domingo, 17 de dezembro de 2017

O socialismo é uma família

traz parente.jpg


 É indiscutivelmente um traço socialista: Os amigos e os parentes em lugares-chave.


O socialismo é uma familia, uma familia internacional.

O socialismo é uma família

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 É indiscutivelmente um traço socialista: Os amigos e os parentes em lugares-chave.


O socialismo é uma familia, uma familia internacional.

Um grande regresso


Para mim o Vicente Jorge Silva estava desaparecido, pois fazia muito tempo que não sabia da sua existência. Acontece que, à pala da novela da semana, está bem vivo e com uma acutilância a todos os níveis brilhante.


Foi assim, e com agrado, que li a sua opinião nas páginas do jornal que fundou, o Público, fazendo o retrato do caso raríssimas, na qual sublinha as relações a todos os níveis duvidosas entre esta instituição e o poder político, e em particular com uma figura forte da governação socialista, o ministro Vieira da Silva.


Ou seja, um ministro do governo Costa, que não obstante ter tido “um ano particularmente saboroso para Portugal”, "persiste em descer ao nível de uma telenovela rasca – mesmo que raríssima." 


 


 

Um grande regresso


Para mim o Vicente Jorge Silva estava desaparecido, pois fazia muito tempo que não sabia da sua existência. Acontece que, à pala da novela da semana, está bem vivo e com uma acutilância a todos os níveis brilhante.


Foi assim, e com agrado, que li a sua opinião nas páginas do jornal que fundou, o Público, fazendo o retrato do caso raríssimas, na qual sublinha as relações a todos os níveis duvidosas entre esta instituição e o poder político, e em particular com uma figura forte da governação socialista, o ministro Vieira da Silva.


Ou seja, um ministro do governo Costa, que não obstante ter tido “um ano particularmente saboroso para Portugal”, "persiste em descer ao nível de uma telenovela rasca – mesmo que raríssima." 


 


 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Uma homenagem premonitória

Lobby.jpg


O Ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, era um grande amigo da Associação Raríssimas, recebeu inclusivé uma placa com o seu nome, e logo por azar num "lobby", podia ter sido num "hall", mas não foi, foi num "lobby", nome que se presta às mais variadas interpretações e trocadilhos. Sobretudo depois disto:


O ministro da Segurança Social, Vieira da Silva participou nos órgãos sociais da Associação, como "não executivo", entre 2013 e 2015, quando era deputado na oposição, mas diz que nunca viu qualquer sinal de "gestão danosa".


Isto apesar da existência de uma carta, de 9 de Agosto, do ex-tesoureiro Jorge Nunes, no qual terão sido reportados alegados casos de "irregularidades" nas contas da Raríssimas, quer ao Ministério, quer ao Instituto de Segurança Social, Vieira da Silva.


Mais tarde  o antigo tesoureiro da Raríssimas escreveu ao ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva para pedir uma intervenção governamental na associação Raríssimas. Na carta enviada ao ministro, datada de 12 de Outubro, foram reveladas as alegadas irregularidades nas contas da Instituição Particular de Solidariedade Social e explicadas várias demissões suspeitas. À TVI, Jorge Nunes garantiu que o ministro nunca respondeu à missiva. "Da parte do senhor ministro nunca tive resposta".


À estação televisiva revelou que já tinha pedido ao Instituto de Segurança Social uma inspecção profunda à Raríssimas. A carta de 9 de Agosto não teve resposta e Jorge Nunes volta a apelar a uma medida numa missiva enviada a 15 de Setembro. De acordo com a mesma fonte, o último apelo foi enviado a 21 de Setembro mas voltou a não haver respostas.


Hoje o Ministro em Conferência de Imprensa disse que "nunca foi entregue a mim próprio, no meu gabinete ou da secretaria de Estado ou na Segurança Social, que eu tivesse conhecimento, denúncias de gestão danosa, afirmou em conferência de imprensa, na sede do ministério em Lisboa".


Digam lá que "lobby" não encaixa bem neste contexto.

Uma homenagem premonitória

Lobby.jpg


O Ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, era um grande amigo da Associação Raríssimas, recebeu inclusivé uma placa com o seu nome, e logo por azar num "lobby", podia ter sido num "hall", mas não foi, foi num "lobby", nome que se presta às mais variadas interpretações e trocadilhos. Sobretudo depois disto:


O ministro da Segurança Social, Vieira da Silva participou nos órgãos sociais da Associação, como "não executivo", entre 2013 e 2015, quando era deputado na oposição, mas diz que nunca viu qualquer sinal de "gestão danosa".


Isto apesar da existência de uma carta, de 9 de Agosto, do ex-tesoureiro Jorge Nunes, no qual terão sido reportados alegados casos de "irregularidades" nas contas da Raríssimas, quer ao Ministério, quer ao Instituto de Segurança Social, Vieira da Silva.


Mais tarde  o antigo tesoureiro da Raríssimas escreveu ao ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva para pedir uma intervenção governamental na associação Raríssimas. Na carta enviada ao ministro, datada de 12 de Outubro, foram reveladas as alegadas irregularidades nas contas da Instituição Particular de Solidariedade Social e explicadas várias demissões suspeitas. À TVI, Jorge Nunes garantiu que o ministro nunca respondeu à missiva. "Da parte do senhor ministro nunca tive resposta".


À estação televisiva revelou que já tinha pedido ao Instituto de Segurança Social uma inspecção profunda à Raríssimas. A carta de 9 de Agosto não teve resposta e Jorge Nunes volta a apelar a uma medida numa missiva enviada a 15 de Setembro. De acordo com a mesma fonte, o último apelo foi enviado a 21 de Setembro mas voltou a não haver respostas.


Hoje o Ministro em Conferência de Imprensa disse que "nunca foi entregue a mim próprio, no meu gabinete ou da secretaria de Estado ou na Segurança Social, que eu tivesse conhecimento, denúncias de gestão danosa, afirmou em conferência de imprensa, na sede do ministério em Lisboa".


Digam lá que "lobby" não encaixa bem neste contexto.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Momento mágico


 


Não, não sou o autor. Sou só o mensageiro das palavras que o amigo do Manuel Vinagre, uma esperança do nosso hipismo, escreveu quando ele, num momento de grande azar, e imensa dor para os seus pais e restante família, morreu após queda do seu cavalo.


 


"Meu querido este é um texto que tenho a certeza que nos escreverias
Nesta altura de dor deixo-o aqui para nos consolar a todos
Um grande beijinho
Adoro te❤️


“Quando eu já cá não estiver
Larguem-me e deixem me partir
Tenho ainda tantas coisas para fazer e para ver...
Não chorem quando se lembrarem de mim.
Dêem graças a Deus pelos bons tempos que passámos juntos
Dei-vos a minha amizade,
Pensem na felicidade que me deram.
Agradeço-vos pelo amor de cada um
Chegou a hora de viajar sozinho...
Podem chorar durante alguns minutos...
A confiança dar-vos-a conforto e consolo.
Podemos estar separados por algum tempo;
Deixem que as recordações aliviem a vossa dor
Se a vida continuar não estou longe...
Sou o vento que sopra...
Sou o cintilar dos cristais de neve...
Sou a luz que atravessa os campos de trigo...
Sou a chuva leve do outono...
Sou o acordar dos pássaros da madrugada...
Sou a estrela que brilha na noite.
Se precisarem de mim chamem me que eu venho logo
Mesmo se não me conseguirem ver ou tocar
Eu estarei aí...E se ouvirem o vosso coração,
Poderão experimentar o alívio e a felicidade que vos dou
E quando chegar a vossa altura de partir,
Estarei lá para vos receber,
Ausente no corpo, presente com Deus”

Momento mágico


 


Não, não sou o autor. Sou só o mensageiro das palavras que o amigo do Manuel Vinagre, uma esperança do nosso hipismo, escreveu quando ele, num momento de grande azar, e imensa dor para os seus pais e restante família, morreu após queda do seu cavalo.


 


"Meu querido este é um texto que tenho a certeza que nos escreverias
Nesta altura de dor deixo-o aqui para nos consolar a todos
Um grande beijinho
Adoro te❤️


“Quando eu já cá não estiver
Larguem-me e deixem me partir
Tenho ainda tantas coisas para fazer e para ver...
Não chorem quando se lembrarem de mim.
Dêem graças a Deus pelos bons tempos que passámos juntos
Dei-vos a minha amizade,
Pensem na felicidade que me deram.
Agradeço-vos pelo amor de cada um
Chegou a hora de viajar sozinho...
Podem chorar durante alguns minutos...
A confiança dar-vos-a conforto e consolo.
Podemos estar separados por algum tempo;
Deixem que as recordações aliviem a vossa dor
Se a vida continuar não estou longe...
Sou o vento que sopra...
Sou o cintilar dos cristais de neve...
Sou a luz que atravessa os campos de trigo...
Sou a chuva leve do outono...
Sou o acordar dos pássaros da madrugada...
Sou a estrela que brilha na noite.
Se precisarem de mim chamem me que eu venho logo
Mesmo se não me conseguirem ver ou tocar
Eu estarei aí...E se ouvirem o vosso coração,
Poderão experimentar o alívio e a felicidade que vos dou
E quando chegar a vossa altura de partir,
Estarei lá para vos receber,
Ausente no corpo, presente com Deus”

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Notas sobre uma boa decisão!


