quarta-feira, 29 de junho de 2016

Um mundo à parte e o futuro do Projecto Europeu

charlie.jpg


Encontro ao acaso esta capa do Charlie Hebdo, semanário humorístico e satírico francês, que nesta edição parodia o referendo à manutenção dos britânicos na União Europeia, e a sua consequente saída: “Les anglais enfin maîtres chez eux”. O que traduzido literalmente poderá ser lido como “finalmente os ingleses donos de sua casa”. De facto, Sublinhando a piada e a ironia do traço do cartoonista, não há nada de novo nisto. Destaca-se, todavia, o perigo de contágio.


De facto, este desfecho, que só peca por tardio, era demasiado evidente! E a reacção de Junker, em pelo Parlamento Europeu, foi óbvia e corajosa: “É a última vez que aplaudem aqui. Até certo ponto, estou muito surpreendido que aqui estejam. Estão a lutar pela saída da União Europeia. O povo britânico votou a favor da saída. Porque estão aqui?"


Nada disto é uma novidade. Os ingleses, sobretudo os ingleses, sempre formaram um grupo à parte, com um estatuto diferente dos demais estados-membros. Com efeito, e à boleia das sábias de um amigo inglês, por aqui há muito radicado, “a Grã-Bretanha nunca foi um apoiante total do projecto europeu”. Não aderiu à moeda única, não ingressou no espaço schengen, etc. etc.
Portanto, e não obstante a maioria dos votantes anti-europeus terem mais de 65 anos, de serem reformados e membros da “velha guarda”, isto é, de serem conservadores tipo, o resultado é positivo. Inclusive terá o efeito acelerador em algo que de há muito tempo parece preso “por-fios”: a estrutura do Reino Unido. Ontem, numa sessão parlamentar, um deputado escocês “pôs os pontos nos is” ao afirmar que a solução era a independência da Escócia. Processo que, de igual modo, e não tardará muito, irá resultar na unificação das “Irlandas”Há por certo, e volto a este tema, um risco de contágio. O qual a meu ver não tem qualquer sentido. Serve tão somente a que grupos nacionalistas e populistas procurem ganhar terreno... Os riscos da não-Europa são, efectivamente, demasiadamente elevados, que só servem os interesses de russos e chineses. Do outro lado do atlântico, pese embora desconhecer as ideias de Trump a este respeito: os americanos farão tudo para que a Europa se mantenha coesa, já que o principio é o mesmo que os levou a criar o “Plano Marshall”, ou seja, de sermos (continuar a ser) um tampão ás ameaças russas e, fruto dos novos tempos, das chinesas.


Em conclusão, com os avanços e os recuos que a história da construção europeia já nos habituou, não temos outro caminho. Os custos da não-Europa é um regresso ao passado, que não obstante de terem sido estruturantes, de terem sido “a fabrica” que nos moldou, foram dramáticos, e que devem ser irrepetíveis.


O processo da construção histórica é lento. O da construção europeia não é excepção. A chegada a bom-porto deste ideal, que é o meu, não é para amanhã. Passa pela a existência de uma sólida identidade europeia, essencialmente cultural, o que implica, desde logo, a desconfiguração política da Europa como, desde há séculos, a entendemos. Este ideal significa que a Europa só terá uma verdadeira existência quando os actuais estados derem lugar às nações que os constituem, quando os bascos forem bascos, os catalães forem catalães, os sicilianos forem sicilianos, os boémios forem boémios e por ai fora. Os Portugueses e os irlandeses, porque sempre o fomos, serão ancoras e alicerces desta Europa ideal. Este “novo mundo” é claramente federalista. Haveria – como acontece nos Estados Unidos da América – um governo central que gere o essencial da união, e depois com os seus poderes limitados haveria lugar aos governos regionais.


Um pouco antes da sua morte, a Fundação Francisco Manuel dos Santos editou “Identidade Cultural Europeia” um ensaio de Vasco Graça Moura, para quem o ideal deste sonho unificador só seria possível dentro de 200 anos. É um tempo distante, que não será para nós. Bem sei que não, porém estou convencido que, vindo quando vier, será seguramente melhor do que os tempos que as circunstancias nos fazem ou se preferirem, obrigam a viver.


Haja vontade!


 


Nota final: este texto é uma reflexão sobre os resultados do referendo da passada semana, que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia. No entanto, e mesmo não sendo versado em constitucionalismo – e recorde-se os britânicos não se regem por uma, pois dão valor ao costume – sei que o resultado do referendo não tem valor de lei, portanto terão que ser os “comuns” - na  Câmara Baixa ou parlamento – a transforma-lo em lei. Não me parece que estes vão contra a vontade da maioria dos votantes, pelo que o "Brexit" é uma realidade e que terá as consequências supra mencionadas.


Num outro tempo, e porque creio ser matéria com interesse suficiente, irei apresentar o que penso sobre a saída dos britânicos e os efeitos por estas bandas, o que levou inclusive a Coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e em caso de sanções contra o nosso país, a ameaçar Bruxelas de uma consulta popular aos portugueses. É mais uma atitude populista e caricata desta senhora, sem pés nem cabeças, e que, aliás, nem colhe a aceitação dos demais membros da geringonça.


Seja como for o lugar de Portugal neste contexto merece que seja analisado, o que farei logo que me for possível.

Um mundo à parte e o futuro do Projecto Europeu

charlie.jpg


Encontro ao acaso esta capa do Charlie Hebdo, semanário humorístico e satírico francês, que nesta edição parodia o referendo à manutenção dos britânicos na União Europeia, e a sua consequente saída: “Les anglais enfin maîtres chez eux”. O que traduzido literalmente poderá ser lido como “finalmente os ingleses donos de sua casa”. De facto, Sublinhando a piada e a ironia do traço do cartoonista, não há nada de novo nisto. Destaca-se, todavia, o perigo de contágio.


De facto, este desfecho, que só peca por tardio, era demasiado evidente! E a reacção de Junker, em pelo Parlamento Europeu, foi óbvia e corajosa: “É a última vez que aplaudem aqui. Até certo ponto, estou muito surpreendido que aqui estejam. Estão a lutar pela saída da União Europeia. O povo britânico votou a favor da saída. Porque estão aqui?"


