sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Muito da vida depende da sorte, Match Point

"O homem que disse que preferia ter sorte a ter bondade, tinha uma grande intuição. Temos muita relutância em admitir que muito da vida depende da sorte. É assustador pensar que tanta coisa escapa ao nosso controlo!"


Woody Allen, Match Point

Muito da vida depende da sorte, Match Point

"O homem que disse que preferia ter sorte a ter bondade, tinha uma grande intuição. Temos muita relutância em admitir que muito da vida depende da sorte. É assustador pensar que tanta coisa escapa ao nosso controlo!"


Woody Allen, Match Point

Café Society, o regresso ao bom cinema de Woody Allen

Já vi e gostei muito. Woody Allen de regresso à qualidade dos bons velhos tempos.


Não digo mais, porque alguém já o fez tão bem que não deixa espaço para mais opiniões sobre o último fil do Woody Allen:
«Nem romântico nem cínico, Woody Allen é um realista pessimista. E por isso, “Café Society” é uma história amargamente realista de amores falhados e oportunidades perdidas e lamentadas no mais íntimo para o resto da vida, onde os protagonistas, mesmo separados por uma enorme distância, nunca deixaram de pensar um no outro. E quando se reencontram, ficam a meditar no que teriam sido as suas vidas se tivessem ficado juntos. É tristíssimo, é dilacerante, é empático, e Woody Allen faz passar tudo isto com a dose de gravidade exata, sem fungadelas melodramáticas nem enchimento de “pathos”».



 

Café Society, o regresso ao bom cinema de Woody Allen

Já vi e gostei muito. Woody Allen de regresso à qualidade dos bons velhos tempos.


Não digo mais, porque alguém já o fez tão bem que não deixa espaço para mais opiniões sobre o último fil do Woody Allen:
«Nem romântico nem cínico, Woody Allen é um realista pessimista. E por isso, “Café Society” é uma história amargamente realista de amores falhados e oportunidades perdidas e lamentadas no mais íntimo para o resto da vida, onde os protagonistas, mesmo separados por uma enorme distância, nunca deixaram de pensar um no outro. E quando se reencontram, ficam a meditar no que teriam sido as suas vidas se tivessem ficado juntos. É tristíssimo, é dilacerante, é empático, e Woody Allen faz passar tudo isto com a dose de gravidade exata, sem fungadelas melodramáticas nem enchimento de “pathos”».



 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O texto de despedida do Económico que nunca foi publicado (mais uma vez a paralisante indecisão dos donos)

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O Económico chega ao fim. Este é talvez o texto mais difícil de escrever. Ficar para apagar as luzes tem um lado trágico e desolador.


O muito que se poderia dizer de um jornal que nasceu a 3 de Outubro de 1989, quando a economia e o mercado de capitais despontavam num país saído dos escombros das nacionalizações e a reentrar no admirável mundo novo da iniciativa privada, fica sempre aquém. O Económico atravessou as principais evoluções económicas do mercado português ao longo de 27 anos.


A coincidência da precisão de acabar no dia 4 de Outubro de 2016, precisamente um dia depois de completar os seus 27 anos, dá-lhe uma carga mais fatídica, e provavelmente mais memorável.


Uma marca líder, um jornal de referência, são coisas que não se constroem de um dia para o outro, o Diário Económico tinha um activo incomensurável, uma liderança como jornal de referência, consolidada ao longo de quase três décadas. 27 anos é uma vida. Uma vida que não foi possível salvar, apesar de todos os esforços.


Não foi possível salvar o Económico, apesar de todos os esforços dos que aqui trabalharam e deram o seu contributo para consolidar a liderança. É uma pena, é o mínimo que se pode dizer.


Pelo menos não faltou vontade de tentar salvar o Económico. Foi uma luta titânica até ao fim, mesmo quando já tinha o futuro traçado. O mínimo que se podia fazer era manter a dignidade de um grande jornal até ao fim. Por isso até hoje manteve actualidade e dinâmica informativa possível, dadas as circunstâncias. Um fim digno impunha-se. Ao menos isso foi conseguido.


