segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Quem paga o papel comercial (dívida) de empresas falidas aos lesados do BES?

lesados foto do sol.png


Se até agora os clientes dos bancos do Grupo Espírito Santo não recuperam o dinheiro que aplicaram em dívida das empresas do Grupo Espírito Santo que entraram em insolvência e liquidação, foi porque alguém tem de pagar o que o Grupo Espírito Santo por má gestão, imprudência e irresponsabilidade não pagou.


Não restam dúvidas que estes clientes foram enganados, mesmo os que sabiam estar a subscrever papel comercial da Rioforte, ESFG, ou ESI, tinham a segurança que acompanhava o nome Espirito Santo. Afinal a credibilidade do grupo era um embuste.


António Costa fez dos lesados do BES um cavalo de batalha política. E isso foi o que de melhor pode acontecer a estes clientes.


Reparem que numa altura em que a legislação chama ao resgate dos bancos os obrigacionistas, accionistas e depositantes acima de 100 mil euros, esta solução é um bilhete premiado da lotaria.


Recordo ainda que António Costa era já primeiro ministro quando foi feita a Resolução do Banif que criou lesados, clientes que tinham comprado obrigações do Banif e mesmo acções do banco. E se no BES foram enganados pela credibilidade que parecia oferecer o nome Espírito Santo no Banif, intervencionado pelo Estado em 2012, e por essa via maioritariamente detido por ele, os clientes foram ao engodo da credibilidade que o Estado oferece.


António Costa anunciou hoje a solução para pagar aos lesados do BES, e disse que essa solução (desenhada pelo grupo de trabalho que juntou os reguladores e representantes dos "lesados" e ainda o seu representante Diogo Lacerda Machado), "não isenta de pagar quem tem obrigação de pagar", ainda que não tenha explicado como. Vamos tentar perceber:


A compensação financeira dos lesados do BES será feita através de empréstimo comercial a um veículo que pagará até 75% do capital investido no prazo de dois anos. O financiamento será garantido pelo Estado e terá contra-garantias do Fundo de Resolução para anular eventuais custos para os contribuintes. Caso todos os lesados adiram à solução o veículo, o Fundo de Indemnização, que deverá financiar a solução para os lesados do papel comercial do GES, receberá 286 milhões de euros de um empréstimo comercial.


O valor será reembolsado por aplicação e não por cliente (há aplicações que têm mais do que um titular) e os clientes que aceitarem a solução irão ceder os direitos judiciais dos processos já colocados em tribunal contra entidades e administradores ligados ao GES, ao novo veículo (fundo) que assumirá depois a litigância desses processos na Justiça e receberá eventuais compensações decididas pelos tribunais.


Mas é preciso não esquecer que estes créditos judiciais são créditos subordinados pelo que não são os primeiros a receber a massa falida.


Os lesados que aceitarem a solução proposta terão de comprometer-se ainda a renunciar a reclamações e processos judiciais contra uma série de entidades: Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Fundo de Resolução, Estado, o Novo Banco e o seu futuro comprador.


A primeira parcela será de 30% do valor estipulado e será paga entre março e junho de 2017, a segunda em 2018 e a terceira em 2019. No modelo fixado, os lesados vão assim poder recuperar até 75% do capital investido até 500 mil euros, com um valor máximo estipulado de 250 mil euros.


Primeira questão por responder: Quem paga aos lesados do BES?


Se não são os contribuintes e se o veículo recebe um empréstimo bancário garantido pelo Estado e contra-garantido pelo Fundo de Resolução, isto é apenas a origem transitória dos fundos.


Quem paga? Os alvos da litigância. Mas que litigância? Qual é o grau de sucesso dessas litigâncias? Mas essas litigâncias em parte não são contra o BES mau? Vai o Fundo de Resolução dono do BES bom (Novo Banco) litigar contra o BES mau?


Por outro lado se a litigância for contra os gestores do BES a probabilidade de sucesso na recuperação dos fundos é mínima porque não são propriamente ricos, e dificilmente poderão suportar esses milhões. Portanto quem vai pagar é o BES mau, o resto que não é pago é o fundo de indemnização que assume o custo, e como o empréstimo é garantido pelo Estado é este que tem de pagar e no fim da linha está o Fundo de Resolução que contra-garante o Estado. Ou seja, quem vai pagar isto são os bancos. Incluindo a CGD, que é do Estado.


Quem ganha com esta solução?


Os lesados do papel comercial do GES porque recebem uma parte significativa do seu investimento perdido em empresas insolventes e em liquidação. O Novo Banco; o futuro dono do Novo Banco; a CMVM e o Banco de Portugal. E os advogados que vão ter litigâncias que nunca mais acabam.


Quem perde?


Os bancos; os gestores do BES, BEST e BES Açores; e o BES mau. E ainda vamos ver se as contas públicas não vão ser afectadas.

Quem paga o papel comercial (dívida) de empresas falidas aos lesados do BES?

lesados foto do sol.png


Se até agora os clientes dos bancos do Grupo Espírito Santo não recuperam o dinheiro que aplicaram em dívida das empresas do Grupo Espírito Santo que entraram em insolvência e liquidação, foi porque alguém tem de pagar o que o Grupo Espírito Santo por má gestão, imprudência e irresponsabilidade não pagou.


Não restam dúvidas que estes clientes foram enganados, mesmo os que sabiam estar a subscrever papel comercial da Rioforte, ESFG, ou ESI, tinham a segurança que acompanhava o nome Espirito Santo. Afinal a credibilidade do grupo era um embuste.


António Costa fez dos lesados do BES um cavalo de batalha política. E isso foi o que de melhor pode acontecer a estes clientes.


Reparem que numa altura em que a legislação chama ao resgate dos bancos os obrigacionistas, accionistas e depositantes acima de 100 mil euros, esta solução é um bilhete premiado da lotaria.


Recordo ainda que António Costa era já primeiro ministro quando foi feita a Resolução do Banif que criou lesados, clientes que tinham comprado obrigações do Banif e mesmo acções do banco. E se no BES foram enganados pela credibilidade que parecia oferecer o nome Espírito Santo no Banif, intervencionado pelo Estado em 2012, e por essa via maioritariamente detido por ele, os clientes foram ao engodo da credibilidade que o Estado oferece.


António Costa anunciou hoje a solução para pagar aos lesados do BES, e disse que essa solução (desenhada pelo grupo de trabalho que juntou os reguladores e representantes dos "lesados" e ainda o seu representante Diogo Lacerda Machado), "não isenta de pagar quem tem obrigação de pagar", ainda que não tenha explicado como. Vamos tentar perceber:


A compensação financeira dos lesados do BES será feita através de empréstimo comercial a um veículo que pagará até 75% do capital investido no prazo de dois anos. O financiamento será garantido pelo Estado e terá contra-garantias do Fundo de Resolução para anular eventuais custos para os contribuintes. Caso todos os lesados adiram à solução o veículo, o Fundo de Indemnização, que deverá financiar a solução para os lesados do papel comercial do GES, receberá 286 milhões de euros de um empréstimo comercial.


O valor será reembolsado por aplicação e não por cliente (há aplicações que têm mais do que um titular) e os clientes que aceitarem a solução irão ceder os direitos judiciais dos processos já colocados em tribunal contra entidades e administradores ligados ao GES, ao novo veículo (fundo) que assumirá depois a litigância desses processos na Justiça e receberá eventuais compensações decididas pelos tribunais.


Mas é preciso não esquecer que estes créditos judiciais são créditos subordinados pelo que não são os primeiros a receber a massa falida.


Os lesados que aceitarem a solução proposta terão de comprometer-se ainda a renunciar a reclamações e processos judiciais contra uma série de entidades: Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Fundo de Resolução, Estado, o Novo Banco e o seu futuro comprador.


A primeira parcela será de 30% do valor estipulado e será paga entre março e junho de 2017, a segunda em 2018 e a terceira em 2019. No modelo fixado, os lesados vão assim poder recuperar até 75% do capital investido até 500 mil euros, com um valor máximo estipulado de 250 mil euros.


Primeira questão por responder: Quem paga aos lesados do BES?


Se não são os contribuintes e se o veículo recebe um empréstimo bancário garantido pelo Estado e contra-garantido pelo Fundo de Resolução, isto é apenas a origem transitória dos fundos.


Quem paga? Os alvos da litigância. Mas que litigância? Qual é o grau de sucesso dessas litigâncias? Mas essas litigâncias em parte não são contra o BES mau? Vai o Fundo de Resolução dono do BES bom (Novo Banco) litigar contra o BES mau?


Por outro lado se a litigância for contra os gestores do BES a probabilidade de sucesso na recuperação dos fundos é mínima porque não são propriamente ricos, e dificilmente poderão suportar esses milhões. Portanto quem vai pagar é o BES mau, o resto que não é pago é o fundo de indemnização que assume o custo, e como o empréstimo é garantido pelo Estado é este que tem de pagar e no fim da linha está o Fundo de Resolução que contra-garante o Estado. Ou seja, quem vai pagar isto são os bancos. Incluindo a CGD, que é do Estado.


Quem ganha com esta solução?


Os lesados do papel comercial do GES porque recebem uma parte significativa do seu investimento perdido em empresas insolventes e em liquidação. O Novo Banco; o futuro dono do Novo Banco; a CMVM e o Banco de Portugal. E os advogados que vão ter litigâncias que nunca mais acabam.


Quem perde?


Os bancos; os gestores do BES, BEST e BES Açores; e o BES mau. E ainda vamos ver se as contas públicas não vão ser afectadas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Finalmente alguém sério explica o problema Governo/Tratado Europeu

Ricardo Pais Mamede disse hoje na RTP 3, no programa 360, que Portugal paga uns juros em torno do 3,4%. Temos condições de, com o crescimento económico observados, ir descendo os níveis de dívida pública ao longo dos anos? A resposta em termos abstratos é sim. Mas o problema é quanto tempo é que as taxas de juro na Europa se vão manter baixas. Há uma política de juros baixos na Europa, para permitir baixar o nível médio de taxa juro implícita na dívida pública. É preciso saber se a taxa de crescimento económico vai acelerar como parece ser a expectativa do primeiro-ministro ou se vai haver algum acidente de percurso? Em terceiro lugar é preciso ver se Portugal vai ser obrigado cumprir à letra o Tratado Orçamental, o que hoje não acontece. Se Portugal tiver cumprir, nomeadamente a regra que diz que todos os países têm de descer gradualmente a sua distância em relação ao limite dos 60% do PIB (no que se refere à dívida pública), e como no nosso caso a dívida é 130% do PIB temos de descer 70%, por exemplo ao ritmo de um vigésimo por ano, até aos 60%, a geringonça cai. Isso implica uma política orçamental que é completamente incompatível com a geringonça. No dia em que o BCE e a CE quiserem politicamente acabar com o Governo português tem os instrumentos para o fazer. A geringonça só é viável porque Bruxelas e Frankfurt querem. Por a geringonça ser um factor de estabilidade política, tem o apoio das instâncias europeias. Ricardo Pais Mamede não antevê maiorias absolutas para Costa. Vítor Bento diz que sendo a taxa de juro da dívida de 3,4%, e sendo o crescimento económico abaixo disso o Estado tem de ter superavit primário (despesa superior à receita descontando os juros). Esse diferencial tem de ser tanto maior quanto mais baixo for o crescimento.


Isto para que a dívida não suba. O primeiro critério de sustentabilidade é estabilizar a dívida. Para diminuir a dívida, o saldo primário tem de ser ainda maior. Essa é grande dificuldade.

