sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O sofá encarnado do Rei Filipe de Espanha, o humor espanhol!



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Desejo e vontade

" É um erro confundir o desejar com o querer.
O desejo mede obstáculos; a vontade vence-os."
Alexandre Herculano

Desejo e vontade

" É um erro confundir o desejar com o querer.
O desejo mede obstáculos; a vontade vence-os."
Alexandre Herculano

Espírito Santo, fim de uma novela que só não teve casos de amor: Inferno T4 Ep77


 

Espírito Santo, fim de uma novela que só não teve casos de amor: Inferno T4 Ep77


 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

I don´t know how to love him


 

I don´t know how to love him


 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Joaquim Goes, o único sem agendas pessoais

De todas as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES a única limpa é a de Joaquim Goes. E perguntam vocês, limpa de quê? Limpa de agendas próprias, de recados, de rancores, limpa de objectivos. 


Joaquim Goes, não vinha com alvos na manga, nem vinha com vinganças e ajustes de contas na agenda, nem vinha com protegidos a defender. Vinha simplesmente responder às perguntas com o máximo da objectividade, sinceridade e técnica. É o único que parece perceber tanto de banca que não tem de provar que tem imensos conhecimentos técnicos, nem ofuscar com termos técnicos e anglicismos, é o único que não tem de ofuscar com indignações e espantos, 


O que disse de interessante? Desde logo desmontou os argumentos de Álvaro Sobrinho.


Angola era o quinto maior país importador. É natural que sejam dadas cartas de crédito abertas a favor de entidades exportadoras portuguesas a pedido das importadoras angolanas. Mas ao contrário do que foi dito (por Álvaro Sobrinho) isso não explica a grande parte dos créditos problemáticos (incobráveis) do BESA.


Até que ponto o BESA controlava a actividade dos clientes importadores? Saberia o BESA se essas entidades tinham actividade que justificasse os pedidos de cartas de crédito? 


Álvaro Sobrinho também disse, na sua audição a 18 de Dezembro, que o BES tinha uma linha de financiamento com 3,3 mil milhões de euros ao BESA mas que esse valor nunca chegou ao BESA e que, além disso, teve de pagar juros de 700 milhões de euros. "Pode ficar depreendido que o BES, como um todo, estava a tirar partido dessas taxas. Mas não é assim", comentou Joaquim Goes, rejeitando a ideia: "não quer dizer que os juros tenham sido pagos (pelo menos metade dos 700 milhões não foram)". Podem ter sido acrescentados à própria linha, admitiu. "os juros (devidos pelo BESA ao BES ) foram acumulando. Uma parte significativa do aumento da exposição foi por esta via". 
O aumento da exposição do BES à ESFG. No fim de Junho Ricardo Salgado deu uma ordem ao BES para reforçar a garantia dada pela ESFG ao banco Nomura, que tinha sido dada para um empréstimo à holding financeira do GES. Tinha dado 5% do BES, mas a desvalorização das acções fez com que o momento trigger fosse atingido e o CEO do banco deu uma instrução directa para o banco reforçar a garantia. Violando assim a regra imposta pelo Banco de Portugal.


Defendeu, pela primeira vez alguém o fez, que devia ter sido dada a mesma atenção que foi dada ao BES à ESFG. Devia também aqui ter sido criada uma comissão para partes relacionadas, por exemplo. Foi aqui que tudo começou a falhar, porque a exposição da ESFG ao GES não cumpriu as recomendações do Banco de Portugal.


Sobre a Escom revelou que apesar de a venda ter ficado adiada, contabilizou-se como tendo sido feita e por isso a Escom escapou às limitações enquanto parte relacionada (e à respectiva comissão de acompanhamento das partes relacionadas). Só em Julho é que foi reconhecida a exposição do BES à Escom. 


A Promovalor de Luís Filipe Vieira, cliente do BES, vendeu alguns activos à BES Vida. Os créditos de 600 milhões do BES ao presidente do Benfica foram reestruturados.


Estas e muitas outras novidades fazem da audição a Joaquim Goes a mais importante.


Joaquim Goes explicou ainda que a nota dada ao risco de incumprimento da ESI andava na casa de 1% para um ano, mas podia ir até 5,5%. E que a ESI tinha uma situação positiva no fim de 2012, pelas contas então conhecidas.


Explicou que Ricardo Salgado pediu directamente ao director do risco o rating da ESI em 2012. 

Joaquim Goes, o único sem agendas pessoais

De todas as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES a única limpa é a de Joaquim Goes. E perguntam vocês, limpa de quê? Limpa de agendas próprias, de recados, de rancores, limpa de objectivos. 


Joaquim Goes, não vinha com alvos na manga, nem vinha com vinganças e ajustes de contas na agenda, nem vinha com protegidos a defender. Vinha simplesmente responder às perguntas com o máximo da objectividade, sinceridade e técnica. É o único que parece perceber tanto de banca que não tem de provar que tem imensos conhecimentos técnicos, nem ofuscar com termos técnicos e anglicismos, é o único que não tem de ofuscar com indignações e espantos, 


O que disse de interessante? Desde logo desmontou os argumentos de Álvaro Sobrinho.


Angola era o quinto maior país importador. É natural que sejam dadas cartas de crédito abertas a favor de entidades exportadoras portuguesas a pedido das importadoras angolanas. Mas ao contrário do que foi dito (por Álvaro Sobrinho) isso não explica a grande parte dos créditos problemáticos (incobráveis) do BESA.


Até que ponto o BESA controlava a actividade dos clientes importadores? Saberia o BESA se essas entidades tinham actividade que justificasse os pedidos de cartas de crédito? 


Álvaro Sobrinho também disse, na sua audição a 18 de Dezembro, que o BES tinha uma linha de financiamento com 3,3 mil milhões de euros ao BESA mas que esse valor nunca chegou ao BESA e que, além disso, teve de pagar juros de 700 milhões de euros. "Pode ficar depreendido que o BES, como um todo, estava a tirar partido dessas taxas. Mas não é assim", comentou Joaquim Goes, rejeitando a ideia: "não quer dizer que os juros tenham sido pagos (pelo menos metade dos 700 milhões não foram)". Podem ter sido acrescentados à própria linha, admitiu. "os juros (devidos pelo BESA ao BES ) foram acumulando. Uma parte significativa do aumento da exposição foi por esta via". 
O aumento da exposição do BES à ESFG. No fim de Junho Ricardo Salgado deu uma ordem ao BES para reforçar a garantia dada pela ESFG ao banco Nomura, que tinha sido dada para um empréstimo à holding financeira do GES. Tinha dado 5% do BES, mas a desvalorização das acções fez com que o momento trigger fosse atingido e o CEO do banco deu uma instrução directa para o banco reforçar a garantia. Violando assim a regra imposta pelo Banco de Portugal.


Defendeu, pela primeira vez alguém o fez, que devia ter sido dada a mesma atenção que foi dada ao BES à ESFG. Devia também aqui ter sido criada uma comissão para partes relacionadas, por exemplo. Foi aqui que tudo começou a falhar, porque a exposição da ESFG ao GES não cumpriu as recomendações do Banco de Portugal.


Sobre a Escom revelou que apesar de a venda ter ficado adiada, contabilizou-se como tendo sido feita e por isso a Escom escapou às limitações enquanto parte relacionada (e à respectiva comissão de acompanhamento das partes relacionadas). Só em Julho é que foi reconhecida a exposição do BES à Escom. 


A Promovalor de Luís Filipe Vieira, cliente do BES, vendeu alguns activos à BES Vida. Os créditos de 600 milhões do BES ao presidente do Benfica foram reestruturados.


Estas e muitas outras novidades fazem da audição a Joaquim Goes a mais importante.


Joaquim Goes explicou ainda que a nota dada ao risco de incumprimento da ESI andava na casa de 1% para um ano, mas podia ir até 5,5%. E que a ESI tinha uma situação positiva no fim de 2012, pelas contas então conhecidas.


Explicou que Ricardo Salgado pediu directamente ao director do risco o rating da ESI em 2012. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Num ano tão mau a música ainda salvará alguma coisa?


 Para a vossa salvação carreguem aqui.

Num ano tão mau a música ainda salvará alguma coisa?


 Para a vossa salvação carreguem aqui.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Futuro de Portugal, um oráculo

 



O futuro do país vai ser: chineses e angolanos no topo da sociedade a gerir empresas, hospitais, bancos, etc e a velha elite a fazer bolos para fora e a organizar eventos.


Teremos ainda espanhóis, que ouviram falar do Santini, no Chiado em compras desenfreadas. A Comporta partilhada entre alemães e brasileiros. O Algarve continuará inglês.


Haverá uns guetos de pessoas conservadoras, discretas e austeras, que continuarão a sentir-se o último reduto do bom gosto, a frequentarem restaurantes em conta, e viciados em low-cost. 


As pessoas do leste continuarão operários.


P.S. É favor ler com ironia  

Futuro de Portugal, um oráculo

 



O futuro do país vai ser: chineses e angolanos no topo da sociedade a gerir empresas, hospitais, bancos, etc e a velha elite a fazer bolos para fora e a organizar eventos.


Teremos ainda espanhóis, que ouviram falar do Santini, no Chiado em compras desenfreadas. A Comporta partilhada entre alemães e brasileiros. O Algarve continuará inglês.


Haverá uns guetos de pessoas conservadoras, discretas e austeras, que continuarão a sentir-se o último reduto do bom gosto, a frequentarem restaurantes em conta, e viciados em low-cost. 


As pessoas do leste continuarão operários.


P.S. É favor ler com ironia  

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Puro veneno

Os óculos de Amílcar Morais Pires não serão de Ricardo Salgado?



 


Puro veneno

Os óculos de Amílcar Morais Pires não serão de Ricardo Salgado?



 


Commissaire aux comptes

FranciscoMachadodaCruz.jpg


 


Francisco Machado da Cruz ofereceu-se para ir à Comissão Parlamentar de Inquérito responder. O homem que possui a chave da derrocada do Grupo Espírito Santo é fundamental para perceber tudo sobre o GES.


Há muitas perguntas a fazer ao contabilista da ES International, entre elas:


1 - Quais eram os vários cargos que desempenhava nas empresas do GES? 


2 - O que era e o que fazia a ES International, ou seja, qual era a actividade desta sociedade?


3 - Que tipo de operações fez na ES International? 


4 - Como escondeu o passivo?


5 - Quem lhe pediu para fazer essas operações?


6 - Com quem discutia as contas?


7 - Qual era o papel de Ricardo Salgado na gestão da ESI?


8 - Qual era o papel de José Castella na gestão da ESI?


9 - Quais são os accionistas da ESI?


10 - Os accionistas da ESI recebiam crédito dos bancos do grupo para ir aos aumentos de capital?