Todas as pessoas são insubstituíveis (lamento contrariar o cliché) e todas as pessoas foram insubstituíveis no percurso de construção do Diário Económico e Semanário Económico que depois se desdobrou em Económico, versão digital. O Económico online era o último reduto de um jornal que foi líder de mercado praticamente até ao fim. A força da marca do Económico é irrepetível. Nenhum outro se lhe comparará.


A vida é composta de mudança e cada pessoa (todas elas sem excepção) que escreveram no  Económico, levam consigo uma marca de credibilidade inegável, a marca do profissionalismo de um jornal de referência. Levam consigo o nome Económico.


Vemo-nos por aí!


 


*Este texto era suposto estar publicado no site do Económico no dia 4 de Outubro. Mas mais uma vez o responsável pela empresa que gere o site paralisou na sua indecisão estrutural, e assim como me pediu o texto, também não o publicou. O Económico merecia uma explicação aos leitores que ainda lá vão ao site, mas teve azar com a gestão. Assim o site ficou entregue à sua sorte, naquele estado de abandono. Lamentável.


Agora encontram uma boa parte dos jornalistas do Económico no Jornal Económico.

O texto de despedida do Económico que nunca foi publicado (mais uma vez a paralisante indecisão dos donos)

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O Económico chega ao fim. Este é talvez o texto mais difícil de escrever. Ficar para apagar as luzes tem um lado trágico e desolador.


O muito que se poderia dizer de um jornal que nasceu a 3 de Outubro de 1989, quando a economia e o mercado de capitais despontavam num país saído dos escombros das nacionalizações e a reentrar no admirável mundo novo da iniciativa privada, fica sempre aquém. O Económico atravessou as principais evoluções económicas do mercado português ao longo de 27 anos.


A coincidência da precisão de acabar no dia 4 de Outubro de 2016, precisamente um dia depois de completar os seus 27 anos, dá-lhe uma carga mais fatídica, e provavelmente mais memorável.


Uma marca líder, um jornal de referência, são coisas que não se constroem de um dia para o outro, o Diário Económico tinha um activo incomensurável, uma liderança como jornal de referência, consolidada ao longo de quase três décadas. 27 anos é uma vida. Uma vida que não foi possível salvar, apesar de todos os esforços.


Não foi possível salvar o Económico, apesar de todos os esforços dos que aqui trabalharam e deram o seu contributo para consolidar a liderança. É uma pena, é o mínimo que se pode dizer.


Pelo menos não faltou vontade de tentar salvar o Económico. Foi uma luta titânica até ao fim, mesmo quando já tinha o futuro traçado. O mínimo que se podia fazer era manter a dignidade de um grande jornal até ao fim. Por isso até hoje manteve actualidade e dinâmica informativa possível, dadas as circunstâncias. Um fim digno impunha-se. Ao menos isso foi conseguido.


Todas as pessoas são insubstituíveis (lamento contrariar o cliché) e todas as pessoas foram insubstituíveis no percurso de construção do Diário Económico e Semanário Económico que depois se desdobrou em Económico, versão digital. O Económico online era o último reduto de um jornal que foi líder de mercado praticamente até ao fim. A força da marca do Económico é irrepetível. Nenhum outro se lhe comparará.


A vida é composta de mudança e cada pessoa (todas elas sem excepção) que escreveram no  Económico, levam consigo uma marca de credibilidade inegável, a marca do profissionalismo de um jornal de referência. Levam consigo o nome Económico.


Vemo-nos por aí!


 


*Este texto era suposto estar publicado no site do Económico no dia 4 de Outubro. Mas mais uma vez o responsável pela empresa que gere o site paralisou na sua indecisão estrutural, e assim como me pediu o texto, também não o publicou. O Económico merecia uma explicação aos leitores que ainda lá vão ao site, mas teve azar com a gestão. Assim o site ficou entregue à sua sorte, naquele estado de abandono. Lamentável.