Finalmente alguém sério explica o problema Governo/Tratado Europeu

Ricardo Pais Mamede disse hoje na RTP 3, no programa 360, que Portugal paga uns juros em torno do 3,4%. Temos condições de, com o crescimento económico observados, ir descendo os níveis de dívida pública ao longo dos anos? A resposta em termos abstratos é sim. Mas o problema é quanto tempo é que as taxas de juro na Europa se vão manter baixas. Há uma política de juros baixos na Europa, para permitir baixar o nível médio de taxa juro implícita na dívida pública. É preciso saber se a taxa de crescimento económico vai acelerar como parece ser a expectativa do primeiro-ministro ou se vai haver algum acidente de percurso? Em terceiro lugar é preciso ver se Portugal vai ser obrigado cumprir à letra o Tratado Orçamental, o que hoje não acontece. Se Portugal tiver cumprir, nomeadamente a regra que diz que todos os países têm de descer gradualmente a sua distância em relação ao limite dos 60% do PIB (no que se refere à dívida pública), e como no nosso caso a dívida é 130% do PIB temos de descer 70%, por exemplo ao ritmo de um vigésimo por ano, até aos 60%, a geringonça cai. Isso implica uma política orçamental que é completamente incompatível com a geringonça. No dia em que o BCE e a CE quiserem politicamente acabar com o Governo português tem os instrumentos para o fazer. A geringonça só é viável porque Bruxelas e Frankfurt querem. Por a geringonça ser um factor de estabilidade política, tem o apoio das instâncias europeias. Ricardo Pais Mamede não antevê maiorias absolutas para Costa. Vítor Bento diz que sendo a taxa de juro da dívida de 3,4%, e sendo o crescimento económico abaixo disso o Estado tem de ter superavit primário (despesa superior à receita descontando os juros). Esse diferencial tem de ser tanto maior quanto mais baixo for o crescimento.


Isto para que a dívida não suba. O primeiro critério de sustentabilidade é estabilizar a dívida. Para diminuir a dívida, o saldo primário tem de ser ainda maior. Essa é grande dificuldade.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Fidel visto por quem sabe de história (Pacheco Pereira)

Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo sobres morte do presidente cubano: "Fidel foi um revolucionário típico da América Latina que combateu a ditadura de Fulgêncio Baptista, em tudo semelhante a outras ditaduras da América Latina. Fulgêncio Baptista tinha apoio dos EUA, mas não era um apoio expressivo, e tinha apoio dos sindicatos, e do partido comunista. Mas depois, quando Fidel Castro chega ao poder começou a aproximar-se dos soviéticoso que origem à crise dos mísseis. Por exemplo é um dos primeiros, juntamente com o Cunhal, a apoiar a invasão  da Checoslováquia.


A revolução cubana chegou a ser vista de fora como  uma esperancia de uma via diferente de se fazer revolução. Mas tornou-se num regime soviético-pobre, vivia da economia da cana do açúcar, Era uma ditadura de partido único.  


Agora não se pode pôr tudo no mesmo saco, o Salazar, Pinochet, Hitler, o Staline, o fidel, não  são  todas iguais e sobretudo  não  podem ser medidas pelo  número de mortos. Se for assim o maior número é o Estaline, seguido do Hitler"

Fidel visto por quem sabe de história (Pacheco Pereira)

Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo sobres morte do presidente cubano: "Fidel foi um revolucionário típico da América Latina que combateu a ditadura de Fulgêncio Baptista, em tudo semelhante a outras ditaduras da América Latina. Fulgêncio Baptista tinha apoio dos EUA, mas não era um apoio expressivo, e tinha apoio dos sindicatos, e do partido comunista. Mas depois, quando Fidel Castro chega ao poder começou a aproximar-se dos soviéticoso que origem à crise dos mísseis. Por exemplo é um dos primeiros, juntamente com o Cunhal, a apoiar a invasão  da Checoslováquia.


A revolução cubana chegou a ser vista de fora como  uma esperancia de uma via diferente de se fazer revolução. Mas tornou-se num regime soviético-pobre, vivia da economia da cana do açúcar, Era uma ditadura de partido único.  


Agora não se pode pôr tudo no mesmo saco, o Salazar, Pinochet, Hitler, o Staline, o fidel, não  são  todas iguais e sobretudo  não  podem ser medidas pelo  número de mortos. Se for assim o maior número é o Estaline, seguido do Hitler"

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel, um mito empolado pela História


 


Morreu o homem que mandou Che Guevara para a morte. Fidel Castro era o último reduto de uma época de revolucionários ideológicos. Época romântica da história, que oscilava entre revolucionários e reaccionários como o também emblemático Pinochet. Todos ditadores e no seu tempo sanguinários, mas como diria o Milan Kundera: O tempo ilumina tudo com o encanto da nostalgia, mesmo a guilhotina.


Nota para a reacção de Trump, directa e sem rodeios: Fidel Castro foi um “ditador brutal”.


Fidel Castro deixou Cuba pobre em nome da filosofia anti-capitalista. Isso é inegável. 


Estive em Cuba em 2007 e lembro-me de ver escrito nas paredes "Aqui no queremos Amos"! Era a expressão máxima anti-burguesa que Cuba proclamava. Mas Fidel,  como bom comunista que se preze,  sempre gostou de mulheres burguesas. Isso é aliás intemporal e transversal a toda a esquerda. Dizem que teve 35 mil mulheres. Lá virilidade não lhe faltou (ao menos isso teve de bom).


Fidel tem a marca dos lideres que lutavam por aquilo em que acreditavam, por isso é tão  emblemático.


Mas quando se compara a forma como a História tratou Pinochet com a forma como está a tratar Fidel Castro é impossível não questionar os valores que regem a humanidade nos tempos que correm. Cuba é um país pobre, ao contrário do Chile que é um país rico, fruto de um dItador de direita a quem a História condenou, ao contrário do que acontece com Fidel Castro que a História tende a tornar um mito.

Fidel, um mito empolado pela História


 


Morreu o homem que mandou Che Guevara para a morte. Fidel Castro era o último reduto de uma época de revolucionários ideológicos. Época romântica da história, que oscilava entre revolucionários e reaccionários como o também emblemático Pinochet. Todos ditadores e no seu tempo sanguinários, mas como diria o Milan Kundera: O tempo ilumina tudo com o encanto da nostalgia, mesmo a guilhotina.


Nota para a reacção de Trump, directa e sem rodeios: Fidel Castro foi um “ditador brutal”.


Fidel Castro deixou Cuba pobre em nome da filosofia anti-capitalista. Isso é inegável. 


Estive em Cuba em 2007 e lembro-me de ver escrito nas paredes "Aqui no queremos Amos"! Era a expressão máxima anti-burguesa que Cuba proclamava. Mas Fidel,  como bom comunista que se preze,  sempre gostou de mulheres burguesas. Isso é aliás intemporal e transversal a toda a esquerda. Dizem que teve 35 mil mulheres. Lá virilidade não lhe faltou (ao menos isso teve de bom).


Fidel tem a marca dos lideres que lutavam por aquilo em que acreditavam, por isso é tão  emblemático.


Mas quando se compara a forma como a História tratou Pinochet com a forma como está a tratar Fidel Castro é impossível não questionar os valores que regem a humanidade nos tempos que correm. Cuba é um país pobre, ao contrário do Chile que é um país rico, fruto de um dItador de direita a quem a História condenou, ao contrário do que acontece com Fidel Castro que a História tende a tornar um mito.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Quem escolhe a banca como trunfo perde a mão

Os Governos sucedem-se e a banca aparece como o grande trunfo político e invariavelmente acaba numa batata quente. O melhor do governo anterior foi a forma como se portou, de forma exemplar, sem interferir, com o Banco de Portugal na escalada pela revelação das grandes falcatruas nas contas do GES. Mas no fim do dia acabou por ser acusado de ter provocado da queda do BES. Eu sei que se Passos Coelho tivesse cedido ao presidente do BES hoje a CGD estaria técnicamente falida. Mas isso que importa? O BES morreu com pesados custos e isso prevalece.


No Banif o Governo anterior não queria um novo BES e tentou até à última evitá-lo. Entretanto chega o novo Governo e uma notícia deu o mote que o novo Governo queria. Resolver o Banif e entregá-lo na sua parte boa ao Santander Totta, numa altura em que era possível culpar o Governo anterior. Mas lá está a oferta do banco ao Santander Totta que o Governo embandeira em arco é criticado em surdina. António Costa escolheu ser o arquiteto do edifício bancário e como manda a tradição a maldição vai se virar contra ele. A CGD e a escolha dos administradores topo de gama com condições à partida aceites, está a revelar-se um desastre. Isto até parecia uma boa notícia, depois de uma tentativa bem intencionada de ajudar o BPI a resolver a contenda com a acionista Isabel dos Santos. Ajudar o BPI a divorciar-se de Isabel dos Santos e o CaixaBank a ficar com a maioria do capital parecia mesmo um trunfo, mas até isso está a revelar-se um fracasso. Até ao momento o BPI ainda não conseguiu ser vendido ao CaixaBank, o banco português continua exposto excessivamente aos grandes riscos de Angola (voltou a ser adiada uma AG). Outro grande trunfo a CGD. Mas ainda não foi recapitalizada e só o será em 2017. Mas nem a administração está estabilizada, nem a recapitalização está feita. Outro trunfo que se prepara para apresentar é a venda do Novo Banco. Este ainda não foi vendido, mas já dois dos candidatos estão nesta altura com obstáculos a ajudar a resolver o problema. O BPI arrisca-se a não conseguir ter tempo de reforçar os capitais e de se libertar do BFA a tempo da venda do Novo Banco e até o BCP, que era outro trunfo do Governo, tem um novo problema: não consegue aumentar o capital porque a Sonangol não quer aumento de capital do banco sem que o BCE autorize o reforço no BCP até aos 30%

Quem escolhe a banca como trunfo perde a mão

Os Governos sucedem-se e a banca aparece como o grande trunfo político e invariavelmente acaba numa batata quente. O melhor do governo anterior foi a forma como se portou, de forma exemplar, sem interferir, com o Banco de Portugal na escalada pela revelação das grandes falcatruas nas contas do GES. Mas no fim do dia acabou por ser acusado de ter provocado da queda do BES. Eu sei que se Passos Coelho tivesse cedido ao presidente do BES hoje a CGD estaria técnicamente falida. Mas isso que importa? O BES morreu com pesados custos e isso prevalece.


No Banif o Governo anterior não queria um novo BES e tentou até à última evitá-lo. Entretanto chega o novo Governo e uma notícia deu o mote que o novo Governo queria. Resolver o Banif e entregá-lo na sua parte boa ao Santander Totta, numa altura em que era possível culpar o Governo anterior. Mas lá está a oferta do banco ao Santander Totta que o Governo embandeira em arco é criticado em surdina. António Costa escolheu ser o arquiteto do edifício bancário e como manda a tradição a maldição vai se virar contra ele. A CGD e a escolha dos administradores topo de gama com condições à partida aceites, está a revelar-se um desastre. Isto até parecia uma boa notícia, depois de uma tentativa bem intencionada de ajudar o BPI a resolver a contenda com a acionista Isabel dos Santos. Ajudar o BPI a divorciar-se de Isabel dos Santos e o CaixaBank a ficar com a maioria do capital parecia mesmo um trunfo, mas até isso está a revelar-se um fracasso. Até ao momento o BPI ainda não conseguiu ser vendido ao CaixaBank, o banco português continua exposto excessivamente aos grandes riscos de Angola (voltou a ser adiada uma AG). Outro grande trunfo a CGD. Mas ainda não foi recapitalizada e só o será em 2017. Mas nem a administração está estabilizada, nem a recapitalização está feita. Outro trunfo que se prepara para apresentar é a venda do Novo Banco. Este ainda não foi vendido, mas já dois dos candidatos estão nesta altura com obstáculos a ajudar a resolver o problema. O BPI arrisca-se a não conseguir ter tempo de reforçar os capitais e de se libertar do BFA a tempo da venda do Novo Banco e até o BCP, que era outro trunfo do Governo, tem um novo problema: não consegue aumentar o capital porque a Sonangol não quer aumento de capital do banco sem que o BCE autorize o reforço no BCP até aos 30%

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O passado, a história terão efeitos colaterais?