 


1| As principais instâncias da União Europeia, o Conselho e o Parlamento Europeu, designaram o ano de 2018 de Ano Europeu do Património Cultural. A Decisão (UE) n.º 2017/864 não é inocente, pois reflecte os tempos que se vivem no “velho continente”: “Os ideais, os princípios e os valores integrados no património cultural da Europa constituem uma fonte comum da memória, da compreensão, da identidade, do diálogo, da coesão e da criatividade para a Europa. O património cultural desempenha um papel importante na União Europeia e o preâmbulo do Tratado da União Europeia (TUE) estabelece que os seus signatários se inspiraram «no património cultural, religioso e humanista da Europa».


Esta é claramente uma opção política que tem diversos destinatários: internos e externos, e pode a meu ver ser vista como um convite ao federalismo. Não há nenhum federalismo possível que não tenha uma base cultural e patrimonial. No entanto, este ideal, e eu sou pró-federalismo, tem as suas falências se entendermos que a Europa é assimétrica, i.e., com culturas distintas e desde sempre em constante confronto. Por outro lado, é uma clara mensagem contra os atentados terroristas que o continente tem sido alvo, e cujos receptores “vivem cá dentro”! Porque, se é verdade que fruto do progresso e das ideias que por aqui fortificaram somos um continente laico, as referências ao «património cultural, religioso e humanista da Europa» não são inusitadas. O tempo passava e nós teimávamos em não reagir!


Com efeito este ano celebramos o património cultural europeu, o que quer dizer a nossa identidade, primeiramente como portugueses e, numa maior escala, enquanto europeus. Se a primeira é historicamente condicionada, a “identidade europeia futura” só existe enquanto acréscimo – ou como diríamos hoje – como “upgrade” das nossas identidades locais. E este “salto” só será possível quando os povos tiverem consciência de si mesmo – de se conhecerem a si mesmo”, e que, portanto, tenham memória. Sem memória não há património que resista!


2| Tradicionalmente, desde Roma Antiga”, o termo património confunde-se com o vocábulo latino “patrimonium” que, então, tinha quase exclusivamente uma interpretação jurídica, pois tinha o objectivo de regular os bens susceptíveis de serem legados por um cidadão a outro e a outros. Ora, tratava-se de uma visão limitada, e “fora da história”, de se entender uma realidade que os tempos tornaram evolutiva. Actualmente, o conceito de património não é algo de exclusivamente materialista. Hoje é corrente referir e defender a sua “imaterialidade” por muito que este exercício se tenha banalizado!


Durante muitos anos criticou-se a construção europeia por ter ignorado as suas bases: os cidadãos e as diversas culturas europeias. Para o filósofo Xavier Tilliette sem “um espírito europeu que, por enquanto, sopra quase sem se ouvir, é impensável uma política comum”. (1999; p.33). Muitas vezes, património é sinónimo de história. Ora, como é possível que exista paz neste continente, quando ele era visto como “sinónimo de morte”? E se traduzia, nas palavras de  Paul Valéry, na “luta de morte da alma europeia”? É preciso recordar, neste contexto fúnebre, a genialidade de Dostoiévski, quando, em “Os Irmãos Karamazov”, põe Ivan a dizer: “Sei que me desloco para um cemitério, mas é o mais agradável de todos os cemitérios”!


A história europeia não é fácil, e assemelha-se mesmo a um disco riscado. Esta propensão para o horror está nos nossos genes. Foi precisamente isto que André Malraux disse, na Sorbonne, nos escombros da II Grande Guerra: “… de século para século o mesmo destino mortal vem constantemente dobrando os homens; todavia igualmente se século para século, nesse mesmo lugar que se chama Europa e só nesse lugar, esses homens dobrados pelo destino ergueram-se de novo, para incansavelmente avançarem pela noite dentro...”!


Ao fazermos este retracto do nosso continente, e por arrasto da nossa memória colectiva, estamos a falar em crise, já que “a consciência europeia é uma consciência em situação crítica (…). Falar da Europa é praticamente falar de crise e da urgência em invoca-la”!


Ao fazermos este retracto do nosso continente, e por arrasto da nossa memória colectiva, estamos a falar em crise, já que “a consciência europeia é uma consciência em situação crítica (…). Falar da Europa é praticamente falar de crise e da urgência em invoca-la”! Porém, nem todas as crises são por princípio más. Não somos chineses, porque se fossemos a situação até seria fácil de ser resolvida, porque esse vocábulo é composto por dois caracteres, em que um representa perigo e o outro representa oportunidade. Ou seja, não há nesta pertinente decisão um convite à crise, como representação de uma oportunidade para Europa voltar a ser grande?


E concluo citando George Duhamel, quando em 1930 escreveu: "tenho a certeza que a Europa será feita ou desfeita por grandes perigos. Não terá escolha, ou se revela ou morre"!

Notas sobre uma boa decisão!


 


1| As principais instâncias da União Europeia, o Conselho e o Parlamento Europeu, designaram o ano de 2018 de Ano Europeu do Património Cultural. A Decisão (UE) n.º 2017/864 não é inocente, pois reflecte os tempos que se vivem no “velho continente”: “Os ideais, os princípios e os valores integrados no património cultural da Europa constituem uma fonte comum da memória, da compreensão, da identidade, do diálogo, da coesão e da criatividade para a Europa. O património cultural desempenha um papel importante na União Europeia e o preâmbulo do Tratado da União Europeia (TUE) estabelece que os seus signatários se inspiraram «no património cultural, religioso e humanista da Europa».


Esta é claramente uma opção política que tem diversos destinatários: internos e externos, e pode a meu ver ser vista como um convite ao federalismo. Não há nenhum federalismo possível que não tenha uma base cultural e patrimonial. No entanto, este ideal, e eu sou pró-federalismo, tem as suas falências se entendermos que a Europa é assimétrica, i.e., com culturas distintas e desde sempre em constante confronto. Por outro lado, é uma clara mensagem contra os atentados terroristas que o continente tem sido alvo, e cujos receptores “vivem cá dentro”! Porque, se é verdade que fruto do progresso e das ideias que por aqui fortificaram somos um continente laico, as referências ao «património cultural, religioso e humanista da Europa» não são inusitadas. O tempo passava e nós teimávamos em não reagir!


Com efeito este ano celebramos o património cultural europeu, o que quer dizer a nossa identidade, primeiramente como portugueses e, numa maior escala, enquanto europeus. Se a primeira é historicamente condicionada, a “identidade europeia futura” só existe enquanto acréscimo – ou como diríamos hoje – como “upgrade” das nossas identidades locais. E este “salto” só será possível quando os povos tiverem consciência de si mesmo – de se conhecerem a si mesmo”, e que, portanto, tenham memória. Sem memória não há património que resista!


2| Tradicionalmente, desde Roma Antiga”, o termo património confunde-se com o vocábulo latino “patrimonium” que, então, tinha quase exclusivamente uma interpretação jurídica, pois tinha o objectivo de regular os bens susceptíveis de serem legados por um cidadão a outro e a outros. Ora, tratava-se de uma visão limitada, e “fora da história”, de se entender uma realidade que os tempos tornaram evolutiva. Actualmente, o conceito de património não é algo de exclusivamente materialista. Hoje é corrente referir e defender a sua “imaterialidade” por muito que este exercício se tenha banalizado!


Durante muitos anos criticou-se a construção europeia por ter ignorado as suas bases: os cidadãos e as diversas culturas europeias. Para o filósofo Xavier Tilliette sem “um espírito europeu que, por enquanto, sopra quase sem se ouvir, é impensável uma política comum”. (1999; p.33). Muitas vezes, património é sinónimo de história. Ora, como é possível que exista paz neste continente, quando ele era visto como “sinónimo de morte”? E se traduzia, nas palavras de  Paul Valéry, na “luta de morte da alma europeia”? É preciso recordar, neste contexto fúnebre, a genialidade de Dostoiévski, quando, em “Os Irmãos Karamazov”, põe Ivan a dizer: “Sei que me desloco para um cemitério, mas é o mais agradável de todos os cemitérios”!


A história europeia não é fácil, e assemelha-se mesmo a um disco riscado. Esta propensão para o horror está nos nossos genes. Foi precisamente isto que André Malraux disse, na Sorbonne, nos escombros da II Grande Guerra: “… de século para século o mesmo destino mortal vem constantemente dobrando os homens; todavia igualmente se século para século, nesse mesmo lugar que se chama Europa e só nesse lugar, esses homens dobrados pelo destino ergueram-se de novo, para incansavelmente avançarem pela noite dentro...”!


Ao fazermos este retracto do nosso continente, e por arrasto da nossa memória colectiva, estamos a falar em crise, já que “a consciência europeia é uma consciência em situação crítica (…). Falar da Europa é praticamente falar de crise e da urgência em invoca-la”!


Ao fazermos este retracto do nosso continente, e por arrasto da nossa memória colectiva, estamos a falar em crise, já que “a consciência europeia é uma consciência em situação crítica (…). Falar da Europa é praticamente falar de crise e da urgência em invoca-la”! Porém, nem todas as crises são por princípio más. Não somos chineses, porque se fossemos a situação até seria fácil de ser resolvida, porque esse vocábulo é composto por dois caracteres, em que um representa perigo e o outro representa oportunidade. Ou seja, não há nesta pertinente decisão um convite à crise, como representação de uma oportunidade para Europa voltar a ser grande?


