROTA.jpg


 


Será que as mulheres portuguesas são ingénuas? Será que não fazem ideia do meio onde coabitam e circulam as pessoas ligadas ao futebol, desde os dirigentes aos jogadores?


Eu já escrevi aqui o que penso sobre o caso Ronaldo, e a sua suposta violação de uma ex-modelo em Las Vegas.


No entanto este movimento feminino que circula no Facebook, a favor da inocência do “melhor do mundo” não lembra a ninguém.


Cito-o: “vamos mostrar ao mundo que somos Portuguesas e estamos ao lado de CR7 e contra mulheres oportunistas. Ele defende a nossa nação. Vamos apoia-lo com o coração. Se concordasse partilha com as tuas amigas do Facebook”.


 


Nunca vi nada igual desde que a Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota , andou à traulitada aos castelhanos.

Fibra lusa

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Será que as mulheres portuguesas são ingénuas? Será que não fazem ideia do meio onde coabitam e circulam as pessoas ligadas ao futebol, desde os dirigentes aos jogadores?


Eu já escrevi aqui o que penso sobre o caso Ronaldo, e a sua suposta violação de uma ex-modelo em Las Vegas.


No entanto este movimento feminino que circula no Facebook, a favor da inocência do “melhor do mundo” não lembra a ninguém.


Cito-o: “vamos mostrar ao mundo que somos Portuguesas e estamos ao lado de CR7 e contra mulheres oportunistas. Ele defende a nossa nação. Vamos apoia-lo com o coração. Se concordasse partilha com as tuas amigas do Facebook”.


 


Nunca vi nada igual desde que a Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota , andou à traulitada aos castelhanos.

Samba triste.


 


Os resultados da primeira-volta das eleições brasileiras, e um pouco como tem acontecido um pouco por todo o lado, provam que a sociedade está fragilizada, que a democracia está fortemente ameaçada por cenários políticos cada vez mais “bicolor”. Preto e branco!


As forças políticas mais centrais e de continuidade perderam a sua influência, vendo os seus eleitores a migrarem para outras paragens ideologicamente mais vincadas. A segunda-volta entre um candidato da extrema-direita e um da extrema-esquerda é um bom reflexo disto mesmo. E seja qual for o resultado será sempre mau para um país com a dimensão e importância do Brasil.

Samba triste.


 


Os resultados da primeira-volta das eleições brasileiras, e um pouco como tem acontecido um pouco por todo o lado, provam que a sociedade está fragilizada, que a democracia está fortemente ameaçada por cenários políticos cada vez mais “bicolor”. Preto e branco!


As forças políticas mais centrais e de continuidade perderam a sua influência, vendo os seus eleitores a migrarem para outras paragens ideologicamente mais vincadas. A segunda-volta entre um candidato da extrema-direita e um da extrema-esquerda é um bom reflexo disto mesmo. E seja qual for o resultado será sempre mau para um país com a dimensão e importância do Brasil.

sábado, 6 de outubro de 2018

Do justo Nobel a CR7


 


A entrega do Nobel da Paz a uma escrava sexual e ao congolês Denis Mukwege está bem entregue, e ainda por cima quando o sexo, ou melhor os abusos sexuais estão na moda graças os avanços do movimento #Me Too, até porque, como bem escreve o editorialista do Público, “numa altura em que o mundo desenvolvido se debate com os avanços do movimento #Me Too, esta atribuição é um incisivo alerta para que tenhamos presente que a afirmação do poder através do sexo é milenar, universal e um abismo de horrores que deve passar a ser intolerável para a Humanidade.”


Neste sentido, e como costuma ser o seu apanágio, a entrega do Prémio Nobel da Paz a Denis Mukwege e a Nadia Murad é um lição ao mundo que ainda respeita os valores. E uma chapada a quem acha que através da violência sexual tudo consegue.


Há depois o caso Cristiano Ronaldo e as suas diversas consequências.


Se lermos as acusações, tal como são feitas na imprensa, já que os jornalistas surgem como os guardiões da moralidade no século XXI, CR7 parece estar condenado, moral e civilmente. Pode estar feito ao bife, passando o seu “momento de nojo” atrás das grades em Las Vegas. Se for verdade ele que se lixe. Porém não acredito. É uma conspiração bem urdida contra o nosso grande jogador, a pagar (porventura) as favas por ter saído do Real de Madrid. De facto, e do meu ponto de vista, a história parece estar mal contada, até porque só conhecemos uma versão da mesma: da suposta vítima.


A violação é depressível. É feita mediante a força, numa atitude unilateral. Não estou a ver o jogador de futebol numa atitude semelhante, a fazer sexo à força. A cachopa à boleia do #Me Too tenta a sua sorte, procurando através de uma história com 9 anos, ganhar o “seu” euromilhões.


Shame on you!

Do justo Nobel a CR7


 


A entrega do Nobel da Paz a uma escrava sexual e ao congolês Denis Mukwege está bem entregue, e ainda por cima quando o sexo, ou melhor os abusos sexuais estão na moda graças os avanços do movimento #Me Too, até porque, como bem escreve o editorialista do Público, “numa altura em que o mundo desenvolvido se debate com os avanços do movimento #Me Too, esta atribuição é um incisivo alerta para que tenhamos presente que a afirmação do poder através do sexo é milenar, universal e um abismo de horrores que deve passar a ser intolerável para a Humanidade.”


