segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Caixa de Pandora do GES (o que se passa no Grupo e o que poderá vir a acontecer)


Para simplificar: O problema do Grupo Espírito Santo consiste numa holding que se chama Espírito Santo International, que é a primeira de uma sequência delas, portanto é a holding que é detida pelos cinco ramos da família Espírito Santo. Essa holding durante anos emitia dívida para financiar as empresas da família. Contava para isso com o apoio inegável de um banco que colocava essa dívida em clientes, particulares ou institucionais. Ora através de fundos de investimento (Espírito Santo Liquidez), ora através de outros instrumentos (títulos de dívida), como por exemplo papel comercial. Tudo corria bem enquanto ninguém observava a holding ES International, porque cada vez que uma dívida vencia a empresa emitia nova dívida para pagar a anterior e o banco estava lá para garantir que havia sempre liquidez. À ES International, sediada no Luxemburgo - in the middle of nowhere - ninguém pedia contas. Andava tudo feliz e contente, quando o Pedro Queiroz Pereira, num ajuste de contas com Ricardo Salgado, decide denunciar a situação ao Banco de Portugal e à CMVM. A CMVM obriga a ES Liquidez a desfazer-se dos títulos do grupo, o banco coloca então o papel comercial, entretanto emitido pelas holdings, para assegurar os reembolsos do fundo. 


Mas auditorias do Banco de Portugal e outras análises às carteiras de crédito do BES, levadas a cabo num contexto de preparação de entrada na União Bancária Europeia, leva o Banco de Portugal a aperceber-se da falência técnica da holding primeira de todo o edifício Espírito Santo. Começa por obrigar a ESFG (imediatamente antes do BES na cascata) a constituir uma provisão de 700 milhões para fazer face à emissão de papel comercial colocada pelo BES nos clientes de retalho, e depois proíbe o BES de dar crédito à ES International. Para além de castigar os gestores da família forçando-os a abdicar da administração do banco. A nova lei do Banco de Portugal dá-lhe poderes para isso, para além da possibilidade de imputar uma inibição aos gestores que estavam em simultâneo na ES International com funções efectivas, ser um machado em cima da cabeça dos administradores Espírito Santo. Ricardo Salgado não teve outro remédio se não aceitar sair da presidência do BES.


Para agravar a situação, a falência técnica da ES International impede que esta sociedade se consiga financiar. Desde que a situação se tornou pública (saltou para os jornais), ninguém compra papel comercial dela e o BES não lhe pode emprestar dinheiro. A sociedade tinha muita dívida de curto prazo emitida que vence para ontem e de repente não há dinheiro para pagar. Por isso Ricardo Salgado foi a correr ao Governo pedir ajuda à CGD (uma linha de 2,5 mil milhões). A Ministra das Finanças recusou e o Primeiro-Ministro também.


O desespero é tal que já há tentativas de converter créditos em capital para resolver a situação de insolvência. 


Se a ES International for à falência, a família perde completamente o Grupo que passa para a mão dos credores. Com a ES International vai tudo o que está em baixo, incluindo a Rioforte e o BES.


Se transformarem créditos em capital os Espírito Santo diluem a sua participação accionista, porque os credores passam a ser accionistas. Ora se directamente a família já não detém mais de 4%, nessa altura então passa ainda a ter menos expurgando todos os interesses minoritários.


É esta a situação do Grupo Espírito Santo.


Paralelamente e não completamente dissociado disto: o BES Angola tem um buraco nos activos (créditos de 5 bi que não se conseguem cobrar), com uma garantia do Estado angolano que no limite pode levar a que o banco passe para as mãos do Estado de José Eduardo dos Santos. E uma guerra familiar entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que nunca se resolverá porque decorre de uma situação de risco de perda do Banco que não será facilmente esquecida dentro da família. 


Voilá! É isto e é simples de explicar, mas deve ser sufocante o ambiente que se vive hoje na família

A Caixa de Pandora do GES (o que se passa no Grupo e o que poderá vir a acontecer)


Para simplificar: O problema do Grupo Espírito Santo consiste numa holding que se chama Espírito Santo International, que é a primeira de uma sequência delas, portanto é a holding que é detida pelos cinco ramos da família Espírito Santo. Essa holding durante anos emitia dívida para financiar as empresas da família. Contava para isso com o apoio inegável de um banco que colocava essa dívida em clientes, particulares ou institucionais. Ora através de fundos de investimento (Espírito Santo Liquidez), ora através de outros instrumentos (títulos de dívida), como por exemplo papel comercial. Tudo corria bem enquanto ninguém observava a holding ES International, porque cada vez que uma dívida vencia a empresa emitia nova dívida para pagar a anterior e o banco estava lá para garantir que havia sempre liquidez. À ES International, sediada no Luxemburgo - in the middle of nowhere - ninguém pedia contas. Andava tudo feliz e contente, quando o Pedro Queiroz Pereira, num ajuste de contas com Ricardo Salgado, decide denunciar a situação ao Banco de Portugal e à CMVM. A CMVM obriga a ES Liquidez a desfazer-se dos títulos do grupo, o banco coloca então o papel comercial, entretanto emitido pelas holdings, para assegurar os reembolsos do fundo. 


Mas auditorias do Banco de Portugal e outras análises às carteiras de crédito do BES, levadas a cabo num contexto de preparação de entrada na União Bancária Europeia, leva o Banco de Portugal a aperceber-se da falência técnica da holding primeira de todo o edifício Espírito Santo. Começa por obrigar a ESFG (imediatamente antes do BES na cascata) a constituir uma provisão de 700 milhões para fazer face à emissão de papel comercial colocada pelo BES nos clientes de retalho, e depois proíbe o BES de dar crédito à ES International. Para além de castigar os gestores da família forçando-os a abdicar da administração do banco. A nova lei do Banco de Portugal dá-lhe poderes para isso, para além da possibilidade de imputar uma inibição aos gestores que estavam em simultâneo na ES International com funções efectivas, ser um machado em cima da cabeça dos administradores Espírito Santo. Ricardo Salgado não teve outro remédio se não aceitar sair da presidência do BES.


Para agravar a situação, a falência técnica da ES International impede que esta sociedade se consiga financiar. Desde que a situação se tornou pública (saltou para os jornais), ninguém compra papel comercial dela e o BES não lhe pode emprestar dinheiro. A sociedade tinha muita dívida de curto prazo emitida que vence para ontem e de repente não há dinheiro para pagar. Por isso Ricardo Salgado foi a correr ao Governo pedir ajuda à CGD (uma linha de 2,5 mil milhões). A Ministra das Finanças recusou e o Primeiro-Ministro também.


O desespero é tal que já há tentativas de converter créditos em capital para resolver a situação de insolvência. 


Se a ES International for à falência, a família perde completamente o Grupo que passa para a mão dos credores. Com a ES International vai tudo o que está em baixo, incluindo a Rioforte e o BES.


Se transformarem créditos em capital os Espírito Santo diluem a sua participação accionista, porque os credores passam a ser accionistas. Ora se directamente a família já não detém mais de 4%, nessa altura então passa ainda a ter menos expurgando todos os interesses minoritários.


É esta a situação do Grupo Espírito Santo.


Paralelamente e não completamente dissociado disto: o BES Angola tem um buraco nos activos (créditos de 5 bi que não se conseguem cobrar), com uma garantia do Estado angolano que no limite pode levar a que o banco passe para as mãos do Estado de José Eduardo dos Santos. E uma guerra familiar entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que nunca se resolverá porque decorre de uma situação de risco de perda do Banco que não será facilmente esquecida dentro da família. 


Voilá! É isto e é simples de explicar, mas deve ser sufocante o ambiente que se vive hoje na família

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Os reis do mundial

Os reis do mundial

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A razão em tempo de guerra


Confesso que comecei por achar uma atitude nobre a de José Maria Ricciardi sair de todos os cargos de administração do Grupo Espírito Santo. Pois se votou contra a lista de Amílcar Morais Pires, não se revendo naquela liderança, quis dar um sinal de coerência. Pareceu-me bem. Acho que José Maria Ricciardi devia até ter-se demitido da administração da ES Internacional depois de ter obtido os resultados da auditoria pedida por si àquela sociedade amaldiçoada, no princípio de 2013. Mas isso são outros 500.


 


Imagino que não deva ser fácil para alguém ser enrolado numa aura de suspeição quando aparentemente não tinha intervenção efectiva na gestão dessas holdings e imagino a revolta que deve sentir ao ver o primo Ricardo Salgado dizer numa entrevista que todos tinham responsabilidade, uma vez que eram todos administradores, quando o commissaire aux compte na edição do Expresso de dia 14 de Junho vem dizer que eram Ricardo Salgado e José Castella, controller financeiro do GES, quem tinha acesso a tudo das contas da ES International.


 


Esse sentimento de injustiça é terrível e se uma pessoa não o controla, pode ser muito mau conselheiro. 


 


Serve isto para dizer que o comunicado de José Maria Ricciardi a anunciar a sua saída da administração da ESFG (que imediatamente a aceitou) foi depois acompanhado por uma declaração que, a meu ver, foi impulsiva e talvez tenha comprometido irremediavelmente a sua estratégia que não era dificil de ler nas entrelinhas para os observadores mais atentos.


 


Não se anunciam aumentos de capital de significativa envergadura em comunicado. Parece-me evidente. Ao anunciar um aumento de capital de significativa envergadura (soube-se depois que era de 600 milhões de euros) para entrarem investidores (dos Emiratos) com 45% e o management ficar com 10%, levanta a lebre de uma estratégia que convinha ter ficado no segredo dos Deuses. A surpresa é fundamental nestas tácticas. A surpresa e, claro está, um bom advogado e bons conselheiros de outras ciências.