Nada disto é uma novidade. Os ingleses, sobretudo os ingleses, sempre formaram um grupo à parte, com um estatuto diferente dos demais estados-membros. Com efeito, e à boleia das sábias de um amigo inglês, por aqui há muito radicado, “a Grã-Bretanha nunca foi um apoiante total do projecto europeu”. Não aderiu à moeda única, não ingressou no espaço schengen, etc. etc.
Portanto, e não obstante a maioria dos votantes anti-europeus terem mais de 65 anos, de serem reformados e membros da “velha guarda”, isto é, de serem conservadores tipo, o resultado é positivo. Inclusive terá o efeito acelerador em algo que de há muito tempo parece preso “por-fios”: a estrutura do Reino Unido. Ontem, numa sessão parlamentar, um deputado escocês “pôs os pontos nos is” ao afirmar que a solução era a independência da Escócia. Processo que, de igual modo, e não tardará muito, irá resultar na unificação das “Irlandas”Há por certo, e volto a este tema, um risco de contágio. O qual a meu ver não tem qualquer sentido. Serve tão somente a que grupos nacionalistas e populistas procurem ganhar terreno... Os riscos da não-Europa são, efectivamente, demasiadamente elevados, que só servem os interesses de russos e chineses. Do outro lado do atlântico, pese embora desconhecer as ideias de Trump a este respeito: os americanos farão tudo para que a Europa se mantenha coesa, já que o principio é o mesmo que os levou a criar o “Plano Marshall”, ou seja, de sermos (continuar a ser) um tampão ás ameaças russas e, fruto dos novos tempos, das chinesas.


Em conclusão, com os avanços e os recuos que a história da construção europeia já nos habituou, não temos outro caminho. Os custos da não-Europa é um regresso ao passado, que não obstante de terem sido estruturantes, de terem sido “a fabrica” que nos moldou, foram dramáticos, e que devem ser irrepetíveis.


O processo da construção histórica é lento. O da construção europeia não é excepção. A chegada a bom-porto deste ideal, que é o meu, não é para amanhã. Passa pela a existência de uma sólida identidade europeia, essencialmente cultural, o que implica, desde logo, a desconfiguração política da Europa como, desde há séculos, a entendemos. Este ideal significa que a Europa só terá uma verdadeira existência quando os actuais estados derem lugar às nações que os constituem, quando os bascos forem bascos, os catalães forem catalães, os sicilianos forem sicilianos, os boémios forem boémios e por ai fora. Os Portugueses e os irlandeses, porque sempre o fomos, serão ancoras e alicerces desta Europa ideal. Este “novo mundo” é claramente federalista. Haveria – como acontece nos Estados Unidos da América – um governo central que gere o essencial da união, e depois com os seus poderes limitados haveria lugar aos governos regionais.


Um pouco antes da sua morte, a Fundação Francisco Manuel dos Santos editou “Identidade Cultural Europeia” um ensaio de Vasco Graça Moura, para quem o ideal deste sonho unificador só seria possível dentro de 200 anos. É um tempo distante, que não será para nós. Bem sei que não, porém estou convencido que, vindo quando vier, será seguramente melhor do que os tempos que as circunstancias nos fazem ou se preferirem, obrigam a viver.


Haja vontade!


 


Nota final: este texto é uma reflexão sobre os resultados do referendo da passada semana, que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia. No entanto, e mesmo não sendo versado em constitucionalismo – e recorde-se os britânicos não se regem por uma, pois dão valor ao costume – sei que o resultado do referendo não tem valor de lei, portanto terão que ser os “comuns” - na  Câmara Baixa ou parlamento – a transforma-lo em lei. Não me parece que estes vão contra a vontade da maioria dos votantes, pelo que o "Brexit" é uma realidade e que terá as consequências supra mencionadas.


Num outro tempo, e porque creio ser matéria com interesse suficiente, irei apresentar o que penso sobre a saída dos britânicos e os efeitos por estas bandas, o que levou inclusive a Coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e em caso de sanções contra o nosso país, a ameaçar Bruxelas de uma consulta popular aos portugueses. É mais uma atitude populista e caricata desta senhora, sem pés nem cabeças, e que, aliás, nem colhe a aceitação dos demais membros da geringonça.


Seja como for o lugar de Portugal neste contexto merece que seja analisado, o que farei logo que me for possível.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A solução para os Lesados do BES adia a factura, quem paga depois as acções perdidas?


O Governo fez o brilharete do costume. Muito consenso, muitas soluções conciliadoras. Muitas fotografias de acordos. Mas espremido o que é o acordo? Até 3 de Agosto vão os lesados desatar a pôr acções em tribunal a torto e a direito, umas absolutamente mais justas e outras mais disparatadas, não importa, desde que haja um papel a dizer que a acção entrou em tribunal,  pois essas acções em tribunal contra o universo GES/BES serve para vender o hipotético crédito ao Fundo de Resolução. O que vai acontecer é que a grande maioria das acções judiciais não vão ser ganhas pelos lesados, logo aquilo que o Fundo de Resolução, leia-se os bancos, vão comprar aos lesados é palha. Os bancos, que António Costa tanto quer proteger vão levar com esta pesada factura quando as acções se desenrolarem nos tribunais. 


De quanto é que estamos a falar?


Esta é a solução para os mais de dois mil clientes lesados do BES que investiram 432 milhões de euros em papel comercial do GES e que passará pela criação de um veículo que adiantará dinheiro aos lesados em troca dos direitos judiciais de quem já avançou para os tribunais. Em causa está uma espécie de “fundo de indemnização” que poderá ascender a valores da ordem dos 250 milhões de euros e que será financiado por duas vias: por empréstimos, nomeadamente do Fundo de Garantia de Depósitos, e por uma compensação através do Fundo de Resolução que será paga ao longo de 5 a 10 anos.


Quanto ao modo como será financiado este fundo de indemnizações, a estratégia passa por o dinheiro vir do Fundo de Resolução bancário, que depois irá receber o empréstimo concedido em função das compensações que venham a ser decididas na Justiça. Em caso limite, poderão não ser suficientes para amortizar o empréstimo ao Fundo de Resolução que, nesse caso, teria de assumir essa perda. No entanto, há outra questão a resolver, uma vez que de momento o Fundo de Resolução não terá dinheiro para financiar o fundo de indemnizações. O cenário em cima da mesa é esse dinheiro vir do Fundo de Garantia de Depósitos. No entanto, segundo a proposta, enquanto o pagamento pelo veículo do empréstimo do Fundo de Resolução é contingente, o empréstimo do Fundo de Garantia de Depósito tem de ser obrigatoriamente reembolsado pelo Fundo de Resolução, receba este o dinheiro do veículo ou não.


