quarta-feira, 12 de junho de 2019

BCP, uma história irónica de justiça divina. Do grupo dos sete e aliados a maioria faliu

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"Chegou tarde. Nós estamos a tratar disto desde maio", disse Berardo em dezembro de 2007 em resposta à notícia de que Miguel Cadilhe que se preparava para concorrer pelo BCP com uma lista rival à de Carlos Santos Ferreira. O episódio foi chamado por Filipe Pinhal à Comissão Parlamentar de Inquérito (à CGD). O "nós" seriam, segundo Filipe Pinhal, os acionistas - Sonangol, EDP, CGD, o BPP de João Rendeiro, o Grupo dos Sete (Joe Berardo, Bernardo Moniz da Maia, Manuel Fino, Filipe Botton, Diogo Vaz Guedes, João Pereira Coutinho e Vasco Pessanha) - alinhados com Paulo Teixeira Pinto, com António Castro Henriques, Francisco Lacerda e Boguslaw Kott (polaco) - e apadrinhado pelo Ministro das Finanças da época, o socialista Fernando Teixeira dos Santos; por Vítor Constâncio (Governador do BdP), por José Sócrates (primeiro-ministro), e por três administradores da CGD, que Filipe Pinhal cita. Seria o presidente, Carlos Santos Ferreira; o vice-presidente Armando Vara; e o administrador com pelouro do crédito Vítor Fernandes.


A História do que aconteceu ao BCP em 2007 é uma história que começou por uma aliança entre amigos, onde a palavra de ordem era, recorrer a todos os meios para tirar o BCP das garras do fundador e dos seus administradores (os mais velhos). A sociedade portuguesa facilmente se rendeu aos encantos dos meninos bonitos de 50 anos (mais coisa menos coisa) que iam tomar conta do banco (ou que iam advogar essa demárche). Sobretudo a imprensa. 


A propósito, não é verdade que fosse um exclusivo do Diário Económico, em 2007, a campanha pró-Teixeira Pinto e anti-Jardim Gonçalves, nem que o jornal, à data liderado por Martim Avillez Figueiredo, tivesse a Ongoing por trás. Ao contrário do que disse Filipe Pinhal, a Ongoing só compra o Grupo Económico em 2008 e é António Costa o diretor escolhido pela Ongoing e não Martim Avillez Figueiredo. 


Na altura só o Semanário Económico (eu) não sucumbiu a defender o grupo de aliados de Paulo Teixeira Pinto e a endeusar Berardo. Os outros jornais estavam todos na mesma linha. Não era um exclusivo do Diário Económico. 


Depois de a Ongoing comprar o Diário e Semanário Económico, pode sim questionar-se a independência do jornal, até lá, não.


Uma história desenhada por um grupo de amigos


Esta foi uma história que nasceu de uma cumplicidade de amigos (foi um grupo de amigos que desenhou a estratégia e contribuiu  com os vários passos para ela, incluindo seduzir Sócrates para apoiar o plano). Foi vendida como um conflito geracional e um desígnio nacional e culminou como um jogo de poder perigosíssimo. O "desígnio nacional" revelou-se na prática um jogo de poder, porque muitos aqueles amigos queriam ser administradores do BCP, ou ter relações privilegiadas com o maior banco privado, mas acabou num jogo de interesses para retribuir favores, nomeadamente o favor de reestruturar dívidas bancárias de forma amigável, quando as ações já estavam em queda. Porque, azar dos Távoras, tudo isto acontece quando nos Estados Unidos começava a estoirar a bomba do subprime. Mas os portugueses, entretidos com as suas guerras de gangs, e inebriados com a possibilidade de "colonizar" o BCP, nem se aperceberam que vinha aí uma hecatombe. Por acaso, Carlos Santos Ferreira apercebeu-se, pois lembro-me de me ter alertado para o que se aproximava. E era grande o tufão, já que acabou com a intervenção da troika e o resgate ao país. Tudo começara nos bancos.


Voltemos atrás. Na altura alguém do BCP disse-me, "querem matar a mosca e vão acabar por partir a lâmpada". Foi exactamente o que aconteceu, só que partiram duas ou mesmo três lâmpadas, o BCP, a CGD e o BES (este também já estava prestes a partir, de qualquer maneira, só que ninguém ainda sabia).


Hoje, quase todos aqueles "nós", de que falava Berardo, estão falidos ou afastados da gestão de empresas mediáticas. Há dois protagonistas que estiveram (Sócrates) ou estão (Vara) presos. Não podia ser mais irónico o desfecho do assalto ao BCP. O próprio Berardo está numa situação muito difícil e em risco de perder a sua coleção de arte para o Estado, para poder pagar à banca. Quem o manda ser o vilão com a vara na mão de 2007? 


Na altura Berardo era o cão de fila daqueles amigos, o que não tinha regras de civismo para cumprir, nem parentes ou amigos para dar explicações. O que podia insultar Jardim Gonçalves com todas as palavras, podia insinuar crimes, podia entregar documentos que outros, em violação de sigilo bancário e da lealdade institucional a que estavam obrigados por lei, lhe davam para os entregar ao Banco de Portugal. Como foi útil Berardo!


Foi assim o xeque-mate à equipa de Jardim Gonçalves e de Filipe Pinhal. 


Filipe Pinhal insinuou ainda na CPI que os documentos internos que estavam no arquivo morto do banco pudessem ter sido resgatados pela Ongoing, que estava a trabalhar no BCP desde 2005 através da Heidrick & Struggles, a fazer a avaliação dos quadros do banco e a montar o modelo de governo que viria a ser implementado. Eu discordo, e continuo a pensar que os documentos foram compilados por alguém de dentro que sabia onde estavam.


 Vamos lá a ver o relato de Filipe Pinhal sobre o que se passou: 


O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, almoçou com Berardo em Maio de 2007 (antes da famosa AG que tenta mudar os estatutos do BCP para pôr o modelo de governo do banco de acordo com a lei, o que não estava, e continua a não estar até hoje na EDP). Nesse almoço tentou convence-lo a vender os 4% do BCP a Pedro Teixeira Duarte, com o argumento de que uma guerra provoca distribuição de ambos os lados, e as mais-valias de Berardo já deviam estar à volta dos 100 e 150 milhões. Berardo respondeu Upa, Upa. Filipe Pinhal contou que o lembrou que as mais-valias só o são quando as ações são vendidas. Deixe o BCP em paz! Disse Filipe Pinhal a Berardo. E o prémio? Perguntou Berardo. Pinhal disse-lhe que não deverá haver lugar a prémio, porque as ações estavam muito inflacionadas com a guerra do poder nos 2,80 euros e 2,90 euros e iam ajustar.


Nesse dia, Francisco Marques Pereira da Lisbon Brokers, em nome de Berardo, foi ao banco falar com Pinhal para anunciar que ia emitir uma recomendação de compra das ações do BCP a 3,53 euros. Pedro Teixeira Duarte disse então que comprava as ações de Berardo  no máximo por 3,30 euros, mas Berardo queria 3,50 euros, e por isso não se fez a venda. 


Depois Berardo contou esta história de forma destorcida. Disse que alguém do BCP lhe propôs a venda, mas que ele descobriu "que era dinheiro sujo", o que "é uma perfeita indecência", disse Pinhal. 


O ex-banqueiro contou ainda que Berardo disse que falou com o filho e que este lhe disse que acima das mais-valias estava a honra. "Honra na boca de Berardo vale o que vale", disse Pinhal, e bem.


Berardo tinha 7,01% do BCP em dezembro de 2007 (3,88% em maio de 2007). Filipe Pinhal mais tarde perguntou-lhe porque subiu de 3,88% para 7% no BCP, se não ia mandar mais, e teve um custo 400 milhões, financiado com dívida claro, e Berardo disse "eu ainda estou para saber como é que aquele homem me enfeitiçou, eu que toda vida fui objetivo, quando tinha mais-valias vendia, como é que eu me meti nesta de comprar mais ações com financiamento a crédito". Quem seria este homem?


O homem para Filipe Pinhal só podia ser um de dois: Paulo Teixeira Pinto, ou José Sócrates, com quem andava a tratar na altura do espaço para a sua coleção de arte. Filipe Pinhal acha que foi José Sócrates (Eu, entre os dois, acho que foi do lado de Paulo Teixeira Pinto).


Filipe Pinhal confirmou que o BCP antes, algures entre 2003 e 2004, tinha sido interpelado pelo Banco de Portugal, por o banco estar demasiado exposto a ações do próprio banco (chegou a contar com as ações detidas pela gestão discricionária de carteiras, para chegar ao total de 12% que superava o limite de ações próprias de 10%), a recomendar que fosse reduzido crédito a acionistas do BCP com garantia das próprias ações. Por isso a CGD, que estava abaixo do BCP em quota de mercado de crédito, aceitou dar crédito a esses acionistas que faziam parte do Conselho Superior do BCP, e receberem as tais ações do BCP como garantia. Mas isso em 2005 estava resolvido, garantiu Pinhal. 


Mais tarde o BCP, de Paulo Teixeira Pinto, financiou, através do banco de investimento do BCP, os acionistas que estavam propostos para integrar a lista de administradores para o triénio 2007-2009 que iria a votos no dia 6 de agosto. A Ongoing está na lista, com o nome de Nuno Vasconcellos para secretário da Mesa da Assembleia Geral (o que importava é que houvesse tachos para todos) e com Rafael Mora (o arquitecto do modelo de governo dualista à tuga que foi implementado no BCP e EDP) como administrador. Daniel Proença de Carvalho, António de Sousa, Alexandre Relvas, José Manuel Fino, Luís Pereira Coutinho, João Lopes Raimundo, Bernardo Moniz da Maia, João Talone e Esmeralda Dourado (que era administradora da SAG de João Pereira Coutinho), estão entre essa vasta lista de nomes, que mais parecia uma lista de anos de amigos. 
Para o Conselho de Administração, a proposta considerava que este órgão fosse representado por 20 administradores e que sempre que fosse constituída uma Comissão Executiva, «a maioria dos administradores não executivos deveria ser formada por membros independentes». 
No Conselho de Administração (executivo) poucos ficavam, claro. Paulo Teixeira Pinto é proposto para presidente, Alberto de Castro, para vice-presidente e para vogais António Henriques, Francisco Lacerda e ainda Boguslaw Kott, Luís Pereira Coutinho, João  Lopes Raimundo, Fernando Ribeiro, Banco Sabadell, que nomeia Josep Oliu Creus, Marc Bellis, Bernardo Moniz da Maia (da Sogema), Manuel Vicente (da Sonangol), Luis Champalimaud e Alexandre Relvas. 