E concluo citando George Duhamel, quando em 1930 escreveu: "tenho a certeza que a Europa será feita ou desfeita por grandes perigos. Não terá escolha, ou se revela ou morre"!

domingo, 26 de novembro de 2017

"Retória de direita, perigosa e moralista" é a que tem razão

Resultado de imagem para mario centeno


Mariana Mortágua acusou esta semana o Ministro das Finanças de "retórica de direita, perigosa e moralista"  por causa de uma frase que o ministro socialista disse no Parlamento, a propósito das reivindicações dos professores. A frase era "Todos temos de saber merecer as coisas que ganhamos". Esta ideia de o mérito ser uma bandeira do pensamento de direita, que eu tenho defendido em vários posts, confirmou-se na reacção da bloquista às palavras de Mário Centeno. É evidente que todos temos de saber merecer o que ganhamos. Mas para Mortágua a ideia de premiar o mérito é em si mesma um atentado à ideia de igualdade da esquerda.


Ao ouvir o Governo Sombra, não pude deixar de aplaudir a participação de João Miguel Tavares, que se deu conta (com muita inteligência) de que se deu finalmente a grande reversão do Governo de António Costa. "A reversão da retórica estúpida de que chegámos ao fim da austeridade". Tem sido uma grande hipocrisia a deste Governo ao longo dos últimos dois anos. Enxotaram Passos Coelho (tenho pena tal como João Miguel Tavares) porque as pessoas se convenceram que a austeridade tinha acabado, e no entanto a austeridade não acabou. Pedro Passos Coelho ainda vai ser muito lembrado.


Esta semana António Costa veio dizer que "a ilusão de que é possível tudo para todos já não existe", e é a confirmação de que Pedro Passos Coelho sempre teve razão.


O discurso duro de Passos foi um tampão contra um país das reivindicações permanentes das corporações, disse João Miguel Tavares e eu subscrevo.

"Retória de direita, perigosa e moralista" é a que tem razão

Resultado de imagem para mario centeno


Mariana Mortágua acusou esta semana o Ministro das Finanças de "retórica de direita, perigosa e moralista"  por causa de uma frase que o ministro socialista disse no Parlamento, a propósito das reivindicações dos professores. A frase era "Todos temos de saber merecer as coisas que ganhamos". Esta ideia de o mérito ser uma bandeira do pensamento de direita, que eu tenho defendido em vários posts, confirmou-se na reacção da bloquista às palavras de Mário Centeno. É evidente que todos temos de saber merecer o que ganhamos. Mas para Mortágua a ideia de premiar o mérito é em si mesma um atentado à ideia de igualdade da esquerda.


Ao ouvir o Governo Sombra, não pude deixar de aplaudir a participação de João Miguel Tavares, que se deu conta (com muita inteligência) de que se deu finalmente a grande reversão do Governo de António Costa. "A reversão da retórica estúpida de que chegámos ao fim da austeridade". Tem sido uma grande hipocrisia a deste Governo ao longo dos últimos dois anos. Enxotaram Passos Coelho (tenho pena tal como João Miguel Tavares) porque as pessoas se convenceram que a austeridade tinha acabado, e no entanto a austeridade não acabou. Pedro Passos Coelho ainda vai ser muito lembrado.


Esta semana António Costa veio dizer que "a ilusão de que é possível tudo para todos já não existe", e é a confirmação de que Pedro Passos Coelho sempre teve razão.


O discurso duro de Passos foi um tampão contra um país das reivindicações permanentes das corporações, disse João Miguel Tavares e eu subscrevo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

No país das maravilhas

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Esta imagem merece muitos comentários mas como estou em vias de me deslocalizar para parte incerta não me apetece escrever mais nada!


 

No país das maravilhas

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Esta imagem merece muitos comentários mas como estou em vias de me deslocalizar para parte incerta não me apetece escrever mais nada!


 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Até quando irá durar esta primavera angolana?


Aquando da eleição de João Lourenço, como terceiro presidente da república angolano, pensei que seria mais do mesmo, mas devo reconhecer, pelo menos por agora, que estava enganado. Assim, só me resta saber até quando irá durar esta primavera angolana?


Pelo menos os seus primeiro actos tem sido uma golfada de ar fresco num país minado por uma oligarquia familiar. Em Angola, os presos políticos, e demais cidadãos já respiram, e a "Belinha" que se lixe

Até quando irá durar esta primavera angolana?


Aquando da eleição de João Lourenço, como terceiro presidente da república angolano, pensei que seria mais do mesmo, mas devo reconhecer, pelo menos por agora, que estava enganado. Assim, só me resta saber até quando irá durar esta primavera angolana?


Pelo menos os seus primeiro actos tem sido uma golfada de ar fresco num país minado por uma oligarquia familiar. Em Angola, os presos políticos, e demais cidadãos já respiram, e a "Belinha" que se lixe

sábado, 11 de novembro de 2017

Populismo é governar pelo guião escrito pelo mediatismo e pelas redes sociais

Foto de Manuel Maria Barros.


O dia foi marcado por mais uma polémica mediática que mais uma vez desembocou numa medida drástica e imediata do Governo (ultimamente é assim que é governado o país). Na sexta-feira houve um jantar da Web Summit no Panteão Nacional, onde estão os túmulos de personalidades históricas de Portugal. O jantar com o CEO Paddy Cosgrave, com os fundadores de startups e outras empresas que participaram na Web Summit, chama-se Founders Summit e nele participaram cerca de 200 CEO (presidentes-executivos) fundadores de empresas e startups, investidores de alto nível, com o objectivo de estabelecer ligações entre eles (networking). 


Bastou ter-se levantado uma onda de indignação pública, com eco nas redes sociais, para o Governo mostrar mais uma vez como é eficaz. O Governo de António Costa reagiu. Culpou o Governo anterior (as usually). Mostrou-se muito indignado em solidariedade com a indignação geral, e zás, proibiu os jantares no Panteão. Tal como já tinha feito no Urban Beach (que se apressou a mandar fechar - by the way, pôs 200 pessoas no desemprego com essa precipitação. Podia ter multado, ter estabelecido regras duras, mas não, a solução foi: desemprego para toda aquela gente) - e tal como fez com os incêndios e armas de Tancos roubadas.Toma decisões muito radicais. Mas sempre, sempre à posteriori. 


Mas, mais uma vez, um paradoxo. É que o próprio Paddy admitiu ter falado com o "ministro". Paddy (que não deve estar a acreditar no que está a acontecer, conheceu finalmente o lado lunar de Portugal) viu-se obrigado a pedir desculpa mas deixou o recado que isto na Irlanda nunca se passaria (esta indignação). Não estranhem se o Web Summit rumar a outra capital.


O que veio dizer o primeiro-ministro António Costa (que se mostrou indignado, mais uma vez em coro com o Presidente da República)? Considerou este sábado, em comunicado, "absolutamente indigna" a utilização do Panteão Nacional para um jantar inserido na Web Summit.


"É absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos. Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional", declarou o chefe de Governo (e Marcelo disse o mesmo).


"Tal como já foi divulgado pelo Ministério da Cultura, o Governo procederá à alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais", prometeu o governante.


A prova que o Governo anda ao sabor da indignação mediática, é que afinal o jantar da Web Summit no Panteão Nacional, não foi caso único. Também uma empresa pública, a NAV Portugal, realizou um jantar, em outubro, e até publicou as fotografias no Facebook.  Para além do jantar de gala para homenagear trabalhadores, o evento do dia 16 de outubro teve direito a um welcome drink no terraço do Panteão.


Ora, para quem não sabe, a NAV Portugal tem como missão garantir a prestação de serviços de navegação aérea e é tutelada pelo ministério do Planeamento.


O mundo chama populista a quem governa contra a corrente mediática, mas populismo é precisamente o oposto. Populismo é isto de governar em função da indignação popular.


Esta dupla de populistas que representam e lideram o país, estão a transformar Portugal num cartoon.

Populismo é governar pelo guião escrito pelo mediatismo e pelas redes sociais

Foto de Manuel Maria Barros.


O dia foi marcado por mais uma polémica mediática que mais uma vez desembocou numa medida drástica e imediata do Governo (ultimamente é assim que é governado o país). Na sexta-feira houve um jantar da Web Summit no Panteão Nacional, onde estão os túmulos de personalidades históricas de Portugal. O jantar com o CEO Paddy Cosgrave, com os fundadores de startups e outras empresas que participaram na Web Summit, chama-se Founders Summit e nele participaram cerca de 200 CEO (presidentes-executivos) fundadores de empresas e startups, investidores de alto nível, com o objectivo de estabelecer ligações entre eles (networking). 


Bastou ter-se levantado uma onda de indignação pública, com eco nas redes sociais, para o Governo mostrar mais uma vez como é eficaz. O Governo de António Costa reagiu. Culpou o Governo anterior (as usually). Mostrou-se muito indignado em solidariedade com a indignação geral, e zás, proibiu os jantares no Panteão. Tal como já tinha feito no Urban Beach (que se apressou a mandar fechar - by the way, pôs 200 pessoas no desemprego com essa precipitação. Podia ter multado, ter estabelecido regras duras, mas não, a solução foi: desemprego para toda aquela gente) - e tal como fez com os incêndios e armas de Tancos roubadas.Toma decisões muito radicais. Mas sempre, sempre à posteriori. 


Mas, mais uma vez, um paradoxo. É que o próprio Paddy admitiu ter falado com o "ministro". Paddy (que não deve estar a acreditar no que está a acontecer, conheceu finalmente o lado lunar de Portugal) viu-se obrigado a pedir desculpa mas deixou o recado que isto na Irlanda nunca se passaria (esta indignação). Não estranhem se o Web Summit rumar a outra capital.


