quarta-feira, 29 de julho de 2015

Os banqueiros já sabem como será o impacto da venda do Novo Banco


Se há uma coisa que sai das duas conferências de imprensa de apresentação dos resultados dos bancos é que quer o BCP, quer o BPI já sabem que o impacto que os bancos terão de assumir pela diferença entre o valor da venda do Novo Banco e o valor que o Fundo de Resolução deve ao Estado, vai ser pago através da contribuição extraordinária que os bancos pagam ao Estado e que têm como destino o Fundo de Resolução. Será uma extensão dessa contribuição extraordinária que servirá para pagar esse GAP.


Mais, lê-se nas entrelinhas que o comprador pagará um valor nominal alto e que os ajustamentos a serem feitos ao preço serão à posteriori, depois das vicissitudes se confirmarem, e não à partida, quando essas circunstâncias surgem apenas enquanto cenário.


Tudo ficará decidido a meio de Agosto. Os bancos, donos do Fundo de Resolução, sabem disso.


*CSB (contribuição sobre o sector bancário) incide sobre "o passivo apurado e aprovado pelos sujeitos passivos…"


As receitas provenientes da CSB são afectas a Fundos de Resolução.


 

Os banqueiros já sabem como será o impacto da venda do Novo Banco


Se há uma coisa que sai das duas conferências de imprensa de apresentação dos resultados dos bancos é que quer o BCP, quer o BPI já sabem que o impacto que os bancos terão de assumir pela diferença entre o valor da venda do Novo Banco e o valor que o Fundo de Resolução deve ao Estado, vai ser pago através da contribuição extraordinária que os bancos pagam ao Estado e que têm como destino o Fundo de Resolução. Será uma extensão dessa contribuição extraordinária que servirá para pagar esse GAP.


Mais, lê-se nas entrelinhas que o comprador pagará um valor nominal alto e que os ajustamentos a serem feitos ao preço serão à posteriori, depois das vicissitudes se confirmarem, e não à partida, quando essas circunstâncias surgem apenas enquanto cenário.


Tudo ficará decidido a meio de Agosto. Os bancos, donos do Fundo de Resolução, sabem disso.


*CSB (contribuição sobre o sector bancário) incide sobre "o passivo apurado e aprovado pelos sujeitos passivos…"


As receitas provenientes da CSB são afectas a Fundos de Resolução.


 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Há mínimos

Não me querendo meter em medidas de coacção em suspeitas de crime, até porque não sou especialista, parece-me de elementar justiça deixar um arguido ir à missa, mesmo que esteja em prisão domiciliária. No caso de Ricardo Salgado mais ainda porque a capela é no quarteirão da sua casa. Acho que o juiz devia ter tido isso em atenção. Até porque mesmo um preso tem direito a missa na prisão. Toda a gente tem direito a ouvir uma missa em qualquer circunstância. Não me parece útil nem justo esse impedimento imputado ao senhor.

Há mínimos

Não me querendo meter em medidas de coacção em suspeitas de crime, até porque não sou especialista, parece-me de elementar justiça deixar um arguido ir à missa, mesmo que esteja em prisão domiciliária. No caso de Ricardo Salgado mais ainda porque a capela é no quarteirão da sua casa. Acho que o juiz devia ter tido isso em atenção. Até porque mesmo um preso tem direito a missa na prisão. Toda a gente tem direito a ouvir uma missa em qualquer circunstância. Não me parece útil nem justo esse impedimento imputado ao senhor.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Temos um Papa americano

O Obama anda em visitas de Estado como se fosse o Papa, prega sempre qualquer coisa de moral (da sua) em cada país que visita.

Temos um Papa americano

O Obama anda em visitas de Estado como se fosse o Papa, prega sempre qualquer coisa de moral (da sua) em cada país que visita.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A coragem de ser "de bem"

IMG_2258.JPG


É preciso fazer o elogio dos jornais que são geridos por pessoas "de bem". Vem isto a propósito do Jornal Oje que comemorou ontem os seus nove anos. Um projecto sério e limpo, que não pretende ser trampolim para nada, gerido por um jornalista bem intencionado, o Vítor Norinha, (uma pessoa de bem). Um jornal comprado por um empresário de coragem, o Luís Figueiredo. 


É preciso fazer o elogio das pessoas de bem. Pessoas que premiam o mérito em vez de o temerem. Pessoas que puxam pelos outros, que gerem motivando, em vez do estilo vilão com a vara na mão que por aí pulula muitas vezes para esconder fraquezas. Pessoas que querem fazer o melhor, sem que isso passe por agendas pessoais e políticas.


O jornalismo precisa de uma alteração de paradigma, e ao contrário do que muitos poderiam pensar, não é apenas o modelo de negócio que faliu, é o modelo de gestão dentro das redacções que está ultrapassado. É um modelo provinciano. Os jornalistas são muitas vezes justiceiros add-hoc, criam leis fora da lei, (na maior parte dos casos desconhecem em absoluto a lei que rege a sua profissão) criam sistemas preversos de promoção de "camaradas" e de "despromoção" (implícita e não declarada, porque a despromoção é ilegal) dos que representam linhas ideológicas "inimigas". Não há uma gestão de recursos humanos profissional. Há leis e estatutos que estão sempre a ser violados.


O jornalismo é em muitos casos uma actividade artesã.


O que fazem as autoridades?


Há profissionais que têm carteira a dar entrevistas a falar de assessorias a empresas, e não há nenhuma iniciativa da Comissão da Carteira para pedir explicações. Mas se um jornalista mal pago, alguns ganham o ordenado mínimo já incluído o subsidio de almoço, o que é ilegal, se atrasar a pagar os 50 euros para renovar a carteira arrisca-se logo a levar com uma contra-ordenação de milhares. 


Falta um regulador a sério, como existe para as outras entidades, que esteja sempre a assegurar que as leis da imprensa, o estatuto dos jornalistas, o código dos direitos de autor, etc, estão ser cumpridas dentro das redacções. Com gabinete de reclamações e com direito à aplicação de coimas. Mas a ERC só parece interessar-se pelo cumprimento das leis na relação dos jornais com terceiros. Mas também é preciso garantir o cumprimento das leis dentro das quatro paredes de um jornal. 