Um dia perguntaram a João Lobo Antunes, o conhecido neurologista recentemente desaparecido, o que era a inteligência? o conhecido médico terá dito que não sabia o isso era e que, no entanto, conhecia a falta dela.


Eu não sei se a estupidez é o antónimo de inteligência, nem tenho vocação para tanto. Sei que existem pessoas inteligentes, e o médico é um bom exemplo, e sei que há pessoas que são estúpidas. 


Os resultados das últimas eleições americanas, são por si só, um bom exemplo disto mesmo, porque não obstante o que escrevi aqui - e em particular na minha página do Facebook - reconheço inteligência (ou será apenas esperteza saloia?) na candidatura (o timming), durante a campanha eleitoral e na vitória de Donald Trump em contraponto com o insucesso eleitoral da candidata democrata.


O problema não é o erro, já que parte integral da nossa condição. Está, por um lado,  na sua perversão, como também, e principalmente, na sua presistência. Entre outros, Cícero, escreveu « is Cuiusvis errare: insipientis nullius nisi, in errore perseverare ».


Ora, quando sabemos que movimentos de cariz neonazi e extremistas pululam um pouco por todo lado, quando e à boleia do sucesso eleitoral de Trump lemos as anormalidade proferidas por um tal de Richard B. Spencer ao aclamar um perturbador "Hail Trump!", o caldo está entornado. Como é possível alguém apelar, entre outras coisas, a "uma limpeza étnica pacífica"?


Eu não sei o que é inteligência, nem estou particularmente preocupado com esta questão quase-metafísica. Porém, a estupidez generalizada arrepia-me! Ora, se um dia William Pfaff (1928 – 2015) escreveu que "é o passado que nos faz estar onde estamos", resta saber se a história torna ou pode seriamente tornar as pessoas estúpidas? Se sim... então que ela seja tomada como os medicamentos, com prescrição médica, já que os efeitos colaterais podem ser no mínimo fatais!




 


O passado, a história terão efeitos colaterais?


Um dia perguntaram a João Lobo Antunes, o conhecido neurologista recentemente desaparecido, o que era a inteligência? o conhecido médico terá dito que não sabia o isso era e que, no entanto, conhecia a falta dela.


Eu não sei se a estupidez é o antónimo de inteligência, nem tenho vocação para tanto. Sei que existem pessoas inteligentes, e o médico é um bom exemplo, e sei que há pessoas que são estúpidas. 


Os resultados das últimas eleições americanas, são por si só, um bom exemplo disto mesmo, porque não obstante o que escrevi aqui - e em particular na minha página do Facebook - reconheço inteligência (ou será apenas esperteza saloia?) na candidatura (o timming), durante a campanha eleitoral e na vitória de Donald Trump em contraponto com o insucesso eleitoral da candidata democrata.


O problema não é o erro, já que parte integral da nossa condição. Está, por um lado,  na sua perversão, como também, e principalmente, na sua presistência. Entre outros, Cícero, escreveu « is Cuiusvis errare: insipientis nullius nisi, in errore perseverare ».


Ora, quando sabemos que movimentos de cariz neonazi e extremistas pululam um pouco por todo lado, quando e à boleia do sucesso eleitoral de Trump lemos as anormalidade proferidas por um tal de Richard B. Spencer ao aclamar um perturbador "Hail Trump!", o caldo está entornado. Como é possível alguém apelar, entre outras coisas, a "uma limpeza étnica pacífica"?


Eu não sei o que é inteligência, nem estou particularmente preocupado com esta questão quase-metafísica. Porém, a estupidez generalizada arrepia-me! Ora, se um dia William Pfaff (1928 – 2015) escreveu que "é o passado que nos faz estar onde estamos", resta saber se a história torna ou pode seriamente tornar as pessoas estúpidas? Se sim... então que ela seja tomada como os medicamentos, com prescrição médica, já que os efeitos colaterais podem ser no mínimo fatais!




 


domingo, 13 de novembro de 2016

Câmara de Lisboa não sabe inglês

15073364_10211010684563824_3284933950460728435_n.j


 

Câmara de Lisboa não sabe inglês

15073364_10211010684563824_3284933950460728435_n.j


 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"I'm afraid of Americans" (e não só)


Com o desaparecimento Cohen já me tinha quase esquecido que ano culturalmente ficou musicalmente mais pobre com a morte de David Bowie logo na alvorada de 2016.


Hoje, navegando na net encontrei este tema  de 1997 que desconhecia, e o qual, à boleia dos resultados da passada terça-feira, parece ser actual. Porque os problemas, os nossos medos, ultrapassam e em muito a eleição de Donald Trump. Se os problemas do mundo fossem resolvidos com umas eleições, e onde não somos chamados a opinar, tudo estaria bem mais negro. O problema resulta, porém, no facto de sermos impotentes. E este é que é de facto o nosso maior pavor!






 





"I'm afraid of Americans" (e não só)


Com o desaparecimento Cohen já me tinha quase esquecido que ano culturalmente ficou musicalmente mais pobre com a morte de David Bowie logo na alvorada de 2016.


Hoje, navegando na net encontrei este tema  de 1997 que desconhecia, e o qual, à boleia dos resultados da passada terça-feira, parece ser actual. Porque os problemas, os nossos medos, ultrapassam e em muito a eleição de Donald Trump. Se os problemas do mundo fossem resolvidos com umas eleições, e onde não somos chamados a opinar, tudo estaria bem mais negro. O problema resulta, porém, no facto de sermos impotentes. E este é que é de facto o nosso maior pavor!






 





Um comentário tornado post

O problema da América é sistémico. Quem ganhou foi o modelo eleitoral, porque em votos a  menina Clinton foi vitoriosa. Ora, porém, isso não conta e dentro de quatro anos teremos ele, Trump, contra uma senhora de cor, Obama. E olhe que ela limpa-o bem  limpinho...
De facto, quem perdeu foi o partido Democrático. Foi um erro de palmatória! E nem preciso explicar porquê!


 


Escrito em resposta à boa análise que José Mendonça da Cruz escreveu no Corta-fitas.

Um comentário tornado post

O problema da América é sistémico. Quem ganhou foi o modelo eleitoral, porque em votos a  menina Clinton foi vitoriosa. Ora, porém, isso não conta e dentro de quatro anos teremos ele, Trump, contra uma senhora de cor, Obama. E olhe que ela limpa-o bem  limpinho...
De facto, quem perdeu foi o partido Democrático. Foi um erro de palmatória! E nem preciso explicar porquê!


 


Escrito em resposta à boa análise que José Mendonça da Cruz escreveu no Corta-fitas.

Morreu Leonard Cohen... sem o nobel da literatura


Não me canso da beleza destas músicas, e destas letras. Leonard Cohen o verdadeiro músico, cantor, compositor que é um autor, um poeta, um escritor. Morreu sem o nobel da literatura.


 


Poetic mind...

Morreu Leonard Cohen... sem o nobel da literatura


Não me canso da beleza destas músicas, e destas letras. Leonard Cohen o verdadeiro músico, cantor, compositor que é um autor, um poeta, um escritor. Morreu sem o nobel da literatura.


 


Poetic mind...

Escrito na pedra

"O amor não tem cura mas é o único remédio para todas as doenças."


Leonard Cohen


 



via GIPHY

Escrito na pedra

"O amor não tem cura mas é o único remédio para todas as doenças."


Leonard Cohen


 



via GIPHY

Os sacanas também morrem!

 



Ao contrário do Miguel Esteves Cardoso nunca privei com ele, em carne e osso. E, no entanto, ontem, na solidão de quem pinta, privei contigo e perguntava aos botões: quando é que os suecos farão justiça à tua lírica? Nunca! Não premeiam mortos mesmo quando eles, pelas memórias - e no teu caso as gravações, estão cada vez mais vivos!


Ontem, com o pincel em riste e repleto de tinta e ideias, ouvi, de fio e a pavio, ouvi a tua despedida: "You Want It Darker"! O que com naturalidade veio a ser o ponto final de uma carreira simplesmente brilhante!



O disco, repito, chama-se: You Want It Darker. Não, não é verdade! Porque se hoje a coisa está negra, isso passa. Basta ouvir-te, e o dia ficará imediatamente radiante, mesmo que as tuas letras sejam profundamente sombrias. 


O MEC chamou-te de sacana, logo só devo concluir que os sacanas também morrem!


Os sacanas também morrem!

 



Ao contrário do Miguel Esteves Cardoso nunca privei com ele, em carne e osso. E, no entanto, ontem, na solidão de quem pinta, privei contigo e perguntava aos botões: quando é que os suecos farão justiça à tua lírica? Nunca! Não premeiam mortos mesmo quando eles, pelas memórias - e no teu caso as gravações, estão cada vez mais vivos!


Ontem, com o pincel em riste e repleto de tinta e ideias, ouvi, de fio e a pavio, ouvi a tua despedida: "You Want It Darker"! O que com naturalidade veio a ser o ponto final de uma carreira simplesmente brilhante!



O disco, repito, chama-se: You Want It Darker. Não, não é verdade! Porque se hoje a coisa está negra, isso passa. Basta ouvir-te, e o dia ficará imediatamente radiante, mesmo que as tuas letras sejam profundamente sombrias. 


O MEC chamou-te de sacana, logo só devo concluir que os sacanas também morrem!


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A vitória do Trump revela que os eleitores não seguem o mainstream

Eu não sou norte-americana e como tal não me envolvi em campanhas como a maioria dos europeus. Acho este pânico que espalharam sobre o candidato republicano manifestamente exagerado. A história dirá quem tem razão. Mas uma lição há já a tirar desta história toda. Os norte-americanos não se deixam influenciar pela opinião dos jornais e dos opinion-makers. Nem pelo mainstream europeu. Os eleitores dos EUA pensam pela própria cabeça e votam naquilo que eles próprios avaliam. Nisso estão a anos luz dos europeus que pensam o que está na moda pensar.

A vitória do Trump revela que os eleitores não seguem o mainstream

Eu não sou norte-americana e como tal não me envolvi em campanhas como a maioria dos europeus. Acho este pânico que espalharam sobre o candidato republicano manifestamente exagerado. A história dirá quem tem razão. Mas uma lição há já a tirar desta história toda. Os norte-americanos não se deixam influenciar pela opinião dos jornais e dos opinion-makers. Nem pelo mainstream europeu. Os eleitores dos EUA pensam pela própria cabeça e votam naquilo que eles próprios avaliam. Nisso estão a anos luz dos europeus que pensam o que está na moda pensar.

Entre a comédia e a realidade...

Entre a comédia e a realidade...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

As favas estavam mal contadas.


