
Hoje perguntaram-me, em brincadeira, numa conversa de café com colegas de trabalho, se eu seria amiga de Pedro Passos Coelho, e, acrescentavam a tónica de ele viver em Massamá. Este tipo de perguntas (às vezes feitas, outras vezes pensadas em surdina) são tipicamente portuguesas. Claro que respondi o óbvio (para mim): claro que seria. Pedro Passos Coelho é uma pessoa civilizada, inteligente, não vejo uma só razão para não ser uma pessoa a conhecer. Por detrás da pergunta, há também a insinuação de que eu escolho amigos em função de um qualquer estatuto social. A visão da arraia miúda quase sempre se limita a uma aparência associada a uma lógica que lhes é familiar. Aparentemente aquelas pessoas (e muitas outras) acham normal que isso se passe assim, ou seja que o estatuto seja um leitmotiv para as relações humanas.
Pois assim não é. Porque uma coisa é ser elitista e outra coisa é ser snob. Ser elitista é simplesmente gostar do melhor das pessoas, do melhor carácter, da melhor inteligência, do melhor gosto, da maior sensibilidade, da maior generosidade, da maior delicadeza, da melhor estética, do melhor sorriso, do melhor humor, da maior maturidade, do mérito, do melhor aspecto, da melhor voz, das melhores cores, da maior simpatia, do melhor altruísmo, da melhor honestidade, da melhor educação, do mais culto, do mais genial, do mais sensual. Outra coisa é ser preconceituoso, e decidir as pessoas por critérios exteriores a elas e apesar delas. Ser elitista não é o mesmo que ser deslumbrado com coisas fúteis, como apelidos, poder, dinheiro, etc. Não há nada mais saloio do que gostar das pessoas em função de estatutos.
E já agora, pior do que os snobs históricos (os preconceitos também são um factor cultural que passa de gerações em gerações), só os novos snobs, que são desprovidos da humanidade que existe nos outros.