O Fundo de Resolução bancário tem como participantes os principais bancos a operar em Portugal, que vão ser no fim quem vai  ficar com as perdas.


 

A solução para os Lesados do BES adia a factura, quem paga depois as acções perdidas?


O Governo fez o brilharete do costume. Muito consenso, muitas soluções conciliadoras. Muitas fotografias de acordos. Mas espremido o que é o acordo? Até 3 de Agosto vão os lesados desatar a pôr acções em tribunal a torto e a direito, umas absolutamente mais justas e outras mais disparatadas, não importa, desde que haja um papel a dizer que a acção entrou em tribunal,  pois essas acções em tribunal contra o universo GES/BES serve para vender o hipotético crédito ao Fundo de Resolução. O que vai acontecer é que a grande maioria das acções judiciais não vão ser ganhas pelos lesados, logo aquilo que o Fundo de Resolução, leia-se os bancos, vão comprar aos lesados é palha. Os bancos, que António Costa tanto quer proteger vão levar com esta pesada factura quando as acções se desenrolarem nos tribunais. 


De quanto é que estamos a falar?


Esta é a solução para os mais de dois mil clientes lesados do BES que investiram 432 milhões de euros em papel comercial do GES e que passará pela criação de um veículo que adiantará dinheiro aos lesados em troca dos direitos judiciais de quem já avançou para os tribunais. Em causa está uma espécie de “fundo de indemnização” que poderá ascender a valores da ordem dos 250 milhões de euros e que será financiado por duas vias: por empréstimos, nomeadamente do Fundo de Garantia de Depósitos, e por uma compensação através do Fundo de Resolução que será paga ao longo de 5 a 10 anos.


Quanto ao modo como será financiado este fundo de indemnizações, a estratégia passa por o dinheiro vir do Fundo de Resolução bancário, que depois irá receber o empréstimo concedido em função das compensações que venham a ser decididas na Justiça. Em caso limite, poderão não ser suficientes para amortizar o empréstimo ao Fundo de Resolução que, nesse caso, teria de assumir essa perda. No entanto, há outra questão a resolver, uma vez que de momento o Fundo de Resolução não terá dinheiro para financiar o fundo de indemnizações. O cenário em cima da mesa é esse dinheiro vir do Fundo de Garantia de Depósitos. No entanto, segundo a proposta, enquanto o pagamento pelo veículo do empréstimo do Fundo de Resolução é contingente, o empréstimo do Fundo de Garantia de Depósito tem de ser obrigatoriamente reembolsado pelo Fundo de Resolução, receba este o dinheiro do veículo ou não.


O Fundo de Resolução bancário tem como participantes os principais bancos a operar em Portugal, que vão ser no fim quem vai  ficar com as perdas.


 

Brexit

Brexit

Será só uma coincidência?



 



Reparem bem na imagem. De um lado, está o resultado do referendo que saldou na saída do Reino Unido da União Europeia, e,  do outro, a disseminação, em 1992, da doença das vacas loucas, nas terras de Sua Majestade. Não sei se é coincidência, mas que explica muita coisa, lá isso explica!




 

 

Será só uma coincidência?



 



Reparem bem na imagem. De um lado, está o resultado do referendo que saldou na saída do Reino Unido da União Europeia, e,  do outro, a disseminação, em 1992, da doença das vacas loucas, nas terras de Sua Majestade. Não sei se é coincidência, mas que explica muita coisa, lá isso explica!




 

 

sábado, 25 de junho de 2016

Anti-Brexit (brilhante), by John Oliver


Não evitou a (lamentável) vitória do Brexit, mas proporciona boa disposição.


Sobre a vitória do Brexit recomendo ler aqui

Anti-Brexit (brilhante), by John Oliver


Não evitou a (lamentável) vitória do Brexit, mas proporciona boa disposição.


Sobre a vitória do Brexit recomendo ler aqui

A estratégia dos ingleses para a Europa (Yes Prime Minister)


Prime-Minister: - Os Negócios Estrangeiros não Pró-Europeus?


- Sim e não, se me permite a expressão. São pró-europeus porque na verdade são anti-europeus. O funcionalismo estava unido no desejo de fazer tudo. para que o mercado comum não resultasse. Por isso entrámos. A Inglaterra tem há 500 anos a mesma política externa., a de criar uma Europa desunida. Por isso nos aliámos aos holandeses contra os espanhóis, aos alemães contra os franceses. Aos franceses contra os alemães e italianos. Dividir para reinar. Porquê mudar se resultou tão bem?


PM: - Isso é história antiga!


- É política corrente. Para destruir tudo, tínhamos que entrar para lá.Tentámos destruir de fora mas não resultou. Agora que estamos dentro podemos fazer daquilo uma confusão. Pôr alemães contra franceses. Franceses contra italianos. Italianos contra os holandeses.Os Negócios Estrangeiros estão contentíssimos. É como nos velhos tempos.


PM: - Mas estamos empenhados no ideal europeu. Porque outra razão apoiaríamos um aumento de adesões?


- Pelas mesmas razões. É como na ONU, quantos mais houver, mais zaragatas haverá, mais inútil se torna.


P.M.: - Que cinismo incrível!


- Nós chamamos-lhe diplomacia.


 

A estratégia dos ingleses para a Europa (Yes Prime Minister)


Prime-Minister: - Os Negócios Estrangeiros não Pró-Europeus?


- Sim e não, se me permite a expressão. São pró-europeus porque na verdade são anti-europeus. O funcionalismo estava unido no desejo de fazer tudo. para que o mercado comum não resultasse. Por isso entrámos. A Inglaterra tem há 500 anos a mesma política externa., a de criar uma Europa desunida. Por isso nos aliámos aos holandeses contra os espanhóis, aos alemães contra os franceses. Aos franceses contra os alemães e italianos. Dividir para reinar. Porquê mudar se resultou tão bem?


PM: - Isso é história antiga!


- É política corrente. Para destruir tudo, tínhamos que entrar para lá.Tentámos destruir de fora mas não resultou. Agora que estamos dentro podemos fazer daquilo uma confusão. Pôr alemães contra franceses. Franceses contra italianos. Italianos contra os holandeses.Os Negócios Estrangeiros estão contentíssimos. É como nos velhos tempos.