Viva o jornalismo "de bem".

A coragem de ser "de bem"

IMG_2258.JPG


É preciso fazer o elogio dos jornais que são geridos por pessoas "de bem". Vem isto a propósito do Jornal Oje que comemorou ontem os seus nove anos. Um projecto sério e limpo, que não pretende ser trampolim para nada, gerido por um jornalista bem intencionado, o Vítor Norinha, (uma pessoa de bem). Um jornal comprado por um empresário de coragem, o Luís Figueiredo. 


É preciso fazer o elogio das pessoas de bem. Pessoas que premiam o mérito em vez de o temerem. Pessoas que puxam pelos outros, que gerem motivando, em vez do estilo vilão com a vara na mão que por aí pulula muitas vezes para esconder fraquezas. Pessoas que querem fazer o melhor, sem que isso passe por agendas pessoais e políticas.


O jornalismo precisa de uma alteração de paradigma, e ao contrário do que muitos poderiam pensar, não é apenas o modelo de negócio que faliu, é o modelo de gestão dentro das redacções que está ultrapassado. É um modelo provinciano. Os jornalistas são muitas vezes justiceiros add-hoc, criam leis fora da lei, (na maior parte dos casos desconhecem em absoluto a lei que rege a sua profissão) criam sistemas preversos de promoção de "camaradas" e de "despromoção" (implícita e não declarada, porque a despromoção é ilegal) dos que representam linhas ideológicas "inimigas". Não há uma gestão de recursos humanos profissional. Há leis e estatutos que estão sempre a ser violados.


O jornalismo é em muitos casos uma actividade artesã.


O que fazem as autoridades?


Há profissionais que têm carteira a dar entrevistas a falar de assessorias a empresas, e não há nenhuma iniciativa da Comissão da Carteira para pedir explicações. Mas se um jornalista mal pago, alguns ganham o ordenado mínimo já incluído o subsidio de almoço, o que é ilegal, se atrasar a pagar os 50 euros para renovar a carteira arrisca-se logo a levar com uma contra-ordenação de milhares. 


Falta um regulador a sério, como existe para as outras entidades, que esteja sempre a assegurar que as leis da imprensa, o estatuto dos jornalistas, o código dos direitos de autor, etc, estão ser cumpridas dentro das redacções. Com gabinete de reclamações e com direito à aplicação de coimas. Mas a ERC só parece interessar-se pelo cumprimento das leis na relação dos jornais com terceiros. Mas também é preciso garantir o cumprimento das leis dentro das quatro paredes de um jornal. 


Viva o jornalismo "de bem".

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Ao menos isso

PSD e CDS aprovam taxas moderadoras no aborto


Era uma vergonha as benesses que eram dadas para matar embriões. Uma vergonha!

Ao menos isso

PSD e CDS aprovam taxas moderadoras no aborto


Era uma vergonha as benesses que eram dadas para matar embriões. Uma vergonha!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O regresso do eixo franco-alemão


A proposta de Hollande que consiste numa proposta de caminho  futuro para a União Europeia passa por um Governo, um orçamento e um Parlamento comum. Mas apenas constituído pelos países fundadores: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. 


É interessante esta proposta vir agora, que muitas das circunstâncias que deram origem à aliança histórica entre franceses e alemães se voltam a pôr.


Antes de mais o eixo franco-alemão é uma aliança de defesa.


O Tratado do Eliseu, assinado há mais de 50 anos (em 1963), é um marco da amizade franco-alemã e foi assinado na cidade francesa de Reims, tendo como protagonistas o presidente francês Charles de Gaulle e o chanceler alemão Konrad Adenauer.


Foi no colégio Notre-Dame, em Reims, que foi assinado esse selo de paz, que chegou quase duas décadas depois da segunda guerra mundial. Na origem, o bilateralismo franco-alemão era também uma alternativa europeia plausível ao sobrepeso transatlântico dos Estados Unidos e ao seu posto avançado na Europa: a Grã-Bretanha. Voltamos agora a ter necessidade de um contraponto aos Estados Unidos, que tiveram agora um papel de pressão na manutenção da Grécia no euro? E do Reino Unido que ameaça em referendo optar por sair do euro?


Um dos motivos para a disposição de ambos os países de vincular-se, no longo prazo, por um tratado, foi o temor mútuo das eventuais consequências negativas de uma política nacional, isolada, com relação ao leste europeu. Hoje Putin e o problema com a Ucrânia pode ser propício ao renascimento desse medo?


O eixo franco-alemão, grande impulsionador da União Europeia, parece voltar agora a querer um regresso a essa origem. A Europa a ser comandada pelo eixo franco-alemão. É essa, em resumo, a proposta de Hollande, É uma proposta com vista à segurança? Veremos o que acontece à Grécia, daqui para a frente. Pode ser essencial para o futuro da Europa


 

O regresso do eixo franco-alemão


A proposta de Hollande que consiste numa proposta de caminho  futuro para a União Europeia passa por um Governo, um orçamento e um Parlamento comum. Mas apenas constituído pelos países fundadores: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. 


É interessante esta proposta vir agora, que muitas das circunstâncias que deram origem à aliança histórica entre franceses e alemães se voltam a pôr.


Antes de mais o eixo franco-alemão é uma aliança de defesa.


O Tratado do Eliseu, assinado há mais de 50 anos (em 1963), é um marco da amizade franco-alemã e foi assinado na cidade francesa de Reims, tendo como protagonistas o presidente francês Charles de Gaulle e o chanceler alemão Konrad Adenauer.


Foi no colégio Notre-Dame, em Reims, que foi assinado esse selo de paz, que chegou quase duas décadas depois da segunda guerra mundial. Na origem, o bilateralismo franco-alemão era também uma alternativa europeia plausível ao sobrepeso transatlântico dos Estados Unidos e ao seu posto avançado na Europa: a Grã-Bretanha. Voltamos agora a ter necessidade de um contraponto aos Estados Unidos, que tiveram agora um papel de pressão na manutenção da Grécia no euro? E do Reino Unido que ameaça em referendo optar por sair do euro?