Se há um povo que sou incapaz de o compreender é o norte-americano. Não o escrevo isto para justificar a minha surpresa e, admito, tristeza com a vitória de Donald Trump. Até porque a maioria dos dirigentes republicanos não se revêm na forma insólita - digamos assim - como magnata construi o seu percurso de vida. Porque tenho a esperança que o "natural" realismo que caracteriza os republicanos sirva de travão às loucuras do futuro presidente.


Por outro lado, e numa perspectiva mais local, ou seja, europeia, espero que este resultado seja a alavanca que há muito - diria desde de sempre - falta na construção europeia: de uma vez por todas seremos os senhores do leme, já que o mundo deixou de ser o que era. E nesse mundo andávamos invariavelmente a reboque de Washington! 


Há, finalmente, um dado que me torna um pouco contente com o resultado: a derrota da Senhora Clinton. Se é certo que (caso eu se eu fosse americano) teria votado nela, era um mal menor, eu nunca gostei dela. Era mais do mesmo. E os americanos provaram isso ao optarem por Trump em vez dela. E se o candidato democrata fosse também ele marcado pela rotura sistémica, como Bernie Sanders, será que Trump teria alguma hipótese? 


 


 

As favas estavam mal contadas.


Se há um povo que sou incapaz de o compreender é o norte-americano. Não o escrevo isto para justificar a minha surpresa e, admito, tristeza com a vitória de Donald Trump. Até porque a maioria dos dirigentes republicanos não se revêm na forma insólita - digamos assim - como magnata construi o seu percurso de vida. Porque tenho a esperança que o "natural" realismo que caracteriza os republicanos sirva de travão às loucuras do futuro presidente.


Por outro lado, e numa perspectiva mais local, ou seja, europeia, espero que este resultado seja a alavanca que há muito - diria desde de sempre - falta na construção europeia: de uma vez por todas seremos os senhores do leme, já que o mundo deixou de ser o que era. E nesse mundo andávamos invariavelmente a reboque de Washington! 


Há, finalmente, um dado que me torna um pouco contente com o resultado: a derrota da Senhora Clinton. Se é certo que (caso eu se eu fosse americano) teria votado nela, era um mal menor, eu nunca gostei dela. Era mais do mesmo. E os americanos provaram isso ao optarem por Trump em vez dela. E se o candidato democrata fosse também ele marcado pela rotura sistémica, como Bernie Sanders, será que Trump teria alguma hipótese? 


 


 

Resumo do caso CGD

Resumo do caso CGD: António Costa convida António Domingues para presidente da CGD. António Domingues convida outros para o acompanhar (entre eles Pedro Leitão, antigo administrador da PT, Ángel Corcostegui, antigo presidente do Banco Santander Central Hispano, e Herbert Walter, antigo presidente executivo do Dresdner Bank) que só aceitaram na condição de não serem públicos os seus patrimónios e rendimentos. António Costa aceitou o compromisso e tentou mantê-lo. Mas o assunto veio para a ribalta e António Costa foi o primeiro a demarcar-se do compromisso. Pôs o PS a defender a entrega da declaração. Deitou aos leões o Ministro das Finanças. No fim este vai ser o sacrificado e António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa saem em ombros.


 


P.S. Marques Mendes disse no comentário da SIC que tinha sido o Ministro das Finanças a comprometer-se com António Domingues. Acredito mesmo que Mário Centeno tenha prometido uma nova lei sem o consentimento do primeiro-Ministro. Mesmo. Acho que nem Luis Marques Mendes acredita, mas quis agradar às sua fontes...

Resumo do caso CGD

Resumo do caso CGD: António Costa convida António Domingues para presidente da CGD. António Domingues convida outros para o acompanhar (entre eles Pedro Leitão, antigo administrador da PT, Ángel Corcostegui, antigo presidente do Banco Santander Central Hispano, e Herbert Walter, antigo presidente executivo do Dresdner Bank) que só aceitaram na condição de não serem públicos os seus patrimónios e rendimentos. António Costa aceitou o compromisso e tentou mantê-lo. Mas o assunto veio para a ribalta e António Costa foi o primeiro a demarcar-se do compromisso. Pôs o PS a defender a entrega da declaração. Deitou aos leões o Ministro das Finanças. No fim este vai ser o sacrificado e António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa saem em ombros.


 


P.S. Marques Mendes disse no comentário da SIC que tinha sido o Ministro das Finanças a comprometer-se com António Domingues. Acredito mesmo que Mário Centeno tenha prometido uma nova lei sem o consentimento do primeiro-Ministro. Mesmo. Acho que nem Luis Marques Mendes acredita, mas quis agradar às sua fontes...

sábado, 5 de novembro de 2016

Porque é que a administração da CGD tem de apresentar a declaração de rendimentos?

Por uma simples razão. Porque é preciso saber-se qual o património à chegada à gestão de uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes, para comparar com o património à saída da função.
O resto é palha.
A CGD pode ter deixado de estar acorrentada às correntes do gestor público. Mas não deixou de ser uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes. Só por algum tipo de oportunismos se pode defender o contrário.
Em qualquer país civilizado os gestores de empresas com dinheiro do Estado declaram os rendimentos ao Tribunal Constitucional. Só nos países duvidosos, onde os governantes acabam sempre ricos, e a corrupção é tacitamente aceite é que não é assim.
Antonio Domingues é uma pessoa inteligente e de um enorme bom senso. Se não estivesse preso a um compromisso com as pessoas que convidou para o board da CGD concordaria comigo de certeza.
O problema é que não foi fácil convidar pessoas para aquele lugar, alguns deles estrangeiros, e comprometeu-se (com o aval do primeiro ministro) com uma garantia de discrição que não vai poder cumprir.

Porque é que a administração da CGD tem de apresentar a declaração de rendimentos?

Por uma simples razão. Porque é preciso saber-se qual o património à chegada à gestão de uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes, para comparar com o património à saída da função.
O resto é palha.
A CGD pode ter deixado de estar acorrentada às correntes do gestor público. Mas não deixou de ser uma empresa detida por dinheiro dos contribuintes. Só por algum tipo de oportunismos se pode defender o contrário.
Em qualquer país civilizado os gestores de empresas com dinheiro do Estado declaram os rendimentos ao Tribunal Constitucional. Só nos países duvidosos, onde os governantes acabam sempre ricos, e a corrupção é tacitamente aceite é que não é assim.
Antonio Domingues é uma pessoa inteligente e de um enorme bom senso. Se não estivesse preso a um compromisso com as pessoas que convidou para o board da CGD concordaria comigo de certeza.
O problema é que não foi fácil convidar pessoas para aquele lugar, alguns deles estrangeiros, e comprometeu-se (com o aval do primeiro ministro) com uma garantia de discrição que não vai poder cumprir.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Muito da vida depende da sorte, Match Point

"O homem que disse que preferia ter sorte a ter bondade, tinha uma grande intuição. Temos muita relutância em admitir que muito da vida depende da sorte. É assustador pensar que tanta coisa escapa ao nosso controlo!"


Woody Allen, Match Point

Muito da vida depende da sorte, Match Point

"O homem que disse que preferia ter sorte a ter bondade, tinha uma grande intuição. Temos muita relutância em admitir que muito da vida depende da sorte. É assustador pensar que tanta coisa escapa ao nosso controlo!"


Woody Allen, Match Point

Café Society, o regresso ao bom cinema de Woody Allen

Já vi e gostei muito. Woody Allen de regresso à qualidade dos bons velhos tempos.


Não digo mais, porque alguém já o fez tão bem que não deixa espaço para mais opiniões sobre o último fil do Woody Allen:
«Nem romântico nem cínico, Woody Allen é um realista pessimista. E por isso, “Café Society” é uma história amargamente realista de amores falhados e oportunidades perdidas e lamentadas no mais íntimo para o resto da vida, onde os protagonistas, mesmo separados por uma enorme distância, nunca deixaram de pensar um no outro. E quando se reencontram, ficam a meditar no que teriam sido as suas vidas se tivessem ficado juntos. É tristíssimo, é dilacerante, é empático, e Woody Allen faz passar tudo isto com a dose de gravidade exata, sem fungadelas melodramáticas nem enchimento de “pathos”».



 

Café Society, o regresso ao bom cinema de Woody Allen

Já vi e gostei muito. Woody Allen de regresso à qualidade dos bons velhos tempos.


Não digo mais, porque alguém já o fez tão bem que não deixa espaço para mais opiniões sobre o último fil do Woody Allen:
«Nem romântico nem cínico, Woody Allen é um realista pessimista. E por isso, “Café Society” é uma história amargamente realista de amores falhados e oportunidades perdidas e lamentadas no mais íntimo para o resto da vida, onde os protagonistas, mesmo separados por uma enorme distância, nunca deixaram de pensar um no outro. E quando se reencontram, ficam a meditar no que teriam sido as suas vidas se tivessem ficado juntos. É tristíssimo, é dilacerante, é empático, e Woody Allen faz passar tudo isto com a dose de gravidade exata, sem fungadelas melodramáticas nem enchimento de “pathos”».



 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O texto de despedida do Económico que nunca foi publicado (mais uma vez a paralisante indecisão dos donos)

Resultado de imagem para economico


O Económico chega ao fim. Este é talvez o texto mais difícil de escrever. Ficar para apagar as luzes tem um lado trágico e desolador.


O muito que se poderia dizer de um jornal que nasceu a 3 de Outubro de 1989, quando a economia e o mercado de capitais despontavam num país saído dos escombros das nacionalizações e a reentrar no admirável mundo novo da iniciativa privada, fica sempre aquém. O Económico atravessou as principais evoluções económicas do mercado português ao longo de 27 anos.


A coincidência da precisão de acabar no dia 4 de Outubro de 2016, precisamente um dia depois de completar os seus 27 anos, dá-lhe uma carga mais fatídica, e provavelmente mais memorável.


Uma marca líder, um jornal de referência, são coisas que não se constroem de um dia para o outro, o Diário Económico tinha um activo incomensurável, uma liderança como jornal de referência, consolidada ao longo de quase três décadas. 27 anos é uma vida. Uma vida que não foi possível salvar, apesar de todos os esforços.


Não foi possível salvar o Económico, apesar de todos os esforços dos que aqui trabalharam e deram o seu contributo para consolidar a liderança. É uma pena, é o mínimo que se pode dizer.


Pelo menos não faltou vontade de tentar salvar o Económico. Foi uma luta titânica até ao fim, mesmo quando já tinha o futuro traçado. O mínimo que se podia fazer era manter a dignidade de um grande jornal até ao fim. Por isso até hoje manteve actualidade e dinâmica informativa possível, dadas as circunstâncias. Um fim digno impunha-se. Ao menos isso foi conseguido.


Todas as pessoas são insubstituíveis (lamento contrariar o cliché) e todas as pessoas foram insubstituíveis no percurso de construção do Diário Económico e Semanário Económico que depois se desdobrou em Económico, versão digital. O Económico online era o último reduto de um jornal que foi líder de mercado praticamente até ao fim. A força da marca do Económico é irrepetível. Nenhum outro se lhe comparará.


A vida é composta de mudança e cada pessoa (todas elas sem excepção) que escreveram no  Económico, levam consigo uma marca de credibilidade inegável, a marca do profissionalismo de um jornal de referência. Levam consigo o nome Económico.


Vemo-nos por aí!


 


*Este texto era suposto estar publicado no site do Económico no dia 4 de Outubro. Mas mais uma vez o responsável pela empresa que gere o site paralisou na sua indecisão estrutural, e assim como me pediu o texto, também não o publicou. O Económico merecia uma explicação aos leitores que ainda lá vão ao site, mas teve azar com a gestão. Assim o site ficou entregue à sua sorte, naquele estado de abandono. Lamentável.


