segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Governador do "nosso" descontentamento: Uma base legal não é uma base moral













Carlos Costa deu uma rara entrevista no fim de semana ao Expresso. Nela procura a redenção de todos os pecados que lhe apontam, e não são poucos. Eu confesso que acho que, apesar de todos os percalços nos últimos anos no sector bancário, Carlos Costa foi um homem de coragem, que fez muito mais do que qualquer Governador. Mas fazer ou não fazer, nesta sociedade dos nossos dias, não cria heróis. O que Carlos Costa possa ter feito de bom acabou ofuscado por eventuais erros e omissões e por conta dos inimigos poderosos que arranjou e que não desarmam na luta contra o Governador do Banco de Portugal. Esses inimigos têm a seu favor a falta de popularidade de um Governador que fez coisas pouco ortodoxas. Nem todas ao longo da entrevista ficaram bem explicadas.


Mas analisemos. Sobre o mais difícil da sua carreira, a Resolução do BES e as suas vítimas: os lesados do BES. Diz sobre isso, Carlos Costa, que aproveita para mostrar simpatia pela causa dos lesados, o seguinte: 


"Os lesados tem razão para se queixar dos emitentes, a ESI e a Rioforte, que não cumpriram com aquilo a que estavam obrigados. Os lesados têm todo o direito de ser ressarcidos pela massa falida. Não são credores do BES porque o BES não lhes deu uma garantia formal. Se tivesse dado uma garantia formal nos termos da decisão de resolução teriam passado para o Novo Banco. Logo não podem ser credores do Novo Banco. Para isso acontecer é preciso haver um acto jurídico ou uma base jurídica para converter a situação em que eles se encontram em credores do BES. A única lei de que dispomos para este feito é o Código de Valores Mobiliário, que diz que em casos de venda abusiva a autoridade de mercado pode reverter a operação. Não pode ser o Banco de Portugal".


 


Reparem, Carlos Costa diz: tenho simpatia pela vossa causa. Mas o BES não deu uma garantia formal, por isso não é um tema do meu departamento. Têm de ir ali ao lado à CMVM que essa sim pode reverter a operação e dessa maneira reverter a venda de títulos e dessa forma os que os compraram é como se não o tivessem feito e ficam desta forma credores do BES. A esta hora a CMVM já lá deve ter uns quantos a bater-lhes à porta. Mas atenção, a reversão da venda é só em caso de se provar que houve venda abusiva. Pode ser difícil provar tal. Sobretudo passado tanto tempo. 


Explica ainda o Governador, a propósito deste tema que:


Claro, claro. E a CMVM pode reverter a operação baseando-se em critérios genéricos se não quiser ir caso a caso, ou, no limite, se os lesados apelarem para os tribunais.


(...)













Nós temos de ter uma base legal e há duas que são importantes. Uma é o Código de Valores Mobiliários e a outra é a base legal da resolução. E as duas têm de ser respeitadas porque se eventualmente aceitássemos reembolsar alguém que não é credor do BES não teríamos nenhuma razão para aplicar a hierarquia de credores. Abríamos uma caixa de Pandora.


(...) 


Têm acesso à massa falida e no caso em que haja razões para invocar o artigo do Código de Valores Mobiliários que os protege têm razoes para recorrer para a CMVM ou para os tribunais.
























Com documentos escritos? [pergunta o Expresso]


Ou evidências que o permitam. Tem é de haver uma base legal. E uma base legal não é uma base moral.


Esta é a frase chave de todo o discurso de Carlos Costa e que rege toda a sua política à frente do Banco de Portugal.














Continua Carlos Costa (e esta é uma revelação importante):














Estou é a dizer que no dia 21 de Maio fiz uma proposta que tinha a concordância da ministra das Finanças no sentido de fazermos uma aplicação indiciária de critérios de venda abusiva para depois reverter as operações que tinham de ser revertidas. Nós queremos uma solução, mas essa tem de se enquadrar em dois princípios, o da legalidade e o da segurança do processo de resolução.


(...)


Quem decide nessa matéria é a CMVM. Se por acaso a CMVM não decidir, há lugar a recursos para os tribunais.


 


A este propósito é preciso dizer que os advogados são caros e que depois de se perder muito dinheiro das poupanças num banco que era referência no mercado, a última coisa que apetece é pagar milhares a advogados. 


 


Vamos agora passar ao tema ESI e falsificação de contas, e mais ainda a proibição de venda de dívida dessa empresa do Grupo Espírito Santo aos balcões do banco.


Diz Carlos Costa:


Qual a autoridade moral do Banco de Portugal quando essas unidades eram vendidas ao balcão do BES e já tinham a noção de que o BES tinha falsificado contas.













"Estamos a falar de uma instituição que estava sediada no Luxemburgo que não era supervisionada por nós. A ESI só entrou no radar do Banco de Portugal porque no quadro do Etric decidiu ir controlar os grandes clientes dos bancos. A 26 de Novembro de 2013 identificamos um acréscimo do passivo financeiro da ESI. Três dias depois, requeremos explicação detalhada do porquê das coisas. A 3 de Dezembro, a ESFG informou o BdP que, por problemas de natureza contabilística, havia passivos e activos que não estavam registados no valor de 1,3 mil milhões de euros. Nessa altura não se falava que a situação líquida era negativa, nem de qualquer falseamento das contas. E em Dezembro o BES deixou de vender papel comercial dessa entidade por nossa imposição. Depois pedimos que fosse feita uma auditoria pelo auditor do BES. A 31 de Janeiro, a KPMG comunica que a ESI tinha uma situação líquida negativa de 2,4 mil milhões de euros, mas não identifica caso de falseamento de contas. A 7 de Fevereiro a KPMG, em conversa connosco, impõe a constituição de uma provisão de 700 milhões de euros na ESFG. A 14 de Fevereiro, o Banco de Portugal proibiu a comercialização directa ou indirecta de qualquer tipo de papel de entidades do grupo. A 28 de Maio, é a primeira vez que temos a indicação de que há falseamento de contas. Que não vem sequer através da KPMG, mas através de uma sociedade de advogados luxemburguesa".


 


Primeira grande pergunta: Porque é que o Banco de Portugal não tornou pública a proibição de vender papel comercial do Grupo a 14 de Fevereiro? Se o tivesse feito, não teria havido clientes do BES que tinham o dinheiro noutras subsidiárias fora de Portugal, a comprar papel comercial de empresas que não podiam vender papel comercial em Portugal por imposição do regulador. A transparência tinha sido essencial. Se alguma coisa se pode apontar ao Governador é o excesso de discrição. Muito discreto, muito discreto, e as consequências estão à vista. Muitos lesados dos bancos. Não foi só no BES, no Banif e no Novo Banco também já há lesados. Todos apanhados de surpresa. 


 


Esta conversa entre o Expresso e Carlos Costa é digna de registo. Reparem:


Mas se em Janeiro há um relatório em que a KPMG diz que a ESI tem uma situação líquida negativa quando as fichas técnicas do papel comercial apresentavam uma situação líquida positiva.













Mas nessa altura o Banco de Portugal autorizava a venda do papel comercial da ESI? Não, já a tinha proibido.


Mas eles passaram para a Rioforte e para as pessoas era na prática o mesmo.


Mas a Rioforte é outro problema. O papel comercial não era supervisionado pelo Banco de Portugal. E nós impedimos a comercialização através dos balcões. Ao primeiro sinal de que havia um problema com este papel não era o Banco de Portugal que tinha de interditar a comercialização do papel.


Era a CMVM?


Nós só podemos impedir uma instituição de vender.


(...)


É muito fácil atirar a pedra ao Banco de Portugal.


 


Parece mais um jogo de culpas entre ex-amantes. Do género:- Tu traíste. -Eu nunca te prometi nada. -Mas destes sinais. - Não fui que te pedi para teres esperanças. Enfim.  













O Banco de Portugal proibiu, e o que não proibiu não lhe cabia proibir. Não podemos impedir uma instituição de vender. Ora bolas!


Remata com esta: 













"Vou ser muito claro neste ponto: a CMVM tem a supervisão dos produtos, nós temos a supervisão das instituições"


 


Agora o tema Vítor Bento (o presidente do BES que substituiu Ricardo Salgado). Sobre a venda do Novo Banco:


"Uma coisa é o que gostaríamos, outra é o enquadramento europeu.













Primeiro, tínhamos de trabalhar com os dados fornecidos pela Direcção-Geral da Concorrência, que diziam ser precisos dois anos para proceder à venda do banco e tínhamos que mostrar que éramos diligentes para justificar qualquer alargamento do prazo, o que foi feito, porque nos deram um ano adicional. Um ano que tem custos, porque implica medidas e remédios adicionais. Se não tivéssemos sido diligentes teríamos entrado na fase em que temos uma autoridade europeia de resolução, que seria um período de maior incerteza do ponto de vista da condução do processo. Segundo, estou muito agradecido a Vítor Bento pelo facto de naquele dia ter aceitado continuar à frente do banco de transição. Terceiro, as relações entre mim e Vítor Bento sempre foram de uma grande cordialidade. Ele teve o apoio de que necessitava, sempre que o pediu, e houve momentos em que achou que o projecto não o entusiasmava e pediu para ser substituído.


Os cinco anos que ele defendia não eram, e ainda hoje não são, compatíveis com as regras da DG Concorrência.