 


Agora com o BES, ainda liderado por Ricardo Salgado, a admitir substituí-lo à frente do BESI e tendo o BES 100% do BESI, e tendo o José Maria Riccardi deixado de ser administrador da ESFG, e estando a caminho de deixar de ser administrador do BES, torna-se muito complicada a sua situação.


 


Mas qualquer que seja a tática que esteja agora a desenhar é fundamental que não seja comunicada, formal ou informalmente... fundamental. 


 


É preciso ter nervos de aço em tempo de guerra. Sobretudo quando o adversário é temível. E Ricardo Salgado não chegou até aqui por ser ingénuo, e ainda tem a faca e o queijo na mão.


  

A razão em tempo de guerra


Confesso que comecei por achar uma atitude nobre a de José Maria Ricciardi sair de todos os cargos de administração do Grupo Espírito Santo. Pois se votou contra a lista de Amílcar Morais Pires, não se revendo naquela liderança, quis dar um sinal de coerência. Pareceu-me bem. Acho que José Maria Ricciardi devia até ter-se demitido da administração da ES Internacional depois de ter obtido os resultados da auditoria pedida por si àquela sociedade amaldiçoada, no princípio de 2013. Mas isso são outros 500.


 


Imagino que não deva ser fácil para alguém ser enrolado numa aura de suspeição quando aparentemente não tinha intervenção efectiva na gestão dessas holdings e imagino a revolta que deve sentir ao ver o primo Ricardo Salgado dizer numa entrevista que todos tinham responsabilidade, uma vez que eram todos administradores, quando o commissaire aux compte na edição do Expresso de dia 14 de Junho vem dizer que eram Ricardo Salgado e José Castella, controller financeiro do GES, quem tinha acesso a tudo das contas da ES International.


 


Esse sentimento de injustiça é terrível e se uma pessoa não o controla, pode ser muito mau conselheiro. 


 


Serve isto para dizer que o comunicado de José Maria Ricciardi a anunciar a sua saída da administração da ESFG (que imediatamente a aceitou) foi depois acompanhado por uma declaração que, a meu ver, foi impulsiva e talvez tenha comprometido irremediavelmente a sua estratégia que não era dificil de ler nas entrelinhas para os observadores mais atentos.


 


Não se anunciam aumentos de capital de significativa envergadura em comunicado. Parece-me evidente. Ao anunciar um aumento de capital de significativa envergadura (soube-se depois que era de 600 milhões de euros) para entrarem investidores (dos Emiratos) com 45% e o management ficar com 10%, levanta a lebre de uma estratégia que convinha ter ficado no segredo dos Deuses. A surpresa é fundamental nestas tácticas. A surpresa e, claro está, um bom advogado e bons conselheiros de outras ciências.


 


Agora com o BES, ainda liderado por Ricardo Salgado, a admitir substituí-lo à frente do BESI e tendo o BES 100% do BESI, e tendo o José Maria Riccardi deixado de ser administrador da ESFG, e estando a caminho de deixar de ser administrador do BES, torna-se muito complicada a sua situação.


 


Mas qualquer que seja a tática que esteja agora a desenhar é fundamental que não seja comunicada, formal ou informalmente... fundamental. 


 


É preciso ter nervos de aço em tempo de guerra. Sobretudo quando o adversário é temível. E Ricardo Salgado não chegou até aqui por ser ingénuo, e ainda tem a faca e o queijo na mão.


  

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Happy birthday Mr. President

No dia em que fez 70 anos, Ricardo Salgado decidiu dar um presente ao seu primo José Maria Ricciardi.

Happy birthday Mr. President

No dia em que fez 70 anos, Ricardo Salgado decidiu dar um presente ao seu primo José Maria Ricciardi.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Querer não é poder

Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.
Fernando Pessoa

Querer não é poder

Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.
Fernando Pessoa

Não querer é poder

Bernardo Soares:

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.
Que me pode dar a China que a minha alma me não tenha já dado? E, se a minha alma mo não pode dar, como mo dará a China, se é com a minha alma que verei a China, se a vir? Poderei ir buscar riqueza ao Oriente, mas não riqueza de alma, porque a riqueza de minha alma sou eu, e eu estou onde estou, sem Oriente ou com ele.
Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir. Por isso são tão pobres sempre como livros de experiência os livros de viagens, valendo somente pela imaginação de quem os escreve. E se quem os escreve tem imaginação, tanto nos pode encantar com a descrição minuciosa, fotográfica a estandartes, de paisagens que imaginou, como com a descrição, forçosamente menos minuciosa, das paisagens que supôs ver. Somos todos míopes, excepto para dentro. Só o sonho vê com (o) olhar.
No fundo, há na nossa experiência da terra duas coisas — o universal e o particular. Descrever o universal é descrever o que é comum a toda a alma humana e a toda a experiência humana — o céu vasto, com o dia e a noite que acontecem dele e nele; o correr dos rios — todos da mesma água sororal e fresca; os mares, montanhas tremulamente extensas, guardando a majestade da altura no segredo da profundeza; os campos, as estações, as casas, as caras, os gestos; o traje e os sorrisos; o amor e as guerras; os deuses, finitos e infinitos; a Noite sem forma, mãe da origem do mundo; o Fado, o monstro intelectual que é tudo... Descrevendo isto, ou qualquer coisa universal como isto, falo com a alma a linguagem primitiva e divina, o idioma adâmico que todos entendem. Mas que linguagem estilhaçada e babélica falaria eu quando descrevesse o Elevador de Santa Justa, a Catedral de Reims, os calções dos zuavos, a maneira como o português se pronuncia em Trás-os-Montes? Estas coisas são acidentes da superfície; podem sentir-se com o andar mas não com o sentir. O que no Elevador de Santa Justa é universal é a mecânica facilitando o mundo. O que na Catedral de Reims é verdade não é a Catedral nem o Reims, mas a majestade religiosa dos edifícios consagrados ao conhecimento da profundeza da alma humana. O que nos calções dos zuavos é eterno é a ficção colorida dos trajes, linguagem humana, criando uma simplicidade social que é em seu modo uma nova nudez. O que nas pronúncias locais é universal é o timbre caseiro das vozes de gente que vive espontânea, a diversidade dos seres juntos, a sucessão multicolor das maneiras, as diferenças dos povos, e a vasta variedade das nações.
Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu.

Fernando Pessoa

Não querer é poder

Bernardo Soares:

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.
Que me pode dar a China que a minha alma me não tenha já dado? E, se a minha alma mo não pode dar, como mo dará a China, se é com a minha alma que verei a China, se a vir? Poderei ir buscar riqueza ao Oriente, mas não riqueza de alma, porque a riqueza de minha alma sou eu, e eu estou onde estou, sem Oriente ou com ele.
Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir. Por isso são tão pobres sempre como livros de experiência os livros de viagens, valendo somente pela imaginação de quem os escreve. E se quem os escreve tem imaginação, tanto nos pode encantar com a descrição minuciosa, fotográfica a estandartes, de paisagens que imaginou, como com a descrição, forçosamente menos minuciosa, das paisagens que supôs ver. Somos todos míopes, excepto para dentro. Só o sonho vê com (o) olhar.
No fundo, há na nossa experiência da terra duas coisas — o universal e o particular. Descrever o universal é descrever o que é comum a toda a alma humana e a toda a experiência humana — o céu vasto, com o dia e a noite que acontecem dele e nele; o correr dos rios — todos da mesma água sororal e fresca; os mares, montanhas tremulamente extensas, guardando a majestade da altura no segredo da profundeza; os campos, as estações, as casas, as caras, os gestos; o traje e os sorrisos; o amor e as guerras; os deuses, finitos e infinitos; a Noite sem forma, mãe da origem do mundo; o Fado, o monstro intelectual que é tudo... Descrevendo isto, ou qualquer coisa universal como isto, falo com a alma a linguagem primitiva e divina, o idioma adâmico que todos entendem. Mas que linguagem estilhaçada e babélica falaria eu quando descrevesse o Elevador de Santa Justa, a Catedral de Reims, os calções dos zuavos, a maneira como o português se pronuncia em Trás-os-Montes? Estas coisas são acidentes da superfície; podem sentir-se com o andar mas não com o sentir. O que no Elevador de Santa Justa é universal é a mecânica facilitando o mundo. O que na Catedral de Reims é verdade não é a Catedral nem o Reims, mas a majestade religiosa dos edifícios consagrados ao conhecimento da profundeza da alma humana. O que nos calções dos zuavos é eterno é a ficção colorida dos trajes, linguagem humana, criando uma simplicidade social que é em seu modo uma nova nudez. O que nas pronúncias locais é universal é o timbre caseiro das vozes de gente que vive espontânea, a diversidade dos seres juntos, a sucessão multicolor das maneiras, as diferenças dos povos, e a vasta variedade das nações.
Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu.

Fernando Pessoa

As despedidas de Ricardo Salgado; de António Champalimaud e de Jardim Gonçalves

Em três momentos diferentes (2014, 1999 e 2007) três grandes banqueiros escrevem palavras fortes na hora da despedida. Em comum o facto de se tratar de uma despedida forçada pelos acontecimentos (no caso de Champalimaud a sucessão foi forçada pela sua saúde). Somos sempre nós e as nossas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset.


Ora vejam:


 


Autoridades do Luxemburgo abrem investigação a ‘holdings’ do GES


"No limiar de cumprir 70 anos, decidi, pois, que era chegado o momento de passar o testemunho da liderança executiva do Banco Espírito Santo. 


(...) Neste sentido estará assegurada de uma forma célere e clara, a transição geracional que se impõe para a entrada num novo ciclo de crescimento e rentabilidade tendo como ponto de partida a invejável capacidade e competência da equipa composta por todos os colaboradores e a muito importante confiança dos clientes do Banco. 