Agora encontram uma boa parte dos jornalistas do Económico no Jornal Económico.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Há as pessoas que têm fama de mau feito e os que o têm mesmo

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Há um hábito em Portugal, quando não se gosta de alguém difama-se (arma da cobardia), e se não se tem nada a dizer de concreto, diz-se logo "tem mau feitio". Há quem invente e espalhe famas mais bizarras e mais graves, ou apenas um: "é maluco (a)";  "é estranho (a)". "não é muito normal"; "tem um feitio complicado", "é insuportável", etc.


Normalmente as pessoas que têm famas muito bem espalhadas raramente correspondem ao que se dela se diz. Criam-se mitos, uns por ignorância, outros deliberadamente por motivos menores. Quando alguém incomoda, porque é melhor, mais inteligente, mais bonito, mais brilhante, trata-se logo de lhe arranjar um rótulo que o diminua. O mundo não aguenta o dom dos outros e em Portugal esta verdade é elevada ao expoente máximo. 


A quantidade de ódios sem motivo e sem aderência a factos que por aí pululam é o reflexo de uma sociedade insegura, que nunca se atreve a verificar por si e a pensar por si, e alinha em movimentos colectivos.


Eu, que sempre fui vista como uma pessoa com mau feitio, apesar de não o ter, bem pelo contrário, sempre encarei esse rótulo que me impunham como um pretexto. À falta de melhor...


Sei por isso que 90% das coisas que se diz sobre uma pessoa, e é espalhado para se assumir como verdade, é na verdade mentira. Deve ser por isso que tenho uma apetência especial para gostar de pessoas muito rotuladas. Tenho a certeza que alguma qualidade devem ter e que a maioria do que se diz é mais revelador de quem criou o rótulo do que quem é vítima dele.


Mas isto não é sobre mim, conheço de cor a boa desculpa, que pega quando é dita muitas vezes, muitas vezes ditas por pessoas que têm o defeito que apontam aos outros. Há sempre quem tenha a fama e outros que se escondem na fama dos outros.


Reparo isso agora no ex-primeiro ministro ou na ex-ministra das finanças. Levantam-se vozes, antes insuspeitas, a criticar, não sei bem o quê (normalmente não há motivos concretos nestes movimentos de massas), e com argumentos dos mais inacreditáveis, de tão falsos. Donde vem essa opinião tão uniforme sobre as pessoas? 


Desculpem-me mas nutro logo uma simpatia especial por pessoas que são vítimas de movimentos de opinião colectivos. Não consigo evitar.

Há as pessoas que têm fama de mau feito e os que o têm mesmo

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Há um hábito em Portugal, quando não se gosta de alguém difama-se (arma da cobardia), e se não se tem nada a dizer de concreto, diz-se logo "tem mau feitio". Há quem invente e espalhe famas mais bizarras e mais graves, ou apenas um: "é maluco (a)";  "é estranho (a)". "não é muito normal"; "tem um feitio complicado", "é insuportável", etc.


Normalmente as pessoas que têm famas muito bem espalhadas raramente correspondem ao que se dela se diz. Criam-se mitos, uns por ignorância, outros deliberadamente por motivos menores. Quando alguém incomoda, porque é melhor, mais inteligente, mais bonito, mais brilhante, trata-se logo de lhe arranjar um rótulo que o diminua. O mundo não aguenta o dom dos outros e em Portugal esta verdade é elevada ao expoente máximo. 


A quantidade de ódios sem motivo e sem aderência a factos que por aí pululam é o reflexo de uma sociedade insegura, que nunca se atreve a verificar por si e a pensar por si, e alinha em movimentos colectivos.


Eu, que sempre fui vista como uma pessoa com mau feitio, apesar de não o ter, bem pelo contrário, sempre encarei esse rótulo que me impunham como um pretexto. À falta de melhor...


Sei por isso que 90% das coisas que se diz sobre uma pessoa, e é espalhado para se assumir como verdade, é na verdade mentira. Deve ser por isso que tenho uma apetência especial para gostar de pessoas muito rotuladas. Tenho a certeza que alguma qualidade devem ter e que a maioria do que se diz é mais revelador de quem criou o rótulo do que quem é vítima dele.