Esta semana, Vítor Bento abriu uma discussão sobre se o Novo Banco não deve ficar no sector público. O que diz o Governador sobre isso:


O Banco de Portugal, como autoridade de resolução, executa um mandato. Esse mandato resulta da carta de compromissos que o Governo subscreve junto da Comissão Europeia e da DG Concorrência. Neste momento, temos uma carta de compromissos que nos obriga a ser diligentes no processo de venda. Se a carta de compromissos for alterada num outro sentido, o Banco de Portugal agirá da forma mais diligente possível para a implementar.


Portanto, se o Governo quiser que o Novo Banco fique na esfera do Estado, deve falar com Bruxelas.













 O impacto da venda do Novo Banco pode implicar aumentos de capital nos outros bancos? [Pergunta o Expresso]
























Não. O princípio é de que o Fundo de Resolução fique com um crédito sobre os bancos que vai sendo amortizado ao longo do tempo, à medida que for sendo paga a taxa sobre os bancos.


Quanto é que o Novo Banco vai custar aos contribuintes?  [Pergunta o Expresso]


Não vai custar aos contribuintes, vai custar aos bancos.


























Quanto é que se vai perder no Novo Banco?


Não podemos saber. Se aplicarmos as taxas de desconto que estão em vigor no mercado, como o capital do banco anda pelos €6 mil milhões, o valor pode andar na ordem dos €3 mil milhões. O que compara com os €4,9 mil milhões.


Ou seja, uma perda de dois mil milhões de euros. Continua convencido que a resolução foi a melhor solução?  [Pergunta o Expresso]


Eu tinha de assegurar que, no dia seguinte, segunda-feira, 4 de Agosto [de 2014], o financiamento à economia continuava, que a confiança dos depositantes continuava intacta, que os depósitos se encontravam protegidos e que não havia nenhum cataclismo na sociedade e na economia portuguesa. A verdade é que as pessoas continuaram na praia. A verdade é que não houve nenhuma corrida. A verdade é que o banco recuperou a sua credibilidade. Posso dizer-lhe mais, uma das constatações que resulta dos processos de venda anterior e do processo que está em curso é que a franchise do banco, na sua actividade nuclear, é forte e muito apreciada por eventuais adquirentes. É um activo muito apetecível.













Eu sei que a entrevista continua na próxima semana. Mas para já faltou a explicação sobre a intervenção ao Banif, contra a vontade de Bruxelas. A sua resolução no fim do ano passado e a venda ao Santander. 

Faltou ainda a explicação sobre o bail-in no Novo Banco (obrigações que passaram para o BES).

 

Também não disse quem vai ser o sucessor de Eduardo Stock da Cunha se o Novo Banco não se vender em Junho. Falta perguntar que convites foram feitos a candidatos a estudar a compra do banco de transição do BES.
































Governador do "nosso" descontentamento: Uma base legal não é uma base moral













Carlos Costa deu uma rara entrevista no fim de semana ao Expresso. Nela procura a redenção de todos os pecados que lhe apontam, e não são poucos. Eu confesso que acho que, apesar de todos os percalços nos últimos anos no sector bancário, Carlos Costa foi um homem de coragem, que fez muito mais do que qualquer Governador. Mas fazer ou não fazer, nesta sociedade dos nossos dias, não cria heróis. O que Carlos Costa possa ter feito de bom acabou ofuscado por eventuais erros e omissões e por conta dos inimigos poderosos que arranjou e que não desarmam na luta contra o Governador do Banco de Portugal. Esses inimigos têm a seu favor a falta de popularidade de um Governador que fez coisas pouco ortodoxas. Nem todas ao longo da entrevista ficaram bem explicadas.


Mas analisemos. Sobre o mais difícil da sua carreira, a Resolução do BES e as suas vítimas: os lesados do BES. Diz sobre isso, Carlos Costa, que aproveita para mostrar simpatia pela causa dos lesados, o seguinte: 


"Os lesados tem razão para se queixar dos emitentes, a ESI e a Rioforte, que não cumpriram com aquilo a que estavam obrigados. Os lesados têm todo o direito de ser ressarcidos pela massa falida. Não são credores do BES porque o BES não lhes deu uma garantia formal. Se tivesse dado uma garantia formal nos termos da decisão de resolução teriam passado para o Novo Banco. Logo não podem ser credores do Novo Banco. Para isso acontecer é preciso haver um acto jurídico ou uma base jurídica para converter a situação em que eles se encontram em credores do BES. A única lei de que dispomos para este feito é o Código de Valores Mobiliário, que diz que em casos de venda abusiva a autoridade de mercado pode reverter a operação. Não pode ser o Banco de Portugal".


 


Reparem, Carlos Costa diz: tenho simpatia pela vossa causa. Mas o BES não deu uma garantia formal, por isso não é um tema do meu departamento. Têm de ir ali ao lado à CMVM que essa sim pode reverter a operação e dessa maneira reverter a venda de títulos e dessa forma os que os compraram é como se não o tivessem feito e ficam desta forma credores do BES. A esta hora a CMVM já lá deve ter uns quantos a bater-lhes à porta. Mas atenção, a reversão da venda é só em caso de se provar que houve venda abusiva. Pode ser difícil provar tal. Sobretudo passado tanto tempo. 


Explica ainda o Governador, a propósito deste tema que:


Claro, claro. E a CMVM pode reverter a operação baseando-se em critérios genéricos se não quiser ir caso a caso, ou, no limite, se os lesados apelarem para os tribunais.


(...)













Nós temos de ter uma base legal e há duas que são importantes. Uma é o Código de Valores Mobiliários e a outra é a base legal da resolução. E as duas têm de ser respeitadas porque se eventualmente aceitássemos reembolsar alguém que não é credor do BES não teríamos nenhuma razão para aplicar a hierarquia de credores. Abríamos uma caixa de Pandora.


(...) 


Têm acesso à massa falida e no caso em que haja razões para invocar o artigo do Código de Valores Mobiliários que os protege têm razoes para recorrer para a CMVM ou para os tribunais.
























Com documentos escritos? [pergunta o Expresso]


Ou evidências que o permitam. Tem é de haver uma base legal. E uma base legal não é uma base moral.


Esta é a frase chave de todo o discurso de Carlos Costa e que rege toda a sua política à frente do Banco de Portugal.














Continua Carlos Costa (e esta é uma revelação importante):














Estou é a dizer que no dia 21 de Maio fiz uma proposta que tinha a concordância da ministra das Finanças no sentido de fazermos uma aplicação indiciária de critérios de venda abusiva para depois reverter as operações que tinham de ser revertidas. Nós queremos uma solução, mas essa tem de se enquadrar em dois princípios, o da legalidade e o da segurança do processo de resolução.


(...)


Quem decide nessa matéria é a CMVM. Se por acaso a CMVM não decidir, há lugar a recursos para os tribunais.


 


A este propósito é preciso dizer que os advogados são caros e que depois de se perder muito dinheiro das poupanças num banco que era referência no mercado, a última coisa que apetece é pagar milhares a advogados. 


 


Vamos agora passar ao tema ESI e falsificação de contas, e mais ainda a proibição de venda de dívida dessa empresa do Grupo Espírito Santo aos balcões do banco.


Diz Carlos Costa:


Qual a autoridade moral do Banco de Portugal quando essas unidades eram vendidas ao balcão do BES e já tinham a noção de que o BES tinha falsificado contas.













"Estamos a falar de uma instituição que estava sediada no Luxemburgo que não era supervisionada por nós. A ESI só entrou no radar do Banco de Portugal porque no quadro do Etric decidiu ir controlar os grandes clientes dos bancos. A 26 de Novembro de 2013 identificamos um acréscimo do passivo financeiro da ESI. Três dias depois, requeremos explicação detalhada do porquê das coisas. A 3 de Dezembro, a ESFG informou o BdP que, por problemas de natureza contabilística, havia passivos e activos que não estavam registados no valor de 1,3 mil milhões de euros. Nessa altura não se falava que a situação líquida era negativa, nem de qualquer falseamento das contas. E em Dezembro o BES deixou de vender papel comercial dessa entidade por nossa imposição. Depois pedimos que fosse feita uma auditoria pelo auditor do BES. A 31 de Janeiro, a KPMG comunica que a ESI tinha uma situação líquida negativa de 2,4 mil milhões de euros, mas não identifica caso de falseamento de contas. A 7 de Fevereiro a KPMG, em conversa connosco, impõe a constituição de uma provisão de 700 milhões de euros na ESFG. A 14 de Fevereiro, o Banco de Portugal proibiu a comercialização directa ou indirecta de qualquer tipo de papel de entidades do grupo. A 28 de Maio, é a primeira vez que temos a indicação de que há falseamento de contas. Que não vem sequer através da KPMG, mas através de uma sociedade de advogados luxemburguesa".


 


Primeira grande pergunta: Porque é que o Banco de Portugal não tornou pública a proibição de vender papel comercial do Grupo a 14 de Fevereiro? Se o tivesse feito, não teria havido clientes do BES que tinham o dinheiro noutras subsidiárias fora de Portugal, a comprar papel comercial de empresas que não podiam vender papel comercial em Portugal por imposição do regulador. A transparência tinha sido essencial. Se alguma coisa se pode apontar ao Governador é o excesso de discrição. Muito discreto, muito discreto, e as consequências estão à vista. Muitos lesados dos bancos. Não foi só no BES, no Banif e no Novo Banco também já há lesados. Todos apanhados de surpresa. 