O que veio dizer o primeiro-ministro António Costa (que se mostrou indignado, mais uma vez em coro com o Presidente da República)? Considerou este sábado, em comunicado, "absolutamente indigna" a utilização do Panteão Nacional para um jantar inserido na Web Summit.


"É absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos. Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional", declarou o chefe de Governo (e Marcelo disse o mesmo).


"Tal como já foi divulgado pelo Ministério da Cultura, o Governo procederá à alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais", prometeu o governante.


A prova que o Governo anda ao sabor da indignação mediática, é que afinal o jantar da Web Summit no Panteão Nacional, não foi caso único. Também uma empresa pública, a NAV Portugal, realizou um jantar, em outubro, e até publicou as fotografias no Facebook.  Para além do jantar de gala para homenagear trabalhadores, o evento do dia 16 de outubro teve direito a um welcome drink no terraço do Panteão.


Ora, para quem não sabe, a NAV Portugal tem como missão garantir a prestação de serviços de navegação aérea e é tutelada pelo ministério do Planeamento.


O mundo chama populista a quem governa contra a corrente mediática, mas populismo é precisamente o oposto. Populismo é isto de governar em função da indignação popular.


Esta dupla de populistas que representam e lideram o país, estão a transformar Portugal num cartoon.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Olha a robot...


Ser mulher hoje, e tendo conta os estereótipos que desde a queda do paraíso foi alvo, deve ser um alivio: foram e de forma merecida ganhando direitos, não havendo actualmente, no mundo ocidental, pelo menos no papel, diferenças perante a lei. Eles e elas são iguais para o estado de direito. E assim deveria ser.


 Acontece que o mundo ocidental é uma fracção do planeta. Há pois, povos, geografias, religiões, etc., em que elas ainda vivem na mais profunda das trevas, onde a sua diferenciação com os demais animais é estreita. Muito estreita.


 Assim é com grande estranheza, ou talvez não, que o Web Summit, a ter lugar em Lisboa, recebeu ontem Sophia. Uma mulher robot, nascida em Hong Kong, que no ano passado, em Riad, tornou-se numa cidadã saudita.


Então a robot, muito bem programada, disse estar “orgulhosa e honrada desta tão única distinção”. Disse e muitíssimo bem: “tão única distinção”! Só falta mesmo saber o que pensarão as demais femininas criaturas sauditas a tamanha honra!


 


P.S. - Sempre fui um apreciador das música dos Titãs, um marco do rock brasileiro. Não conhecia, ou pelo menos não me recordava deste tema e pelo visto tão actual. Sem o saber, Arnaldo Antunes  e seus pares estavam com os olhos no século XXI.

Olha a robot...


Ser mulher hoje, e tendo conta os estereótipos que desde a queda do paraíso foi alvo, deve ser um alivio: foram e de forma merecida ganhando direitos, não havendo actualmente, no mundo ocidental, pelo menos no papel, diferenças perante a lei. Eles e elas são iguais para o estado de direito. E assim deveria ser.


 Acontece que o mundo ocidental é uma fracção do planeta. Há pois, povos, geografias, religiões, etc., em que elas ainda vivem na mais profunda das trevas, onde a sua diferenciação com os demais animais é estreita. Muito estreita.


 Assim é com grande estranheza, ou talvez não, que o Web Summit, a ter lugar em Lisboa, recebeu ontem Sophia. Uma mulher robot, nascida em Hong Kong, que no ano passado, em Riad, tornou-se numa cidadã saudita.


Então a robot, muito bem programada, disse estar “orgulhosa e honrada desta tão única distinção”. Disse e muitíssimo bem: “tão única distinção”! Só falta mesmo saber o que pensarão as demais femininas criaturas sauditas a tamanha honra!


 


P.S. - Sempre fui um apreciador das música dos Titãs, um marco do rock brasileiro. Não conhecia, ou pelo menos não me recordava deste tema e pelo visto tão actual. Sem o saber, Arnaldo Antunes  e seus pares estavam com os olhos no século XXI.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A queda

Puigdemont-bandera-2.jpg


 

A queda

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Uma bela capa

i.jpg


Que bela capa:


a) O livro não foi escrito por ele, o que não deve ser novidade.


b) O governo não quer que Marcelo se torne num Cavaco. Não sei o que isso quer dizer.


c) A Rainha Isabel II foi apanhada em novo escândalo offshore. Mas será que a Betty não sabe se uma vez é mau duas é muito pior? e


d)  Dossier sobre a Revolução de Outubro... Tem três entrevistas. Sim três. Ora, como os obreiros desta revolução ao que parece já morreram todos, pergunto se entre os jornalistas deste jornal existem médiuns ... já que lendo a capa é o que parece, andaram a entrevistar fantasmas!


 


P.S. - Se o Tomaz estivesse entre nós, esta capa não escapava ao seu olhar crítico e divertido que sempre me habituou. 

Uma bela capa

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Que bela capa:


a) O livro não foi escrito por ele, o que não deve ser novidade.


b) O governo não quer que Marcelo se torne num Cavaco. Não sei o que isso quer dizer.


c) A Rainha Isabel II foi apanhada em novo escândalo offshore. Mas será que a Betty não sabe se uma vez é mau duas é muito pior? e


d)  Dossier sobre a Revolução de Outubro... Tem três entrevistas. Sim três. Ora, como os obreiros desta revolução ao que parece já morreram todos, pergunto se entre os jornalistas deste jornal existem médiuns ... já que lendo a capa é o que parece, andaram a entrevistar fantasmas!


 


P.S. - Se o Tomaz estivesse entre nós, esta capa não escapava ao seu olhar crítico e divertido que sempre me habituou. 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O Tomaz parecia que era eterno e partiu

IMG_1052.JPG


O Tomaz Bairros já não está cá para ler isto; já não está cá para vibrar com os jogos do Sporting; já não está cá para comentar a atualidade com os seus comentários contundentes, sem meias tintas, sem hesitações e inseguranças. Se há coisa que Tomaz amava era a praia. Penso mesmo que o Verão se demorou até ao fim de Outubro para que o Tomaz fosse à praia até ao último dia de vida.


Lembro-me que uma vez criou uma página nas redes sociais para que se pudesse ter acesso a informações sobre as praias do país todo. Aquilo foi um sucesso. Um dia o Tomaz ligou-me (eu ainda não tinha o número dele nessa altura) e apresentou-se assim: "Olá. É o Tomaz!", eu fiquei calada a pensar, "que Tomaz?" e ele apressou-se a situar-me: "É o rapaz do Faixa Costeira". Como é que se pode esquecer uma pessoa que se entregava aos outros nas pequenas coisas, mesmo mantendo aquela muralha da liberdade a separá-lo da demasiada exposição aos outros? O Tomaz entregava-se nas coisas que fazia, na forma como cozinhava para os amigos, na forma como nos levava a passear pelos bairros populares de Lisboa, na forma como nos fazia rir desconcertadamente.


O Tomaz passava pela vida das pessoas e demorava-se lá, mesmo quando parecia que passava de raspão. 


Tinha uma maneira única de ser, talvez por ter uma segurança que não está no ADN dos portugueses, o que se poderá explicar pelo seu lado norueguês. Não se detinha em aparências, nem hesitava em seguir o que sentia e pensava. Não tinha manhas inteletuais. Mesmo na doença nunca deu parte fraca, nunca mostrou qualquer insegurança, nunca demonstrou fraquejar. Quando descobriu que estava doente anunciou-o com uma naturalidade tal que eu, quando ele me disse, achei que não era verdade, que estava mais uma vez a brincar. Ninguém anuncia uma doença que pode ser mortal como quem diz que vai ao cinema. Ninguém, excepto o Tomaz.


O Tomaz estava nos antípodas do pretensioso, nos antípodas da vaidade, nos antípodas da basófia; no antípodas dos vigários deste mundo; nos antípodas da mentira. Fazia gala no contrário.


Mas desenganem-se aqueles que pensassem que por escolher, por exemplo, a tasca em vez do restaurante trendy o Tomaz não tinha um gosto de elite. Tinha um óptimo gosto em pessoas, um óptimo gosto em música, um óptimo gosto em arte. 


O Tomaz prezava a liberdade, dizia-o muitas vezes. Eu sempre pensei, que no fundo a liberdade era o que lhe restava (ele talvez não concordasse comigo). O sol, o mar, o Sporting, os amigos, os sobrinhos e a irmã eram tudo o que tinha. O que lhe sobrava era o sentido de humor. Dizia as coisas mais desconcertantes sem se rir. Um dia uma amiga minha estava a contar que assim que comprou uma casa com jardim lhe começou a aparecer um gato e que à força de lhe dar comida se afeiçoou à gata (era uma gata) e acabou por ficar com um animal de estimação (coisas que acontecem a quem tem a vicissitude de viver sozinho). O Tomaz ouviu muito atentamente e responde-lhe: "A mim também me aconteceu o mesmo, com duas traças. Vieram com o arroz. Mas eram muito meigas!". Disse isto sem se rir. Quem não conseguia parar de rir era eu e o resto da sala.


Se a morte apanhou tão cedo o Tomaz, com aquela segurança e um estilo de vida tão de costas voltadas ao stress, pode apanhar qualquer um.


 

O Tomaz parecia que era eterno e partiu

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O Tomaz Bairros já não está cá para ler isto; já não está cá para vibrar com os jogos do Sporting; já não está cá para comentar a atualidade com os seus comentários contundentes, sem meias tintas, sem hesitações e inseguranças. Se há coisa que Tomaz amava era a praia. Penso mesmo que o Verão se demorou até ao fim de Outubro para que o Tomaz fosse à praia até ao último dia de vida.