Neste sentido, e como costuma ser o seu apanágio, a entrega do Prémio Nobel da Paz a Denis Mukwege e a Nadia Murad é um lição ao mundo que ainda respeita os valores. E uma chapada a quem acha que através da violência sexual tudo consegue.


Há depois o caso Cristiano Ronaldo e as suas diversas consequências.


Se lermos as acusações, tal como são feitas na imprensa, já que os jornalistas surgem como os guardiões da moralidade no século XXI, CR7 parece estar condenado, moral e civilmente. Pode estar feito ao bife, passando o seu “momento de nojo” atrás das grades em Las Vegas. Se for verdade ele que se lixe. Porém não acredito. É uma conspiração bem urdida contra o nosso grande jogador, a pagar (porventura) as favas por ter saído do Real de Madrid. De facto, e do meu ponto de vista, a história parece estar mal contada, até porque só conhecemos uma versão da mesma: da suposta vítima.


A violação é depressível. É feita mediante a força, numa atitude unilateral. Não estou a ver o jogador de futebol numa atitude semelhante, a fazer sexo à força. A cachopa à boleia do #Me Too tenta a sua sorte, procurando através de uma história com 9 anos, ganhar o “seu” euromilhões.


Shame on you!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Há músicos e músicos. Ele era formidável.


Charles Aznavour - 1924-2018

Há músicos e músicos. Ele era formidável.


Charles Aznavour - 1924-2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Serralves é maior do que os lobbies das minorias

1291651.jpeg


Ana Pinho merece ser defendida de um ataque orquestrado por alguns que falam em “censura”, usam uma suposta defesa da liberdade quando no fundo o que estão mesmo a defender neste episódio são as causas minoritárias, que defendem ao ponto de subjugar o bom senso e a sanidade mental a campanhas dessas minorias, que só a eles interessa. 


Obviamente que dentro da rica obra do Robert Mapplethorpe, há uma parte da obra que invoca a homossexualidade e o sado-masoquismo, e essa deve ser reservada apenas a quem a quiser ver. Interdito a menores de 18 anos é o mínimo.


Eu mesma, maior de 18 anos, não quero ver essas fotografias e não quero ir a Serralves e tropeçar inadvertidamente nessas fotografias. Lamento.


O que me parece que aconteceu, na realidade e por detrás do pano, é que João Ribas ofendeu-se com essa interdição em nome de uma causa minoritária que é a sua, mas de que nós não queremos saber para nada.


Serralves é muito maior do que este senhor Ribas.


Shame on you João Ribas.

Serralves é maior do que os lobbies das minorias

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Ana Pinho merece ser defendida de um ataque orquestrado por alguns que falam em “censura”, usam uma suposta defesa da liberdade quando no fundo o que estão mesmo a defender neste episódio são as causas minoritárias, que defendem ao ponto de subjugar o bom senso e a sanidade mental a campanhas dessas minorias, que só a eles interessa. 


Obviamente que dentro da rica obra do Robert Mapplethorpe, há uma parte da obra que invoca a homossexualidade e o sado-masoquismo, e essa deve ser reservada apenas a quem a quiser ver. Interdito a menores de 18 anos é o mínimo.


Eu mesma, maior de 18 anos, não quero ver essas fotografias e não quero ir a Serralves e tropeçar inadvertidamente nessas fotografias. Lamento.


O que me parece que aconteceu, na realidade e por detrás do pano, é que João Ribas ofendeu-se com essa interdição em nome de uma causa minoritária que é a sua, mas de que nós não queremos saber para nada.


Serralves é muito maior do que este senhor Ribas.


Shame on you João Ribas.

Google it

No teatro da existência, vinte anos é já uma vida.


São 20 anos a googlar


 


Google it

No teatro da existência, vinte anos é já uma vida.


São 20 anos a googlar


 


Espuma dos dias: em defesa do personalismo e do associativismo


 


1| Tenho, com o avançar da idade, questionado a minha existência, sabendo que a única coisa certa é a morte. Com efeito, e tal dizia uma personagem de “O memorial do convento”, nascemos para morrer! Portanto, esta percepção do fim, tornou a questão da minha existência primordial. Não tanto numa visão retrospectiva, porque o passado já lá vai, mas numa perspectiva de presença e sobretudo de redefinição, dos caminhos a serem traçados para que tenhamos a melhor vida possível. Ou seja, estamos na situação de um condutor, que sem um mapa, ou qualquer tipo de orientação, vê-se perante uma bifurcação e o dilema que caminho tomar, sabendo que a sua vida se resolve com a solução deste dilema existencial, ou seja, o que é “preciso de fazer para saber viver”?