 


Esta conversa entre o Expresso e Carlos Costa é digna de registo. Reparem:


Mas se em Janeiro há um relatório em que a KPMG diz que a ESI tem uma situação líquida negativa quando as fichas técnicas do papel comercial apresentavam uma situação líquida positiva.













Mas nessa altura o Banco de Portugal autorizava a venda do papel comercial da ESI? Não, já a tinha proibido.


Mas eles passaram para a Rioforte e para as pessoas era na prática o mesmo.


Mas a Rioforte é outro problema. O papel comercial não era supervisionado pelo Banco de Portugal. E nós impedimos a comercialização através dos balcões. Ao primeiro sinal de que havia um problema com este papel não era o Banco de Portugal que tinha de interditar a comercialização do papel.


Era a CMVM?


Nós só podemos impedir uma instituição de vender.


(...)


É muito fácil atirar a pedra ao Banco de Portugal.


 


Parece mais um jogo de culpas entre ex-amantes. Do género:- Tu traíste. -Eu nunca te prometi nada. -Mas destes sinais. - Não fui que te pedi para teres esperanças. Enfim.  













O Banco de Portugal proibiu, e o que não proibiu não lhe cabia proibir. Não podemos impedir uma instituição de vender. Ora bolas!


Remata com esta: 













"Vou ser muito claro neste ponto: a CMVM tem a supervisão dos produtos, nós temos a supervisão das instituições"


 


Agora o tema Vítor Bento (o presidente do BES que substituiu Ricardo Salgado). Sobre a venda do Novo Banco:


"Uma coisa é o que gostaríamos, outra é o enquadramento europeu.













Primeiro, tínhamos de trabalhar com os dados fornecidos pela Direcção-Geral da Concorrência, que diziam ser precisos dois anos para proceder à venda do banco e tínhamos que mostrar que éramos diligentes para justificar qualquer alargamento do prazo, o que foi feito, porque nos deram um ano adicional. Um ano que tem custos, porque implica medidas e remédios adicionais. Se não tivéssemos sido diligentes teríamos entrado na fase em que temos uma autoridade europeia de resolução, que seria um período de maior incerteza do ponto de vista da condução do processo. Segundo, estou muito agradecido a Vítor Bento pelo facto de naquele dia ter aceitado continuar à frente do banco de transição. Terceiro, as relações entre mim e Vítor Bento sempre foram de uma grande cordialidade. Ele teve o apoio de que necessitava, sempre que o pediu, e houve momentos em que achou que o projecto não o entusiasmava e pediu para ser substituído.


Os cinco anos que ele defendia não eram, e ainda hoje não são, compatíveis com as regras da DG Concorrência.


Esta semana, Vítor Bento abriu uma discussão sobre se o Novo Banco não deve ficar no sector público. O que diz o Governador sobre isso:


O Banco de Portugal, como autoridade de resolução, executa um mandato. Esse mandato resulta da carta de compromissos que o Governo subscreve junto da Comissão Europeia e da DG Concorrência. Neste momento, temos uma carta de compromissos que nos obriga a ser diligentes no processo de venda. Se a carta de compromissos for alterada num outro sentido, o Banco de Portugal agirá da forma mais diligente possível para a implementar.


Portanto, se o Governo quiser que o Novo Banco fique na esfera do Estado, deve falar com Bruxelas.













 O impacto da venda do Novo Banco pode implicar aumentos de capital nos outros bancos? [Pergunta o Expresso]
























Não. O princípio é de que o Fundo de Resolução fique com um crédito sobre os bancos que vai sendo amortizado ao longo do tempo, à medida que for sendo paga a taxa sobre os bancos.


Quanto é que o Novo Banco vai custar aos contribuintes?  [Pergunta o Expresso]


Não vai custar aos contribuintes, vai custar aos bancos.


























Quanto é que se vai perder no Novo Banco?


Não podemos saber. Se aplicarmos as taxas de desconto que estão em vigor no mercado, como o capital do banco anda pelos €6 mil milhões, o valor pode andar na ordem dos €3 mil milhões. O que compara com os €4,9 mil milhões.


Ou seja, uma perda de dois mil milhões de euros. Continua convencido que a resolução foi a melhor solução?  [Pergunta o Expresso]


Eu tinha de assegurar que, no dia seguinte, segunda-feira, 4 de Agosto [de 2014], o financiamento à economia continuava, que a confiança dos depositantes continuava intacta, que os depósitos se encontravam protegidos e que não havia nenhum cataclismo na sociedade e na economia portuguesa. A verdade é que as pessoas continuaram na praia. A verdade é que não houve nenhuma corrida. A verdade é que o banco recuperou a sua credibilidade. Posso dizer-lhe mais, uma das constatações que resulta dos processos de venda anterior e do processo que está em curso é que a franchise do banco, na sua actividade nuclear, é forte e muito apreciada por eventuais adquirentes. É um activo muito apetecível.













Eu sei que a entrevista continua na próxima semana. Mas para já faltou a explicação sobre a intervenção ao Banif, contra a vontade de Bruxelas. A sua resolução no fim do ano passado e a venda ao Santander. 

Faltou ainda a explicação sobre o bail-in no Novo Banco (obrigações que passaram para o BES).

 

Também não disse quem vai ser o sucessor de Eduardo Stock da Cunha se o Novo Banco não se vender em Junho. Falta perguntar que convites foram feitos a candidatos a estudar a compra do banco de transição do BES.
































É bom ler notícias assim!

Ruin'Art-530.jpg


 


A palavra Marvila é sinónimo de maravilhas, e portanto de milagre. Em Santarém há mesmo uma igreja com esta designação: Santa Maria de Marvila, ou simplesmente a Igreja de Marvila!


Com este intróito não estou a escrever sobre Santarém, nem tampouco sobre o seu património, pois se me metesse nessa aventura nunca mais sairia daqui. Nem tampouco estou na Lezíria do Tejo. Estou perto da sua foz, à entrada de Lisboa. Em Marvila!


Porquê Marvila? Porque, como sonhador e criador – tenho a mania que sou um artista plástico -, acredito em milagres. Acredito que nada é adquirido e que mesmos espaços devolutos e supostamente mal-frequentados tem o direito a uma nova vida. Da mesma forma que os criadores, sejam artistas, dançarinos ou sejam lá o que forem tem direito a que existam espaços que os possam tornar seus. Ao criarem dão vida a estes lugares outrora vazios, devolutos, e onde, de há muito a esta parte, se deixou de fazer história. A arte é história!


Hoje aquela a Marvila ultrapassada, das velhas industrias, é espaço das mais diversas esperanças. Da esperanças de quem ai se instalou, e da esperança de uma cidade que procura recriar-se!


É bom ler notícias assim. No entanto, porque Portugal não é só Lisboa, era fantástico que isso se estendesse um pouco por todo lado, pois era sinal que o país (ainda) tem pernas para andar!

É bom ler notícias assim!

Ruin'Art-530.jpg


 


A palavra Marvila é sinónimo de maravilhas, e portanto de milagre. Em Santarém há mesmo uma igreja com esta designação: Santa Maria de Marvila, ou simplesmente a Igreja de Marvila!


Com este intróito não estou a escrever sobre Santarém, nem tampouco sobre o seu património, pois se me metesse nessa aventura nunca mais sairia daqui. Nem tampouco estou na Lezíria do Tejo. Estou perto da sua foz, à entrada de Lisboa. Em Marvila!


Porquê Marvila? Porque, como sonhador e criador – tenho a mania que sou um artista plástico -, acredito em milagres. Acredito que nada é adquirido e que mesmos espaços devolutos e supostamente mal-frequentados tem o direito a uma nova vida. Da mesma forma que os criadores, sejam artistas, dançarinos ou sejam lá o que forem tem direito a que existam espaços que os possam tornar seus. Ao criarem dão vida a estes lugares outrora vazios, devolutos, e onde, de há muito a esta parte, se deixou de fazer história. A arte é história!


Hoje aquela a Marvila ultrapassada, das velhas industrias, é espaço das mais diversas esperanças. Da esperanças de quem ai se instalou, e da esperança de uma cidade que procura recriar-se!


É bom ler notícias assim. No entanto, porque Portugal não é só Lisboa, era fantástico que isso se estendesse um pouco por todo lado, pois era sinal que o país (ainda) tem pernas para andar!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Um voto contra a estupidez!

jesus4.jpg


 


Prezo o facto de ter uma mente aberta. Já o provei aqui. Porém, e não obstante a minha abertura mental, não tolero a estupidez. Usar Jesus Cristo como ponte para a aprovação da adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo é coisa que não lembra a ninguém, incluindo Satanás.


Por outro lado, os argumentos apresentados pela deputada bloquista,Sandra Cunha, são o sinal da estupidez que paira nesse partido. Diz ela: "A ideia do cartaz com a imagem de Jesus Cristo não pretende ofender nem a Igreja nem a religião". Então serve para quê? Se não é para ofender a Igreja deve ser para afirmar uma espécie de "sacra homossexualidade"? Porque se não é isto, porque afirma que Ele teve um "Pai terreno e um Pai espiritual?


Sim... Tenho uma mente aberta que não suporta a estupidez!