10 - Qual é a relação da ESI com a Control? Financiou-a?


11 - Há quanto tempo fazia operações para esconder passivo?


12 - Porque nunca consolidaram as contas?


13 - Qual a relação da ES International com a Eurofin? Há cerca de 800 milhões que foram pagos pela ESI à Eurofin, porquê?


14 - Quando se demite? Porque é que se demite nessa altura e porque assume as culpas sozinho? 


15 - Ricardo Salgado prometeu-lhe uma indemnização? De quanto? 


16 - Sabemos que não recebeu logo a indemnização, recebeu mais tarde?


17 - Porque muda de depoimento entre as declarações aos advogados e as declarações à comissão de auditoria da ESFG?


18 - Quem financiava a ESI? 


19 - O que era a ES Enterprises?

Commissaire aux comptes

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Francisco Machado da Cruz ofereceu-se para ir à Comissão Parlamentar de Inquérito responder. O homem que possui a chave da derrocada do Grupo Espírito Santo é fundamental para perceber tudo sobre o GES.


Há muitas perguntas a fazer ao contabilista da ES International, entre elas:


1 - Quais eram os vários cargos que desempenhava nas empresas do GES? 


2 - O que era e o que fazia a ES International, ou seja, qual era a actividade desta sociedade?


3 - Que tipo de operações fez na ES International? 


4 - Como escondeu o passivo?


5 - Quem lhe pediu para fazer essas operações?


6 - Com quem discutia as contas?


7 - Qual era o papel de Ricardo Salgado na gestão da ESI?


8 - Qual era o papel de José Castella na gestão da ESI?


9 - Quais são os accionistas da ESI?


10 - Os accionistas da ESI recebiam crédito dos bancos do grupo para ir aos aumentos de capital?


10 - Qual é a relação da ESI com a Control? Financiou-a?


11 - Há quanto tempo fazia operações para esconder passivo?


12 - Porque nunca consolidaram as contas?


13 - Qual a relação da ES International com a Eurofin? Há cerca de 800 milhões que foram pagos pela ESI à Eurofin, porquê?


14 - Quando se demite? Porque é que se demite nessa altura e porque assume as culpas sozinho? 


15 - Ricardo Salgado prometeu-lhe uma indemnização? De quanto? 


16 - Sabemos que não recebeu logo a indemnização, recebeu mais tarde?


17 - Porque muda de depoimento entre as declarações aos advogados e as declarações à comissão de auditoria da ESFG?


18 - Quem financiava a ESI? 


19 - O que era a ES Enterprises?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Com a verdade me enganas


Vinha com alvos marcados. Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal); Pedro Passos Coelho e a Ministra das Finanças. Vinha também mentalizado para não atirar à família, quase conseguiu. Enquanto assisti na televisão, Ricardo Salgado fugiu sempre às perguntas sobre José Maria Ricciardi e assim foi durante toda a tarde. Ao fim do dia fui ao Parlamento assistir ao vivo. Logo por coincidência foi nessa altura que se deu o rompimento do compromisso de não agressão. As promessas foram feitas para se quebrarem e Ricardo Salgado lá perdeu às tantas as estribeiras com as questões sobre as denúncias do primo ao Banco de Portugal. «O doutor Ricciardi teve um comportamento, no mínimo, curioso face ao que deveria ter tido. Se José Maria Ricciardi fez alguma denúncia ao Banco de Portugal é capaz de ter tido alguma contrapartida por isso». «Infame», respondeu mais tarde o primo. 


"As denúncias ao Banco de Portugal decorrem do dever de diligência que compete a qualquer administrador", justificou José Maria Ricciardi.


Ricardo Salgado, nunca perdeu a calma, manteve o mesmo estilo de sempre, agora menos eficaz, é certo, de elogiar os adversários, para os aveludar. O mais óbvio em Ricardo Salgado é a educação perfeita que passa quase a fronteira para uma espécie de um cinismo cómico. Carrega-se de elogios aos adversários a fazer lembrar as crónicas de Camilo Castelo Branco.


Ricardo Salgado aproveitou todas as oportunidades para atingir Carlos Costa. Apostou em duas coisas: na quantidade de críticos ao Governador que se acumulam pelas perdas do caso BES e na vontade dos deputados da oposição de entalar Carlos Costa como forma de fragilizar o Governo. Apostou ainda nos lamentos de Vítor Bento e da sua equipe à Resolução do BES. «O BES não faliu, foi obrigado a desaparecer». De todas as coisas que disse quase todas iam parar ao Governador do Banco de Portugal esse seu grande inimigo, esse grande inimigo do BES. 


As mais evidentes são quando diz que "nunca o Governador me disse que me queria retirar idoneidade". O Governador acabou por desmentir Ricardo Salgado por carta à Comissão de Inquérito. Esta afirmação é paradigmática da táctica de Ricardo Salgado. Carlos Costa nunca lhe disse de caras e de frente: saia do BES porque não lhe vou dar a idoneidade agora que fui chamado a reavaliá-la por causa das eleições no BESI. Por isso a frase de Ricardo Salgado não é inventada. Mas evidentemente que a insistência de Carlos Costa em mudar o modelo de Governo, a insistência para que fosse em Maio (depois adiado para depois do aumento de capital), a insistência em tirar a família do board do BES, a dificuldade em revalidar a idoneidade aos administradores da família no BESI (mais tarde revalida-a apenas para José Maria Ricciardi), eram sinais evidentes de que a idoneidade estava em causa. Aliás o pedido de pareceres jurídicos a catedráticos, apoiado em jurisprudência do STA, a defender a sua idoneidade é a prova cabal de que havia a ameaça de perda de idoneidade. 


«Nunca por nunca pus obstáculos à mudança de Governance» disse o banqueiro. Mas a verdade é que em Maio estava a dizer que não sentia que devesse sair do BES, numa entrevista no Jornal de Negócios. 


Depois quando aceitou ser sucedido sugeriu Amílcar Morais Pires. Aproveitou para entalar o Governador dizendo que nunca Carlos Costa vetou o nome do CFO para presidente do BES. Citando de memória que Carlos Costa sempre lhe garantiu que era competência sua a escolha do sucessor. Mais à frente diz que levou dois nomes ao Governador: Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes e acaba por revelar uma coisa que contraria o que tinha dito anteriormente sobre a aceitação de Morais Pires. Diz que o Governador lhe disse que a área da supervisão preferia Joaquim Goes. Mas Ricardo Salgado argumentou com a instabilidade financeira e com a aproximação de um aumento de capital do BES para defender Amílcar Morais Pires como CEO. Ou seja, Joaquim Goes estava ali para disfarçar.


Ricardo Salgado nunca desarmou na sua luta contra o Governador, disse que, depois de Março de 2014, o Banco de Portugal iniciou "persuasão moral" para a sua saída da liderança do banco. Mas que seria mais uma pressão. O que contraria a ideia anterior que nunca soube que o Banco de Portugal queria que saísse, se soubesse «tinha saído na hora». «Bastaria um sinal [do Banco de Portugal] para eu abandonar a liderança do banco». Penso que não faltaram sinais.


"Um nome pode ser apagado da fachada de um banco, mas não da memória de uma família com 145 anos" e "Lamento que se tenha trocado uma marca com 145 anos por uma marca branca", foram as frases célebres do Ricardo Salgado. 


Depois desmentiu que fosse o autor da falsificação das contas da ES International: "Posso garantir aos senhores deputados que nunca dei indicações a ninguém para ocultar passivos do Grupo". Francisco Machado da Cruz é que escondeu o passivo. O contabilista da ESI chegou a garantir que Ricardo Salgado sabia desde 2008 da ocultação de passivos do grupo, mais tarde disse o contrário na comissão da auditoria da ESFG, voltou à mesma tese inicial nas declarações ao Banco de Portugal e ao Ministério Público. 


Ricardo Salgado diz que o contabilista fez isso para bem do grupo. É caso para dizer que o contabilista deu um jeitão.


Bom, aqui voltamos ao com a verdade me enganas. Poderá Ricardo Salgado ter pedido para esconderem passivos? Talvez não. Mas poderá ter pedido ao Francisco que visse uma maneira de não serem (BES) intervencionados pelo Estado. Francisco Machado Cruz quis agradar, e Ricardo Salgado gostou de ser agradado. Sem se comprometer com medidas concretas.


Sabia das dívidas escondidas? Muito provavelmente sim.


Sabia que as contas da ESI não eram consolidadas? Sabia.


 


Foi no entanto desmentido rapidamente por José Maria Ricciardi que diz ter falado com Francisco Machado Cruz, em Lisboa, e que este lhe disse que não actuou por sua iniciativa. Depois de Ricardo Salgado ter falado, Francisco Machado Cruz, que estava incontactável, apressou-se a contactar a Comissão de Inquérito e vai lá. O circo vai pegar fogo.


No dia a seguir Pedro Queiroz Pereira disse que discutiu várias vezes a falta de consolidação de contas nas holdings Espírito Santo com Ricardo Salgado, desmentindo assim o que disse ontem o banqueiro. 


Outra contradição. Ricardo Salgado disse que nem sabia que estava a ser gravado. José Maria Ricciardi apressou-se a ironizar. «Acho extraordinário não se saber, pois as reuniões do Conselho Superior eram gravadas no centro da mesa, onde havia um gravador visível». José Castella usava as gravações para fazer as actas. 


 


Várias vezes, o ex-presidente do BES disse que "ninguém se apropriou de um tostão, nem na administração, nem na família", penso que ninguém acha que houve uma apropriação pessoal de dinheiros por parte da família. O problema é outro, é até onde se foi e o que se fez e quantas pessoas se prejudicou para manter o Grupo Espírito Santo nas mãos da família. 


Ficámos a saber também que não houve nenhum político a receber uma comissão pela venda dos submarinos, com muita pena da oposição. "A garantia que tenho dos administradores da Escom é que não foram pagas comissões a quem quer que seja a nível político", disse.


De Angola e do caso BESA pouco se soube. O banqueiro argumentou com uma regra bancária angolana de obrigatoriedade de sigilo.


Ricardo Salgado disse também não se lembrar de quem eram os accionistas minoritários da ESI. Eu não acredito nisto.


Parece haver uma protecção aos generais angolanos em todo o discurso de Ricardo Salgado.


Álvaro Sobrinho vai à comissão responder aos deputados. Mas terá liberdade para falar do que se passou o BESA? Eis a questão. 


"Houve um erro de julgamento na indicação da pessoa que foi para Presidente da Comissão Executiva do BESA [Álvaro Sobrinho]", disse Ricardo Salgado, sugerindo que foi atacado pelos jornais (Sol e i) que são detidos pelo empresário angolano. A propósito disto disse que ter jornais ia contra a "tradição/regra" do grupo BES, disse o banqueiro lembrando que "apenas" tinha ajudado Balsemão a montar a SIC e o coronel Luís Silva com os jornais DN e JN. Sobre isto não comento. 