Com efeito, é parente a necessidade de escolha, e de orientação, que as filosofias existencialistas, embora com diferentes nuances, ganharam lastro. Por outro lado, e não obstante a individualidade “celular” de cada um, a verdadeira existência individual só ganha dimensão quando inserida num espaço mais amplo. Ou seja, da mesma forma que uma célula não faz o todo, pois um órgão é composto por inúmeras células, a nosso existir só tem sentido quando inserido num campo mais amplo, já que a nossa existência dilui-se também no todo. Por outras palavras: “pode muito bem acontecer que tornar-se objecto para o outro seja condição da minha existência real”. [Jean Lacroix, Crise da Civilização, Crise da Sociedade, Morais Editores, 1968, p.50]


O homem como dizia Aristóteles é um “animal político”. Esta proposição é válida na medida em que todos somos seres sociais. Porque, e mesmo que os nossos actos sejam, de per si, individuais, como comer, tomar banho ou decidir, estes ganham maior dimensão, passando a existir, quando expostos na realidade de que somos parte, quando actores “teatro da existência”: “Expor-nos a nós mesmo, entrar na encenação de si mesmos é sair de si próprio. (…) Expor-nos a nós mesmo numa cena que finalmente se desvela é o maior desejo dos homens” [Aldo Gargani; “O texto do tempo”, Edições 70, p.41]! Só com esta “encenação de si mesmo”, a humanidade salva-se, ou seja, “saindo do eu que era a falsificação da sua vida”. [idem]


Esta ideia é extremamente verdadeira. A história ao longo dos tempos prova que muitas pessoas, num determinado momento da sua vida, e perante as mais diversas bifurcações – mesmo com erros de percepção e arrependimentos – optaram por outras vias. Quantos de nós, quando confrontados com a realidade, não optamos por outros caminhos? A realidade não é uma coisa monolítica, tem outros ângulos, pelo que por vezes se olharmos o mundo de outra forma iremos ver melhor.


A razão só nos é útil se a combinarmos com as nossas capacidades sensitivas!


 


2| O homem é um animal político e a política é uma arte nobre. A política está também repleta dos mais diversos actores. Assim, e através das suas mais diversa práxis, ela é igualmente existencial. Desde logo porque como tem forma e conteúdo as decisões políticas surtem efeito na sociedade.


Na política, como na comunicação ou inclusive na arte, há emissores e receptores, pelo que os espectadores ou, se preferirem, a sociedade civil, deveriam ter direito às suas representações. Isto é, deveriam saber existir e existir em conformidade com o seu papel. E este é precisamente o problema da sociedade civil em Portugal e nos países em que a democracia não é (ainda) perfeita. Há demasiada letargia!  


Tal advém de uma usurpação dos “palcos da vida”, já que os espaços ideias de acção e de sentido de pertença foram usurpados, levando há falsificação da verdade democrática. Dando a ideia absurda que só os partidos são os guardiões dos valores democráticos. Situação contra-procedente e com os efeitos que se fazem sentir na sociedade: o afastamento das pessoas dos ideias democráticos, levando ao abstencionismo, e no pior dos casos à emergência dos movimentos totalitários e/ou populistas.


Com efeito, os partidos políticos usurparam o nosso campo de acção, a coisa pública. Na Sociedade Civil, mas só por motivos de estratégia política, só escapam os sindicatos, que funcionam exclusivamente como braço das organizações políticas!


 


3| A política no entanto não é uma coisa estanque, tipo pronto-a-vestir. Vive das diferenças. Vive de ideias e de ideologias. Nem todos vêem a “res publica” sob o mesmo prisma. E felizmente que assim é. Para que serviria a democracia se fossemos todas ovelhas ou cegos e/ou na esperança que aparecesse alguém com um olho?


A democracia, na realidade, é uma competição que tem como troféu o Estado. Isso é verdade, porque a vida em sociedade é um jogo. Cada um age de forma a maximizar os seus ganhos. É uma verdade desportiva, económica, política, etc.


Politicamente, e já o provei “cientificamente” em alguns testes elaborados para o efeito, sinto-me bem no centro, como comungo dos ideais personalistas, que no nosso país fazem parte da “genética” social-democrata, o que não quer dizer que tenham existido desvios e, inclusive, surjam novas forças a reclamar o seu quinhão.


Sou personalista porque sublinha o papel da parte no todo. Que todos somos agentes da construção da realidade. Que a nossa existência só válida quando formos actores neste teatro a existência, e quando – agora numa perspectiva cristã – tivermos a capacidade de saber amar o outro!


No lado oposto está o intervencionismo, e a banalização do eu. Nesse lado oposto estão aqueles que se dizendo democratas, a democracia tem as suas horas e os seus dias. Em suma, para estes, ela esgota-se nas urnas!


São posições totalitárias que provocam urticária. São partidos que usurparam o nosso espaço de cidadania e agem conforme as suas agendas e a contingência dos seus interesses.


 


4| Um excelente exemplo de personalismo é o associativismo, já que é o espaço por excelência de partilha pela defesa do objecto que a associação promove. Porém, e porque vivemos em tempos de virtualidade, de “existência à distância” e, natural, individualismo, o associativismo está em crise. Ou seja, urge o ressurgimento das ligações sociais, e, consequentemente, da nossa (re)existência.