 


P.S. - Não obstante adoro as reacções que tenho visto na net.

Um voto contra a estupidez!

jesus4.jpg


 


Prezo o facto de ter uma mente aberta. Já o provei aqui. Porém, e não obstante a minha abertura mental, não tolero a estupidez. Usar Jesus Cristo como ponte para a aprovação da adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo é coisa que não lembra a ninguém, incluindo Satanás.


Por outro lado, os argumentos apresentados pela deputada bloquista,Sandra Cunha, são o sinal da estupidez que paira nesse partido. Diz ela: "A ideia do cartaz com a imagem de Jesus Cristo não pretende ofender nem a Igreja nem a religião". Então serve para quê? Se não é para ofender a Igreja deve ser para afirmar uma espécie de "sacra homossexualidade"? Porque se não é isto, porque afirma que Ele teve um "Pai terreno e um Pai espiritual?


Sim... Tenho uma mente aberta que não suporta a estupidez!


 


P.S. - Não obstante adoro as reacções que tenho visto na net.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Trumbo: Quando forças perversas se unem para impedir alguém de fazer bem o seu trabalho


Acabei de ver o Trumbo, o filme de Jay Roach que conta a história do argumentista de Hollywood, DaltonTrumbo que escreveu filmes premiados como o Férias em Roma, Spartacus e o Rapaz e o Touro, alguns deles só mais tarde assinou como seus. Perseguido na era do Macartismo, pelas suas ligações ao Partido Comunista, durante o início da Guerra Fria, Trumbo que era genial nos seus argumentos, só conseguia receber prémios quando escondia o seu nome dos argumentos.


De cada vez que era contratado faziam-lhe a vida negra com intrigas e perseguições. Fiquei a pensar se o mundo não tinha dado a volta e se isso não era hoje o mesmo que acontecia a quem tem um pensamento de direita. A quem defende aquilo em que acredita contra a opinião dominante do mainstream, demasiado cego com a histeria anti-conservadorismo, e anti-neoliberalismo. Sei bem o que é ser-se impedido de trabalhar por ódios irracionais, mesmo quando à volta toda a gente reconhece a qualidade do nosso trabalho intelectual. Sei bem o que é estar na situação de a qualidade do nosso trabalho, ao invés de ser reconhecida, ainda ser um factor agravante contra o nosso trabalho, quando à força a querem esconder com tentativas de nos desacreditar intelectualmente com rótulos fúteis. Foi sem dúvida o que aconteceu a Dalton Trumbo. Foi catalogado de traidor e com esse argumento coagiram todos os que gostavam e queriam o seu trabalho.

Trumbo: Quando forças perversas se unem para impedir alguém de fazer bem o seu trabalho


Acabei de ver o Trumbo, o filme de Jay Roach que conta a história do argumentista de Hollywood, DaltonTrumbo que escreveu filmes premiados como o Férias em Roma, Spartacus e o Rapaz e o Touro, alguns deles só mais tarde assinou como seus. Perseguido na era do Macartismo, pelas suas ligações ao Partido Comunista, durante o início da Guerra Fria, Trumbo que era genial nos seus argumentos, só conseguia receber prémios quando escondia o seu nome dos argumentos.


De cada vez que era contratado faziam-lhe a vida negra com intrigas e perseguições. Fiquei a pensar se o mundo não tinha dado a volta e se isso não era hoje o mesmo que acontecia a quem tem um pensamento de direita. A quem defende aquilo em que acredita contra a opinião dominante do mainstream, demasiado cego com a histeria anti-conservadorismo, e anti-neoliberalismo. Sei bem o que é ser-se impedido de trabalhar por ódios irracionais, mesmo quando à volta toda a gente reconhece a qualidade do nosso trabalho intelectual. Sei bem o que é estar na situação de a qualidade do nosso trabalho, ao invés de ser reconhecida, ainda ser um factor agravante contra o nosso trabalho, quando à força a querem esconder com tentativas de nos desacreditar intelectualmente com rótulos fúteis. Foi sem dúvida o que aconteceu a Dalton Trumbo. Foi catalogado de traidor e com esse argumento coagiram todos os que gostavam e queriam o seu trabalho.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A conferência da despedida do presidente do Novo Banco

Mais de metade do prejuízo de 2015 é "herdado" do antigo BES -- presidente


A conferência de imprensa do Novo Banco para apresentação dos resultados anuais de 2015 teve um sabor a fim de ciclo. Eduardo Stock de Cunha vai sair do Novo Banco. A decisão não é de agora. Desde que o ano de 2015 fechou que o banqueiro, que tentou recuperar o Novo Banco o máximo que pode, decidiu sair e voltar para Londres para a sua família. "Sou o porta-voz do Novo Banco, mas não sou o Novo Banco. Sempre o disse que estou aqui transitoriamente. Sou um empregado do Lloyds Bank. Estou aqui em comissão de serviço, em leave of absence. A minha comissão de serviço acabará dentro de algumas semanas. Tive o cuidado de perguntar no Lloyds, ao seu CEO, António Horta Osório, caso haja interesse das autoridades portuguesas, se o Lloyds me permitia ficar aqui até ao Verão, e tentar conciliar alguma novidade no Novo Banco que possa existir para os próximos meses (apesar de o banco poder sobreviver assim até 2017), e a resposta que obtive é que poderia ficar aqui mais alguns meses, e falámos no Verão. Mas para eu aqui estar é preciso ainda que o accionista queira. O Banco de Portugal tem total autoridade para decidir". Disse o banqueiro.


Nesta resposta intui-se também que a venda, que deverá ser acompanhada pelo ainda presidente em leave of absence, poderá ter o Santander como protagonista. Eduardo Stock da Cunha é um ex-Santander, como sabem. Penso que nalgum momento desta história se pôs a hipótese de o comprador potencial poder ficar com  Eduardo Stock da Cunha como presidente para o futuro do banco. Essa hipótese hoje é uma miragem. Os tempos mudam hoje rápido demais e se em 2015 havia a possibilidade de, por exemplo, o Novo Banco ser integrado no BPI, o que poderia levar Eduardo Stock da Cunha a deixar de estar cá em leave of absence e passar a ser um presidente definitivo, hoje já não há essa possibilidade. O mundo da alta finança mudou muito desde então. É o próprio Eduardo Stock da Cunha quem diz "não deve haver nenhum banco europeu que valha hoje o que valia em 2014". Por outro lado, Portugal é um país onde a banca promete ter alguns problemas nos próximos tempos. As fusões são inevitáveis.


Mas haverá outro facto a pesar na decisão de levar Eduardo Stock da Cunha a cumprir o prazo do seu leave of absence, ainda que com algum adiamento relativo: As surpresas que encontrou nos créditos do Novo Banco e que levaram o banco aos seus prejuízos de quase mil milhões de euros. Caramba! Imaginar que este banco era o Banco Bom do BES. O que seria se fosse Banco Mau?


Eduardo Stock da Cunha levou com o peso de créditos tão maus que pesaram, só por si, 764 milhões de euros nos resultados do Novo Banco. Ou seja, o mau crédito representou 78% dos prejuízos de 980 milhões registados em 2015. E esta carteira de crédito, ainda vai pesar nas contas deste ano. Ao certo só lá para 2018, estima o board, é que o banco bom do BES voltará a ter lucros.


 O elevado valor das provisões que atingiu 1057,9 milhões de euro, e foi influenciado por perdas em activos transferidos do BES. O reforço de provisões para imóveis e para as 50 maiores exposições ao risco, que já existiam à data da resolução do BES, totalizou 592,3 milhões, explicou o banco.


O prejuízo foi de 980,6 milhões depois da anulação da totalidade dos prejuízos fiscais reportáveis relativos ao ano de 2013 no valor de 160 M€.


Não fossem os créditos herdados do antigo BES, o banco teria tido um lucro de 125 milhões de euros. O banco liderado pela equipe de Eduardo Stock da Cunha tem para se gabar o facto de o produto bancário de 879,6 M€, ter o maior peso (51%) do resultado financeiro (margem). 


 


Disse então Eduardo Stock da Cunha: "Relativamente às imparidades dos trimestres e às 50 maiores exposições de risco [créditos], isto são situações que vêm do passado, a maior parte são créditos que não estão de acordo com o business model do Novo Banco. Relembro que o primeiro critério do BCE para avaliação de bancos para este ano é o business models. São situações que à data de 3 de Agosto de 2014 já existiam, mas não se conheciam em toda a sua extensão, porque se tivessem sido conhecidas em toda a sua extensão teriam sido relevados naquela data".


De facto, o crédito em risco representava 22,8% do total da carteira de crédito e a cobertura era de 68,2% e a carteira de activos não correntes detidos para venda tem provisões afectas correspondentes a 27,3% do seu valor bruto.


A maior parte dos custos relacionados com a herança do BES resultou da necessidade de registar crédito em incumprimento e a desvalorização de imóveis. No total as provisões para as 50 maiores exposições de risco e para a carteira de activos imobiliários ascenderam aos tais 592 milhões.


O mau legado do BES gerou 78% dos prejuízos do Novo Banco.E para além das imparidades, a anulação de juros contabilizados indevidamente retirou mais 172 milhões. Ao todo foi esse crédito (imobiliário, a accionistas entre outros)  que gerou os 764 milhões de euros de perdas para o Novo Banco no ano passado. Era uma coisa espantosa a carteira de crédito do BES!


