quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O rei vai nu


Eis a realidade do Orçamento de António Costa:


O Governo considerou no esboço do Orçamento do Estado para 2016 as reversões das medidas de austeridade como medidas extraordinárias, erradamente segundo a UTAO, e foi essa forma de contabilização que permitiu apresentar a Bruxelas uma redução, ainda que de apenas 0,2 pontos percentuais, do défice estrutural. Segundo os técnicos, se as medidas forem consideradas da forma habitual, como dizem as regras, não existe uma redução, mas sim um aumento do défice estrutural.


A identificação indevida de medidas one-off de agravamento do défice orçamental, i.e. operações que aumentam despesas ou diminuem receitas, contribui para melhorar artificialmente o esforço orçamental, interferindo com a medição da variação do saldo estrutural conforme estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento e refletido na Lei de Enquadramento Orçamental”, dizem os técnicos que trabalham junto da comissão de orçamento e finanças.

O rei vai nu


Eis a realidade do Orçamento de António Costa:


O Governo considerou no esboço do Orçamento do Estado para 2016 as reversões das medidas de austeridade como medidas extraordinárias, erradamente segundo a UTAO, e foi essa forma de contabilização que permitiu apresentar a Bruxelas uma redução, ainda que de apenas 0,2 pontos percentuais, do défice estrutural. Segundo os técnicos, se as medidas forem consideradas da forma habitual, como dizem as regras, não existe uma redução, mas sim um aumento do défice estrutural.


A identificação indevida de medidas one-off de agravamento do défice orçamental, i.e. operações que aumentam despesas ou diminuem receitas, contribui para melhorar artificialmente o esforço orçamental, interferindo com a medição da variação do saldo estrutural conforme estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento e refletido na Lei de Enquadramento Orçamental”, dizem os técnicos que trabalham junto da comissão de orçamento e finanças.

Se eles querem voar, o galo não bebe!


 


Hoje, o Presidente francês, François Hollande, cancelou o almoço com seu homologo iraniano, porque se recusou a servir uma refeição tradicional sem vinho.


O argumento apresentado pode até ter sentido - “o islão até pode proibir o consumo de álcool mas há também os valores republicanos franceses”, mas, para mim, é mais uma forma vil de submissão dos europeus, e no caso dos franceses, ao outro.


Como o objecto da visita a Paris de Hassan Rouhani e sua comitiva é a compra de 114 Airbus, estou certo que Hollande, por uma vez, é um digno Presidente de um país que tem como símbolo nacional o galo. Ou seja, pôs-se de cócoras! 


Em suma: os milhões da venda dos Airbus são bem mais importantes do que uma boa pinga e os galos, que eu saiba, não voam!

Se eles querem voar, o galo não bebe!


 


Hoje, o Presidente francês, François Hollande, cancelou o almoço com seu homologo iraniano, porque se recusou a servir uma refeição tradicional sem vinho.


O argumento apresentado pode até ter sentido - “o islão até pode proibir o consumo de álcool mas há também os valores republicanos franceses”, mas, para mim, é mais uma forma vil de submissão dos europeus, e no caso dos franceses, ao outro.


Como o objecto da visita a Paris de Hassan Rouhani e sua comitiva é a compra de 114 Airbus, estou certo que Hollande, por uma vez, é um digno Presidente de um país que tem como símbolo nacional o galo. Ou seja, pôs-se de cócoras! 


Em suma: os milhões da venda dos Airbus são bem mais importantes do que uma boa pinga e os galos, que eu saiba, não voam!

O mais fascinante da masculinidade

19221648_DKYiH (2).jpeg


Oiço muitas vezes os homens queixarem-se que não percebem as mulheres. Mas as mulheres são muito simples de perceber, gostam neles daquilo que eles acham que têm de combater ou auto-controlar: gostam do instinto, da irracionalidade, daquele brilho da espontaneidade.


Os homens, ao contrário, sabem que a sua natureza tem uma enorme força, e por isso consideram que sucesso pessoal é conseguir controlar esse instinto. Sucesso implica dominar a vontade e o irracional para atingir um objectivo pensado e escolhido. As sociedades também cultivam esse culto: o da racionalidade, o da estratégia, o do calculismo. Em nome da competitividade, dar passos bem pensados, mesmo que isso esteja em contramão com o seu ser. Os homens querem ter o controlo de tudo, até da vontade, e que maçador que isso é. 


As mulheres não gostam do homem calculado, gostam do oposto, do irracional, do que perde o controle. E não gostam dos homens que dão tudo quando têm uma finalidade e não dão nada quando deixam de a ter.  


 


 

O mais fascinante da masculinidade

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Oiço muitas vezes os homens queixarem-se que não percebem as mulheres. Mas as mulheres são muito simples de perceber, gostam neles daquilo que eles acham que têm de combater ou auto-controlar: gostam do instinto, da irracionalidade, daquele brilho da espontaneidade.


Os homens, ao contrário, sabem que a sua natureza tem uma enorme força, e por isso consideram que sucesso pessoal é conseguir controlar esse instinto. Sucesso implica dominar a vontade e o irracional para atingir um objectivo pensado e escolhido. As sociedades também cultivam esse culto: o da racionalidade, o da estratégia, o do calculismo. Em nome da competitividade, dar passos bem pensados, mesmo que isso esteja em contramão com o seu ser. Os homens querem ter o controlo de tudo, até da vontade, e que maçador que isso é. 


As mulheres não gostam do homem calculado, gostam do oposto, do irracional, do que perde o controle. E não gostam dos homens que dão tudo quando têm uma finalidade e não dão nada quando deixam de a ter.  


 


 

Contra-corrente


Sobre esta coisa das estátuas serem tapadas em Itália, durante a visita do Presidente iraniano, Hassan Rouhani, e em França o Hollande ter cancelado o almoço com Rouhani porque não podia ter vinho. Só tenho a dizer uma coisa: quem recebe tem de agradar o convidado. O resto são tretas, más educações e obsessões desnecessárias.


Um rei se receber um convidado que come com as mãos, deve também ele comer com as mãos para não fazer o convidado sentir-se mal.


Gostava ainda de lembrar que a Michele Obama (mulher do presidente dos Estados Unidos) quando foi em visita de Estado à Arábia Saudita foi de cabelo destapado. 

Contra-corrente


Sobre esta coisa das estátuas serem tapadas em Itália, durante a visita do Presidente iraniano, Hassan Rouhani, e em França o Hollande ter cancelado o almoço com Rouhani porque não podia ter vinho. Só tenho a dizer uma coisa: quem recebe tem de agradar o convidado. O resto são tretas, más educações e obsessões desnecessárias.


Um rei se receber um convidado que come com as mãos, deve também ele comer com as mãos para não fazer o convidado sentir-se mal.


Gostava ainda de lembrar que a Michele Obama (mulher do presidente dos Estados Unidos) quando foi em visita de Estado à Arábia Saudita foi de cabelo destapado. 

Uma imagem que diz tudo.


 Pois diz, e lê-se em inglês.

Uma imagem que diz tudo.


 Pois diz, e lê-se em inglês.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

European men are desmasculinized, diz uma jornalista dinamarquesa

 


 


302456.jpg


“Men, Return To Your Virtues! Fight Back-We Need A Male Revolution!” 


European men are desmasculinized, many act like women.


Eis como a jornalista dinamarquesa, Iben Threholm, relata sem medo, que o feminismo tem destruído a cultura europeia e criou uma sociedade de homens fracos e moles, cobardes que não podem defender as suas próprias mulheres contra a selvageria que ocorreu na passagem de ano em Colónia na Alemanha. 