Do que me é dado a ver, e tenho que naturalmente de condenar, há uma tendência em Santarém, porventura em outros lados também,  da usurpação destes espaços pelas forças política falhadas, e que nestes teatros dão existência aos seus ressabiamentos políticos, e, de a troco de nada, subverterem o que de bom foi feito em prol do associativismo!

Espuma dos dias: em defesa do personalismo e do associativismo


 


1| Tenho, com o avançar da idade, questionado a minha existência, sabendo que a única coisa certa é a morte. Com efeito, e tal dizia uma personagem de “O memorial do convento”, nascemos para morrer! Portanto, esta percepção do fim, tornou a questão da minha existência primordial. Não tanto numa visão retrospectiva, porque o passado já lá vai, mas numa perspectiva de presença e sobretudo de redefinição, dos caminhos a serem traçados para que tenhamos a melhor vida possível. Ou seja, estamos na situação de um condutor, que sem um mapa, ou qualquer tipo de orientação, vê-se perante uma bifurcação e o dilema que caminho tomar, sabendo que a sua vida se resolve com a solução deste dilema existencial, ou seja, o que é “preciso de fazer para saber viver”?


Com efeito, é parente a necessidade de escolha, e de orientação, que as filosofias existencialistas, embora com diferentes nuances, ganharam lastro. Por outro lado, e não obstante a individualidade “celular” de cada um, a verdadeira existência individual só ganha dimensão quando inserida num espaço mais amplo. Ou seja, da mesma forma que uma célula não faz o todo, pois um órgão é composto por inúmeras células, a nosso existir só tem sentido quando inserido num campo mais amplo, já que a nossa existência dilui-se também no todo. Por outras palavras: “pode muito bem acontecer que tornar-se objecto para o outro seja condição da minha existência real”. [Jean Lacroix, Crise da Civilização, Crise da Sociedade, Morais Editores, 1968, p.50]


O homem como dizia Aristóteles é um “animal político”. Esta proposição é válida na medida em que todos somos seres sociais. Porque, e mesmo que os nossos actos sejam, de per si, individuais, como comer, tomar banho ou decidir, estes ganham maior dimensão, passando a existir, quando expostos na realidade de que somos parte, quando actores “teatro da existência”: “Expor-nos a nós mesmo, entrar na encenação de si mesmos é sair de si próprio. (…) Expor-nos a nós mesmo numa cena que finalmente se desvela é o maior desejo dos homens” [Aldo Gargani; “O texto do tempo”, Edições 70, p.41]! Só com esta “encenação de si mesmo”, a humanidade salva-se, ou seja, “saindo do eu que era a falsificação da sua vida”. [idem]


Esta ideia é extremamente verdadeira. A história ao longo dos tempos prova que muitas pessoas, num determinado momento da sua vida, e perante as mais diversas bifurcações – mesmo com erros de percepção e arrependimentos – optaram por outras vias. Quantos de nós, quando confrontados com a realidade, não optamos por outros caminhos? A realidade não é uma coisa monolítica, tem outros ângulos, pelo que por vezes se olharmos o mundo de outra forma iremos ver melhor.


A razão só nos é útil se a combinarmos com as nossas capacidades sensitivas!


 


2| O homem é um animal político e a política é uma arte nobre. A política está também repleta dos mais diversos actores. Assim, e através das suas mais diversa práxis, ela é igualmente existencial. Desde logo porque como tem forma e conteúdo as decisões políticas surtem efeito na sociedade.


Na política, como na comunicação ou inclusive na arte, há emissores e receptores, pelo que os espectadores ou, se preferirem, a sociedade civil, deveriam ter direito às suas representações. Isto é, deveriam saber existir e existir em conformidade com o seu papel. E este é precisamente o problema da sociedade civil em Portugal e nos países em que a democracia não é (ainda) perfeita. Há demasiada letargia!  


Tal advém de uma usurpação dos “palcos da vida”, já que os espaços ideias de acção e de sentido de pertença foram usurpados, levando há falsificação da verdade democrática. Dando a ideia absurda que só os partidos são os guardiões dos valores democráticos. Situação contra-procedente e com os efeitos que se fazem sentir na sociedade: o afastamento das pessoas dos ideias democráticos, levando ao abstencionismo, e no pior dos casos à emergência dos movimentos totalitários e/ou populistas.


Com efeito, os partidos políticos usurparam o nosso campo de acção, a coisa pública. Na Sociedade Civil, mas só por motivos de estratégia política, só escapam os sindicatos, que funcionam exclusivamente como braço das organizações políticas!


 


3| A política no entanto não é uma coisa estanque, tipo pronto-a-vestir. Vive das diferenças. Vive de ideias e de ideologias. Nem todos vêem a “res publica” sob o mesmo prisma. E felizmente que assim é. Para que serviria a democracia se fossemos todas ovelhas ou cegos e/ou na esperança que aparecesse alguém com um olho?


A democracia, na realidade, é uma competição que tem como troféu o Estado. Isso é verdade, porque a vida em sociedade é um jogo. Cada um age de forma a maximizar os seus ganhos. É uma verdade desportiva, económica, política, etc.