Se a esta realidade somarmos a recente benesse (no capital) da retirada de quase 2.000 milhões de euros de dívida sénior enviada para o chamado BES "mau", podemos ver em que estado ficou o banco bom aquando da Resolução de Agosto de 2014. 


Uma opção de retirar obrigações séniores do BES para capitalizar o Novo Banco que foi muito criticada pelos instituionais internacionais, e que esteve a ponto de ser considerada um evento de crédito que poderia ter feito accionar os Crédit Default Swaps que cobrem o risco dessas obrigações. 

Eduardo Stock da Cunha diz que acharia simpático que os credores tivessem antes recebido ações do Novo Banco. Esta sentença é importante e revela o desprendimento do banqueiro em relação a essa decisão dos reguladores bancários.


Uma despedida com chave de ouro. 


A conferência de imprensa serviu também para esclarecer outra das manchas do mandato: a venda do Novo Banco Cabo Verde a José Veiga (que era dono da maior parte do dinheiro lá depositado). "Não me compete a mim avaliar a idoneidade de um comprador de um banco que não [está] em Portugal". Foi assim que Eduardo Stock da Cunha justificou o acordo de venda do Banco Internacional do Cabo Verde, através de concurso, a uma sociedade liderada por José Veiga, agora em investigação pela justiça portuguesa. 

A conferência da despedida do presidente do Novo Banco

Mais de metade do prejuízo de 2015 é "herdado" do antigo BES -- presidente


A conferência de imprensa do Novo Banco para apresentação dos resultados anuais de 2015 teve um sabor a fim de ciclo. Eduardo Stock de Cunha vai sair do Novo Banco. A decisão não é de agora. Desde que o ano de 2015 fechou que o banqueiro, que tentou recuperar o Novo Banco o máximo que pode, decidiu sair e voltar para Londres para a sua família. "Sou o porta-voz do Novo Banco, mas não sou o Novo Banco. Sempre o disse que estou aqui transitoriamente. Sou um empregado do Lloyds Bank. Estou aqui em comissão de serviço, em leave of absence. A minha comissão de serviço acabará dentro de algumas semanas. Tive o cuidado de perguntar no Lloyds, ao seu CEO, António Horta Osório, caso haja interesse das autoridades portuguesas, se o Lloyds me permitia ficar aqui até ao Verão, e tentar conciliar alguma novidade no Novo Banco que possa existir para os próximos meses (apesar de o banco poder sobreviver assim até 2017), e a resposta que obtive é que poderia ficar aqui mais alguns meses, e falámos no Verão. Mas para eu aqui estar é preciso ainda que o accionista queira. O Banco de Portugal tem total autoridade para decidir". Disse o banqueiro.


Nesta resposta intui-se também que a venda, que deverá ser acompanhada pelo ainda presidente em leave of absence, poderá ter o Santander como protagonista. Eduardo Stock da Cunha é um ex-Santander, como sabem. Penso que nalgum momento desta história se pôs a hipótese de o comprador potencial poder ficar com  Eduardo Stock da Cunha como presidente para o futuro do banco. Essa hipótese hoje é uma miragem. Os tempos mudam hoje rápido demais e se em 2015 havia a possibilidade de, por exemplo, o Novo Banco ser integrado no BPI, o que poderia levar Eduardo Stock da Cunha a deixar de estar cá em leave of absence e passar a ser um presidente definitivo, hoje já não há essa possibilidade. O mundo da alta finança mudou muito desde então. É o próprio Eduardo Stock da Cunha quem diz "não deve haver nenhum banco europeu que valha hoje o que valia em 2014". Por outro lado, Portugal é um país onde a banca promete ter alguns problemas nos próximos tempos. As fusões são inevitáveis.


Mas haverá outro facto a pesar na decisão de levar Eduardo Stock da Cunha a cumprir o prazo do seu leave of absence, ainda que com algum adiamento relativo: As surpresas que encontrou nos créditos do Novo Banco e que levaram o banco aos seus prejuízos de quase mil milhões de euros. Caramba! Imaginar que este banco era o Banco Bom do BES. O que seria se fosse Banco Mau?


Eduardo Stock da Cunha levou com o peso de créditos tão maus que pesaram, só por si, 764 milhões de euros nos resultados do Novo Banco. Ou seja, o mau crédito representou 78% dos prejuízos de 980 milhões registados em 2015. E esta carteira de crédito, ainda vai pesar nas contas deste ano. Ao certo só lá para 2018, estima o board, é que o banco bom do BES voltará a ter lucros.


 O elevado valor das provisões que atingiu 1057,9 milhões de euro, e foi influenciado por perdas em activos transferidos do BES. O reforço de provisões para imóveis e para as 50 maiores exposições ao risco, que já existiam à data da resolução do BES, totalizou 592,3 milhões, explicou o banco.


O prejuízo foi de 980,6 milhões depois da anulação da totalidade dos prejuízos fiscais reportáveis relativos ao ano de 2013 no valor de 160 M€.


Não fossem os créditos herdados do antigo BES, o banco teria tido um lucro de 125 milhões de euros. O banco liderado pela equipe de Eduardo Stock da Cunha tem para se gabar o facto de o produto bancário de 879,6 M€, ter o maior peso (51%) do resultado financeiro (margem). 


 


Disse então Eduardo Stock da Cunha: "Relativamente às imparidades dos trimestres e às 50 maiores exposições de risco [créditos], isto são situações que vêm do passado, a maior parte são créditos que não estão de acordo com o business model do Novo Banco. Relembro que o primeiro critério do BCE para avaliação de bancos para este ano é o business models. São situações que à data de 3 de Agosto de 2014 já existiam, mas não se conheciam em toda a sua extensão, porque se tivessem sido conhecidas em toda a sua extensão teriam sido relevados naquela data".


De facto, o crédito em risco representava 22,8% do total da carteira de crédito e a cobertura era de 68,2% e a carteira de activos não correntes detidos para venda tem provisões afectas correspondentes a 27,3% do seu valor bruto.


A maior parte dos custos relacionados com a herança do BES resultou da necessidade de registar crédito em incumprimento e a desvalorização de imóveis. No total as provisões para as 50 maiores exposições de risco e para a carteira de activos imobiliários ascenderam aos tais 592 milhões.


O mau legado do BES gerou 78% dos prejuízos do Novo Banco.E para além das imparidades, a anulação de juros contabilizados indevidamente retirou mais 172 milhões. Ao todo foi esse crédito (imobiliário, a accionistas entre outros)  que gerou os 764 milhões de euros de perdas para o Novo Banco no ano passado. Era uma coisa espantosa a carteira de crédito do BES!


Se a esta realidade somarmos a recente benesse (no capital) da retirada de quase 2.000 milhões de euros de dívida sénior enviada para o chamado BES "mau", podemos ver em que estado ficou o banco bom aquando da Resolução de Agosto de 2014. 


Uma opção de retirar obrigações séniores do BES para capitalizar o Novo Banco que foi muito criticada pelos instituionais internacionais, e que esteve a ponto de ser considerada um evento de crédito que poderia ter feito accionar os Crédit Default Swaps que cobrem o risco dessas obrigações. 

Eduardo Stock da Cunha diz que acharia simpático que os credores tivessem antes recebido ações do Novo Banco. Esta sentença é importante e revela o desprendimento do banqueiro em relação a essa decisão dos reguladores bancários.


Uma despedida com chave de ouro. 


A conferência de imprensa serviu também para esclarecer outra das manchas do mandato: a venda do Novo Banco Cabo Verde a José Veiga (que era dono da maior parte do dinheiro lá depositado). "Não me compete a mim avaliar a idoneidade de um comprador de um banco que não [está] em Portugal". Foi assim que Eduardo Stock da Cunha justificou o acordo de venda do Banco Internacional do Cabo Verde, através de concurso, a uma sociedade liderada por José Veiga, agora em investigação pela justiça portuguesa. 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O Marcelo merece uma boa missa...

loooooool.jpg


Marcelo vai à missa na mesquita no dia da tomada de posse


Vai? Ora, ora... mas já se rezam missas em mesquitas?


 


 

O Marcelo merece uma boa missa...

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Marcelo vai à missa na mesquita no dia da tomada de posse


Vai? Ora, ora... mas já se rezam missas em mesquitas?


 


 

Para (re)ver brevemente


Para ver ou rever

Para (re)ver brevemente


Para ver ou rever

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Eu gostei do El Bulo Social Club


Sei que o blog Onde Vamos Jantar arrasou em críticas o novo restaurante do chef argentino Chakall. Mas eu, que não me deixo influenciar facilmente pelas opiniões dos outros, fui ver. Fui lá e gostei.


Desde logo a decoração é bem conseguida, transporta-nos para uma argentina popular. Suponho que é este lado romântico, de apologia à defesa dos descamisados, que faz da Argentina uma cultura na moda internacional. Jorge Luís Borges dizia que os argentinos eram muito snobs, pois em 1898 quando o Tango surgiu nos lupanares (bordeis) nenhuma mulher se atrevia a dançá-lo, por ser lascivo, uma espécie de paródia ao acto do amor. A música era considerada obscena, as letras também. Quando Tango nasceu era apenas dançado por homens nos passeios do arrabalde, até que um dia, chegou a Paris. E pelo mero facto de Paris ter acolhido o Tango tornou-se respeitável na Argentina. 