Agora encontram uma boa parte dos jornalistas do Económico no Jornal Económico.

O texto de despedida do Económico que nunca foi publicado (mais uma vez a paralisante indecisão dos donos)

Resultado de imagem para economico


O Económico chega ao fim. Este é talvez o texto mais difícil de escrever. Ficar para apagar as luzes tem um lado trágico e desolador.


O muito que se poderia dizer de um jornal que nasceu a 3 de Outubro de 1989, quando a economia e o mercado de capitais despontavam num país saído dos escombros das nacionalizações e a reentrar no admirável mundo novo da iniciativa privada, fica sempre aquém. O Económico atravessou as principais evoluções económicas do mercado português ao longo de 27 anos.


A coincidência da precisão de acabar no dia 4 de Outubro de 2016, precisamente um dia depois de completar os seus 27 anos, dá-lhe uma carga mais fatídica, e provavelmente mais memorável.


Uma marca líder, um jornal de referência, são coisas que não se constroem de um dia para o outro, o Diário Económico tinha um activo incomensurável, uma liderança como jornal de referência, consolidada ao longo de quase três décadas. 27 anos é uma vida. Uma vida que não foi possível salvar, apesar de todos os esforços.


Não foi possível salvar o Económico, apesar de todos os esforços dos que aqui trabalharam e deram o seu contributo para consolidar a liderança. É uma pena, é o mínimo que se pode dizer.


Pelo menos não faltou vontade de tentar salvar o Económico. Foi uma luta titânica até ao fim, mesmo quando já tinha o futuro traçado. O mínimo que se podia fazer era manter a dignidade de um grande jornal até ao fim. Por isso até hoje manteve actualidade e dinâmica informativa possível, dadas as circunstâncias. Um fim digno impunha-se. Ao menos isso foi conseguido.


Todas as pessoas são insubstituíveis (lamento contrariar o cliché) e todas as pessoas foram insubstituíveis no percurso de construção do Diário Económico e Semanário Económico que depois se desdobrou em Económico, versão digital. O Económico online era o último reduto de um jornal que foi líder de mercado praticamente até ao fim. A força da marca do Económico é irrepetível. Nenhum outro se lhe comparará.


A vida é composta de mudança e cada pessoa (todas elas sem excepção) que escreveram no  Económico, levam consigo uma marca de credibilidade inegável, a marca do profissionalismo de um jornal de referência. Levam consigo o nome Económico.


Vemo-nos por aí!


 


*Este texto era suposto estar publicado no site do Económico no dia 4 de Outubro. Mas mais uma vez o responsável pela empresa que gere o site paralisou na sua indecisão estrutural, e assim como me pediu o texto, também não o publicou. O Económico merecia uma explicação aos leitores que ainda lá vão ao site, mas teve azar com a gestão. Assim o site ficou entregue à sua sorte, naquele estado de abandono. Lamentável.


Agora encontram uma boa parte dos jornalistas do Económico no Jornal Económico.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Há as pessoas que têm fama de mau feito e os que o têm mesmo

Resultado de imagem para mau feitio


Há um hábito em Portugal, quando não se gosta de alguém difama-se (arma da cobardia), e se não se tem nada a dizer de concreto, diz-se logo "tem mau feitio". Há quem invente e espalhe famas mais bizarras e mais graves, ou apenas um: "é maluco (a)";  "é estranho (a)". "não é muito normal"; "tem um feitio complicado", "é insuportável", etc.


Normalmente as pessoas que têm famas muito bem espalhadas raramente correspondem ao que se dela se diz. Criam-se mitos, uns por ignorância, outros deliberadamente por motivos menores. Quando alguém incomoda, porque é melhor, mais inteligente, mais bonito, mais brilhante, trata-se logo de lhe arranjar um rótulo que o diminua. O mundo não aguenta o dom dos outros e em Portugal esta verdade é elevada ao expoente máximo. 


A quantidade de ódios sem motivo e sem aderência a factos que por aí pululam é o reflexo de uma sociedade insegura, que nunca se atreve a verificar por si e a pensar por si, e alinha em movimentos colectivos.


Eu, que sempre fui vista como uma pessoa com mau feitio, apesar de não o ter, bem pelo contrário, sempre encarei esse rótulo que me impunham como um pretexto. À falta de melhor...


Sei por isso que 90% das coisas que se diz sobre uma pessoa, e é espalhado para se assumir como verdade, é na verdade mentira. Deve ser por isso que tenho uma apetência especial para gostar de pessoas muito rotuladas. Tenho a certeza que alguma qualidade devem ter e que a maioria do que se diz é mais revelador de quem criou o rótulo do que quem é vítima dele.


Mas isto não é sobre mim, conheço de cor a boa desculpa, que pega quando é dita muitas vezes, muitas vezes ditas por pessoas que têm o defeito que apontam aos outros. Há sempre quem tenha a fama e outros que se escondem na fama dos outros.


Reparo isso agora no ex-primeiro ministro ou na ex-ministra das finanças. Levantam-se vozes, antes insuspeitas, a criticar, não sei bem o quê (normalmente não há motivos concretos nestes movimentos de massas), e com argumentos dos mais inacreditáveis, de tão falsos. Donde vem essa opinião tão uniforme sobre as pessoas? 


Desculpem-me mas nutro logo uma simpatia especial por pessoas que são vítimas de movimentos de opinião colectivos. Não consigo evitar.

Há as pessoas que têm fama de mau feito e os que o têm mesmo

Resultado de imagem para mau feitio


Há um hábito em Portugal, quando não se gosta de alguém difama-se (arma da cobardia), e se não se tem nada a dizer de concreto, diz-se logo "tem mau feitio". Há quem invente e espalhe famas mais bizarras e mais graves, ou apenas um: "é maluco (a)";  "é estranho (a)". "não é muito normal"; "tem um feitio complicado", "é insuportável", etc.


Normalmente as pessoas que têm famas muito bem espalhadas raramente correspondem ao que se dela se diz. Criam-se mitos, uns por ignorância, outros deliberadamente por motivos menores. Quando alguém incomoda, porque é melhor, mais inteligente, mais bonito, mais brilhante, trata-se logo de lhe arranjar um rótulo que o diminua. O mundo não aguenta o dom dos outros e em Portugal esta verdade é elevada ao expoente máximo. 


A quantidade de ódios sem motivo e sem aderência a factos que por aí pululam é o reflexo de uma sociedade insegura, que nunca se atreve a verificar por si e a pensar por si, e alinha em movimentos colectivos.


Eu, que sempre fui vista como uma pessoa com mau feitio, apesar de não o ter, bem pelo contrário, sempre encarei esse rótulo que me impunham como um pretexto. À falta de melhor...


Sei por isso que 90% das coisas que se diz sobre uma pessoa, e é espalhado para se assumir como verdade, é na verdade mentira. Deve ser por isso que tenho uma apetência especial para gostar de pessoas muito rotuladas. Tenho a certeza que alguma qualidade devem ter e que a maioria do que se diz é mais revelador de quem criou o rótulo do que quem é vítima dele.


Mas isto não é sobre mim, conheço de cor a boa desculpa, que pega quando é dita muitas vezes, muitas vezes ditas por pessoas que têm o defeito que apontam aos outros. Há sempre quem tenha a fama e outros que se escondem na fama dos outros.


Reparo isso agora no ex-primeiro ministro ou na ex-ministra das finanças. Levantam-se vozes, antes insuspeitas, a criticar, não sei bem o quê (normalmente não há motivos concretos nestes movimentos de massas), e com argumentos dos mais inacreditáveis, de tão falsos. Donde vem essa opinião tão uniforme sobre as pessoas? 


Desculpem-me mas nutro logo uma simpatia especial por pessoas que são vítimas de movimentos de opinião colectivos. Não consigo evitar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Rocha Andrade queria perdoar a Galp. Mas as Finanças não deixam

"É o perdão Galp!", diz o CDS. Rocha Andrade confirmou no Parlamento que a petrolífera, que não pagou mais de 100 milhões ao fisco, com quem o fisco mantém um litígio, pode recorrer ao perdão anunciado pelo Governo.


A pergunta foi feita por Cecília Meireles, do CDS: a Galp poderá beneficiar do perdão fiscal anunciado esta quinta-feira pelo Governo? Do outro lado, na comissão parlamentar de Finanças, estava Fernando Rocha Andrade, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que em agosto foi a Paris ver a seleção nacional, no Euro, a convite e pago pela Galp.


Rocha Andrade respondeu: sim, a Galp também pode recorrer a este instrumento de regularização de dívidas. "Então já tem nome: é o perdão Galp!", exclamou de imediato Pedro Mota Soares, do CDS.


A resposta de Rocha Andrade não foi assim tão directa, mas a conclusão é essa. O secretário de Estado argumentou que não pode "divulgar dados relativos a um contribuinte" e assegurou "não fazer ideia quanto aos pormenores" das dívidas da Galp. Mesmo sem saber se a Galp estava litigar e se fez ou não previamente o pagamento do valor em causa. Mas o perdão fiscal anunciado esta quinta-feira aplica-se "à dívida em execução ativa e à dívida suspensa".


"Qualquer contribuinte que esteja a litigar com o fisco e não tenha feito este pagamento pode recorrer" ao perdão fiscal.


Foram precisas algumas horas para se ficar a saber que o regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social não se vai aplicar à Galp.


“O diploma não se aplica às contribuições extraordinárias, pela sua natureza. Assim, sempre que estejam em causa dívidas referentes a estas contribuições o programa aprovado não se aplica qualquer que seja o contribuinte”, diz o Ministério das Finanças


O esclarecimento foi feito à Rádio Renascença, já durante a madrugada, por fonte do gabinete do Ministério das Finanças.


Isto referidno ao regimes aprovado em Conselho de Ministros. Um regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social, podendo os contribuintes ficar isentos de juros se pagarem toda a dívida ou beneficiar de reduções se optarem pelo pagamento em prestações.

Rocha Andrade queria perdoar a Galp. Mas as Finanças não deixam

"É o perdão Galp!", diz o CDS. Rocha Andrade confirmou no Parlamento que a petrolífera, que não pagou mais de 100 milhões ao fisco, com quem o fisco mantém um litígio, pode recorrer ao perdão anunciado pelo Governo.


A pergunta foi feita por Cecília Meireles, do CDS: a Galp poderá beneficiar do perdão fiscal anunciado esta quinta-feira pelo Governo? Do outro lado, na comissão parlamentar de Finanças, estava Fernando Rocha Andrade, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que em agosto foi a Paris ver a seleção nacional, no Euro, a convite e pago pela Galp.


Rocha Andrade respondeu: sim, a Galp também pode recorrer a este instrumento de regularização de dívidas. "Então já tem nome: é o perdão Galp!", exclamou de imediato Pedro Mota Soares, do CDS.


A resposta de Rocha Andrade não foi assim tão directa, mas a conclusão é essa. O secretário de Estado argumentou que não pode "divulgar dados relativos a um contribuinte" e assegurou "não fazer ideia quanto aos pormenores" das dívidas da Galp. Mesmo sem saber se a Galp estava litigar e se fez ou não previamente o pagamento do valor em causa. Mas o perdão fiscal anunciado esta quinta-feira aplica-se "à dívida em execução ativa e à dívida suspensa".


"Qualquer contribuinte que esteja a litigar com o fisco e não tenha feito este pagamento pode recorrer" ao perdão fiscal.


Foram precisas algumas horas para se ficar a saber que o regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social não se vai aplicar à Galp.