PM: - Mas estamos empenhados no ideal europeu. Porque outra razão apoiaríamos um aumento de adesões?


- Pelas mesmas razões. É como na ONU, quantos mais houver, mais zaragatas haverá, mais inútil se torna.


P.M.: - Que cinismo incrível!


- Nós chamamos-lhe diplomacia.


 

Uma questão de sangue e de independência.


Foto de António Lino Canavarro.


 


No meu sangue corre um pouco de sangue escocês. De facto, uma das minhas antepassadas era escocesa e casou-se, em Chaves, com um militar, um general, Canavarro: Pedro António Machado Pinto de Sousa Canavarro, 1º barão de Arcossó


Ora, com a saída do Reino Unido da União Europeia, e porque a Escócia depende de Bruxelas, o fantasma independentista está ai. O resultado deste referendo, um erro crasso do primeiro-ministro inglês, é uma verdadeira caixa de Pandora. Por um lado, prova que os velhos ingleses - que a maioria votou pela saída da UE - e em nome do seu conservadorismo, estão nas tintas para o futuro (viabilidade) do seu país. E, por outro, é a oportunidade que faltava para que a Escócia se torne num Estado Nação de pleno direito, como se tornou na ponte que faltava para a "reunificação" irlandesa.


O futuro é uma incógnita mas seguramente que vai ser divertido de seguir "os dias seguintes"!


 






 




Uma questão de sangue e de independência.


Foto de António Lino Canavarro.


 


No meu sangue corre um pouco de sangue escocês. De facto, uma das minhas antepassadas era escocesa e casou-se, em Chaves, com um militar, um general, Canavarro: Pedro António Machado Pinto de Sousa Canavarro, 1º barão de Arcossó


Ora, com a saída do Reino Unido da União Europeia, e porque a Escócia depende de Bruxelas, o fantasma independentista está ai. O resultado deste referendo, um erro crasso do primeiro-ministro inglês, é uma verdadeira caixa de Pandora. Por um lado, prova que os velhos ingleses - que a maioria votou pela saída da UE - e em nome do seu conservadorismo, estão nas tintas para o futuro (viabilidade) do seu país. E, por outro, é a oportunidade que faltava para que a Escócia se torne num Estado Nação de pleno direito, como se tornou na ponte que faltava para a "reunificação" irlandesa.


O futuro é uma incógnita mas seguramente que vai ser divertido de seguir "os dias seguintes"!


 






 




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Bye bye... and now?


 Como será agora?

Bye bye... and now?


 Como será agora?

Um chá e (sobretudo) o post-Brexit...


Acabo de conversar com uma amiga galesa que reside na zona das Caldas da Rainha, e que é naturalmente pela permanência dos britânicos na União Europeia. E, o que eles tem nas suas mãos, i.e, o resultado do referendo de hoje, é duplamente importante.


É importante para a União Europeia e é sobretudo importante para eles. Caso a sondagem seja fiável, e tenha lugar a vitória do "Remain" ("Permanecer") com cerca de 52% dos sufrágios, o futuro dos ilhéus é sombrio.


A Sylvia argumenta: “António, com o país dividido ao meio, não será isto o prenuncio de uma guerra civil?” Sim, ela tem razão. O resultado é assustador. Porém, e a meu ver, um ponto de vista com o qual ela concordou absolutamente, este resultado só interessa aos ingleses. Este é um problema de Londres, já que os demais estados que compõe o Reino Unido – e com a Escócia à cabeça – pretendem a manutenção, e num outro patamar a sua própria independência, levando ao fim desta união secular. Seja como for, mesmo não sendo bruxo nem adivinho, não é difícil imaginar como “serão os dias de amanhã” no reino de Sua Majestade. Estes serão seguramente interessantes de serem seguidos. Diria entusiasticamente seguidos. Até porque uma provável secessão é um incentivo a que outros estados europeus sigam as mesma peugadas, ou seja, levando porventura a algo que há muito defendo: uma "Europa de Cidadãos"!

Um chá e (sobretudo) o post-Brexit...


Acabo de conversar com uma amiga galesa que reside na zona das Caldas da Rainha, e que é naturalmente pela permanência dos britânicos na União Europeia. E, o que eles tem nas suas mãos, i.e, o resultado do referendo de hoje, é duplamente importante.


É importante para a União Europeia e é sobretudo importante para eles. Caso a sondagem seja fiável, e tenha lugar a vitória do "Remain" ("Permanecer") com cerca de 52% dos sufrágios, o futuro dos ilhéus é sombrio.


A Sylvia argumenta: “António, com o país dividido ao meio, não será isto o prenuncio de uma guerra civil?” Sim, ela tem razão. O resultado é assustador. Porém, e a meu ver, um ponto de vista com o qual ela concordou absolutamente, este resultado só interessa aos ingleses. Este é um problema de Londres, já que os demais estados que compõe o Reino Unido – e com a Escócia à cabeça – pretendem a manutenção, e num outro patamar a sua própria independência, levando ao fim desta união secular. Seja como for, mesmo não sendo bruxo nem adivinho, não é difícil imaginar como “serão os dias de amanhã” no reino de Sua Majestade. Estes serão seguramente interessantes de serem seguidos. Diria entusiasticamente seguidos. Até porque uma provável secessão é um incentivo a que outros estados europeus sigam as mesma peugadas, ou seja, levando porventura a algo que há muito defendo: uma "Europa de Cidadãos"!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Churchill’s Secret


Ontem vi em casa, emprestado por uma velha amiga inglesa, este filme. É um retrato intimo sobre a vida de um dos mais influentes políticos do século passado, Winston Churchill.


Neste filme, realizado este ano para televisão, tudo é perfeito.

Churchill’s Secret


Ontem vi em casa, emprestado por uma velha amiga inglesa, este filme. É um retrato intimo sobre a vida de um dos mais influentes políticos do século passado, Winston Churchill.


Neste filme, realizado este ano para televisão, tudo é perfeito.

Eis porque sou um personalista


"Importa, a todo custo, que façamos alguma coisa da nossa vida. Não o que os outros admiram, mas esse impulso que consiste em imprimir-lhe o Infinito."