Em conclusão, quero dizer-vos que não posso, e não quero, esconder que neste momento vivo emoções fortes após todos estes anos de trabalho em conjunto. Mas há um sentimento que sobressai e prevalece e que, para mim, é o mais importante, e esse sentimento é de gratidão e reconhecimento a todos vós pelo trabalho realizado no BES e em benefício do nosso País e pelo privilégio de fazer parte desta imensa e valorosa equipa".


 


 


"Quero sublinhar neste momento que não era este o negócio que desejei fazer. O que desejaria ter levado a cabo era a parceria acordada em Junho com o Banco Santander, que preservava o controle do grupo por mim liderado em mãos nacionais e lhe dava um novo fôlego, em capital e em meios humanos, quer para enfrentar os desafios da globalização no mercado interno, quer para aumentar a sua presença internacional, designadamente no apoio às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O Governo português não compreendeu a minha estratégia e inviabilizou a parceria com o Banco Santander. Assim, negociei com o Sr. Emílio Botín uma solução que concertou as posições de todas as partes e que espero venha a dar satisfação aos investidores em geral.
Às administrações e aos colaboradores do Grupo Mundial-Confiança desejo expressar o meu agradecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveram e pelo sucesso que alcançaram, como veio a ser publicamente reconhecido pelo mercado".


 



"O Banco que ajudei a fundar resultou precisamente de uma ampla transparência e convergência de interesses e vontades, dos quais depende o seu futuro, sobretudo neste momento. (...)


Quiseram os Senhores Accionistas e os Órgãos Sociais que assumisse a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão por ocasião da última alteração estatutária. Aceitei o desafio em nome da Instituição.


Aproximando-se o fim do mandato do Conselho de Administração Executivo é, por isso, o momento dos Senhores Accionistas serem chamados a eleger a liderança executiva do Banco, reflecti profundamente sobre a melhor solução para a Instituição.


Tomei por isso a decisão de, uma vez encerrado o exercício, e a um ano do final de mandato, renunciar ao exercício de funções como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e Presidente do Conselho Superior do Banco Comercial Português. (...) 


Sei que na vida de uma empresa, a sucessão é um dos seus maiores desafios, sobretudo, e como se prova empiricamente, quando se trata da liderança fundacional. Contudo, e apesar da expectativa que tinha de se poderem gerar condições de coesão no seio do Conselho de Administração Executivo, o que não se revelou ser possível, estou seguro de que o Banco possui na sua liderança e no seio dos seus corpos sociais e do seu excelente quadro de colaboradores as competências, a vontade e a disponibilidade necessárias para prosseguir o projecto Millennium, preservando a independência estratégica e a sustentabilidade de longo prazo. (...)


Uma última palavra é devida. E é de gratidão. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional. A todos os que, empenhadamente e de boa fé, fizeram do Millennium bcp o seu projecto e o ajudaram a crescer. A todos os que diariamente continuam, e continuarão, a fazer o Banco. Sei que saberão honrar o prestígio e a grandeza desta Casa. É essa a minha maior alegria".

As despedidas de Ricardo Salgado; de António Champalimaud e de Jardim Gonçalves

Em três momentos diferentes (2014, 1999 e 2007) três grandes banqueiros escrevem palavras fortes na hora da despedida. Em comum o facto de se tratar de uma despedida forçada pelos acontecimentos (no caso de Champalimaud a sucessão foi forçada pela sua saúde). Somos sempre nós e as nossas circunstâncias, como diria Ortega y Gasset.


Ora vejam:


 


Autoridades do Luxemburgo abrem investigação a ‘holdings’ do GES


"No limiar de cumprir 70 anos, decidi, pois, que era chegado o momento de passar o testemunho da liderança executiva do Banco Espírito Santo. 


(...) Neste sentido estará assegurada de uma forma célere e clara, a transição geracional que se impõe para a entrada num novo ciclo de crescimento e rentabilidade tendo como ponto de partida a invejável capacidade e competência da equipa composta por todos os colaboradores e a muito importante confiança dos clientes do Banco. 


Em conclusão, quero dizer-vos que não posso, e não quero, esconder que neste momento vivo emoções fortes após todos estes anos de trabalho em conjunto. Mas há um sentimento que sobressai e prevalece e que, para mim, é o mais importante, e esse sentimento é de gratidão e reconhecimento a todos vós pelo trabalho realizado no BES e em benefício do nosso País e pelo privilégio de fazer parte desta imensa e valorosa equipa".


 


 


"Quero sublinhar neste momento que não era este o negócio que desejei fazer. O que desejaria ter levado a cabo era a parceria acordada em Junho com o Banco Santander, que preservava o controle do grupo por mim liderado em mãos nacionais e lhe dava um novo fôlego, em capital e em meios humanos, quer para enfrentar os desafios da globalização no mercado interno, quer para aumentar a sua presença internacional, designadamente no apoio às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O Governo português não compreendeu a minha estratégia e inviabilizou a parceria com o Banco Santander. Assim, negociei com o Sr. Emílio Botín uma solução que concertou as posições de todas as partes e que espero venha a dar satisfação aos investidores em geral.
Às administrações e aos colaboradores do Grupo Mundial-Confiança desejo expressar o meu agradecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveram e pelo sucesso que alcançaram, como veio a ser publicamente reconhecido pelo mercado".


 



"O Banco que ajudei a fundar resultou precisamente de uma ampla transparência e convergência de interesses e vontades, dos quais depende o seu futuro, sobretudo neste momento. (...)


Quiseram os Senhores Accionistas e os Órgãos Sociais que assumisse a Presidência do Conselho Geral e de Supervisão por ocasião da última alteração estatutária. Aceitei o desafio em nome da Instituição.


Aproximando-se o fim do mandato do Conselho de Administração Executivo é, por isso, o momento dos Senhores Accionistas serem chamados a eleger a liderança executiva do Banco, reflecti profundamente sobre a melhor solução para a Instituição.


Tomei por isso a decisão de, uma vez encerrado o exercício, e a um ano do final de mandato, renunciar ao exercício de funções como Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e Presidente do Conselho Superior do Banco Comercial Português. (...) 


Sei que na vida de uma empresa, a sucessão é um dos seus maiores desafios, sobretudo, e como se prova empiricamente, quando se trata da liderança fundacional. Contudo, e apesar da expectativa que tinha de se poderem gerar condições de coesão no seio do Conselho de Administração Executivo, o que não se revelou ser possível, estou seguro de que o Banco possui na sua liderança e no seio dos seus corpos sociais e do seu excelente quadro de colaboradores as competências, a vontade e a disponibilidade necessárias para prosseguir o projecto Millennium, preservando a independência estratégica e a sustentabilidade de longo prazo. (...)


Uma última palavra é devida. E é de gratidão. Agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra me acompanharam neste percurso de vinte e dois anos de vida profissional. A todos os que, empenhadamente e de boa fé, fizeram do Millennium bcp o seu projecto e o ajudaram a crescer. A todos os que diariamente continuam, e continuarão, a fazer o Banco. Sei que saberão honrar o prestígio e a grandeza desta Casa. É essa a minha maior alegria".

Se... por Rudyard Kipling

Se... por Rudyard Kipling

Tautau nos meninos


 


Tautau nos meninos! É mesmo o que parece quer dizer esta senhora com o rolo da massa em riste!


 


E tem razão... os meninos, bem mais preocupados com caspas e coisas afins, foram de férias para o Brasil! 

Tautau nos meninos


 


Tautau nos meninos! É mesmo o que parece quer dizer esta senhora com o rolo da massa em riste!


 


E tem razão... os meninos, bem mais preocupados com caspas e coisas afins, foram de férias para o Brasil! 

Fusão à vista?

BES elimina necessidade de maiorias qualificadas para aprovar fusões


 


No próximo dia 31 de Julho os accionistas do BES vão aprovar alterações aos seus estatutos. De entre elas a mais importante é esta que facilita as fusões. Porque quer o BES facilitar as fusões? 


A maneira como o banco vai resolver o seu problema financeiro (provocado pelas holdings familiares e pelo BES Angola) será uma fusão com um banco com o BCP ou como o BPI, cheira-me. Com o alto patrocínio do regulador, claro. A ver vamos!

Fusão à vista?

BES elimina necessidade de maiorias qualificadas para aprovar fusões


 


No próximo dia 31 de Julho os accionistas do BES vão aprovar alterações aos seus estatutos. De entre elas a mais importante é esta que facilita as fusões. Porque quer o BES facilitar as fusões? 


A maneira como o banco vai resolver o seu problema financeiro (provocado pelas holdings familiares e pelo BES Angola) será uma fusão com um banco com o BCP ou como o BPI, cheira-me. Com o alto patrocínio do regulador, claro. A ver vamos!

sábado, 21 de junho de 2014

Parabéns ao Irão de Carlos Queiroz

Não percebo nada de futebol, mas sei que o meu tio merece os parabéns porque pôr uma equipa de segunda linha num Mundial a fazer frente à Argentina que tem o melhor jogador do mundo, ou segundo melhor (sei lá), Messi, até ao minuto 90, é obra. 



 


Eis o que diz o Record: A Argentina apurou-se para os oitavos-de-final do Mundial'2014, depois de bater (com muito sofrimento) o Irão. Um fantástico golo de Messi à beira do fim foi decisivo para quebrar a resistência persa que, ressalve-se, ameaçou várias vezes chegar ao golo e pode queixar-se de um penálti não assinalado a seu favor. Mas o génio de La Pulga, que esteve algo desaparecido, acabou por ser fundamental.

Parabéns ao Irão de Carlos Queiroz

Não percebo nada de futebol, mas sei que o meu tio merece os parabéns porque pôr uma equipa de segunda linha num Mundial a fazer frente à Argentina que tem o melhor jogador do mundo, ou segundo melhor (sei lá), Messi, até ao minuto 90, é obra. 