Politicamente, e já o provei “cientificamente” em alguns testes elaborados para o efeito, sinto-me bem no centro, como comungo dos ideais personalistas, que no nosso país fazem parte da “genética” social-democrata, o que não quer dizer que tenham existido desvios e, inclusive, surjam novas forças a reclamar o seu quinhão.


Sou personalista porque sublinha o papel da parte no todo. Que todos somos agentes da construção da realidade. Que a nossa existência só válida quando formos actores neste teatro a existência, e quando – agora numa perspectiva cristã – tivermos a capacidade de saber amar o outro!


No lado oposto está o intervencionismo, e a banalização do eu. Nesse lado oposto estão aqueles que se dizendo democratas, a democracia tem as suas horas e os seus dias. Em suma, para estes, ela esgota-se nas urnas!


São posições totalitárias que provocam urticária. São partidos que usurparam o nosso espaço de cidadania e agem conforme as suas agendas e a contingência dos seus interesses.


 


4| Um excelente exemplo de personalismo é o associativismo, já que é o espaço por excelência de partilha pela defesa do objecto que a associação promove. Porém, e porque vivemos em tempos de virtualidade, de “existência à distância” e, natural, individualismo, o associativismo está em crise. Ou seja, urge o ressurgimento das ligações sociais, e, consequentemente, da nossa (re)existência.


Do que me é dado a ver, e tenho que naturalmente de condenar, há uma tendência em Santarém, porventura em outros lados também,  da usurpação destes espaços pelas forças política falhadas, e que nestes teatros dão existência aos seus ressabiamentos políticos, e, de a troco de nada, subverterem o que de bom foi feito em prol do associativismo!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Joana, Lucília e a política

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Ainda me recordo das utopias. Digo bem das utopias, como por exemplo as inscritas nos conceitos. Acontece que conceitos, e vamos lá esquecer das utopias, são meras "mirabolâncias". Palavras, e nada mais do que palavras. E as palavras só por si nada valem.


Um bom exemplo é o conceito de política, que sendo em si mesmo uma coisa boa, pois é claro que é, na prática funciona como uma competição que tem por troféu o Estado.


Esta ideia que li, há já bastante tempo, na obra de um constitucionalista francês está bem patente na teimosia reinante, e nomeadamente na suposição que sendo poder os partidos políticos – e neste caso o Partido Socialista – são os donos disto tudo!


Isto a vem a propósito da teimosia, do Dr. António Costa, da sua ministra da justiça e, inclusive, do Senhor Presidente da República que os procuradores da república só poderão cumprir um mandato, e o que a meu ver retracta bem o estado caótico da justiça em Portugal. Ou seja: quando a actual, mas já com as malas aviadas, procuradora, Joana Marques Vidal, fez um excelente trabalho no palácio Palmela, e uma vez que não havia nenhum impeditivo legal para a sua recondução, optam pela incerteza que uma nova nomeação acarreta, pondo em risco alguns dos processos pendentes.


Este é um país que não valoriza o mérito!


Efectivamente são decisões como esta - leiam o esclarecedor ensaio de Tiago Fernandes, para a Fundação Francisco Manuel dos santos - que explica a fraqueza da nossa sociedade civil,  e da debilidade da nossa democracia: por cá a “res publica”, ou a coisa pública, é feudo dos partidos políticos, quase sempre marcados por gente sem rosto, que desde as juventudes partidárias nada de mais fizeram de útil para os próprio e, principalmente, para o país!


 


Assim, e para terminar faço minhas as palavras do Dr. Passos Coelho, agradecendo-lhe a sua dedicação à justiça em Portugal!

Joana, Lucília e a política

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Ainda me recordo das utopias. Digo bem das utopias, como por exemplo as inscritas nos conceitos. Acontece que conceitos, e vamos lá esquecer das utopias, são meras "mirabolâncias". Palavras, e nada mais do que palavras. E as palavras só por si nada valem.


Um bom exemplo é o conceito de política, que sendo em si mesmo uma coisa boa, pois é claro que é, na prática funciona como uma competição que tem por troféu o Estado.


Esta ideia que li, há já bastante tempo, na obra de um constitucionalista francês está bem patente na teimosia reinante, e nomeadamente na suposição que sendo poder os partidos políticos – e neste caso o Partido Socialista – são os donos disto tudo!


Isto a vem a propósito da teimosia, do Dr. António Costa, da sua ministra da justiça e, inclusive, do Senhor Presidente da República que os procuradores da república só poderão cumprir um mandato, e o que a meu ver retracta bem o estado caótico da justiça em Portugal. Ou seja: quando a actual, mas já com as malas aviadas, procuradora, Joana Marques Vidal, fez um excelente trabalho no palácio Palmela, e uma vez que não havia nenhum impeditivo legal para a sua recondução, optam pela incerteza que uma nova nomeação acarreta, pondo em risco alguns dos processos pendentes.


Este é um país que não valoriza o mérito!