European men are desmasculinized, diz uma jornalista dinamarquesa

 


 


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“Men, Return To Your Virtues! Fight Back-We Need A Male Revolution!” 


European men are desmasculinized, many act like women.


Eis como a jornalista dinamarquesa, Iben Threholm, relata sem medo, que o feminismo tem destruído a cultura europeia e criou uma sociedade de homens fracos e moles, cobardes que não podem defender as suas próprias mulheres contra a selvageria que ocorreu na passagem de ano em Colónia na Alemanha. 

Vestidas (e a rigor) e a Europa ajoelhada 

Mulheres1.jpg


 Nesta imagem temos, da esquerda para a direita, a Imperatriz Lívia (mulher de Augusto), uma mulher com véu e uma mulher vestida imitando a deusa egípcia Íris.


A três estão vestidas a rigor. Nada de mal nisto, quando na história do ocidente, e em particular na história da arte, e antes da moral vitoriana, o nu era "quase" regra.


Este texto, porém, não tem a ver com arte, nem tampouco com fáceis moralismos. Tem a ver connosco, ocidentais, e a nossa submissão ao outros!


Ou seja, estando em completo acordo com a direita e a esquerda italiana, não entendo o que terá passado na cabeça de Matteo Renzi, o primeiro-Ministro Italiano, ao decidir, por ocasião visita oficial do Presidente do Irão, Hassan Rouhani, cobrir as estátuas nuas dos Museus Capitolinos, em Roma!


Na base desta decisão estão um conjunto de acordos que valerão aos cofres transalpinos cerca de 17 mil milhões de euros. É massa, é muita massa! Porém, nem mesmo um bom negócio, nada, nada mesmo, justifica a venda da identidade cultural dos italianos, que por arrasto é, também, a nossa!  

Vestidas (e a rigor) e a Europa ajoelhada 

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 Nesta imagem temos, da esquerda para a direita, a Imperatriz Lívia (mulher de Augusto), uma mulher com véu e uma mulher vestida imitando a deusa egípcia Íris.


A três estão vestidas a rigor. Nada de mal nisto, quando na história do ocidente, e em particular na história da arte, e antes da moral vitoriana, o nu era "quase" regra.


Este texto, porém, não tem a ver com arte, nem tampouco com fáceis moralismos. Tem a ver connosco, ocidentais, e a nossa submissão ao outros!


Ou seja, estando em completo acordo com a direita e a esquerda italiana, não entendo o que terá passado na cabeça de Matteo Renzi, o primeiro-Ministro Italiano, ao decidir, por ocasião visita oficial do Presidente do Irão, Hassan Rouhani, cobrir as estátuas nuas dos Museus Capitolinos, em Roma!


Na base desta decisão estão um conjunto de acordos que valerão aos cofres transalpinos cerca de 17 mil milhões de euros. É massa, é muita massa! Porém, nem mesmo um bom negócio, nada, nada mesmo, justifica a venda da identidade cultural dos italianos, que por arrasto é, também, a nossa!  

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Rezem por nós


Um grande acontecimento da actualidade foi este encontro entre o Papa Francisco e o presidente da República Islâmica do Irão, Hassan Rouhani, no Vaticano.

Esta foi a primeira audiência de um líder iraniano com o Papa em mais de 16 anos, depois de Mohammad Khatami se ter reunido com João Paulo II em 1999.

Foram discutidos todos os temas que preocupam o mundo. Do lado do Vaticano, o secretário de Estado, cardeal Parolin, já afirmou que “a Santa Sé não tem uma estratégia geopolítica própria. O que a diplomacia vaticana deseja, afirma, é “construir pontes, promover o diálogo, combater a pobreza e edificar a paz”.

O Papa pediu ao Presidente do Irão, Hassan Rouhani, para que trabalhe em prol da paz e que ajude no controlo do terrorismo e do tráfico de armas. A guerra da Síria esteve no centro do encontro. O Irão é dos maiores aliados do chefe de governo sírio Bashar-al Assad.

Rouhani, por sua vez, acabou o encontro a pedir ao Papa ​“Reze por mim”.

 

Rezem por nós


Um grande acontecimento da actualidade foi este encontro entre o Papa Francisco e o presidente da República Islâmica do Irão, Hassan Rouhani, no Vaticano.

Esta foi a primeira audiência de um líder iraniano com o Papa em mais de 16 anos, depois de Mohammad Khatami se ter reunido com João Paulo II em 1999.

Foram discutidos todos os temas que preocupam o mundo. Do lado do Vaticano, o secretário de Estado, cardeal Parolin, já afirmou que “a Santa Sé não tem uma estratégia geopolítica própria. O que a diplomacia vaticana deseja, afirma, é “construir pontes, promover o diálogo, combater a pobreza e edificar a paz”.

O Papa pediu ao Presidente do Irão, Hassan Rouhani, para que trabalhe em prol da paz e que ajude no controlo do terrorismo e do tráfico de armas. A guerra da Síria esteve no centro do encontro. O Irão é dos maiores aliados do chefe de governo sírio Bashar-al Assad.

Rouhani, por sua vez, acabou o encontro a pedir ao Papa ​“Reze por mim”.

 

António Vieira Monteiro ainda vai ser o banqueiro número um em Portugal


Foto: Victor Machado


O presidente do Santander Totta ainda se vai tornar no banqueiro da champions league nacional, um lugar que em tempos coube ao Jardim Gonçalves, ao Ricardo Salgado e agora está em Nuno Amado. O Santander Totta vai acabar por ser o maior banco nacional. Já faltou mais.


 


 

António Vieira Monteiro ainda vai ser o banqueiro número um em Portugal


Foto: Victor Machado


O presidente do Santander Totta ainda se vai tornar no banqueiro da champions league nacional, um lugar que em tempos coube ao Jardim Gonçalves, ao Ricardo Salgado e agora está em Nuno Amado. O Santander Totta vai acabar por ser o maior banco nacional. Já faltou mais.


 


 

Um país de absurdos

A reacção da Comissão Nacional de Eleições a um suposta violação às leis eleitorais por Paulo Portas quando disse, e depois de ter votado, que tudo “podia ficar resolvido à primeira volta” supondo uma aparente indicação de voto, é um completo absurdo pois é uma constatação óbvia!


Estes supostos momentos de reflexão não levam a lado nenhum. A maioria dos votantes sabe de antemão quem merece o seu escrutínio. Se tiverem duvidas que votem em branco, que façam um bonecos, escrevam umas baboseiras. Enfim anulem o voto, mas votem!


Finalmente é uma constatação óbvia porque, sendo esta a única eleição maioritária em Portugal, a realização uma segunda volta, que teria lugar 3 semanas depois, é uma imensa perda de tempo, e de dinheiro! Por outro lado, a Comissão Nacional de Eleições tem dois pesos e duas medidas. De facto, e como sublinha o CDS-PP, eles nada disseram e fizeram quando, nas eleições legislativas, o malabarista Costa incentivou descaradamente, e de forma bem mais veemente, ao dizer "estar “confiante” no resultado PS"!


 

Um país de absurdos

A reacção da Comissão Nacional de Eleições a um suposta violação às leis eleitorais por Paulo Portas quando disse, e depois de ter votado, que tudo “podia ficar resolvido à primeira volta” supondo uma aparente indicação de voto, é um completo absurdo pois é uma constatação óbvia!


Estes supostos momentos de reflexão não levam a lado nenhum. A maioria dos votantes sabe de antemão quem merece o seu escrutínio. Se tiverem duvidas que votem em branco, que façam um bonecos, escrevam umas baboseiras. Enfim anulem o voto, mas votem!