Ricardo Salgado revelou ainda que foram feitas ameaças físicas quando teve de tirar Sobrinho do BESA.


O banqueiro atirou a matar também ao primeiro ministro Pedro Passos Coelho porque este recusou dar-lhe uma ajuda ao GES - uma ajuda "temporária". Passos Coelho devolveu a carta enviada por Ricardo Salgado quando em Março o quis alertar para o risco sistémico e os riscos de Angola perder a garantia bancária. 


Ricardo Salgado tem a convicção profunda que estiveram a um passo de salvar o Grupo. Faltou o aumento de capital da Rioforte que esteve quase a ser concretizado. "A sentença de morte veio quando não foi possível fazer o aumento de capital da Rioforte", disse. Enfim, a mesma convicção que o levou a meter toda a gente à última da hora naquele buraco. O ring fencing é que matou o GES, pensa e diz Ricardo Salgado.


"Perdoarão pois que ouse continuar a pensar que, modestamente servi, com idoneidade, nas tarefas que me foram confiadas no exercício da minha profissão ao longo de 40 anos", disse o banqueiro. 


 


Ricardo Salgado recusou mais uma vez falar sobre os 14 milhões recebidos do construtor José Guilherme, invocando segredo de justiça (nunca o Monte Branco lhe deu tanto jeito). Mas disse que o construtor era seu amigo desde os anos 70 e que é mais credor do que devedor do BES. 


Faltou falar sobre os clientes. Porque é que depois de ser conhecida a proibição da venda de papel comercial aos balcões do BES a ESFG continuou a distribuí-los nos seus bancos da Suíça, Dubai, Miami, etc? Ninguém parece quer saber dos clientes. 


 Faltou ainda perguntar a Ricardo Salgado porque é que a Tranquilidade investiu em papel comercial da Rioforte acabando por levar a companhia a uma situação de insolvência? De quem partiu a ordem para esse investimento e a quem foi dada?


Ricardo Salgado explicou e bem, e depois José Maria Ricciardi completou, o circuito das obrigações de longo prazo a cupão zero. O acordo de recompra foi já executado no reinado de Vítor Bento. A recompra permitiu salvar os clientes que estavam numa SPV do Crédit Suisse e por isso não iam ser abrangidos pela provisão imposta pelo Banco de Portugal. Mas porquê aqueles clientes? Porque não todos? Quem eram aqueles clientes que Ricardo Salgado teve a preocupação em salvar, criando um buraco no BES de 780 milhões?


«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer». Foi forçado? A tese é que as provisões eram exageradas para criar um prejuízo de 3,6 mil milhões de euros no BES, o que levou à situação de insolvência do banco (capitais abaixo dos mínimos). Mas e a que se devem tantas provisões?


É preciso não esquecer que as provisões foram recomendadas pela auditora. 


Outras frases a reter:


"Tenho uma carga pesadíssima em cima de mim. Há responsabilidades do nosso lado. Mas também há responsabilidades de outros lados", disse sem explicar para não atacar a família. 


"Nunca fui uma pessoa presunçosa", disse o banqueiro e isso parece-me bastante sincero.


 "Esta classificação do 'dono disto tudo' é irrisória. Para mim, 'dono disto tudo' é o povo português", é uma frase de campanha. 


 


José Maria Ricciardi veio a seguir com aquela sinceridade desconcertante que eu descrevo no meu livro (que aliás tem muito do que se tem revelado nesta comissão de inquérito). Pedro Queiroz Pereira chega a dizer que é uma pessoa aberta «não tão aberta como José Maria Ricciardi», disse em tom irónico. Por aí podem ver a fama que o banqueiro Ricciardi tem. Mas a verdade é que Pêquêpê também disse aos deputados que as irmãs de Ricardo Salgado faziam bolos para fora, o que não abona nada a favor da discrição. É certo que foi dito para desmentir as boas intenções de Ricardo Salgado em ajudar as irmãs, quando entrou pelas holdings Queiroz Pereira a dentro. Na verdade para Pêquêpê, que disse que Ricardo Salgado tinha um problema com a verdade, o banqueiro queria era usar o cash flow das suas empresas para salvar o universo GES então enterrado em dívidas, e ainda nem se tinha descoberto o passivo oculto. Mas é preciso que se diga que Ricardo Salgado sempre ajudou as irmãs. Pedro Queiroz Pereira não tem razão aqui.


As audições de Álvaro Sobrinho e de Francisco Machado da Cruz serão muito importantes. 


Os motivos políticos que precederam esta comissão correm o risco de ficarem esvaziados. 

Com a verdade me enganas


Vinha com alvos marcados. Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal); Pedro Passos Coelho e a Ministra das Finanças. Vinha também mentalizado para não atirar à família, quase conseguiu. Enquanto assisti na televisão, Ricardo Salgado fugiu sempre às perguntas sobre José Maria Ricciardi e assim foi durante toda a tarde. Ao fim do dia fui ao Parlamento assistir ao vivo. Logo por coincidência foi nessa altura que se deu o rompimento do compromisso de não agressão. As promessas foram feitas para se quebrarem e Ricardo Salgado lá perdeu às tantas as estribeiras com as questões sobre as denúncias do primo ao Banco de Portugal. «O doutor Ricciardi teve um comportamento, no mínimo, curioso face ao que deveria ter tido. Se José Maria Ricciardi fez alguma denúncia ao Banco de Portugal é capaz de ter tido alguma contrapartida por isso». «Infame», respondeu mais tarde o primo. 


"As denúncias ao Banco de Portugal decorrem do dever de diligência que compete a qualquer administrador", justificou José Maria Ricciardi.


Ricardo Salgado, nunca perdeu a calma, manteve o mesmo estilo de sempre, agora menos eficaz, é certo, de elogiar os adversários, para os aveludar. O mais óbvio em Ricardo Salgado é a educação perfeita que passa quase a fronteira para uma espécie de um cinismo cómico. Carrega-se de elogios aos adversários a fazer lembrar as crónicas de Camilo Castelo Branco.


Ricardo Salgado aproveitou todas as oportunidades para atingir Carlos Costa. Apostou em duas coisas: na quantidade de críticos ao Governador que se acumulam pelas perdas do caso BES e na vontade dos deputados da oposição de entalar Carlos Costa como forma de fragilizar o Governo. Apostou ainda nos lamentos de Vítor Bento e da sua equipe à Resolução do BES. «O BES não faliu, foi obrigado a desaparecer». De todas as coisas que disse quase todas iam parar ao Governador do Banco de Portugal esse seu grande inimigo, esse grande inimigo do BES. 


As mais evidentes são quando diz que "nunca o Governador me disse que me queria retirar idoneidade". O Governador acabou por desmentir Ricardo Salgado por carta à Comissão de Inquérito. Esta afirmação é paradigmática da táctica de Ricardo Salgado. Carlos Costa nunca lhe disse de caras e de frente: saia do BES porque não lhe vou dar a idoneidade agora que fui chamado a reavaliá-la por causa das eleições no BESI. Por isso a frase de Ricardo Salgado não é inventada. Mas evidentemente que a insistência de Carlos Costa em mudar o modelo de Governo, a insistência para que fosse em Maio (depois adiado para depois do aumento de capital), a insistência em tirar a família do board do BES, a dificuldade em revalidar a idoneidade aos administradores da família no BESI (mais tarde revalida-a apenas para José Maria Ricciardi), eram sinais evidentes de que a idoneidade estava em causa. Aliás o pedido de pareceres jurídicos a catedráticos, apoiado em jurisprudência do STA, a defender a sua idoneidade é a prova cabal de que havia a ameaça de perda de idoneidade. 


«Nunca por nunca pus obstáculos à mudança de Governance» disse o banqueiro. Mas a verdade é que em Maio estava a dizer que não sentia que devesse sair do BES, numa entrevista no Jornal de Negócios. 


Depois quando aceitou ser sucedido sugeriu Amílcar Morais Pires. Aproveitou para entalar o Governador dizendo que nunca Carlos Costa vetou o nome do CFO para presidente do BES. Citando de memória que Carlos Costa sempre lhe garantiu que era competência sua a escolha do sucessor. Mais à frente diz que levou dois nomes ao Governador: Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes e acaba por revelar uma coisa que contraria o que tinha dito anteriormente sobre a aceitação de Morais Pires. Diz que o Governador lhe disse que a área da supervisão preferia Joaquim Goes. Mas Ricardo Salgado argumentou com a instabilidade financeira e com a aproximação de um aumento de capital do BES para defender Amílcar Morais Pires como CEO. Ou seja, Joaquim Goes estava ali para disfarçar.


Ricardo Salgado nunca desarmou na sua luta contra o Governador, disse que, depois de Março de 2014, o Banco de Portugal iniciou "persuasão moral" para a sua saída da liderança do banco. Mas que seria mais uma pressão. O que contraria a ideia anterior que nunca soube que o Banco de Portugal queria que saísse, se soubesse «tinha saído na hora». «Bastaria um sinal [do Banco de Portugal] para eu abandonar a liderança do banco». Penso que não faltaram sinais.


"Um nome pode ser apagado da fachada de um banco, mas não da memória de uma família com 145 anos" e "Lamento que se tenha trocado uma marca com 145 anos por uma marca branca", foram as frases célebres do Ricardo Salgado. 


Depois desmentiu que fosse o autor da falsificação das contas da ES International: "Posso garantir aos senhores deputados que nunca dei indicações a ninguém para ocultar passivos do Grupo". Francisco Machado da Cruz é que escondeu o passivo. O contabilista da ESI chegou a garantir que Ricardo Salgado sabia desde 2008 da ocultação de passivos do grupo, mais tarde disse o contrário na comissão da auditoria da ESFG, voltou à mesma tese inicial nas declarações ao Banco de Portugal e ao Ministério Público. 


Ricardo Salgado diz que o contabilista fez isso para bem do grupo. É caso para dizer que o contabilista deu um jeitão.


Bom, aqui voltamos ao com a verdade me enganas. Poderá Ricardo Salgado ter pedido para esconderem passivos? Talvez não. Mas poderá ter pedido ao Francisco que visse uma maneira de não serem (BES) intervencionados pelo Estado. Francisco Machado Cruz quis agradar, e Ricardo Salgado gostou de ser agradado. Sem se comprometer com medidas concretas.


Sabia das dívidas escondidas? Muito provavelmente sim.


Sabia que as contas da ESI não eram consolidadas? Sabia.


 


Foi no entanto desmentido rapidamente por José Maria Ricciardi que diz ter falado com Francisco Machado Cruz, em Lisboa, e que este lhe disse que não actuou por sua iniciativa. Depois de Ricardo Salgado ter falado, Francisco Machado Cruz, que estava incontactável, apressou-se a contactar a Comissão de Inquérito e vai lá. O circo vai pegar fogo.