Lembro-me que uma vez criou uma página nas redes sociais para que se pudesse ter acesso a informações sobre as praias do país todo. Aquilo foi um sucesso. Um dia o Tomaz ligou-me (eu ainda não tinha o número dele nessa altura) e apresentou-se assim: "Olá. É o Tomaz!", eu fiquei calada a pensar, "que Tomaz?" e ele apressou-se a situar-me: "É o rapaz do Faixa Costeira". Como é que se pode esquecer uma pessoa que se entregava aos outros nas pequenas coisas, mesmo mantendo aquela muralha da liberdade a separá-lo da demasiada exposição aos outros? O Tomaz entregava-se nas coisas que fazia, na forma como cozinhava para os amigos, na forma como nos levava a passear pelos bairros populares de Lisboa, na forma como nos fazia rir desconcertadamente.


O Tomaz passava pela vida das pessoas e demorava-se lá, mesmo quando parecia que passava de raspão. 


Tinha uma maneira única de ser, talvez por ter uma segurança que não está no ADN dos portugueses, o que se poderá explicar pelo seu lado norueguês. Não se detinha em aparências, nem hesitava em seguir o que sentia e pensava. Não tinha manhas inteletuais. Mesmo na doença nunca deu parte fraca, nunca mostrou qualquer insegurança, nunca demonstrou fraquejar. Quando descobriu que estava doente anunciou-o com uma naturalidade tal que eu, quando ele me disse, achei que não era verdade, que estava mais uma vez a brincar. Ninguém anuncia uma doença que pode ser mortal como quem diz que vai ao cinema. Ninguém, excepto o Tomaz.


O Tomaz estava nos antípodas do pretensioso, nos antípodas da vaidade, nos antípodas da basófia; no antípodas dos vigários deste mundo; nos antípodas da mentira. Fazia gala no contrário.


Mas desenganem-se aqueles que pensassem que por escolher, por exemplo, a tasca em vez do restaurante trendy o Tomaz não tinha um gosto de elite. Tinha um óptimo gosto em pessoas, um óptimo gosto em música, um óptimo gosto em arte. 


O Tomaz prezava a liberdade, dizia-o muitas vezes. Eu sempre pensei, que no fundo a liberdade era o que lhe restava (ele talvez não concordasse comigo). O sol, o mar, o Sporting, os amigos, os sobrinhos e a irmã eram tudo o que tinha. O que lhe sobrava era o sentido de humor. Dizia as coisas mais desconcertantes sem se rir. Um dia uma amiga minha estava a contar que assim que comprou uma casa com jardim lhe começou a aparecer um gato e que à força de lhe dar comida se afeiçoou à gata (era uma gata) e acabou por ficar com um animal de estimação (coisas que acontecem a quem tem a vicissitude de viver sozinho). O Tomaz ouviu muito atentamente e responde-lhe: "A mim também me aconteceu o mesmo, com duas traças. Vieram com o arroz. Mas eram muito meigas!". Disse isto sem se rir. Quem não conseguia parar de rir era eu e o resto da sala.


Se a morte apanhou tão cedo o Tomaz, com aquela segurança e um estilo de vida tão de costas voltadas ao stress, pode apanhar qualquer um.


 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Marcelo descobriu o segredo da alquimia, nunca mais vai deixar de ser presidente

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Quanto mais vejo o Marcelo Rebelo de Sousa no seu estilo de Presidência da República aberta, mais me convenço que o Homem vai ficar lá para sempre. Descobriu o segredo da alquimia de agradar. 


Não há uma crítica que sequer raspe ao de leve aba do seu casaco. Aquilo é um talento. Vai ser um presidente eterno. Uma espécie de Rei "à la mode républicaine".

Marcelo descobriu o segredo da alquimia, nunca mais vai deixar de ser presidente

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Quanto mais vejo o Marcelo Rebelo de Sousa no seu estilo de Presidência da República aberta, mais me convenço que o Homem vai ficar lá para sempre. Descobriu o segredo da alquimia de agradar. 


Não há uma crítica que sequer raspe ao de leve aba do seu casaco. Aquilo é um talento. Vai ser um presidente eterno. Uma espécie de Rei "à la mode républicaine".

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A fénix de Belém


 


No outro dia, no meu facebook, escrevi e cito: "Porque será que Portugal rima com fénix? Fónix... Para isto".  E não é que rima? 


Ontem, e de forma a meu ver brilhante, Marcelo Rebelo de Sousa, deu razão a esta criatura mítica. Porque, como o pássaro, que na mitologia, grega sempre morria renascia das próprias cinzas, ele também deu provas de estar bem vivo, e que assim se mantenha. É bom para Portugal e os portugueses!


 

A fénix de Belém


 


No outro dia, no meu facebook, escrevi e cito: "Porque será que Portugal rima com fénix? Fónix... Para isto".  E não é que rima? 


Ontem, e de forma a meu ver brilhante, Marcelo Rebelo de Sousa, deu razão a esta criatura mítica. Porque, como o pássaro, que na mitologia, grega sempre morria renascia das próprias cinzas, ele também deu provas de estar bem vivo, e que assim se mantenha. É bom para Portugal e os portugueses!


 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O povo morre mas é sereno

fogos.png


Eu era miúdo mas ficaram na memória as palavras do Almirante Pinheiro de Azevedo: "O povo é sereno, isto é só fumaça".


O povo português é demasiado sereno e não é só fumaça. Nos fogos de Pedrogão Grande morreram dezenas de portugueses e em condições horrendas. Este ano arderam milhares de hectares da floresta portuguesa, com prejuízos incalculáveis. Neste domingo o fogo, ou melhor os incendiários - onde se viu um incêndio que deflagrou às duas da manhã?- , matando compatriotas nossos, destruindo fábricas e com consequências sociais e humanas únicas!


A ministra queixa-se que não teve férias! Uma atitude que demonstra, como escreve hoje António Esteves, que ela não tem condições para se manter no cargo: demita-se e vá de férias para bem longe!


Mas o povo é sereno, mesmo quando o povo morre. Na Galiza morreram 4 pessoas e milhares foram para a rua, exigindo "uma mudança na política florestal do Governo Regional da Galiza e a demissão da do presidente regional, Alberto Núñez Feijóo, que acusaram de incompetência na defesa das populações." Por aqui não acontece nada: ou melhor: criam-se contas de solidariedade, fazem-se concertos para angariação de fundos, fundos que ao que parece nem se conhece o rasto.


O povo é sereno. Merda para tanta de serenidade!


 


P.S. - Este mapa, encontrado em https://fogos.pt, é esclarecedor do estado a que nosso país chegou!

O povo morre mas é sereno

fogos.png


Eu era miúdo mas ficaram na memória as palavras do Almirante Pinheiro de Azevedo: "O povo é sereno, isto é só fumaça".


O povo português é demasiado sereno e não é só fumaça. Nos fogos de Pedrogão Grande morreram dezenas de portugueses e em condições horrendas. Este ano arderam milhares de hectares da floresta portuguesa, com prejuízos incalculáveis. Neste domingo o fogo, ou melhor os incendiários - onde se viu um incêndio que deflagrou às duas da manhã?- , matando compatriotas nossos, destruindo fábricas e com consequências sociais e humanas únicas!


A ministra queixa-se que não teve férias! Uma atitude que demonstra, como escreve hoje António Esteves, que ela não tem condições para se manter no cargo: demita-se e vá de férias para bem longe!


Mas o povo é sereno, mesmo quando o povo morre. Na Galiza morreram 4 pessoas e milhares foram para a rua, exigindo "uma mudança na política florestal do Governo Regional da Galiza e a demissão da do presidente regional, Alberto Núñez Feijóo, que acusaram de incompetência na defesa das populações." Por aqui não acontece nada: ou melhor: criam-se contas de solidariedade, fazem-se concertos para angariação de fundos, fundos que ao que parece nem se conhece o rasto.


O povo é sereno. Merda para tanta de serenidade!


 


P.S. - Este mapa, encontrado em https://fogos.pt, é esclarecedor do estado a que nosso país chegou!

sábado, 14 de outubro de 2017

Sobre Rui Rio e o seu "PSD de esquerda", faço minhas as palavras do Pedro Mexia

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"Há vários sinais de alarme em Rui Rio", disse Pedro Mexia, no Governo Sombra, a propósito da afirmação do candidato à liderança do PSD de que o partido não era de direita, por necessidade de posicionar o PSD ao centro. Dizer que o PSD não é direita é dizer que o PSD é centro esquerda. 


Então isso significaria que quem não é de esquerda é do CDS apenas (aquele foi um dia em cheio para o CDS). É evidente que não há só 10% de direita em Portugal. Ou então pior, as pessoas de direita e de centro direita estão a votar enganadas num partido que não defende os seus valores. 


O PSD é do PPE faz parte da família europeia dos partidos conservadores e democrata cristãos. Logo é um partido de direita, por muito que isso desagrade a Rui Rio que parece querer um PS com outro nome só para poder ganhar eleições. Isto é, no cenário de Rui Rio os partidos no poder eram os mesmos, a alternância seriam apenas as pessoas que assumiriam o lugar mais desejado de primeiro-ministro. Parece-me non sense.