Finalmente é uma constatação óbvia porque, sendo esta a única eleição maioritária em Portugal, a realização uma segunda volta, que teria lugar 3 semanas depois, é uma imensa perda de tempo, e de dinheiro! Por outro lado, a Comissão Nacional de Eleições tem dois pesos e duas medidas. De facto, e como sublinha o CDS-PP, eles nada disseram e fizeram quando, nas eleições legislativas, o malabarista Costa incentivou descaradamente, e de forma bem mais veemente, ao dizer "estar “confiante” no resultado PS"!


 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cavaco Silva sai com chave de oiro


O Presidente da República vetou a adopção pelos homossexuais e as alterações à lei do aborto. É a medida que se impunha. Fê-lo no dia a seguir às eleições que escolheu o seu sucessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que tem em comum os mesmos valores. 


Podemos tirar daqui uma de duas conclusões. Cavaco Silva sabia que ia vetar as leis que a esquerda se apressou a aprovar assim que conseguiram tirar o PSD/CDS do Governo (de tal maneira é a coisa mais importante para a esquerda que foi a primeira medida a ir ao Parlamento - que obsessão!).


Se o fizesse antes podia prejudicar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente e por isso (combinado) anunciou o veto quando a eleição já não estava em risco.


Pode também ser visto como um presente envenenado que Cavaco Silva deixa ao seu sucessor. Até onde vai a ditadura do consenso de Marcelo? O consenso pode muito bem ser uma ditadura. Dada a falta de liberdade que lhe pode estar subjacente. Marcelo, o homem que marchou contra o casamento gay na manifestação pela família em 2010, como vai ser a sua posição? 


Cavaco Silva argumentou que falta um “amplo e esclarecedor debate público” sobre a adopção plena por casais do mesmo sexo para que se possa introduzir uma alteração tão “radical e profunda” na lei. Eu na minha parte acho que não falta debate nenhum, é evidentemente uma lei que não defende as crianças, mas sim os adultos. Mas o importante é vetar a lei. Não ceder à força do marketing, às pressões da moda, à intimidação dos defensores. Foi isto tudo Aníbal Cavaco Silva, e isso dignifica a sua passagem por este mundo. O seu papel na política portuguesa é inegável. Aníbal Cavaco Silva é sem dúvida uma personagem incontornável da História de Portugal das últimas décadas. Poucos se podem orgulhar de tal. É um homem da velha guarda, com um casamento de amor, estável e duradoiro, que lhe deu uma família feliz. Cavaco Silva pode orgulhar-se da sua vida, somou triunfos pessoais e profissionais invejáveis. 


O mundo que Aníbal Cavaco Silva conheceu quando entrou na vida política portuguesa como primeiro-ministro mudou muito, não necessariamente para melhor. Mas disso pouco se-lhe pode atribuir.


 

Cavaco Silva sai com chave de oiro


O Presidente da República vetou a adopção pelos homossexuais e as alterações à lei do aborto. É a medida que se impunha. Fê-lo no dia a seguir às eleições que escolheu o seu sucessor, Marcelo Rebelo de Sousa, que tem em comum os mesmos valores. 


Podemos tirar daqui uma de duas conclusões. Cavaco Silva sabia que ia vetar as leis que a esquerda se apressou a aprovar assim que conseguiram tirar o PSD/CDS do Governo (de tal maneira é a coisa mais importante para a esquerda que foi a primeira medida a ir ao Parlamento - que obsessão!).


Se o fizesse antes podia prejudicar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente e por isso (combinado) anunciou o veto quando a eleição já não estava em risco.


Pode também ser visto como um presente envenenado que Cavaco Silva deixa ao seu sucessor. Até onde vai a ditadura do consenso de Marcelo? O consenso pode muito bem ser uma ditadura. Dada a falta de liberdade que lhe pode estar subjacente. Marcelo, o homem que marchou contra o casamento gay na manifestação pela família em 2010, como vai ser a sua posição? 


Cavaco Silva argumentou que falta um “amplo e esclarecedor debate público” sobre a adopção plena por casais do mesmo sexo para que se possa introduzir uma alteração tão “radical e profunda” na lei. Eu na minha parte acho que não falta debate nenhum, é evidentemente uma lei que não defende as crianças, mas sim os adultos. Mas o importante é vetar a lei. Não ceder à força do marketing, às pressões da moda, à intimidação dos defensores. Foi isto tudo Aníbal Cavaco Silva, e isso dignifica a sua passagem por este mundo. O seu papel na política portuguesa é inegável. Aníbal Cavaco Silva é sem dúvida uma personagem incontornável da História de Portugal das últimas décadas. Poucos se podem orgulhar de tal. É um homem da velha guarda, com um casamento de amor, estável e duradoiro, que lhe deu uma família feliz. Cavaco Silva pode orgulhar-se da sua vida, somou triunfos pessoais e profissionais invejáveis. 


O mundo que Aníbal Cavaco Silva conheceu quando entrou na vida política portuguesa como primeiro-ministro mudou muito, não necessariamente para melhor. Mas disso pouco se-lhe pode atribuir.


 

Está na altura, não está?


A foto foi roubada ao monárquico João Távora


Numas eleições em que a abstenção é gigantesca, se bem que a limpeza sempre tardia dos cadernos eleitorais ajudaria a resolver, pergunto - e só uma pergunta de algibeira, que na realidade não aquece, nem me arrefece - se não é o tempo da República se questionar? De perguntar os portugueses se querem continuar a ser republicanos ou preferem regressar a um modelo monárquico constitucional?

Está na altura, não está?


A foto foi roubada ao monárquico João Távora


Numas eleições em que a abstenção é gigantesca, se bem que a limpeza sempre tardia dos cadernos eleitorais ajudaria a resolver, pergunto - e só uma pergunta de algibeira, que na realidade não aquece, nem me arrefece - se não é o tempo da República se questionar? De perguntar os portugueses se querem continuar a ser republicanos ou preferem regressar a um modelo monárquico constitucional?

A vitória minimalista!


Ganhou o candidato minimalista. Sem outdoors, sem cheta. Só ele. Ganhou o melhor candidato de todos, um candidato de proximidade, como se fosse o homem do táxi! 

A vitória minimalista!


Ganhou o candidato minimalista. Sem outdoors, sem cheta. Só ele. Ganhou o melhor candidato de todos, um candidato de proximidade, como se fosse o homem do táxi! 

domingo, 24 de janeiro de 2016

Voltou a ganhar o candidato em que votou a direita


Mais uma vez o candidato que tem base eleitoral PSD/CDS ganhou as eleições (desta vez as presidenciais). Isto apesar das críticas e convicções dos comentadores que consideram que o PSD/CDS são os parentes próximos do diabo. Há uma indignação generalizada das estrelas mediáticas com a vitória recorrente da direita, apesar das críticas, do escárnio e maldizer.


Estas eleições voltam assim a revelar que a sociedade civil está divorciada dos comentadores.


A base eleitoral de Marcelo é do PSD/CDS, não se pode falar de um candidato apartidário, como bem realçou Marina Costa Lobo, na RTP, perante o desagrado e desconsideração expressada pelas caras de alguns dos comentadores/jornalistas habitués que estavam no mesmo fórum. Estes quiserem fazer passar a mensagem que esta não era uma vitória do PSD/CDS, que esta não era uma vitória de Pedro Passos Coelho, que não era uma vitória da direita.


António Costa perdeu mais umas eleições (não que Marcelo lhe desagrade em termos práticos), mas isso não foi tido em conta pelos eleitores. 


Tal como António Lobo Xavier salientou na Quadratura do Círculo, os votos de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém somados tiveram um resultado miserável. O PS está a perder votos, e parece estar a perdê-los para o Bloco de Esquerda. 