 


Eis o que diz o Record: A Argentina apurou-se para os oitavos-de-final do Mundial'2014, depois de bater (com muito sofrimento) o Irão. Um fantástico golo de Messi à beira do fim foi decisivo para quebrar a resistência persa que, ressalve-se, ameaçou várias vezes chegar ao golo e pode queixar-se de um penálti não assinalado a seu favor. Mas o génio de La Pulga, que esteve algo desaparecido, acabou por ser fundamental.

Coisas que só se podem dizer no Twitter

 


 






 


 

Coisas que só se podem dizer no Twitter

 


 






 


 

Chega de cronistas preguiçosos


Não é aceitável. Não é admissível. Não é inteligente. Não é honesto que se diga isto: "O actual governo mereceu também da banca todos os elogios e retribuiu em espécie, impedindo que qualquer legislação que diminuísse os lucros da banca passasse no parlamento, ou ficando como penhor de bancos que em condições normais iriam à falência, mesmo numa altura em que já era difícil alegar crise sistémica!"


 


José Pacheco Pereira é inteligente e devia ser menos "jornaleiro" do que é. Não se pode ter razão assente em falsidades. Todo o edificio de opinião fica em causa "por causa" da ignorância que demonstra sobre os temas que opina. O que é que custa ir saber como é que funciona o capital de um banco? O que é que custa perceber minimamente de contabilidade bancária antes de opinar. É que se até tem razão nalgumas coisas - como por exemplo nisto "Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota" - depois quando fala do plano de recapitalização da banca como mais um esquema de compadrio do governo português com os banqueiros, revela um pensamento completamente tendencioso, ignorante e baseado em mentiras. 


O plano de recapitalização da banca é EUROPEU. É obrigatório. Não passa por nenhuma relação de Passos Coelho com Ricardo Salgado. 


 


Os bancos portugueses tiveram de ser recapitalizados porque a EBA (Autoridade Bancária Europeia) obrigou os bancos a contabilizarem a divida soberana de longo prazo aos preços do mercado. Isso provocou menos-valias potenciais que tiveram de ser registadas no capital, e criou um défice deste. Depois em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III), que exigem um common equity tier I (capital puro e duro sem incluir outros instrumentos de capital) de 7%, mínimo. 


Há os testes de stress, há o asset quality review, há uma série de iniciativas que nos ultrapassam (e é preciso não esquecer que os bancos da UE tenderão a uma união que os divorcie do risco país) e que provocam alterações no capital.


Pacheco Pereia devia saber que o capital é contabilístico. A mudança de regras contabilísticas abrem frestas no capital dos bancos. O que não é contabilístico (grosso modo) é o dinheiro que lá têm de pôr os accionistas. 


 


Eu não percebo porque é que os opinion makers consagrados são tão preguiçosos. Ao produzir semanalmente opiniões baseadas em aparências Pacheco Pereira cai no pecado que aponta aos outros.


 


Já no outro dia, o José Quintela, que eu gosto imenso de ler, escreveu um artigo giríssimo sobre o Sr. Inércia do BES; referindo-se ao commissaire aux comptes Francisco Machado Cruz, que Ricardo Salgado personalizou numa entrevista, com erros técnicos. Estava verdadeiramente com graça e bem apanhado, mas confesso que me custou ver esta frase "Provavelmente por não estar com pachorra para abrir o Excel, o Sr. Inércia não registou os 1200 milhões de euros de dívida do BES, uma quantia que coloca o banco na falência técnica". Ora isto é mentira. Quem está em falência técnica é a ES Internacional, que é uma holding da família que em termos directos, expurgando todos os interesses minoritários, não controla mais de 3% a 4% do BES. O banco obviamente não está em falência técnica, porque isso é uma questão de rácio de capital. Confesso que esta mentira do artigo, para mim, estragou um bocadinho o texto do José Quintela. 


 


Voltando ao tema Pacheco Pereira. Para esclarecer: 


No âmbito do Programa de Assistência acordado com a Troika, os principais grupos bancários, incluindo o Grupo BES, têm vindo, trimestralmente, a apresentar e a discutir com aqueles parceiros internacionais e com o Banco de Portugal os respectivos planos de financiamento e de capital (Funding and Capital Plan). O plano visa alcançar, no final de 2014, um rácio "crédito/depósitos" inferior a 120%, um rácio de financiamento estável de 100% e a manutenção de um rácio Common Equity Tier 1 mínimo de 7%, como definido pelo Banco de Portugal no Aviso 6/2013 e de acordo com o novo enquadramento regulamentar estabelecido na Diretiva 2013/36/UE e Regulamento (UE) nº 575/2013, de 26 de junho de 2013, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu.

Chega de cronistas preguiçosos


Não é aceitável. Não é admissível. Não é inteligente. Não é honesto que se diga isto: "O actual governo mereceu também da banca todos os elogios e retribuiu em espécie, impedindo que qualquer legislação que diminuísse os lucros da banca passasse no parlamento, ou ficando como penhor de bancos que em condições normais iriam à falência, mesmo numa altura em que já era difícil alegar crise sistémica!"


 


José Pacheco Pereira é inteligente e devia ser menos "jornaleiro" do que é. Não se pode ter razão assente em falsidades. Todo o edificio de opinião fica em causa "por causa" da ignorância que demonstra sobre os temas que opina. O que é que custa ir saber como é que funciona o capital de um banco? O que é que custa perceber minimamente de contabilidade bancária antes de opinar. É que se até tem razão nalgumas coisas - como por exemplo nisto "Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota" - depois quando fala do plano de recapitalização da banca como mais um esquema de compadrio do governo português com os banqueiros, revela um pensamento completamente tendencioso, ignorante e baseado em mentiras. 


O plano de recapitalização da banca é EUROPEU. É obrigatório. Não passa por nenhuma relação de Passos Coelho com Ricardo Salgado. 


 


Os bancos portugueses tiveram de ser recapitalizados porque a EBA (Autoridade Bancária Europeia) obrigou os bancos a contabilizarem a divida soberana de longo prazo aos preços do mercado. Isso provocou menos-valias potenciais que tiveram de ser registadas no capital, e criou um défice deste. Depois em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III), que exigem um common equity tier I (capital puro e duro sem incluir outros instrumentos de capital) de 7%, mínimo. 


Há os testes de stress, há o asset quality review, há uma série de iniciativas que nos ultrapassam (e é preciso não esquecer que os bancos da UE tenderão a uma união que os divorcie do risco país) e que provocam alterações no capital.


Pacheco Pereia devia saber que o capital é contabilístico. A mudança de regras contabilísticas abrem frestas no capital dos bancos. O que não é contabilístico (grosso modo) é o dinheiro que lá têm de pôr os accionistas. 


 


Eu não percebo porque é que os opinion makers consagrados são tão preguiçosos. Ao produzir semanalmente opiniões baseadas em aparências Pacheco Pereira cai no pecado que aponta aos outros.


 


Já no outro dia, o José Quintela, que eu gosto imenso de ler, escreveu um artigo giríssimo sobre o Sr. Inércia do BES; referindo-se ao commissaire aux comptes Francisco Machado Cruz, que Ricardo Salgado personalizou numa entrevista, com erros técnicos. Estava verdadeiramente com graça e bem apanhado, mas confesso que me custou ver esta frase "Provavelmente por não estar com pachorra para abrir o Excel, o Sr. Inércia não registou os 1200 milhões de euros de dívida do BES, uma quantia que coloca o banco na falência técnica". Ora isto é mentira. Quem está em falência técnica é a ES Internacional, que é uma holding da família que em termos directos, expurgando todos os interesses minoritários, não controla mais de 3% a 4% do BES. O banco obviamente não está em falência técnica, porque isso é uma questão de rácio de capital. Confesso que esta mentira do artigo, para mim, estragou um bocadinho o texto do José Quintela. 


 


Voltando ao tema Pacheco Pereira. Para esclarecer: 


No âmbito do Programa de Assistência acordado com a Troika, os principais grupos bancários, incluindo o Grupo BES, têm vindo, trimestralmente, a apresentar e a discutir com aqueles parceiros internacionais e com o Banco de Portugal os respectivos planos de financiamento e de capital (Funding and Capital Plan). O plano visa alcançar, no final de 2014, um rácio "crédito/depósitos" inferior a 120%, um rácio de financiamento estável de 100% e a manutenção de um rácio Common Equity Tier 1 mínimo de 7%, como definido pelo Banco de Portugal no Aviso 6/2013 e de acordo com o novo enquadramento regulamentar estabelecido na Diretiva 2013/36/UE e Regulamento (UE) nº 575/2013, de 26 de junho de 2013, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O Grito do Ipiranga de José Maria Ricciardi

Aí está o desfecho do BES: 


José Maria Ricciardi prepara-se para autonomizar o BES Investimento, que passará a ter sede em Londres. Como é que o vai fazer?


Vai fazer um mega aumento de capital que diluirá a participação do BES no seu capital e para esse aumento entrará um parceiro internacional. 


José Maria Ricciardi percebeu que é uma questão de tempo até a família deixar de ter uma participação relevante no BES e não vai perder tempo. 


É uma jogada de antecipação inteligente.


 


"O signatário, José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi, vem transmitir publicamente que irá optar por desenvolver a sua carreira bancária no Banco Espírito Santo de Investimento, onde exerce o cargo de Presidente da Comissão Executiva, apostando num projecto de natureza estratégica que pressupõe a separação da banca de investimento da banca comercial, de harmonia com o modelo de governance que tem vindo a ser desenvolvido no mercado bancário internacional. 