Mas esta lista não vai avante e a estratégia dos amigos dá lugar a uma estratégia política.


O crédito concedido a Joe Berardo, a Manuel Fino, a João Pereira Coutinho, à Teixeira Duarte, a Goes Ferreira, colaterizado por ações BCP, evidenciava um nível de risco elevado para o banco. Então a autorização dada pelo Banco de Portugal a Berardo para passar de 5% para quase 10% foi concedida tendo por pano de fundo o financiamento a 100% da CGD colaterizado pelas ações do BCP.


Filipe Pinhal diz que não interessa apenas ver quem e como fez estas operações de crédito. É preciso ver qual foi o desenvolvimento das operações. O colateral foi-se desvalorizando e houve reestruturação de crédito em inícios de 2008, no BCP, e na CGD em 2009. Em 2011 há uma reestruturação combinada entre os três principais credores: BCP, CGD e BES.


Filipe Pinhal chama mesmo a atenção dos deputados para irem ver a reestruturação do crédito do Grupo Berardo, quando já o banco tinha uma nova administração e Berardo liderava a comissão de remunerações.


O antigo gestor do BCP recomendou aos deputados para pedirem informação sobre as reestruturações das dívidas de Berardo feitas por Carlos Santos Ferreira e Armando Vara. “Não tenho cópia, só sei por ouvir dizer. Mas ao que parece é uma reestruturação que permitiu a Berardo respirar alegremente sem amortizar capital e juros até à reestruturação de 2011”, disse. E questionou “como é que Carlos Santos Ferreira e Armando Vara que foram colocados por Berardo iriam reestruturar a dívida da Fundação e da Metalgest?”


O ex-banqueiro defendeu também a tese que "houve uma teia urdida em vários pontos que teve um diretório claro constituído por José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio e teve vários operacionais”, como a Ongoing. Filipe Pinhal acredita, apesar de não ter forma de o provar, de que o “assalto ao BCP” se iniciou com um pedido de Paulo Teixeira Pinto a Sócrates para afastar Jardim Gonçalves do banco. “A partir do momento em que Teixeira Pinto terá aparecido no gabinete de Sócrates a dizer que precisava de apoio a nível político para afastar equipa que lá está desde 1985, Sócrates terá pensado que existia uma oportunidade de ouro para ter uma equipa de gestão mais favorável aos interesses do primeiro-ministro, pelo menos”, disse aos deputados Filipe Pinhal. 


Havia uma proposta de destituição, assinada por Berardo e Bernardo Moniz da Maia,  dos cinco administradores do BCP da velha geração (Filipe Pinhal, Christopher de Beck, Alexandre Gomes, Alípio Dias e António Rodrigues). Os cinco administradores que  iam destituir eram os mesmos que se recusaram a ratificar o acordo que se preparavam para assinar em Angola, de venda de 49% do Millennium Angola. Foi esse episódio que desvenda a guerra fria que existia na administração do BCP naquela altura.


A proposta de destituição de Filipe Pinhal e outros administradores data de 6 de agosto de 2007 e falha.


A 27 de agosto, Paulo Teixeira Pinto, que tinha sido eleito em março de 2005, renunciou e Filipe Pinhal assumiu a presidência do BCP.


Muita água correu debaixo da ponte entre o fracasso da AG de 6 de agosto e o momento em que Filipe Pinhal assume a presidência do BCP, por proposta da Teixeira Duarte. Mas nem por isso a guerra parou, é que a estratégia de tomar de assalto o BCP estava em andamento e já muita coisa estava em jogo, incluindo o elevado endividamento dos protagonistas, e por isso a gestão do banco tinha de ir parar a alguém de confiança. Berardo foi o moço de recados desse desígnio.


O ex-presidente do BCP, disse ontem na CPI à CGD, que no dia 3 de dezembro, dia em que ia haver a reunião do Conselho de Administração que oficializaria a sua lista (que incluía nomes como Paulo Macedo e Miguel Maya), Manuel Fino vai ao banco dizer que Berardo vai fazer uma denúncia ao BdP (a primeira tinha sido feita no dia 28 de novembro), e avisa-o que a sua lista só passará se integrar Carlos Santos Ferreira. Nesse dia, conta Filipe Pinhal, Paulo Macedo, diz que a lista não passará se não integrar Carlos Santos Ferreira ou Armando Vara e voluntariza-se para sair da lista para acomodar essa exigência (não se sabe de quem). Nesse mesmo dia Miguel Maya, segundo Filipe Pinhal, diz que a sua lista só passará se integrar Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, Miguel Maya voluntariza-se para não integrar a lista para eles entrarem. Há divergências aqui. Há quem conte que Miguel Maya se voluntariou, mas que teria sido avisado por Filipe Pinhal e não o contrário. A memória depois de 12 anos pode atraiçoar qualquer um.


Filipe Pinhal sobre a exigência de integração desses nomes  diz que “há quem diga, e não excluo, que eles foram lá colocados para reestruturar créditos que não tinham cura. Há quem diga que a motivação de Berardo e Fino era colocar pessoas mais dóceis”.


Sócrates alinha no jogo e dá-lhe jeito


Quem chama Sócrates, Paulo Teixeira Pinto, ou António Mexia, ou ambos? Não se sabe ao certo. Mas Filipe Pinhal conta que a Sonangol entra no BCP com 2% em junho de 2007, depois de se aconselhar com José Sócrates. Isto citando palavras de Manuel Vicente e de Carlos Silva a Filipe Pinhal, com outras pessoas presentes. 


Tiveram depois uma reunião com Vítor Constâncio para reforçar de 2% para 5% no BCP.


Filipe Pinhal contou que defendeu a fusão do BCP com o BPI e que tentou convencer a Sonangol dos benefícios dessa fusão, mas Carlos Silva respondeu-lhe que tinham falado com José Sócrates e que este tinha dito que Carlos Santos Ferreira era o seu conselheiro para os assuntos financeiros e que este tinha dito que a operação era prejudicial para o sistema financeiro português.


O ex-presidente do BCP diz que Angola estava muito interessada em ter bancos em Portugal porque precisavam de ter vários bancos para a exportação de capital da elite angolana (Banif, BPN, BIC; BPI, BiG, Banco Privado Atlântico Europa).


Foi uma conjugação de interesses.


Depois de sair do Banco de Portugal Vítor Constâncio foi para vice-presidente do BCE, lugar que implicou uma promoção prévia do governo português junto das instâncias europeias.


P.S. Não subscrevo a tese de que Vítor Constâncio "correu" com Filipe Pinhal por causa de este ter recusado um crédito a Berardo.


Não subscrevo também a tese de que Carlos Santos Ferreira se comportava como "empregado" de Luís Champalimaud. Eu conheço ambos, e dificilmente alguém "mandaria" em Carlos Santos Ferreira (nem Sócrates), mais depressa seria o contrário. E Luís Champalimaud tem uma relação de camaradagem com Carlos Santos Ferreira e não de superioridade, como sugeriu Filipe Pinhal.


 

terça-feira, 28 de maio de 2019

Ajuda do Estado à banca em 11 anos

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Somam 23,8 mil milhões de euros. 


Por outro lado, como se pode ver, os bancos do Estado foram os que mais absorveram capital público. A CGD está à cabeça nos que mais custaram ao Estado e o BPN, que foi nacionalizado em 2008, é o segundo. Um banco muito mais pequeno que o BES custou mais caro aos contribuintes que a resolução do banco da família Espírito Santo. É só para calar a esquerda quando atiram com a carta da nacionalização.

domingo, 26 de maio de 2019

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço? "Fundação obrigada a sustentar Berardo e família para sempre"

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A propósito da notícia  "Fundação obrigada a sustentar Berardo e família para sempre", lembrei-me deste tempo (da fotografia), em que Berardo era "amado" pelos media  sempre que acusava Jardim de fazer "aldrabices" no BCP.


O mesmo Joe Berardo, que assumiu “respeitabilidade mediática” em 2007/2008 por fazer uma campanha contra a pensão de Jorge Jardim Gonçalves, o autor e fundador do BCP; e por se indignar com as regalias vitalícias do fundador do BCP, fez exatamente o mesmo na sua Fundação Berardo.
Isto só prova uma tese secular. Cuidado com os moralistas. Fujam deles. São sempre os maiores carrascos e críticos do comportamento dos outros e nas costas fazem exatamente o mesmo ou pior. São sempre os piores pecadores. São fariseus.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Quanto tempo demorará até que a direita seja toda considerada "extrema"?

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A propósito de um teste publicado pela TSF que ajuda a situar no espectro partidário para as eleições europeias, verifiquei que eu, que sempre me situei na direita moderada, sem ter mexido um milímetro na minha ideologia, estava hoje no partido mais à direita (CDS). Isto porque as bandeiras políticas mudaram tanto que me encostaram mais à direita.


De que falamos?


Sempre defendi que o Estado devia ser para os que precisam e não igual para todos. Sou contra um Estado paternalista, que impõe custos para os quais não corresponde com serviços. Sou por isso a favor de menos despesa pública e melhor gestão.


Sou a favor da vida, e consequentemente da promoção da família, com valorização social da paternidade e maternidade. Sou por isso contra o casamento gay e contra o aborto livre.


Mas já não sou contra a procriação medicamente assistida, precisamente porque ajuda a gerar vida quando, por vezes, a natureza não facilita.


Ora isto era coisa para me colocarem já na extrema direita.


Mas não sei como lidam depois com o facto de eu ser absolutamente europeísta e de não ser mesmo nada nacionalista. Por mim até podíamos ser espanhóis, que eu acho que até ficávamos a ganhar.


Sou a favor da imigração inteligente, da imigração que precisamos, pois só assim ajuda a economia (que se vê a braços com uma crise demográfica).


Não sou a favor do Estado Social à custa de pesados impostos para todos. O Estado Social tem de ser selectivo.


De facto deve-se apoiar os desempregados de longa duração e que não têm integração no mercado de trabalho mas, paralelamente, deve-se criar incentivos às empresas, para a contratação dessa classe de pessoas.


Sou a favor do mercado. Sou a favor das privatizações, por mim a CGD devida ser privada, pelo menos parcialmente (ou mesmo toda). 


Sou a favor de uma Europa que investe em defesa.


Sou a favor de um mercado de capitais pan-europeu e por isso uma supervisão europeia. Sou a favor da União Bancária.


Enfim, mais europeísta não posso ser, mas pelo andar da carruagem corro o risco de ser considerada de "extrema direita". Lá chegará o dia em que até o Papa será visto como fascista, ou um extremista de direita.


Gostava também de lembrar que o nazismo começou com uma proletarização do poder, e por isso tem raízes socialistas. Hitler correu com a nobreza alemã do poder, provocando o seu exílio. Mais tarde torna-se racista e imperialista, mas começa como um regime dos trabalhadores, contra a elite de sangue azul e o seu poder na Alemanha.