O poder do PS está hoje ancorado no ódio da esquerda, quer dos políticos, quer de alguns comentadores (jornalistas incluídos), a Pedro Passos Coelho. Mas no dia em que Passos Coelho sair da liderança, o PS perde o seu actual leitmotiv, e lá se vão as coligações negativas. 


Outra conclusão destas eleições é que a ala segurista do PS acabou antes de começar. 


Há também a salientar um outro fenómeno social. A derrota eleitoral de Maria de Belém com 4,2% dos votos. Será que revela que o clássico PS já não tem palco? O PS tradicional, o PS de Manuel Alegre, de Jorge Coelho, etc, está a desaparecer para dar lugar a um PS que radicaliza à esquerda (Sampaio da Nóvoa)? Ou será que revela que as mulheres que não sejam as rebeldes, freaks-da-passa chique, estilo guerrilheiras de esquerda – Marisa Matias foi a terceira mais votada com 10,1% dos votos – são completamente desconsideradas pela sociedade portuguesa dominada por homens que olham para a opinião das mulheres com uma certa condescendência a raiar a chacota? Sobretudo se são mulheres conservadoras, tradicionais, bem-comportadas, com ar maternal e familiar, ou com ar de quem vai à missa ao Domingo, ou de quem viveu em Cascais, na Lapa, ou na Avenida de Roma. Os homens portugueses não levam a sério as mulheres quando toca a lugares de poder.


Reparem no que têm em comum Maria de Belém, Manuela Ferreira Leite, Assunção Cristas (esperem para ver o desiderato de que vai ser alvo), e todas as mulheres com alguma projecção mediática, quer a nível de opinião, ou de acção política, que sejam o estilo conservador/tradicional? E depois vejam se há alguma admiração/respeito/consideração da parte dessa nata de opinion makers que por aí espalham comentários. Este país é machista sem ser marialva (entendendo por marialva o homem que trata a mulher como um ser frágil que é preciso amar e proteger) porque os homens portugueses não são apaixonados por mulheres. Quanto muito, gostam da mulher deles e pouco mais. Os políticos portugueses não casam com Carlas Bruni, nem fogem de mota a meio da noite para se encontrarem com amantes. Os políticos portugueses, ora têm casamentos acomodados com mulheres resignadas e do establishment, ora não têm mulher, nem casos de amor apaixonados que justifiquem a solteirice. Bem dizia a Agustina que os homens portugueses estão mais perto de repudiar a mulher do que a amar. 


Há outro fenómeno revelado neste resultado eleitoral: a fraca votação do candidato do PCP. O Partido Comunista está desorientado na sua génese e isso vê-se nos resultados eleitorais. Hoje que motivo há para se votar no PCP, se há o Bloco de Esquerda e o PS com os mesmos princípios? O PCP perde na comparação: o PS tem mais hipótese de chegar ao poder e o Bloco de Esquerda tem mais juventude, para que raio há-de servir o PCP? Alguma coisa o distingue do Bloco, por exemplo? Isto é muito importante e pode marcar o futuro do Governo de António Costa.


Tal como li nas redes sociais: O PCP fica o partido do táxi, e se não se livra do Costa desaparece. E ainda "Costa estás lixado. Não pelo Marcelo, mas sim pelo PCP. Os comunistas vão mudar de discurso e de forma de estar já amanhã".


De resto há a salientar que a direita votou contrariada em Marcelo Rebelo de Sousa, porque não quis a presidência nas mãos do socialismo radical de Sampaio da Nóvoa, embora muitos se revissem mais no gestor da Marinha Grande, Henrique Neto - gestor com experiência empresarial, que conhece no terreno as fraquezas e forças do país. Até lhe desculparam a raiz socialista. Mas o medo de uma segunda volta que unisse a esquerda prejudicou-lhe a votação que se ficou pelos 0,8%.


Já Antonio Costa, no seu discurso, não pareceu muito chateado com a vitória de Marcelo. Não era o ideal mas serve-lhe. Talvez por isso tenha optado por não se comprometer com o apoio a nenhum candidato de esquerda.


O Tino de Rans, na sua pureza popular, valeu mais do que o demagogo lutador anti-corrupção, Paulo de Morais. Vitorino Silva é uma espécie de Jorge Jesus da política, embora bem menos genial. 


Vou ter saudades das frases lapidares do Jorge Sequeira, o psicólogo, orador motivacional. Ainda me lembro de algumas como: "Tudo se perde quando nada se transforma"; "a arte não deve ser popular, o povo é que deve ser artístico (Oscar Wilde)"; "eu não tenho um salário, tenho um se calhário"; "heróico no ser humano é não pertencer a nenhum rebanho". Ficou com 0,3%


Francamente fraco foi Cândido Ferreira, queixou-se muito do tempo de antena, mas faltou-lhe ideias e estilo.


 


 

Voltou a ganhar o candidato em que votou a direita


Mais uma vez o candidato que tem base eleitoral PSD/CDS ganhou as eleições (desta vez as presidenciais). Isto apesar das críticas e convicções dos comentadores que consideram que o PSD/CDS são os parentes próximos do diabo. Há uma indignação generalizada das estrelas mediáticas com a vitória recorrente da direita, apesar das críticas, do escárnio e maldizer.


Estas eleições voltam assim a revelar que a sociedade civil está divorciada dos comentadores.


A base eleitoral de Marcelo é do PSD/CDS, não se pode falar de um candidato apartidário, como bem realçou Marina Costa Lobo, na RTP, perante o desagrado e desconsideração expressada pelas caras de alguns dos comentadores/jornalistas habitués que estavam no mesmo fórum. Estes quiserem fazer passar a mensagem que esta não era uma vitória do PSD/CDS, que esta não era uma vitória de Pedro Passos Coelho, que não era uma vitória da direita.


António Costa perdeu mais umas eleições (não que Marcelo lhe desagrade em termos práticos), mas isso não foi tido em conta pelos eleitores. 


Tal como António Lobo Xavier salientou na Quadratura do Círculo, os votos de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém somados tiveram um resultado miserável. O PS está a perder votos, e parece estar a perdê-los para o Bloco de Esquerda. 


O poder do PS está hoje ancorado no ódio da esquerda, quer dos políticos, quer de alguns comentadores (jornalistas incluídos), a Pedro Passos Coelho. Mas no dia em que Passos Coelho sair da liderança, o PS perde o seu actual leitmotiv, e lá se vão as coligações negativas. 


Outra conclusão destas eleições é que a ala segurista do PS acabou antes de começar. 


Há também a salientar um outro fenómeno social. A derrota eleitoral de Maria de Belém com 4,2% dos votos. Será que revela que o clássico PS já não tem palco? O PS tradicional, o PS de Manuel Alegre, de Jorge Coelho, etc, está a desaparecer para dar lugar a um PS que radicaliza à esquerda (Sampaio da Nóvoa)? Ou será que revela que as mulheres que não sejam as rebeldes, freaks-da-passa chique, estilo guerrilheiras de esquerda – Marisa Matias foi a terceira mais votada com 10,1% dos votos – são completamente desconsideradas pela sociedade portuguesa dominada por homens que olham para a opinião das mulheres com uma certa condescendência a raiar a chacota? Sobretudo se são mulheres conservadoras, tradicionais, bem-comportadas, com ar maternal e familiar, ou com ar de quem vai à missa ao Domingo, ou de quem viveu em Cascais, na Lapa, ou na Avenida de Roma. Os homens portugueses não levam a sério as mulheres quando toca a lugares de poder.