Efectivamente são decisões como esta - leiam o esclarecedor ensaio de Tiago Fernandes, para a Fundação Francisco Manuel dos santos - que explica a fraqueza da nossa sociedade civil,  e da debilidade da nossa democracia: por cá a “res publica”, ou a coisa pública, é feudo dos partidos políticos, quase sempre marcados por gente sem rosto, que desde as juventudes partidárias nada de mais fizeram de útil para os próprio e, principalmente, para o país!


 


Assim, e para terminar faço minhas as palavras do Dr. Passos Coelho, agradecendo-lhe a sua dedicação à justiça em Portugal!

sábado, 15 de setembro de 2018

Pedro Cabrita Reis: "O que é preciso buscar, de facto, é um lugar interior a partir do qual se possa projetar um pensamento, um desejo, um olhar"

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Pedro Cabrita Reis é o entrevistado desta semana do Jornal Económico. Partilho aqui algumas das suas frases mais interessantes, na minha opinião.


 


"Aquilo que mais me horroriza é o bom senso – aquela papa indefinida em que a maioria silenciosa da alma e da política e da inteligência se atola e na qual se esconde para se defender. Ao artista compete-lhe estilhaçar o bom senso, sob todas as formas ao seu alcance!"


 


O MAAT "é um desses muitos espaços que, infelizmente, a meu ver, existem em demasia. São espaços de celebração egomaníaca dos seus arquitetos-autores e não da celebração da arte, que é para isso que os museus deveriam servir. A tal ponto que sabemos que não é um nem dois, mas sim muitos arquitetos que insistem em querer abrir os museus com eles vazios para expor-se a si e à sua própria arquitetura aos olhares do público. Há outras maneiras de mostrar a arquitetura. Um museu deve abrir com arte. Provavelmente, estarei a ser um pouco antiquado ou reacionário, mas estou firmemente convicto, e dificilmente me convencerão do contrário, que a função do museu é ser invisível enquanto arquitetura e servir, sob todas as formas possíveis e imaginárias, a revelação e a exposição da arte".


 


"Apesar do Trump dizer que hoje em dia a economia americana está mais sólida – e é um facto –, são os chineses que mandam na economia americana porque são eles os detentores da dívida externa. E a economia chinesa ainda está mais sólida do que a americana. Apesar disso tudo, a bolha de 2008, do Lehman Brothers e outros, foi apenas um sintoma de uma crise que já se avolumava desde o princípio dos anos 80, desde que os yuppies começaram a mandar na economia. Ou seja, vivemos em crise há 30 anos! Dessa crise permanente inferem-se muitas coisas e uma delas é que a arte é um valor de refúgio, e cada vez mais". 


 


"Não quero, de forma alguma, criar ruturas. Uma vez a cada cem anos aparece um Marcel Duchamp, põe um urinol na parede e ficamos todos satisfeitos. Porreiro, já nos livrámos do problema dos urinóis, agora vamos continuar a pintar uns quadros. Sou um artista clássico. Gosto muito de Marcel Duchamp, mas não tenho interesse em fazer de Marcel Duchamp. Há muitos jovens que, infelizmente, não tiveram ainda a oportunidade – não têm tempo de vida ou de acumulação de experiências suficientes – para perceber que a busca da novidade, por si, não leva a lado nenhum. O que é preciso buscar, de facto, é um lugar interior a partir do qual se possa projetar um pensamento, um desejo, um olhar. Os artistas clássicos reconstroem, enquanto os artistas que ambicionam ser contemporâneos propõem-se destruir porque acham que vão inventar uma coisa nova". 

Pedro Cabrita Reis: "O que é preciso buscar, de facto, é um lugar interior a partir do qual se possa projetar um pensamento, um desejo, um olhar"

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Pedro Cabrita Reis é o entrevistado desta semana do Jornal Económico. Partilho aqui algumas das suas frases mais interessantes, na minha opinião.


 


"Aquilo que mais me horroriza é o bom senso – aquela papa indefinida em que a maioria silenciosa da alma e da política e da inteligência se atola e na qual se esconde para se defender. Ao artista compete-lhe estilhaçar o bom senso, sob todas as formas ao seu alcance!"


 


O MAAT "é um desses muitos espaços que, infelizmente, a meu ver, existem em demasia. São espaços de celebração egomaníaca dos seus arquitetos-autores e não da celebração da arte, que é para isso que os museus deveriam servir. A tal ponto que sabemos que não é um nem dois, mas sim muitos arquitetos que insistem em querer abrir os museus com eles vazios para expor-se a si e à sua própria arquitetura aos olhares do público. Há outras maneiras de mostrar a arquitetura. Um museu deve abrir com arte. Provavelmente, estarei a ser um pouco antiquado ou reacionário, mas estou firmemente convicto, e dificilmente me convencerão do contrário, que a função do museu é ser invisível enquanto arquitetura e servir, sob todas as formas possíveis e imaginárias, a revelação e a exposição da arte".


 


"Apesar do Trump dizer que hoje em dia a economia americana está mais sólida – e é um facto –, são os chineses que mandam na economia americana porque são eles os detentores da dívida externa. E a economia chinesa ainda está mais sólida do que a americana. Apesar disso tudo, a bolha de 2008, do Lehman Brothers e outros, foi apenas um sintoma de uma crise que já se avolumava desde o princípio dos anos 80, desde que os yuppies começaram a mandar na economia. Ou seja, vivemos em crise há 30 anos! Dessa crise permanente inferem-se muitas coisas e uma delas é que a arte é um valor de refúgio, e cada vez mais". 


