terça-feira, 29 de abril de 2014

A tradução deve ser fantástica


"Capital in the 21st Century", do autor francês Thomas Piketty, foi, um ano depois do lançamento em França, publicado em Inglês e já se tornou no livro top dos temas económicos, elogiado pelo jornal NYT, pelo economista Krugman, etc, segundo a revista The Economist. Em França não teve sucesso nenhum.


Lembrei-me do Woody Allen, que quando o confrontaram com o facto de os seus filmes serem um sucesso em França, ao contrário do que acontecia no seu país, respondeu: "As legendas devem ser fantásticas"!

A tradução deve ser fantástica


"Capital in the 21st Century", do autor francês Thomas Piketty, foi, um ano depois do lançamento em França, publicado em Inglês e já se tornou no livro top dos temas económicos, elogiado pelo jornal NYT, pelo economista Krugman, etc, segundo a revista The Economist. Em França não teve sucesso nenhum.


Lembrei-me do Woody Allen, que quando o confrontaram com o facto de os seus filmes serem um sucesso em França, ao contrário do que acontecia no seu país, respondeu: "As legendas devem ser fantásticas"!

Bancos vão precisar de mais capital no fim dos últimos testes do BCE?

Aquilo que mais se destaca no comunicado do BCE, sobre os últimos testes de stress aos bancos, antes de este assumir as suas funções de supervisão no âmbito do Mecanismo Único de Supervisão, é a frase do muito nosso Vítor Constâncio (vice-presidente do BCE): 


"Em antecipação de eventuais défices, os bancos devem começar a considerar as fontes de capital privadas a que poderão recorrer na sequência do exercício e planear em conformidade, tendo em conta que os planos de capital que terão de apresentar podem incluir limitações à distribuição de dividendos e ao pagamento de bónus, novas emissões de capital, instrumentos de capital contingente suficientemente robustos e vendas a preços de mercado de ativos selecionados."


 


Este testes de stress, incluem análise da qualidade dos activos (em curso e concluídas até ao fim do Verão; mas serão incorporados também os resultados do teste de esforço (stress) em cenário base e em cenário adverso, o que constitui um elemento único da avaliação completa.


Na sequência da publicação dos resultados, o BCE solicitará aos bancos que apresentem planos de capital, indicando em pormenor a forma como os défices serão cobertos. 


Ser accionista de um banco, nos dias que correm, não é pêra doce, a par das constantes chamadas de capital, não põem os olhos em cima de dividendos. 

Bancos vão precisar de mais capital no fim dos últimos testes do BCE?

Aquilo que mais se destaca no comunicado do BCE, sobre os últimos testes de stress aos bancos, antes de este assumir as suas funções de supervisão no âmbito do Mecanismo Único de Supervisão, é a frase do muito nosso Vítor Constâncio (vice-presidente do BCE): 


"Em antecipação de eventuais défices, os bancos devem começar a considerar as fontes de capital privadas a que poderão recorrer na sequência do exercício e planear em conformidade, tendo em conta que os planos de capital que terão de apresentar podem incluir limitações à distribuição de dividendos e ao pagamento de bónus, novas emissões de capital, instrumentos de capital contingente suficientemente robustos e vendas a preços de mercado de ativos selecionados."


 


Este testes de stress, incluem análise da qualidade dos activos (em curso e concluídas até ao fim do Verão; mas serão incorporados também os resultados do teste de esforço (stress) em cenário base e em cenário adverso, o que constitui um elemento único da avaliação completa.


Na sequência da publicação dos resultados, o BCE solicitará aos bancos que apresentem planos de capital, indicando em pormenor a forma como os défices serão cobertos. 


Ser accionista de um banco, nos dias que correm, não é pêra doce, a par das constantes chamadas de capital, não põem os olhos em cima de dividendos. 

Alto e pára o baile! Vou elogiar uma crónica do Daniel Oliveira

Quando no passado domingo, dia 27, Portugal perdeu um dos seus últimos grandes intelectuais, eu escrevi aqui que tinha morrido um dos grandes intelectuais de Direita. Fui criticada. Cometi o sacrilégio de dizer que um dos homens mais inteligentes do país era de Direita. Como eu sou. Quase que me disseram que eu estava a denegrir o Vasco Graça Moura.


Um país sempre disponível para o pensamento fácil e estereotipado, de que Vasco Graça Moura não era um exemplo, facilmente bebeu a aversão à palavra Direita. Ninguém quer ser de Direita. Têm medo da palavra. Vê-se muita gente de Direita a dizer que é de Centro. O Centro é como o preto para as Senhoras: "com um vestido preto nunca me comprometo"! Portugal é assim povoado pelas meias-tintas. Tudo muito preocupado com o politicamente correcto. O que a maioria dos mediáticos disserem é que é para seguir. Ser de Direita é um insulto que serve apenas para atirar aos Governos quando são de Direita, como o de Pedro Passos Coelho.


Vem este intróito para dizer que finalmente alguém diz sem medo, e sem retirar os merecidos elogios, que Vasco Graça Moura era um homem intrinsecamente de direita e conservador. Diz Daniel Oliveira na sua crónica do Expresso que "Graça Moura era, ao contrário do que diz Maria Teresa Horta, intrinsecamente de direita. Mesmo como intelectual. E no que defendia como políticas públicas para a cultura ainda mais". E acrescenta que: "Acontece que Graça Moura era um conservador. E ser de direita e conservador, apesar de não ser irrelevante para o seu perfil intelectual e cultural, em nada beliscava as suas qualidades literárias".


"Penso perceber o que estava na cabeça de Maria Teresa Horta. No momento do elogio fúnebre (ainda por cima a um amigo), misturam-se, mesmo que involuntariamente, duas coisas: um preconceito específico da esquerda e o preconceito político mais geral. Para Maria Teresa Horta, um intelectual tão admirável não podia estar no lado oposto da barricada. O preconceito da esquerda é este: a direita é ignorante, inculta e odeia a liberdade das artes. O que torna o posicionamento político de Graça Moura, homem culto e "das letras", "contranatura". É claro que é um disparate. A direita não é nem mais nem menos culta do que a esquerda. Acontece apenas que a esquerda foi culturalmente hegemónica na segunda metade do século XX. E ainda mais em Portugal. Contou, por isso, com o apoio da grande maioria dos intelectuais. Mas, como é evidente nas gerações mais novas, não vive numa qualquer superioridade intelectual ou cultural. Tem um olhar diferente sobre o papel dos intelectuais na vida pública? Provavelmente. Tem um olhar diferente sobre a democratização do acesso à cultura? Seguramente. E nisso Graça Moura era indiscutivelmente de Direita".