Isto para dizer que as categorias são muito redutoras. 

terça-feira, 14 de maio de 2019

Ainda o tema Berardo


A sociedade portuguesa indignou-se em uníssono com as declarações de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD. Mas Joe Berardo, mais não fez do que blindar a sua Coleção Berardo à voracidade da banca a quem as suas empresas (não ele, pelos vistos) ficaram a dever 960 milhões de euros a três bancos  - CGD, BCP e ex-BES, hoje Novo Banco (o Santander Totta também era credor, mas ameaçou executar e se o fizesse os outros bancos teriam de registar imparidades a 100% e para não registarem essas perdas o BCP prestou uma garantia ao Santander Totta que a executou, o que permitiu recuperar o dinheiro).


Sim, choca. Mas Berardo está a salvar uma coleção de arte, que está protegida por um contrato em regime de comodato com o Estado, em que as obras foram cedidas gratuitamente pela Associação Coleção Berardo à Fundação de Arte Moderna e Contemporânea — Coleção Berardo, onde o Estado tem presença.


Portanto parece-me elementar que, como parte da solução, o Estado devia comprar a Coleção Berardo e assim a associação, que tem Berardo como presidente vitalício, já teria dinheiro para pagar aos bancos.


O Estado ficou com poder de adquirir a Coleção Berardo?


Em 2016, o acordo foi renovado até 2022, quase à última da hora. Berardo diz que desta vez não foi incluído o direito de o Estado comprar dos quadros, ao contrário do que aconteceu em 2006 quando é atribuído ao Estado o direito de opção de aquisição da Coleção Berardo, a exercer entre 1 de Janeiro de 2007 e 31 de Dezembro de 2016, de modo que a mesma possa integrar de forma definitiva o património da Fundação.


Em 2006 a opção de compra da coleção tinha o valor estipulado de 316 milhões de euros.


A prestação de Berardo, bastante inconveniente, tem, nalgum ponto, razão, é que quem emprestou dinheiro a Berardo sem que houvesse colaterais para mitigar o risco tem mais responsabilidade do que o mutuário.


A CGD é que decidiu emprestar todo aquele dinheiro a Berardo para comprar ações do BCP (no caso da Metalgest, era uma empresa com 50 mil euros de volume de negócios, um EBITDA negativo e recebeu um financiamento de 50 milhões).


A CGD é que não executou a cláusula de stop loss, que impunha a venda das ações quando estas começassem a descer a um ponto que o colateral do empréstimo ficasse em risco de cair abaixo do valor do empréstimo.


A CGD é que incorporou o papel de salvadora dos interesses nacionais. Isso serviu para financiar investidores para comprar ações do BCP.  Primeiro para criar um núcleo de acionistas nacionais que servisse de tampão a qualquer investida hostil de bancos estrangeiros, depois, com o aval dos supervisores, para resgatar o BCP das mãos dos fundadores.


A CGD é que não quis exercer cláusulas de stop loss, hipotecando a sua rentabilidade em nome da estabilidade financeira, em nome de não arrastar a cotação do BCP.


Esta foi a mesma CGD que aceitou as ações da Investifino na Cimpor e que depois tentou usar para salvaguardar o interesse nacional, participando numa estratégia de criação de um nucleo de acionistas portugueses na cimenteira, que fracassou.


O BCP e o Novo Banco também estão expostos a Berardo. O BCP emprestou porque estava em causa o próprio futuro do banco nos anos 2007/2008, quando Paulo Teixeira Pinto entra em braço de ferro com Jardim Gonçalves. O BES emprestou porque Ricardo Salgado também via o BES como um salvador dos interesses nacionais.


No caso da CGD, a lógica de um banco público, que está disposto a perder em nome de um bem "maior", no caso o interesse nacional, tem de ser posta em causa. Faz mesmo sentido ter um banco público. Para quê?

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Ravasi, o cardeal sem filtros


Comprei e li a última edição do Expresso, e destaco a entrevista ao Cardeal Giofranco Ravasi, o Presidente do Conselho Pontifício, onde discorre sobre tudo e sem filtros.


De Leitura obrigatória!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Regresso sempre aqui... Nietzsche

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Regresso sempre aqui... Nietzsche

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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Todos os partidos são bem vindos. É isso a democracia


Não ia escrever sobre o assunto, mas como o António Canavarro escreveu neste blog contra a aprovação da coligação Basta, sinto-me na obrigação de defender precisamente o oposto.


Todos os partidos são bem vindos, por isso estou contente que finalmente o Tribunal Constitucional tenha aprovado a Coligação Basta. André Ventura vai ser cabeça de lista às europeias. Ainda bem. Viva  a democracia.

Todos os partidos são bem vindos. É isso a democracia


Não ia escrever sobre o assunto, mas como o António Canavarro escreveu neste blog contra a aprovação da coligação Basta, sinto-me na obrigação de defender precisamente o oposto.


Todos os partidos são bem vindos, por isso estou contente que finalmente o Tribunal Constitucional tenha aprovado a Coligação Basta. André Ventura vai ser cabeça de lista às europeias. Ainda bem. Viva  a democracia.

Chega, basta (STOP)


Da minha parte Basta mesmo! Basta de tanto populismo!


 

Chega, basta (STOP)


Da minha parte Basta mesmo! Basta de tanto populismo!


 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

A propósito da filosofia e da vossa justiça

o-pensador-de-rodin-og.jpg


Nunca fui, nos velhos tempos, um grande estudante, de filosofia. Até ao dia - no 12º ano - em que que um Homem, mas não me recordo do seu nome (deve ser da idade) me abriu os olhos para ela, a ciência, que como Luc Ferry, antigo ministro da educação francesa - numa obra para leigos (Temas & Debates / Círculo de Leitores) - intitulou de "Saber viver". E olhem que não é prosápia nenhuma, ele está coberto de razão.


Estará?


Outro filósofo francês, Gilles Deleuze (1925 -1995) e em companhia de um autor que não me recordo o nome escreveram que a filosofia - li isto num livro sobre arte - é "a ciência que cria conceitos". Recordo, também, Espinoza quando escreveu que "o conceito de cão não ladra"! E de facto, n´ã ladra, nem o gato mia...


Ora isto vem a propósito, e é um convite meu aos nossos leitores, e supondo que me lêem que a de facto, a filosofia cria conceitos e não cria os conceitos.


O que vos parece esta minha observação!


Digam de vossa justiça. É bom, e á boleia de do Pensador de Rodin, pensar bem, porque talvez nos ajude a "Saber viver"!


 

A propósito da filosofia e da vossa justiça

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Nunca fui, nos velhos tempos, um grande estudante, de filosofia. Até ao dia - no 12º ano - em que que um Homem, mas não me recordo do seu nome (deve ser da idade) me abriu os olhos para ela, a ciência, que como Luc Ferry, antigo ministro da educação francesa - numa obra para leigos (Temas & Debates / Círculo de Leitores) - intitulou de "Saber viver". E olhem que não é prosápia nenhuma, ele está coberto de razão.


Estará?


Outro filósofo francês, Gilles Deleuze (1925 -1995) e em companhia de um autor que não me recordo o nome escreveram que a filosofia - li isto num livro sobre arte - é "a ciência que cria conceitos". Recordo, também, Espinoza quando escreveu que "o conceito de cão não ladra"! E de facto, n´ã ladra, nem o gato mia...


Ora isto vem a propósito, e é um convite meu aos nossos leitores, e supondo que me lêem que a de facto, a filosofia cria conceitos e não cria os conceitos.


O que vos parece esta minha observação!


Digam de vossa justiça. É bom, e á boleia de do Pensador de Rodin, pensar bem, porque talvez nos ajude a "Saber viver"!


 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

É verdade, sim senhor


 

É verdade, sim senhor


 

sexta-feira, 29 de março de 2019

Recordar um velho artigo sobre o Amor

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Estava eu a limpar e-mails, e deparei-me com este de Miguel Poiares Maduro que me enviaram em 2005 (long time ago)


 


Amor está cheio de apelos à razão


Não há amor sem emoção mas também não há amor sem razão


No amor, a pergunta mais difícil é aquela feita por Jack Nicholson num filme de Mike Nichols "Se pudesses escolher, preferias amar uma mulher ou ser amado por ela?". Esta pergunta pressupõe que não há escolha no amor. Não há escolha porque essa escolha não é feita por nós. Está escrito no destino, determinado por algo que escapa ao nosso controlo. Sendo incompreensível e incontrolável, o amor está assim mais próximo do divino (se de Deus ou do Diabo depende de quem amamos…).


O amor está acima da razão. Mas será a razão totalmente ausente dos assuntos do coração? No amor não intervém a razão? Nas próximas linhas o leitor pensará que terei perdido a razão ao defender que no amor há muito mais espaço para a razão do que as razões do amor por vezes nos querem convencer…


Recentemente duas leitoras acusaram-me de fazer frequentes referências ao amor viciadas por um excesso de razão e pouca emoção na sua compreensão. Esta perspectiva é comum a essência do amor é precisamente a sua ausência de razão (ama-se independentemente da razão e, por vezes, com muito pouca razão…). Confirmando a separação entre amor e a razão estaria o facto de, como notou Schopenhauer, sendo a faceta mais importante da vida, o amor ter sido geralmente ignorado pela ciência. A ciência pode interessar-se pelo sexo ou pelo desejo, mas quanto ao amor (aquilo que existe para lá do - e esperemos, também com - o desejo) a única relação com a ciência parece ser a conclusão de que é tudo uma questão de química. O problema é que isso de pouco serve quando não se conhece a fórmula certa…


E, no entanto, contrariamente à suposição usual o discurso do amor está cheio de apelos à razão. Usamos a razão para procurar descobrir se existe amor (quantas horas passadas a ponderar se a pergunta sobre o que fazemos amanhã quer dizer que quer fazer algo connosco ou se quer é evitar a todo o custo ir fazer o mesmo que nós…).Usamos a razão para explicar a falta de amor "Vê se compreendes, não és tu, sou eu" (ao que dá seguramente vontade de responder: "Não te preocupes, eu gosto de ti mesmo assim como és!"); ou "Eu amo-te, mas o momento não é o certo" (porque será então que não dá para adiar e marcarmos já uma data?). Usamos a razão para nos libertar do amor: ou idealizando-o ao ponto de o tornar platónico ou transformando o amor em ódio (quão ténue é a fronteira). Usamos a razão para evitar os compromissos do amor: "Amas--me? Como pode alguém não te amar…" E o que são afinal as estratégias do amor, se não colocar a razão ao serviço do amor? A promoção do amor através de estratégias de conquista ou rejeição é um usar da razão para provocar a emoção.