Emmanuel Mounier


1905 -1950


 


 

Eis porque sou um personalista


"Importa, a todo custo, que façamos alguma coisa da nossa vida. Não o que os outros admiram, mas esse impulso que consiste em imprimir-lhe o Infinito."


Emmanuel Mounier


1905 -1950


 


 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Brexit, uma opinião.


 


 The farther backward you can look, the farther forward you will see*”


Winston Churchill


 


Seis dias nos separam do referendo do século. Os britânicos vão decidir pela manutenção ou não do Reino Unido na União Europeia. É uma história que se repete, já que nos idos anos 70 a questão já tinha sido colocada, tendo os “europeístas” ganho.


Agora o cenário parece ser diferente. Todas as sondagens sugerem uma vitória do não, e com isso a despedida dos ilhéus, ou seja, traduzindo num resultado indesejado, e que me faz recordar uma anedota: “Numa manhã de um típico nevoeiro, o marido vira-se para a mulher e diz-lhe: 'Amor, o Continente está isolado'”.


Seja qual for o resultado, mesmo que a manutenção seja vitoriosa, os britânicos fruto da sua situação geográfica – estratégica e política, e, a par, do seu 'conservadorismo militante', estarão sempre isolados. São uma carta do fora do baralho. Por outro lado, o que não deixa ser irónico, é preciso recordar que um dos grandes impulsionadores da integração europeia – deste 'milagre europeu' - foi Winston Churchill, para quem “só uma Europa unida poderia assegurar a paz.”, já que o objectivo era “eliminar definitivamente as 'doenças' europeias do nacionalismo e do belicismo.” No entanto, só bem mais tarde os ingleses ingressam na antiga CEE. Para Churchill, os problemas supra mencionados era um 'exclusivo' dos continentais. Dos dois confrontos europeus nenhum tinha sido patrocinado por Londres. Eram, portanto, uma realidade marginal: sejam eles, sejamos nós, havia sempre 'alguém isolado'!


Acontece que os tempos são outros. São tempos em que a dialéctica temporal / espacial não faz sentido. No contexto da actual globalização é um erro gigantesco – e muito em particular para eles – abandonarem o barco. As consequências vão ser gravíssimas Desde logo, a libra vai ser hiper-desvalorizada o que irá traduzir num acréscimo de situações do foro social há muito inimagináveis. A economia irá entrar num processo de recessão histórico. Por outro lado, seja nos organismos europeus seja um pouco pela Europa em geral, a vitória do não irá traduzir-se num 'retorno a casa' cujas consequências serão igualmente preocupantes, recordando a situação ocorrida com os nossos nacionais aquando da descolonização. Para a Europa haverão tem algumas consequências, e que a pior é a da sua reorganização perante um cenário pós-britânico, nomeadamente a nível funcional. Fica, também, a duvida se este resultado poderá alastrar-se – tipo 'virose' a outros estados-membros, o que seria particularmente preocupante.


Eu sou por natureza um idealista. Tenho no entanto os pés na terra, o que faz de mim um idealista que simultaneamente é realista. O cenário assusta-me. Porém, o cenário para eles será indefinidamente mais dramático do que para nós.


 


 P.S. - Quando nesse país alguém é capaz de matar uma pessoa por delito de opinião, isso explica muita coisa. E, para mim, pessoas dessas não interessam a ninguém!


 


“Quanto mais você olhar para trás, mais para frente você vai ver.”


 

Brexit, uma opinião.


 


 The farther backward you can look, the farther forward you will see*”


Winston Churchill


 


Seis dias nos separam do referendo do século. Os britânicos vão decidir pela manutenção ou não do Reino Unido na União Europeia. É uma história que se repete, já que nos idos anos 70 a questão já tinha sido colocada, tendo os “europeístas” ganho.


Agora o cenário parece ser diferente. Todas as sondagens sugerem uma vitória do não, e com isso a despedida dos ilhéus, ou seja, traduzindo num resultado indesejado, e que me faz recordar uma anedota: “Numa manhã de um típico nevoeiro, o marido vira-se para a mulher e diz-lhe: 'Amor, o Continente está isolado'”.


Seja qual for o resultado, mesmo que a manutenção seja vitoriosa, os britânicos fruto da sua situação geográfica – estratégica e política, e, a par, do seu 'conservadorismo militante', estarão sempre isolados. São uma carta do fora do baralho. Por outro lado, o que não deixa ser irónico, é preciso recordar que um dos grandes impulsionadores da integração europeia – deste 'milagre europeu' - foi Winston Churchill, para quem “só uma Europa unida poderia assegurar a paz.”, já que o objectivo era “eliminar definitivamente as 'doenças' europeias do nacionalismo e do belicismo.” No entanto, só bem mais tarde os ingleses ingressam na antiga CEE. Para Churchill, os problemas supra mencionados era um 'exclusivo' dos continentais. Dos dois confrontos europeus nenhum tinha sido patrocinado por Londres. Eram, portanto, uma realidade marginal: sejam eles, sejamos nós, havia sempre 'alguém isolado'!


Acontece que os tempos são outros. São tempos em que a dialéctica temporal / espacial não faz sentido. No contexto da actual globalização é um erro gigantesco – e muito em particular para eles – abandonarem o barco. As consequências vão ser gravíssimas Desde logo, a libra vai ser hiper-desvalorizada o que irá traduzir num acréscimo de situações do foro social há muito inimagináveis. A economia irá entrar num processo de recessão histórico. Por outro lado, seja nos organismos europeus seja um pouco pela Europa em geral, a vitória do não irá traduzir-se num 'retorno a casa' cujas consequências serão igualmente preocupantes, recordando a situação ocorrida com os nossos nacionais aquando da descolonização. Para a Europa haverão tem algumas consequências, e que a pior é a da sua reorganização perante um cenário pós-britânico, nomeadamente a nível funcional. Fica, também, a duvida se este resultado poderá alastrar-se – tipo 'virose' a outros estados-membros, o que seria particularmente preocupante.


Eu sou por natureza um idealista. Tenho no entanto os pés na terra, o que faz de mim um idealista que simultaneamente é realista. O cenário assusta-me. Porém, o cenário para eles será indefinidamente mais dramático do que para nós.


 


 P.S. - Quando nesse país alguém é capaz de matar uma pessoa por delito de opinião, isso explica muita coisa. E, para mim, pessoas dessas não interessam a ninguém!