Confesso-me surpreendida porque das únicas vezes que troquei mensagens com Daniel Oliveira senti-o precisamente um preconceituoso de esquerda. Nesta crónica prova que afinal consegue não o ser. Mais do que isso, consegue reconhecer que há um preconceito de esquerda que vê todas as pessoas de Direita e conservadoras como ignorantes. Isso é muito bom. Mesmo muito bom.

Alto e pára o baile! Vou elogiar uma crónica do Daniel Oliveira

Quando no passado domingo, dia 27, Portugal perdeu um dos seus últimos grandes intelectuais, eu escrevi aqui que tinha morrido um dos grandes intelectuais de Direita. Fui criticada. Cometi o sacrilégio de dizer que um dos homens mais inteligentes do país era de Direita. Como eu sou. Quase que me disseram que eu estava a denegrir o Vasco Graça Moura.


Um país sempre disponível para o pensamento fácil e estereotipado, de que Vasco Graça Moura não era um exemplo, facilmente bebeu a aversão à palavra Direita. Ninguém quer ser de Direita. Têm medo da palavra. Vê-se muita gente de Direita a dizer que é de Centro. O Centro é como o preto para as Senhoras: "com um vestido preto nunca me comprometo"! Portugal é assim povoado pelas meias-tintas. Tudo muito preocupado com o politicamente correcto. O que a maioria dos mediáticos disserem é que é para seguir. Ser de Direita é um insulto que serve apenas para atirar aos Governos quando são de Direita, como o de Pedro Passos Coelho.


Vem este intróito para dizer que finalmente alguém diz sem medo, e sem retirar os merecidos elogios, que Vasco Graça Moura era um homem intrinsecamente de direita e conservador. Diz Daniel Oliveira na sua crónica do Expresso que "Graça Moura era, ao contrário do que diz Maria Teresa Horta, intrinsecamente de direita. Mesmo como intelectual. E no que defendia como políticas públicas para a cultura ainda mais". E acrescenta que: "Acontece que Graça Moura era um conservador. E ser de direita e conservador, apesar de não ser irrelevante para o seu perfil intelectual e cultural, em nada beliscava as suas qualidades literárias".


"Penso perceber o que estava na cabeça de Maria Teresa Horta. No momento do elogio fúnebre (ainda por cima a um amigo), misturam-se, mesmo que involuntariamente, duas coisas: um preconceito específico da esquerda e o preconceito político mais geral. Para Maria Teresa Horta, um intelectual tão admirável não podia estar no lado oposto da barricada. O preconceito da esquerda é este: a direita é ignorante, inculta e odeia a liberdade das artes. O que torna o posicionamento político de Graça Moura, homem culto e "das letras", "contranatura". É claro que é um disparate. A direita não é nem mais nem menos culta do que a esquerda. Acontece apenas que a esquerda foi culturalmente hegemónica na segunda metade do século XX. E ainda mais em Portugal. Contou, por isso, com o apoio da grande maioria dos intelectuais. Mas, como é evidente nas gerações mais novas, não vive numa qualquer superioridade intelectual ou cultural. Tem um olhar diferente sobre o papel dos intelectuais na vida pública? Provavelmente. Tem um olhar diferente sobre a democratização do acesso à cultura? Seguramente. E nisso Graça Moura era indiscutivelmente de Direita".


Confesso-me surpreendida porque das únicas vezes que troquei mensagens com Daniel Oliveira senti-o precisamente um preconceituoso de esquerda. Nesta crónica prova que afinal consegue não o ser. Mais do que isso, consegue reconhecer que há um preconceito de esquerda que vê todas as pessoas de Direita e conservadoras como ignorantes. Isso é muito bom. Mesmo muito bom.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O olhar que despe


 


Tinha 15 anos. Tinha ido a Lisboa para ver o Papa que veio do Leste. Estou perto da Nunciatura Apostólica, onde ele repousava para daí seguir rumo ao Parque Eduardo VII. Ele sai. Eram muitas as pessoas que nas ruas, nos passeios davam vivas ao sumo pontífice. Não fugi à regra e com todas as minha forças gritei procurando chamar a sua atenção. Não sei se ele meu ouviu. Sei, porventura por sorte, que ele se virou para mim e que me fitou com aquele olhar único: nunca me tinha sentido assim. Foi como que aqueles olhos azuis, límpidos e quase "não humanos" me tivessem radiografado: senti-me nu, e ao mesmo tempo com uma felicidade que ainda hoje, 32 anos depois, me parecia inexplicável. Porém, e como tudo tem uma explicação, ontem descobri a razão: um Santo olhou para mim!

O olhar que despe


 


Tinha 15 anos. Tinha ido a Lisboa para ver o Papa que veio do Leste. Estou perto da Nunciatura Apostólica, onde ele repousava para daí seguir rumo ao Parque Eduardo VII. Ele sai. Eram muitas as pessoas que nas ruas, nos passeios davam vivas ao sumo pontífice. Não fugi à regra e com todas as minha forças gritei procurando chamar a sua atenção. Não sei se ele meu ouviu. Sei, porventura por sorte, que ele se virou para mim e que me fitou com aquele olhar único: nunca me tinha sentido assim. Foi como que aqueles olhos azuis, límpidos e quase "não humanos" me tivessem radiografado: senti-me nu, e ao mesmo tempo com uma felicidade que ainda hoje, 32 anos depois, me parecia inexplicável. Porém, e como tudo tem uma explicação, ontem descobri a razão: um Santo olhou para mim!

Uma espécie de sina

Eu tenho o dom de provocar a competição dos outros, de suscitar o confronto. Desde que me lembro de mim, que tenho de me defender dos ataques e desafios provocadores de quem quer provar que é melhor e maior. Este espírito de competição surge mesmo onde menos se espera, às vezes nos mais próximos.


Mas eu não compito com ninguém (só comigo própria) e ao contrário do que possa parecer, detesto discordar. O que eu gosto é de concordar. Mas que difícil é encontrar neste mundo pessoas concordantes! É o segredo da felicidade, encontrar quem esteja em sintonia com o nosso entendimento. É o sonho de qualquer um.


 

Uma espécie de sina

Eu tenho o dom de provocar a competição dos outros, de suscitar o confronto. Desde que me lembro de mim, que tenho de me defender dos ataques e desafios provocadores de quem quer provar que é melhor e maior. Este espírito de competição surge mesmo onde menos se espera, às vezes nos mais próximos.


Mas eu não compito com ninguém (só comigo própria) e ao contrário do que possa parecer, detesto discordar. O que eu gosto é de concordar. Mas que difícil é encontrar neste mundo pessoas concordantes! É o segredo da felicidade, encontrar quem esteja em sintonia com o nosso entendimento. É o sonho de qualquer um.


 

O último dos renascentistas


 


Escreveu a Maria que com a morte do Vasco Graça Moura morreu o último dos intelectuais de direita, o que sendo verdade formalmente não deixa de ser preocupante: como será agora, uma vez que a direita já não tem intelectuais?