No dia a seguir Pedro Queiroz Pereira disse que discutiu várias vezes a falta de consolidação de contas nas holdings Espírito Santo com Ricardo Salgado, desmentindo assim o que disse ontem o banqueiro. 


Outra contradição. Ricardo Salgado disse que nem sabia que estava a ser gravado. José Maria Ricciardi apressou-se a ironizar. «Acho extraordinário não se saber, pois as reuniões do Conselho Superior eram gravadas no centro da mesa, onde havia um gravador visível». José Castella usava as gravações para fazer as actas. 


 


Várias vezes, o ex-presidente do BES disse que "ninguém se apropriou de um tostão, nem na administração, nem na família", penso que ninguém acha que houve uma apropriação pessoal de dinheiros por parte da família. O problema é outro, é até onde se foi e o que se fez e quantas pessoas se prejudicou para manter o Grupo Espírito Santo nas mãos da família. 


Ficámos a saber também que não houve nenhum político a receber uma comissão pela venda dos submarinos, com muita pena da oposição. "A garantia que tenho dos administradores da Escom é que não foram pagas comissões a quem quer que seja a nível político", disse.


De Angola e do caso BESA pouco se soube. O banqueiro argumentou com uma regra bancária angolana de obrigatoriedade de sigilo.


Ricardo Salgado disse também não se lembrar de quem eram os accionistas minoritários da ESI. Eu não acredito nisto.


Parece haver uma protecção aos generais angolanos em todo o discurso de Ricardo Salgado.


Álvaro Sobrinho vai à comissão responder aos deputados. Mas terá liberdade para falar do que se passou o BESA? Eis a questão. 


"Houve um erro de julgamento na indicação da pessoa que foi para Presidente da Comissão Executiva do BESA [Álvaro Sobrinho]", disse Ricardo Salgado, sugerindo que foi atacado pelos jornais (Sol e i) que são detidos pelo empresário angolano. A propósito disto disse que ter jornais ia contra a "tradição/regra" do grupo BES, disse o banqueiro lembrando que "apenas" tinha ajudado Balsemão a montar a SIC e o coronel Luís Silva com os jornais DN e JN. Sobre isto não comento. 


Ricardo Salgado revelou ainda que foram feitas ameaças físicas quando teve de tirar Sobrinho do BESA.


O banqueiro atirou a matar também ao primeiro ministro Pedro Passos Coelho porque este recusou dar-lhe uma ajuda ao GES - uma ajuda "temporária". Passos Coelho devolveu a carta enviada por Ricardo Salgado quando em Março o quis alertar para o risco sistémico e os riscos de Angola perder a garantia bancária. 


Ricardo Salgado tem a convicção profunda que estiveram a um passo de salvar o Grupo. Faltou o aumento de capital da Rioforte que esteve quase a ser concretizado. "A sentença de morte veio quando não foi possível fazer o aumento de capital da Rioforte", disse. Enfim, a mesma convicção que o levou a meter toda a gente à última da hora naquele buraco. O ring fencing é que matou o GES, pensa e diz Ricardo Salgado.


"Perdoarão pois que ouse continuar a pensar que, modestamente servi, com idoneidade, nas tarefas que me foram confiadas no exercício da minha profissão ao longo de 40 anos", disse o banqueiro. 


 


Ricardo Salgado recusou mais uma vez falar sobre os 14 milhões recebidos do construtor José Guilherme, invocando segredo de justiça (nunca o Monte Branco lhe deu tanto jeito). Mas disse que o construtor era seu amigo desde os anos 70 e que é mais credor do que devedor do BES. 


Faltou falar sobre os clientes. Porque é que depois de ser conhecida a proibição da venda de papel comercial aos balcões do BES a ESFG continuou a distribuí-los nos seus bancos da Suíça, Dubai, Miami, etc? Ninguém parece quer saber dos clientes. 


 Faltou ainda perguntar a Ricardo Salgado porque é que a Tranquilidade investiu em papel comercial da Rioforte acabando por levar a companhia a uma situação de insolvência? De quem partiu a ordem para esse investimento e a quem foi dada?


Ricardo Salgado explicou e bem, e depois José Maria Ricciardi completou, o circuito das obrigações de longo prazo a cupão zero. O acordo de recompra foi já executado no reinado de Vítor Bento. A recompra permitiu salvar os clientes que estavam numa SPV do Crédit Suisse e por isso não iam ser abrangidos pela provisão imposta pelo Banco de Portugal. Mas porquê aqueles clientes? Porque não todos? Quem eram aqueles clientes que Ricardo Salgado teve a preocupação em salvar, criando um buraco no BES de 780 milhões?


«O BES não faliu. O BES foi forçado a desaparecer». Foi forçado? A tese é que as provisões eram exageradas para criar um prejuízo de 3,6 mil milhões de euros no BES, o que levou à situação de insolvência do banco (capitais abaixo dos mínimos). Mas e a que se devem tantas provisões?


É preciso não esquecer que as provisões foram recomendadas pela auditora. 


Outras frases a reter:


"Tenho uma carga pesadíssima em cima de mim. Há responsabilidades do nosso lado. Mas também há responsabilidades de outros lados", disse sem explicar para não atacar a família. 


"Nunca fui uma pessoa presunçosa", disse o banqueiro e isso parece-me bastante sincero.


 "Esta classificação do 'dono disto tudo' é irrisória. Para mim, 'dono disto tudo' é o povo português", é uma frase de campanha. 


 


José Maria Ricciardi veio a seguir com aquela sinceridade desconcertante que eu descrevo no meu livro (que aliás tem muito do que se tem revelado nesta comissão de inquérito). Pedro Queiroz Pereira chega a dizer que é uma pessoa aberta «não tão aberta como José Maria Ricciardi», disse em tom irónico. Por aí podem ver a fama que o banqueiro Ricciardi tem. Mas a verdade é que Pêquêpê também disse aos deputados que as irmãs de Ricardo Salgado faziam bolos para fora, o que não abona nada a favor da discrição. É certo que foi dito para desmentir as boas intenções de Ricardo Salgado em ajudar as irmãs, quando entrou pelas holdings Queiroz Pereira a dentro. Na verdade para Pêquêpê, que disse que Ricardo Salgado tinha um problema com a verdade, o banqueiro queria era usar o cash flow das suas empresas para salvar o universo GES então enterrado em dívidas, e ainda nem se tinha descoberto o passivo oculto. Mas é preciso que se diga que Ricardo Salgado sempre ajudou as irmãs. Pedro Queiroz Pereira não tem razão aqui.


As audições de Álvaro Sobrinho e de Francisco Machado da Cruz serão muito importantes. 


Os motivos políticos que precederam esta comissão correm o risco de ficarem esvaziados. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Crescimento de corais em alta velocidade, um espectáculo da Natureza.


Não são raros os vídeos que mostram o crescimento de flores em alta velocidade. E com corais, já viu? Prepare-se para 3 minutos e 38 segundos de espanto.

Crescimento de corais em alta velocidade, um espectáculo da Natureza.


Não são raros os vídeos que mostram o crescimento de flores em alta velocidade. E com corais, já viu? Prepare-se para 3 minutos e 38 segundos de espanto.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Novo Banco surpreende com rácio de 8,5%


Há duas notícias, uma boa e uma má, sobre o Novo Banco, qual é que prefere ouvir primeiro?


Quatro meses depois da resolução, o Banco de Portugal vai divulgar activos líquidos acima de 70 mil milhões de euros, pondo-a como o terceiro maior banco do sistema português. Isto é, mantém o mesmo lugar no ranking que cabia ao BES. 


Os bancos BPI e Santander, que o cobiçam, têm 40 mil milhões de euros de activos cada um, se o comprarem ficam o maior banco português acima da Caixa Geral de Depósitos que tem 100 mil milhões de euros de activos.


O rácio mínimo de capital exigido pelo BCE para a banca europeia, que é de 8%, é ultrapassado pelo Novo Banco que tem 8,5%.


Os depósitos estão a recuperar, diz Eduardo Stock da Cunha.


A má notícia é que a litigância já começou. O gestor de falência nomeado pelo Tribunal luxemburguês quer anular a resolução do BES, determinada pelo Banco de Portugal, e, como consequência, extinguir o Novo Banco. Quer recuperar os activos e os passivos e anular todo o processo.



Laurence Jacques foi nomeado pelo Tribunal do Luxemburgo como gestor de falência da "holding". Neste âmbito, o seu objectivo é tentar recuperar activos e proteger "exclusivamente" os interesses dos credores da Espírito Santo Financial Group (ESFG). É este gestor de falência da ESFG que decidiu interpor dois processos no Tribunal Administrativo de Lisboa. pois "acredita que a decisão do Banco de Portugal de resolução do BES, tomada a 3 de Agosto, é ilegal", uma vez que, de acordo com especialistas, "viola a Constituição portuguesa e a lei da UE." Acima de tudo, a resolução do BES é "ilegalmente danosa para a ESFG como accionista do BES e para os seus credores", de acordo com a PLMJ – Sociedade de Advogados, que será o representante da ESFG em Portugal e terá a missão de tratar dos processos interpostos pelo gestor de falência da ESFG. Um processo pede para que seja declarado "nula e vazia a decisão de resolução do BES adoptada pelo Banco de Portugal" e "consequentemente a extinção do Novo Banco", bem como transferência de "todos os activos e responsabilidade do Novo Banco (ou o seu valor)" de volta para o BES.


Emerge uma questão. Quem suportará este ónus na venda do Novo Banco?


 O segundo processo quer que seja determinada a nulidade "da decisão adoptada pelo Banco de Portugal a 30 de Julho de 2014 de suspender os direitos de voto da ESFG no BES e recuperar o exercício irrestrito dos direitos de votos directos e indirectos do BES." 


Os accionistas do BES perderam tudo. O BES era o melhor activo da ESFG.


Novo Banco surpreende com rácio de 8,5%


Há duas notícias, uma boa e uma má, sobre o Novo Banco, qual é que prefere ouvir primeiro?


Quatro meses depois da resolução, o Banco de Portugal vai divulgar activos líquidos acima de 70 mil milhões de euros, pondo-a como o terceiro maior banco do sistema português. Isto é, mantém o mesmo lugar no ranking que cabia ao BES. 


Os bancos BPI e Santander, que o cobiçam, têm 40 mil milhões de euros de activos cada um, se o comprarem ficam o maior banco português acima da Caixa Geral de Depósitos que tem 100 mil milhões de euros de activos.


O rácio mínimo de capital exigido pelo BCE para a banca europeia, que é de 8%, é ultrapassado pelo Novo Banco que tem 8,5%.