É terrível confinar à social democracia as preocupações sociais. Muitas áreas políticas têm preocupações sociais. A direita tem preocupações sociais. A Democracia Cristã tem preocupações sociais.


A social democracia no sentido literal do termo é aquilo que é o PS, tal como o SPD alemão de Martin Schulz. Logo o PSD de Rui Rio é um PS com outras pessoas e com outras cores. 

Sobre Rui Rio e o seu "PSD de esquerda", faço minhas as palavras do Pedro Mexia

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"Há vários sinais de alarme em Rui Rio", disse Pedro Mexia, no Governo Sombra, a propósito da afirmação do candidato à liderança do PSD de que o partido não era de direita, por necessidade de posicionar o PSD ao centro. Dizer que o PSD não é direita é dizer que o PSD é centro esquerda. 


Então isso significaria que quem não é de esquerda é do CDS apenas (aquele foi um dia em cheio para o CDS). É evidente que não há só 10% de direita em Portugal. Ou então pior, as pessoas de direita e de centro direita estão a votar enganadas num partido que não defende os seus valores. 


O PSD é do PPE faz parte da família europeia dos partidos conservadores e democrata cristãos. Logo é um partido de direita, por muito que isso desagrade a Rui Rio que parece querer um PS com outro nome só para poder ganhar eleições. Isto é, no cenário de Rui Rio os partidos no poder eram os mesmos, a alternância seriam apenas as pessoas que assumiriam o lugar mais desejado de primeiro-ministro. Parece-me non sense.


É terrível confinar à social democracia as preocupações sociais. Muitas áreas políticas têm preocupações sociais. A direita tem preocupações sociais. A Democracia Cristã tem preocupações sociais.


A social democracia no sentido literal do termo é aquilo que é o PS, tal como o SPD alemão de Martin Schulz. Logo o PSD de Rui Rio é um PS com outras pessoas e com outras cores. 

Agora que Passos decidiu sair já se pode elogiar?

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A decisão de saída de Pedro Passos Coelho parece ter sido o trigger que faltava para se partir para os elogios. Vem isto a propósito de ter ligado a televisão e ter ido parar ao Eixo do mal, e, antes de mudar para o Governo Sombra de outro canal, ainda ouvir de relance Clara Ferreira Alves a reconhecer o mérito de Pedro Passos Coelho ter tido a coragem de dizer 'não' a Ricardo Salgado. A reconhecer que se o PS tivesse no poder talvez o Estado tivesse ajudado mais uma vez Ricardo Salgado. Mais. Ouvia-se em pano de fundo Daniel Oliveira a reconhecer que o BES não tinha solução naquela altura.O que vai em sentido em contrário à narrativa do Governo atual e de toda a esquerda, quando chegaram ao poder, altura em apontavam armas a Passos e ao Governador do Banco de Portugal por causa da Resolução do BES.


Em Novembro do ano passado António Costa veio acusar o PSD de ter destruído o BES dizendo: "O que é absolutamente irresponsável, é a postura do PSD que, enquanto Governo, procurou esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro. Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o BES, conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif".


Na altura esta declaração (que à luz do que se sabe hoje soa a erro de cálculo de António Costa) suscitou da vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, a pertinente pergunta: "Se fosse o actual Governo daria indicações à CGD para dar dinheiro ao BES?". Esta pergunta continua a ser atual e foi hoje repetida pela jornalista que comenta naquele programa da SIC. Qual teria sido a atitude deste Governo se Ricardo Salgado fosse pedir 2,5 mil milhões de euros (da CGD) para salvar o GES? Teria um qualquer Diogo Lacerda Machado ir salvar o BES?


Perante as críticas do primeiro-ministro temos de concluir que se fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 teriam sido entregues milhares de milhões de euros de dinheiro dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar a falência do GES e por essa via evitar a resolução do BES (uma coisa está intimamente ligada à outra apesar do ring fencing determinado na altura).


Foi preciso uma acusação do Ministério Público a José Sócrates, Carlos Santos Silva e a Ricardo Salgado ( a 28 arguidos ao todo), para que afinal se reconheça o mérito da coragem de Pedro Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque se terem recusado a ceder ao banqueiro. 


Vale a pena recordar que Passos Coelho teve duas reuniões com o líder histórico do Banco Espírito Santo (BES), a 7 de abril e a 14 de maio de 2014, sendo que a segunda audição "tinha o propósito de sensibilizar e procurar o apoio do Governo para um plano de financiamento visando acudir ao desequilíbrio económico-financeiro do Grupo Espírito Santo (GES)". O plano apresentado por Ricardo Salgado, como sendo de saneamento do setor não financeiro do Grupo, pressupunha a disponibilização de linhas de financiamento de longo prazo suportadas por troca de ativos entre diversas entidades bancárias, particularmente a Caixa Geral de Depósitos [CGD]. A ideia geral parecia ser a de dar tempo ao GES para gerir melhor a sua carteira de ativos, de modo a garantir uma valorização adequada desses ativos e, assim, fazer face às elevadas responsabilidades de curto e médio prazo, ao nível da dívida emitida por várias empresas da área não financeira do GES. 


Pedro Passos Coelho respondeu que "tal plano, no que respeitava ao Estado, não teria viabilidade tendo em conta variadíssimos aspetos, entre os quais o elevado risco, não aceitável, a disseminar pelo sistema financeiro, bem como a prática impossibilidade de bancos que tivessem sido recapitalizados com recurso a fundos públicos virem a obter, quer do BdP [Banco de Portugal], quer da DG Comp [Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia], aprovação para operações desta natureza e envolvendo valores tão elevados", segundo consta da sua resposta à Comissão de Inquérito. Estamos a falar de um número em torno dos 2,5 mil milhões de euros.


A resposta de Pedro Passos Coelho a Ricardo Salgado, segundo o seu autor foi a seguinte: "Em qualquer caso, afirmei que o Governo nunca interferiria diretamente na avaliação e na decisão que a CGD viesse a fazer do caso concreto, nesta como em quaisquer outras matérias respeitantes a decisões que só devem caber à sua administração na área económico-financeira da sua esfera de intervenção". Passos Coelho revelou também aos deputados que, nesse encontro com Ricardo Salgado, lhe recordou "a informação veiculada pelo senhor governador do BdP [Carlos Costa] quanto ao 'ring fencing' [perímetro de proteção] do BES relativamente à exposição do banco às entidades não financeiras do GES". E "recomendei, em qualquer caso, que quanto mais cedo o GES iniciasse uma abordagem prática e direta com os seus principais credores no sentido de organizar o eventual incumprimento melhor seria para todos e também para minimizar o impacto na economia nacional". Passos Coelho disse ainda que aconselhou o então presidente do BES "a tratar destas matérias" com Carlos Costa.


Repare-se que no primeiro encontro, sem mais ninguém presente, Passos Coelho relatou que o ex-presidente do BES lhe "transmitiu a sua opinião geral sobre a evolução macroeconómica positiva no país, consubstanciada na análise do seu próprio banco e que lhe transmitiu também a sua apreensão pela forma como o BdP vinha exercendo as suas funções de supervisão no que respeitava ao BES e à sua equipa de gestão".


Segundo o então primeiro-ministro, as "observações críticas" de Ricardo Salgado constavam numa carta que este teria enviado a Carlos Costa e que lhe mostrou. "Dado que a supervisão bancária é matéria da estrita competência do BdP, registei as opiniões que me foram transmitidas mas, naturalmente, elas não conduziram a qualquer diligência, como de resto não tinham de conduzir", frisou na altura Pedro Passos Coelho.


Só na segunda reunião surgiram os pedidos de dinheiro concretos, que de resto Ricardo Salgado acabou por, perante a recusa do Governo, ir arranjar noutros sítios, leia-se clientes particulares, em Portugal e fora, e a empresas como a Portugal Telecom. Portanto é fácil antever que teria acontecido à CGD o mesmo que aconteceu à PT. Se há alguém a quem devemos a salvação do setor financeiro foi, portanto, a Pedro Passos Coelho, e não o contrário do que tem vindo a dizer na opinião contaminada pela narrativa socialista.


Mas foi preciso a sua demissão de líder do PSD para que os críticos a Passos passassem a elogiá-lo. A acusação a Sócrates e à rede de influência que se estabeleceu na altura em Portugal, perante o silêncio daqueles que veemente criticaram Passos Coelho, pesou nas consciências. Por isso a saída de Passos foi o gatilho dos elogios que afinal todos "no peito" calavam por motivos políticos. É isto que me parece retirar-se de todos os elogios proferidos e escritos pelos mais insuspeitos autores, jornalistas e opinion makers, que eram antes fortes críticos ao ainda líder do PSD. É caso para dizer que é preciso morrer para ser reconhecido, porque em vida as qualidades esmagam os contemporâneos.

Agora que Passos decidiu sair já se pode elogiar?

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A decisão de saída de Pedro Passos Coelho parece ter sido o trigger que faltava para se partir para os elogios. Vem isto a propósito de ter ligado a televisão e ter ido parar ao Eixo do mal, e, antes de mudar para o Governo Sombra de outro canal, ainda ouvir de relance Clara Ferreira Alves a reconhecer o mérito de Pedro Passos Coelho ter tido a coragem de dizer 'não' a Ricardo Salgado. A reconhecer que se o PS tivesse no poder talvez o Estado tivesse ajudado mais uma vez Ricardo Salgado. Mais. Ouvia-se em pano de fundo Daniel Oliveira a reconhecer que o BES não tinha solução naquela altura.O que vai em sentido em contrário à narrativa do Governo atual e de toda a esquerda, quando chegaram ao poder, altura em apontavam armas a Passos e ao Governador do Banco de Portugal por causa da Resolução do BES.