“O diploma não se aplica às contribuições extraordinárias, pela sua natureza. Assim, sempre que estejam em causa dívidas referentes a estas contribuições o programa aprovado não se aplica qualquer que seja o contribuinte”, diz o Ministério das Finanças


O esclarecimento foi feito à Rádio Renascença, já durante a madrugada, por fonte do gabinete do Ministério das Finanças.


Isto referidno ao regimes aprovado em Conselho de Ministros. Um regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social, podendo os contribuintes ficar isentos de juros se pagarem toda a dívida ou beneficiar de reduções se optarem pelo pagamento em prestações.

domingo, 2 de outubro de 2016

Agora tudo o que acontece nos bancos, mesmo nos privados, é mérito do Governo?

MM.jpg


 Já estou habituada a ver as coisas contra a corrente, e provavelmente este meu pensamento é mais uma vez um desses episódios. Mas expliquem-me como é que a proposta da Fosun para entrar no capital do BCP é um mérito do Governo?


É que acabo de ouvir o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, a dizer, no âmbito do balanço de um ano de geringonça, que pela positiva se destacou "a solução para a banca", e citou: "Capitalização da CGD; o Dossier do BPI; Dossier do BCP; falta vender o Novo Banco, e também solução do Banif", disse sem no entanto explicar qual foi o papel do Governo na proposta da Fosun ao BCP.


Solução para a banca? Talvez a única solução para a banca tenha sido a extensão do prazo para o Fundo de Resolução pagar o empréstimo ao Estado, embora mesmo essa solução seja na prática a materialização das balizas legais que já constam na lei da Resolução (a contribuição para o Fundo de Resolução não pode pôr em risco a solvabilidade do sistema, etc,etc). Mas pronto, ainda dou de barato que esse acordo conseguido com Bruxelas, sem que isso seja considerado ajuda do Estado, possa ter salvo a banca de desaires piores. 


Mas de resto não contribuiu em nada de positivo. Nada. Nem o BPI ajudou muito, porque apesar de ter criado uma lei com vista a ajudar a queda da blindagem de votos do banco, essencial ao sucesso da OPA do CaixaBank, a verdade é que não foi preciso a lei para a blindagem cair. Caiu com a abstenção da Santoro (na votação da proposta do Violas). Foi mais eficiente o empréstimo do CaixaBank a Angola, do que 10 emissários políticos nas negociações entre accionistas.


Francamente, o que é não nos foi dito que faz com que seja mérito do Governo a proposta da Fosun para entrar em 16,7%? Num aumento de capital com supressão do direito de preferência dos accionistas que foi votado em AG do banco em Abril?


Capitalização da CGD. Mérito? Huum... talvez, se esquecermos o facto de para ser considerado operação em condições de mercado (essencial para que a comissária Vestager não tenha de considerar que é ajuda do Estado) o aumento de capital em dinheiro tem de ser acompanhado por uma emissão de obrigações subordinadas (que não contam para CETier 1) que serão emitidas a um custo altíssimo para o banco (10% ao ano), mais caro que os CoCos. E ainda vamos ver se o Eurostat não obriga a levar ao défice público o aumento de capital da CGD.


Ainda vamos ver no Novo Banco como será a solução.


Banif um mérito do Governo?! Por amor de Deus, para fazer aquilo com aqueles custos para o contribuinte, qualquer um teria feito. Chegar ao BES e pôr os contribuintes a pagar também tinha sido uma solução. O mais difícil é criar uma solução em que os contribuintes não paguem.


Acho que o mérito do Governo, sinceramente, é transformar negociações banais com Bruxelas em grandes feitos heróicos, e a capacidade que o governo tem de ceder a compromissos com Bruxelas em troco de aceitações importantes que servem depois de bandeira mediática.


Luís Marques Mendes, destacou no seu balanço como ponto negativo, o fraco crescimento da economia inferior ao do ano passado o que está a reflectir-se no aumento dos juros da dívida soberana, o que és particularmente relevante face a Espanha.


Agora tudo o que acontece nos bancos, mesmo nos privados, é mérito do Governo?

MM.jpg


 Já estou habituada a ver as coisas contra a corrente, e provavelmente este meu pensamento é mais uma vez um desses episódios. Mas expliquem-me como é que a proposta da Fosun para entrar no capital do BCP é um mérito do Governo?


É que acabo de ouvir o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, a dizer, no âmbito do balanço de um ano de geringonça, que pela positiva se destacou "a solução para a banca", e citou: "Capitalização da CGD; o Dossier do BPI; Dossier do BCP; falta vender o Novo Banco, e também solução do Banif", disse sem no entanto explicar qual foi o papel do Governo na proposta da Fosun ao BCP.


Solução para a banca? Talvez a única solução para a banca tenha sido a extensão do prazo para o Fundo de Resolução pagar o empréstimo ao Estado, embora mesmo essa solução seja na prática a materialização das balizas legais que já constam na lei da Resolução (a contribuição para o Fundo de Resolução não pode pôr em risco a solvabilidade do sistema, etc,etc). Mas pronto, ainda dou de barato que esse acordo conseguido com Bruxelas, sem que isso seja considerado ajuda do Estado, possa ter salvo a banca de desaires piores. 


Mas de resto não contribuiu em nada de positivo. Nada. Nem o BPI ajudou muito, porque apesar de ter criado uma lei com vista a ajudar a queda da blindagem de votos do banco, essencial ao sucesso da OPA do CaixaBank, a verdade é que não foi preciso a lei para a blindagem cair. Caiu com a abstenção da Santoro (na votação da proposta do Violas). Foi mais eficiente o empréstimo do CaixaBank a Angola, do que 10 emissários políticos nas negociações entre accionistas.


Francamente, o que é não nos foi dito que faz com que seja mérito do Governo a proposta da Fosun para entrar em 16,7%? Num aumento de capital com supressão do direito de preferência dos accionistas que foi votado em AG do banco em Abril?


Capitalização da CGD. Mérito? Huum... talvez, se esquecermos o facto de para ser considerado operação em condições de mercado (essencial para que a comissária Vestager não tenha de considerar que é ajuda do Estado) o aumento de capital em dinheiro tem de ser acompanhado por uma emissão de obrigações subordinadas (que não contam para CETier 1) que serão emitidas a um custo altíssimo para o banco (10% ao ano), mais caro que os CoCos. E ainda vamos ver se o Eurostat não obriga a levar ao défice público o aumento de capital da CGD.


Ainda vamos ver no Novo Banco como será a solução.


Banif um mérito do Governo?! Por amor de Deus, para fazer aquilo com aqueles custos para o contribuinte, qualquer um teria feito. Chegar ao BES e pôr os contribuintes a pagar também tinha sido uma solução. O mais difícil é criar uma solução em que os contribuintes não paguem.


Acho que o mérito do Governo, sinceramente, é transformar negociações banais com Bruxelas em grandes feitos heróicos, e a capacidade que o governo tem de ceder a compromissos com Bruxelas em troco de aceitações importantes que servem depois de bandeira mediática.


Luís Marques Mendes, destacou no seu balanço como ponto negativo, o fraco crescimento da economia inferior ao do ano passado o que está a reflectir-se no aumento dos juros da dívida soberana, o que és particularmente relevante face a Espanha.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Até tu Brutus?

Já estavamos habituados a que Pacheco Pereira aproveitasse cada minuto de tempo de antena para criticar Pedro Passos Coelho. Mas não se me acaba o espanto quando vejo António Lobo Xavier a sistematicamente dar uma no cravo do governo e outra na ferradura no Pedro Passos Coelho (será para agradar a Costa?).


Mas será possível que de repente para o centrista que ajudou o Governo de Passos, e bem, na reforma fiscal do IRC, agora considere que Passos Coelho tem só pontos negativos? 


Até tu Brutus?


Já no outro dia me espantei com o elogio rasgado de António Lobo Xavier (que é uma pessoa que eu admiro intelectualmente e como pessoa) ao Governo no caso da banca (Fundo de Resolução). Será o BPI o motivo desta simpatia repentina pelo Governo de Costa? O BPI o banco que teve a ajuda do emissário de António Costa na tentativa de resolução do conflito accionista; o banco que conseguiu uma lei adaptada à sua necessidade de resolver o embróglio accionista [eu sou a favor de uma lei que ponha fim à blindagem de votos] sem mudar a essencia das blindagens estatutárias; o BPI que cedeu o seu vice-presidente para gerir a CGD [o BPI estará quase quase a passar ao estatuto de banco do regime?] será isso o motivo de força maior que tem feito Lobo Xavier mudar a agulha em relação a Passos Coelho?


Toda a gente se esquece que a austeridade do Governo anterior foi provocada pelo desastre socialista? Será que toda a gente se esqueceu que foi o governo de Passos Coelho que tirou Portugal da recessão?


 

Até tu Brutus?

Já estavamos habituados a que Pacheco Pereira aproveitasse cada minuto de tempo de antena para criticar Pedro Passos Coelho. Mas não se me acaba o espanto quando vejo António Lobo Xavier a sistematicamente dar uma no cravo do governo e outra na ferradura no Pedro Passos Coelho (será para agradar a Costa?).


Mas será possível que de repente para o centrista que ajudou o Governo de Passos, e bem, na reforma fiscal do IRC, agora considere que Passos Coelho tem só pontos negativos? 


Até tu Brutus?


Já no outro dia me espantei com o elogio rasgado de António Lobo Xavier (que é uma pessoa que eu admiro intelectualmente e como pessoa) ao Governo no caso da banca (Fundo de Resolução). Será o BPI o motivo desta simpatia repentina pelo Governo de Costa? O BPI o banco que teve a ajuda do emissário de António Costa na tentativa de resolução do conflito accionista; o banco que conseguiu uma lei adaptada à sua necessidade de resolver o embróglio accionista [eu sou a favor de uma lei que ponha fim à blindagem de votos] sem mudar a essencia das blindagens estatutárias; o BPI que cedeu o seu vice-presidente para gerir a CGD [o BPI estará quase quase a passar ao estatuto de banco do regime?] será isso o motivo de força maior que tem feito Lobo Xavier mudar a agulha em relação a Passos Coelho?


Toda a gente se esquece que a austeridade do Governo anterior foi provocada pelo desastre socialista? Será que toda a gente se esqueceu que foi o governo de Passos Coelho que tirou Portugal da recessão?


 

domingo, 18 de setembro de 2016

BPI versus Violas: Uma coisa é ser grande outra coisa é ter ambições

 


Violas desiste de se opôr à OPA do CaixaBank sobre o BPI


Enquanto o Tiago Violas pagava a advogados e se perdia em estratégias meticulosas de como chatear o BPI o CaixaBank foi por trás e emprestou 400 milhões de euros a Angola. É a diferença entre ser grande e ter ambições.


Agora Tiago Violas (accionista com 2,7%) vem dizer que não percebe a estratégia de Isabel dos Santos e percebendo que há um acordo tácito e que a Santoro vai votar a favor da desblindagem já na quarta-feira, deu uma entrevista a deitar a toalha ao chão. Confesso que simpatizei com a ingenuidade da obstinação de Tiago Violas, mas a este nível há sempre mais coisas entre o ceú e a terra do que a vã filosofia pode explicar.

BPI versus Violas: Uma coisa é ser grande outra coisa é ter ambições

 


Violas desiste de se opôr à OPA do CaixaBank sobre o BPI


Enquanto o Tiago Violas pagava a advogados e se perdia em estratégias meticulosas de como chatear o BPI o CaixaBank foi por trás e emprestou 400 milhões de euros a Angola. É a diferença entre ser grande e ter ambições.