No entanto, se a razão é usada no amor, a convicção generalizada é que ela não determina o amor. Ninguém crê num amor justificado pela razão e ninguém se atreve a exigir ser amado em nome da razão. Em Camille, de George Cukor, Robert Taylor professa o seu amor por Greta Garbo, dizendo "Nunca ninguém te amou como eu". Ela responde "Isso pode ser verdade, mas o que posso eu fazer a esse respeito?". A única conclusão racional resultante da irracionalidade (e, logo, incontrolabilidade) do amor seria que ele não é fruto de uma decisão livre e autónoma e, em consequência, não somos por ele responsáveis.


No amor, a razão tem até, frequentemente, conotações negativas "Casou por interesse ou porque não tinha alternativa" (ambas implicam o uso da razão). E o pior mesmo é quando alguém começa a elencar as razões para gostar de nós: os elogios raramente são acompanhados de declarações de amor. Não há nada mais doloroso que ver o amor substituído pela admiração.


No entanto, se a razão fosse estranha ao amor jamais o amor poderia ser eterno. O amor como desejo existe, desaparece e reaparece sempre com a mesma certeza. Num momento amamo-la, um dia mais tarde quem sabe? Na semana seguinte lamentamos o amor perdido! O amor sem razão não nos deixa dúvidas. Apenas a razão nos ensina a ter dúvidas sobre as certezas do amor. Se o nosso amor fosse apenas guiado pela emoção não amaríamos ninguém. Teríamos apenas desejo. A emoção e o desejo são como a espuma e as ondas do mar é o que torna navegar excitante mas não decide a direcção do navio. Para o amor ser eterno (e o amor só faz sentido pensado e vivido como eterno) é necessária a razão para superar as inconstâncias do desejo. E é também a razão que alimenta e é capaz de reavivar o desejo: as dúvidas que planta, a sedução que promove, a imaginação que desperta.


O amor verdadeiro só existe suportado pela razão. Mas não é uma razão qualquer. Não é uma razão de mercearia em que o amor se transforma numa lista de compras pela qual verificamos se ela tem ou não os itens a adquirir (importa passar mais tempo a procurar razões para amar do que a elencar as razões para não amar). E também não é a chamada razão do bom senso em que subordinamos o amor a uma certa razão social. Não é a razão dos outros mas a nossa razão. É uma racionalidade vinculada à emoção. O amor encontra-se quando a emoção nos diz para seguir a razão. É importante não cair no erro de achar que apenas existe amor quando ele vai contra a razão… Não há amor sem emoção mas também não há verdadeiramente amor sem razão. Porque o amor tem necessariamente uma razão de ser.


O amor é o que sobrevive para lá das dúvidas, suportado pela razão. Como dizia um outro personagem cinematográfico "Só quero que me ames, com dúvidas e tudo." Fácil é evocar o coração para não ouvir a sua razão. Fácil também é escudar-se na razão para fugir ao coração. Difícil e verdadeiramente romântico é decidir do amor com o verdadeiro uso da razão. Só assim se encontram as razões do coração. As razões que dita o coração e pelas quais alguém nos faz perder a razão.


Miguel Poiares Maduro

Recordar um velho artigo sobre o Amor

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Estava eu a limpar e-mails, e deparei-me com este de Miguel Poiares Maduro que me enviaram em 2005 (long time ago)


 


Amor está cheio de apelos à razão


Não há amor sem emoção mas também não há amor sem razão


No amor, a pergunta mais difícil é aquela feita por Jack Nicholson num filme de Mike Nichols "Se pudesses escolher, preferias amar uma mulher ou ser amado por ela?". Esta pergunta pressupõe que não há escolha no amor. Não há escolha porque essa escolha não é feita por nós. Está escrito no destino, determinado por algo que escapa ao nosso controlo. Sendo incompreensível e incontrolável, o amor está assim mais próximo do divino (se de Deus ou do Diabo depende de quem amamos…).


O amor está acima da razão. Mas será a razão totalmente ausente dos assuntos do coração? No amor não intervém a razão? Nas próximas linhas o leitor pensará que terei perdido a razão ao defender que no amor há muito mais espaço para a razão do que as razões do amor por vezes nos querem convencer…


Recentemente duas leitoras acusaram-me de fazer frequentes referências ao amor viciadas por um excesso de razão e pouca emoção na sua compreensão. Esta perspectiva é comum a essência do amor é precisamente a sua ausência de razão (ama-se independentemente da razão e, por vezes, com muito pouca razão…). Confirmando a separação entre amor e a razão estaria o facto de, como notou Schopenhauer, sendo a faceta mais importante da vida, o amor ter sido geralmente ignorado pela ciência. A ciência pode interessar-se pelo sexo ou pelo desejo, mas quanto ao amor (aquilo que existe para lá do - e esperemos, também com - o desejo) a única relação com a ciência parece ser a conclusão de que é tudo uma questão de química. O problema é que isso de pouco serve quando não se conhece a fórmula certa…


E, no entanto, contrariamente à suposição usual o discurso do amor está cheio de apelos à razão. Usamos a razão para procurar descobrir se existe amor (quantas horas passadas a ponderar se a pergunta sobre o que fazemos amanhã quer dizer que quer fazer algo connosco ou se quer é evitar a todo o custo ir fazer o mesmo que nós…).Usamos a razão para explicar a falta de amor "Vê se compreendes, não és tu, sou eu" (ao que dá seguramente vontade de responder: "Não te preocupes, eu gosto de ti mesmo assim como és!"); ou "Eu amo-te, mas o momento não é o certo" (porque será então que não dá para adiar e marcarmos já uma data?). Usamos a razão para nos libertar do amor: ou idealizando-o ao ponto de o tornar platónico ou transformando o amor em ódio (quão ténue é a fronteira). Usamos a razão para evitar os compromissos do amor: "Amas--me? Como pode alguém não te amar…" E o que são afinal as estratégias do amor, se não colocar a razão ao serviço do amor? A promoção do amor através de estratégias de conquista ou rejeição é um usar da razão para provocar a emoção.


No entanto, se a razão é usada no amor, a convicção generalizada é que ela não determina o amor. Ninguém crê num amor justificado pela razão e ninguém se atreve a exigir ser amado em nome da razão. Em Camille, de George Cukor, Robert Taylor professa o seu amor por Greta Garbo, dizendo "Nunca ninguém te amou como eu". Ela responde "Isso pode ser verdade, mas o que posso eu fazer a esse respeito?". A única conclusão racional resultante da irracionalidade (e, logo, incontrolabilidade) do amor seria que ele não é fruto de uma decisão livre e autónoma e, em consequência, não somos por ele responsáveis.


No amor, a razão tem até, frequentemente, conotações negativas "Casou por interesse ou porque não tinha alternativa" (ambas implicam o uso da razão). E o pior mesmo é quando alguém começa a elencar as razões para gostar de nós: os elogios raramente são acompanhados de declarações de amor. Não há nada mais doloroso que ver o amor substituído pela admiração.


No entanto, se a razão fosse estranha ao amor jamais o amor poderia ser eterno. O amor como desejo existe, desaparece e reaparece sempre com a mesma certeza. Num momento amamo-la, um dia mais tarde quem sabe? Na semana seguinte lamentamos o amor perdido! O amor sem razão não nos deixa dúvidas. Apenas a razão nos ensina a ter dúvidas sobre as certezas do amor. Se o nosso amor fosse apenas guiado pela emoção não amaríamos ninguém. Teríamos apenas desejo. A emoção e o desejo são como a espuma e as ondas do mar é o que torna navegar excitante mas não decide a direcção do navio. Para o amor ser eterno (e o amor só faz sentido pensado e vivido como eterno) é necessária a razão para superar as inconstâncias do desejo. E é também a razão que alimenta e é capaz de reavivar o desejo: as dúvidas que planta, a sedução que promove, a imaginação que desperta.


O amor verdadeiro só existe suportado pela razão. Mas não é uma razão qualquer. Não é uma razão de mercearia em que o amor se transforma numa lista de compras pela qual verificamos se ela tem ou não os itens a adquirir (importa passar mais tempo a procurar razões para amar do que a elencar as razões para não amar). E também não é a chamada razão do bom senso em que subordinamos o amor a uma certa razão social. Não é a razão dos outros mas a nossa razão. É uma racionalidade vinculada à emoção. O amor encontra-se quando a emoção nos diz para seguir a razão. É importante não cair no erro de achar que apenas existe amor quando ele vai contra a razão… Não há amor sem emoção mas também não há verdadeiramente amor sem razão. Porque o amor tem necessariamente uma razão de ser.


O amor é o que sobrevive para lá das dúvidas, suportado pela razão. Como dizia um outro personagem cinematográfico "Só quero que me ames, com dúvidas e tudo." Fácil é evocar o coração para não ouvir a sua razão. Fácil também é escudar-se na razão para fugir ao coração. Difícil e verdadeiramente romântico é decidir do amor com o verdadeiro uso da razão. Só assim se encontram as razões do coração. As razões que dita o coração e pelas quais alguém nos faz perder a razão.


Miguel Poiares Maduro

sábado, 9 de março de 2019

Prefiro flores, flores é amor e direitos é para os tribunais

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Vem isto a propósito do slogan da greve feminista "Não queremos flores, queremos direitos" expresso neste artigo de opinião de uma líder feminista. 


Ora, eu não consigo parar de pensar no quanto este slogan encerra para mim erros e enganos.


Sinto-me tentada a responder: Obrigada, mas como mulher que sou, prefiro flores. Flores é amor. Direitos são para compensar a falta de amor. Direitos é coisa dos tribunais. Que me interessa direitos se não for amada? Para fazer da minha vida um tribunal? Não, obrigada.


O verdadeiro slogan que defende as mulheres, seria "homens amem as mulheres", se as amarem, respeitá-las-ão. A violência doméstica não é uma questão de falta de direitos, é de falta de amor.


Precisamos do oposto, de uma cultura que invoque a sedução e não a disputa. 


Claro que devemos defender que a lei deve funcionar melhor. Infelizmente a polícia atua pouco. O processo de uma queixa à polícia é kafkiano. Devia ser agilizado com recurso aos meios digitais. Os tribunais não decidem nada em tempo útil e são caros. 


As leis devem ser mudadas para proteger os mais "fracos", sejam eles homens ou mulheres.


Mudem as leis para que as violações não fiquem sem culpados e as agressões não fiquem sem consequências, e os assédios morais não passem impunes.