 


“Quanto mais você olhar para trás, mais para frente você vai ver.”


 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Caixa Geral de Depósitos: A dialética de ser banco do Estado e concorrente dos privados


Não se perca muito tempo a tentar descobrir quem foram os "malandros" que geriram a CGD até este nível de prejuízos, de imparidades e de necessidades de capital. Ao contrário do que diz a senhora do Bloco de Esquerda o que levou a CGD até aqui é precisamente o ser um banco do Estado (e não a lógica privada na gestão da Caixa). O ser um banco público deu à Caixa uma missão muito concreta: dar o crédito à economia que os privados (na sua lógica de dar prioridade retorno ao accionista e como tal  apostar na rentabilidade) não puderam dar. 


Foi escrita uma Carta de Missão em 2013, que dizia que Caixa Geral de Depósitos era uma instituição imprescindível nesta nova fase do processo de ajustamento português. "A Caixa Geral de Depósitos pode – e deve – aspirar à posição de banco líder na concessão de crédito às pequenas e médias empresas (especialmente exportadoras); no fomento da atividade produtiva, em particular de bens e serviços transacionáveis; no apoio à internacionalização das empresas portuguesas". Quando os bancos privados estavam a retrair o crédito, a CGD estava a dá-lo porque tem uma missão. Era o banco de fomento do sistema. O resultado é este. 


Fala tudo muito do que não percebe. 


Em 2011, antes da intervenção da troika, Fernando Faria de Oliveira, então presidente da CGD, dizia isto: “Nos últimos três anos, a Caixa cumpriu cabalmente com as missões que lhe estão incumbidas, que são o financiamento da economia e estabilidade dos sistema financeiro”. Na conferência de apresentação de resultados de 2010 o banco, o responsável sublinhou que, nos últimos três anos, o crédito cresceu 20,9% e que “os resultados antes de impostos de 2010 são um terço dos de 2007".


Quando ninguém emprestava às empresas (2011, 2012, 2013), durante a crise financeira e depois durante a crise de dívida soberana, a CGD, por instruções do seu accionista, e por ser um banco público emprestava às empresas, e emprestava às PME e isso tinha um custo, na conta de resultados e no capital. A CGD concedia crédito às empresas com spreads mais baixos do que os bancos privados, mas financiava-se ao mesmo preço e isso degradou a margem financeira. Porque o fez? Porque ao ser um banco público era essa a sua missão.


Ora os bancos privados não seguem essa cartilha. O aumento do crédito é um objectivo dos bancos. Mas essa concessão de crédito não pode deixar de seguir critérios de avaliação do risco correctos e prudentes, sob pena de enfraquecerem os bancos, e os spreads reflectem o risco de crédito, não reflectem missões de apoio à economia.


A CGD por ser pública foi uma espécie de BCE da economia portuguesa antes do Plano Draghi vir ajudar à liquidez do sistema (quantitative easing começou no inicio de 2015).


Nunca se esqueçam disso. A Caixa está como está porque tem incumbências de banco público que custam caro.


P.S. Para além da actividade core a CGD serviu também durante anos como fundo soberano do Estado para a compra de participações em empresas estratégicas (whatever that means). Foi a golden share, e a blindagem de votos na gestão privada de empresas como por exemplo a PT. 


Durante anos a CGD era o banco que entrava no capital de uma empresa que o Estado queria condicionar os destinos. Isso é também uma vicissitude de ser um banco público e não o contrário.


Sei que hoje toda a gente tende a defender a CGD como banco do Estado, porque acredita que será a única maneira de ter um banco de grande dimensão no espaço europeu que convida às fusões e ao desaparecimento de bancos mais pequenos às escala europeia e menos rentáveis. Esse designio de que falou Nuno Amado, de haver um banco português de referência. Mas, será que ser do Estado garante esse estatuto à CGD? Não depende também ela das directizes de Bruxelas e Frankfurt?


 

Caixa Geral de Depósitos: A dialética de ser banco do Estado e concorrente dos privados


Não se perca muito tempo a tentar descobrir quem foram os "malandros" que geriram a CGD até este nível de prejuízos, de imparidades e de necessidades de capital. Ao contrário do que diz a senhora do Bloco de Esquerda o que levou a CGD até aqui é precisamente o ser um banco do Estado (e não a lógica privada na gestão da Caixa). O ser um banco público deu à Caixa uma missão muito concreta: dar o crédito à economia que os privados (na sua lógica de dar prioridade retorno ao accionista e como tal  apostar na rentabilidade) não puderam dar. 


Foi escrita uma Carta de Missão em 2013, que dizia que Caixa Geral de Depósitos era uma instituição imprescindível nesta nova fase do processo de ajustamento português. "A Caixa Geral de Depósitos pode – e deve – aspirar à posição de banco líder na concessão de crédito às pequenas e médias empresas (especialmente exportadoras); no fomento da atividade produtiva, em particular de bens e serviços transacionáveis; no apoio à internacionalização das empresas portuguesas". Quando os bancos privados estavam a retrair o crédito, a CGD estava a dá-lo porque tem uma missão. Era o banco de fomento do sistema. O resultado é este. 


Fala tudo muito do que não percebe. 


Em 2011, antes da intervenção da troika, Fernando Faria de Oliveira, então presidente da CGD, dizia isto: “Nos últimos três anos, a Caixa cumpriu cabalmente com as missões que lhe estão incumbidas, que são o financiamento da economia e estabilidade dos sistema financeiro”. Na conferência de apresentação de resultados de 2010 o banco, o responsável sublinhou que, nos últimos três anos, o crédito cresceu 20,9% e que “os resultados antes de impostos de 2010 são um terço dos de 2007".


Quando ninguém emprestava às empresas (2011, 2012, 2013), durante a crise financeira e depois durante a crise de dívida soberana, a CGD, por instruções do seu accionista, e por ser um banco público emprestava às empresas, e emprestava às PME e isso tinha um custo, na conta de resultados e no capital. A CGD concedia crédito às empresas com spreads mais baixos do que os bancos privados, mas financiava-se ao mesmo preço e isso degradou a margem financeira. Porque o fez? Porque ao ser um banco público era essa a sua missão.


Ora os bancos privados não seguem essa cartilha. O aumento do crédito é um objectivo dos bancos. Mas essa concessão de crédito não pode deixar de seguir critérios de avaliação do risco correctos e prudentes, sob pena de enfraquecerem os bancos, e os spreads reflectem o risco de crédito, não reflectem missões de apoio à economia.