Agora Tiago Violas (accionista com 2,7%) vem dizer que não percebe a estratégia de Isabel dos Santos e percebendo que há um acordo tácito e que a Santoro vai votar a favor da desblindagem já na quarta-feira, deu uma entrevista a deitar a toalha ao chão. Confesso que simpatizei com a ingenuidade da obstinação de Tiago Violas, mas a este nível há sempre mais coisas entre o ceú e a terra do que a vã filosofia pode explicar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Os juros de Portugal a 200 pontos da dívida espanhola

Resultado de imagem para portugal juros


Taxa de juro da dívida portuguesa a 10 anos: 3,30%; taxa de juro da dívida espanhola a 10 anos: 1,08%; taxa de juro da dívida alemã a 10 anos: 0,0436%. As yields portuguesas estão assim a 325 pontos da alemanha e a 222 pontos de Espanha. 


Antes deste governo chegar os juros de Portugal estavam a 40 pontos a 60 pontos da espanhola (cito de memória)


Isto está bonito está!


Depois o outro é que só fala em desgraças que não existem.

Os juros de Portugal a 200 pontos da dívida espanhola

Resultado de imagem para portugal juros


Taxa de juro da dívida portuguesa a 10 anos: 3,30%; taxa de juro da dívida espanhola a 10 anos: 1,08%; taxa de juro da dívida alemã a 10 anos: 0,0436%. As yields portuguesas estão assim a 325 pontos da alemanha e a 222 pontos de Espanha. 


Antes deste governo chegar os juros de Portugal estavam a 40 pontos a 60 pontos da espanhola (cito de memória)


Isto está bonito está!


Depois o outro é que só fala em desgraças que não existem.

sábado, 10 de setembro de 2016

O que separa Portugal de Espanha

A diferença entre os portugueses e espanhóis. É que os portugueses começam por votar num governo levando-o à vitória minoritária (mas perto da maioria absoluta). Vem um partido derrotado e faz uma coligação negativa (o que une os partidos que sustentam no Parlamento o governo PS é o ódio à direita) para se manter no governo (sozinho) e passado uns meses os portugueses já viraram as agulhas nas sondagens. O espanhóis ao contrário, quanto mais mal a imprensa trata o candidato vencedor, do PP, que não consegue formar governo por oposição parlamentar liderada pelo PSOE, mais o eleitorado vota nele. Se fosse cá Rajoy nas segundas eleições já tinha perdido. Em Espanha arrisca-se a ganhar pela terceira vez e fala-se em maioria absoluta. Espanha é um país rico é nós somos os remediados da Europa.


Espanha está a crescer 3% o PIB e Portugal esgatanha-se para chegar a 1%.


Talvez a falta de segurança e determinismo e capacidade de preferirem sempre a opinião da manada, acima de tudo, expliquem em parte.

O que separa Portugal de Espanha

A diferença entre os portugueses e espanhóis. É que os portugueses começam por votar num governo levando-o à vitória minoritária (mas perto da maioria absoluta). Vem um partido derrotado e faz uma coligação negativa (o que une os partidos que sustentam no Parlamento o governo PS é o ódio à direita) para se manter no governo (sozinho) e passado uns meses os portugueses já viraram as agulhas nas sondagens. O espanhóis ao contrário, quanto mais mal a imprensa trata o candidato vencedor, do PP, que não consegue formar governo por oposição parlamentar liderada pelo PSOE, mais o eleitorado vota nele. Se fosse cá Rajoy nas segundas eleições já tinha perdido. Em Espanha arrisca-se a ganhar pela terceira vez e fala-se em maioria absoluta. Espanha é um país rico é nós somos os remediados da Europa.


Espanha está a crescer 3% o PIB e Portugal esgatanha-se para chegar a 1%.


Talvez a falta de segurança e determinismo e capacidade de preferirem sempre a opinião da manada, acima de tudo, expliquem em parte.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Milagre do partido Rosa: PS devolve sobretaxa e agrava escalões de IRS

Resultado de imagem para governo caldeira cabral


O PS devolve parte da sobretaxa, mas depois agrava a progressividade, logo vai aumentar os impostos à classe média.


Ontem no programa de José Gomes Ferreira, Manuel Caldeira Cabral admitiu que um ajustamento dos escalões do IRS podia levar a um aumento da taxa aplicável nos escalões mais elevados. Entendendo por escalões mais elevados a classe média.


"Mas, consistentemente, vamos ter dois anos de redução da carga fiscal sobre todos os portugueses", disse Manuel Caldeira Cabral, só que isso não é possível


Estamos num pantano. Pedro Passos Coelho vai ter razão, é uma questão de tempo.


P.S. Não é mesmo nada fácil apanhar Manuel Caldeira Cabral numa fotografia com o primeiro-ministro.

Milagre do partido Rosa: PS devolve sobretaxa e agrava escalões de IRS

Resultado de imagem para governo caldeira cabral


O PS devolve parte da sobretaxa, mas depois agrava a progressividade, logo vai aumentar os impostos à classe média.


Ontem no programa de José Gomes Ferreira, Manuel Caldeira Cabral admitiu que um ajustamento dos escalões do IRS podia levar a um aumento da taxa aplicável nos escalões mais elevados. Entendendo por escalões mais elevados a classe média.


"Mas, consistentemente, vamos ter dois anos de redução da carga fiscal sobre todos os portugueses", disse Manuel Caldeira Cabral, só que isso não é possível


Estamos num pantano. Pedro Passos Coelho vai ter razão, é uma questão de tempo.


P.S. Não é mesmo nada fácil apanhar Manuel Caldeira Cabral numa fotografia com o primeiro-ministro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

BPI, vítima das circunstâncias

CaixaBank estuda retirar a OPA ao BPI


O que se está a passar no BPI é o retrato do país. Nada se faz sem o apoio tácito do Governo, que mesmo assim, com medo de violar o políticamento correcto, fez uma lei que fica a meio caminho.


Eu já tinha escrito que uma lei em que só quando a proposta de desblindagem vem do conselho de administração é que caem os limites na votação, estava-se mesmo a ver que ia dar nisto.


Então faz-se uma lei com regras de votação diferente consoante o autor da deliberação que é levada à Assembleia Geral de accionistas? E nem o Presidente da República pensou nisto?


Claro que o accionista minoritário adiantou-se e leva uma proposta antes da administração do BPI, o que leva a que os votos nessa votação continuem blindados e seja preciso uma maioria acima da legal (75%) para que a desblindagem passe.


Cria-se uma lei para desbloquear o impasse accionista e consegue criar-se as condições na nova lei para um novo impasse accionista?


Por outro lado só neste país é que os accionistas minoritários querem chumbar operações que têm como resultado a queda dos títulos. Mas Tiago Violas quer medir forças com o Caixabank para no fim do dia ter as acções a valer menos de 1 euro por acção? Vejam lá as acções após a OPA do Caixabank estar em risco de ser retirada. Acham pouco 1,113 euros por acção? Então o melhor é criar condições para as acções caírem a pique. O BCP estava muito sozinho na sua condição de penny stock, o BPI prepara-se para lhe fazer companhia.


Um accionista com 2,6% consegue impedir uma OPA como? Porque, outra característica portuguesa, os tribunais têm os seus ritmos. Uma falha formal que foi corrigida, não merece uma resposta do juiz em tempo útil, sabendo que está uma empresa essencial para o país em risco?


A quem pedir responsabilidades se mais um banco definhar em Portugal? Como pode a burocracia pôr em causa a definição accionista do BPI, a resolução do problema da elevada exposição do BPI ao risco Angola, e eventualmente a venda do Novo Banco ao BPI, que pode salvar o país de mais uma liquidação de um banco? 


Não me digam que é ao anterior governo que vão atribuir culpas do BPI, porque eu já não aguento esta campanha anti-Passos/Maria Luís como se não tivessem sido eles que tiraram com a ajuda da troika Portugal da bancarrota. 


Ainda vão acabar por dizer que o BCE podia ter evitado a lei que retirou Angola de equiparado em termos de supervisão a bancos europeus, que desencadeou todo este "caso BPI", se o anterior Governo tivesse convencido Mário Draghi.


Já faltou mais.

BPI, vítima das circunstâncias

CaixaBank estuda retirar a OPA ao BPI


O que se está a passar no BPI é o retrato do país. Nada se faz sem o apoio tácito do Governo, que mesmo assim, com medo de violar o políticamento correcto, fez uma lei que fica a meio caminho.


Eu já tinha escrito que uma lei em que só quando a proposta de desblindagem vem do conselho de administração é que caem os limites na votação, estava-se mesmo a ver que ia dar nisto.


Então faz-se uma lei com regras de votação diferente consoante o autor da deliberação que é levada à Assembleia Geral de accionistas? E nem o Presidente da República pensou nisto?


Claro que o accionista minoritário adiantou-se e leva uma proposta antes da administração do BPI, o que leva a que os votos nessa votação continuem blindados e seja preciso uma maioria acima da legal (75%) para que a desblindagem passe.


Cria-se uma lei para desbloquear o impasse accionista e consegue criar-se as condições na nova lei para um novo impasse accionista?


Por outro lado só neste país é que os accionistas minoritários querem chumbar operações que têm como resultado a queda dos títulos. Mas Tiago Violas quer medir forças com o Caixabank para no fim do dia ter as acções a valer menos de 1 euro por acção? Vejam lá as acções após a OPA do Caixabank estar em risco de ser retirada. Acham pouco 1,113 euros por acção? Então o melhor é criar condições para as acções caírem a pique. O BCP estava muito sozinho na sua condição de penny stock, o BPI prepara-se para lhe fazer companhia.


Um accionista com 2,6% consegue impedir uma OPA como? Porque, outra característica portuguesa, os tribunais têm os seus ritmos. Uma falha formal que foi corrigida, não merece uma resposta do juiz em tempo útil, sabendo que está uma empresa essencial para o país em risco?


A quem pedir responsabilidades se mais um banco definhar em Portugal? Como pode a burocracia pôr em causa a definição accionista do BPI, a resolução do problema da elevada exposição do BPI ao risco Angola, e eventualmente a venda do Novo Banco ao BPI, que pode salvar o país de mais uma liquidação de um banco? 


Não me digam que é ao anterior governo que vão atribuir culpas do BPI, porque eu já não aguento esta campanha anti-Passos/Maria Luís como se não tivessem sido eles que tiraram com a ajuda da troika Portugal da bancarrota. 


Ainda vão acabar por dizer que o BCE podia ter evitado a lei que retirou Angola de equiparado em termos de supervisão a bancos europeus, que desencadeou todo este "caso BPI", se o anterior Governo tivesse convencido Mário Draghi.


Já faltou mais.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O que agrada às mulheres

- "Tu agradas às mulheres. És o que se pode dizer bonito, mas não é isso, a beleza é quase um pormenor. Não, é outra coisa..." - "Diz-me qual". - "É porque tens um olhar intenso. Um olhar apaixonado. E é isso, acima de tudo, que as mulheres procuram. Se conseguem ler uma energia, uma paixão, no olhar de um homem, então acham-no sedutor". Michel Houellebecq, "O Mapa e o Território", edição Alfaguara

O que agrada às mulheres

- "Tu agradas às mulheres. És o que se pode dizer bonito, mas não é isso, a beleza é quase um pormenor. Não, é outra coisa..." - "Diz-me qual". - "É porque tens um olhar intenso. Um olhar apaixonado. E é isso, acima de tudo, que as mulheres procuram. Se conseguem ler uma energia, uma paixão, no olhar de um homem, então acham-no sedutor". Michel Houellebecq, "O Mapa e o Território", edição Alfaguara

sábado, 27 de agosto de 2016

Carta a João Miguel Tavares

IMG_6620.PNG


O artigo do João Miguel Tavares (que é uma pessoa com quem costumo concordar, isto é, de um campo ideológico de que me sinto próxima) começa logo com uma generalidade (que encerra um erro). 