Em Novembro do ano passado António Costa veio acusar o PSD de ter destruído o BES dizendo: "O que é absolutamente irresponsável, é a postura do PSD que, enquanto Governo, procurou esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro. Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o BES, conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif".


Na altura esta declaração (que à luz do que se sabe hoje soa a erro de cálculo de António Costa) suscitou da vice-presidente do PSD, Maria Luís Albuquerque, a pertinente pergunta: "Se fosse o actual Governo daria indicações à CGD para dar dinheiro ao BES?". Esta pergunta continua a ser atual e foi hoje repetida pela jornalista que comenta naquele programa da SIC. Qual teria sido a atitude deste Governo se Ricardo Salgado fosse pedir 2,5 mil milhões de euros (da CGD) para salvar o GES? Teria um qualquer Diogo Lacerda Machado ir salvar o BES?


Perante as críticas do primeiro-ministro temos de concluir que se fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 teriam sido entregues milhares de milhões de euros de dinheiro dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar a falência do GES e por essa via evitar a resolução do BES (uma coisa está intimamente ligada à outra apesar do ring fencing determinado na altura).


Foi preciso uma acusação do Ministério Público a José Sócrates, Carlos Santos Silva e a Ricardo Salgado ( a 28 arguidos ao todo), para que afinal se reconheça o mérito da coragem de Pedro Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque se terem recusado a ceder ao banqueiro. 


Vale a pena recordar que Passos Coelho teve duas reuniões com o líder histórico do Banco Espírito Santo (BES), a 7 de abril e a 14 de maio de 2014, sendo que a segunda audição "tinha o propósito de sensibilizar e procurar o apoio do Governo para um plano de financiamento visando acudir ao desequilíbrio económico-financeiro do Grupo Espírito Santo (GES)". O plano apresentado por Ricardo Salgado, como sendo de saneamento do setor não financeiro do Grupo, pressupunha a disponibilização de linhas de financiamento de longo prazo suportadas por troca de ativos entre diversas entidades bancárias, particularmente a Caixa Geral de Depósitos [CGD]. A ideia geral parecia ser a de dar tempo ao GES para gerir melhor a sua carteira de ativos, de modo a garantir uma valorização adequada desses ativos e, assim, fazer face às elevadas responsabilidades de curto e médio prazo, ao nível da dívida emitida por várias empresas da área não financeira do GES. 


Pedro Passos Coelho respondeu que "tal plano, no que respeitava ao Estado, não teria viabilidade tendo em conta variadíssimos aspetos, entre os quais o elevado risco, não aceitável, a disseminar pelo sistema financeiro, bem como a prática impossibilidade de bancos que tivessem sido recapitalizados com recurso a fundos públicos virem a obter, quer do BdP [Banco de Portugal], quer da DG Comp [Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia], aprovação para operações desta natureza e envolvendo valores tão elevados", segundo consta da sua resposta à Comissão de Inquérito. Estamos a falar de um número em torno dos 2,5 mil milhões de euros.


A resposta de Pedro Passos Coelho a Ricardo Salgado, segundo o seu autor foi a seguinte: "Em qualquer caso, afirmei que o Governo nunca interferiria diretamente na avaliação e na decisão que a CGD viesse a fazer do caso concreto, nesta como em quaisquer outras matérias respeitantes a decisões que só devem caber à sua administração na área económico-financeira da sua esfera de intervenção". Passos Coelho revelou também aos deputados que, nesse encontro com Ricardo Salgado, lhe recordou "a informação veiculada pelo senhor governador do BdP [Carlos Costa] quanto ao 'ring fencing' [perímetro de proteção] do BES relativamente à exposição do banco às entidades não financeiras do GES". E "recomendei, em qualquer caso, que quanto mais cedo o GES iniciasse uma abordagem prática e direta com os seus principais credores no sentido de organizar o eventual incumprimento melhor seria para todos e também para minimizar o impacto na economia nacional". Passos Coelho disse ainda que aconselhou o então presidente do BES "a tratar destas matérias" com Carlos Costa.


Repare-se que no primeiro encontro, sem mais ninguém presente, Passos Coelho relatou que o ex-presidente do BES lhe "transmitiu a sua opinião geral sobre a evolução macroeconómica positiva no país, consubstanciada na análise do seu próprio banco e que lhe transmitiu também a sua apreensão pela forma como o BdP vinha exercendo as suas funções de supervisão no que respeitava ao BES e à sua equipa de gestão".


Segundo o então primeiro-ministro, as "observações críticas" de Ricardo Salgado constavam numa carta que este teria enviado a Carlos Costa e que lhe mostrou. "Dado que a supervisão bancária é matéria da estrita competência do BdP, registei as opiniões que me foram transmitidas mas, naturalmente, elas não conduziram a qualquer diligência, como de resto não tinham de conduzir", frisou na altura Pedro Passos Coelho.


Só na segunda reunião surgiram os pedidos de dinheiro concretos, que de resto Ricardo Salgado acabou por, perante a recusa do Governo, ir arranjar noutros sítios, leia-se clientes particulares, em Portugal e fora, e a empresas como a Portugal Telecom. Portanto é fácil antever que teria acontecido à CGD o mesmo que aconteceu à PT. Se há alguém a quem devemos a salvação do setor financeiro foi, portanto, a Pedro Passos Coelho, e não o contrário do que tem vindo a dizer na opinião contaminada pela narrativa socialista.


Mas foi preciso a sua demissão de líder do PSD para que os críticos a Passos passassem a elogiá-lo. A acusação a Sócrates e à rede de influência que se estabeleceu na altura em Portugal, perante o silêncio daqueles que veemente criticaram Passos Coelho, pesou nas consciências. Por isso a saída de Passos foi o gatilho dos elogios que afinal todos "no peito" calavam por motivos políticos. É isto que me parece retirar-se de todos os elogios proferidos e escritos pelos mais insuspeitos autores, jornalistas e opinion makers, que eram antes fortes críticos ao ainda líder do PSD. É caso para dizer que é preciso morrer para ser reconhecido, porque em vida as qualidades esmagam os contemporâneos.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Zé é que tem razão!


 


O filósofo José Gil escreveu um brilhante livro / ensaio sobre Portugal e os portugueses, a que deu o nome "Portugal, hoje o medo de existir". Recordo-me lindamente que o livro foi particularmente mal recebido por certas forças, inteligências, à esquerda. Lembro-me, também, da reacção do sociólogo Boaventura Sousa Santos a este livro: ele estava furibundo!.


O livro, editado pela primeira vez em 2004, continua actual. Este medo existencialista, i.e, de profundo receio com os "dias de amanhã" é eterno. Se calhar é da massa que somos feitos.


Escrevo isto, e passados já uns dias sobre a vitória de Portugal contra a Suíça e apuramento para o mundial de futebol a ter lugar na Rússia, depois ter ter visto a molde humana, que enchia os Estádio da Luz" a cantar, no fim do jogo, de pulmões bem cheios, a Portuguesa. Até parecia que tinham já ganho o campeonato. Se calhar até sim, mesmo que sejamos eliminados na primeira ronda. Em suma: por aqui o futuro é sempre uma incógnita. Não era este, também, o espírito dos navegadores portugueses, pois ninguém sabia para onde ia, quando "Deram Mundos ao Mundo", como enfatizou Fernando Pessoa, na Mensagem?

O Zé é que tem razão!


 


O filósofo José Gil escreveu um brilhante livro / ensaio sobre Portugal e os portugueses, a que deu o nome "Portugal, hoje o medo de existir". Recordo-me lindamente que o livro foi particularmente mal recebido por certas forças, inteligências, à esquerda. Lembro-me, também, da reacção do sociólogo Boaventura Sousa Santos a este livro: ele estava furibundo!.


O livro, editado pela primeira vez em 2004, continua actual. Este medo existencialista, i.e, de profundo receio com os "dias de amanhã" é eterno. Se calhar é da massa que somos feitos.


Escrevo isto, e passados já uns dias sobre a vitória de Portugal contra a Suíça e apuramento para o mundial de futebol a ter lugar na Rússia, depois ter ter visto a molde humana, que enchia os Estádio da Luz" a cantar, no fim do jogo, de pulmões bem cheios, a Portuguesa. Até parecia que tinham já ganho o campeonato. Se calhar até sim, mesmo que sejamos eliminados na primeira ronda. Em suma: por aqui o futuro é sempre uma incógnita. Não era este, também, o espírito dos navegadores portugueses, pois ninguém sabia para onde ia, quando "Deram Mundos ao Mundo", como enfatizou Fernando Pessoa, na Mensagem?

Novo Hit Nacional: Sócrates em "Uma escuta aqui, uma escuta ali"


Rir é o melhor remédio

Novo Hit Nacional: Sócrates em "Uma escuta aqui, uma escuta ali"


Rir é o melhor remédio

Quantos laranjinhas existem?


 Fica uma pergunta existencial, porque sempre fui social-democrata: quantos laranjinhas existem em Portugal?

Quantos laranjinhas existem?


 Fica uma pergunta existencial, porque sempre fui social-democrata: quantos laranjinhas existem em Portugal?

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Tudo (a)normal!

 



 


Há por ai muita gente que gosta do Donald Trump. Eu não. Não há nada dele que eu goste. Ou melhor até há: a guerra surda – é a nova versão da Guerra Fria – com o regime da Coreia do Norte. Parece ser uma comédia, mas não sem ponta de graça. Ao menos estamos bem longe desse cenário!