Reparem no que têm em comum Maria de Belém, Manuela Ferreira Leite, Assunção Cristas (esperem para ver o desiderato de que vai ser alvo), e todas as mulheres com alguma projecção mediática, quer a nível de opinião, ou de acção política, que sejam o estilo conservador/tradicional? E depois vejam se há alguma admiração/respeito/consideração da parte dessa nata de opinion makers que por aí espalham comentários. Este país é machista sem ser marialva (entendendo por marialva o homem que trata a mulher como um ser frágil que é preciso amar e proteger) porque os homens portugueses não são apaixonados por mulheres. Quanto muito, gostam da mulher deles e pouco mais. Os políticos portugueses não casam com Carlas Bruni, nem fogem de mota a meio da noite para se encontrarem com amantes. Os políticos portugueses, ora têm casamentos acomodados com mulheres resignadas e do establishment, ora não têm mulher, nem casos de amor apaixonados que justifiquem a solteirice. Bem dizia a Agustina que os homens portugueses estão mais perto de repudiar a mulher do que a amar. 


Há outro fenómeno revelado neste resultado eleitoral: a fraca votação do candidato do PCP. O Partido Comunista está desorientado na sua génese e isso vê-se nos resultados eleitorais. Hoje que motivo há para se votar no PCP, se há o Bloco de Esquerda e o PS com os mesmos princípios? O PCP perde na comparação: o PS tem mais hipótese de chegar ao poder e o Bloco de Esquerda tem mais juventude, para que raio há-de servir o PCP? Alguma coisa o distingue do Bloco, por exemplo? Isto é muito importante e pode marcar o futuro do Governo de António Costa.


Tal como li nas redes sociais: O PCP fica o partido do táxi, e se não se livra do Costa desaparece. E ainda "Costa estás lixado. Não pelo Marcelo, mas sim pelo PCP. Os comunistas vão mudar de discurso e de forma de estar já amanhã".


De resto há a salientar que a direita votou contrariada em Marcelo Rebelo de Sousa, porque não quis a presidência nas mãos do socialismo radical de Sampaio da Nóvoa, embora muitos se revissem mais no gestor da Marinha Grande, Henrique Neto - gestor com experiência empresarial, que conhece no terreno as fraquezas e forças do país. Até lhe desculparam a raiz socialista. Mas o medo de uma segunda volta que unisse a esquerda prejudicou-lhe a votação que se ficou pelos 0,8%.


Já Antonio Costa, no seu discurso, não pareceu muito chateado com a vitória de Marcelo. Não era o ideal mas serve-lhe. Talvez por isso tenha optado por não se comprometer com o apoio a nenhum candidato de esquerda.


O Tino de Rans, na sua pureza popular, valeu mais do que o demagogo lutador anti-corrupção, Paulo de Morais. Vitorino Silva é uma espécie de Jorge Jesus da política, embora bem menos genial. 


Vou ter saudades das frases lapidares do Jorge Sequeira, o psicólogo, orador motivacional. Ainda me lembro de algumas como: "Tudo se perde quando nada se transforma"; "a arte não deve ser popular, o povo é que deve ser artístico (Oscar Wilde)"; "eu não tenho um salário, tenho um se calhário"; "heróico no ser humano é não pertencer a nenhum rebanho". Ficou com 0,3%


Francamente fraco foi Cândido Ferreira, queixou-se muito do tempo de antena, mas faltou-lhe ideias e estilo.


 


 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Alerta laranja para o Novo Banco


A notícia mais relevante do dia é esta: Podem estar em risco de incumprimento não cinco, mas 50 linhas obrigacionistas do Novo Banco no valor de 18 mil milhões de euros em dívida.


O que se passa é que hoje está a decorrer em Londres uma reunião da ISDA  - Associação Internacional de Swaps e Derivados que visa decidir se há ou não um “evento de crédito” (incumprimento de obrigações) e se devem ser accionados os respectivos seguros para cobrir as perdas em default (incumprimento) de obrigações.


Isto quer dizer que os grandes investidores institucionais - Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley, Nomura, Mizuho, a Société Générale e cinco fundos de gestão de capitais como AllianceBernstein, BlueMountain Capital Management, Citadel, Pimco (Pacific Investment Management Co), Cyrus Capital Partners, Elliott Management - estão a discutir se a decisão do Banco de Portugal de pôr as obrigações seniores do BES, que estavam no Novo Banco, de regresso ao banco que as emitiu e que está em liquidação (bail-in para recapitalizar o Novo Banco) constitui ou não um event of default(evento de incumprimento de obrigações) do próprio Novo Banco.


Se tal vier a acontecer torna todas as obrigações do Novo Banco imediatamente vencíveis e o banco tem de as pagar. Segundo fontes, como muitas obrigações são cupão zero e estão no balanço muito abaixo do valor nominal, a perda com o pagamento seria incomportável e o Novo Banco não sobreviveria.


Estariam em causa 18 mil milhões de euros.


O painel externo, constituído por grandes bancos internacionais, do Comité de Avaliação de Derivados de Crédito (ISDA) está reunido desde quarta-feira em Londres para decidir isso. Para os investidores (que já estão a penalizar até a dívida soberana) o que aconteceu com as cinco linhas de obrigações seniores do Novo Banco pode ser classificado como um "evento de crédito" porque não foram cumpridas as regras de igual tratamento dos credores (clausula pari passu).


As consequências poderão ser dramáticas. O que significa, muito provavelmente que o Banco de Portugal vai recuar, ou compensar os investidores que detinham aquelas series de obrigações que por decisão do regulador regressaram ao balanço do BES (bad bank). 

Alerta laranja para o Novo Banco


A notícia mais relevante do dia é esta: Podem estar em risco de incumprimento não cinco, mas 50 linhas obrigacionistas do Novo Banco no valor de 18 mil milhões de euros em dívida.


O que se passa é que hoje está a decorrer em Londres uma reunião da ISDA  - Associação Internacional de Swaps e Derivados que visa decidir se há ou não um “evento de crédito” (incumprimento de obrigações) e se devem ser accionados os respectivos seguros para cobrir as perdas em default (incumprimento) de obrigações.


Isto quer dizer que os grandes investidores institucionais - Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley, Nomura, Mizuho, a Société Générale e cinco fundos de gestão de capitais como AllianceBernstein, BlueMountain Capital Management, Citadel, Pimco (Pacific Investment Management Co), Cyrus Capital Partners, Elliott Management - estão a discutir se a decisão do Banco de Portugal de pôr as obrigações seniores do BES, que estavam no Novo Banco, de regresso ao banco que as emitiu e que está em liquidação (bail-in para recapitalizar o Novo Banco) constitui ou não um event of default(evento de incumprimento de obrigações) do próprio Novo Banco.


Se tal vier a acontecer torna todas as obrigações do Novo Banco imediatamente vencíveis e o banco tem de as pagar. Segundo fontes, como muitas obrigações são cupão zero e estão no balanço muito abaixo do valor nominal, a perda com o pagamento seria incomportável e o Novo Banco não sobreviveria.


Estariam em causa 18 mil milhões de euros.


O painel externo, constituído por grandes bancos internacionais, do Comité de Avaliação de Derivados de Crédito (ISDA) está reunido desde quarta-feira em Londres para decidir isso. Para os investidores (que já estão a penalizar até a dívida soberana) o que aconteceu com as cinco linhas de obrigações seniores do Novo Banco pode ser classificado como um "evento de crédito" porque não foram cumpridas as regras de igual tratamento dos credores (clausula pari passu).


As consequências poderão ser dramáticas. O que significa, muito provavelmente que o Banco de Portugal vai recuar, ou compensar os investidores que detinham aquelas series de obrigações que por decisão do regulador regressaram ao balanço do BES (bad bank). 