Um dos motivos para a disposição de ambos os países de vincular-se, no longo prazo, por um tratado, foi o temor mútuo das eventuais consequências negativas de uma política nacional, isolada, com relação ao leste europeu. Hoje Putin e o problema com a Ucrânia pode ser propício ao renascimento desse medo?


O eixo franco-alemão, grande impulsionador da União Europeia, parece voltar agora a querer um regresso a essa origem. A Europa a ser comandada pelo eixo franco-alemão. É essa, em resumo, a proposta de Hollande, É uma proposta com vista à segurança? Veremos o que acontece à Grécia, daqui para a frente. Pode ser essencial para o futuro da Europa


 

Ainda o caso BES


Todo o julgamento do caso BES/GES assentará numa pergunta essencial. Quem manipulou as contas da Espírito Santo International, holding primeira de todo o Grupo Espírito Santo? Ou melhor, não tanto quem foi o autor da ordem para esconder o passivo nos balanços, mas antes quem se consegue provar (porque nestas coisas jurídicas, as provas são essenciais, mesmo por vezes em detrimento dos factos) que manipulou as contas da ESI. 


A acusação (o Banco de Portugal) procura provas que confirmem a ordem de Ricardo Salgado para se reescrever os balanços, retirando passivo e empolando o activo. Há um documento assinado por Ricardo Salgado e por José Manuel Espírito Santo em que estes retiram a responsabilidade da elaboração das contas à ES Services, liderada por Pierre Butty, que reportava ao commissaire aux comptes, Francisco Machado da Cruz e a José Castela, Controller. Este documento é um das provas principais da acusação. 


A defesa tentará provar que não foi Ricardo Salgado quem manipulou ou ordenou a manipulação das contas, assente no argumento de que não há provas que foi. Mesmo esse documento iliba Pierre Butty, mas na óptica da defesa não prova a culpa de Ricardo Salgado, nem a cumplicidade de José Manuel Espírito Santo. 


Assim sendo, a tese da defesa do ex-banqueiro passa por culpar o contabilista, seria o contabilista Francisco Machado da Cruz que tinha tido essa iniciativa sozinho. Um vez que esse tem provas que deu as ordens a Pierre Butty. Quem pôs as mãos na massa e deixou rasto está em pior situação do quem alegadamente deu as ordens oralmente, sem registo disso. 


Porque todos os crimes e ilegalidades do GES/BES partem desse pecado inicial, a ocultação de passivo da ES International. 


Até 2013, o Grupo Espírito Santo (GES) acumulou prejuízos de 5,3 mil milhões de euros, uma dívida superior a oito mil milhões de euros que custou em dez anos uma fortuna em juros: 2.200 milhões de euros em uma década ou 400 milhões anuais nos últimos anos.


A auditoria permitiu ainda concluir que, entre 2008 e 2013, foram feitos "diversos lançamentos contabilísticos nas contas da ESI que conduziram, em Dezembro de 2012, a uma diminuição (artificial) do passivo" de 1,7 mil milhões de euros e "a um consequente aumento dos capitais próprios da ESI em base individual" no valor de 652 milhões de euros.

Ainda o caso BES


Todo o julgamento do caso BES/GES assentará numa pergunta essencial. Quem manipulou as contas da Espírito Santo International, holding primeira de todo o Grupo Espírito Santo? Ou melhor, não tanto quem foi o autor da ordem para esconder o passivo nos balanços, mas antes quem se consegue provar (porque nestas coisas jurídicas, as provas são essenciais, mesmo por vezes em detrimento dos factos) que manipulou as contas da ESI. 


A acusação (o Banco de Portugal) procura provas que confirmem a ordem de Ricardo Salgado para se reescrever os balanços, retirando passivo e empolando o activo. Há um documento assinado por Ricardo Salgado e por José Manuel Espírito Santo em que estes retiram a responsabilidade da elaboração das contas à ES Services, liderada por Pierre Butty, que reportava ao commissaire aux comptes, Francisco Machado da Cruz e a José Castela, Controller. Este documento é um das provas principais da acusação. 


A defesa tentará provar que não foi Ricardo Salgado quem manipulou ou ordenou a manipulação das contas, assente no argumento de que não há provas que foi. Mesmo esse documento iliba Pierre Butty, mas na óptica da defesa não prova a culpa de Ricardo Salgado, nem a cumplicidade de José Manuel Espírito Santo. 


Assim sendo, a tese da defesa do ex-banqueiro passa por culpar o contabilista, seria o contabilista Francisco Machado da Cruz que tinha tido essa iniciativa sozinho. Um vez que esse tem provas que deu as ordens a Pierre Butty. Quem pôs as mãos na massa e deixou rasto está em pior situação do quem alegadamente deu as ordens oralmente, sem registo disso. 


Porque todos os crimes e ilegalidades do GES/BES partem desse pecado inicial, a ocultação de passivo da ES International. 


Até 2013, o Grupo Espírito Santo (GES) acumulou prejuízos de 5,3 mil milhões de euros, uma dívida superior a oito mil milhões de euros que custou em dez anos uma fortuna em juros: 2.200 milhões de euros em uma década ou 400 milhões anuais nos últimos anos.


A auditoria permitiu ainda concluir que, entre 2008 e 2013, foram feitos "diversos lançamentos contabilísticos nas contas da ESI que conduziram, em Dezembro de 2012, a uma diminuição (artificial) do passivo" de 1,7 mil milhões de euros e "a um consequente aumento dos capitais próprios da ESI em base individual" no valor de 652 milhões de euros.

domingo, 19 de julho de 2015

Viva o Krugman e a sua versatilidade


Acabo de ler que Paul Krugman, – o economista gauche que defendeu o Governo da Grécia contra os malvados países europeus que financiam a Grécia, o economista que enalteceu o referendo-Varoufakis, que veio para os jornais dizer que votaria não no referendo que votava as medidas inerentes a um terceiro resgate, – vem agora reconhecer que afinal “talvez tenha sobrestimado a competência do Governo grego”, durante uma entrevista à cadeia de televisão CNN.