O que parece também ter graça, pois soa a piada de mau gosto, como a Administração Trump já nos habituou,tal como demosntra a notícia de hoje, segundo a qual EUA abandonam a UNESCO, a organização mundial para a protecção do Património Cultural entre outras valias.


A decisão, como se lê no comunicado deve-se ao facto, e passo a citar: “"(…) reflecte as preocupações dos Estados Unidos com o aumento das dívidas na UNESCO, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o preconceito contínuo anti-Israel na UNESCO"


Mas há na UNESCO um “preconceito contínuo anti-Israel na UNESCO"? Não fazia ideia. Se calhar é o mesmo preconceito que Trump tem com as alterações climatéricas demonstradas na sua necessidade de rasgar o Acordo de Paris?


Para ele o património seja cultural ou atmosféricos são para ir para o lixo. Aliás não foi isso mesmo o que fizeram os fundamentalistas do ISIS quando destruíram património da humanidade. Pois é! Portanto qual é a diferença dele dos demais loucos que pairam por ai? Zero! É tudo farinha do mesmo saco e eu não tenho saco para tanta anormalidade!


 


 

Tudo (a)normal!

 



 


Há por ai muita gente que gosta do Donald Trump. Eu não. Não há nada dele que eu goste. Ou melhor até há: a guerra surda – é a nova versão da Guerra Fria – com o regime da Coreia do Norte. Parece ser uma comédia, mas não sem ponta de graça. Ao menos estamos bem longe desse cenário!


O que parece também ter graça, pois soa a piada de mau gosto, como a Administração Trump já nos habituou,tal como demosntra a notícia de hoje, segundo a qual EUA abandonam a UNESCO, a organização mundial para a protecção do Património Cultural entre outras valias.


A decisão, como se lê no comunicado deve-se ao facto, e passo a citar: “"(…) reflecte as preocupações dos Estados Unidos com o aumento das dívidas na UNESCO, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o preconceito contínuo anti-Israel na UNESCO"


Mas há na UNESCO um “preconceito contínuo anti-Israel na UNESCO"? Não fazia ideia. Se calhar é o mesmo preconceito que Trump tem com as alterações climatéricas demonstradas na sua necessidade de rasgar o Acordo de Paris?


Para ele o património seja cultural ou atmosféricos são para ir para o lixo. Aliás não foi isso mesmo o que fizeram os fundamentalistas do ISIS quando destruíram património da humanidade. Pois é! Portanto qual é a diferença dele dos demais loucos que pairam por ai? Zero! É tudo farinha do mesmo saco e eu não tenho saco para tanta anormalidade!


 


 

Ainda a Catalunha, porque merece ser lido!


 Imagem da autoria de Enrique Flores


Este texto, publicado no El País, é uma excelente análise do que se passa em Espanha e da forma como este episódio de uma lona novela poderia ser resolvido.


Os autores, os historiadores Josep M. Fradera  e José María Portillo, compram-no com o que se passou na tentativa de secessão de Quebec.


Vale a pena ser ldio

Ainda a Catalunha, porque merece ser lido!


 Imagem da autoria de Enrique Flores


Este texto, publicado no El País, é uma excelente análise do que se passa em Espanha e da forma como este episódio de uma lona novela poderia ser resolvido.


Os autores, os historiadores Josep M. Fradera  e José María Portillo, compram-no com o que se passou na tentativa de secessão de Quebec.


Vale a pena ser ldio

Uma imagem é melhor do que 4000 páginas

20683341_yZSAq.jpeg


 

Uma imagem é melhor do que 4000 páginas

20683341_yZSAq.jpeg


 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Uma história ao contrário...

12-1.jpg


 


William Paff, jornalista americano radicado em Bruxelas, um dia escreveu: "O passado faz estar onde estamos". Por mais básico que seja, ele tinha razão e aplica-se claramente à situação catalã... e com a portuguesa, também!
Em 1640, após alguns anos sob domínio espanhol, ganhamos "de volta" a nossa independência. Bem sei que Portugal não é a Catalunha, nem Barcelona é Lisboa.
Imaginemos que a restauração não tinha acontecido e que agora os portugueses votavam favoravelmente a favor da sua independência, como é que seria? 
Também os meus amigos portugueses apelavam ao respeito pelo Direito Constitucional espanhol e pela evocação do artigo 155º?


Sabem... é pela boca que morrem os peixes!

Uma história ao contrário...

12-1.jpg


 


William Paff, jornalista americano radicado em Bruxelas, um dia escreveu: "O passado faz estar onde estamos". Por mais básico que seja, ele tinha razão e aplica-se claramente à situação catalã... e com a portuguesa, também!
Em 1640, após alguns anos sob domínio espanhol, ganhamos "de volta" a nossa independência. Bem sei que Portugal não é a Catalunha, nem Barcelona é Lisboa.
Imaginemos que a restauração não tinha acontecido e que agora os portugueses votavam favoravelmente a favor da sua independência, como é que seria? 
Também os meus amigos portugueses apelavam ao respeito pelo Direito Constitucional espanhol e pela evocação do artigo 155º?


Sabem... é pela boca que morrem os peixes!

El gato y el ratón


 


Ontem o Presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, colocou a independência da Catalunha em banho-maria, na expectativa de um diálogo com Madrid...Carles Puigdemont é catalão. Deveria conhecer a mentalidade centrifugadora de Madrid que só dialoga quando lhe convém. Foi isso o que precisamente aconteceu esta manhã, quando o governo central admitiu invocar a "bomba atómica", ou seja, o artigo 155, que permite a Madrid suspender a autonomia de uma região, passando o governo central a assumir os poderes autonómicos. 


É uma atitude insensata que irá criar uma instabilidade desnecessária! De um lado está el gato e do outro el ratón. Creio que não havia necessidade!


 

El gato y el ratón


 


Ontem o Presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, colocou a independência da Catalunha em banho-maria, na expectativa de um diálogo com Madrid...Carles Puigdemont é catalão. Deveria conhecer a mentalidade centrifugadora de Madrid que só dialoga quando lhe convém. Foi isso o que precisamente aconteceu esta manhã, quando o governo central admitiu invocar a "bomba atómica", ou seja, o artigo 155, que permite a Madrid suspender a autonomia de uma região, passando o governo central a assumir os poderes autonómicos. 


É uma atitude insensata que irá criar uma instabilidade desnecessária! De um lado está el gato e do outro el ratón. Creio que não havia necessidade!


 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Isto faz-me lembrar Shakespeare

Carles Puigdemont apelou ao diálogo com Madrid através dos mediadores internacionais e pede ao Parlamento catalão para que suspenda a declaração de independência.


Muito barulho...para quê? Se calhar nada!

Isto faz-me lembrar Shakespeare

Carles Puigdemont apelou ao diálogo com Madrid através dos mediadores internacionais e pede ao Parlamento catalão para que suspenda a declaração de independência.


Muito barulho...para quê? Se calhar nada!

sábado, 7 de outubro de 2017

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Rapahel.jpg


Esta questão filosófica é bem retratada no quadro "Escola de Atenas" de Raphael. Onde se destacam duas figuras, Platão e Aristóteles. Platão aponta com o dedo para cima, o que é visto como símbolo do primado das ideias. O mundo das ideias é que é o verdadeiro e o mundo que vivemos é um mero reflexo imperfeito. Aristóteles, ao contrário, tem a mão virada para baixo, como símbolo da importância da realidade empírica. 


Estas duas figuras filosóficas são a base de duas visões, a estética e a empírica.


O ícone da defesa da supremacia da arte sobre a vida é Oscar Wilde. Numa análise de Manuel S. Fonseca de comparação entre os contos Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa, e A Alma do Homem sob a Égide do Socialismo, de Oscar Wilde, o editor relata que Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa) roubou esta anedota exemplar do encontro de uma admiradora com o pintor James Whistler. «Escreveu Bernardo Soares no seu livro desassossegado e decadentista: "uma senhora disse um dia a Whistler [pintor]: Vi ontem uma paisagem que me lembrou um quadro seu. Sim, a natureza tem feito progressos, respondeu o pintor"«, escreve Manuel S. Fonseca. 


 

A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

Rapahel.jpg


Esta questão filosófica é bem retratada no quadro "Escola de Atenas" de Raphael. Onde se destacam duas figuras, Platão e Aristóteles. Platão aponta com o dedo para cima, o que é visto como símbolo do primado das ideias. O mundo das ideias é que é o verdadeiro e o mundo que vivemos é um mero reflexo imperfeito. Aristóteles, ao contrário, tem a mão virada para baixo, como símbolo da importância da realidade empírica. 


Estas duas figuras filosóficas são a base de duas visões, a estética e a empírica.


O ícone da defesa da supremacia da arte sobre a vida é Oscar Wilde. Numa análise de Manuel S. Fonseca de comparação entre os contos Banqueiro Anarquista, de Fernando Pessoa, e A Alma do Homem sob a Égide do Socialismo, de Oscar Wilde, o editor relata que Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa) roubou esta anedota exemplar do encontro de uma admiradora com o pintor James Whistler. «Escreveu Bernardo Soares no seu livro desassossegado e decadentista: "uma senhora disse um dia a Whistler [pintor]: Vi ontem uma paisagem que me lembrou um quadro seu. Sim, a natureza tem feito progressos, respondeu o pintor"«, escreve Manuel S. Fonseca.