Na partida de um homem repleto de predicados


Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Prémio Valmor de 1975 - projecto de Nuno Portas, Nuno Teotónio Pereira, Vasco Lobo, Vitor Figueiredo e P.Vieira de Almeida - Lisboa, 1962-1970


 


Uma homenagem a um grande arquitecto português. Um homem repleto de predicados!

Na partida de um homem repleto de predicados


Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Prémio Valmor de 1975 - projecto de Nuno Portas, Nuno Teotónio Pereira, Vasco Lobo, Vitor Figueiredo e P.Vieira de Almeida - Lisboa, 1962-1970


 


Uma homenagem a um grande arquitecto português. Um homem repleto de predicados!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Vergílio Ferreira intemporal

"Somos um povo de analfabetos. Destes há alguns que não sabem ler e outros que sabem"

Vergílio Ferreira intemporal

"Somos um povo de analfabetos. Destes há alguns que não sabem ler e outros que sabem"

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Afinal os bancos portugueses já não emitiam obrigações, o mercado não se fechou agora


Confesso que, assim que a notícia da recapitalização do Novo Banco com obrigações seniores do BES saiu, pensei imediatamente: Nunca mais um investidor institucional compra uma obrigação de um banco português. Foi um pensamento imediato, mas não menos legítimo. O pensamento de que o mercado monetário interbancário se iria fechar para os bancos portugueses por causa da decisão do Banco de Portugal (imputada só a ele ainda por cima, e não ao BCE) de aplicar uma versão suis generis da lei de Resolução que iria entrar em vigor em 2016 (a diferença, já a escrevi aqui, é que na lei europeia os obrigacionistas passam a accionistas obrigatoriamente, e aqui tratou-se de retirar do balanço as obrigações seniores e pô-las num bad bank que vai ser liquidado), não é desprovido de sentido, pois obedece às leis da lógica. Mas a lógica pode falhar quando não se tem todos os dados da equação. Foi o que aconteceu. 


Falhou-me os dados das emissões de obrigações de bancos. É que de, pelo menos, há três anos para cá que os bancos não vão ao mercado monetário interbancário - mercado de emissões de dívida - para se financiarem. Em primeiro lugar porque desde então que é caro emitir. É mais barato para os bancos financiarem-se através dos depósitos, ou através do BCE do que através da emissão de obrigações. Depois porque com as exigências da troika a desalavancagem dos bancos levou a balanços mais equilibrados. Os rácios de transformação de depósitos em crédito nos bancos em Portugal em geral são hoje abaixo dos 100%, isto é, há mais depósitos do que crédito. Porque os depósitos subiram e o crédito caiu bastante.  Como as taxas de juro estão baixas os depósitos tornaram-se a forma mais barata de os bancos se financiarem. O BCE, com o seu quantitative easing tem ajudo ao financiamento dos bancos e isso repercute-se no preço baixo do dinheiro. Pode dizer-se o BCE é curto prazo. É. Mas como os bancos estão sempre lá, é curto prazo que na prática é longo. 


As emissões de dívida sénior de bancos tem sido muito esporádica, para não dizer inexistente, dizem fontes dos bancos com quem falei. Mesmo as emissões de dívida que vencem em breve não serão refinanciadas com outra emissão, os bancos não precisam de liquidez.


Não há por assim dizer um mercado de obrigações seniores activo que tenha sofrido abruptamente com a decisão do Banco de Portugal (por muito que seja criticável) de retirar algumas séries de obrigações seniores do BES do balanço do Novo Banco, o que ajudou a reforçar os capitais. Por muito que a Pimco e a BlackRock tenham perdido e estejam com toda a razão furiosas com Portugal. A verdade, segundo os especialistas, é que se o bancos quisessem emitir, mesmo antes da decisão relativa ao Novo Banco já ia ser muito caro, por outros factores de conjuntura económica e política, e não compensaria. Por isso os bancos não se aventuravam por esse mercado.


A curto prazo o trauma, chamemos-lhe assim, do investimento em obrigações seniores só atinge o mercado secundário de obrigações porque as desvaloriza e nessa medida faz disparar as yields (taxa de juro). 


É mais preocupante para os bancos as alterações regulatórias do BCE que ainda não estabilizaram (agora fala-se da possibilidade de estipular um tecto para os bancos investirem em obrigações soberanas - que são usadas como colateral para financiamento no BCE, e ainda admite-se que se obrigue a considerar o risco dos países nessas emissões), do que propriamente esta decisão do Banco de Portugal. Voilá!

Afinal os bancos portugueses já não emitiam obrigações, o mercado não se fechou agora


Confesso que, assim que a notícia da recapitalização do Novo Banco com obrigações seniores do BES saiu, pensei imediatamente: Nunca mais um investidor institucional compra uma obrigação de um banco português. Foi um pensamento imediato, mas não menos legítimo. O pensamento de que o mercado monetário interbancário se iria fechar para os bancos portugueses por causa da decisão do Banco de Portugal (imputada só a ele ainda por cima, e não ao BCE) de aplicar uma versão suis generis da lei de Resolução que iria entrar em vigor em 2016 (a diferença, já a escrevi aqui, é que na lei europeia os obrigacionistas passam a accionistas obrigatoriamente, e aqui tratou-se de retirar do balanço as obrigações seniores e pô-las num bad bank que vai ser liquidado), não é desprovido de sentido, pois obedece às leis da lógica. Mas a lógica pode falhar quando não se tem todos os dados da equação. Foi o que aconteceu. 


Falhou-me os dados das emissões de obrigações de bancos. É que de, pelo menos, há três anos para cá que os bancos não vão ao mercado monetário interbancário - mercado de emissões de dívida - para se financiarem. Em primeiro lugar porque desde então que é caro emitir. É mais barato para os bancos financiarem-se através dos depósitos, ou através do BCE do que através da emissão de obrigações. Depois porque com as exigências da troika a desalavancagem dos bancos levou a balanços mais equilibrados. Os rácios de transformação de depósitos em crédito nos bancos em Portugal em geral são hoje abaixo dos 100%, isto é, há mais depósitos do que crédito. Porque os depósitos subiram e o crédito caiu bastante.  Como as taxas de juro estão baixas os depósitos tornaram-se a forma mais barata de os bancos se financiarem. O BCE, com o seu quantitative easing tem ajudo ao financiamento dos bancos e isso repercute-se no preço baixo do dinheiro. Pode dizer-se o BCE é curto prazo. É. Mas como os bancos estão sempre lá, é curto prazo que na prática é longo. 


As emissões de dívida sénior de bancos tem sido muito esporádica, para não dizer inexistente, dizem fontes dos bancos com quem falei. Mesmo as emissões de dívida que vencem em breve não serão refinanciadas com outra emissão, os bancos não precisam de liquidez.


Não há por assim dizer um mercado de obrigações seniores activo que tenha sofrido abruptamente com a decisão do Banco de Portugal (por muito que seja criticável) de retirar algumas séries de obrigações seniores do BES do balanço do Novo Banco, o que ajudou a reforçar os capitais. Por muito que a Pimco e a BlackRock tenham perdido e estejam com toda a razão furiosas com Portugal. A verdade, segundo os especialistas, é que se o bancos quisessem emitir, mesmo antes da decisão relativa ao Novo Banco já ia ser muito caro, por outros factores de conjuntura económica e política, e não compensaria. Por isso os bancos não se aventuravam por esse mercado.


A curto prazo o trauma, chamemos-lhe assim, do investimento em obrigações seniores só atinge o mercado secundário de obrigações porque as desvaloriza e nessa medida faz disparar as yields (taxa de juro). 