Mudem as leis para que os reguladores façam cumprir a lei com sanções, sem ser necessário discutir direitos em tribunais, por exemplo, direitos laborais. As autoridades para as condições do trabalho deviam ser mais abrangentes (para proteger de coisas que normalmente só os tribunais têm competência para decidir). Assim protegiam o trabalhador (ou trabalhadora) no ativo sem ser necessário que os direitos sejam discutidos já num processo de despedimento e de recurso aos tribunais. Se os reguladores tiverem competências alargadas poupa-se algum trabalho aos tribunais.


 


Mas deixem as mulheres serem seduzidas e amadas pelos homens.

Prefiro flores, flores é amor e direitos é para os tribunais

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Vem isto a propósito do slogan da greve feminista "Não queremos flores, queremos direitos" expresso neste artigo de opinião de uma líder feminista. 


Ora, eu não consigo parar de pensar no quanto este slogan encerra para mim erros e enganos.


Sinto-me tentada a responder: Obrigada, mas como mulher que sou, prefiro flores. Flores é amor. Direitos são para compensar a falta de amor. Direitos é coisa dos tribunais. Que me interessa direitos se não for amada? Para fazer da minha vida um tribunal? Não, obrigada.


O verdadeiro slogan que defende as mulheres, seria "homens amem as mulheres", se as amarem, respeitá-las-ão. A violência doméstica não é uma questão de falta de direitos, é de falta de amor.


Precisamos do oposto, de uma cultura que invoque a sedução e não a disputa. 


Claro que devemos defender que a lei deve funcionar melhor. Infelizmente a polícia atua pouco. O processo de uma queixa à polícia é kafkiano. Devia ser agilizado com recurso aos meios digitais. Os tribunais não decidem nada em tempo útil e são caros. 


As leis devem ser mudadas para proteger os mais "fracos", sejam eles homens ou mulheres.


Mudem as leis para que as violações não fiquem sem culpados e as agressões não fiquem sem consequências, e os assédios morais não passem impunes.


Mudem as leis para que os reguladores façam cumprir a lei com sanções, sem ser necessário discutir direitos em tribunais, por exemplo, direitos laborais. As autoridades para as condições do trabalho deviam ser mais abrangentes (para proteger de coisas que normalmente só os tribunais têm competência para decidir). Assim protegiam o trabalhador (ou trabalhadora) no ativo sem ser necessário que os direitos sejam discutidos já num processo de despedimento e de recurso aos tribunais. Se os reguladores tiverem competências alargadas poupa-se algum trabalho aos tribunais.


 


Mas deixem as mulheres serem seduzidas e amadas pelos homens.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Óscares 2019. Mais um espectáculo político

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Eu gostava que os prémios de cinema premiassem apenas cinema. Mas o mediatismo do evento torna impossível erradicar as agendas políticas. Os Óscares tornaram-se irremediavelmente numa forma de expressão das convicções políticas dos artistas e a Academia segue à risca a agenda política.


Vejamos a lista dos vencedores da 91ª edição dos Óscares – a gala organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Tudo começa bem nas categorias técnicas.  Melhor cenografia
Black Panther; Melhores efeitos visuais O Primeiro Homem na Lua; Melhor montagem de som e Melhor mistura de som Bohemian Rhapsody; Melhor banda-sonora original Black Panther; Melhor canção original Shallow, de Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, Andrew Wyatt e Benjamin Rice (Assim Nasce Uma Estrela); Melhor montagem Bohemian Rhapsody; Melhor guarda-roupa Black Panther; Melhor caracterização Vice. 


Também nas curtas-metragens é o cinema que dita o prémio. Melhor curta-metragem documental Period. End of Sentence., de Rayka Zehtabchi; Melhor curta-metragem de animação Bao, de Domee Shi; Melhor curta-metragem Skin, de Guy Nattiv; Melhor documentário
Free Solo, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi; e Melhor filme de animação Homem-Aranha: No Universo Aranha, de Peter Ramsey, Rodney Rothman e Bob Persichetti.


Chegamos à melhor fotografia e começa a entrar a política na escolha. Vejamos ganhou o Roma, filme da Netflix, do realizador mexicano Alfonso Cuarón, deixando para trás o magnífico Cold War – Guerra Fria do realizador polaco Pawel Pawlikowski.


À medida que o mediatismo sobe aumenta a carga política na escolha. 


O Melhor Argumento Adaptado foi para o filme do Spike Lee, que subiu ao palco para pedir para votarem "bem" em 2020. BlacKkKlansman: O Infiltrado, passa-se no Colorado dos anos 70,  e é a história de um detective afro-americano que parte para se infiltrar e expor a Ku Klux Klan, falando ao telefone com os líderes, ganhando o respeito deles e mandando ir às reuniões em seu lugar um colega que é branco e judeu.


Spike Lee fez um longo discurso sobre os seus antepassados escravos e acabou a dizer que "as eleições de 2020 estão aí ao virar da esquina, vamos mobilizar-nos e ficar no lado certo da história. Fazer a escolha moral entre o amor contra o ódio.”


O Melhor Argumento Original também foi para um filme cuja causa política estava em evidência, apesar do mérito inegável de Green Book - Um Guia para a Vida. O filme de Peter Farrelly que acaba também por ganhar o maior óscar da noite o de Melhor Filme, conta a história de Don Shirley (Mahershala Ali), um famoso pianista negro que, em 1962, procura alguém que, durante a digressão de oito semanas que está prestes a fazer pelo Sul do país, ocupe simultaneamente os cargos de motorista e de segurança e sai-lhe na rifa um branco Tony Lip (Viggo Mortensen), um branco loiro e viril que o guia pelos EUA numa época que não deixava os pretos sentarem-se nos mesmos restaurantes dos brancos. O motorista branco de um cantor preto (ou negro, se preferirem) é um quadro demasiado tentador para uma Academia politizada.


Melhor filme de língua estrangeira foi para Roma de mexicano Alfonso Cuarón, aqui a política não é tão visível. 


Chegamos ao óscar de Melhor actriz secundária e mais uma vez a política volta à escolha a afro-americana Regina King, do filme Se Esta Rua Falasse, leva a estatueta deixando para trás Emma Stone, por A Favorita; Rachel Weisz, por A Favorita; Amy Adams, por Vice e Marina de Tavira, por Roma.


Foi também um afro-americano o vendedor do óscar de Melhor actor secundário. Mahershala Ali, por Green Book – Um Guia para a Vida


Curiosamente o óscar de Melhor actriz foi para a inglesa Olivia Colman, por A Favorita deixando a setagenária Glenn Close (no filme A Mulher)  mais uma vez sem estatueta. Será Glenn Close Republicana? Ainda vamos ver a próxima causa democrata ser a ... terceira idade.


O óscar de Melhor actor foi (injustamente, quando comparado com o actor do Vice) para Rami Malek, por Bohemian Rhapsody, deixando para trás o fantástico Christian Bale, no filmeVice. Mas a Academia ia lá resistir a um actor egípcio imigrante a representar o icónico cantor gay que morreu de SIDA nos anos 80? O que é isto comparado com o retrato de um Dick Cheney que se tornou o homem mais poderoso do mundo, quando se tornou vice-presidente de George W. Bush?


Chegámos ao Melhor Realizador e zás, em tempo de muro, um mexicano. Alfonso Cuarón, por Roma.


Mas se a escolha em si não era sinal suficiente de recado a Donald Trump, o ator Bardem tornou-o claro: “Não há muros nem fronteiras que consigam conter a genialidade e o talento”.


O filme do realizador mexicano é um excerto semi-autobiográfico na Cidade do México, que discorre a vida de uma empregada doméstica numa família de classe média. O seu título é uma referência à Colonia Roma, um distrito localizado em Cuauhtémoc, no México.


Um bom realizador devia ser acompanhado de eleição para melhor filme. Mas a Academia quer eleger porta-vozes de várias causas, para subir ao palco.


Por isso o Melhor Filme, foi, como já referido, para Green Book – Um Guia para a Vida, de Peter Farrelly. O filme foi pretexto para o congressista John Lewis, que apresentou o pequeno trailer, vir dizer "posso testemunhar que o retrato pintado [por este filme] desse tempo e espaço na nossa história é bem real. Está gravado na minha memória: homens e mulheres negros, nossos irmãos e irmãs, tratados como cidadãos de segunda. A nossa nação ainda carrega as cicatrizes desse tempo, e eu também”, um discurso que resume tudo. A culpa dos norte-americanos é o leit-motiv das opções políticas.


Foi assim que Imigração, muros e raça foram temas que regeram a 91ª cerimónia dos Óscares.


Eu sei que é pedir muito, mas será que seria possível eleger o cinema pelo cinema? É possível fazer uma selecção pela qualidade da arte, cega a causas políticas? Ou isso é demasiado "republicano"?


 


P.S. Eu da minha parte só tive olhos para o Bradley Cooper... :)


 

Óscares 2019. Mais um espectáculo político

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Eu gostava que os prémios de cinema premiassem apenas cinema. Mas o mediatismo do evento torna impossível erradicar as agendas políticas. Os Óscares tornaram-se irremediavelmente numa forma de expressão das convicções políticas dos artistas e a Academia segue à risca a agenda política.


Vejamos a lista dos vencedores da 91ª edição dos Óscares – a gala organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Tudo começa bem nas categorias técnicas.  Melhor cenografia
Black Panther; Melhores efeitos visuais O Primeiro Homem na Lua; Melhor montagem de som e Melhor mistura de som Bohemian Rhapsody; Melhor banda-sonora original Black Panther; Melhor canção original Shallow, de Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando, Andrew Wyatt e Benjamin Rice (Assim Nasce Uma Estrela); Melhor montagem Bohemian Rhapsody; Melhor guarda-roupa Black Panther; Melhor caracterização Vice. 


Também nas curtas-metragens é o cinema que dita o prémio. Melhor curta-metragem documental Period. End of Sentence., de Rayka Zehtabchi; Melhor curta-metragem de animação Bao, de Domee Shi; Melhor curta-metragem Skin, de Guy Nattiv; Melhor documentário
Free Solo, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi; e Melhor filme de animação Homem-Aranha: No Universo Aranha, de Peter Ramsey, Rodney Rothman e Bob Persichetti.


Chegamos à melhor fotografia e começa a entrar a política na escolha. Vejamos ganhou o Roma, filme da Netflix, do realizador mexicano Alfonso Cuarón, deixando para trás o magnífico Cold War – Guerra Fria do realizador polaco Pawel Pawlikowski.


À medida que o mediatismo sobe aumenta a carga política na escolha. 