Acho que a cultura popular argentina chegou à Europa e passou a ser culto. 


O Restaurante El Bulo tem essa mística. Para além disso tem um palco onde os acordes do Trio Latinidade, ao vivo, ajudam a esse ambiente.


A comida é boa e as pessoas que nos servem são muito simpáticas, ao contrário do que aconteceu com os autores do blog Onde Vamos Jantar que foram mal atendidos. Nós éramos muitos, mais de 10, e fomos muito bem atendidos. A comida é muito argentina e tens algumas coisas bastante recomendáveis, como por exemplo as empanadas e o ceviche. O vinho, da casta Malbec, também é bastante agradável. A carne argentina tem tudo para se tornar uma referência.


O que tem de melhorar: sobretudo a temperatura do restaurante. O facto de ser um restaurante argentino, com decoração caliente, não joga bem com o frio que aquele armazém deixa entrar. Há poucos aquecedores para o espaço que, apesar de dividido por um biombo, é bastante grande. Espera-se ainda que surjam alguns espectáculos de Tango para a primavera, altura em que a temperatura amena lá fora ajudará ao sucesso do Restaurante.


O Chakall é um chefe simpaticíssimo, com charme de anfitrião, que vem às mesas e se senta connosco.


É um programa a não perder e a voltar.


O preço depende muito da fome, pode ser caro (o nosso foi porque éramos muitos e pediram muitas entradas, prato, vinhos, sobremesas) mas se for em petit comité vai sair-lhe mais em conta.


Eu gostei do El Bulo Social Club


Sei que o blog Onde Vamos Jantar arrasou em críticas o novo restaurante do chef argentino Chakall. Mas eu, que não me deixo influenciar facilmente pelas opiniões dos outros, fui ver. Fui lá e gostei.


Desde logo a decoração é bem conseguida, transporta-nos para uma argentina popular. Suponho que é este lado romântico, de apologia à defesa dos descamisados, que faz da Argentina uma cultura na moda internacional. Jorge Luís Borges dizia que os argentinos eram muito snobs, pois em 1898 quando o Tango surgiu nos lupanares (bordeis) nenhuma mulher se atrevia a dançá-lo, por ser lascivo, uma espécie de paródia ao acto do amor. A música era considerada obscena, as letras também. Quando Tango nasceu era apenas dançado por homens nos passeios do arrabalde, até que um dia, chegou a Paris. E pelo mero facto de Paris ter acolhido o Tango tornou-se respeitável na Argentina. 


Acho que a cultura popular argentina chegou à Europa e passou a ser culto. 


O Restaurante El Bulo tem essa mística. Para além disso tem um palco onde os acordes do Trio Latinidade, ao vivo, ajudam a esse ambiente.


A comida é boa e as pessoas que nos servem são muito simpáticas, ao contrário do que aconteceu com os autores do blog Onde Vamos Jantar que foram mal atendidos. Nós éramos muitos, mais de 10, e fomos muito bem atendidos. A comida é muito argentina e tens algumas coisas bastante recomendáveis, como por exemplo as empanadas e o ceviche. O vinho, da casta Malbec, também é bastante agradável. A carne argentina tem tudo para se tornar uma referência.


O que tem de melhorar: sobretudo a temperatura do restaurante. O facto de ser um restaurante argentino, com decoração caliente, não joga bem com o frio que aquele armazém deixa entrar. Há poucos aquecedores para o espaço que, apesar de dividido por um biombo, é bastante grande. Espera-se ainda que surjam alguns espectáculos de Tango para a primavera, altura em que a temperatura amena lá fora ajudará ao sucesso do Restaurante.


O Chakall é um chefe simpaticíssimo, com charme de anfitrião, que vem às mesas e se senta connosco.


É um programa a não perder e a voltar.


O preço depende muito da fome, pode ser caro (o nosso foi porque éramos muitos e pediram muitas entradas, prato, vinhos, sobremesas) mas se for em petit comité vai sair-lhe mais em conta.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O desnorte da União Europeia


Os "sábios" da União Europeia, depois do "sucesso" da aplicação do bail-in (uso do dinheiro dos clientes) aos bancos, não acham nada melhor do que aplicar esta regra à dívida soberana. Se nos bancos já cria os problemas que cria (os investidores privados perderem os seus investimentos para salvar o capital do banco), imagine-se o que será se os privados com Obrigações do Tesouro, ou outros instrumentos de dívida do Estado, forem chamados a perdoar a dívida em caso de "falência" do país. 


Vamos por partes. Os "sábios", que na verdade são alemães, querem pôr os credores privados a suportar as reestruturações de dívida soberana nos estados-membros, em caso de risco de incumprimento. Em caso de crise de financiamento a condição prévia para o recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade é uma análise prévia à sustentabilidade da dívida. Mas no caso de dúvida sobre essa sustentabilidade "os sábios" (e que sábios!) propõem como primeira opção uma extensão das maturidades da dívida que é detida pelos credores oficiais (por ex: FMI, BCE, CE). Por exemplo num caso como o grego, um próximo resgate poderá passar por extensão das maturidades de pagamento dos empréstimos concedidos por entidades oficiais.


Mas em situação de sobreendividamento, seria, se as propostas forem implementadas, aplicado uma redução nominal do valor da dívida em mão dos privados, um hair-cut da dívida, a par com um programa de ajustamento macroeconómico supervisionado pelo MEE. Esse programa vai obrigar o país "resgatado"  a consolidar as contas públicas e a implementar reformas na legislação laboral, e outras.


Os alemães não se ficam por aqui. Para evitar a elevada exposição dos bancos a esta dívida soberana (que se aproxima cada vez mais da categoria de bomba-relógio), os mesmos "sábios" defendem a imposição de limites para os bancos nacionais comprarem dívida pública doméstica.


Antevêem-se grandes alterações à União Europeia. Poderão os países periféricos continuar a sobreviver com estas regras da União Europeia? Poderão os países periféricos evitar um short de obrigações do tesouro para os credores evitarem serem apanhados num bail-in para resgatar o país? É que se esta regra chegar a ser implementada os países excessivamente endividados ficam à mercê de um ataque especulativo. Para além de poderem mesmo sofrer de falta de investidores privados para a sua dívida. 


 

O desnorte da União Europeia


Os "sábios" da União Europeia, depois do "sucesso" da aplicação do bail-in (uso do dinheiro dos clientes) aos bancos, não acham nada melhor do que aplicar esta regra à dívida soberana. Se nos bancos já cria os problemas que cria (os investidores privados perderem os seus investimentos para salvar o capital do banco), imagine-se o que será se os privados com Obrigações do Tesouro, ou outros instrumentos de dívida do Estado, forem chamados a perdoar a dívida em caso de "falência" do país. 


Vamos por partes. Os "sábios", que na verdade são alemães, querem pôr os credores privados a suportar as reestruturações de dívida soberana nos estados-membros, em caso de risco de incumprimento. Em caso de crise de financiamento a condição prévia para o recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade é uma análise prévia à sustentabilidade da dívida. Mas no caso de dúvida sobre essa sustentabilidade "os sábios" (e que sábios!) propõem como primeira opção uma extensão das maturidades da dívida que é detida pelos credores oficiais (por ex: FMI, BCE, CE). Por exemplo num caso como o grego, um próximo resgate poderá passar por extensão das maturidades de pagamento dos empréstimos concedidos por entidades oficiais.


Mas em situação de sobreendividamento, seria, se as propostas forem implementadas, aplicado uma redução nominal do valor da dívida em mão dos privados, um hair-cut da dívida, a par com um programa de ajustamento macroeconómico supervisionado pelo MEE. Esse programa vai obrigar o país "resgatado"  a consolidar as contas públicas e a implementar reformas na legislação laboral, e outras.


Os alemães não se ficam por aqui. Para evitar a elevada exposição dos bancos a esta dívida soberana (que se aproxima cada vez mais da categoria de bomba-relógio), os mesmos "sábios" defendem a imposição de limites para os bancos nacionais comprarem dívida pública doméstica.


Antevêem-se grandes alterações à União Europeia. Poderão os países periféricos continuar a sobreviver com estas regras da União Europeia? Poderão os países periféricos evitar um short de obrigações do tesouro para os credores evitarem serem apanhados num bail-in para resgatar o país? É que se esta regra chegar a ser implementada os países excessivamente endividados ficam à mercê de um ataque especulativo. Para além de poderem mesmo sofrer de falta de investidores privados para a sua dívida. 


 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O teste do algodão

 


O algodão, como dizia a velha publicidade, não engana.


Fiz o teste e deu isto:


 


As suas coordenadas políticas, que são:



  • 8.3% Esquerda, 25.0% Liberal


 


 


teste.png


comparison.png


 

O teste do algodão

 


O algodão, como dizia a velha publicidade, não engana.


Fiz o teste e deu isto:


 


As suas coordenadas políticas, que são:



  • 8.3% Esquerda, 25.0% Liberal


 


 


teste.png


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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Até Maio teremos notícias do BPI


Não pude deixar de reparar na nota de research do Caixa BI, do analista André Rodrigues.


Eis a nota:


S&P – Rating do BPI colocado em “Credit Watch”


Factos: A agência de notação financeira S&P actualizou a sua avaliação do Banco BPI. Neste contexto, a agência colocou o rating de crédito de longo prazo do banco de “BB-“ (moeda local e moeda estrangeira) e o de curto prazo de “B” em “Credit Watch” com implicações negativas.