É mais preocupante para os bancos as alterações regulatórias do BCE que ainda não estabilizaram (agora fala-se da possibilidade de estipular um tecto para os bancos investirem em obrigações soberanas - que são usadas como colateral para financiamento no BCE, e ainda admite-se que se obrigue a considerar o risco dos países nessas emissões), do que propriamente esta decisão do Banco de Portugal. Voilá!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Agustina, mestre na descrição de carácteres

Um dos amigos disse dela: "Orgulhosa e indiferente. Tão inteligente que parece incoerente e fora de uso". Só a Agustina para descrever tão bem um carácter.


E, do mesmo livro: "O amor parece ser blasfemo, tais as recusas de que é objecto. Talvez possa agir sobre as estruturas da realidade duma maneira arrasadora. Quem ama arde e extingue-se, não escolhe; pertence ao absoluto e não ao contentamento de comparar, na base das técnicas da argumentação que fazem rolar a terra".


In Eugénia e Silvina

Agustina, mestre na descrição de carácteres

Um dos amigos disse dela: "Orgulhosa e indiferente. Tão inteligente que parece incoerente e fora de uso". Só a Agustina para descrever tão bem um carácter.


E, do mesmo livro: "O amor parece ser blasfemo, tais as recusas de que é objecto. Talvez possa agir sobre as estruturas da realidade duma maneira arrasadora. Quem ama arde e extingue-se, não escolhe; pertence ao absoluto e não ao contentamento de comparar, na base das técnicas da argumentação que fazem rolar a terra".


In Eugénia e Silvina

sábado, 16 de janeiro de 2016

A nova tendência: cozinha


As cozinhas são a nova coqueluche das casas. Toda a Europa (e não apenas os países mediterrâneo) vive na cozinha. O novo hobbie por excelência é cozinhar por causa dos programas de culinária que prometem que todos podemos ser chefs. É a nova maneira de mostrar ao mundo quem somos. A cozinha é o novo lifestyle. As máquinas smart de cozinha são o novo futuro. A cozinha torna-se na parte mais importante da casa do futuro.


A Feira da tecnologia em Berlim que decorreu este mês, permitiu ver que as cozinhas funcionais assumem o papel predominante numa casa.

A nova tendência: cozinha


As cozinhas são a nova coqueluche das casas. Toda a Europa (e não apenas os países mediterrâneo) vive na cozinha. O novo hobbie por excelência é cozinhar por causa dos programas de culinária que prometem que todos podemos ser chefs. É a nova maneira de mostrar ao mundo quem somos. A cozinha é o novo lifestyle. As máquinas smart de cozinha são o novo futuro. A cozinha torna-se na parte mais importante da casa do futuro.


A Feira da tecnologia em Berlim que decorreu este mês, permitiu ver que as cozinhas funcionais assumem o papel predominante numa casa.

A diferença entre o Novo Banco e o Banif, e a saga das obrigações seniores (há uma nuance sabia?)


Há uma nuance que ninguém está a ver na aplicação ao Novo Banco da lei europeia. Já lá iremos.


Comecemos por lembrar que está tudo muito indignado com a discrepância entre a solução/resolução que foi adoptada para o Banif e a segunda resolução que foi adoptada para o Novo Banco. 


É certo que parece um paradoxo que por um lado se tenha poupado os detentores de obrigações do Banif (dívida senior, que é aquela que primeiro é paga num conjunto de credores) e penalizado os contribuintes e por outro se critique o uso desta mesma dívida para recapitalizar o Novo Banco. O BCE se por um lado se descarta da opção do Banco de Portugal de ter recapitalizado o Novo Banco recorrendo à transferência de emissões de obrigações séniores do BES para o banco mau, depois de já terem selado no balanço os activos (património) do Novo Banco contando com estes títulos. Essa opção do Banco de Portugal pode ter custado a credibilidade das instituições financeiras nacionais para se financiarem no mercado monetário interbancário. Por outro o BCE manda dizer que o Estado [ver Expresso] podia ter poupado até mil milhões de euros no montante que injectou no Banif, caso tivesse optado por imputar perdas aos investidores com obrigações seniores, em vez dos contribuintes. Isto é um contra-senso aparentemente. Por um lado deve-se usar as obrigações séniores de um banco para evitar pesar nos contribuintes através de um bail-out; por outro a decisão do bail-in não era a que defendiam para o Novo Banco.


A notícia do Expresso provocou mesmo uma resposta do Ministério das Finanças que diz que: "Na sequência de algumas notícias que afirmam que o Estado poderia ter poupado entre 500 mil a 1.000 milhões de euros em dívida sénior do Banif, o Ministério das Finanças faz o esclarecimento [de que] esta informação é falsa, já que a participação de dívida sénior na cobertura de prejuízos atingiria no máximo 169 milhões de euros e qualquer valor superior implicaria a perda de depósitos", lê-se no comunicado hoje divulgado pelo gabinete liderado por Mário Centeno. O Governo afirma que a resolução do Banif, em Dezembro, foi feita tendo em conta a necessidade de preservar a estabilidade financeira e que uma solução como a referida "poria em causa a confiança dos investidores e aforradores no sistema financeiro português, com consequências nefastas sobre a estabilidade financeira e o bem estar dos portugueses".


Mas o paradoxo não está apenas na diferença de resolução que o BCE defende para dois bancos portugueses, Banif e Novo Banco, mas ainda no facto de afinal a lei de recorrer ao dinheiro dos obrigacionistas para recapitalizar os bancos, em detrimento do uso de dinheiro público ou com custos para o Estado, ser ela mesma europeia. 


Mas aqui há uma nuance. A lei de Resolução de bancos que está já em vigor [aquela que chama os depósitos e obrigações seniores ao resgate]  não é a mesma que foi aplicada ao Novo Banco. O Novo Banco viu transferir as obrigações seniores para um bad bank. No modelo europeu as obrigações seniores são convertidas em acções do banco (capital). Aqui não foi assim, foram retiradas ao balanço o que parece ser a assumpção de que o balanço inicial do Novo Banco estava enganado. Para os investidores não é a mesma coisa perder todo o dinheiro que tinham investido em obrigações de bom risco e ficar ainda com acções que poderão depois vender no mercado, mesmo que com perdas.


Mas porque é que então o Banco de Portugal recorreu a um mecanismo que pode criar uma crise de financiamento aos bancos? Porque o Fundo de Resolução português não tem capital. Está esgotado com o Novo Banco. Os bancos do Fundo de Resolução não podem aumentar a exposição ao Fundo que detém o Novo Banco. Se fosse aplicada a lei europeia à letra isso diluiria o capital do Fundo de Resolução e não evitava as perdas deste. A operação do Banif teve um olho posto na situação do Fundo de Resolução que está focado no Novo Banco.


Quando tudo falha na gestão de um banco, ou quando o BCE determina que assim é, o que importa é encontrar uma qualquer solução de viabilidade. A certa altura vale tudo e não há opções perfeitas. É preciso capital num banco, alguém tem de pôr o dinheiro. Mas o que é verdade é que tudo, o BCE incluido, parece contribuir para uma sensação de insegurança. As leis e os seus agentes parecem autênticos fora-da-lei.

A diferença entre o Novo Banco e o Banif, e a saga das obrigações seniores (há uma nuance sabia?)


Há uma nuance que ninguém está a ver na aplicação ao Novo Banco da lei europeia. Já lá iremos.


Comecemos por lembrar que está tudo muito indignado com a discrepância entre a solução/resolução que foi adoptada para o Banif e a segunda resolução que foi adoptada para o Novo Banco. 