Tendo já sido reconhecida a sua idoneidade pela Entidade de Supervisão e o registo do seu mandato, propõe-se desenvolver uma parceria internacional que passará por um aumento de capital de significativa envergadura no Banco Espírito Santo de Investimento, o qual contribuirá não só para o reforço da implementação da Instituição e da sua capacidade de intervenção no mercado, como ainda para a obtenção de consideráveis benefícios para a economia nacional.

José Maria Espírito Santo Ricciardi"

O Grito do Ipiranga de José Maria Ricciardi

Aí está o desfecho do BES: 


José Maria Ricciardi prepara-se para autonomizar o BES Investimento, que passará a ter sede em Londres. Como é que o vai fazer?


Vai fazer um mega aumento de capital que diluirá a participação do BES no seu capital e para esse aumento entrará um parceiro internacional. 


José Maria Ricciardi percebeu que é uma questão de tempo até a família deixar de ter uma participação relevante no BES e não vai perder tempo. 


É uma jogada de antecipação inteligente.


 


"O signatário, José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi, vem transmitir publicamente que irá optar por desenvolver a sua carreira bancária no Banco Espírito Santo de Investimento, onde exerce o cargo de Presidente da Comissão Executiva, apostando num projecto de natureza estratégica que pressupõe a separação da banca de investimento da banca comercial, de harmonia com o modelo de governance que tem vindo a ser desenvolvido no mercado bancário internacional. 

Tendo já sido reconhecida a sua idoneidade pela Entidade de Supervisão e o registo do seu mandato, propõe-se desenvolver uma parceria internacional que passará por um aumento de capital de significativa envergadura no Banco Espírito Santo de Investimento, o qual contribuirá não só para o reforço da implementação da Instituição e da sua capacidade de intervenção no mercado, como ainda para a obtenção de consideráveis benefícios para a economia nacional.

José Maria Espírito Santo Ricciardi"

A Plebeização do Banco Espírito Santo


Ainda bem que o BES conseguiu evitar que o Estado entrasse no seu capital. A família Espírito Santo não queria de maneira nenhuma pôr o seu banco a ser mandado pelo Estado. De maneira nenhuma! Ainda bem que conseguiram evitar ser intervencionados por entidades públicas para não se repetir a perda do banco que sofreram em 1975. Parabéns!
Basta olhar para o novo Conselho de Administração (incluindo Comissão Executiva) para ver que a família Espírito Santo continua a ser dona do BES, vê-se logo.


Alberto Alves de Oliveira Pinto - Presidente substituído por Paulo Mota Pinto


Ricardo Espírito Santo Silva Salgado - Vice-Presidente substituído por Amílcar Carlos Ferreira de Morais Pires
Bruno Bernard Marie Joseph de Laage de Meux – Vice-Presidente
José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva substituído por Ana Rita Gomes Barosa


António José Baptista do Souto


Jorge Alberto Carvalho Martins


Aníbal da Costa Reis de Oliveira


José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi substituído por Isabel Maria Carvalho de Almeida Bernardino


Rui Manuel Duarte Sousa da Silveira


Joaquim Aníbal Brito Freixial de Goes


Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva sai do Conselho de Administração


João Eduardo Moura da Silva Freixa
Nuno Maria Monteiro Godinho de Matos


Pedro Mosqueira do Amaral sai do Conselho de Administração
Isabel Maria Osório de Antas Mégre de Sousa Coutinho
João de Faria Rodrigues


Marc Olivier Tristan Oppenheim


Vincent Claude Paul Pacaud


Rita Maria Lagos do Amaral Cabral


Stanislas Gerard Marie Georges Ribes


Horácio Lisboa Afonso


Pedro João Reis de Matos e Silva


Xavier Musca


 


É, antes de mais, a "plebeização" do BES! Uma verdadeira Revolução Francesa! :)


 


Ironia à parte, o BES não recorreu ao dinheiro do Estado para se recapitalizar, não emitiu CoCo´s (obrigações convertíveis em capital contingente) para o Estado subscrever, não tem o Estado no capital, mas a verdade é que acabou por perder o controlo do banco. Evitou que o Estado tivesse poder no seu Conselho de Administração mas acabou por cair nas mãos do poder do Banco de Portugal, que é uma entidade pública e tutelada pelo Ministério das Finanças. 


Nem no tempo do PREC o desmantelamento de um império familiar foi tão bem sucedido. Para quê chaimites, armas e cravos? Para quê? Há caminhos mais subtis e mais eficientes.


 


 

A Plebeização do Banco Espírito Santo


Ainda bem que o BES conseguiu evitar que o Estado entrasse no seu capital. A família Espírito Santo não queria de maneira nenhuma pôr o seu banco a ser mandado pelo Estado. De maneira nenhuma! Ainda bem que conseguiram evitar ser intervencionados por entidades públicas para não se repetir a perda do banco que sofreram em 1975. Parabéns!
Basta olhar para o novo Conselho de Administração (incluindo Comissão Executiva) para ver que a família Espírito Santo continua a ser dona do BES, vê-se logo.


Alberto Alves de Oliveira Pinto - Presidente substituído por Paulo Mota Pinto


Ricardo Espírito Santo Silva Salgado - Vice-Presidente substituído por Amílcar Carlos Ferreira de Morais Pires
Bruno Bernard Marie Joseph de Laage de Meux – Vice-Presidente
José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva substituído por Ana Rita Gomes Barosa


António José Baptista do Souto


Jorge Alberto Carvalho Martins


Aníbal da Costa Reis de Oliveira


José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi substituído por Isabel Maria Carvalho de Almeida Bernardino


Rui Manuel Duarte Sousa da Silveira


Joaquim Aníbal Brito Freixial de Goes


Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva sai do Conselho de Administração


João Eduardo Moura da Silva Freixa
Nuno Maria Monteiro Godinho de Matos


Pedro Mosqueira do Amaral sai do Conselho de Administração
Isabel Maria Osório de Antas Mégre de Sousa Coutinho
João de Faria Rodrigues


Marc Olivier Tristan Oppenheim


Vincent Claude Paul Pacaud


Rita Maria Lagos do Amaral Cabral


Stanislas Gerard Marie Georges Ribes


Horácio Lisboa Afonso


Pedro João Reis de Matos e Silva


Xavier Musca


 


É, antes de mais, a "plebeização" do BES! Uma verdadeira Revolução Francesa! :)


 


Ironia à parte, o BES não recorreu ao dinheiro do Estado para se recapitalizar, não emitiu CoCo´s (obrigações convertíveis em capital contingente) para o Estado subscrever, não tem o Estado no capital, mas a verdade é que acabou por perder o controlo do banco. Evitou que o Estado tivesse poder no seu Conselho de Administração mas acabou por cair nas mãos do poder do Banco de Portugal, que é uma entidade pública e tutelada pelo Ministério das Finanças. 


Nem no tempo do PREC o desmantelamento de um império familiar foi tão bem sucedido. Para quê chaimites, armas e cravos? Para quê? Há caminhos mais subtis e mais eficientes.


 


 

Moda de verão

A Maria tem razão, as "marradinhas" estão mesmo na moda. Pois estão!


 


 

Moda de verão

A Maria tem razão, as "marradinhas" estão mesmo na moda. Pois estão!


 


 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Ricardo Salgado: O bom, mau e o vilão


Ricardo Salgado sai do BES em cima de fazer 70 anos (a 25 de Junho). Deixa o BES capitalizado mas não conseguiu conter a difamação. Pelo contrário, a partir de dado momento a sua presença à frente do BES agudizava a difamação. Penso que Ricardo Salgado sai para poupar o banco. A sua, bem oleada, máquina de comunicação deixou de conseguir travar o desaire. 


O BES deve tudo a Ricardo Salgado: deve o bom, deve o mau e deve o vilão. O BES não seria o que é hoje se não fosse a inteligência, a sabedoria, e a diplomacia de Ricardo Salgado. O genial de Ricardo Salgado levou-o a destacar-se entre a família Espírito Santo (quando há muitos e um se destaca, isso é de um enorme mérito que é preciso reconhecer). Foi essa inteligência que o levou a ser o escolhido para liderar os destinos do BES, decorria o ano capicua de 1991. É a partir do estrangeiro que participa na reconstrução do Grupo Espírito Santo, primeiro a partir do Brasil (1976-1982) e depois a partir da Suíça (1982-1991), de onde regressa para investir em Portugal. Começou pela criação do Banco Internacional de Crédito em 1986, quando a Constituição da República Portuguesa ainda não permitia as reprivatizações.


Todo o seu percurso é feito numa tentativa de fazer do BES um grande banco português e um banco aliado do país. Ricardo Salgado é um banqueiro, daqueles à antiga, que tem uma estratégia para o banco mas também tem uma estratégia para o país. Mas, e há sempre um mas em todas as histórias, não resistiu ao pacto com o poder político que é um pacto com o diabo (seja ele cá ou em qualquer outro país). Esse foi o pecado do banqueiro. O poder é apenas uma sugestão.


A vaidade de Ricardo Salgado foi querer ser o fiel da balança política. Seja em Portugal, seja em Angola, os compromissos com o Estado podem descambar em coisas menos ortodoxas. Depois a tentação de, através do crédito, ajudar quem precisa, corrigir as injustiças, dar gás aos projectos, ajudar os amigos leais, tudo isso são vicissitudes com que se depara qualquer presidente de um banco. Mas às tantas, os amigos são muitos, os desfavorecidos são muitos, os parentes são muitos, os injustiçados são muitos, os buracos de um país são muitos e o banco começa a ser pequeno demais para acudir a tantos. Os apoios começam a cair aqui e ali, depois quando já se está à beira do abismo há sempre quem esteja disponível para dar o empurrão final. 