As pessoas são livres de dizerem o que querem, como querem e onde querem. Vasco Graça Moura é mais, muito mais do que um intelectual de direita. Era um português total, tal como é, à sua maneira, o Eduardo Lourenço e mais um punhado de pouca gente que nos fazem ser um país intelectualmente pobre!


Conheci pessoalmente o Vasco Graça Moura, com quem privei e conversei algumas vezes. Era puro deleite! Deles guardo o seu humanismo e as suas preocupações. E, para a posterioridade, fica gravada na minha memória a indelével imagem de ter sido um verdadeiro renascentista. O último dos renascentistas!

O último dos renascentistas


 


Escreveu a Maria que com a morte do Vasco Graça Moura morreu o último dos intelectuais de direita, o que sendo verdade formalmente não deixa de ser preocupante: como será agora, uma vez que a direita já não tem intelectuais?


As pessoas são livres de dizerem o que querem, como querem e onde querem. Vasco Graça Moura é mais, muito mais do que um intelectual de direita. Era um português total, tal como é, à sua maneira, o Eduardo Lourenço e mais um punhado de pouca gente que nos fazem ser um país intelectualmente pobre!


Conheci pessoalmente o Vasco Graça Moura, com quem privei e conversei algumas vezes. Era puro deleite! Deles guardo o seu humanismo e as suas preocupações. E, para a posterioridade, fica gravada na minha memória a indelével imagem de ter sido um verdadeiro renascentista. O último dos renascentistas!

Obrigado, Vasco

Soneto do amor e da morte



quando eu morrer murmura esta canção 

que escrevo para ti. quando eu morrer 

fica junto de mim, não queiras ver 

as aves pardas do anoitecer 

a revoar na minha solidão. 

 

quando eu morrer segura a minha mão, 

põe os olhos nos meus se puder ser, 

se inda neles a luz esmorecer, 

e diz do nosso amor como se não 

 

tivesse de acabar, sempre a doer, 

sempre a doer de tanta perfeição 

que ao deixar de bater-me o coração 

fique por nós o teu inda a bater, 

quando eu morrer segura a minha mão. 

 


Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

Obrigado, Vasco

Soneto do amor e da morte



quando eu morrer murmura esta canção 

que escrevo para ti. quando eu morrer 

fica junto de mim, não queiras ver 

as aves pardas do anoitecer 

a revoar na minha solidão. 

 

quando eu morrer segura a minha mão, 

põe os olhos nos meus se puder ser, 

se inda neles a luz esmorecer, 

e diz do nosso amor como se não 

 

tivesse de acabar, sempre a doer, 

sempre a doer de tanta perfeição 

que ao deixar de bater-me o coração 

fique por nós o teu inda a bater, 

quando eu morrer segura a minha mão. 

 


Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

domingo, 27 de abril de 2014

Morreu o último dos intelectuais de direita


Vasco Graça Moura é do tempo da literatura, do tempo em que se perdia tempo a estudar, do tempo do primado da actividade intelectual. O último dos pensadores. Foi essencialmente poeta, ensaísta e tradutor dos grande autores clássicos. Traduziu a Divina Comédia e a Vita Nuova de Dante; as Rimas e Triunfos de Petrarca; os Testamentos de François Villon, e ainda fez a tradução integral dos Sonetos de Shakespeare. Empenhou-se assim, como tradutor, em enriquecer o património literário disponível em língua portuguesa.


Traduziu para português, ainda, poetas como Pierre Ronsard, Rainer Maria Rilke, Gottfried Benn, Walter Benjamin, Federico García Lorca, Jaime Sabines, H. M. Enzensberger ou Seamus Heaney, e deixou-nos ainda versões portuguesas de algumas das peças mais importantes dos três grandes dramaturgos franceses do século XVII: Corneille, Molière e Racine.


Era um dos últimos intelectuais de direita (ainda nos resta, felizmente, Agustina Bessa Luís).


Vasco Graça Moura era do PSD. Isso custou-lhe o reconhecimento generalizado merecido.


Era um clássico. Um homem de um excelente bom-gosto, visível em tudo o que era da sua autoria. Até a vestir.


 


Vasco da Graça Moura (1942-2014)


 


Soneto do amor e da morte


 


Quando eu morrer murmura esta canção  que escrevo para ti. quando eu morrer  fica junto de mim, não queiras ver  as aves pardas do anoitecer  a revoar na minha solidão.


Quando eu morrer segura a minha mão,  põe os olhos nos meus se puder ser,  se inda neles a luz esmorecer,  e diz do nosso amor como se não tivesse de acabar, sempre a doer,  sempre a doer de tanta perfeição  que ao deixar de bater-me o coração  fique por nós o teu inda a bater,  quando eu morrer segura a minha mão.

Morreu o último dos intelectuais de direita


Vasco Graça Moura é do tempo da literatura, do tempo em que se perdia tempo a estudar, do tempo do primado da actividade intelectual. O último dos pensadores. Foi essencialmente poeta, ensaísta e tradutor dos grande autores clássicos. Traduziu a Divina Comédia e a Vita Nuova de Dante; as Rimas e Triunfos de Petrarca; os Testamentos de François Villon, e ainda fez a tradução integral dos Sonetos de Shakespeare. Empenhou-se assim, como tradutor, em enriquecer o património literário disponível em língua portuguesa.


Traduziu para português, ainda, poetas como Pierre Ronsard, Rainer Maria Rilke, Gottfried Benn, Walter Benjamin, Federico García Lorca, Jaime Sabines, H. M. Enzensberger ou Seamus Heaney, e deixou-nos ainda versões portuguesas de algumas das peças mais importantes dos três grandes dramaturgos franceses do século XVII: Corneille, Molière e Racine.


Era um dos últimos intelectuais de direita (ainda nos resta, felizmente, Agustina Bessa Luís).


Vasco Graça Moura era do PSD. Isso custou-lhe o reconhecimento generalizado merecido.


Era um clássico. Um homem de um excelente bom-gosto, visível em tudo o que era da sua autoria. Até a vestir.


 


Vasco da Graça Moura (1942-2014)


 


Soneto do amor e da morte


 


Quando eu morrer murmura esta canção  que escrevo para ti. quando eu morrer  fica junto de mim, não queiras ver  as aves pardas do anoitecer  a revoar na minha solidão.


Quando eu morrer segura a minha mão,  põe os olhos nos meus se puder ser,  se inda neles a luz esmorecer,  e diz do nosso amor como se não tivesse de acabar, sempre a doer,  sempre a doer de tanta perfeição  que ao deixar de bater-me o coração  fique por nós o teu inda a bater,  quando eu morrer segura a minha mão.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ouviram Senhores Jardim Gonçalves e Ricardo Salgado


Preparar a minha sucessão? "O BPI não é uma monarquia"


Este será o seu último ano à frente do BPI, já está a preparar a sucessão?