Mas isto não é sobre mim, conheço de cor a boa desculpa, que pega quando é dita muitas vezes, muitas vezes ditas por pessoas que têm o defeito que apontam aos outros. Há sempre quem tenha a fama e outros que se escondem na fama dos outros.


Reparo isso agora no ex-primeiro ministro ou na ex-ministra das finanças. Levantam-se vozes, antes insuspeitas, a criticar, não sei bem o quê (normalmente não há motivos concretos nestes movimentos de massas), e com argumentos dos mais inacreditáveis, de tão falsos. Donde vem essa opinião tão uniforme sobre as pessoas? 


Desculpem-me mas nutro logo uma simpatia especial por pessoas que são vítimas de movimentos de opinião colectivos. Não consigo evitar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Rocha Andrade queria perdoar a Galp. Mas as Finanças não deixam

"É o perdão Galp!", diz o CDS. Rocha Andrade confirmou no Parlamento que a petrolífera, que não pagou mais de 100 milhões ao fisco, com quem o fisco mantém um litígio, pode recorrer ao perdão anunciado pelo Governo.


A pergunta foi feita por Cecília Meireles, do CDS: a Galp poderá beneficiar do perdão fiscal anunciado esta quinta-feira pelo Governo? Do outro lado, na comissão parlamentar de Finanças, estava Fernando Rocha Andrade, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que em agosto foi a Paris ver a seleção nacional, no Euro, a convite e pago pela Galp.


Rocha Andrade respondeu: sim, a Galp também pode recorrer a este instrumento de regularização de dívidas. "Então já tem nome: é o perdão Galp!", exclamou de imediato Pedro Mota Soares, do CDS.


A resposta de Rocha Andrade não foi assim tão directa, mas a conclusão é essa. O secretário de Estado argumentou que não pode "divulgar dados relativos a um contribuinte" e assegurou "não fazer ideia quanto aos pormenores" das dívidas da Galp. Mesmo sem saber se a Galp estava litigar e se fez ou não previamente o pagamento do valor em causa. Mas o perdão fiscal anunciado esta quinta-feira aplica-se "à dívida em execução ativa e à dívida suspensa".


"Qualquer contribuinte que esteja a litigar com o fisco e não tenha feito este pagamento pode recorrer" ao perdão fiscal.


Foram precisas algumas horas para se ficar a saber que o regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social não se vai aplicar à Galp.


“O diploma não se aplica às contribuições extraordinárias, pela sua natureza. Assim, sempre que estejam em causa dívidas referentes a estas contribuições o programa aprovado não se aplica qualquer que seja o contribuinte”, diz o Ministério das Finanças


O esclarecimento foi feito à Rádio Renascença, já durante a madrugada, por fonte do gabinete do Ministério das Finanças.


Isto referidno ao regimes aprovado em Conselho de Ministros. Um regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social, podendo os contribuintes ficar isentos de juros se pagarem toda a dívida ou beneficiar de reduções se optarem pelo pagamento em prestações.

Rocha Andrade queria perdoar a Galp. Mas as Finanças não deixam

"É o perdão Galp!", diz o CDS. Rocha Andrade confirmou no Parlamento que a petrolífera, que não pagou mais de 100 milhões ao fisco, com quem o fisco mantém um litígio, pode recorrer ao perdão anunciado pelo Governo.


A pergunta foi feita por Cecília Meireles, do CDS: a Galp poderá beneficiar do perdão fiscal anunciado esta quinta-feira pelo Governo? Do outro lado, na comissão parlamentar de Finanças, estava Fernando Rocha Andrade, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que em agosto foi a Paris ver a seleção nacional, no Euro, a convite e pago pela Galp.


Rocha Andrade respondeu: sim, a Galp também pode recorrer a este instrumento de regularização de dívidas. "Então já tem nome: é o perdão Galp!", exclamou de imediato Pedro Mota Soares, do CDS.