O bisneto de José Maria do Espírito Santo Silva e neto pela mãe de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, é o primeiro presidente do BES a sair vivo da função. Até hoje os presidentes do BES eram como os Reis numa monarquia, não abdicavam, morriam. 


Ricardo Salgado vai agora defender com unhas e dentes Amílcar Morais Pires para presidente. É preciso que se diga que Amílcar Morais Pires é fundamental no BES, o banco deve à sua credibilidade junto dos investidores o sucesso do último aumento de capital.


Ricardo Salgado sai. Não ficará nem sequer Chairman. Ficará num comité estratégico do banco. Um lugar simbólico.


José Maria Ricciardi tem fortes possibilidades de assumir a presidência do BES, se não a executiva pelo menos a não executiva. 

Ricardo Salgado: O bom, mau e o vilão


Ricardo Salgado sai do BES em cima de fazer 70 anos (a 25 de Junho). Deixa o BES capitalizado mas não conseguiu conter a difamação. Pelo contrário, a partir de dado momento a sua presença à frente do BES agudizava a difamação. Penso que Ricardo Salgado sai para poupar o banco. A sua, bem oleada, máquina de comunicação deixou de conseguir travar o desaire. 


O BES deve tudo a Ricardo Salgado: deve o bom, deve o mau e deve o vilão. O BES não seria o que é hoje se não fosse a inteligência, a sabedoria, e a diplomacia de Ricardo Salgado. O genial de Ricardo Salgado levou-o a destacar-se entre a família Espírito Santo (quando há muitos e um se destaca, isso é de um enorme mérito que é preciso reconhecer). Foi essa inteligência que o levou a ser o escolhido para liderar os destinos do BES, decorria o ano capicua de 1991. É a partir do estrangeiro que participa na reconstrução do Grupo Espírito Santo, primeiro a partir do Brasil (1976-1982) e depois a partir da Suíça (1982-1991), de onde regressa para investir em Portugal. Começou pela criação do Banco Internacional de Crédito em 1986, quando a Constituição da República Portuguesa ainda não permitia as reprivatizações.


Todo o seu percurso é feito numa tentativa de fazer do BES um grande banco português e um banco aliado do país. Ricardo Salgado é um banqueiro, daqueles à antiga, que tem uma estratégia para o banco mas também tem uma estratégia para o país. Mas, e há sempre um mas em todas as histórias, não resistiu ao pacto com o poder político que é um pacto com o diabo (seja ele cá ou em qualquer outro país). Esse foi o pecado do banqueiro. O poder é apenas uma sugestão.


A vaidade de Ricardo Salgado foi querer ser o fiel da balança política. Seja em Portugal, seja em Angola, os compromissos com o Estado podem descambar em coisas menos ortodoxas. Depois a tentação de, através do crédito, ajudar quem precisa, corrigir as injustiças, dar gás aos projectos, ajudar os amigos leais, tudo isso são vicissitudes com que se depara qualquer presidente de um banco. Mas às tantas, os amigos são muitos, os desfavorecidos são muitos, os parentes são muitos, os injustiçados são muitos, os buracos de um país são muitos e o banco começa a ser pequeno demais para acudir a tantos. Os apoios começam a cair aqui e ali, depois quando já se está à beira do abismo há sempre quem esteja disponível para dar o empurrão final. 


O bisneto de José Maria do Espírito Santo Silva e neto pela mãe de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, é o primeiro presidente do BES a sair vivo da função. Até hoje os presidentes do BES eram como os Reis numa monarquia, não abdicavam, morriam. 


Ricardo Salgado vai agora defender com unhas e dentes Amílcar Morais Pires para presidente. É preciso que se diga que Amílcar Morais Pires é fundamental no BES, o banco deve à sua credibilidade junto dos investidores o sucesso do último aumento de capital.


Ricardo Salgado sai. Não ficará nem sequer Chairman. Ficará num comité estratégico do banco. Um lugar simbólico.


José Maria Ricciardi tem fortes possibilidades de assumir a presidência do BES, se não a executiva pelo menos a não executiva. 

As "marradinhas" estão na moda!

As "marradinhas" estão na moda!

Baby boom


 


Em 1973, em Nova York, na sequência de um enorme apagão elétrico, nasceram imensas crianças.


Hoje, e sem explicação aparente, o Facebook foi vítima de um apagão que durou cerca de meia hora, pelo que restam 9 meses para ver se foi uma estratégia do Mark Zuckerberg que anda preocupado com a baixa natalidade que se sente em todo o mundo ocidentalizado? 

Baby boom


 


Em 1973, em Nova York, na sequência de um enorme apagão elétrico, nasceram imensas crianças.


Hoje, e sem explicação aparente, o Facebook foi vítima de um apagão que durou cerca de meia hora, pelo que restam 9 meses para ver se foi uma estratégia do Mark Zuckerberg que anda preocupado com a baixa natalidade que se sente em todo o mundo ocidentalizado? 

El Rey

El Rey

segunda-feira, 9 de junho de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

And there were none...


Primeiro foi Ricardo Salgado e a notícia de que teria recebido 8,5 milhões de euros de um cliente do banco (José Guilherme); depois foi a notícia que Amílcar Morais Pires, CFO do BES, estava indiciado pelo DCIAP por suspeita de ter comprado acções da EDP através de offshores disponibilizadas pela Akoya Asset Management (Monte Branco). Depois foi a vez de José Maria Ricciardi ter sido constituído arguido numa investigação do DIAP a suspeitas de inside trading na oitava fase de privatização da EDP. 
Agora é a vez de Ricardo Abecassis Espírito Santo aparecer na passerelle das más notícias. Ricardo Abecassis Espírito Santo fez parte, até final de 2012, do Conselho de Administração do BESA. Segundo o Expresso, há um buraco das contas do Banco Espírito Santo Angola que se deve a créditos, que representam 80% do total da carteira, sobre os quais não há informação de quem são os beneficiários nem para que fins serviram. A decisão de conceder os empréstimos foi do empresário Álvaro Sobrinho, presidente do banco até 2012. O crédito em risco no BESA pode atingir os 5,7 mil milhões de dólares. O Estado angolano emitiu entretanto uma garantia de cinco mil milhões de dólares que permitirá, se executada, tapar grande parte do buraco financeiro. Mas a execução poderá levar o Estado a tornar-se accionista do BESA, maioritário.


Até parece que alguém anda a brincar ao romance de Agatha Christie com a família de banqueiros.

And there were none...


Primeiro foi Ricardo Salgado e a notícia de que teria recebido 8,5 milhões de euros de um cliente do banco (José Guilherme); depois foi a notícia que Amílcar Morais Pires, CFO do BES, estava indiciado pelo DCIAP por suspeita de ter comprado acções da EDP através de offshores disponibilizadas pela Akoya Asset Management (Monte Branco). Depois foi a vez de José Maria Ricciardi ter sido constituído arguido numa investigação do DIAP a suspeitas de inside trading na oitava fase de privatização da EDP. 
Agora é a vez de Ricardo Abecassis Espírito Santo aparecer na passerelle das más notícias. Ricardo Abecassis Espírito Santo fez parte, até final de 2012, do Conselho de Administração do BESA. Segundo o Expresso, há um buraco das contas do Banco Espírito Santo Angola que se deve a créditos, que representam 80% do total da carteira, sobre os quais não há informação de quem são os beneficiários nem para que fins serviram. A decisão de conceder os empréstimos foi do empresário Álvaro Sobrinho, presidente do banco até 2012. O crédito em risco no BESA pode atingir os 5,7 mil milhões de dólares. O Estado angolano emitiu entretanto uma garantia de cinco mil milhões de dólares que permitirá, se executada, tapar grande parte do buraco financeiro. Mas a execução poderá levar o Estado a tornar-se accionista do BESA, maioritário.


Até parece que alguém anda a brincar ao romance de Agatha Christie com a família de banqueiros.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Até hoje me espanto

Como é que os juízes do Tribunal Constitucional deixaram passar os cortes salariais da Função Pública impostos pelo Governo de Sócrates? Não se me acaba o espanto, como é que tal heresia passou à frente dos olhos dos juízes do Tribunal Constitucional? Quando, ainda por cima, não havia troika a fazer imposições!


Recordo que em 2011, o governo socialista de José Sócrates aplicou cortes progressivos de 3,5% a 10% aos salários da função pública a partir dos 1.500 euros brutos, prevendo poupar 1.100 milhões de euros nesse ano (mas afinal parece que só se poupou 802 milhões).

Até hoje me espanto

Como é que os juízes do Tribunal Constitucional deixaram passar os cortes salariais da Função Pública impostos pelo Governo de Sócrates? Não se me acaba o espanto, como é que tal heresia passou à frente dos olhos dos juízes do Tribunal Constitucional? Quando, ainda por cima, não havia troika a fazer imposições!


Recordo que em 2011, o governo socialista de José Sócrates aplicou cortes progressivos de 3,5% a 10% aos salários da função pública a partir dos 1.500 euros brutos, prevendo poupar 1.100 milhões de euros nesse ano (mas afinal parece que só se poupou 802 milhões).

Uma excelente notícia para a banca e para o país


Foi hoje tomada em Conselho de Ministros a desejada decisão de o Estado aceitar que os bancos, à semelhança do que acontece com os seus congéneres espanhóis, convertam os impostos deferidos em créditos fiscais, o que libertará capital. Desta forma os bancos não terão de ir a correr fazer aumentos de capital e assim se evita uma nova epidemia no capital dos nossos bancos às portas dos testes de stress do BCE. 


O Estado tinha uma palavra a dizer uma vez que os activos por impostos diferidos, serão posteriormente deduzidos ao pagamento de IRC, quando os bancos regressarem aos lucros. Desta forma passa a ser uma dívida aos bancos, que terá de ser reconhecida no défice e dívida públicos.