O prémio Nobel da economia norte-americano, Paul Krugman, que se destacou como um dos mais virulentos críticos das medidas de austeridades impostas a Atenas, reconheceu hoje ter “talvez sobrestimado a competência” do Governo grego. Vai mais longe, quando diz que "nem calculei que pudessem tomar uma posição sem ter um plano de urgência, caso não obtivessem a ajuda financeira que solicitavam", explicou. Descobriu a pólvora, afinal os gregos são inconsequentes, porque fazem braço de ferro sem ter alternativa ao que combatem. “Acreditaram que podiam simplesmente exigir melhores condições sem ter um plano alternativo”, disse o Krugman. Viva a versatilidade. Ora se o tinhamos levado a sério...

Viva o Krugman e a sua versatilidade


Acabo de ler que Paul Krugman, – o economista gauche que defendeu o Governo da Grécia contra os malvados países europeus que financiam a Grécia, o economista que enalteceu o referendo-Varoufakis, que veio para os jornais dizer que votaria não no referendo que votava as medidas inerentes a um terceiro resgate, – vem agora reconhecer que afinal “talvez tenha sobrestimado a competência do Governo grego”, durante uma entrevista à cadeia de televisão CNN.


O prémio Nobel da economia norte-americano, Paul Krugman, que se destacou como um dos mais virulentos críticos das medidas de austeridades impostas a Atenas, reconheceu hoje ter “talvez sobrestimado a competência” do Governo grego. Vai mais longe, quando diz que "nem calculei que pudessem tomar uma posição sem ter um plano de urgência, caso não obtivessem a ajuda financeira que solicitavam", explicou. Descobriu a pólvora, afinal os gregos são inconsequentes, porque fazem braço de ferro sem ter alternativa ao que combatem. “Acreditaram que podiam simplesmente exigir melhores condições sem ter um plano alternativo”, disse o Krugman. Viva a versatilidade. Ora se o tinhamos levado a sério...

O PS no multibanco (greek style)

gozarcomPS.jpg


Porque o humor é soberano


 


 

O PS no multibanco (greek style)

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Porque o humor é soberano


 


 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Top das preocupações mundiais


ISIS é a maior preocupação em quase todo o mundo excepto na Turquia e no Pakistão que estão preocupados antes de mais com... as alterações climáticas. 


Polónia, "top concern": Russia


Israel top concern: Irão

Top das preocupações mundiais


ISIS é a maior preocupação em quase todo o mundo excepto na Turquia e no Pakistão que estão preocupados antes de mais com... as alterações climáticas. 


Polónia, "top concern": Russia


Israel top concern: Irão

terça-feira, 14 de julho de 2015

Não há remédio para a Grécia


A Grécia há cinco anos comprometeu-se em assegurar a independência do instituto de estatísticas grego (ELSTAT) (tipo INE). É importante porque foram eles que martelaram os números da Grécia que os guiaram até aqui. Em todos os resgates os vários Governos gregos prometem cumprir esta medida e agora voltaram a prometer.


Eu aposto que à primeira avaliação da troika voltam a chumbar. Não há remédio para a Grécia. É um sorvedouro de dinheiro dos outros. Esta suposta nova austeridade serve apenas para obter dinheiro para os bancos no imediato. Não vai ser cumprida. Obviamente. Tudo é um teatro, assim como o referendo foi um teatro.


A solução para a Grécia é a ajuda humanitária tipo Banco Mundial, e a moeda dracma a acompanhar. 

Não há remédio para a Grécia


A Grécia há cinco anos comprometeu-se em assegurar a independência do instituto de estatísticas grego (ELSTAT) (tipo INE). É importante porque foram eles que martelaram os números da Grécia que os guiaram até aqui. Em todos os resgates os vários Governos gregos prometem cumprir esta medida e agora voltaram a prometer.


Eu aposto que à primeira avaliação da troika voltam a chumbar. Não há remédio para a Grécia. É um sorvedouro de dinheiro dos outros. Esta suposta nova austeridade serve apenas para obter dinheiro para os bancos no imediato. Não vai ser cumprida. Obviamente. Tudo é um teatro, assim como o referendo foi um teatro.


A solução para a Grécia é a ajuda humanitária tipo Banco Mundial, e a moeda dracma a acompanhar. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A voz dos teus olhos

IMG_1988.JPG


 


"O teu mais ligeiro olhar facilmente me revelará, não obstante me ter fechado como dedos, abres-me sempre pétala a pétala, como a primavera abre (hábil e misteriosamente comovente) a sua primeira rosa. Não sei o que é que há em ti que fecha e abre, apenas algo em mim compreende a voz dos teus olhos, é mais profunda que todas as rosas"


E.E Cummings


Ana e as Suas Irmãs, Woody Allen

A voz dos teus olhos

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"O teu mais ligeiro olhar facilmente me revelará, não obstante me ter fechado como dedos, abres-me sempre pétala a pétala, como a primavera abre (hábil e misteriosamente comovente) a sua primeira rosa. Não sei o que é que há em ti que fecha e abre, apenas algo em mim compreende a voz dos teus olhos, é mais profunda que todas as rosas"


E.E Cummings


Ana e as Suas Irmãs, Woody Allen

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Maria & Alberto

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Ontem não bastou a morte de Maria de Jesus Barroso. Também ontem, pese embora já fosse de há muito expectável, morreu de doença prolongada Alberto Vaz da Silva, o Homem que estava atrás de uma grande mulher - Helena Vaz da Silva.


Estes desaparecimentos de duas pessoas de excepção faz-me pensar na morte. Na sua importância e, principalmente, na sua gestão. Não há sociedade que tenha futuro se não a souber gerir.


De facto a morte é incontornável! Mais cedo ou mais tarde, seja por acidente, incidente, doença ou com a maior das naturalidades, todos haveremos de morrer!


Se é certo que para nós, e enquanto cristãos, a morte passou a ser vida e, crendo Nele, deixámos de morrer. Existem outros casos, em que mesmo os não crentes, por aquilo que fizeram, ganharam por direito próprio à imortalidade. Trata-se, porém, de um processo que  parecendo óbvio não é evidente. Esta imortalidade só é possível se as sociedades tiverem memória, pois é lá que reside a “habilidade” de se viver imortalmente. Daí a importância que tem social e culturalmente os cultos da morte, como daqui reside a importância da educação e da História. Porque, como o referi, uma sociedade sem memória não tem futuro. Definha!

Maria & Alberto

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Ontem não bastou a morte de Maria de Jesus Barroso. Também ontem, pese embora já fosse de há muito expectável, morreu de doença prolongada Alberto Vaz da Silva, o Homem que estava atrás de uma grande mulher - Helena Vaz da Silva.


Estes desaparecimentos de duas pessoas de excepção faz-me pensar na morte. Na sua importância e, principalmente, na sua gestão. Não há sociedade que tenha futuro se não a souber gerir.


De facto a morte é incontornável! Mais cedo ou mais tarde, seja por acidente, incidente, doença ou com a maior das naturalidades, todos haveremos de morrer!


Se é certo que para nós, e enquanto cristãos, a morte passou a ser vida e, crendo Nele, deixámos de morrer. Existem outros casos, em que mesmo os não crentes, por aquilo que fizeram, ganharam por direito próprio à imortalidade. Trata-se, porém, de um processo que  parecendo óbvio não é evidente. Esta imortalidade só é possível se as sociedades tiverem memória, pois é lá que reside a “habilidade” de se viver imortalmente. Daí a importância que tem social e culturalmente os cultos da morte, como daqui reside a importância da educação e da História. Porque, como o referi, uma sociedade sem memória não tem futuro. Definha!

terça-feira, 7 de julho de 2015

O mundo está em ebulição e Portugal aqui no meio


Portugal começou a percorrer a sua tormenta em 2011, mas a semente do mal já vinha de trás, pelo menos de 2008. Mas tal como acontece com os países assim-assim, quando vai ao fundo, nunca vai fundo demais, e quando é época de abundância passa pelas euforias apenas ao de leve e apenas superficialmente. 


Hoje está aqui esquecido, nem tão mal como a Grécia, mas longe de estar perto até da vizinha Espanha. É o eterno remediado. 


 


O mundo está em ebulição, e isto não vai melhorar. Portugal contava com o investimento estrangeiro para substituir o investimento público e privado que escasseia, por falta de capital. Começou por depositar todas as esperanças em Angola. Os angolanos eram o Dom Sebastião que vinham salvar o consumo interno, e que iam salvar as empresas moribundas da falência anunciada. Muita dívida e pouca receita. Assim vimos o BCP com capital angolano. O BPI viu fugir o Itaú e logo Isabel dos Santos e a sua Unitel se substituíram. A NOS, os jornais SOL e I, a braços com grandes dificuldades, foram comprados por angolanos. A Controlinveste estava com muita dívida bancária e pouca receita, e logo um angolano Mosquito vem em socorro. Angola era a salvadora da pátria que foi sua metrópole. A Efacec estava falida, Isabel dos Santos comprou.


Mas logo o excesso de oferta de petróleo e a falta de procura arrastaram o preço petróleo para quedas que levaram consigo a desvalorização da moeda angolana face ao dólar. Para agravar a situação a União Europeia deixou de aceitar os bancos angolanos como equiparados em regulação ao europeus. Resultado o risco Angola passou a 100% nos balanços dos bancos. Para já não falar que esse risco encareceu o financiamento bancário internacional para Angola. 


Angola ficou sem dólares de sobra para andar a brincar ao capitalismo transfronteiras e sem capital alheio para alavancar o investimento.


Então vieram os chineses. De repente a China era o milagre que ia salvar as empresas portuguesas, descapitalizadas e endividadas, da crise. Vinham comprar, comprar. Entraram na EDP, na REN, compraram a Fidelidade. Assinaram a compra do BESI. Apresentaram-se para comprar o Novo Banco. Querem os bancos BPG, Banif, espreitaram o Efisa. Olham para as seguradoras. Olham para os hotéis, querem entrar no turismo. E zás, logo agora que nos íamos transformar numa chinatown eis que a bolsa de Xangai põe a China à beira de uma crise financeira desenfreada com consequências ainda imprevisíveis.


O mundo está então assim:


O mundo muçulmano (países à volta da Europa) tem de lidar com o terrorismo do Estado Islâmico e com o seu califado. 


A Europa está à beira de um ataque de nervos com a possível saída da Grécia do euro, e das consequências que daí podem advir. Nomeadamente o empobrecimento avassalador da Grécia, ao ponto de ser preciso ajuda bumanitária.


A Polónia que queria o euro, diz que agora a adesão vai a referendo. 


A Inglaterra também vai discutir a permanência na União Europeia em referendo. 


A China à beira de um crash semelhante ao dos Estados Unidos de 1929.


O Brasil está em ponto de rebuçado para ter uma crise.


Para onde é que nos podemos virar? Para a Noruega? Para a Suíça? Para os Estados Unidos? Para a América Latina espanhola?


Começa a ficar apertado o mundo. 


Pensar que tudo começou nos Estados Unidos e no seu subprime, com a falência em 2008. 


 

O mundo está em ebulição e Portugal aqui no meio


Portugal começou a percorrer a sua tormenta em 2011, mas a semente do mal já vinha de trás, pelo menos de 2008. Mas tal como acontece com os países assim-assim, quando vai ao fundo, nunca vai fundo demais, e quando é época de abundância passa pelas euforias apenas ao de leve e apenas superficialmente. 


Hoje está aqui esquecido, nem tão mal como a Grécia, mas longe de estar perto até da vizinha Espanha. É o eterno remediado. 