Análise e comentários: No passado dia 5 de Fevereiro a Assembleia Geral do Banco BPI rejeitou o plano de Cisão apresentado pelo Conselho de Administração do Banco, com vista à separação das unidades de negócios do banco em África. Relembramos que essa proposta foi apresentada com o objectivo de solucionar a questão da ultrapassagem do limite de grandes riscos, tal como reportada pelo banco no final de Dezembro de 2014.


No relatório ontem divulgado a agência de notação S&P salienta que “as actuais divergências entre os principais accionistas do Banco BPI estão a afectar a capacidade do banco em reagir adequada e atempadamente aos requisitos regulatórios”, o que em última análise limita inclusivamente a capacidade de gestão da administração do BPI.


Trata-se de uma notícia com implicações potencialmente negativas para o banco. Tal como comentámos na sequência da última Assembleia Geral do banco, e de acordo com responsáveis do banco (citados pela imprensa) a data limite para a resolução da questão levantada pela ultrapassagem do limite dos grandes riscos em Angola é 10 de abril de 2016 pelo que se devem esperar desenvolvimentos em relação a este tema nas próximas semanas.


De acordo com o comunicado de ontem, a S&P espera tomar uma decisão relativamente a esta questão quando as medidas que o Banco BPI vier a apresentar para cumprir com este requisito, bem como as suas implicações, se tornarem totalmente claras.


Duas notas minhas: O BPI vai ter ajuda superior para resolver este impasse com a accionista Isabel dos Santos, se até lá (Abril) nada se fizer para resolver a exposição dos grandes riscos a Angola. Lisboa não é a república das bananas como poderá vir a perceber a accionista angolana. Aguardem!


O divórcio do BPI com Isabel dos Santos poderá acabar, por consequência, por se estender a Angola (mas não será a 10%, nem custará 140 milhões de euros). Aguardem!

Até Maio teremos notícias do BPI


Não pude deixar de reparar na nota de research do Caixa BI, do analista André Rodrigues.


Eis a nota:


S&P – Rating do BPI colocado em “Credit Watch”


Factos: A agência de notação financeira S&P actualizou a sua avaliação do Banco BPI. Neste contexto, a agência colocou o rating de crédito de longo prazo do banco de “BB-“ (moeda local e moeda estrangeira) e o de curto prazo de “B” em “Credit Watch” com implicações negativas.


Análise e comentários: No passado dia 5 de Fevereiro a Assembleia Geral do Banco BPI rejeitou o plano de Cisão apresentado pelo Conselho de Administração do Banco, com vista à separação das unidades de negócios do banco em África. Relembramos que essa proposta foi apresentada com o objectivo de solucionar a questão da ultrapassagem do limite de grandes riscos, tal como reportada pelo banco no final de Dezembro de 2014.


No relatório ontem divulgado a agência de notação S&P salienta que “as actuais divergências entre os principais accionistas do Banco BPI estão a afectar a capacidade do banco em reagir adequada e atempadamente aos requisitos regulatórios”, o que em última análise limita inclusivamente a capacidade de gestão da administração do BPI.


Trata-se de uma notícia com implicações potencialmente negativas para o banco. Tal como comentámos na sequência da última Assembleia Geral do banco, e de acordo com responsáveis do banco (citados pela imprensa) a data limite para a resolução da questão levantada pela ultrapassagem do limite dos grandes riscos em Angola é 10 de abril de 2016 pelo que se devem esperar desenvolvimentos em relação a este tema nas próximas semanas.


De acordo com o comunicado de ontem, a S&P espera tomar uma decisão relativamente a esta questão quando as medidas que o Banco BPI vier a apresentar para cumprir com este requisito, bem como as suas implicações, se tornarem totalmente claras.


Duas notas minhas: O BPI vai ter ajuda superior para resolver este impasse com a accionista Isabel dos Santos, se até lá (Abril) nada se fizer para resolver a exposição dos grandes riscos a Angola. Lisboa não é a república das bananas como poderá vir a perceber a accionista angolana. Aguardem!


O divórcio do BPI com Isabel dos Santos poderá acabar, por consequência, por se estender a Angola (mas não será a 10%, nem custará 140 milhões de euros). Aguardem!

Vícios

guerra dos tronos.jpg


Não digam a ninguém mas estou viciado na "Guerra dos Tronos". Como é possível?


 


Será a violência, será o fantástico? Afinal a que se deve isto? Na realidade não sei bem. Sei porém que a série é uma excelente metáfora dos tempos em que a Europa se edificou, a Idade Média, às trevas e, principalmente, a uma certa ideia de poder em que o político, o religioso e o mágico se misturavam com naturalidade.


 


P.S. - A máxima "não digas que não bebes desta água" cai-me que nem um luva, pelo que um dia ainda irei ver isto, ou seja, correndo o sério risco de começar a gostar de beber destas águas.

Vícios

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Não digam a ninguém mas estou viciado na "Guerra dos Tronos". Como é possível?


 


Será a violência, será o fantástico? Afinal a que se deve isto? Na realidade não sei bem. Sei porém que a série é uma excelente metáfora dos tempos em que a Europa se edificou, a Idade Média, às trevas e, principalmente, a uma certa ideia de poder em que o político, o religioso e o mágico se misturavam com naturalidade.


 


P.S. - A máxima "não digas que não bebes desta água" cai-me que nem um luva, pelo que um dia ainda irei ver isto, ou seja, correndo o sério risco de começar a gostar de beber destas águas.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O paradoxo dos conselhos do Costa

António Costa, ao recomendar às pessoas que deixem de fumar, andem mais de transportes públicos e usem menos crédito, está a pôr-se a jeito para não obter a receita fiscal prevista no OE com o aumento desses impostos indirectos.


 

O paradoxo dos conselhos do Costa

António Costa, ao recomendar às pessoas que deixem de fumar, andem mais de transportes públicos e usem menos crédito, está a pôr-se a jeito para não obter a receita fiscal prevista no OE com o aumento desses impostos indirectos.


 

Toda a gente vê a esquerda como bondade e a direita como maldade, mas...

As pessoas pensam que ser de direita é não querer saber dos problemas sociais, e que a esquerda é mais humana porque se preocupa com as pessoas. Como se a direita não se preocupasse com elas. A direita preocupa-se com a pessoas de forma sustentada e estrutural, a longo prazo. A esquerda só se preocupa no imediato, no curto prazo. A esquerda quer ajudar as pessoas e quer receber logo os aplausos, quer o reconhecimento imediato.


Ninguém vê que por detrás dessa bandeira da solidariedade social, está uma cumplicidade de camaradas "brothers in arms". A direita sempre se quis demarcar disso, de um certo ressabianço da esquerda, que se disfarça de solidariedade social; da esquerda que não tolera a auto-estima nos outros, que a vê como um privilégio social. Da esquerda que não tolera orgulho no próprio mérito, porque vê no mérito um convencimento, uma mania da superioridade (como se o ser melhor em alguma coisa fosse uma mania e uma falta de humildade). Da esquerda que vê na auto-estima um atestado de inferioridade passado aos outros. A direita gosta de auto-estimas. A esquerda queima-as na fogueira. É por isso que embandeira em arco nisto de gostar de desfavorecidos, de gostar de "descamisados" (para usar uma terminologia argentina). Esses têm pouca auto-estima, condição sine qua non para agradar à esquerda.

Toda a gente vê a esquerda como bondade e a direita como maldade, mas...

As pessoas pensam que ser de direita é não querer saber dos problemas sociais, e que a esquerda é mais humana porque se preocupa com as pessoas. Como se a direita não se preocupasse com elas. A direita preocupa-se com a pessoas de forma sustentada e estrutural, a longo prazo. A esquerda só se preocupa no imediato, no curto prazo. A esquerda quer ajudar as pessoas e quer receber logo os aplausos, quer o reconhecimento imediato.


Ninguém vê que por detrás dessa bandeira da solidariedade social, está uma cumplicidade de camaradas "brothers in arms". A direita sempre se quis demarcar disso, de um certo ressabianço da esquerda, que se disfarça de solidariedade social; da esquerda que não tolera a auto-estima nos outros, que a vê como um privilégio social. Da esquerda que não tolera orgulho no próprio mérito, porque vê no mérito um convencimento, uma mania da superioridade (como se o ser melhor em alguma coisa fosse uma mania e uma falta de humildade). Da esquerda que vê na auto-estima um atestado de inferioridade passado aos outros. A direita gosta de auto-estimas. A esquerda queima-as na fogueira. É por isso que embandeira em arco nisto de gostar de desfavorecidos, de gostar de "descamisados" (para usar uma terminologia argentina). Esses têm pouca auto-estima, condição sine qua non para agradar à esquerda.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Virgílio Ferreira, sobre a fraqueza em nós

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Virgílio Ferreira, sobre a fraqueza em nós

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Pink Martini no seu melhor


 

Pink Martini no seu melhor


 

Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro, mas custam tanto

Porque está de moda. Ladies and Gentlemen: Groucho Marx



 


Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.


Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio.


A sinceridade e a honestidade são as chaves do sucesso. Se puderes falsificá-las, estás garantido.


O matrimônio é a principal causa do divórcio.” 