Os depósitos estão a recuperar, diz Eduardo Stock da Cunha.


A má notícia é que a litigância já começou. O gestor de falência nomeado pelo Tribunal luxemburguês quer anular a resolução do BES, determinada pelo Banco de Portugal, e, como consequência, extinguir o Novo Banco. Quer recuperar os activos e os passivos e anular todo o processo.



Laurence Jacques foi nomeado pelo Tribunal do Luxemburgo como gestor de falência da "holding". Neste âmbito, o seu objectivo é tentar recuperar activos e proteger "exclusivamente" os interesses dos credores da Espírito Santo Financial Group (ESFG). É este gestor de falência da ESFG que decidiu interpor dois processos no Tribunal Administrativo de Lisboa. pois "acredita que a decisão do Banco de Portugal de resolução do BES, tomada a 3 de Agosto, é ilegal", uma vez que, de acordo com especialistas, "viola a Constituição portuguesa e a lei da UE." Acima de tudo, a resolução do BES é "ilegalmente danosa para a ESFG como accionista do BES e para os seus credores", de acordo com a PLMJ – Sociedade de Advogados, que será o representante da ESFG em Portugal e terá a missão de tratar dos processos interpostos pelo gestor de falência da ESFG. Um processo pede para que seja declarado "nula e vazia a decisão de resolução do BES adoptada pelo Banco de Portugal" e "consequentemente a extinção do Novo Banco", bem como transferência de "todos os activos e responsabilidade do Novo Banco (ou o seu valor)" de volta para o BES.


Emerge uma questão. Quem suportará este ónus na venda do Novo Banco?


 O segundo processo quer que seja determinada a nulidade "da decisão adoptada pelo Banco de Portugal a 30 de Julho de 2014 de suspender os direitos de voto da ESFG no BES e recuperar o exercício irrestrito dos direitos de votos directos e indirectos do BES." 


Os accionistas do BES perderam tudo. O BES era o melhor activo da ESFG.


domingo, 30 de novembro de 2014

Napoleão Bonaparte

«Na guerra como no amor, é muitas vezes mais difícil acabar do que começar»

Napoleão Bonaparte

«Na guerra como no amor, é muitas vezes mais difícil acabar do que começar»

Shakespeare for ever

«Os Homens de poucas palavras são os melhores Homens»


Henrique V


«A suspeita assombra sempre o espírito culpado»


Henrique VI


«O mal que os homens praticam sobrevive-lhes»


Júlio César


«Boa Noite! Boa Noite! A despedida é uma tão doce tristeza que continuarei a dizer Boa Noite até que seja de manhã»


Romeo e Julieta


«Prazeres violentos têm violentos epílogos»


Romeo e Julieta


«O curso do verdadeiro amor nunca foi suave»


Sonho de uma noite de Verão


«Lembrar o que se perdeu torna a lembrança doce»


Está bem o que acaba bem


«A sabedoria e a bondade parecem vis a quem é vil»


Rei Lear


«Quando o sofrimento chega não é um espião solitário; chega em batalhões»


Hamlet


«Partiste para sempre. Nunca mais voltarás, nunca mais»


Rei Lear


«Deverei comparar-te a um dia de Verão?»


Soneto 18


«O resto... é silêncio»


Hamlet


 


 

Shakespeare for ever

«Os Homens de poucas palavras são os melhores Homens»


Henrique V


«A suspeita assombra sempre o espírito culpado»


Henrique VI


«O mal que os homens praticam sobrevive-lhes»


Júlio César


«Boa Noite! Boa Noite! A despedida é uma tão doce tristeza que continuarei a dizer Boa Noite até que seja de manhã»


Romeo e Julieta


«Prazeres violentos têm violentos epílogos»


Romeo e Julieta


«O curso do verdadeiro amor nunca foi suave»


Sonho de uma noite de Verão


«Lembrar o que se perdeu torna a lembrança doce»


Está bem o que acaba bem


«A sabedoria e a bondade parecem vis a quem é vil»


Rei Lear


«Quando o sofrimento chega não é um espião solitário; chega em batalhões»


Hamlet


«Partiste para sempre. Nunca mais voltarás, nunca mais»


Rei Lear


«Deverei comparar-te a um dia de Verão?»


Soneto 18


«O resto... é silêncio»


Hamlet


 


 

sábado, 29 de novembro de 2014

À propos de toi

O que me desilude ofende-me


 


Agustina Bessa Luís (Doidos e Amantes)

À propos de toi

O que me desilude ofende-me


 


Agustina Bessa Luís (Doidos e Amantes)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Benetton a marcar pontos (desta vez)


Está gira a ideia, e começo a pensar que esta preocupação com a violência das mulheres vem a propósito, não por algum tipo de feminismo que odeio, mas porque as mulheres são cada vez mais mal amadas e maltratadas pelos homens (não forçosamente com maus tratos físicos, mas sim com desprezos e desrespeitos o que é preciso mudar).

Benetton a marcar pontos (desta vez)


Está gira a ideia, e começo a pensar que esta preocupação com a violência das mulheres vem a propósito, não por algum tipo de feminismo que odeio, mas porque as mulheres são cada vez mais mal amadas e maltratadas pelos homens (não forçosamente com maus tratos físicos, mas sim com desprezos e desrespeitos o que é preciso mudar).

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

So middle class

Assim que ouvi na televisão que «o companheiro da ex-mulher de Sócrates foi à prisão visitar o ex-marido da mulher», só me ocorreu um comentário à Downton Abbey: It´s so middle class!

So middle class

Assim que ouvi na televisão que «o companheiro da ex-mulher de Sócrates foi à prisão visitar o ex-marido da mulher», só me ocorreu um comentário à Downton Abbey: It´s so middle class!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Lido no Facebook II

"É possível deter um ex-primeiro-ministro para interrogatório sem se ser espectacular? Como? O juiz Carlos Alexandre chegava ao pé de Sócrates ao volante de um táxi e dizia-lhe “entre, já lhe explico” e depois interrogava-o às voltas pela cidade."

Lido no Facebook II

"É possível deter um ex-primeiro-ministro para interrogatório sem se ser espectacular? Como? O juiz Carlos Alexandre chegava ao pé de Sócrates ao volante de um táxi e dizia-lhe “entre, já lhe explico” e depois interrogava-o às voltas pela cidade."

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A escolha do vendedor

A escolha do vendedor

Acredito

Fernando Pinto Monteiro e José Sócrates almoçaram na terça-feira no Hotel Aviz (não fossem os telefones estarem sob escuta). No almoço antes da prisão preventiva do ex-primeiro Ministro, os dois comensais só falaram de livros, mais especificamente do livro que Sócrates tinha para lhe oferecer (provavelmente porque não sabia o que fazer ao stock de 30 mil que lá tinha em casa, a fazer fé no que dizem as notícias), falaram de viagens, Sócrates ia a Paris e se calhar Pinto Monteiro estava a pensar em ir a Punta Cana, quem sabe, e falaram do Lula da Silva. Não tocaram em temas de justiça. Nem ao de leve.


Bem me lembro do caso Face Oculta e do processo paralelo que os procuradores de Aveiro abriram contra José Sócrates enviado para Lisboa.


Havia escutas mas os escutados mudaram todos de telefone.

Acredito

Fernando Pinto Monteiro e José Sócrates almoçaram na terça-feira no Hotel Aviz (não fossem os telefones estarem sob escuta). No almoço antes da prisão preventiva do ex-primeiro Ministro, os dois comensais só falaram de livros, mais especificamente do livro que Sócrates tinha para lhe oferecer (provavelmente porque não sabia o que fazer ao stock de 30 mil que lá tinha em casa, a fazer fé no que dizem as notícias), falaram de viagens, Sócrates ia a Paris e se calhar Pinto Monteiro estava a pensar em ir a Punta Cana, quem sabe, e falaram do Lula da Silva. Não tocaram em temas de justiça. Nem ao de leve.


Bem me lembro do caso Face Oculta e do processo paralelo que os procuradores de Aveiro abriram contra José Sócrates enviado para Lisboa.


Havia escutas mas os escutados mudaram todos de telefone.

Piadinha da ocasião

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Piadinha da ocasião

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domingo, 23 de novembro de 2014

«Pagas na mesma a taxinha de um euro»

«Pagas na mesma a taxinha de um euro»

A capa mais política de todas

A capa mais política de todas

A capa

A capa

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sócrates detido, RTP com vaga para comentador e um blog mudo


 


Sócrates foi detido esta sexta-feira no Aeroporto da Portela, em Lisboa, quando chegava de Paris. Uma das causas da detenção está relacionada com a casa avaliada em três milhões de euros onde o ex-primeiro-ministro residiu quando tirou um curso na capital francesa, depois de deixar o governo. Os investigadores querem saber de onde veio o dinheiro para comprar a habitação. Sócrates disse sempre que pediu um empréstimo ao banco para poder pagar o aluguer do apartamento. PGR confirma que Sócrates é suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.


Resultados paralelos:


Sócrates detido, RTP ganha uma vaga para comentador e há um blog (Câmara Corporativa) em risco de ficar mudo, se não mesmo inactivo.


 

Sócrates detido, RTP com vaga para comentador e um blog mudo


 


Sócrates foi detido esta sexta-feira no Aeroporto da Portela, em Lisboa, quando chegava de Paris. Uma das causas da detenção está relacionada com a casa avaliada em três milhões de euros onde o ex-primeiro-ministro residiu quando tirou um curso na capital francesa, depois de deixar o governo. Os investigadores querem saber de onde veio o dinheiro para comprar a habitação. Sócrates disse sempre que pediu um empréstimo ao banco para poder pagar o aluguer do apartamento. PGR confirma que Sócrates é suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.


Resultados paralelos:


Sócrates detido, RTP ganha uma vaga para comentador e há um blog (Câmara Corporativa) em risco de ficar mudo, se não mesmo inactivo.


 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Ora há uma frase deste artigo que eu subscrevo

Estava a ler este artigo do Público e deparei-me com a seguinte descrição: «Barba grande, cabelo despenteado, camisas de flanela aos quadrados, gorros de malha, botas e mochila às costas. Descontraídos, despreocupados. “Algumas mulheres, fartas de ter de partilhar os seus cremes com os metrossexuais e de competir por um lugar ao espelho com mais tempo com o secador e alisador, adoram este novo espécime, que pretende resgatar uma masculinidade em risco de extinção”, explica o diário espanhol El País.


O escritor Tom Puzak também fez uma descrição dos “novos homens”: “O lumbersexual vai de bar em bar, mas parece que acabou de cortar um pinheiro. Na mochila carrega um MacBook Air, mas aparenta guardar um machado de lenhador”».


O sublinhado é meu, e é com isto que eu concordo. 