"Caros jornalistas das secções e dos jornais de economia: há muito que estou para vos escrever uma carta aberta, e no dia em que chegou a conta de mais 5160 milhões, agora para a Caixa Geral de Depósitos, achei que não podia continuar a adiá-la".


Ora os 5.160 milhões não são "mais". Porque destes, os 960 milhões de euros em CoCos já tinham sido em 2012, a conversão em capital não reforça os fundos próprios da CGD. Os 500 milhões da ParCaixa também eram um aumento de capital da CGD "encapotado" de antes, já lá estavam 50% e agora vão os outros 50%.


"Mais" mesmo será o aumento de capital de que não se conhece o número, apenas o tecto máximo de 2.700 milhões. As obrigações subordinadas são para colocar em investidores institucionais e não aumentam o capital core, que é o que é preciso aumentar em termos regulatórios, parece-me ser uma contrapartida exigida por Bruxelas para aprovar o aumento de capital na CGD considerando-o uma operação em condições de mercado, o que evita ir ao défice (mas não à dívida).


Portanto o capital (fundo próprios) só vai mesmo aumentar em 3,2 mil milhões no máximo. Digo no máximo, porque o valor exacto do aumento de capital em dinheiro depende da auditoria externa à carteira de crédito e outros activos.


Dito isto, passemos à resposta do João Miguel Tavares à carta que escreve no Público aos jornalistas de economia (mesmo sendo eu dos jornalistas que não beneficiou com a crise porque deu-se o azar de me calhar a Ongoing como accionista em 2008 com tudo o que isso implicou). 


Pergunta o João Miguel Tavares, numa espécie de pergunta de retórica: Por que raio andaram tão distraídos ao longo dos últimos anos? Por que é que, antes do BES, do Banif e da Caixa, garantiam que o sistema financeiro continuava sólido como uma rocha, tirando o azar do BPN e do BPP, mais uns problemazitos no BCP? Há aqui uma história para vocês, jornalistas de economia, contarem, e que eu nunca vi contada. O parêntesis mais dramático do jornalismo económico nacional — aquele que dizia “a crise no GES (não no BES)” — estendeu-se a praticamente todos os bancos. Expliquem-nos, por favor: porque é que não soubemos antes? Por que é que vocês, que percebem disto à brava, não nos avisaram?


Porque João Miguel Tavares aquilo que consome o capital dos bancos hoje não era o que consumia antes de 2008. As regras contabilísticas foram mudando até chegar a Basileia III. Por exemplo, sabe que a razão porque a CGD, o BCP e o BPI precisaram de CoCo´s foi porque um dia a Autoridade Bancária Europeia decidiu que as obrigações soberanas em carteira (aquelas que um par de anos antes o sistema levou os bancos a reforçarem em força porque era o colateral que lhes permitia ter financiamento no BCE - o MMI fechou-se pós falência do Lehman Brothers) tinham de ser contabilizadas ao mark-to-market (valor de mercado)? Numa altura em que o risco das obrigações nacionais era elevado. Isso abriu um buraco no capital dos bancos, de um dia para o outro, sem que os bancos tivessem feito alguma coisa para isso. Sabe que a maioria dos gaps de capital são imposições regulatórias? A União Bancária é óptima porque divorcia o risco dos bancos do risco soberano, mas a um preço muito alto. 


Obviamente que se um banco tem accionistas ricos esse problema é mitigado porque alguém põe o dinheiro, mas Portugal, graças ao PREC, deixou de ter capitalistas, logo deixou de ter capitais. Demora gerações a ter capital, ou então o país tem a sorte de ter commodities.


Há dez anos atrás não havia almofadas de capital para risco sistémico, almofadas de capital para carteiras de crédito em risco. Penso que até nem havia o rácio do Banco de Portugal de crédito em risco. O rácio era crédito em incumprimento há mais de 90 dias. Não havia ponderações a 100% da exposição a Angola. Não havia ponderadores de risco reforçado para créditos com colaterais em acções. Também é certo que não havia DTAs (activos por impostos diferidos) para ajudar.


Na altura as provisões eram as obrigatórias para crédito e as outras eram almofadas voluntárias que os bancos constituiam para semestres dificeis.


Sobre os casos específicos de que fala o João Miguel Tavares: sobre o BPN se alguém denunciou foi a imprensa, penso que o caso do artigo sobre o banco do Oliveira e Costa chegou mesmo a tribunal. Sobre o Banif o que se sabia era de denúncias sem documentos (quem se atravessa a escrever informações não demonstráveis?). E mesmo assim muita coisa foi escrita (veja-se o caso de Angola/Banif). O Banif Brasil foi várias vezes notícia.


Quanto ao BES/GES se me conseguir explicar como é que os jornalistas conseguiam descobrir os balanços secretos da ESI, uma SGPS sediada no Luxemburgo, onde o verdadeiro passivo estava num excel alegadamente feito pelo presidente do BES, se nem as autoridades do Luxemburgo descobriram. 


Mas se for lá ver a imprensa da altura havia muita gente a falar do crédito para comprar acções e com acções como garantia. Eu até um livro escrevi sobre o assunto quando o BCP foi tomado de assalto pelo grupo dos aliados para travar OPAs incómodas. O João Miguel tem razão, na altura ninguém ligava nenhuma às notícias de economia por isso é que agora dizem estas coisas que o João diz. Quando diz "ainda sou do tempo em que as pessoas liam os jornais sem ligar patavina às páginas de economia". É caso para se dizer: Nota-se!

Carta a João Miguel Tavares

IMG_6620.PNG


O artigo do João Miguel Tavares (que é uma pessoa com quem costumo concordar, isto é, de um campo ideológico de que me sinto próxima) começa logo com uma generalidade (que encerra um erro). 


"Caros jornalistas das secções e dos jornais de economia: há muito que estou para vos escrever uma carta aberta, e no dia em que chegou a conta de mais 5160 milhões, agora para a Caixa Geral de Depósitos, achei que não podia continuar a adiá-la".


Ora os 5.160 milhões não são "mais". Porque destes, os 960 milhões de euros em CoCos já tinham sido em 2012, a conversão em capital não reforça os fundos próprios da CGD. Os 500 milhões da ParCaixa também eram um aumento de capital da CGD "encapotado" de antes, já lá estavam 50% e agora vão os outros 50%.


"Mais" mesmo será o aumento de capital de que não se conhece o número, apenas o tecto máximo de 2.700 milhões. As obrigações subordinadas são para colocar em investidores institucionais e não aumentam o capital core, que é o que é preciso aumentar em termos regulatórios, parece-me ser uma contrapartida exigida por Bruxelas para aprovar o aumento de capital na CGD considerando-o uma operação em condições de mercado, o que evita ir ao défice (mas não à dívida).


Portanto o capital (fundo próprios) só vai mesmo aumentar em 3,2 mil milhões no máximo. Digo no máximo, porque o valor exacto do aumento de capital em dinheiro depende da auditoria externa à carteira de crédito e outros activos.


Dito isto, passemos à resposta do João Miguel Tavares à carta que escreve no Público aos jornalistas de economia (mesmo sendo eu dos jornalistas que não beneficiou com a crise porque deu-se o azar de me calhar a Ongoing como accionista em 2008 com tudo o que isso implicou). 


Pergunta o João Miguel Tavares, numa espécie de pergunta de retórica: Por que raio andaram tão distraídos ao longo dos últimos anos? Por que é que, antes do BES, do Banif e da Caixa, garantiam que o sistema financeiro continuava sólido como uma rocha, tirando o azar do BPN e do BPP, mais uns problemazitos no BCP? Há aqui uma história para vocês, jornalistas de economia, contarem, e que eu nunca vi contada. O parêntesis mais dramático do jornalismo económico nacional — aquele que dizia “a crise no GES (não no BES)” — estendeu-se a praticamente todos os bancos. Expliquem-nos, por favor: porque é que não soubemos antes? Por que é que vocês, que percebem disto à brava, não nos avisaram?


Porque João Miguel Tavares aquilo que consome o capital dos bancos hoje não era o que consumia antes de 2008. As regras contabilísticas foram mudando até chegar a Basileia III. Por exemplo, sabe que a razão porque a CGD, o BCP e o BPI precisaram de CoCo´s foi porque um dia a Autoridade Bancária Europeia decidiu que as obrigações soberanas em carteira (aquelas que um par de anos antes o sistema levou os bancos a reforçarem em força porque era o colateral que lhes permitia ter financiamento no BCE - o MMI fechou-se pós falência do Lehman Brothers) tinham de ser contabilizadas ao mark-to-market (valor de mercado)? Numa altura em que o risco das obrigações nacionais era elevado. Isso abriu um buraco no capital dos bancos, de um dia para o outro, sem que os bancos tivessem feito alguma coisa para isso. Sabe que a maioria dos gaps de capital são imposições regulatórias? A União Bancária é óptima porque divorcia o risco dos bancos do risco soberano, mas a um preço muito alto. 


Obviamente que se um banco tem accionistas ricos esse problema é mitigado porque alguém põe o dinheiro, mas Portugal, graças ao PREC, deixou de ter capitalistas, logo deixou de ter capitais. Demora gerações a ter capital, ou então o país tem a sorte de ter commodities.


Há dez anos atrás não havia almofadas de capital para risco sistémico, almofadas de capital para carteiras de crédito em risco. Penso que até nem havia o rácio do Banco de Portugal de crédito em risco. O rácio era crédito em incumprimento há mais de 90 dias. Não havia ponderações a 100% da exposição a Angola. Não havia ponderadores de risco reforçado para créditos com colaterais em acções. Também é certo que não havia DTAs (activos por impostos diferidos) para ajudar.


Na altura as provisões eram as obrigatórias para crédito e as outras eram almofadas voluntárias que os bancos constituiam para semestres dificeis.


Sobre os casos específicos de que fala o João Miguel Tavares: sobre o BPN se alguém denunciou foi a imprensa, penso que o caso do artigo sobre o banco do Oliveira e Costa chegou mesmo a tribunal. Sobre o Banif o que se sabia era de denúncias sem documentos (quem se atravessa a escrever informações não demonstráveis?). E mesmo assim muita coisa foi escrita (veja-se o caso de Angola/Banif). O Banif Brasil foi várias vezes notícia.


Quanto ao BES/GES se me conseguir explicar como é que os jornalistas conseguiam descobrir os balanços secretos da ESI, uma SGPS sediada no Luxemburgo, onde o verdadeiro passivo estava num excel alegadamente feito pelo presidente do BES, se nem as autoridades do Luxemburgo descobriram. 


Mas se for lá ver a imprensa da altura havia muita gente a falar do crédito para comprar acções e com acções como garantia. Eu até um livro escrevi sobre o assunto quando o BCP foi tomado de assalto pelo grupo dos aliados para travar OPAs incómodas. O João Miguel tem razão, na altura ninguém ligava nenhuma às notícias de economia por isso é que agora dizem estas coisas que o João diz. Quando diz "ainda sou do tempo em que as pessoas liam os jornais sem ligar patavina às páginas de economia". É caso para se dizer: Nota-se!