O Melhor Argumento Adaptado foi para o filme do Spike Lee, que subiu ao palco para pedir para votarem "bem" em 2020. BlacKkKlansman: O Infiltrado, passa-se no Colorado dos anos 70,  e é a história de um detective afro-americano que parte para se infiltrar e expor a Ku Klux Klan, falando ao telefone com os líderes, ganhando o respeito deles e mandando ir às reuniões em seu lugar um colega que é branco e judeu.


Spike Lee fez um longo discurso sobre os seus antepassados escravos e acabou a dizer que "as eleições de 2020 estão aí ao virar da esquina, vamos mobilizar-nos e ficar no lado certo da história. Fazer a escolha moral entre o amor contra o ódio.”


O Melhor Argumento Original também foi para um filme cuja causa política estava em evidência, apesar do mérito inegável de Green Book - Um Guia para a Vida. O filme de Peter Farrelly que acaba também por ganhar o maior óscar da noite o de Melhor Filme, conta a história de Don Shirley (Mahershala Ali), um famoso pianista negro que, em 1962, procura alguém que, durante a digressão de oito semanas que está prestes a fazer pelo Sul do país, ocupe simultaneamente os cargos de motorista e de segurança e sai-lhe na rifa um branco Tony Lip (Viggo Mortensen), um branco loiro e viril que o guia pelos EUA numa época que não deixava os pretos sentarem-se nos mesmos restaurantes dos brancos. O motorista branco de um cantor preto (ou negro, se preferirem) é um quadro demasiado tentador para uma Academia politizada.


Melhor filme de língua estrangeira foi para Roma de mexicano Alfonso Cuarón, aqui a política não é tão visível. 


Chegamos ao óscar de Melhor actriz secundária e mais uma vez a política volta à escolha a afro-americana Regina King, do filme Se Esta Rua Falasse, leva a estatueta deixando para trás Emma Stone, por A Favorita; Rachel Weisz, por A Favorita; Amy Adams, por Vice e Marina de Tavira, por Roma.


Foi também um afro-americano o vendedor do óscar de Melhor actor secundário. Mahershala Ali, por Green Book – Um Guia para a Vida


Curiosamente o óscar de Melhor actriz foi para a inglesa Olivia Colman, por A Favorita deixando a setagenária Glenn Close (no filme A Mulher)  mais uma vez sem estatueta. Será Glenn Close Republicana? Ainda vamos ver a próxima causa democrata ser a ... terceira idade.


O óscar de Melhor actor foi (injustamente, quando comparado com o actor do Vice) para Rami Malek, por Bohemian Rhapsody, deixando para trás o fantástico Christian Bale, no filmeVice. Mas a Academia ia lá resistir a um actor egípcio imigrante a representar o icónico cantor gay que morreu de SIDA nos anos 80? O que é isto comparado com o retrato de um Dick Cheney que se tornou o homem mais poderoso do mundo, quando se tornou vice-presidente de George W. Bush?


Chegámos ao Melhor Realizador e zás, em tempo de muro, um mexicano. Alfonso Cuarón, por Roma.


Mas se a escolha em si não era sinal suficiente de recado a Donald Trump, o ator Bardem tornou-o claro: “Não há muros nem fronteiras que consigam conter a genialidade e o talento”.


O filme do realizador mexicano é um excerto semi-autobiográfico na Cidade do México, que discorre a vida de uma empregada doméstica numa família de classe média. O seu título é uma referência à Colonia Roma, um distrito localizado em Cuauhtémoc, no México.


Um bom realizador devia ser acompanhado de eleição para melhor filme. Mas a Academia quer eleger porta-vozes de várias causas, para subir ao palco.


Por isso o Melhor Filme, foi, como já referido, para Green Book – Um Guia para a Vida, de Peter Farrelly. O filme foi pretexto para o congressista John Lewis, que apresentou o pequeno trailer, vir dizer "posso testemunhar que o retrato pintado [por este filme] desse tempo e espaço na nossa história é bem real. Está gravado na minha memória: homens e mulheres negros, nossos irmãos e irmãs, tratados como cidadãos de segunda. A nossa nação ainda carrega as cicatrizes desse tempo, e eu também”, um discurso que resume tudo. A culpa dos norte-americanos é o leit-motiv das opções políticas.


Foi assim que Imigração, muros e raça foram temas que regeram a 91ª cerimónia dos Óscares.


Eu sei que é pedir muito, mas será que seria possível eleger o cinema pelo cinema? É possível fazer uma selecção pela qualidade da arte, cega a causas políticas? Ou isso é demasiado "republicano"?


 


P.S. Eu da minha parte só tive olhos para o Bradley Cooper... :)


 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Iniciativa Liberal, um partido que merece atenção

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Não está nas manchetes dos jornais, mas é um partido que merece ser olhado com atenção. Desde logo porque tem o economista Ricardo Arroja como cabeça de lista às eleições europeias.


O que defende o partido Iniciativa Liberal?


Os portugueses vivem sob o jugo de um Estado paternalista. Um Estado que cresce sem limite, sufoca a nossa liberdade e impõe custos para os quais não corresponde com serviços. Por isso o partido que se assume sem medo como liberal, defende que é preciso menos Estado e mais liberdade.


"Deixamos de ser Cidadãos livres para sermos apenas contribuintes involuntários. Este caminho de servidão impede-nos de prosseguir a nossa realização, os nossos sonhos, a nossa felicidade", refere o programa. 


"Ciclicamente somos confrontados com um aumento do Estado, diminuindo a liberdade, ou com o peso de novos impostos, para pagar esse Estado despesista. Com a desculpa de maior assistência de um Estado prestador, retiram-nos a liberdade de escolha. Com a desculpa de maior austeridade, diminuem os nossos rendimentos sem diminuir a despesa do Estad", diz o programa ainda.


"Uma rede de dependências que não nos representa, mas condiciona", aponta o Iniciativa Liberal.


"Precisamos de um Estado mais pequeno e mais eficaz, um Estado cada vez mais fora do bolso e do quarto dos portugueses. Precisamos de descomplicar Portugal e torná-lo: mais transparente, mais simples e mais sustentável", defende o partido.


A Iniciativa Liberal é inspirada pelos princípios e valores do manifesto colaborativo Portugal Mais Liberal, pelo movimento Liberal Europeu e ambiciona ser o movimento da sociedade civil agregador das distintas visões liberais.


O que quer o Iniciativa Liberal?








  • A revisão da Constituição da República Portuguesa. "A Constituição mantém um pendor estatista, programático e socializante e deve ser ideologicamente neutra, centrando-se na limitação dos poderes do Estado e nos direitos, liberdades e deveres individuais".

  • Alteração do sistema eleitoral obsoleto. Facilitando candidaturas independentes, o voto deslocalizado ou eletrónico, introduzindo círculos uninominais e um círculo nacional, com maior representatividade das comunidades portuguesas.

  • Revisão dos poderes de participação dos Cidadãos e dos seus representantes. Reforço da participação dos Cidadãos; dos projetos de iniciativa cívica; e dos poderes das comissões de inquérito no Parlamento.

  • A liberalização na legislação sobre direitos individuais e costumes. Com liberdade de autodeterminação e identidade individual; forte e efetivo combate a todos os tipos de discriminação; a garantia legal da liberdade de decisão sobre o fim da vida; e a legalização da cannabis e regulação da prostituição (oh que pena!)

  • Promoção da liberdade de constituir família, com valorização social da paternidade e maternidade.

  • Um sistema baseado no valor de igualdade perante a lei, garantindo a liberdade do cidadão de viver a sua vida da forma que bem entender, livre da coerção do Estado e protegido de qualquer violação da sua liberdade pessoal proveniente da sociedade.                                                                 

  • Racionalizar o Estado, tornando a administração mais transparente, simples e eficaz. Limitar o poder de endividamento público; eliminar a duplicação de funções e a complexidade entre os serviços, através da digitalização.

  • Apostar na redução da despesa do Estado como objetivo estratégico. Diminuir o número de observatórios, institutos, fundações e empresas públicas; privatização, concessão ou contratação a privados de alguns serviços e empresas públicas.

  • Desburocratizar o Estado, numa relação transparente, simples e eficaz com o Cidadão. Reduzir e simplificar as obrigações de reporte; garantir a limitação de acesso do Estado a dados pessoais; assegurar instrumentos de fiscalização direta pelo Cidadão.

  • “Desclientelizar” o Estado, inibindo a tentação para a criação de círculos clientelares que parasitam o poder e o Estado; definir, de forma clara e em documento único, todos os cargos e funções de confiança e nomeação política, sendo todos os outros de carreira.

  • Promover a transparência, num sistema que ainda esconde sistemas clientelares de corrupção e injustiça; criar e garantir um estatuto que defenda denúncias de clientelismo, nepotismo e corrupção.

  • Auditoria às contas públicas, com a respetiva culpabilização de práticas criminais e responsabilização das práticas não criminais de gestão pública danosa.

  • Aplicar em pleno o principio da subsidiariedade, descentralizando o Estado. Reduzir a intervenção do Estado central, mantendo o poder nos individuos e em centros de decisão mais próximos deste; valorizar as autarquias; facilitar a agregação voluntária de freguesias e municípios, para a gestão eficaz do território.

  • Uma Justiça mais célere, mais eficiente e digitalizada, sem medo de punir pessoas das elites do sistema, sem medo de punir crimes graves, imune a influências e despolitizada, uma Justiça mais acessível, mais moderna e mais justa.

  • Impedir manobras meramente dilatórias, pela aplicação da pena em primeira instância, com recurso meramente devolutivo como regra; proibindo a prisão preventiva por mais de 3 meses sem acusação (se não há prova suficiente, não há prisão); implementando um sistema de avaliação da atuação dos tribunais.

  • Aumento das penas e exclusão da sua suspensão, para crimes contra a integridade física e autodeterminação.

  • A dignificação da função policial, como garante da segurança dos Cidadãos.

  • O reforço da capacidade operacional e o alargamento da missão das FA face a ameaças internas. Promover e dignificar a carreira militar e atribuir às FA o comando e meios para a resposta de emergência a catástrofes de grande intensidade.

  • Auscultar, na decisão política e no parlamento, um setor que por dever de missão não pode tomar essa iniciativa.

  • Maior capacitação, legal e funcional, dos Serviços de Informações (SI) e fiscalização.

  • Promoção do papel das FA e SI na política externa e de alianças, no quadro da União Europeia, OTAN e aliados preferenciais; e promover o reforço da Cooperação Técnico-Militar e dos SI no quadro da CPLP, na prossecução de interesses nacionais.

  • Melhorar a eficiência e a capacidade das forças policiais.

  • Promover uma reforma transparente e sustentável da Proteção Civil.

  • Simplificar o sistema fiscal. Reduzir o número de impostos e taxas e tornar o sistema fiscal mais transparente. Simplificar o apuramento e o reporte de todos os impostos.