Ora há uma frase deste artigo que eu subscrevo

Estava a ler este artigo do Público e deparei-me com a seguinte descrição: «Barba grande, cabelo despenteado, camisas de flanela aos quadrados, gorros de malha, botas e mochila às costas. Descontraídos, despreocupados. “Algumas mulheres, fartas de ter de partilhar os seus cremes com os metrossexuais e de competir por um lugar ao espelho com mais tempo com o secador e alisador, adoram este novo espécime, que pretende resgatar uma masculinidade em risco de extinção”, explica o diário espanhol El País.


O escritor Tom Puzak também fez uma descrição dos “novos homens”: “O lumbersexual vai de bar em bar, mas parece que acabou de cortar um pinheiro. Na mochila carrega um MacBook Air, mas aparenta guardar um machado de lenhador”».


O sublinhado é meu, e é com isto que eu concordo. 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Eu na TVI 24

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Eu na TVI 24

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O FIM DO QUE ERA by Expresso

Artigo do Expresso Diário do dia 11 de Setembro (em baixo o link):


 


O Meu TOP


O FIM DO QUE ERA


Mais um livro sobre os Espírito Santo que ainda não é um livro a mais.


 


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1.O Fim da Era Espírito Santo


Maria Teixeira Alves


Alêtheia


Chegarão os dias em que não haverá cão nem gato que não escreva livros sobre a queda dos Espírito Santo. Por enquanto, ainda estamos nos dias em que não há cão nem gato que os não leia. E os primeiros livros que estão a ser publicados são sobretudo de jornalistas, que têm memória fresca dos acontecimentos diários do último ano - que complementam com a história e a evolução das últimas décadas do império da família, que colapsou este verão, depois de vários meses de intenso escândalo relatado nas páginas de jornais.


A vez pertence agora a Maria Teixeira Alves, jornalista de economia que acompanha a área de banca há 20 anos, tendo estado na frente do noticiário em diversos casos da história da banca privada em Portugal, nomeadamente de vários escândalos: o colapso do BCP da era Jardim Gonçalves (sobre o qual publicou ou livro “Terramoto BCP”), a nacionalização do BPN ou a queda do BPP. O maior de todos os escândalos estava no entanto reservado para os anos de 2013/2014. E é sobre ele que Maria Teixeira Alves publica mais de 500 páginas, que contam a história e várias histórias deste colapso - incluindo, como convém a uma jornalista, várias novidades (notícias, portanto).


Ricardo Salgado, aqui tratado como “o derradeiro banqueiro”, é a figura central de uma trama real, sobre a qual só o tempo dará a distância necessária para se lhe escrever a História. Antes dos historiadores, escrevem os jornalistas. Um livro para ler mesmo no arranque da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso, cujas ramificações e consequências estão ainda por medir.


Expresso Diário, dia 11 de Novembro


 

O FIM DO QUE ERA by Expresso

Artigo do Expresso Diário do dia 11 de Setembro (em baixo o link):


 


O Meu TOP


O FIM DO QUE ERA


Mais um livro sobre os Espírito Santo que ainda não é um livro a mais.


 


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1.O Fim da Era Espírito Santo


Maria Teixeira Alves


Alêtheia


Chegarão os dias em que não haverá cão nem gato que não escreva livros sobre a queda dos Espírito Santo. Por enquanto, ainda estamos nos dias em que não há cão nem gato que os não leia. E os primeiros livros que estão a ser publicados são sobretudo de jornalistas, que têm memória fresca dos acontecimentos diários do último ano - que complementam com a história e a evolução das últimas décadas do império da família, que colapsou este verão, depois de vários meses de intenso escândalo relatado nas páginas de jornais.


A vez pertence agora a Maria Teixeira Alves, jornalista de economia que acompanha a área de banca há 20 anos, tendo estado na frente do noticiário em diversos casos da história da banca privada em Portugal, nomeadamente de vários escândalos: o colapso do BCP da era Jardim Gonçalves (sobre o qual publicou ou livro “Terramoto BCP”), a nacionalização do BPN ou a queda do BPP. O maior de todos os escândalos estava no entanto reservado para os anos de 2013/2014. E é sobre ele que Maria Teixeira Alves publica mais de 500 páginas, que contam a história e várias histórias deste colapso - incluindo, como convém a uma jornalista, várias novidades (notícias, portanto).


Ricardo Salgado, aqui tratado como “o derradeiro banqueiro”, é a figura central de uma trama real, sobre a qual só o tempo dará a distância necessária para se lhe escrever a História. Antes dos historiadores, escrevem os jornalistas. Um livro para ler mesmo no arranque da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso, cujas ramificações e consequências estão ainda por medir.


Expresso Diário, dia 11 de Novembro


 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O Fim da Era Espírito Santo (excerto I)

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A propriedade tem um peso tão sagrado, que ameaçá‑la é correr o risco de ficar detido entre a desunião dos vivos, mais pesada que a justiça.
No dia em que se reuniram na Rua São Bernardo à Estrela os nove representantes do clã, a polícia judiciária estava a vasculhar computadores na sede do Banco Espírito Santo e já um séquito de jornalistas cercava as saídas da Rua Barata Salgueiro. Era o início da tarde de um princípio de Novembro e um Verão de São Martinho espreitava por entre as árvores semi‑despidas do Outono. A reunião estava para decorrer no 195 da Avenida da Liberdade, mas porque o Ministério Público surgiu de rompante na sede do banco, os nove do Conselho Superior da família dirigiram‑se para a sede do grupo que espreita o Jardim da Estrela.
Fora assim para fugir às garras da imprensa que os representantes dos cinco ramos da velha família de banqueiros escolheram a casa cor‑de‑rosa com portadas verdes, que é o quartel‑general da família Espírito Santo. Sentam‑se à mesa nove, mas só cinco votam.
Reinava aquela calma que antecede as grandes catástrofes, marcada por um indelével rasto que o não dito deixa. Ricardo Salgado; José Manuel Espírito Santo e o seu sobrinho Ricardo Abecassis Espírito Santo; António Roquette Ricciardi e seu filho José Maria Espírito Santo Ricciardi; Manuel Fernando Espírito Santo em representação da sua mãe, Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo, e o seu irmão Fernando Espírito Santo; e aquele que era uma espécie de Espírito Santo «por adopção», Mário Mosqueira do Amaral com o seu filho Pedro, estavam na sala.
Ricardo Salgado há muito que era tema de conversa frívola nos petit comités de amigos, os portugueses dizem mal de tudo com uma insinceridade genial. Mas foram as notícias dos jornais e as informações que iam chegando de um velho ex‑aliado da família, Pedro Queiroz Pereira, que desencadearam um incómodo no coração de, pelo menos, três membros do clã: António Roquette Ricciardi; José Maria, seu filho; e Ricardo Abecassis Espírito Santo, o parente do Brasil. Não fora um mero acaso, o facto de uns meses antes, o capitão da indústria – a quem, há um par de anos, tinha sido atribuído, pelo Presidente da República, a grã‑cruz da Ordem de Mérito Industrial – ter avisado José Maria Ricciardi da situação financeira das empresas que sustentavam todo o Grupo Espírito Santo, ainda longe de saber que por debaixo do tapete havia muito mais dívida por reconhecer e que escondia a verdadeira situação de falência técnica do Grupo Espírito Santo. Por causa da sociedade que tinha com a família Espírito Santo, por herança, na Espírito Santo Control, Pedro Queiroz Pereira tinha conseguido informações que acabam por culminar com a derrocada do império da família Espírito Santo, que afinal estava enterrado numa espiral de dívidas incontroláveis. José Maria Ricciardi ficou apavorado.
Voltemos atrás. Nos dias que antecederam a reunião de patriarcas, os representantes dos vários ramos da mais velha família de banqueiros do país tinham‑se encontrado em surdina para discutir o corrupio de notícias contra o homem em quem tinham depositado a liderança do banco com o nome da família, que tem 145 anos.


 

O Fim da Era Espírito Santo (excerto I)

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A propriedade tem um peso tão sagrado, que ameaçá‑la é correr o risco de ficar detido entre a desunião dos vivos, mais pesada que a justiça.
No dia em que se reuniram na Rua São Bernardo à Estrela os nove representantes do clã, a polícia judiciária estava a vasculhar computadores na sede do Banco Espírito Santo e já um séquito de jornalistas cercava as saídas da Rua Barata Salgueiro. Era o início da tarde de um princípio de Novembro e um Verão de São Martinho espreitava por entre as árvores semi‑despidas do Outono. A reunião estava para decorrer no 195 da Avenida da Liberdade, mas porque o Ministério Público surgiu de rompante na sede do banco, os nove do Conselho Superior da família dirigiram‑se para a sede do grupo que espreita o Jardim da Estrela.
Fora assim para fugir às garras da imprensa que os representantes dos cinco ramos da velha família de banqueiros escolheram a casa cor‑de‑rosa com portadas verdes, que é o quartel‑general da família Espírito Santo. Sentam‑se à mesa nove, mas só cinco votam.
Reinava aquela calma que antecede as grandes catástrofes, marcada por um indelével rasto que o não dito deixa. Ricardo Salgado; José Manuel Espírito Santo e o seu sobrinho Ricardo Abecassis Espírito Santo; António Roquette Ricciardi e seu filho José Maria Espírito Santo Ricciardi; Manuel Fernando Espírito Santo em representação da sua mãe, Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo, e o seu irmão Fernando Espírito Santo; e aquele que era uma espécie de Espírito Santo «por adopção», Mário Mosqueira do Amaral com o seu filho Pedro, estavam na sala.
Ricardo Salgado há muito que era tema de conversa frívola nos petit comités de amigos, os portugueses dizem mal de tudo com uma insinceridade genial. Mas foram as notícias dos jornais e as informações que iam chegando de um velho ex‑aliado da família, Pedro Queiroz Pereira, que desencadearam um incómodo no coração de, pelo menos, três membros do clã: António Roquette Ricciardi; José Maria, seu filho; e Ricardo Abecassis Espírito Santo, o parente do Brasil. Não fora um mero acaso, o facto de uns meses antes, o capitão da indústria – a quem, há um par de anos, tinha sido atribuído, pelo Presidente da República, a grã‑cruz da Ordem de Mérito Industrial – ter avisado José Maria Ricciardi da situação financeira das empresas que sustentavam todo o Grupo Espírito Santo, ainda longe de saber que por debaixo do tapete havia muito mais dívida por reconhecer e que escondia a verdadeira situação de falência técnica do Grupo Espírito Santo. Por causa da sociedade que tinha com a família Espírito Santo, por herança, na Espírito Santo Control, Pedro Queiroz Pereira tinha conseguido informações que acabam por culminar com a derrocada do império da família Espírito Santo, que afinal estava enterrado numa espiral de dívidas incontroláveis. José Maria Ricciardi ficou apavorado.
Voltemos atrás. Nos dias que antecederam a reunião de patriarcas, os representantes dos vários ramos da mais velha família de banqueiros do país tinham‑se encontrado em surdina para discutir o corrupio de notícias contra o homem em quem tinham depositado a liderança do banco com o nome da família, que tem 145 anos.