A resposta de Rocha Andrade não foi assim tão directa, mas a conclusão é essa. O secretário de Estado argumentou que não pode "divulgar dados relativos a um contribuinte" e assegurou "não fazer ideia quanto aos pormenores" das dívidas da Galp. Mesmo sem saber se a Galp estava litigar e se fez ou não previamente o pagamento do valor em causa. Mas o perdão fiscal anunciado esta quinta-feira aplica-se "à dívida em execução ativa e à dívida suspensa".


"Qualquer contribuinte que esteja a litigar com o fisco e não tenha feito este pagamento pode recorrer" ao perdão fiscal.


Foram precisas algumas horas para se ficar a saber que o regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social não se vai aplicar à Galp.


“O diploma não se aplica às contribuições extraordinárias, pela sua natureza. Assim, sempre que estejam em causa dívidas referentes a estas contribuições o programa aprovado não se aplica qualquer que seja o contribuinte”, diz o Ministério das Finanças


O esclarecimento foi feito à Rádio Renascença, já durante a madrugada, por fonte do gabinete do Ministério das Finanças.


Isto referidno ao regimes aprovado em Conselho de Ministros. Um regime especial para reduzir as dívidas fiscais e à Segurança Social, podendo os contribuintes ficar isentos de juros se pagarem toda a dívida ou beneficiar de reduções se optarem pelo pagamento em prestações.

domingo, 2 de outubro de 2016

Agora tudo o que acontece nos bancos, mesmo nos privados, é mérito do Governo?

MM.jpg


 Já estou habituada a ver as coisas contra a corrente, e provavelmente este meu pensamento é mais uma vez um desses episódios. Mas expliquem-me como é que a proposta da Fosun para entrar no capital do BCP é um mérito do Governo?


É que acabo de ouvir o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, a dizer, no âmbito do balanço de um ano de geringonça, que pela positiva se destacou "a solução para a banca", e citou: "Capitalização da CGD; o Dossier do BPI; Dossier do BCP; falta vender o Novo Banco, e também solução do Banif", disse sem no entanto explicar qual foi o papel do Governo na proposta da Fosun ao BCP.


Solução para a banca? Talvez a única solução para a banca tenha sido a extensão do prazo para o Fundo de Resolução pagar o empréstimo ao Estado, embora mesmo essa solução seja na prática a materialização das balizas legais que já constam na lei da Resolução (a contribuição para o Fundo de Resolução não pode pôr em risco a solvabilidade do sistema, etc,etc). Mas pronto, ainda dou de barato que esse acordo conseguido com Bruxelas, sem que isso seja considerado ajuda do Estado, possa ter salvo a banca de desaires piores. 


Mas de resto não contribuiu em nada de positivo. Nada. Nem o BPI ajudou muito, porque apesar de ter criado uma lei com vista a ajudar a queda da blindagem de votos do banco, essencial ao sucesso da OPA do CaixaBank, a verdade é que não foi preciso a lei para a blindagem cair. Caiu com a abstenção da Santoro (na votação da proposta do Violas). Foi mais eficiente o empréstimo do CaixaBank a Angola, do que 10 emissários políticos nas negociações entre accionistas.


Francamente, o que é não nos foi dito que faz com que seja mérito do Governo a proposta da Fosun para entrar em 16,7%? Num aumento de capital com supressão do direito de preferência dos accionistas que foi votado em AG do banco em Abril?


Capitalização da CGD. Mérito? Huum... talvez, se esquecermos o facto de para ser considerado operação em condições de mercado (essencial para que a comissária Vestager não tenha de considerar que é ajuda do Estado) o aumento de capital em dinheiro tem de ser acompanhado por uma emissão de obrigações subordinadas (que não contam para CETier 1) que serão emitidas a um custo altíssimo para o banco (10% ao ano), mais caro que os CoCos. E ainda vamos ver se o Eurostat não obriga a levar ao défice público o aumento de capital da CGD.


Ainda vamos ver no Novo Banco como será a solução.