 

 

Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro, mas custam tanto

Porque está de moda. Ladies and Gentlemen: Groucho Marx



 


Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto.


Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio.


A sinceridade e a honestidade são as chaves do sucesso. Se puderes falsificá-las, estás garantido.


O matrimônio é a principal causa do divórcio.” 



 

 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A TAP teve prejuízos, está "falida", mas o presidente vai ser o mesmo

Em 2014 a TAP teve prejuízos de 85 milhões, 46 milhões dos quais da companhia propriamente dita. Em 2015 para além de ter estado sem acesso aos bancos, de ter passado por uma greve de 10 dias dos pilotos (aqueles sindicatos são um handicap), ainda vai reflectir o problema Venezuela onde estão detidos 90 milhões de euros.


"A TAP teve em 2015 os piores resultados dos últimos 15 anos", diz David Neelman.


Mas isso não parece o impressionar muito. Pois apesar de todos estes prejuízos, da elevada dívida, etc, Fernando Pinto vai ser reconduzido como CEO da Companhia. Pode ser que aja algum racional nisto que eu não esteja a ver (talvez Neelman pense que basta mudar o CFO para correr melhor) mas a verdade é que não consigo perceber esta lógica. Em Portugal os maus gestores são reconduzidos, e quando saem por algum motivo (normalmente quando o barco que conduzem está a afundar) logo voltam cheios de ambições de gerir novamente e toda a gente os recebe de braços abertos. 

A TAP teve prejuízos, está "falida", mas o presidente vai ser o mesmo

Em 2014 a TAP teve prejuízos de 85 milhões, 46 milhões dos quais da companhia propriamente dita. Em 2015 para além de ter estado sem acesso aos bancos, de ter passado por uma greve de 10 dias dos pilotos (aqueles sindicatos são um handicap), ainda vai reflectir o problema Venezuela onde estão detidos 90 milhões de euros.


"A TAP teve em 2015 os piores resultados dos últimos 15 anos", diz David Neelman.


Mas isso não parece o impressionar muito. Pois apesar de todos estes prejuízos, da elevada dívida, etc, Fernando Pinto vai ser reconduzido como CEO da Companhia. Pode ser que aja algum racional nisto que eu não esteja a ver (talvez Neelman pense que basta mudar o CFO para correr melhor) mas a verdade é que não consigo perceber esta lógica. Em Portugal os maus gestores são reconduzidos, e quando saem por algum motivo (normalmente quando o barco que conduzem está a afundar) logo voltam cheios de ambições de gerir novamente e toda a gente os recebe de braços abertos. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O problema insolúvel que o Governo de Costa terá pela frente


O aumento dos impostos é indispensável num país que tem falta de produtividade, e onde a flexibilidade legislativa é diminuta. 


Ora o aumento de impostos escolhido pela esquerda (a chamada austeridade da esquerda) é mais prejudicial à produtividade do que a austeridade da direita o que vai agravar o problema mais à frente.


Mas o mais à frente não é daqui a uns anos, é já ali ao virar da esquina. António Costa ainda poderia respirar de alívio se as metas orçamentais se mantivessem para 2017. Os limites de défice não vão ser os mesmos, vão ser mais baixos. O caminho avança rapidamente para um défice muito baixo e isso significa que o Orçamento de 2017, para além de não contar com grande folga de 2016 ainda tem de ser mais austero. Cortes, atrás de cortes, aumentos de impostos atrás de aumentos de impostos. Como convencer Bruxelas? Como convencer os partidos de esquerda?


 


Esta descida da sobretaxa é um oásis e temo que não se vá repetir mais. 


Entretanto a baixa da TSU para os salários mais baixos já desapareceu para todo o sempre. 


As 35 horas para a Função Pública é outra miragem.


Este Orçamento retira qualquer margem a António Costa para 2017. Não tem nada para dar no próximo ano.


António Costa terá de romper o acordo à esquerda e deverá tentar ir a eleições antecipadas para as ganhar e não precisar do PCP e do Bloco. É isto que eu suspeito. A geringonça é um empecilho para António Costa e para as suas negociações com Bruxelas. Os compromissos sindicais também o limitam.


 

O problema insolúvel que o Governo de Costa terá pela frente


O aumento dos impostos é indispensável num país que tem falta de produtividade, e onde a flexibilidade legislativa é diminuta. 


Ora o aumento de impostos escolhido pela esquerda (a chamada austeridade da esquerda) é mais prejudicial à produtividade do que a austeridade da direita o que vai agravar o problema mais à frente.


Mas o mais à frente não é daqui a uns anos, é já ali ao virar da esquina. António Costa ainda poderia respirar de alívio se as metas orçamentais se mantivessem para 2017. Os limites de défice não vão ser os mesmos, vão ser mais baixos. O caminho avança rapidamente para um défice muito baixo e isso significa que o Orçamento de 2017, para além de não contar com grande folga de 2016 ainda tem de ser mais austero. Cortes, atrás de cortes, aumentos de impostos atrás de aumentos de impostos. Como convencer Bruxelas? Como convencer os partidos de esquerda?


 


Esta descida da sobretaxa é um oásis e temo que não se vá repetir mais. 


Entretanto a baixa da TSU para os salários mais baixos já desapareceu para todo o sempre. 


As 35 horas para a Função Pública é outra miragem.


Este Orçamento retira qualquer margem a António Costa para 2017. Não tem nada para dar no próximo ano.


António Costa terá de romper o acordo à esquerda e deverá tentar ir a eleições antecipadas para as ganhar e não precisar do PCP e do Bloco. É isto que eu suspeito. A geringonça é um empecilho para António Costa e para as suas negociações com Bruxelas. Os compromissos sindicais também o limitam.


 

Isto é um bom negócio para o Estado?


Governo e accionistas privados da companhia assinam um memorando de entendimento em que o Estado paga 1,9 milhões de euros (nadamos em dinheiro) para ficar com 50% das acções e escolhe o presidente do conselho de administração, que passa a ter voto de qualidade. 


A comissão executiva da TAP permanecerá assim aquela que foi designada pelo consórcio, com Fernando Pinto a presidi-la e David Pedrosa, filho de Humberto Pedrosa, como CFO. A gestão da TAP fica desta feita, pela via do CEO, do CFO, e de um acordo, nas mãos dos privados.


Mas o Estado passa a ter 50% das acções da TAP e o conselho de administração será paritário (seis elementos nomeados pelo Estado e seis pelo consórcio). Ena!


Por outro lado o consórcio Atlantic Gateway, que comprou 61% da companhia no ano passado, terá agora 50% do capital, menos as acções que vierem a ser adquiridas pelos trabalhadores (até um máximo de 5%). Ou seja, os privados podem acabar com apenas 45% do capital.


 


Para além dos 1,9 milhões de euros que o Estado tem de pagar aos privados por 11% da TAP ainda vai contribuir para o plano de capitalização da empresa. O Estado vai subscrever 30 dos 120 milhões do plano.


Explica assim o ministro ao Expresso: “A empresa precisa de recuperar resultados financeiros e fica numa situação mais forte até haver algum tipo de dispersão do capital. Nessa fase, o Estado terá o equivalente a 18,75% desses direitos económicos, desde que subscreva – e temos intenção de o fazer – €30 milhões de um empréstimo obrigacionista convertível em acções da TAP”. “O consórcio vai subscrever €90 milhões (de um empréstimo de €120 milhões que estava previsto), mas em condições de paridade, com base nos mesmos valores. Isto ao contrário do actual processo de privatização, em que daqui a dois anos o Estado podia ter 0% de acções”. 


O acordo estipulado pressupõe também que a distribuição de direitos económicos só ocorra daqui a pelo menos cinco anos e caso haja uma operação de dispersão do capital em bolsa. Nesse caso, o Estado terá 18,75% dos direitos económicos, caso opte por subscrever parte do empréstimo obrigacionista convertível em acções previsto para os accionistas privados, em situações de mercado idênticas.


O que ganha o Estado ? Sete lugares para nomear boys. Um deles de Chairman, que é aquele lugar conhecido por ser o de "rainha de inglaterra". Paga para isso 1,9 milhões de euros e ainda investe 30 milhões num empréstimo obrigacionista que se converte daqui a cinco anos em capital.


"O governo não pretende intervir na gestão do dia-a-dia da TAP, por isso a gestão fica com a Gateway. O que cabe ao Estado é garantir a perenidade da visão estratégica e que a TAP garantir sempre a ligação dos portugueses ao mundo", diz António Costa, com um ar visivelmente satisfeito de quem acaba de fazer um bom negócio.


 


Devo ser eu que estou a ver mal. Mas a Gateway, manda na mesma, recebe 1,9 milhões que é o preço por lá ter uns socialistas no board, e ainda recebe 30 milhões para o plano de investimento que permite a compra de 53 novos aviões e a renovação da frota da Portugália.


Para garantir a ligação dos portugueses ao mundo bastavam as cláusulas jurídicas no contrato de privatização, digo eu, e sempre saía mais barato.


 


P.S. Este negócio não é bom para nenhuma parte, Não é carne, nem é peixe, à boa moda socialista. Mais cedo ou mais tarde vai criar situações de impasse. Ainda me lembro do "bom acordo" Galp/Eni, feito pelos socialistas, e do acordo Camargo Correa/Votorantim na Cimpor, feito por outro governo socialista. Acabaram todos em grandes impasses com elevados custos jurídicos.