A CGD por ser pública foi uma espécie de BCE da economia portuguesa antes do Plano Draghi vir ajudar à liquidez do sistema (quantitative easing começou no inicio de 2015).


Nunca se esqueçam disso. A Caixa está como está porque tem incumbências de banco público que custam caro.


P.S. Para além da actividade core a CGD serviu também durante anos como fundo soberano do Estado para a compra de participações em empresas estratégicas (whatever that means). Foi a golden share, e a blindagem de votos na gestão privada de empresas como por exemplo a PT. 


Durante anos a CGD era o banco que entrava no capital de uma empresa que o Estado queria condicionar os destinos. Isso é também uma vicissitude de ser um banco público e não o contrário.


Sei que hoje toda a gente tende a defender a CGD como banco do Estado, porque acredita que será a única maneira de ter um banco de grande dimensão no espaço europeu que convida às fusões e ao desaparecimento de bancos mais pequenos às escala europeia e menos rentáveis. Esse designio de que falou Nuno Amado, de haver um banco português de referência. Mas, será que ser do Estado garante esse estatuto à CGD? Não depende também ela das directizes de Bruxelas e Frankfurt?


 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Portugal, o campeão mundial das geringonças

Passarola.png


 


Desde Bartolomeu de Gusmão e a sua Passarola, passando pelo governo de António Costa e seus acólitos e terminado em Fernando Santos e na equipe que defrontou a Islândia no Europeu de França, Portugal é o campeão mundial das geringonças!

Portugal, o campeão mundial das geringonças

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Desde Bartolomeu de Gusmão e a sua Passarola, passando pelo governo de António Costa e seus acólitos e terminado em Fernando Santos e na equipe que defrontou a Islândia no Europeu de França, Portugal é o campeão mundial das geringonças!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A música ainda salva alguma coisa?

Claro que sim. Oiçam e vejam o concerto de  Antony & The Johnsons com a Metropole Orchestra e a resposta está dada!


 


A música ainda salva alguma coisa?

Claro que sim. Oiçam e vejam o concerto de  Antony & The Johnsons com a Metropole Orchestra e a resposta está dada!


 


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Marcelo, um discurso como só a elite pode fazer

10 de junho: Comemorações pela primeira vez em território espiritual de Portugal


Coitadas das elites: Sempre à frente nas decisões dificeis, sempre à frente a assumir as responsabilidades, são sempre as criticadas quando tudo corre mal, e nunca as elogiadas quando tudo corre bem.


O Presidente da República disse hoje no discurso do 10 de Junho que: 


"O povo sempre a lutar por Portugal mesmo que algumas elites, ou melhor, as que como tal se julgavam, nos falharam. Em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, de altas contemplações deslumbradas, ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos", disse Marcelo, lançando assim uma farpa às elites criadas pela História.


Nos momentos de crise é "sempre o povo que assume o papel determinante". Depois de uma exposição histórica sobre o papel do povo ao longo da construção do país, eis que Marcelo elogiou a capacidade dos portugueses para aguentar "sacrifícios" em momentos de crise. "Foi o povo quem, nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo". 


Este é um discurso que só a elite pode fazer, é um pensamento/sentimento que só a elite pode ter. Penso que Marcelo Rebelo de Sousa sabe isso.


"Amo aqueles que se envergonham quando os dados lhes são favoráveis", cito de memória, escreveu um dia William Blake 


A elite é aquela que se envergonha quando os dados lhe são favoráveis. E nesse aspecto são pessoas de uma enorme grandiosidade e nobreza, e essa grandiosidade é essencial para a humanidade. Porque a contagia.


Por muito que se critique as elites [já lá iremos] elas são louváveis, e são o motor do mundo. 


Pode dizer-se, e eu concordo, que as elites são fracas porque são elites numa coisa, mas não o são em tudo. O nível cultural das elites (nomeadamente das portuguesas) é lamentável e isso afasta as elites daquilo que deveriam ser. A cultura é a única receita contra pensamento único, é a única arma contra a propaganda, é a única forma de se pensar pela própria cabeça mesmo quando se unem exércitos contra nós. Porque os movimentos de massa são poderosos, mesmo quando são movidos por ideias "estúpidas". A cultura e a inteligência são fundamentais para saber que caminho traçar, para se ser imune à alienação colectiva, para saber reconhecer os preconceitos e ultrapassá-los com o coração. Para isso é  preciso uma enorme dose de bondade. A sabedoria aliada à bondade é também um traço da elite.


Os preconceitos estão em todos os lados, não só na elites. Mas a elites têm de ter essa capacidade para os renegar, para os derrubar. Se o fizer outros se seguirão e o povo será melhor.


 


 


 

Marcelo, um discurso como só a elite pode fazer

10 de junho: Comemorações pela primeira vez em território espiritual de Portugal


Coitadas das elites: Sempre à frente nas decisões dificeis, sempre à frente a assumir as responsabilidades, são sempre as criticadas quando tudo corre mal, e nunca as elogiadas quando tudo corre bem.


O Presidente da República disse hoje no discurso do 10 de Junho que: 


"O povo sempre a lutar por Portugal mesmo que algumas elites, ou melhor, as que como tal se julgavam, nos falharam. Em troca de prebendas vantajosas, de títulos pomposos, de altas contemplações deslumbradas, ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e decidir com visão e sem preconceitos", disse Marcelo, lançando assim uma farpa às elites criadas pela História.


Nos momentos de crise é "sempre o povo que assume o papel determinante". Depois de uma exposição histórica sobre o papel do povo ao longo da construção do país, eis que Marcelo elogiou a capacidade dos portugueses para aguentar "sacrifícios" em momentos de crise. "Foi o povo quem, nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo". 


Este é um discurso que só a elite pode fazer, é um pensamento/sentimento que só a elite pode ter. Penso que Marcelo Rebelo de Sousa sabe isso.


"Amo aqueles que se envergonham quando os dados lhes são favoráveis", cito de memória, escreveu um dia William Blake 


A elite é aquela que se envergonha quando os dados lhe são favoráveis. E nesse aspecto são pessoas de uma enorme grandiosidade e nobreza, e essa grandiosidade é essencial para a humanidade. Porque a contagia.