Banif um mérito do Governo?! Por amor de Deus, para fazer aquilo com aqueles custos para o contribuinte, qualquer um teria feito. Chegar ao BES e pôr os contribuintes a pagar também tinha sido uma solução. O mais difícil é criar uma solução em que os contribuintes não paguem.


Acho que o mérito do Governo, sinceramente, é transformar negociações banais com Bruxelas em grandes feitos heróicos, e a capacidade que o governo tem de ceder a compromissos com Bruxelas em troco de aceitações importantes que servem depois de bandeira mediática.


Luís Marques Mendes, destacou no seu balanço como ponto negativo, o fraco crescimento da economia inferior ao do ano passado o que está a reflectir-se no aumento dos juros da dívida soberana, o que és particularmente relevante face a Espanha.


Agora tudo o que acontece nos bancos, mesmo nos privados, é mérito do Governo?

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 Já estou habituada a ver as coisas contra a corrente, e provavelmente este meu pensamento é mais uma vez um desses episódios. Mas expliquem-me como é que a proposta da Fosun para entrar no capital do BCP é um mérito do Governo?


É que acabo de ouvir o comentador da SIC, Luís Marques Mendes, a dizer, no âmbito do balanço de um ano de geringonça, que pela positiva se destacou "a solução para a banca", e citou: "Capitalização da CGD; o Dossier do BPI; Dossier do BCP; falta vender o Novo Banco, e também solução do Banif", disse sem no entanto explicar qual foi o papel do Governo na proposta da Fosun ao BCP.


Solução para a banca? Talvez a única solução para a banca tenha sido a extensão do prazo para o Fundo de Resolução pagar o empréstimo ao Estado, embora mesmo essa solução seja na prática a materialização das balizas legais que já constam na lei da Resolução (a contribuição para o Fundo de Resolução não pode pôr em risco a solvabilidade do sistema, etc,etc). Mas pronto, ainda dou de barato que esse acordo conseguido com Bruxelas, sem que isso seja considerado ajuda do Estado, possa ter salvo a banca de desaires piores. 


Mas de resto não contribuiu em nada de positivo. Nada. Nem o BPI ajudou muito, porque apesar de ter criado uma lei com vista a ajudar a queda da blindagem de votos do banco, essencial ao sucesso da OPA do CaixaBank, a verdade é que não foi preciso a lei para a blindagem cair. Caiu com a abstenção da Santoro (na votação da proposta do Violas). Foi mais eficiente o empréstimo do CaixaBank a Angola, do que 10 emissários políticos nas negociações entre accionistas.


Francamente, o que é não nos foi dito que faz com que seja mérito do Governo a proposta da Fosun para entrar em 16,7%? Num aumento de capital com supressão do direito de preferência dos accionistas que foi votado em AG do banco em Abril?


Capitalização da CGD. Mérito? Huum... talvez, se esquecermos o facto de para ser considerado operação em condições de mercado (essencial para que a comissária Vestager não tenha de considerar que é ajuda do Estado) o aumento de capital em dinheiro tem de ser acompanhado por uma emissão de obrigações subordinadas (que não contam para CETier 1) que serão emitidas a um custo altíssimo para o banco (10% ao ano), mais caro que os CoCos. E ainda vamos ver se o Eurostat não obriga a levar ao défice público o aumento de capital da CGD.


Ainda vamos ver no Novo Banco como será a solução.


Banif um mérito do Governo?! Por amor de Deus, para fazer aquilo com aqueles custos para o contribuinte, qualquer um teria feito. Chegar ao BES e pôr os contribuintes a pagar também tinha sido uma solução. O mais difícil é criar uma solução em que os contribuintes não paguem.


Acho que o mérito do Governo, sinceramente, é transformar negociações banais com Bruxelas em grandes feitos heróicos, e a capacidade que o governo tem de ceder a compromissos com Bruxelas em troco de aceitações importantes que servem depois de bandeira mediática.


Luís Marques Mendes, destacou no seu balanço como ponto negativo, o fraco crescimento da economia inferior ao do ano passado o que está a reflectir-se no aumento dos juros da dívida soberana, o que és particularmente relevante face a Espanha.