 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Sobre a OPA de Isabel dos Santos


Esta OPA é genial. Isabel dos Santos tenta matar três coelhos numa só cajadada. Ao lançar uma OPA sobre a PT SGPS têm em vista o operador português de telecomunicações, ao mesmo tempo procura resolver o diferendo sobre a Unitel (angolana detida em parte pela PT) e adquire uma posição relevante na Oi, no Brasil. Se fosse fácil fazia o pleno. Mas o que decide uma OPA são as condições da oferta. Por isso vai ter de rever o preço porque é baixo. Isto se quiser convencer os pequenos accionistas a vender. Penso que a empresária, aconselhada pelos bons advogados, deu um preço baixo porque esperava concorrência na OPA e quer ter margem para o subir. O primeiro oferente tem vantagens num "leilão de OPA". 


O problema são as condições que terão de ser alteradas. A limitação dos direitos de voto da PT SGPS na futura Oi ou a possibilidade de a PT SGPS poder comprar acções da CorpCo (empresa resultante da combinação de negócios) no mercado, além da fatia de 11,4% estipulada anteriormente, são alguns dos items que a empresária pondera alterar para levar a operação em frente.


Esta OPA é genial mas difícil.


 


 


 

Sobre a OPA de Isabel dos Santos


Esta OPA é genial. Isabel dos Santos tenta matar três coelhos numa só cajadada. Ao lançar uma OPA sobre a PT SGPS têm em vista o operador português de telecomunicações, ao mesmo tempo procura resolver o diferendo sobre a Unitel (angolana detida em parte pela PT) e adquire uma posição relevante na Oi, no Brasil. Se fosse fácil fazia o pleno. Mas o que decide uma OPA são as condições da oferta. Por isso vai ter de rever o preço porque é baixo. Isto se quiser convencer os pequenos accionistas a vender. Penso que a empresária, aconselhada pelos bons advogados, deu um preço baixo porque esperava concorrência na OPA e quer ter margem para o subir. O primeiro oferente tem vantagens num "leilão de OPA". 


O problema são as condições que terão de ser alteradas. A limitação dos direitos de voto da PT SGPS na futura Oi ou a possibilidade de a PT SGPS poder comprar acções da CorpCo (empresa resultante da combinação de negócios) no mercado, além da fatia de 11,4% estipulada anteriormente, são alguns dos items que a empresária pondera alterar para levar a operação em frente.


Esta OPA é genial mas difícil.


 


 


 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

The translation

The property has a weight so sacred that it is threatening to take the risk of getting arrested disunity among the living, heavier than justice.
The day they met at Rua São Bernardo à Estrela, the nine representatives of the clan Espírito Santo, the police were rummaging computers at Banco Espirito Santo and an entourage of journalists surrounded the exits of Rua Barata Salgueiro. It was the early afternoon of a early November and a summer of St. Martin peeped through the half-naked autumn trees. The meeting was to be held at 195 Liberty Avenue, but because the prosecutor came thundering at the head office of the bank, the nine members of the Superior Council of the family raced to the old house, headquarter of the group, that faces the Jardim da Estrela.
Out so to escape the clutches of the press that representatives of the five branches of the old banking family chose the  pink house with green shutters, which is the headquarters of the Espírito Santo family. All nine sit at table, but only five vote.
Ruled that calm before the great disasters, marked by an indelible trail that unsaid leaves.

The translation

The property has a weight so sacred that it is threatening to take the risk of getting arrested disunity among the living, heavier than justice.
The day they met at Rua São Bernardo à Estrela, the nine representatives of the clan Espírito Santo, the police were rummaging computers at Banco Espirito Santo and an entourage of journalists surrounded the exits of Rua Barata Salgueiro. It was the early afternoon of a early November and a summer of St. Martin peeped through the half-naked autumn trees. The meeting was to be held at 195 Liberty Avenue, but because the prosecutor came thundering at the head office of the bank, the nine members of the Superior Council of the family raced to the old house, headquarter of the group, that faces the Jardim da Estrela.
Out so to escape the clutches of the press that representatives of the five branches of the old banking family chose the  pink house with green shutters, which is the headquarters of the Espírito Santo family. All nine sit at table, but only five vote.
Ruled that calm before the great disasters, marked by an indelible trail that unsaid leaves.

Revelations

2014-10-31-Livro.jpg


Did you know?



Fernando Ulrich was the first to warn the Bank of Portugal that the Banco Espírito Santo was being subjected to high risks, and that they were going unnoticed. He did it at 2012, with documentation. The focus of the complaint was the loans of BES Angola, which doubled the deposits. But the Espírito Santo Liquidity Fund, which is treated later in a denounce made by Pedro Queiroz Pereira, was also part of the president of BPI´s worries. The BPI was aware of the risk of ESI because it was his client, and warned the Bank of Portugal that the fund had in portfolio debt of companies that had no rating, nor were evaluated by no one.


Did you know that Ricardo Salgado asked directly to Carlos Calvário, the risk manager, the ESI rating of 2012?
Did you know that Nuno Amado, president of Millennium BCP also warned the Governor to the fact of the Espírito Santo liquidity fund translate a bizarre logical of family holdings funding?


Did you know it was because José Maria Ricciardi was at the board of EDP, in the last eight years, that the company ever invested in commercial paper of the Espírito Santo holdings?



Did you know that the Bank of Portugal has imposed a capital increase in BES, de EUR 1.045 millions to capitalize the bank, because at this time he did not know the large exposure, direct and indirectly, to family holdings?


Did you know that the Bank of Portugal, within ring fencing, tried to put Rioforte directly owned the Bank (finishing the ESFG) to get direct access to dividends from BES to repay the debt? Solution that is suggested by Jose Honorio.


Did you know Vítor Bento started to invite Amilcar Morais Pires to keep in the board of BES as manager of international portfolio because Ricardo Salgado asked and recommended him, but soon was disinvited, after Vítor Bento knew new circumstances related by the Bank of Portugal (which was withdrawing its reputation)?


Did you know tha Ricardo Salgado became angry with Joaquim Goes when he warns for the risks of exposure to the Bank Group's holdings?


Did you know that Vítor Bento was take by surprise when the opinion maker Luís Marques Mendes announced in TV the measure of resolution for BES?


Do you know the first meeting between Vitor Bento, has CEO of BES, and the Minister of Finance, occur only on the Thursday before Resolution?



Do you know that the initiative to abandon the board of Novo Banco was taken, not  by Vítor Bento, but by one of the other two?


Do you know Ricardo Salgado was under threat of loss the eligibility for BESI administrator during months until he is forced, by the presidente of Bank of Portugal, of dimisión?


Do you know it was Pedro Passos Coelho who ask António Horta Osório for help in the Novo Bank, and because of that the Bank of Portugal invited Eduardo da Cunha Stock?


Do you know at the last minute Ricardo Salgado convinced family members to invest in commercial paper of family holdings?


Do you know general Kopelipa, from Angola, invested 700 million euros in ESI?


Do you know that the cash outflow from BESA, by the hands of Álvaro Sobrinho, occurs more or less at the same time of the increase capital of family holdings, where the investores were allies and friends in various geographies?


Do you know that in all geographies where BES was, the Group Espírito Santo had allies and partners who were invited to invest in capital of family holdings (Control and ESI, and others), or to invest in their debt?


Do you know that the GES was preparing to make another issue of Rioforte´s debt at June 20?


Do you know that Eduardo da Cunha invited to stay with him in Novo Banco´s board, the old managers João Freixa and Jorge Martins, but they did not accept?


 


Do you know that Hotel Palácio offered the stay of Ricardo Salgado?


Do you know the family house of Ricardo Salgado, which belonged to his mother, may be on sale?


Do you know that there are people in the family who tried to raise the money before freezing accounts, and become suspect of a process in the prosecution?

Revelations

2014-10-31-Livro.jpg


Did you know?



Fernando Ulrich was the first to warn the Bank of Portugal that the Banco Espírito Santo was being subjected to high risks, and that they were going unnoticed. He did it at 2012, with documentation. The focus of the complaint was the loans of BES Angola, which doubled the deposits. But the Espírito Santo Liquidity Fund, which is treated later in a denounce made by Pedro Queiroz Pereira, was also part of the president of BPI´s worries. The BPI was aware of the risk of ESI because it was his client, and warned the Bank of Portugal that the fund had in portfolio debt of companies that had no rating, nor were evaluated by no one.


Did you know that Ricardo Salgado asked directly to Carlos Calvário, the risk manager, the ESI rating of 2012?
Did you know that Nuno Amado, president of Millennium BCP also warned the Governor to the fact of the Espírito Santo liquidity fund translate a bizarre logical of family holdings funding?


Did you know it was because José Maria Ricciardi was at the board of EDP, in the last eight years, that the company ever invested in commercial paper of the Espírito Santo holdings?



Did you know that the Bank of Portugal has imposed a capital increase in BES, de EUR 1.045 millions to capitalize the bank, because at this time he did not know the large exposure, direct and indirectly, to family holdings?


Did you know that the Bank of Portugal, within ring fencing, tried to put Rioforte directly owned the Bank (finishing the ESFG) to get direct access to dividends from BES to repay the debt? Solution that is suggested by Jose Honorio.


Did you know Vítor Bento started to invite Amilcar Morais Pires to keep in the board of BES as manager of international portfolio because Ricardo Salgado asked and recommended him, but soon was disinvited, after Vítor Bento knew new circumstances related by the Bank of Portugal (which was withdrawing its reputation)?


Did you know tha Ricardo Salgado became angry with Joaquim Goes when he warns for the risks of exposure to the Bank Group's holdings?


Did you know that Vítor Bento was take by surprise when the opinion maker Luís Marques Mendes announced in TV the measure of resolution for BES?


Do you know the first meeting between Vitor Bento, has CEO of BES, and the Minister of Finance, occur only on the Thursday before Resolution?



Do you know that the initiative to abandon the board of Novo Banco was taken, not  by Vítor Bento, but by one of the other two?


Do you know Ricardo Salgado was under threat of loss the eligibility for BESI administrator during months until he is forced, by the presidente of Bank of Portugal, of dimisión?


Do you know it was Pedro Passos Coelho who ask António Horta Osório for help in the Novo Bank, and because of that the Bank of Portugal invited Eduardo da Cunha Stock?


Do you know at the last minute Ricardo Salgado convinced family members to invest in commercial paper of family holdings?


Do you know general Kopelipa, from Angola, invested 700 million euros in ESI?