  • Reduzir os impostos. Privilegiar a redução imediata dos impostos sobre os rendimentos, garantindo mais liberdade para decidir consumir, poupar ou investir.

  • Reduzir o IVA nos bens essenciais como a energia, a água, medicamentos e atos médicos.

  • Criar um regime de caixa em sede de IVA que funcione.

  • Reduzir as isenções e diminuir as taxas do IRS e IRC e acabar com opagamento especial por conta.

  • Isentar de IRC pequenas empresas com baixa faturação.

  • Reduzir drasticamente a percentagem de rendimento individual apropriado (nacionalizado) pelo Estado.

  • Eliminação do IMI. Isentando desde já as casas de 1a habitação de família, encontrando formas alternativas de financiamento autárquico.

  • Proibir as duplas tributações, incluindo sobre bens e serviços do mercado europeu.

  • Reverter o ónus de prova nas dívidas fiscais; abolir a prestação de garantias; instituir um sistema global de conta-corrente entre cada contribuinte e o Estado; acabar com o privilégio da execução prévia.

  • Criar um provedor de justiça fiscal, que possa defender o Cidadão vítima de atos de injustiça fiscal, promovendo um sentimento geral de confiança e de solidariedade fiscal

  • Um limite constitucional à despesa pública e à carga fiscal.

  • Promover um plano de longo prazo para a redução da dívida pública.

  • Um Estado que atue como uma pessoa de bem, honrando os seus compromissos de forma escrupulosa e atempada.

  • Fomentar a ligação entre empresas e academia, promovendo a transferência dos resultados de investigação e a abertura das infraestruturas científicas às empresas

  • Promover um sistema de direitos de propriedade intelectual que suporte e alavanque a inovação

  • Combater a corrupção, promovendo a transparência.

  • A valorização da concorrência no setor privado, mas também nas prestações atualmente públicas ou serviços em monopólio.

  • Menos impostos e menos presença do Estado na economia.

  • Sustentabilidade e racionalidade no funcionamento do Estado.

  • Racionalizar o número de agências públicas e promover concessões; promover a descentralização da despesa; reduzir o número de funcionários diretos do Estado e equiparar as suas condições laborais e de segurança social às dos demais trabalhadores; diminuir a complexidade intencional do licenciamento e reduzir os seus prazos, custos e incertezas.

  • Promoção do investimento, com negociação de acordos fiscais para capital de risco e investidores nos campos da inovação.

  • Uma visão, financeira e intergeracional, sustentável dos incentivos à economia. Eliminar barreiras ao investimento em energias renováveis; fomentar as interligações ibéricas; reduzir o peso fiscal sobre as tarifas de energia.

  • Promover a competitividade ambiental. Transformar a floresta num pilar económico sustentável; remover todos os impostos sobre os transportes com zero emissões; eliminar o IVA sobre os transportes públicos.

  • Liberalizar o turismo e habitação.

  • Enquadrar juridicamente as criptomoedas.

  • Incentivar um sistema e uma cultura que promova a igualdade de oportunidades

  • Aumentar a liberdade contratual, mantendo standards de salários, segurança, férias e proteção à família; facilitar novas formas do exercício de funções, pelo teletrabalho, partilha do posto de trabalho ou por prestação com flexibilidade de horário.

  • Criar condições para menos desemprego. Defender um seguro mínimo universal de desemprego em substituição do atual sistema de SS; investir em programas de requalificação para o desemprego estrutural; baixar os encargos sociais para emprego de longa duração, tornando-o competitivo.

  • Aprofundar a integração europeia do mercado de trabalho, com uma rede integrada entre os centros de emprego nacionais de ofertas de emprego a nível europeu.

  • Um Estado transparente. Defender a criação de um recibo de vencimento onde sejam claros todos os encargos reais suportados, quer pelo empregador quer pelo empregado; reduzir a noção de funcionário público aos que exercem efetivas funções de autoridade pública; limitar a aplicação das portarias de extensão aos sindicatos envolvidos.

  • Promover a educação cívica como pilar fulcral do sistema de educação, tendo como objectivo preparar os nossos jovens para poderem desempenhar o seu papel como cidadãos activos no sistema democrático nacional e europeu;

  • Reforçar o papel do professor na sociedade. Os professores devem ser contratados localmente e valorizados na comunidade em que se inserem.

  • Dar muito mais autonomia às escolas para definir modelos de ensino alternativos, horários diferenciados, materiais de ensino próprios, os seus programas curriculares e os seus métodos de ensino; autonomia, também, na escolha e na gestão de recursos.

  • Abertura da Escola à sociedade, aproximando-a das populações e do poder local; ligação ao mercado de trabalho; partilha das infraestruturas com a comunidade.

  • Promover a liberdade de escolha dos estabelecimentos de ensino, quer por questões geográficas, pelo seu cariz público ou privado, quer pela diferenciação da oferta educativa; qualquer apoio financeiro deve ser dado às famílias, e não às escolas, para que cada família possa escolher a escola onde quer colocar o seu filho.

  • Dissociar totalmente as escolhas realizadas durante o ensino secundário do condicionamento de acesso a cursos no ensino superior.

  • Aumentar a autonomia das instituições, para tal, é necessário flexibilizar o seu modelo de governo, as suas fontes de financiamento e os mecanismos de aprovação de novos cursos e instituições de ensino superior publico e privado nos diversos ciclos. Permitir a definição de critérios de admissão pelas instituições, eliminando os Exames Nacionais como mecanismo de acesso. Criar uma clara separação entre a carreira docente e de investigação.

  • Fomentar a ligação entre empresas e academia, trazendo financiamento para a Academia e soluções práticas para as empresas, acabando com o favoritismo e endogamia académica; defender incentivos fiscais fortes aos privados que se queiram tornar mecenas científicos na investigação.

  • Fomentar o mecenato. Promover incentivos fiscais fortes aos mecenas privados.

  • Fomentar a procura. Não subsidiar a oferta, com atividades sem público, mas sim promover a procura, deixando que esta tenha liberdade de escolha; baixar o IVA para conteúdos culturais; promover o ensino e o acesso às artes em ambiente escolar.

  • Promover o património. A prioridade do financiamento público na cultura deve centrar-se no património, garantindo a sua fruição atual e a sustentação futura. 

  • O alargamento de uma ADSE reformada, como um sistema de seguro social, em que a pessoa pode escolher onde quer ser tratada, seja na rede hospitalar do Estado ou em privados que adiram ao sistema.

  • Criação de uma plataforma única de interação entre todos os sistemas de saúde (público e privados) e cada Cidadão, com a informação necessária à prestação de cuidados em qualquer local e âmbito.

  • Racionalização e melhoria de serviços públicos. Manutenção de serviços de inegável qualidade prestados pelo setor público, nomeadamente cuidados terciários especializados, com o reforço de recursos; o reconhecimento de serviços com diversidade funcional ou por deficiências; integração das várias especialidades médicas em torno de cada utente; apostar na manutenção da saúde e na prevenção da doença.

  • O reconhecimento e promoção da “função social das empresas”, atribuindo isenções a empresas com subsistemas de saúde ou sistemas de seguro de saúde.

  • Maior reconhecimento do papel dos cuidadores informais e do seu Estatuto.
    Fortalecimento do estatuto do desporto e da educação fisica no sistema de ensino.
    Criação de um plano de envelhecimento ativo e saudável, promovendo também o aumento da rede de cuidados continuados e paliativos.

  • A eutanásia é uma questão de cidadania e deve ser regulamentada. A criminalização da eutanásia é inaceitável (oh que pena!)




     

     

     














 


Iniciativa Liberal, um partido que merece atenção

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Não está nas manchetes dos jornais, mas é um partido que merece ser olhado com atenção. Desde logo porque tem o economista Ricardo Arroja como cabeça de lista às eleições europeias.


O que defende o partido Iniciativa Liberal?


Os portugueses vivem sob o jugo de um Estado paternalista. Um Estado que cresce sem limite, sufoca a nossa liberdade e impõe custos para os quais não corresponde com serviços. Por isso o partido que se assume sem medo como liberal, defende que é preciso menos Estado e mais liberdade.


"Deixamos de ser Cidadãos livres para sermos apenas contribuintes involuntários. Este caminho de servidão impede-nos de prosseguir a nossa realização, os nossos sonhos, a nossa felicidade", refere o programa. 


"Ciclicamente somos confrontados com um aumento do Estado, diminuindo a liberdade, ou com o peso de novos impostos, para pagar esse Estado despesista. Com a desculpa de maior assistência de um Estado prestador, retiram-nos a liberdade de escolha. Com a desculpa de maior austeridade, diminuem os nossos rendimentos sem diminuir a despesa do Estad", diz o programa ainda.


"Uma rede de dependências que não nos representa, mas condiciona", aponta o Iniciativa Liberal.


"Precisamos de um Estado mais pequeno e mais eficaz, um Estado cada vez mais fora do bolso e do quarto dos portugueses. Precisamos de descomplicar Portugal e torná-lo: mais transparente, mais simples e mais sustentável", defende o partido.


A Iniciativa Liberal é inspirada pelos princípios e valores do manifesto colaborativo Portugal Mais Liberal, pelo movimento Liberal Europeu e ambiciona ser o movimento da sociedade civil agregador das distintas visões liberais.


O que quer o Iniciativa Liberal?








  • A revisão da Constituição da República Portuguesa. "A Constituição mantém um pendor estatista, programático e socializante e deve ser ideologicamente neutra, centrando-se na limitação dos poderes do Estado e nos direitos, liberdades e deveres individuais".

  • Alteração do sistema eleitoral obsoleto. Facilitando candidaturas independentes, o voto deslocalizado ou eletrónico, introduzindo círculos uninominais e um círculo nacional, com maior representatividade das comunidades portuguesas.

  • Revisão dos poderes de participação dos Cidadãos e dos seus representantes. Reforço da participação dos Cidadãos; dos projetos de iniciativa cívica; e dos poderes das comissões de inquérito no Parlamento.

  • A liberalização na legislação sobre direitos individuais e costumes. Com liberdade de autodeterminação e identidade individual; forte e efetivo combate a todos os tipos de discriminação; a garantia legal da liberdade de decisão sobre o fim da vida; e a legalização da cannabis e regulação da prostituição (oh que pena!)

  • Promoção da liberdade de constituir família, com valorização social da paternidade e maternidade.

  • Um sistema baseado no valor de igualdade perante a lei, garantindo a liberdade do cidadão de viver a sua vida da forma que bem entender, livre da coerção do Estado e protegido de qualquer violação da sua liberdade pessoal proveniente da sociedade.                                                                 

  • Racionalizar o Estado, tornando a administração mais transparente, simples e eficaz. Limitar o poder de endividamento público; eliminar a duplicação de funções e a complexidade entre os serviços, através da digitalização.