 


"Não quero, de forma alguma, criar ruturas. Uma vez a cada cem anos aparece um Marcel Duchamp, põe um urinol na parede e ficamos todos satisfeitos. Porreiro, já nos livrámos do problema dos urinóis, agora vamos continuar a pintar uns quadros. Sou um artista clássico. Gosto muito de Marcel Duchamp, mas não tenho interesse em fazer de Marcel Duchamp. Há muitos jovens que, infelizmente, não tiveram ainda a oportunidade – não têm tempo de vida ou de acumulação de experiências suficientes – para perceber que a busca da novidade, por si, não leva a lado nenhum. O que é preciso buscar, de facto, é um lugar interior a partir do qual se possa projetar um pensamento, um desejo, um olhar. Os artistas clássicos reconstroem, enquanto os artistas que ambicionam ser contemporâneos propõem-se destruir porque acham que vão inventar uma coisa nova". 

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Escrito na pedra

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Escrito na pedra

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Pés de barro


 


Perante a catástrofe, e o fim da História é catastrófico, o incêndio que reduziu a nada o Museu Nacional do Brasil tem esta carga negativa que o fim da história significa.


O único tempo real é o presente, e é nele que o Homem inscreve os possíveis amanhãs. O futuro é sempre uma consequência do que fazemos, aqui e agora. E o passado, as memórias e tudo o que os tempos pretéritos incorporam são sempre um porto de abrigo.


Quando uma parte significativa dessas memórias foi levada pela fúria das chamas, num cenário há muito previsto dá para pensar, como retracta a incúria reinante no Brasil. Um país que até à pouco tempo era tido como uma grande potência regional. Uma potência que o presente demonstra ter “pés de barro”, sem eira e nem beira!

Pés de barro


 


Perante a catástrofe, e o fim da História é catastrófico, o incêndio que reduziu a nada o Museu Nacional do Brasil tem esta carga negativa que o fim da história significa.


O único tempo real é o presente, e é nele que o Homem inscreve os possíveis amanhãs. O futuro é sempre uma consequência do que fazemos, aqui e agora. E o passado, as memórias e tudo o que os tempos pretéritos incorporam são sempre um porto de abrigo.


Quando uma parte significativa dessas memórias foi levada pela fúria das chamas, num cenário há muito previsto dá para pensar, como retracta a incúria reinante no Brasil. Um país que até à pouco tempo era tido como uma grande potência regional. Uma potência que o presente demonstra ter “pés de barro”, sem eira e nem beira!

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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Respect, a minha homenagem à rainha da música soul!


Quando soube que Aretha Franklin estava bastante doente, eu pensava que já teria morrido, já que fazia tempo em que não tinha notícias da "rainha da soul" - e não "do soul", como erradamente escrevem.


Não sendo um especialista neste "ramo" da expressão musical dos afro-americanos, é um facto que Aretha Franklin tinha uma voz divinal, fazendo parte da "realeza" musical.


Respect!


 


 

Respect, a minha homenagem à rainha da música soul!


Quando soube que Aretha Franklin estava bastante doente, eu pensava que já teria morrido, já que fazia tempo em que não tinha notícias da "rainha da soul" - e não "do soul", como erradamente escrevem.


Não sendo um especialista neste "ramo" da expressão musical dos afro-americanos, é um facto que Aretha Franklin tinha uma voz divinal, fazendo parte da "realeza" musical.


Respect!


 


 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Querer tudo...


Hoje fui até Óbidos e uns amigos, fizeram-me conhecer esta pérola, com uma excelente cantiga. E uma boa letra.


I want it all
I’ll watch the bridges all burn
And I’ll be your dog
I’d be a darling for you
Or anyone who wants me at all
Does anybody want me at all?


 


 

Querer tudo...


Hoje fui até Óbidos e uns amigos, fizeram-me conhecer esta pérola, com uma excelente cantiga. E uma boa letra.


I want it all
I’ll watch the bridges all burn
And I’ll be your dog
I’d be a darling for you
Or anyone who wants me at all
Does anybody want me at all?


 


 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A esquerda portuguesa é uma espécie de Stasi

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Ao ver a indignação da esquerda portuguesa ao convite de Marine Le Pen para oradora da Web Summit, e a pressão da imprensa portuguesa  sobre o governo para pedir explicações, lembrei-me daqueles tempos em que a Stasi queimava livros e proibia a publicação de outros. Tudo em nome de uma higiene cultural que tomavam como certa e justa.


A esquerda portuguesa está a fazer o mesmo quando quer proibir a presidente do partido francês Frente Nacional de ser oradora da Web Summit. Isto apesar da organização, em nome da defesa da pluralidade de opinião, ter defendido a sua presença. A pressão da esquerda levou Paddy Cosgrave a passar a batata quente da decisão tirana de proibição para o Governo português.