O BPI não é uma monarquia e, portanto, não tenho de preparar sucessão nenhuma. Se fosse uma monarquia seria o meu filho [risos]. E, portanto, essa é uma decisão que será tomada pelos accionistas na altura que entenderem apropriada. 


 

Ouviram Senhores Jardim Gonçalves e Ricardo Salgado


Preparar a minha sucessão? "O BPI não é uma monarquia"


Este será o seu último ano à frente do BPI, já está a preparar a sucessão?


O BPI não é uma monarquia e, portanto, não tenho de preparar sucessão nenhuma. Se fosse uma monarquia seria o meu filho [risos]. E, portanto, essa é uma decisão que será tomada pelos accionistas na altura que entenderem apropriada. 


 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Não havia necessidade!


 


Por muito que compreenda a euforia, por muito que compreenda os milhares de benfiquistas que se deslocaram até ao Marquês de Pombal para festejar a 33ª vitória do Sport Lisboa e Benfica no campeonato nacional de futebol, tornando a praça num enorme “mar vermelho”, nada justifica o vandalismo de que a estátua do estadista foi alvo, assim como considero a despropósito a ideia de equiparem o marquês com o equipamento dos rapazes da Luz: não lembra a ninguém, como estão a abrir um precedente completamente desnecessário. Não havia necessidade! 


 


Também publicado aqui.

Não havia necessidade!


 


Por muito que compreenda a euforia, por muito que compreenda os milhares de benfiquistas que se deslocaram até ao Marquês de Pombal para festejar a 33ª vitória do Sport Lisboa e Benfica no campeonato nacional de futebol, tornando a praça num enorme “mar vermelho”, nada justifica o vandalismo de que a estátua do estadista foi alvo, assim como considero a despropósito a ideia de equiparem o marquês com o equipamento dos rapazes da Luz: não lembra a ninguém, como estão a abrir um precedente completamente desnecessário. Não havia necessidade! 


 


Também publicado aqui.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

É capaz de ter razão

António Lobo Antunes diz que os homens não se apaixonam, entusiasmam-se.

É capaz de ter razão

António Lobo Antunes diz que os homens não se apaixonam, entusiasmam-se.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Morreu o homem que escreveu Amor em Tempos de Cólera

Morreu o homem que escreveu Amor em Tempos de Cólera

O poder do Banco de Portugal para escolher sucessores de banqueiros


Foi nos últimos dois dias noticiado pelo Jornal de Negócios, uma novidade muito relevante. Passou despercebido, mas a transposição da directiva europeia sobre a solidez dos bancos (CRD IV, que significa Capital Requirements Directive IV) vai dar um poder quase absoluto ao Banco de Portugal. As alterações à lei bancária (RGICSF) que a transposição da directiva de capital vai trazer, prevê o aumento de sanções pecuniárias que a instituição hoje liderada por Carlos Costa pode aplicar aos banqueiros, e gestores de instituições financeiras que cometam irregularidades. Pode chegar aos 10 milhões de euros, imagine-se! Vamos ter uma geração de banqueiros potencialmente pobres. As coimas às pessoas colectivas (instituições financeiras) passam a ser ao nível do BCE. Isto é, passará a ser 10% do total do volume de negócios anual liquído do ano anterior à data da decisão condenatória. 


O Banco de Portugal vai passar ainda a publicar os condenados no site, e a infração cometida. Até agora o Banco de Portugal tinha a tradição de ser sigiloso. Era sempre uma tarefa árdua para qualquer jornalista de economia confirmar uma notícia de investigação e condenação que envolvesse a actividade de supervisão do Banco de Portugal. 


Mas o poder do Banco de Portugal vai mais longe: a nova versão da lei bancária (que ainda tem de passar pela Assembleia da República) vai dar ao Banco de Portugal o poder de avaliar os banqueiros e gestores de instituições financeiras de áreas chave como compliance; auditoria interna; controlo e gestão de riscos, etc, antes de serem admitidos. Ou seja, a escolha dos gestores e administradores já não depende apenas dos accionistas e dos superiores hierárquicos, têm de passar no crivo do Banco de Portugal. Têm de ir a Deus saber se podem ou não ser aceites. Isto irá afectar já os sucessores dos banqueiros Ricardo Salgado (muito relevante este pormenor no processo de sucessão) e de Fernando Ulrich. 


O que é que vai estar em causa? Saber se o candidato a banqueiro (ou a gestor financeiro) actua de forma transparente e cooperante com a supervisão. Os maus resultados empresariais. Despedimentos no passado. Idoneidade em funções passadas. Características do seu comportamento e contexto em que decisões foram tomadas. No fundo, aquilo que hoje é feito sem base legal pelo Banco de Portugal vai passar a ser regra jurídica. Por exemplo, alguém que está a ser investigado num processo de corrupção, ainda que não tenha nada a ver com a sua actual actividade de banqueiro (ex: Armando Vara), até agora o Banco de Portugal apenas poderia dar "um conselho" de saída do banco. Tinha alguma força, mas não tinha base legal, no limite o banqueiro poderia não acatar. 
Uma investigação com base em suspeitas de inside trading, por exemplo, pode levar o Banco de Portugal a travar a pretensão de ser banqueiro se nessa altura ainda não houver um desfecho do caso que conclua pela inocência. 


O Banco de Portugal vai passar a fazer verdadeiras investigações aos gestores que se candidatem a banqueiro. Saber se no passado receberam kick-backs, mesmo que não tenha sido público; saber se receberam comissões de clientes por actividades de consultoria (se actuaram como banco de investimento por conta própria), tudo isto estará na folha do Banco de Portugal, que se encarregará de entrevistar os candidatos antes de serem propostos e eleitos para as funções. Restará alguém apto para sucessor de Ricardo Salgado e de Fernando Ulrich?


É uma revolução silenciosa. Porque poderá introduzir uma prática em desuso actualmente, que é a promoção de quadros internos a administradores. Hoje isso praticamente não acontece. Há um mercado de CEO que são sempre os mesmos. Mas no futuro poderão os discretos mas competentes Directores subir a administradores e a presidentes. 


 


P.S. O poder do Banco de Portugal passa pelo poder para entrevistar candidatos a gestores financeiros para avaliar a idoneidade e a adequação à função. A avaliação deve basear-se nas informações prestadas pelo interessado, pelo banco, e ainda pelas averiguações promovidas pelo supervisor bancário.


O parentesco pode determinar a falta de independência no contexto de administradores não executivos independentes. A detenção de uma participação qualificada (2%) na instituição também lhe retira a capacidade de independência. 


O pedido de licença bancária vai estar condicionado à composição do board, se o Banco de Portugal não considerar que são idóneos não concede a licença.


 

O poder do Banco de Portugal para escolher sucessores de banqueiros


Foi nos últimos dois dias noticiado pelo Jornal de Negócios, uma novidade muito relevante. Passou despercebido, mas a transposição da directiva europeia sobre a solidez dos bancos (CRD IV, que significa Capital Requirements Directive IV) vai dar um poder quase absoluto ao Banco de Portugal. As alterações à lei bancária (RGICSF) que a transposição da directiva de capital vai trazer, prevê o aumento de sanções pecuniárias que a instituição hoje liderada por Carlos Costa pode aplicar aos banqueiros, e gestores de instituições financeiras que cometam irregularidades. Pode chegar aos 10 milhões de euros, imagine-se! Vamos ter uma geração de banqueiros potencialmente pobres. As coimas às pessoas colectivas (instituições financeiras) passam a ser ao nível do BCE. Isto é, passará a ser 10% do total do volume de negócios anual liquído do ano anterior à data da decisão condenatória. 


O Banco de Portugal vai passar ainda a publicar os condenados no site, e a infração cometida. Até agora o Banco de Portugal tinha a tradição de ser sigiloso. Era sempre uma tarefa árdua para qualquer jornalista de economia confirmar uma notícia de investigação e condenação que envolvesse a actividade de supervisão do Banco de Portugal. 


Mas o poder do Banco de Portugal vai mais longe: a nova versão da lei bancária (que ainda tem de passar pela Assembleia da República) vai dar ao Banco de Portugal o poder de avaliar os banqueiros e gestores de instituições financeiras de áreas chave como compliance; auditoria interna; controlo e gestão de riscos, etc, antes de serem admitidos. Ou seja, a escolha dos gestores e administradores já não depende apenas dos accionistas e dos superiores hierárquicos, têm de passar no crivo do Banco de Portugal. Têm de ir a Deus saber se podem ou não ser aceites. Isto irá afectar já os sucessores dos banqueiros Ricardo Salgado (muito relevante este pormenor no processo de sucessão) e de Fernando Ulrich. 


O que é que vai estar em causa? Saber se o candidato a banqueiro (ou a gestor financeiro) actua de forma transparente e cooperante com a supervisão. Os maus resultados empresariais. Despedimentos no passado. Idoneidade em funções passadas. Características do seu comportamento e contexto em que decisões foram tomadas. No fundo, aquilo que hoje é feito sem base legal pelo Banco de Portugal vai passar a ser regra jurídica. Por exemplo, alguém que está a ser investigado num processo de corrupção, ainda que não tenha nada a ver com a sua actual actividade de banqueiro (ex: Armando Vara), até agora o Banco de Portugal apenas poderia dar "um conselho" de saída do banco. Tinha alguma força, mas não tinha base legal, no limite o banqueiro poderia não acatar. 
Uma investigação com base em suspeitas de inside trading, por exemplo, pode levar o Banco de Portugal a travar a pretensão de ser banqueiro se nessa altura ainda não houver um desfecho do caso que conclua pela inocência. 


O Banco de Portugal vai passar a fazer verdadeiras investigações aos gestores que se candidatem a banqueiro. Saber se no passado receberam kick-backs, mesmo que não tenha sido público; saber se receberam comissões de clientes por actividades de consultoria (se actuaram como banco de investimento por conta própria), tudo isto estará na folha do Banco de Portugal, que se encarregará de entrevistar os candidatos antes de serem propostos e eleitos para as funções. Restará alguém apto para sucessor de Ricardo Salgado e de Fernando Ulrich?


É uma revolução silenciosa. Porque poderá introduzir uma prática em desuso actualmente, que é a promoção de quadros internos a administradores. Hoje isso praticamente não acontece. Há um mercado de CEO que são sempre os mesmos. Mas no futuro poderão os discretos mas competentes Directores subir a administradores e a presidentes. 


 


P.S. O poder do Banco de Portugal passa pelo poder para entrevistar candidatos a gestores financeiros para avaliar a idoneidade e a adequação à função. A avaliação deve basear-se nas informações prestadas pelo interessado, pelo banco, e ainda pelas averiguações promovidas pelo supervisor bancário.


O parentesco pode determinar a falta de independência no contexto de administradores não executivos independentes. A detenção de uma participação qualificada (2%) na instituição também lhe retira a capacidade de independência. 


O pedido de licença bancária vai estar condicionado à composição do board, se o Banco de Portugal não considerar que são idóneos não concede a licença.


 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Como não adorar o Grand Budapest Hotel


O filme do Wes Andersen, Grand Budapest Hotel é de uma estética absolutamente divinal. A nostalgia, o romantismo, a subtileza, tudo se conjuga na nova obra do norte-americano, onde acompanhamos a história de Gustave H. (Ralph Fiennes), um brilhante “concierge” de um famoso hotel europeu durante as duas guerras, e o jovem Zero Moustafa (Tony Revolori), o seu protegido e amigo de confiança. Uma verdadeira história de amigos improváveis, contada sob a forma de narrativa lida à lareira. 


Na forma e estilo, Wes Andersen, neste filme, fez-me lembrar o britânico Richard Ayoade no seu filme Submarine.


De destacar também a enorme variedade de personagens (e de actores célebres) e histórias que desfilam aos nossos olhos. O que em teoria poderia levar a alguma dispersão, mas engenhosamente, Wes Anderson une todas as histórias, apresentando um argumento realmente notável e sedutor carregado de uma ironia subtil. Um tratado de Bom Gosto este filme. A não perder. Há poucos assim.


 

Como não adorar o Grand Budapest Hotel


O filme do Wes Andersen, Grand Budapest Hotel é de uma estética absolutamente divinal. A nostalgia, o romantismo, a subtileza, tudo se conjuga na nova obra do norte-americano, onde acompanhamos a história de Gustave H. (Ralph Fiennes), um brilhante “concierge” de um famoso hotel europeu durante as duas guerras, e o jovem Zero Moustafa (Tony Revolori), o seu protegido e amigo de confiança. Uma verdadeira história de amigos improváveis, contada sob a forma de narrativa lida à lareira. 


Na forma e estilo, Wes Andersen, neste filme, fez-me lembrar o britânico Richard Ayoade no seu filme Submarine.


De destacar também a enorme variedade de personagens (e de actores célebres) e histórias que desfilam aos nossos olhos. O que em teoria poderia levar a alguma dispersão, mas engenhosamente, Wes Anderson une todas as histórias, apresentando um argumento realmente notável e sedutor carregado de uma ironia subtil. Um tratado de Bom Gosto este filme. A não perder. Há poucos assim.


 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Lucidez

Agustina sobre a lucidez: "O Velho Testamento está cheio dessas figuras, patriarcas, que acima de tudo são lúcidos. São lúcidos porque têm uma imagem de perfeição acima do humano à qual rendem absoluta homenagem. Tudo o que está para baixo, pode ser campo onde essa lucidez se manifesta".

Lucidez

Agustina sobre a lucidez: "O Velho Testamento está cheio dessas figuras, patriarcas, que acima de tudo são lúcidos. São lúcidos porque têm uma imagem de perfeição acima do humano à qual rendem absoluta homenagem. Tudo o que está para baixo, pode ser campo onde essa lucidez se manifesta".

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Agustina e Paula Rego

Agustina e Paula Rego

Agustina: "o que melhor fixamos é o que amamos"

Agustina: "o que melhor fixamos é o que amamos"

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Dois estranhos, um destino

Lembrei-me hoje de um dos grandes filmes de sempre. Shadowlands, a história de amor entre C.S. Lewis e Joy, uma americana divorciada. É um filme de 1993. Vale a pena ver e ler os diálogos.


 


"Why love, if losing hurts so much? I have no answers anymore: only the life I have lived. Twice in that life I've been given the choice: as a boy and as a man. The boy chose safety, the man chooses suffering. The pain now is part of the happiness then. That's the deal."


 


"We can't have the happiness of yesterday without the pain of today. That's the deal".


 


O filme completo aqui:


 



 


 

Dois estranhos, um destino

Lembrei-me hoje de um dos grandes filmes de sempre. Shadowlands, a história de amor entre C.S. Lewis e Joy, uma americana divorciada. É um filme de 1993. Vale a pena ver e ler os diálogos.


 


"Why love, if losing hurts so much? I have no answers anymore: only the life I have lived. Twice in that life I've been given the choice: as a boy and as a man. The boy chose safety, the man chooses suffering. The pain now is part of the happiness then. That's the deal."


 


"We can't have the happiness of yesterday without the pain of today. That's the deal".


 


O filme completo aqui:


 



 


 

Títulos memoráveis


O universo está cheio de biografias involuntárias de amantes. Estão em cada frase escrita por esse ciberespaço fora. 

Títulos memoráveis


O universo está cheio de biografias involuntárias de amantes. Estão em cada frase escrita por esse ciberespaço fora. 

"Escrever é uma montagem"


 


Está em cartaz uma comédia francesa com algum interesse: Quai d'Orsay, em português Palácio das Necessidades. Retrato satírico de um Ministro dos Negócios Estrangeiros do país das luzes: a França. Alexandre Taillard de Worms é uma força a considerar no espectro mundial, a sua missão é sustentada na sua trindade de conceitos diplomáticos: legitimidade, unidade e eficácia. Ele enfrenta os neoconservadores americanos, os russos corrompidos e os gananciosos chineses. É o retrato satírico do epicentro da sociedade ocidental, baseada nos valores da liberdade, igualdade, fraternidade que é o lema da revolução francesa. A sociedade ocidental é bem filha deste lema.


A ironia à volta do vazio do conteúdo dos discursos; da incoerência entre o discurso oficial e a posição dos bastidores; dos truques diplomáticos; do abuso das citações (Heráclito); em suma da forma em detrimento do conteúdo. Mas, para quem faz da escrita a sua profissão há uma frase que é inesquecível pela sua sinceridade. "Toda a gente sabe que escrever é uma montagem", diz o Ministro, de marcador florescente em riste na mão. Muito bom. Tem uma grande dose de verdade esta frase.

"Escrever é uma montagem"


 


Está em cartaz uma comédia francesa com algum interesse: Quai d'Orsay, em português Palácio das Necessidades. Retrato satírico de um Ministro dos Negócios Estrangeiros do país das luzes: a França. Alexandre Taillard de Worms é uma força a considerar no espectro mundial, a sua missão é sustentada na sua trindade de conceitos diplomáticos: legitimidade, unidade e eficácia. Ele enfrenta os neoconservadores americanos, os russos corrompidos e os gananciosos chineses. É o retrato satírico do epicentro da sociedade ocidental, baseada nos valores da liberdade, igualdade, fraternidade que é o lema da revolução francesa. A sociedade ocidental é bem filha deste lema.


A ironia à volta do vazio do conteúdo dos discursos; da incoerência entre o discurso oficial e a posição dos bastidores; dos truques diplomáticos; do abuso das citações (Heráclito); em suma da forma em detrimento do conteúdo. Mas, para quem faz da escrita a sua profissão há uma frase que é inesquecível pela sua sinceridade. "Toda a gente sabe que escrever é uma montagem", diz o Ministro, de marcador florescente em riste na mão. Muito bom. Tem uma grande dose de verdade esta frase.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Mais uma pérola da música islandesa

Já se sabe, se calhar graças ao enxofre vulcânico, que na Islândia há músicos de grande qualidade. Hoje foi a vez de conhecer Ásgeir, que (como podemos confirmar) é um nome a ser seguido com atenção!


 



 

Mais uma pérola da música islandesa

Já se sabe, se calhar graças ao enxofre vulcânico, que na Islândia há músicos de grande qualidade. Hoje foi a vez de conhecer Ásgeir, que (como podemos confirmar) é um nome a ser seguido com atenção!


 



 

Pra nada!


 


As polémicas em torno das declarações, e desta feita aos microfones da Radio Renascença, de Isabel Jonet, a presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, para quem as redes sociais são “um dos maiores inimigos das pessoas desempregadas”, são perfeitamente despropositadas e sem qualquer rigor cientifico, pelo que (e não obstante as reacções em catadupa) fazem lembrar a comédia de William Shakespeare: "Much Ado About Nothing".

Pra nada!


 


As polémicas em torno das declarações, e desta feita aos microfones da Radio Renascença, de Isabel Jonet, a presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, para quem as redes sociais são “um dos maiores inimigos das pessoas desempregadas”, são perfeitamente despropositadas e sem qualquer rigor cientifico, pelo que (e não obstante as reacções em catadupa) fazem lembrar a comédia de William Shakespeare: "Much Ado About Nothing".

A nova máfia

Há uma nova organização mafiosa: o lobby gay. Reparem nesta notícia: Director do Mozilla Firefox demitido por ter financiado opositores ao casamento gay. Houve uma queixa do lobby gay depois de um site de encontros (meu deus!) ter apelado a um boicote ao Firefox por o seu CEO ser um opositor ao casamento gay. E a Firefox cedeu. Inacreditável. Cedeu à corrupção. Porque é altamente irregular esse comportamento de uma empresa. Brendan Eich inventou a linguagem de programação Javascript e foi co-fundador da Mozilla. Estamos a falar de mérito que muitos dos queixosos nem sabem o que é. Mérito que não é tido em conta.Um comportamento vingativo, de ajuste de contas, muito típico da máfia. O casamento gay é imposto de forma quase nazi às sociedades. Quem for contra é posto num quase campo de concentração. Vivemos tempos perigosos. Este é verdadeiramente o comportamento de perseguição e intolerância a quem não adere às ideias da moda.

A nova máfia

Há uma nova organização mafiosa: o lobby gay. Reparem nesta notícia: Director do Mozilla Firefox demitido por ter financiado opositores ao casamento gay. Houve uma queixa do lobby gay depois de um site de encontros (meu deus!) ter apelado a um boicote ao Firefox por o seu CEO ser um opositor ao casamento gay. E a Firefox cedeu. Inacreditável. Cedeu à corrupção. Porque é altamente irregular esse comportamento de uma empresa. Brendan Eich inventou a linguagem de programação Javascript e foi co-fundador da Mozilla. Estamos a falar de mérito que muitos dos queixosos nem sabem o que é. Mérito que não é tido em conta.Um comportamento vingativo, de ajuste de contas, muito típico da máfia. O casamento gay é imposto de forma quase nazi às sociedades. Quem for contra é posto num quase campo de concentração. Vivemos tempos perigosos. Este é verdadeiramente o comportamento de perseguição e intolerância a quem não adere às ideias da moda.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Será isto?


 


Se um fiscal das finanças entrar num estabelecimento e perguntar ao gerente quantos cafés foram facturados, estou seguro que o número é reduzido. Um café custa em média 0.65 cêntimos, o que não é muito significativo. Porém, se ninguém pedir recibos, tendo em conta os cafés que são bebidos diariamente o número no fim do mês é já muito significativo, o que reflecte uma questão bem mais preocupante: a fuga aos impostos e / ou a malfadada economia paralela. Se em vez de cafés, o produto for pneus, gasolina, revisões automóveis então a situação é verdadeiramente preocupante.


 


A fuga aos impostos e a economia paralela não é um problema de hoje, é quase tão velho como a nossa história colectiva. Também sei que num país ideal,e porventura utópico, onde todos eram bons cidadãos, muito provavelmente as crises económicas e financeiras como a que vivemos seriam raras ou até inexistentes, pelo que a ideia de se premiar um cidadão cumpridor é interessante e um bom incentivo.


 


Dito isto. Eu não compreendo a escolha do governo no que respeita à forma escolhida para incentivar quem cumpre as suas regras fiscais: carros de luxo! Bólides de grande qualidade de um famoso construtor alemão, a Audi? Que farão os felizardos cidadãos com tamanha sorte? Já pensaram nos custos inerentes, como sejam; as revisões, os impostos, o combustível, etc.? Não haveriam outras formas mais interessantes e úteis (para o vencedor) de se premiar quem cumpre as regras fiscais?


 


Eu não sei. De facto não sei mesmo! Só não me parece que oferecer carros seja uma grande ajuda, principalmente se a pessoa em causa é pobre e está desempregada? A não ser que a estratégia seja mesmo a de incentivar a classe média, e a classe média alta, i.e., os que verdadeiramente tem interesse em ao fugir ao fisco, a cumprirem as suas obrigações, pois tomara ao pobre ter dinheiro para pedir facturas?!


 


P.S.: Este post deve-se ao facto de ter sido considerado influenciável e de não perceber o alcance da medida. Portanto pergunto encarecidamente: será isto?

Será isto?


 


Se um fiscal das finanças entrar num estabelecimento e perguntar ao gerente quantos cafés foram facturados, estou seguro que o número é reduzido. Um café custa em média 0.65 cêntimos, o que não é muito significativo. Porém, se ninguém pedir recibos, tendo em conta os cafés que são bebidos diariamente o número no fim do mês é já muito significativo, o que reflecte uma questão bem mais preocupante: a fuga aos impostos e / ou a malfadada economia paralela. Se em vez de cafés, o produto for pneus, gasolina, revisões automóveis então a situação é verdadeiramente preocupante.


 


A fuga aos impostos e a economia paralela não é um problema de hoje, é quase tão velho como a nossa história colectiva. Também sei que num país ideal,e porventura utópico, onde todos eram bons cidadãos, muito provavelmente as crises económicas e financeiras como a que vivemos seriam raras ou até inexistentes, pelo que a ideia de se premiar um cidadão cumpridor é interessante e um bom incentivo.


 


Dito isto. Eu não compreendo a escolha do governo no que respeita à forma escolhida para incentivar quem cumpre as suas regras fiscais: carros de luxo! Bólides de grande qualidade de um famoso construtor alemão, a Audi? Que farão os felizardos cidadãos com tamanha sorte? Já pensaram nos custos inerentes, como sejam; as revisões, os impostos, o combustível, etc.? Não haveriam outras formas mais interessantes e úteis (para o vencedor) de se premiar quem cumpre as regras fiscais?


 


Eu não sei. De facto não sei mesmo! Só não me parece que oferecer carros seja uma grande ajuda, principalmente se a pessoa em causa é pobre e está desempregada? A não ser que a estratégia seja mesmo a de incentivar a classe média, e a classe média alta, i.e., os que verdadeiramente tem interesse em ao fugir ao fisco, a cumprirem as suas obrigações, pois tomara ao pobre ter dinheiro para pedir facturas?!


 


P.S.: Este post deve-se ao facto de ter sido considerado influenciável e de não perceber o alcance da medida. Portanto pergunto encarecidamente: será isto?

Bancos querem livrar-se da dívida soberana


O BPI anunciou ontem a venda de metade da carteira de dívida pública portuguesa e italiana, para libertar capital que lhe permita pagar de uma vez por todas o "empréstimo sob a forma de CoCo´s" que recebeu do Estado. 


Com isto o banco liderado por Fernando Ulrich liberta capital. Porquê? Porque em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III) que impõem que menos valias potenciais na exposição à dívida soberana e respectivas coberturas, sejam deduzidas aos fundos próprios. Isto mesmo explicou Fernando Ulrich quando disse que "a posição de dívida pública que tínhamos neste novo quadro era grande demais".


 


Esta nova contabilidade das potenciais menos valias da carteira de dívida soberana levará a que outros bancos sigam o BPI. Nenhum banco quer pôr o seu capital à mercê de mais um tsunami soberano. 


Veja-se: o BPI tinha no fim do ano passado 2.675 milhões de euros de dívida soberana em carteira (6% do activo do BPI), o banco já uma vez tinha sido apanhado desprevenido com os títulos soberanos da Grécia, e depois com a carteira de OT´s que teve de ser registada ao valor de mercado por imposição da EBA, abrindo fortes "buracos" no seu rácio de capital (que é aliás o princípio desta história do Estado no capital do banco). Em Março o BPI já só tinha cerca de 1.400 milhões de euros em dívida soberana (o peso no activo do banco era já só de 3%) e este é um percurso irreversível.