 


O mundo está em ebulição, e isto não vai melhorar. Portugal contava com o investimento estrangeiro para substituir o investimento público e privado que escasseia, por falta de capital. Começou por depositar todas as esperanças em Angola. Os angolanos eram o Dom Sebastião que vinham salvar o consumo interno, e que iam salvar as empresas moribundas da falência anunciada. Muita dívida e pouca receita. Assim vimos o BCP com capital angolano. O BPI viu fugir o Itaú e logo Isabel dos Santos e a sua Unitel se substituíram. A NOS, os jornais SOL e I, a braços com grandes dificuldades, foram comprados por angolanos. A Controlinveste estava com muita dívida bancária e pouca receita, e logo um angolano Mosquito vem em socorro. Angola era a salvadora da pátria que foi sua metrópole. A Efacec estava falida, Isabel dos Santos comprou.


Mas logo o excesso de oferta de petróleo e a falta de procura arrastaram o preço petróleo para quedas que levaram consigo a desvalorização da moeda angolana face ao dólar. Para agravar a situação a União Europeia deixou de aceitar os bancos angolanos como equiparados em regulação ao europeus. Resultado o risco Angola passou a 100% nos balanços dos bancos. Para já não falar que esse risco encareceu o financiamento bancário internacional para Angola. 


Angola ficou sem dólares de sobra para andar a brincar ao capitalismo transfronteiras e sem capital alheio para alavancar o investimento.


Então vieram os chineses. De repente a China era o milagre que ia salvar as empresas portuguesas, descapitalizadas e endividadas, da crise. Vinham comprar, comprar. Entraram na EDP, na REN, compraram a Fidelidade. Assinaram a compra do BESI. Apresentaram-se para comprar o Novo Banco. Querem os bancos BPG, Banif, espreitaram o Efisa. Olham para as seguradoras. Olham para os hotéis, querem entrar no turismo. E zás, logo agora que nos íamos transformar numa chinatown eis que a bolsa de Xangai põe a China à beira de uma crise financeira desenfreada com consequências ainda imprevisíveis.


O mundo está então assim:


O mundo muçulmano (países à volta da Europa) tem de lidar com o terrorismo do Estado Islâmico e com o seu califado. 


A Europa está à beira de um ataque de nervos com a possível saída da Grécia do euro, e das consequências que daí podem advir. Nomeadamente o empobrecimento avassalador da Grécia, ao ponto de ser preciso ajuda bumanitária.


A Polónia que queria o euro, diz que agora a adesão vai a referendo. 


A Inglaterra também vai discutir a permanência na União Europeia em referendo. 


A China à beira de um crash semelhante ao dos Estados Unidos de 1929.


O Brasil está em ponto de rebuçado para ter uma crise.


Para onde é que nos podemos virar? Para a Noruega? Para a Suíça? Para os Estados Unidos? Para a América Latina espanhola?


Começa a ficar apertado o mundo. 


Pensar que tudo começou nos Estados Unidos e no seu subprime, com a falência em 2008. 


 

Maria de Jesus Barroso

 


550.gif


Tive o grato prazer de ter conhecido e recebido na Casa-Museu Passos Canavarro, numa tarde dedicada à poesia, Maria de Jesus Barroso. Sempre me habituei a respeitá-la. Seja como actriz de grande qualidade, seja como ser humano que abraçou variadíssimos projectos humanitários. 

Maria de Jesus Barroso

 


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Tive o grato prazer de ter conhecido e recebido na Casa-Museu Passos Canavarro, numa tarde dedicada à poesia, Maria de Jesus Barroso. Sempre me habituei a respeitá-la. Seja como actriz de grande qualidade, seja como ser humano que abraçou variadíssimos projectos humanitários. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Resultado do Referendo da Grécia

Eurogrupo despede Varoufakis

Resultado do Referendo da Grécia

Eurogrupo despede Varoufakis

domingo, 5 de julho de 2015

Do livro mais sábio do mundo

«Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa».


Evangelho segundo São Marcos, Biblia Sagrada

Do livro mais sábio do mundo

«Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa».


Evangelho segundo São Marcos, Biblia Sagrada

Porque festejam o Gregos?


Celebram o seu salto da frigideira para o lume?


Amanhã, das duas uma, ou o resultado do referendo é levado à letra e então a Grécia tem de prescindir do dinheiro dos credores, saindo do euro, ou fazem tábua rasa do significado do referendo e voltam a negociar e cedem aos credores para voltar a ter dinheiro nos cofres do Estado e nos bancos, e por aí fora.

Porque festejam o Gregos?


Celebram o seu salto da frigideira para o lume?


Amanhã, das duas uma, ou o resultado do referendo é levado à letra e então a Grécia tem de prescindir do dinheiro dos credores, saindo do euro, ou fazem tábua rasa do significado do referendo e voltam a negociar e cedem aos credores para voltar a ter dinheiro nos cofres do Estado e nos bancos, e por aí fora.

Portugal é uma espécie de província


A Brusca, Agustina


 

Portugal é uma espécie de província


A Brusca, Agustina


 

Memórias

Sempre que regresso à minha infância, regresso à sombra dos pinheiros, onde eu partia pinhões. Nessas tardes intermináveis de verão em que se ouvia ao longe as avionetes com os seus barulhos de motor monocórdicos.

Memórias

Sempre que regresso à minha infância, regresso à sombra dos pinheiros, onde eu partia pinhões. Nessas tardes intermináveis de verão em que se ouvia ao longe as avionetes com os seus barulhos de motor monocórdicos.

Homem

"Não era um grosseiro especulador, mas sim um homem ardente e secreto, com todas as virtudes dos que professam uma forte paixão"


Agustina Bessa Luís, a Brusca

Homem

"Não era um grosseiro especulador, mas sim um homem ardente e secreto, com todas as virtudes dos que professam uma forte paixão"


Agustina Bessa Luís, a Brusca

Interseccionismo

"A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste".


Fernando Pessoa

Interseccionismo

"A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste".