Caminhamos para um mundo onde os Republicanos nos EUA deixam de ser considerados legítimos para governar, a direita europeia deixa de poder ter espaço de opinião. Qualquer dia proíbem o CDS de falar em público (em nome duma higiene cultural qualquer). Vão proibir países com líderes de direita de estar na União Europeia. Um passinho mais e começam a queimar os livros de autores de direita, ou, mais higiénico, a proibir as livrarias de os vender.


Tiranos!


 

A esquerda portuguesa é uma espécie de Stasi

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Ao ver a indignação da esquerda portuguesa ao convite de Marine Le Pen para oradora da Web Summit, e a pressão da imprensa portuguesa  sobre o governo para pedir explicações, lembrei-me daqueles tempos em que a Stasi queimava livros e proibia a publicação de outros. Tudo em nome de uma higiene cultural que tomavam como certa e justa.


A esquerda portuguesa está a fazer o mesmo quando quer proibir a presidente do partido francês Frente Nacional de ser oradora da Web Summit. Isto apesar da organização, em nome da defesa da pluralidade de opinião, ter defendido a sua presença. A pressão da esquerda levou Paddy Cosgrave a passar a batata quente da decisão tirana de proibição para o Governo português.


Caminhamos para um mundo onde os Republicanos nos EUA deixam de ser considerados legítimos para governar, a direita europeia deixa de poder ter espaço de opinião. Qualquer dia proíbem o CDS de falar em público (em nome duma higiene cultural qualquer). Vão proibir países com líderes de direita de estar na União Europeia. Um passinho mais e começam a queimar os livros de autores de direita, ou, mais higiénico, a proibir as livrarias de os vender.


Tiranos!


 

sábado, 11 de agosto de 2018

A realidade numa imagem

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A realidade numa imagem

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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Uma questão de leituras...

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 Se Robles lesse Sófocles em vez de Marx não teria dissabores.

Uma questão de leituras...

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 Se Robles lesse Sófocles em vez de Marx não teria dissabores.

terça-feira, 31 de julho de 2018

O que apetece responder aos arautos da teoria da conspiração por trás da notícia do Robles

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A propósito das inúmeras insinuações que por aí pululam sobre alegados "interesses escondidos" por detrás da notícia do Jornal Económico sobre Ricardo Robles e que culminou com a sua demissão de vereador da CML, lembrei-me de uma história do Independente. 


Miguel Esteves Cardoso era diretor do jornal quando, a propósito de uma notícia sobre o então presidente de Angola, recebeu uma carta de uma das filhas, não me lembro se seria a Isabel, a acusar o Independente de estar ao serviço de interesses escondidos contra José Eduardo dos Santos, a acusar o jornal de perseguição ao pai dela, and so on...


Miguel Esteves Cardoso brilhantemente respondeu numa nota de redação que acompanhou a publicação da carta: "Fomos apanhados!".


É o que apetece responder agora, porque aos desconfiados não vale a pena contrariar. Vão continuar a desconfiar e ainda usam as justificações que são dadas a seu favor.

O que apetece responder aos arautos da teoria da conspiração por trás da notícia do Robles

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A propósito das inúmeras insinuações que por aí pululam sobre alegados "interesses escondidos" por detrás da notícia do Jornal Económico sobre Ricardo Robles e que culminou com a sua demissão de vereador da CML, lembrei-me de uma história do Independente. 


Miguel Esteves Cardoso era diretor do jornal quando, a propósito de uma notícia sobre o então presidente de Angola, recebeu uma carta de uma das filhas, não me lembro se seria a Isabel, a acusar o Independente de estar ao serviço de interesses escondidos contra José Eduardo dos Santos, a acusar o jornal de perseguição ao pai dela, and so on...


Miguel Esteves Cardoso brilhantemente respondeu numa nota de redação que acompanhou a publicação da carta: "Fomos apanhados!".


É o que apetece responder agora, porque aos desconfiados não vale a pena contrariar. Vão continuar a desconfiar e ainda usam as justificações que são dadas a seu favor.

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segunda-feira, 30 de julho de 2018

A mulher de César: uma nota sobre o "Caso Robles".


Tenho estado ausente. Estou de mudanças, pelo que estou longe de estar actualizado com o que se passa por aí. Até ontem, quando comprei, pela primeira vez, a versão em papel do Diário de Notícias, desconhecia por completo "o caso Robles".


Não vou perder tempo com a situação, porém como acabo de saber da sua intenção de renunciar ao cargo de vereador na autarquia da capital, eu acho que faz bem, já que me faz lembrar a velha máxima de Júlio César: "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta".

A mulher de César: uma nota sobre o "Caso Robles".


Tenho estado ausente. Estou de mudanças, pelo que estou longe de estar actualizado com o que se passa por aí. Até ontem, quando comprei, pela primeira vez, a versão em papel do Diário de Notícias, desconhecia por completo "o caso Robles".


Não vou perder tempo com a situação, porém como acabo de saber da sua intenção de renunciar ao cargo de vereador na autarquia da capital, eu acho que faz bem, já que me faz lembrar a velha máxima de Júlio César: "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta".