Depois de um longo interregno voltei às páginas do Correio do Ribatejo, com um artigo de opinião sobre as eleições autárquicas, que o deixo aqui para vossa consideração
Faz já muito tempo que não escrevo nas páginas deste jornal, e à boleia das eleições autárquicas que a passos largos se aproximam encontrei razão quanto baste para regressar. Não vou também, pois não parece que fique bem, apelar ao voto. Cada um em consciência sabe se deve ou não fazê-lo e muito menos indicar quem merece o meu escrutínio.
Uma coisa é certa e que o porventura escapa à maioria dos leitores do Correio, e quiçá aos próprios candidatos? Se há uma eleição que se traduz numa clara relação entre o cidadão eleitor e o cidadão eleito é esta. E a explicação, embora matemática, é fácil e etimológica: chama-se polis. Nascida nas calendas gregas, a polis quer dizer cidade. Não só o espaço físico urbano, mas a totalidade geográfica, i.e., tanto o cidadão da urbe como o do campo fazem parte deste todo, pelo que num acto eleitoral desta tipologia, em que se escolhem os presidentes das câmaras, das juntas de freguesia e as diversas assembleias municipais, torna estas eleições autárquicas “verdadeiramente políticas”, até porque são aquelas que costumam ter maior afluência de eleitores, que de per se é bem significativo! Não obstante, é particularmente interessante pensar se os candidatos, seja em Santarém ou em qualquer outro canto do país, concorrem a esta eleições tendo em conta esta variável ou se partiram para esta eleição, por estarem, por assim dizer, em banho-maria ou nos desertos que a política “oferece”, na expectativa de ganharem asas para outros voos?
Se é certo e natural que nem todos merecem o meu voto. É preciso avisar, seja quem for o vencedor, seja “habitué” ou não nestas andanças, que os mandatos são para serem cumpridos e que depois, com todo o direito – nomeadamente se tiverem uma folha de serviços imaculada - poderão fazer as malas a zarpar e terem a sorte e o engenho para irem pregar para outras freguesias, seja por aqui bem pertinho ou algures na “orbe europeia”. A política e nós simples cidadãos agradecemos!
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