 


Os impostos diferidos correspondem a poupanças em matéria de tributação (impostos) a obter no futuro. Actualmente, o imposto diferido é contabilizado nas contas de capital dos bancos mas só pode ser classificado como 'core capital", no quadro das regras de Basileia III, se o Estado português reconhecer que tem essa dívida, ou seja que o banco tem um crédito fiscal. Foi isso que Espanha fez, reduzindo assim as necessidades de capitalização dos bancos.


 


Na prática os bancos deixam de ser obrigados a deduzirem aos fundos próprios os prejuízos fiscais acumulados (activos por impostos diferidos) o que libertará capital e desta forma poderão reembolsar o Estado, e por outro lado, não precisarão de fazer aumentos de capital resultado de futuras análises aos seus activos. Como se sabe o BCP e o BPI receberam ajuda do Estado para reforçar o capital sob a forma de CoCo´s (Obrigações Convertíveis em Capital Contingente), que uma vez que foram subscritos pela República contam como core tier I. Essa ajuda tem uns juros muito altos (começa em 8,5% e acaba em 10%), o que afecta muito a conta de exploração dos bancos. Razão pela qual é o desígnio primeiro de Fernando Ulrich e começa agora a sê-lo também de Nuno Amado. 


Os bancos vão todos beneficiar deste regime, mas a instituição que mais beneficia é o BCP. Segundo os cálculos do Caixa BI, a conversão dos impostos diferidos terá um impacto para a instituição que oscila entre 1,2 e 1,4 mil milhões de euros, facilitando o reembolso das obrigações de capital contingente (Coco´s) ao Estado. Por sua vez, outro banco de investimento, o BESI, considera que o impacto no BCP será de 270 pontos base nos rácios de capital do banco.


O BCP prevê que o rácio common equity tier I, que servirá de referência no âmbito de Basileia III, passará de 5,4% para 9,5% quando as alterações estiverem todas implementadas.


 O BES deverá ganhar 90 pontos base com esta decisão do Governo. O aumento de capital vai colocar o rácio de common equity tier I (capital puro e duro) em 9,5% e, com os DTA (activos por impostos diferidos), o nível de solidez passa para 10,5%, de acordo com os dados referidos no prospecto do aumento de capital.


 No BPI, tendo em conta o rácio common equity tier one na versão totalmente implementada, os activos por impostos diferidos libertarão 227 milhões de euros de capital. 


"O regime agora aprovado é aplicável aos gastos e variações patrimoniais negativas contabilizadas nos períodos de tributação que se iniciem em ou após 1 de Janeiro de 2015, bem como aos activos por impostos diferidos que se encontrem registados nas contas anuais do sujeito passivo relativas ao último período da tributação anterior àquela data e à parte dos gastos e variações patrimoniais negativas que lhes estejam associados", explica o comunicado do Conselho de Ministros.


 


Nota: Para aprovar esta lei, a troika exigiu que, em contrapartida, os bancos que recorram a este mecanismo, emitam títulos convertíveis em capital que possam ser transaccionáveis em bolsa. Estes titulos, por exemplo obrigações convertíveis, poderão ser convertidos em acções, provocando um risco de diluição dos actuais accionistas. Isto é uma espécie de "remédio" para salvaguardar a concorrência. É uma imposição que pretende assegurar que a legislação aprovada pelo Governo não configura uma ajuda de Estado às instituições financeiras (as instituições não financeiras não têm esta benesse). 


 

Uma excelente notícia para a banca e para o país


Foi hoje tomada em Conselho de Ministros a desejada decisão de o Estado aceitar que os bancos, à semelhança do que acontece com os seus congéneres espanhóis, convertam os impostos deferidos em créditos fiscais, o que libertará capital. Desta forma os bancos não terão de ir a correr fazer aumentos de capital e assim se evita uma nova epidemia no capital dos nossos bancos às portas dos testes de stress do BCE. 


O Estado tinha uma palavra a dizer uma vez que os activos por impostos diferidos, serão posteriormente deduzidos ao pagamento de IRC, quando os bancos regressarem aos lucros. Desta forma passa a ser uma dívida aos bancos, que terá de ser reconhecida no défice e dívida públicos.


 


Os impostos diferidos correspondem a poupanças em matéria de tributação (impostos) a obter no futuro. Actualmente, o imposto diferido é contabilizado nas contas de capital dos bancos mas só pode ser classificado como 'core capital", no quadro das regras de Basileia III, se o Estado português reconhecer que tem essa dívida, ou seja que o banco tem um crédito fiscal. Foi isso que Espanha fez, reduzindo assim as necessidades de capitalização dos bancos.


 


Na prática os bancos deixam de ser obrigados a deduzirem aos fundos próprios os prejuízos fiscais acumulados (activos por impostos diferidos) o que libertará capital e desta forma poderão reembolsar o Estado, e por outro lado, não precisarão de fazer aumentos de capital resultado de futuras análises aos seus activos. Como se sabe o BCP e o BPI receberam ajuda do Estado para reforçar o capital sob a forma de CoCo´s (Obrigações Convertíveis em Capital Contingente), que uma vez que foram subscritos pela República contam como core tier I. Essa ajuda tem uns juros muito altos (começa em 8,5% e acaba em 10%), o que afecta muito a conta de exploração dos bancos. Razão pela qual é o desígnio primeiro de Fernando Ulrich e começa agora a sê-lo também de Nuno Amado. 


Os bancos vão todos beneficiar deste regime, mas a instituição que mais beneficia é o BCP. Segundo os cálculos do Caixa BI, a conversão dos impostos diferidos terá um impacto para a instituição que oscila entre 1,2 e 1,4 mil milhões de euros, facilitando o reembolso das obrigações de capital contingente (Coco´s) ao Estado. Por sua vez, outro banco de investimento, o BESI, considera que o impacto no BCP será de 270 pontos base nos rácios de capital do banco.


O BCP prevê que o rácio common equity tier I, que servirá de referência no âmbito de Basileia III, passará de 5,4% para 9,5% quando as alterações estiverem todas implementadas.


 O BES deverá ganhar 90 pontos base com esta decisão do Governo. O aumento de capital vai colocar o rácio de common equity tier I (capital puro e duro) em 9,5% e, com os DTA (activos por impostos diferidos), o nível de solidez passa para 10,5%, de acordo com os dados referidos no prospecto do aumento de capital.


 No BPI, tendo em conta o rácio common equity tier one na versão totalmente implementada, os activos por impostos diferidos libertarão 227 milhões de euros de capital. 


"O regime agora aprovado é aplicável aos gastos e variações patrimoniais negativas contabilizadas nos períodos de tributação que se iniciem em ou após 1 de Janeiro de 2015, bem como aos activos por impostos diferidos que se encontrem registados nas contas anuais do sujeito passivo relativas ao último período da tributação anterior àquela data e à parte dos gastos e variações patrimoniais negativas que lhes estejam associados", explica o comunicado do Conselho de Ministros.


 


Nota: Para aprovar esta lei, a troika exigiu que, em contrapartida, os bancos que recorram a este mecanismo, emitam títulos convertíveis em capital que possam ser transaccionáveis em bolsa. Estes titulos, por exemplo obrigações convertíveis, poderão ser convertidos em acções, provocando um risco de diluição dos actuais accionistas. Isto é uma espécie de "remédio" para salvaguardar a concorrência. É uma imposição que pretende assegurar que a legislação aprovada pelo Governo não configura uma ajuda de Estado às instituições financeiras (as instituições não financeiras não têm esta benesse). 


 

Uma pequena pergunta

Se os juízes conselheiros adoram fazer política ao barrarem todas as decisões do governo, eu gostaria de saber como é que eles agiriam se estivem no lugar de quem tenta governar, e tirar Portugal (em espacial os portugueses) deste sufoco?  

Uma pequena pergunta

Se os juízes conselheiros adoram fazer política ao barrarem todas as decisões do governo, eu gostaria de saber como é que eles agiriam se estivem no lugar de quem tenta governar, e tirar Portugal (em espacial os portugueses) deste sufoco?  

François Hollande obrigado a jantar duas vezes


 


A este ritmo vou ter que ir ao alfaiate, e aumentar o tamanho do fato!

François Hollande obrigado a jantar duas vezes


 


A este ritmo vou ter que ir ao alfaiate, e aumentar o tamanho do fato!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um banqueiro


 


 


Quando se ouve uma entrevista de Jardim Gonçalves, percebemos que banqueiros são uma espécie em vias de extinção. 


Jardim Gonçalves tem uma visão estratégica para a banca, sabe de banca como poucos, sabe o que ajuda ou prejudica uma conta de exploração, sabe qual a dimensão eficiente de um rácio de capital, tem uma visão para como deve ser a estrutura accionista de um banco, tem uma visão de mercado, sabe para onde deve ir uma instituição financeira, tem uma estratégia para o país: a estratégia da defesa dos centros de decisão nacionais.


Concorde-se ou não com as estratégias defendidas, estamos perante um verdadeiro banqueiro. Não é um bancário que ascendeu a presidente, não é um técnico, nem um político, nem um embaixador. É um banqueiro. Percebe de banca. Percebe de depósitos e crédito. Percebe de banca comercial. Percebe de investimento. Percebe de futuro. Percebe de estratégia. Percebe de inovação.


 


Saliento uma resposta que cito de memória: Quando lhe perguntaram se foram os banqueiros que provocaram a crise financeira? Respondeu, há que distinguir a banca comercial da banca de investimento. Foi a banca de investimento que provocou a crise financeira.


 


P.S. A absolvição do processo do Banco de Portugal contra o BCP deve-se única e exclusivamente ao Recurso do Banco de Portugal à decisão do Tribunal, que era favorável a Jardim Gonçalves. O Banco de Portugal recorreu da decisão do Tribunal e o processo prescreveu. Jardim Gonçalves nada teve a ver com o assunto.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Um banqueiro


 


 


Quando se ouve uma entrevista de Jardim Gonçalves, percebemos que banqueiros são uma espécie em vias de extinção. 


Jardim Gonçalves tem uma visão estratégica para a banca, sabe de banca como poucos, sabe o que ajuda ou prejudica uma conta de exploração, sabe qual a dimensão eficiente de um rácio de capital, tem uma visão para como deve ser a estrutura accionista de um banco, tem uma visão de mercado, sabe para onde deve ir uma instituição financeira, tem uma estratégia para o país: a estratégia da defesa dos centros de decisão nacionais.


Concorde-se ou não com as estratégias defendidas, estamos perante um verdadeiro banqueiro. Não é um bancário que ascendeu a presidente, não é um técnico, nem um político, nem um embaixador. É um banqueiro. Percebe de banca. Percebe de depósitos e crédito. Percebe de banca comercial. Percebe de investimento. Percebe de futuro. Percebe de estratégia. Percebe de inovação.


 


Saliento uma resposta que cito de memória: Quando lhe perguntaram se foram os banqueiros que provocaram a crise financeira? Respondeu, há que distinguir a banca comercial da banca de investimento. Foi a banca de investimento que provocou a crise financeira.


 


P.S. A absolvição do processo do Banco de Portugal contra o BCP deve-se única e exclusivamente ao Recurso do Banco de Portugal à decisão do Tribunal, que era favorável a Jardim Gonçalves. O Banco de Portugal recorreu da decisão do Tribunal e o processo prescreveu. Jardim Gonçalves nada teve a ver com o assunto.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

Gaspar versus Piketty

 


É sempre um prazer ver um génio das teorias macroeconómicas comentar outro génio (mesmo que com ele não concordemos). Julgo mesmo que apenas economistas consagrados podem fazer críticas aos autores de teorias económicas. Já tinha feito referência na blogosfera ao novo economista da moda, autor de "O Capital no Século XXI", Thomas Piketty, francês, cujo livro teve o seu auge quando foi publicado em Inglaterra, em Março passado, um ano depois de em França, país de raíz socialista, não ter feito grande furor, paradoxalmente. O livro debruça-se sobre as tendências da distribuição do rendimento, Tema que tem dominado os economistas desde o século XIX. 


Mas quem melhor do que Vítor Gaspar para o comentar? Eis o que explica o nosso ex-Ministro das Finanças:


"O “tour de force” do livro prende-se com as forças que levam à concentração da riqueza (e por essa via também do rendimento) (...).Em concreto, quando a taxa de remuneração da riqueza (taxa de juro para simplificar) excede a taxa de crescimento do produto nacional, temos as condições que permitem conceber uma sociedade dominada pelos detentores do capital [o que é o resultado de poderosas forças de divergência]. De facto, nestas condições, basta aos capitalistas poupar uma parcela da sua riqueza para que esta – e o correspondente rendimento – acumulem mais depressa do que cresce o produto. Nestas condições, os patrimónios herdados tenderão a dominar a importância de uma vida inteira de trabalho. E Piketty conclui: uma tal situação mina os valores de justiça social e de recompensa do mérito e do esforço que são os fundamentos contemporâneos da democracia.


Acrescem adicionalmente alguns factos. Em primeiro lugar, Piketty também destaca que a distribuição da riqueza ou património (a que chama capital) é muito mais desigual que a distribuição do rendimento. Para camadas largas da população não existe um património ou riqueza líquida significativa. Em segundo lugar, documenta que desde a antiguidade até hoje a taxa de juro excedeu, em regra, a taxa de crescimento do produto". 


A força de divergência fundamental do Piketty  é o rendimento de capital ser superior ao produto nacional (r>g).


Isto culmina com o Piketty a defender a tributação do rendimento de capital (como forma de corrigir desigualdades). Ou será como forma de castigo? :)


Vítor Gaspar não concorda com Piketty. Porque considera que este ignora as chamadas forças de convergência: a acumulação e transmissão de conhecimentos, a educação, a mobilidade dos factores de produção e a integração de mercados. 


Mas no essencial a diferença é que Gaspar defende o aumento da taxa de poupança. Diz o ex-Ministro das Finanças: "Mas existe uma questão teórica mais geral. r>g é uma condição comum em modelos teóricos de crescimento. É especificamente condição para a eficiência na afectação de recursos ao longo do tempo", diz Vítor Gaspar.


Mas o que interessa é que "Em tudo o que é humano, social e político a incerteza é dominante" e por isso O Capitalismo no Século XXI não fecha o debate. Pelo contrário. É uma referência incontornável para a continuação do debate.

Gaspar versus Piketty

 


É sempre um prazer ver um génio das teorias macroeconómicas comentar outro génio (mesmo que com ele não concordemos). Julgo mesmo que apenas economistas consagrados podem fazer críticas aos autores de teorias económicas. Já tinha feito referência na blogosfera ao novo economista da moda, autor de "O Capital no Século XXI", Thomas Piketty, francês, cujo livro teve o seu auge quando foi publicado em Inglaterra, em Março passado, um ano depois de em França, país de raíz socialista, não ter feito grande furor, paradoxalmente. O livro debruça-se sobre as tendências da distribuição do rendimento, Tema que tem dominado os economistas desde o século XIX. 


Mas quem melhor do que Vítor Gaspar para o comentar? Eis o que explica o nosso ex-Ministro das Finanças:


"O “tour de force” do livro prende-se com as forças que levam à concentração da riqueza (e por essa via também do rendimento) (...).Em concreto, quando a taxa de remuneração da riqueza (taxa de juro para simplificar) excede a taxa de crescimento do produto nacional, temos as condições que permitem conceber uma sociedade dominada pelos detentores do capital [o que é o resultado de poderosas forças de divergência]. De facto, nestas condições, basta aos capitalistas poupar uma parcela da sua riqueza para que esta – e o correspondente rendimento – acumulem mais depressa do que cresce o produto. Nestas condições, os patrimónios herdados tenderão a dominar a importância de uma vida inteira de trabalho. E Piketty conclui: uma tal situação mina os valores de justiça social e de recompensa do mérito e do esforço que são os fundamentos contemporâneos da democracia.


Acrescem adicionalmente alguns factos. Em primeiro lugar, Piketty também destaca que a distribuição da riqueza ou património (a que chama capital) é muito mais desigual que a distribuição do rendimento. Para camadas largas da população não existe um património ou riqueza líquida significativa. Em segundo lugar, documenta que desde a antiguidade até hoje a taxa de juro excedeu, em regra, a taxa de crescimento do produto". 


A força de divergência fundamental do Piketty  é o rendimento de capital ser superior ao produto nacional (r>g).


Isto culmina com o Piketty a defender a tributação do rendimento de capital (como forma de corrigir desigualdades). Ou será como forma de castigo? :)


Vítor Gaspar não concorda com Piketty. Porque considera que este ignora as chamadas forças de convergência: a acumulação e transmissão de conhecimentos, a educação, a mobilidade dos factores de produção e a integração de mercados. 


Mas no essencial a diferença é que Gaspar defende o aumento da taxa de poupança. Diz o ex-Ministro das Finanças: "Mas existe uma questão teórica mais geral. r>g é uma condição comum em modelos teóricos de crescimento. É especificamente condição para a eficiência na afectação de recursos ao longo do tempo", diz Vítor Gaspar.


Mas o que interessa é que "Em tudo o que é humano, social e político a incerteza é dominante" e por isso O Capitalismo no Século XXI não fecha o debate. Pelo contrário. É uma referência incontornável para a continuação do debate.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Se faz favor que venha uma "aclaração"!


1|Quando o cenário é negro e o país parece querer voltar a ver uma luz no fundo do túnel, há alguém, que tal como os morcegos gosta da escuridão, que sente estar a fazer um bom serviço ao país defendendo a Constituição com unhas e dentes! Bem sei que é para isto que eles são pagos, acontece que, quando a vacas estão magras os juízes conselheiros deveriam ter visão periférica, i.e, olhando para lá do óbvio, compreendo que há dias em que a excepção tem que ser a regra. Assim sendo, e seu fosse o Passos Coelho, além de pedir uma "aclaração" aos termos do acórdão do Tribunal Constitucional que determinou mais este chumbo, bateria com a porta, porque se calhar no Palácio Ratton há uma varinha mágica que, sem qualquer tipo de inconstitucionalidade, volte a pôr Portugal na rota do crescimento!


2| Finalmente, e caso Coelho e Portas decidam bater com a porta, adoraria saber como é que os socialistas que andam de pantanas, resolveriam a situação? 

Se faz favor que venha uma "aclaração"!


1|Quando o cenário é negro e o país parece querer voltar a ver uma luz no fundo do túnel, há alguém, que tal como os morcegos gosta da escuridão, que sente estar a fazer um bom serviço ao país defendendo a Constituição com unhas e dentes! Bem sei que é para isto que eles são pagos, acontece que, quando a vacas estão magras os juízes conselheiros deveriam ter visão periférica, i.e, olhando para lá do óbvio, compreendo que há dias em que a excepção tem que ser a regra. Assim sendo, e seu fosse o Passos Coelho, além de pedir uma "aclaração" aos termos do acórdão do Tribunal Constitucional que determinou mais este chumbo, bateria com a porta, porque se calhar no Palácio Ratton há uma varinha mágica que, sem qualquer tipo de inconstitucionalidade, volte a pôr Portugal na rota do crescimento!


2| Finalmente, e caso Coelho e Portas decidam bater com a porta, adoraria saber como é que os socialistas que andam de pantanas, resolveriam a situação? 

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