Do you know that the cash outflow from BESA, by the hands of Álvaro Sobrinho, occurs more or less at the same time of the increase capital of family holdings, where the investores were allies and friends in various geographies?


Do you know that in all geographies where BES was, the Group Espírito Santo had allies and partners who were invited to invest in capital of family holdings (Control and ESI, and others), or to invest in their debt?


Do you know that the GES was preparing to make another issue of Rioforte´s debt at June 20?


Do you know that Eduardo da Cunha invited to stay with him in Novo Banco´s board, the old managers João Freixa and Jorge Martins, but they did not accept?


 


Do you know that Hotel Palácio offered the stay of Ricardo Salgado?


Do you know the family house of Ricardo Salgado, which belonged to his mother, may be on sale?


Do you know that there are people in the family who tried to raise the money before freezing accounts, and become suspect of a process in the prosecution?

domingo, 9 de novembro de 2014

Then we take Berlin (Google Doodle)


 

Then we take Berlin (Google Doodle)


 

sábado, 8 de novembro de 2014

25 anos da queda do muro de Berlim



 


O mundo antes de 1989 e o mundo depois de 1989. O que mudou? Até 1989 a modernidade ficava do lado de cá do muro. A Europa evoluia do lado de cá do muro. Para lá do muro o mundo parara no tempo. É disso que me lembro quando me lembro do muro de Berlim. A Alemanha de lá era austera, pobre, comunista e controlada. A Alemanha de cá era moderna, rica e capitalista, democrática. Uma tinha o marco alemão oriental, outra tinha simplesmente o marco alemão. Uma tinha por lema «Proletários do mundo, uni-vos»; a outra «Unidade, justiça e liberdade».


Eu não passava de uma adolescente nessa altura, na altura do muro e na altura da sua queda, adolescente num país com pretensões ocidentais, mas ainda tão pobre como um país de leste. Um país conservador e tradicionalista, com uma estética datada, mas a espreitar as novas modas de Londres e Paris. O que eu via nessa altura? Pouco mais do que o meu universo, o meu eixo Lisboa-Cascais, os pequenos luxos de uma vida típica de uma adolescente naquele ambiente estorilense. Bôites com bolas de espelhos e de entrada condicionada, enchumaços, veludos cotelês, lodens, sabrinas de verniz, bandoletes, tafetás, Benetton (não havia Zara), Migacho, Kookai, festas, gelados, praia, barcos e optimistes, pouco se questionava nessa altura, muito pouco. Muito pouco se abordava nas conversas para lá das coisas banais, triviais e ligeiras da vidinha rotineira, entre aulas, festas, cafés, praia, e Vangogo, News ou 2001. Amores e desamores.


Berlim dividido ao meio era uma coisa que não questionava, era uma realidade que nascera antes de eu nascer. Não questionamos facilmente aquilo que existia antes de nós existirmos, talvez não nos sintamos com legitimidade para tal.


O muro existia antes de mim e isso dava-lhe uma consistência inegável. Acho que talvez me tenha passado pela cabeça, nalgum momento, que aquilo de dividir ao meio uma cidade (Berlim) e um país, não tinha grande nexo, penso que sim, que pensei nisso como um absurdo, mas era assim que era e não valia a pena pensar muito no assunto. Lembro-me de nessa altura ter de fixar duas capitais da Alemanha, a da RFA, Bona, e a da RDA, Berlim. Mas pensei nisso como quem pensa numa Guiné Bissau e numa Guiné Conacri. Havia duas Alemanhas, pronto, também havia várias Guinés. 


Hoje penso que bizarro e terrível que era um povo estar encarcerado por um muro que impedia os alemães de se visitarem uns aos outros. Será que hoje, sem muro, se visitam?


Se é um fenómeno datado? Não sei. Há muros que não são de pedra, mas não são menos muros que os outros. Nesse aspecto nada mudou desde então, há muros construídos a separar pessoas, e muros por construir. O mundo está carregado de muros. 

25 anos da queda do muro de Berlim



 


O mundo antes de 1989 e o mundo depois de 1989. O que mudou? Até 1989 a modernidade ficava do lado de cá do muro. A Europa evoluia do lado de cá do muro. Para lá do muro o mundo parara no tempo. É disso que me lembro quando me lembro do muro de Berlim. A Alemanha de lá era austera, pobre, comunista e controlada. A Alemanha de cá era moderna, rica e capitalista, democrática. Uma tinha o marco alemão oriental, outra tinha simplesmente o marco alemão. Uma tinha por lema «Proletários do mundo, uni-vos»; a outra «Unidade, justiça e liberdade».


Eu não passava de uma adolescente nessa altura, na altura do muro e na altura da sua queda, adolescente num país com pretensões ocidentais, mas ainda tão pobre como um país de leste. Um país conservador e tradicionalista, com uma estética datada, mas a espreitar as novas modas de Londres e Paris. O que eu via nessa altura? Pouco mais do que o meu universo, o meu eixo Lisboa-Cascais, os pequenos luxos de uma vida típica de uma adolescente naquele ambiente estorilense. Bôites com bolas de espelhos e de entrada condicionada, enchumaços, veludos cotelês, lodens, sabrinas de verniz, bandoletes, tafetás, Benetton (não havia Zara), Migacho, Kookai, festas, gelados, praia, barcos e optimistes, pouco se questionava nessa altura, muito pouco. Muito pouco se abordava nas conversas para lá das coisas banais, triviais e ligeiras da vidinha rotineira, entre aulas, festas, cafés, praia, e Vangogo, News ou 2001. Amores e desamores.


Berlim dividido ao meio era uma coisa que não questionava, era uma realidade que nascera antes de eu nascer. Não questionamos facilmente aquilo que existia antes de nós existirmos, talvez não nos sintamos com legitimidade para tal.


O muro existia antes de mim e isso dava-lhe uma consistência inegável. Acho que talvez me tenha passado pela cabeça, nalgum momento, que aquilo de dividir ao meio uma cidade (Berlim) e um país, não tinha grande nexo, penso que sim, que pensei nisso como um absurdo, mas era assim que era e não valia a pena pensar muito no assunto. Lembro-me de nessa altura ter de fixar duas capitais da Alemanha, a da RFA, Bona, e a da RDA, Berlim. Mas pensei nisso como quem pensa numa Guiné Bissau e numa Guiné Conacri. Havia duas Alemanhas, pronto, também havia várias Guinés. 


Hoje penso que bizarro e terrível que era um povo estar encarcerado por um muro que impedia os alemães de se visitarem uns aos outros. Será que hoje, sem muro, se visitam?


Se é um fenómeno datado? Não sei. Há muros que não são de pedra, mas não são menos muros que os outros. Nesse aspecto nada mudou desde então, há muros construídos a separar pessoas, e muros por construir. O mundo está carregado de muros. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Revelações

2014-10-31-Livro.jpg


 O Fim da Era Espírito Santo


Sabia que?


Foi Fernando Ulrich o primeiro a enviar para o Governador do Banco de Portugal e a fazer avisos ao Governo que o BES estava a ser alvo de elevados riscos, e que estavam a passar despercebidos. Fê-lo em 2012 com documentação. O enfoque era a exposição do capital do BES ao BES Angola. Mas também o Fundo Espírito Santo Liquidez que mais tarde é tratado na denúncia de Pedro Queiroz Pereira. O BPI tinha conhecimento do risco da ESI porque era sua cliente e avisou o Banco de Portugal que aquele fundo tinha dívida de empresas em carteira que não tinham rating, nem eram avaliadas por ninguém.


Sabia que foi Ricardo Salgado que pediu o rating de 2012 da ESI a Carlos Calvário da direcção de risco, directamente?


Sabia que Nuno Amado, do BCP, também alertou o Governador para o facto de o fundo Espírito Santo Liquidez traduzir uma lógica de financiamento das holdings familiares?


Sabia que foi por José Maria Ricciardi ser administrador da EDP que nunca esta empresa investiu em papel comercial das holdings da família Espírito Santo?


Sabia que o Banco de Portugal impôs um aumento de capital no BES, de mil e quarenta e cinco milhões de euros, para capitalizar o banco porque nesta altura ainda não sabia da exposição indirecta do banco às holdings familiares?


Sabia que O Banco de Portugal, na reestruturação com vista ao ring fencing queria que a Rioforte ficasse directamente com o Banco (acabando com a ESFG) para ficar com acesso directo aos dividendos do banco para poder pagar a dívida? Solução que é sugerida por José Honório.


Sabia que Vítor Bento convidou Amílcar Morais Pires para administrador com o pelouro internacional porque Ricardo Salgado lhe pediu e recomendou, mas foi desconvidado depois porque Vítor Bento soube de novas circunstâncias pelo Banco de Portugal (que lhe ia retirar a idoneidade)?


Sabia que Ricardo Salgado se zangou com Joaquim Goes quando ele alerta para os riscos da exposição do Banco às holdings do Grupo?


Sabia que Vítor Bento ficou surpreendido quando ouviu Marques Mendes falar da solução do Banco de Portugal para o BES?


Sabia que Vítor Bento reuniu-se pela primeira vez, desde que era presidente do BES, com a Ministra das Finanças na Quinta-Feira antes da Resolução?


Sabia que a iniciativa de deixarem o Novo Banco não foi de Vítor Bento, mas sim de um dos outros dois?


Sabia que foi sob a ameaça de perda de idoneidade para ser administrador do BESI que Carlos Costa forçou à saída de Ricardo Salgado do BES?


Sabia que foi Pedro Passos Coelho que contactou António Horta Osório para pedir ajuda para o Novo Banco, e que foi daí que saiu o convite do Banco de Portugal a Eduardo Stock da Cunha?


Sabia que à última da hora Ricardo Salgado convenceu pessoas da família a investir em papel comercial das holdings?


Sabia que Kopelipa investiu 700 milhões no capital da ESI?


Sabia que a saída de dinheiro do BESA, pelas mãos de Álvaro Sobrinho, ocorre na mesma altura dos aumentos de capital das holdings familiares, em que eram convidados aliados e amigos de várias geografias? 


Sabia que em todas as geografias onde estava o Grupo BES e os bancos da ESFG havia aliados e parceiros que eram convidados a entrar nas holdings familiares (Control e ESI, e outras), ou a investir na dívida delas?


Sabia que o GES preparava-se para fazer uma emissão de nova dívida da Rioforte a 20 de Junho?


Sabia que Eduardo Stock da Cunha convidou para ficarem com ele no Novo Banco João Freixa e Jorge Martins e estes não aceitaram?


Sabia que o Hotel Palácio ofereceu a estadia a Ricardo Salgado?


Sabia que a casa da família de Ricardo Salgado, que era da mãe, pode estar já à venda?


Sabia que há pessoas da família que tentaram levantar o dinheiro antes do congelamento e ficaram com um processo no Ministério Público?