  • Apostar na redução da despesa do Estado como objetivo estratégico. Diminuir o número de observatórios, institutos, fundações e empresas públicas; privatização, concessão ou contratação a privados de alguns serviços e empresas públicas.

  • Desburocratizar o Estado, numa relação transparente, simples e eficaz com o Cidadão. Reduzir e simplificar as obrigações de reporte; garantir a limitação de acesso do Estado a dados pessoais; assegurar instrumentos de fiscalização direta pelo Cidadão.

  • “Desclientelizar” o Estado, inibindo a tentação para a criação de círculos clientelares que parasitam o poder e o Estado; definir, de forma clara e em documento único, todos os cargos e funções de confiança e nomeação política, sendo todos os outros de carreira.

  • Promover a transparência, num sistema que ainda esconde sistemas clientelares de corrupção e injustiça; criar e garantir um estatuto que defenda denúncias de clientelismo, nepotismo e corrupção.

  • Auditoria às contas públicas, com a respetiva culpabilização de práticas criminais e responsabilização das práticas não criminais de gestão pública danosa.

  • Aplicar em pleno o principio da subsidiariedade, descentralizando o Estado. Reduzir a intervenção do Estado central, mantendo o poder nos individuos e em centros de decisão mais próximos deste; valorizar as autarquias; facilitar a agregação voluntária de freguesias e municípios, para a gestão eficaz do território.

  • Uma Justiça mais célere, mais eficiente e digitalizada, sem medo de punir pessoas das elites do sistema, sem medo de punir crimes graves, imune a influências e despolitizada, uma Justiça mais acessível, mais moderna e mais justa.

  • Impedir manobras meramente dilatórias, pela aplicação da pena em primeira instância, com recurso meramente devolutivo como regra; proibindo a prisão preventiva por mais de 3 meses sem acusação (se não há prova suficiente, não há prisão); implementando um sistema de avaliação da atuação dos tribunais.

  • Aumento das penas e exclusão da sua suspensão, para crimes contra a integridade física e autodeterminação.

  • A dignificação da função policial, como garante da segurança dos Cidadãos.

  • O reforço da capacidade operacional e o alargamento da missão das FA face a ameaças internas. Promover e dignificar a carreira militar e atribuir às FA o comando e meios para a resposta de emergência a catástrofes de grande intensidade.

  • Auscultar, na decisão política e no parlamento, um setor que por dever de missão não pode tomar essa iniciativa.

  • Maior capacitação, legal e funcional, dos Serviços de Informações (SI) e fiscalização.

  • Promoção do papel das FA e SI na política externa e de alianças, no quadro da União Europeia, OTAN e aliados preferenciais; e promover o reforço da Cooperação Técnico-Militar e dos SI no quadro da CPLP, na prossecução de interesses nacionais.

  • Melhorar a eficiência e a capacidade das forças policiais.

  • Promover uma reforma transparente e sustentável da Proteção Civil.

  • Simplificar o sistema fiscal. Reduzir o número de impostos e taxas e tornar o sistema fiscal mais transparente. Simplificar o apuramento e o reporte de todos os impostos.

  • Reduzir os impostos. Privilegiar a redução imediata dos impostos sobre os rendimentos, garantindo mais liberdade para decidir consumir, poupar ou investir.

  • Reduzir o IVA nos bens essenciais como a energia, a água, medicamentos e atos médicos.

  • Criar um regime de caixa em sede de IVA que funcione.

  • Reduzir as isenções e diminuir as taxas do IRS e IRC e acabar com opagamento especial por conta.

  • Isentar de IRC pequenas empresas com baixa faturação.

  • Reduzir drasticamente a percentagem de rendimento individual apropriado (nacionalizado) pelo Estado.

  • Eliminação do IMI. Isentando desde já as casas de 1a habitação de família, encontrando formas alternativas de financiamento autárquico.

  • Proibir as duplas tributações, incluindo sobre bens e serviços do mercado europeu.

  • Reverter o ónus de prova nas dívidas fiscais; abolir a prestação de garantias; instituir um sistema global de conta-corrente entre cada contribuinte e o Estado; acabar com o privilégio da execução prévia.

  • Criar um provedor de justiça fiscal, que possa defender o Cidadão vítima de atos de injustiça fiscal, promovendo um sentimento geral de confiança e de solidariedade fiscal

  • Um limite constitucional à despesa pública e à carga fiscal.

  • Promover um plano de longo prazo para a redução da dívida pública.

  • Um Estado que atue como uma pessoa de bem, honrando os seus compromissos de forma escrupulosa e atempada.

  • Fomentar a ligação entre empresas e academia, promovendo a transferência dos resultados de investigação e a abertura das infraestruturas científicas às empresas

  • Promover um sistema de direitos de propriedade intelectual que suporte e alavanque a inovação

  • Combater a corrupção, promovendo a transparência.

  • A valorização da concorrência no setor privado, mas também nas prestações atualmente públicas ou serviços em monopólio.

  • Menos impostos e menos presença do Estado na economia.

  • Sustentabilidade e racionalidade no funcionamento do Estado.

  • Racionalizar o número de agências públicas e promover concessões; promover a descentralização da despesa; reduzir o número de funcionários diretos do Estado e equiparar as suas condições laborais e de segurança social às dos demais trabalhadores; diminuir a complexidade intencional do licenciamento e reduzir os seus prazos, custos e incertezas.

  • Promoção do investimento, com negociação de acordos fiscais para capital de risco e investidores nos campos da inovação.

  • Uma visão, financeira e intergeracional, sustentável dos incentivos à economia. Eliminar barreiras ao investimento em energias renováveis; fomentar as interligações ibéricas; reduzir o peso fiscal sobre as tarifas de energia.

  • Promover a competitividade ambiental. Transformar a floresta num pilar económico sustentável; remover todos os impostos sobre os transportes com zero emissões; eliminar o IVA sobre os transportes públicos.

  • Liberalizar o turismo e habitação.

  • Enquadrar juridicamente as criptomoedas.

  • Incentivar um sistema e uma cultura que promova a igualdade de oportunidades

  • Aumentar a liberdade contratual, mantendo standards de salários, segurança, férias e proteção à família; facilitar novas formas do exercício de funções, pelo teletrabalho, partilha do posto de trabalho ou por prestação com flexibilidade de horário.

  • Criar condições para menos desemprego. Defender um seguro mínimo universal de desemprego em substituição do atual sistema de SS; investir em programas de requalificação para o desemprego estrutural; baixar os encargos sociais para emprego de longa duração, tornando-o competitivo.

  • Aprofundar a integração europeia do mercado de trabalho, com uma rede integrada entre os centros de emprego nacionais de ofertas de emprego a nível europeu.

  • Um Estado transparente. Defender a criação de um recibo de vencimento onde sejam claros todos os encargos reais suportados, quer pelo empregador quer pelo empregado; reduzir a noção de funcionário público aos que exercem efetivas funções de autoridade pública; limitar a aplicação das portarias de extensão aos sindicatos envolvidos.

  • Promover a educação cívica como pilar fulcral do sistema de educação, tendo como objectivo preparar os nossos jovens para poderem desempenhar o seu papel como cidadãos activos no sistema democrático nacional e europeu;

  • Reforçar o papel do professor na sociedade. Os professores devem ser contratados localmente e valorizados na comunidade em que se inserem.

  • Dar muito mais autonomia às escolas para definir modelos de ensino alternativos, horários diferenciados, materiais de ensino próprios, os seus programas curriculares e os seus métodos de ensino; autonomia, também, na escolha e na gestão de recursos.

  • Abertura da Escola à sociedade, aproximando-a das populações e do poder local; ligação ao mercado de trabalho; partilha das infraestruturas com a comunidade.

  • Promover a liberdade de escolha dos estabelecimentos de ensino, quer por questões geográficas, pelo seu cariz público ou privado, quer pela diferenciação da oferta educativa; qualquer apoio financeiro deve ser dado às famílias, e não às escolas, para que cada família possa escolher a escola onde quer colocar o seu filho.

  • Dissociar totalmente as escolhas realizadas durante o ensino secundário do condicionamento de acesso a cursos no ensino superior.

  • Aumentar a autonomia das instituições, para tal, é necessário flexibilizar o seu modelo de governo, as suas fontes de financiamento e os mecanismos de aprovação de novos cursos e instituições de ensino superior publico e privado nos diversos ciclos. Permitir a definição de critérios de admissão pelas instituições, eliminando os Exames Nacionais como mecanismo de acesso. Criar uma clara separação entre a carreira docente e de investigação.

  • Fomentar a ligação entre empresas e academia, trazendo financiamento para a Academia e soluções práticas para as empresas, acabando com o favoritismo e endogamia académica; defender incentivos fiscais fortes aos privados que se queiram tornar mecenas científicos na investigação.

  • Fomentar o mecenato. Promover incentivos fiscais fortes aos mecenas privados.

  • Fomentar a procura. Não subsidiar a oferta, com atividades sem público, mas sim promover a procura, deixando que esta tenha liberdade de escolha; baixar o IVA para conteúdos culturais; promover o ensino e o acesso às artes em ambiente escolar.

  • Promover o património. A prioridade do financiamento público na cultura deve centrar-se no património, garantindo a sua fruição atual e a sustentação futura. 

  • O alargamento de uma ADSE reformada, como um sistema de seguro social, em que a pessoa pode escolher onde quer ser tratada, seja na rede hospitalar do Estado ou em privados que adiram ao sistema.

  • Criação de uma plataforma única de interação entre todos os sistemas de saúde (público e privados) e cada Cidadão, com a informação necessária à prestação de cuidados em qualquer local e âmbito.

  • Racionalização e melhoria de serviços públicos. Manutenção de serviços de inegável qualidade prestados pelo setor público, nomeadamente cuidados terciários especializados, com o reforço de recursos; o reconhecimento de serviços com diversidade funcional ou por deficiências; integração das várias especialidades médicas em torno de cada utente; apostar na manutenção da saúde e na prevenção da doença.

  • O reconhecimento e promoção da “função social das empresas”, atribuindo isenções a empresas com subsistemas de saúde ou sistemas de seguro de saúde.

  • Maior reconhecimento do papel dos cuidadores informais e do seu Estatuto.
    Fortalecimento do estatuto do desporto e da educação fisica no sistema de ensino.
    Criação de um plano de envelhecimento ativo e saudável, promovendo também o aumento da rede de cuidados continuados e paliativos.

  • A eutanásia é uma questão de cidadania e deve ser regulamentada. A criminalização da eutanásia é inaceitável (oh que pena!)