Por muito que se critique as elites [já lá iremos] elas são louváveis, e são o motor do mundo. 


Pode dizer-se, e eu concordo, que as elites são fracas porque são elites numa coisa, mas não o são em tudo. O nível cultural das elites (nomeadamente das portuguesas) é lamentável e isso afasta as elites daquilo que deveriam ser. A cultura é a única receita contra pensamento único, é a única arma contra a propaganda, é a única forma de se pensar pela própria cabeça mesmo quando se unem exércitos contra nós. Porque os movimentos de massa são poderosos, mesmo quando são movidos por ideias "estúpidas". A cultura e a inteligência são fundamentais para saber que caminho traçar, para se ser imune à alienação colectiva, para saber reconhecer os preconceitos e ultrapassá-los com o coração. Para isso é  preciso uma enorme dose de bondade. A sabedoria aliada à bondade é também um traço da elite.


Os preconceitos estão em todos os lados, não só na elites. Mas a elites têm de ter essa capacidade para os renegar, para os derrubar. Se o fizer outros se seguirão e o povo será melhor.


 


 


 

Viva

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Viva

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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Queen of the Desert

"Querida, não assustes os rapazes com a tua inteligência."
- "Não vou fingir que sou burra!"
- "Claro que não. Sorri só quando eles falarem".



 

Queen of the Desert

"Querida, não assustes os rapazes com a tua inteligência."
- "Não vou fingir que sou burra!"
- "Claro que não. Sorri só quando eles falarem".



 

Quanto custa à CGD ser igual ao resto do sistema bancário?

Eis os salários mensais dos presidentes executivos dos bancos concorrentes:


 


 


 


 


IMG_5657.JPG


 


A média simples dá 31,1 mil euros, será este o ordenado do novo Presidente da CGD?


P.S. Actualmente José de Matos ganha pouco mais de 16 mil euros por mês


P.S Será que isto são números brutos ou líquidos?


P.S.O Nuno Amado "ganha mal" (comparando) :)


 

Quanto custa à CGD ser igual ao resto do sistema bancário?

Eis os salários mensais dos presidentes executivos dos bancos concorrentes:


 


 


 


 


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A média simples dá 31,1 mil euros, será este o ordenado do novo Presidente da CGD?


P.S. Actualmente José de Matos ganha pouco mais de 16 mil euros por mês


P.S Será que isto são números brutos ou líquidos?


P.S.O Nuno Amado "ganha mal" (comparando) :)


 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Caixa: Um Albergue Espanhol (O banco Too Big To Fail)

Caixa: Um Albergue Espanhol (O banco Too Big To Fail)

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Este equívoco da modernidade


Eu sei que corro o risco de ser apelidada de "old fashion woman", mas alguém me consegue explicar o que leva um partido a achar que as pessoas podem inventar a sua própria natureza, contrariando a realidade natural, para mudar de sexo (mudar de sexo?! Mas o sexo não é escolha nossa, assim como a raça, ou a altura, por exemplo)? Porque carga de água é que alguém com menos de 18 anos tem maturidade para ir contra a sua natureza real, em nome de um realidade mental, e não tem maturidade para ser forcado, ou para ser alpinista, ou para jogar rugby?


É violenta a corrida de toiros? É violento para o toiro e para o toureiro? Até pode ser,. Mas por acaso há mais violento do que mudar a natureza? Nada é mais violento do que isso.


 


 


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Este equívoco da modernidade


Eu sei que corro o risco de ser apelidada de "old fashion woman", mas alguém me consegue explicar o que leva um partido a achar que as pessoas podem inventar a sua própria natureza, contrariando a realidade natural, para mudar de sexo (mudar de sexo?! Mas o sexo não é escolha nossa, assim como a raça, ou a altura, por exemplo)? Porque carga de água é que alguém com menos de 18 anos tem maturidade para ir contra a sua natureza real, em nome de um realidade mental, e não tem maturidade para ser forcado, ou para ser alpinista, ou para jogar rugby?


É violenta a corrida de toiros? É violento para o toiro e para o toureiro? Até pode ser,. Mas por acaso há mais violento do que mudar a natureza? Nada é mais violento do que isso.


 


 


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A importância de se chamar Eva


No início do debate quinzenal desta manhã, António Costa queria provar que Pedro Passos Coelho fez Portugal regredir enquanto chefiou o Governo e para o demonstrar, recorreu a uma notícia do Negócios de 2011. "Vamos ver se nos entendemos. Vou ao Jornal de Negócios de 25 de Outubro de 2011", ler "uma peça assinada por uma insuspeita jornalista que depois foi sua assessora, Eva Gaspar, que diz ‘Só vamos sair desta situação empobrecendo’".


Só que, e o diabo está nos detalhes, o Primeiro-Ministro enganou-se, confundiu a Eva Gaspar com a Eva Cabral.


Pedro Passos Coelho não se fez esperar e explicou que a sua assessora se chamava Eva Cabral, ela própria ex-jornalista, sim, mas do Diário de Notícias, onde era jornalista parlamentar. "Não é Eva Gaspar: gostaria que a Eva Cabral, que foi minha assessora de facto, pudesse ser convenientemente citada para futuro, se for caso disso", disse Pedro Passos Coelho em tom jocoso. 


São tudo Evas!


 

A importância de se chamar Eva


No início do debate quinzenal desta manhã, António Costa queria provar que Pedro Passos Coelho fez Portugal regredir enquanto chefiou o Governo e para o demonstrar, recorreu a uma notícia do Negócios de 2011. "Vamos ver se nos entendemos. Vou ao Jornal de Negócios de 25 de Outubro de 2011", ler "uma peça assinada por uma insuspeita jornalista que depois foi sua assessora, Eva Gaspar, que diz ‘Só vamos sair desta situação empobrecendo’".


Só que, e o diabo está nos detalhes, o Primeiro-Ministro enganou-se, confundiu a Eva Gaspar com a Eva Cabral.


Pedro Passos Coelho não se fez esperar e explicou que a sua assessora se chamava Eva Cabral, ela própria ex-jornalista, sim, mas do Diário de Notícias, onde era jornalista parlamentar. "Não é Eva Gaspar: gostaria que a Eva Cabral, que foi minha assessora de facto, pudesse ser convenientemente citada para futuro, se for caso disso", disse Pedro Passos Coelho em tom jocoso. 


São tudo Evas!