Fernando Pessoa

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Grécia: Jogo de sombras


Tudo o que se tem passado na Grécia tem qualquer coisa de teatral. Há um jogo de sombras.Terão as negociações entre os representantes do Governo Grego e os representantes dos credores, Comissão Europeia, BCE e FMI sido verdadeiras negociações? Não me parece. Houve troca do que cada lado pensa e as exigências dos credores para darem mais dinheiro à Grécia, com os gregos a tourear os credores, porque estão protegidos pela certeza que na Europa ninguém quer expulsar os gregos e aliás não há na legislação forma de o fazer contra a vontade do Governo grego. A saída da Grécia do euro teria de ser feita por iniciativa desta, passando a emitir dracmas e a transaccionar nesta moeda.


Para os líderes gregos, uns rapazes que estão inebriados com os holofotes do mundo, esta situação dá-lhes a força negocial que o dinheiro, que não têm, não lhes dá. Por isso desafiam permanentemente os líderes do Eurogrupo. Quando tudo está à beira do colapso, Tsipras ainda atiça mais os gregos contra as medidas de austeridade, e apela ao voto do Não no referendo de domingo. Para mostrar quem manda ali. Os gregos querem ficar no euro, mas se não lhes fazem a vontade votam em referendo contra a Europa. 


Pedro Passos Coelho confidenciou um dia que se fosse Alexis Tsipras estaria preocupadíssimo, porque não há dinheiro nos bancos, nem nos cofres do Estado grego para pagar salários da função pública, para pagar pensões, para já não falar em pagar aos credores. O problema é que com quase 200% da dívida publica sobre o PIB, a Grécia não consegue pagar, não consegue produzir (não exporta quase nada) e precisa de dinheiro. Portanto o que a Grécia quer é ser subsidiada pelos credores europeus, mas continuar com a sua irreverência, para não perder o charme.


Mas consta, que ao contrário dos credores ricos, e dos credores que têm cofres cheios, o primeiro-ministro grego não está preocupado. Todos estão preocupados com a Grécia menos Tsipras e Varoufakis. Quando hoje Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, revelou que tinha pena do povo grego era disso que falava, dessa irreverência irresponsável dos seus governantes. Evidentemente que todos esperam um novo perdão de dívida à Grécia. Mas o problema é que a Grécia quer que lhe emprestem mais, mas para voltar a não pagar. De hair-cut em hair-cut até ao infinito. A Grécia nunca mais será autónoma financeiramente. Nunca mais voltará aos mercados, acreditem.


Mas o mais engraçado de tudo isto é ver que paradoxalmente a Grécia tem um dom raro: que é o de cativar a simpatia e a caridade. O mistério da emocionalidade. Não que a emocionalidade não seja provocada por interesses egoístas, que é, mas a Grécia tem o dom que algumas pessoas têm e outras não conseguem ter, que é o de inspirar a caridade, de inspirar a simpatia, de inspirar o amor. Não tem nada a ver com a razão. Muitas vezes quem tem razão não inspira o amor e não o consegue cativar. Mesmo que esteja certo e faça tudo bem.


As emoções (que nem sempre nascem de nobres actos) são um mistério insondável.


Todos querem ajudar a Grécia. Então assistimos a um fenómeno curioso: pessoas em todo o mundo estão a mandar dinheiro para a Grécia. Mesmo que nos seus próprios países se revoltem cada vez que os seus governos lhes peçam dinheiro (em impostos e taxas) para ajudar o país a pagar as suas próprias dívidas aos seus credores.  Mas a Grécia tem este dom, que não se explica. Qualquer líder se transforma num Che Guevara, e todos se apaixonam pela Grécia, que é um país pouco cumpridor e cheio de manhas. Até os credores cedem ao charme dos gregos. Não há país que tenha recebido tanta tolerância dos credores europeus como a Grécia, tanta benevolência. E perante tudo isto não pagam e querem mais dinheiro. Por seu turno os parceiros europeus, que é quem menos se devia preocupar, tentam a todo o custo manter a Grécia no euro. Vá lá a gente perceber isto.


Portugal não tem essa sorte. Ninguém se apaixona por Portugal e a caridade não nos bate à porta, A Irlanda não tem essa sorte. Não cativa o amor que os Gregos cativam. 


Noutros pontos do globo, a Islândia não cativou simpatias do mundo quando foi à falência. 


Mas os gregos sim, todos querem tirar os gregos do  sufoco que os próprios criaram, eles sabem disso e tiram disso vantagem.


Lucky Bastards!


 

Grécia: Jogo de sombras


Tudo o que se tem passado na Grécia tem qualquer coisa de teatral. Há um jogo de sombras.Terão as negociações entre os representantes do Governo Grego e os representantes dos credores, Comissão Europeia, BCE e FMI sido verdadeiras negociações? Não me parece. Houve troca do que cada lado pensa e as exigências dos credores para darem mais dinheiro à Grécia, com os gregos a tourear os credores, porque estão protegidos pela certeza que na Europa ninguém quer expulsar os gregos e aliás não há na legislação forma de o fazer contra a vontade do Governo grego. A saída da Grécia do euro teria de ser feita por iniciativa desta, passando a emitir dracmas e a transaccionar nesta moeda.


Para os líderes gregos, uns rapazes que estão inebriados com os holofotes do mundo, esta situação dá-lhes a força negocial que o dinheiro, que não têm, não lhes dá. Por isso desafiam permanentemente os líderes do Eurogrupo. Quando tudo está à beira do colapso, Tsipras ainda atiça mais os gregos contra as medidas de austeridade, e apela ao voto do Não no referendo de domingo. Para mostrar quem manda ali. Os gregos querem ficar no euro, mas se não lhes fazem a vontade votam em referendo contra a Europa. 


Pedro Passos Coelho confidenciou um dia que se fosse Alexis Tsipras estaria preocupadíssimo, porque não há dinheiro nos bancos, nem nos cofres do Estado grego para pagar salários da função pública, para pagar pensões, para já não falar em pagar aos credores. O problema é que com quase 200% da dívida publica sobre o PIB, a Grécia não consegue pagar, não consegue produzir (não exporta quase nada) e precisa de dinheiro. Portanto o que a Grécia quer é ser subsidiada pelos credores europeus, mas continuar com a sua irreverência, para não perder o charme.