 


 O BPI prefere penalizar os resultados, uma vez que vende com menos valia (de 135,2 milhões) e libertar capital (liberta 269 milhões). A prudência é a imagem de marca de Ulrich. Desta forma o BPI consegue, ao mesmo tempo, pouco mais de metade do que precisa para expulsar o Estado do seu capital (a grande obsessão de Fernando Ulrich). O banqueiro tem o desígnio secreto de ir de férias já sem o Estado a ditar regras no BPI e a cobrar juros de 9%.


 


 Mas tudo depende do Banco de Portugal e do resultados dos testes que se avizinham.


 

Bancos querem livrar-se da dívida soberana


O BPI anunciou ontem a venda de metade da carteira de dívida pública portuguesa e italiana, para libertar capital que lhe permita pagar de uma vez por todas o "empréstimo sob a forma de CoCo´s" que recebeu do Estado. 


Com isto o banco liderado por Fernando Ulrich liberta capital. Porquê? Porque em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III) que impõem que menos valias potenciais na exposição à dívida soberana e respectivas coberturas, sejam deduzidas aos fundos próprios. Isto mesmo explicou Fernando Ulrich quando disse que "a posição de dívida pública que tínhamos neste novo quadro era grande demais".


 


Esta nova contabilidade das potenciais menos valias da carteira de dívida soberana levará a que outros bancos sigam o BPI. Nenhum banco quer pôr o seu capital à mercê de mais um tsunami soberano. 


Veja-se: o BPI tinha no fim do ano passado 2.675 milhões de euros de dívida soberana em carteira (6% do activo do BPI), o banco já uma vez tinha sido apanhado desprevenido com os títulos soberanos da Grécia, e depois com a carteira de OT´s que teve de ser registada ao valor de mercado por imposição da EBA, abrindo fortes "buracos" no seu rácio de capital (que é aliás o princípio desta história do Estado no capital do banco). Em Março o BPI já só tinha cerca de 1.400 milhões de euros em dívida soberana (o peso no activo do banco era já só de 3%) e este é um percurso irreversível.


 


 O BPI prefere penalizar os resultados, uma vez que vende com menos valia (de 135,2 milhões) e libertar capital (liberta 269 milhões). A prudência é a imagem de marca de Ulrich. Desta forma o BPI consegue, ao mesmo tempo, pouco mais de metade do que precisa para expulsar o Estado do seu capital (a grande obsessão de Fernando Ulrich). O banqueiro tem o desígnio secreto de ir de férias já sem o Estado a ditar regras no BPI e a cobrar juros de 9%.


 


 Mas tudo depende do Banco de Portugal e do resultados dos testes que se avizinham.


 

Cinco estrelas!

Ontem fui a Coimbra em trabalho, e onde conheci um arquitecto que, como vim a saber é também músico. Perguntei-lhe logo pelo tipo de música que tocam, as influências, etc. e tal... Regressado, fui logo ao You Tube e fiquei simplesmente maravilhado com o que ouvi. Parabéns.


Esta Pensão Flor tem cinco estrelas!


 


Cinco estrelas!

Ontem fui a Coimbra em trabalho, e onde conheci um arquitecto que, como vim a saber é também músico. Perguntei-lhe logo pelo tipo de música que tocam, as influências, etc. e tal... Regressado, fui logo ao You Tube e fiquei simplesmente maravilhado com o que ouvi. Parabéns.


Esta Pensão Flor tem cinco estrelas!


 


Serviço público ou servicinho?


 


Eu não faço ideia o que a Administração da RTP entende por serviço público. Se calhar deve ser isto!


 


Sorteios da Factura da Sorte transmitidos na RTP


 


P.S. - Da minha parte isto parece mais um servicinho, até para a Audi que à nossa custa vende ao Estado Português os seus bólides!

Serviço público ou servicinho?


 


Eu não faço ideia o que a Administração da RTP entende por serviço público. Se calhar deve ser isto!


 


Sorteios da Factura da Sorte transmitidos na RTP


 


P.S. - Da minha parte isto parece mais um servicinho, até para a Audi que à nossa custa vende ao Estado Português os seus bólides!

French Kiss


 


Após o cataclismo eleitoral, nomeação e tomada de posse de Manuel Valls como Primeiro-Ministro Francês, há dois dados a reter no actual executivo. Em primeiro lugar: a total paridade deste elenco governativo, já que é composto por 8 mulheres e 8 homens. O outro outro dado digno de registo é reaparecimento da ex-mulher do Presidente François Hollande, Ségolène Royal, como ministra da ecologia, desenvolvimento durável e da energia, o que pode ser visto como uma espécie de abono de família. Porém, e como acho que houve mão presidencial nesta decisão, pergunto se, mais dia menos dia, Valérie Trierweiler também terá a sua pasta?

French Kiss


 


Após o cataclismo eleitoral, nomeação e tomada de posse de Manuel Valls como Primeiro-Ministro Francês, há dois dados a reter no actual executivo. Em primeiro lugar: a total paridade deste elenco governativo, já que é composto por 8 mulheres e 8 homens. O outro outro dado digno de registo é reaparecimento da ex-mulher do Presidente François Hollande, Ségolène Royal, como ministra da ecologia, desenvolvimento durável e da energia, o que pode ser visto como uma espécie de abono de família. Porém, e como acho que houve mão presidencial nesta decisão, pergunto se, mais dia menos dia, Valérie Trierweiler também terá a sua pasta?

Ponto final


 


O Dinheiro Vivo tem boas iconografias, sobretudo se a noticia reza que determinado senhor foi encontrado morto em casa. De facto, não conheço melhor ponto final do que a morte de alguém!

Ponto final


 


O Dinheiro Vivo tem boas iconografias, sobretudo se a noticia reza que determinado senhor foi encontrado morto em casa. De facto, não conheço melhor ponto final do que a morte de alguém!

É um lugar comum, mas sempre actual

É um lugar comum, mas sempre actual

Crédit Agrícole prepara "saída limpa"

Ler nas entrelinhas: Crédit Agricole fica livre para decidir futuro da sua posição no BES.


Deve ler-se o Crédit Agrícole prepara-se para sair do capital do BES, vão vender e será o Grupo BES que irá encontrar um comprador (ou compradores) para essa participação (Shiuu... não digam a ninguém).


 

Crédit Agrícole prepara "saída limpa"

Ler nas entrelinhas: Crédit Agricole fica livre para decidir futuro da sua posição no BES.


Deve ler-se o Crédit Agrícole prepara-se para sair do capital do BES, vão vender e será o Grupo BES que irá encontrar um comprador (ou compradores) para essa participação (Shiuu... não digam a ninguém).


 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Eu, pelo fotógrafo Paulo Figueiredo





 


 


 



 



 


Uma vida a fotografar-me!