Mas consta, que ao contrário dos credores ricos, e dos credores que têm cofres cheios, o primeiro-ministro grego não está preocupado. Todos estão preocupados com a Grécia menos Tsipras e Varoufakis. Quando hoje Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, revelou que tinha pena do povo grego era disso que falava, dessa irreverência irresponsável dos seus governantes. Evidentemente que todos esperam um novo perdão de dívida à Grécia. Mas o problema é que a Grécia quer que lhe emprestem mais, mas para voltar a não pagar. De hair-cut em hair-cut até ao infinito. A Grécia nunca mais será autónoma financeiramente. Nunca mais voltará aos mercados, acreditem.


Mas o mais engraçado de tudo isto é ver que paradoxalmente a Grécia tem um dom raro: que é o de cativar a simpatia e a caridade. O mistério da emocionalidade. Não que a emocionalidade não seja provocada por interesses egoístas, que é, mas a Grécia tem o dom que algumas pessoas têm e outras não conseguem ter, que é o de inspirar a caridade, de inspirar a simpatia, de inspirar o amor. Não tem nada a ver com a razão. Muitas vezes quem tem razão não inspira o amor e não o consegue cativar. Mesmo que esteja certo e faça tudo bem.


As emoções (que nem sempre nascem de nobres actos) são um mistério insondável.


Todos querem ajudar a Grécia. Então assistimos a um fenómeno curioso: pessoas em todo o mundo estão a mandar dinheiro para a Grécia. Mesmo que nos seus próprios países se revoltem cada vez que os seus governos lhes peçam dinheiro (em impostos e taxas) para ajudar o país a pagar as suas próprias dívidas aos seus credores.  Mas a Grécia tem este dom, que não se explica. Qualquer líder se transforma num Che Guevara, e todos se apaixonam pela Grécia, que é um país pouco cumpridor e cheio de manhas. Até os credores cedem ao charme dos gregos. Não há país que tenha recebido tanta tolerância dos credores europeus como a Grécia, tanta benevolência. E perante tudo isto não pagam e querem mais dinheiro. Por seu turno os parceiros europeus, que é quem menos se devia preocupar, tentam a todo o custo manter a Grécia no euro. Vá lá a gente perceber isto.


Portugal não tem essa sorte. Ninguém se apaixona por Portugal e a caridade não nos bate à porta, A Irlanda não tem essa sorte. Não cativa o amor que os Gregos cativam. 


Noutros pontos do globo, a Islândia não cativou simpatias do mundo quando foi à falência. 


Mas os gregos sim, todos querem tirar os gregos do  sufoco que os próprios criaram, eles sabem disso e tiram disso vantagem.


Lucky Bastards!


 

"A Mais Bela Noite do Mundo"

800px-Casa_Museu_Fernando_Namora.JPG


Ontem, e à boleia dos 25 anos da abertura da sua Casa-Museu em Condeixa-a-Nova, ouvi declamarem alguns dos poemas de Fernando Namora e vi - desconhecia por completo esta vertente na sua obra - alguns dos seus trabalhos plásticos. Neste meu regresso ao Farpas, onde não escrevia há algum tempo, deixo-vos este "A Mais Bela Noite do Mundo".


 

Hoje,
será o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha prisão de viver
a lição que me ditavam:
- Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
são perfumes de pecado.
Tem braços longos e tentadores – o dia!

- Menino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do papão
pintado de belo
na máscara de papelão).

Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua...
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

- Amanhã,
terás os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espectáculo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanhã,
será o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do papão
que acendia a vela, tinha regaço de sombra
e velava
as noites da minha rua e a minha vida
e pintava-se de belo
na máscara de papelão).

Hoje,
será o fim!

Hoje,
nem a sombra do que há-de vir,
nem os mestres, nem os amigos, nem os livros,
nem a fragilidade dos meus pés
feitos de barro e cansaço!
Todas as minhas revoltas domadas,
todos os meus gestos em meio
e as minhas palavras sufocadas
terão a sua hora de viver e amar!

Hoje,
nem o cadáver a sorrir na morgue,
nem as mãos que ficaram angustiosas,
arrepiadas
no seu medo de findar!

Hoje,
será a mais bela noite do mundo!

 

in 'Mar de Sargaços'

"A Mais Bela Noite do Mundo"

800px-Casa_Museu_Fernando_Namora.JPG


Ontem, e à boleia dos 25 anos da abertura da sua Casa-Museu em Condeixa-a-Nova, ouvi declamarem alguns dos poemas de Fernando Namora e vi - desconhecia por completo esta vertente na sua obra - alguns dos seus trabalhos plásticos. Neste meu regresso ao Farpas, onde não escrevia há algum tempo, deixo-vos este "A Mais Bela Noite do Mundo".


 

Hoje,
será o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha prisão de viver
a lição que me ditavam:
- Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
são perfumes de pecado.
Tem braços longos e tentadores – o dia!

- Menino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do papão
pintado de belo
na máscara de papelão).

Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua...
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

- Amanhã,
terás os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espectáculo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanhã,
será o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do papão
que acendia a vela, tinha regaço de sombra
e velava
as noites da minha rua e a minha vida
e pintava-se de belo
na máscara de papelão).

Hoje,
será o fim!

Hoje,
nem a sombra do que há-de vir,
nem os mestres, nem os amigos, nem os livros,
nem a fragilidade dos meus pés
feitos de barro e cansaço!
Todas as minhas revoltas domadas,
todos os meus gestos em meio
e as minhas palavras sufocadas
terão a sua hora de viver e amar!

Hoje,
nem o cadáver a sorrir na morgue,
nem as mãos que ficaram angustiosas,
arrepiadas
no seu medo de findar!

Hoje,
será a mais bela noite do mundo!

 

in 'Mar de Sargaços'