É certo que parece um paradoxo que por um lado se tenha poupado os detentores de obrigações do Banif (dívida senior, que é aquela que primeiro é paga num conjunto de credores) e penalizado os contribuintes e por outro se critique o uso desta mesma dívida para recapitalizar o Novo Banco. O BCE se por um lado se descarta da opção do Banco de Portugal de ter recapitalizado o Novo Banco recorrendo à transferência de emissões de obrigações séniores do BES para o banco mau, depois de já terem selado no balanço os activos (património) do Novo Banco contando com estes títulos. Essa opção do Banco de Portugal pode ter custado a credibilidade das instituições financeiras nacionais para se financiarem no mercado monetário interbancário. Por outro o BCE manda dizer que o Estado [ver Expresso] podia ter poupado até mil milhões de euros no montante que injectou no Banif, caso tivesse optado por imputar perdas aos investidores com obrigações seniores, em vez dos contribuintes. Isto é um contra-senso aparentemente. Por um lado deve-se usar as obrigações séniores de um banco para evitar pesar nos contribuintes através de um bail-out; por outro a decisão do bail-in não era a que defendiam para o Novo Banco.


A notícia do Expresso provocou mesmo uma resposta do Ministério das Finanças que diz que: "Na sequência de algumas notícias que afirmam que o Estado poderia ter poupado entre 500 mil a 1.000 milhões de euros em dívida sénior do Banif, o Ministério das Finanças faz o esclarecimento [de que] esta informação é falsa, já que a participação de dívida sénior na cobertura de prejuízos atingiria no máximo 169 milhões de euros e qualquer valor superior implicaria a perda de depósitos", lê-se no comunicado hoje divulgado pelo gabinete liderado por Mário Centeno. O Governo afirma que a resolução do Banif, em Dezembro, foi feita tendo em conta a necessidade de preservar a estabilidade financeira e que uma solução como a referida "poria em causa a confiança dos investidores e aforradores no sistema financeiro português, com consequências nefastas sobre a estabilidade financeira e o bem estar dos portugueses".


Mas o paradoxo não está apenas na diferença de resolução que o BCE defende para dois bancos portugueses, Banif e Novo Banco, mas ainda no facto de afinal a lei de recorrer ao dinheiro dos obrigacionistas para recapitalizar os bancos, em detrimento do uso de dinheiro público ou com custos para o Estado, ser ela mesma europeia. 


Mas aqui há uma nuance. A lei de Resolução de bancos que está já em vigor [aquela que chama os depósitos e obrigações seniores ao resgate]  não é a mesma que foi aplicada ao Novo Banco. O Novo Banco viu transferir as obrigações seniores para um bad bank. No modelo europeu as obrigações seniores são convertidas em acções do banco (capital). Aqui não foi assim, foram retiradas ao balanço o que parece ser a assumpção de que o balanço inicial do Novo Banco estava enganado. Para os investidores não é a mesma coisa perder todo o dinheiro que tinham investido em obrigações de bom risco e ficar ainda com acções que poderão depois vender no mercado, mesmo que com perdas.


Mas porque é que então o Banco de Portugal recorreu a um mecanismo que pode criar uma crise de financiamento aos bancos? Porque o Fundo de Resolução português não tem capital. Está esgotado com o Novo Banco. Os bancos do Fundo de Resolução não podem aumentar a exposição ao Fundo que detém o Novo Banco. Se fosse aplicada a lei europeia à letra isso diluiria o capital do Fundo de Resolução e não evitava as perdas deste. A operação do Banif teve um olho posto na situação do Fundo de Resolução que está focado no Novo Banco.


Quando tudo falha na gestão de um banco, ou quando o BCE determina que assim é, o que importa é encontrar uma qualquer solução de viabilidade. A certa altura vale tudo e não há opções perfeitas. É preciso capital num banco, alguém tem de pôr o dinheiro. Mas o que é verdade é que tudo, o BCE incluido, parece contribuir para uma sensação de insegurança. As leis e os seus agentes parecem autênticos fora-da-lei.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Marcelo e os erros de casting


Não me parece plausível que Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) não seja eleito à primeira volta. Não conheço nenhuma recente sondagem, nem me parece tampouco que os ataques que os opositores lhe movem - faz tudo parte do jogo político - sejam impeditivos para o sucesso eleitoral do antigo líder social-democrata e comentador televisivo. 


Por outro lado, a presumível vitória de MRS é, a meu ver, fruto de um imenso erro de casting por parte do Partido Socialista e do divisionismo que o caracteriza. Nas suas fileiras há pessoas bem mais capazes de agradarem ao eleitorado do centro-esquerda / esquerda do que Nóvoa ou Belém, como seja, por exemplo - já que Guterres se mostrou indisponível - Jaime Gama*.


Estou seguro que Gama seria, porque o conheço, e fez um excelente trabalho, um excelente candidato! Portanto, se MRS ganhar, deve-se, em grande parte, aos erros de casting dos socialistas!  


 


* O Dr. Jaime Gama foi meu professor nos tempos universitários, e desde sempre o considerei, pese embora não ser socialista, uma pessoa fora do baralho, e, por isto mesmo, acima da média. Estou certo que daria um bom PR, da mesma forma como foi um excelente Presidente da Assembleia da República e Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Marcelo e os erros de casting


Não me parece plausível que Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) não seja eleito à primeira volta. Não conheço nenhuma recente sondagem, nem me parece tampouco que os ataques que os opositores lhe movem - faz tudo parte do jogo político - sejam impeditivos para o sucesso eleitoral do antigo líder social-democrata e comentador televisivo. 


Por outro lado, a presumível vitória de MRS é, a meu ver, fruto de um imenso erro de casting por parte do Partido Socialista e do divisionismo que o caracteriza. Nas suas fileiras há pessoas bem mais capazes de agradarem ao eleitorado do centro-esquerda / esquerda do que Nóvoa ou Belém, como seja, por exemplo - já que Guterres se mostrou indisponível - Jaime Gama*.


Estou seguro que Gama seria, porque o conheço, e fez um excelente trabalho, um excelente candidato! Portanto, se MRS ganhar, deve-se, em grande parte, aos erros de casting dos socialistas!  


 


* O Dr. Jaime Gama foi meu professor nos tempos universitários, e desde sempre o considerei, pese embora não ser socialista, uma pessoa fora do baralho, e, por isto mesmo, acima da média. Estou certo que daria um bom PR, da mesma forma como foi um excelente Presidente da Assembleia da República e Ministro dos Negócios Estrangeiros.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A Queda de Wall Street


O filme que relata os visionários que previram a furacão que varreu Wall Street, com a explosão do mercado hipotecário subprime e que apostaram na queda das obrigações hipotecárias que iam desde os ratings piores aos melhores, está aí nos cinemas. Com realização de Adam McKay o filma adopta o livro de Michael Lewis. 


Mais ou menos foi isto que se passou: Um dia Michael Burry que tinha uma gestora de hedge funds, deu-se ao trabalho de analisar a situação dos créditos hipotecários que compunham as séries de obrigações hipotecárias que eram consideradas de risco triple A (bom risco) e descobriu que a componente de empréstimos hipotecários de alto risco (mesmo já com incumprimentos) era 65% dessas Obrigações. Estava a vender-se embrulhado em produto de bom risco autênticas carteiras de credito tóxico. Previu em 2005 que em 2007 quando as taxas de juros de crédito à habitação fossem predominantemente variáveis que a maioria dos detentores desses créditos ia deixar de pagar as suas casas, ia haver uma explosão da bomba imobiliária. A concessão de crédito com hipoteca estava a ser tão fácil que cada pessoa tinha mais do que uma casa a crédito, e alugava e ganhava dinheiro. Mas a recessão, o desemprego e a subida dos juros ia acabar com este paraíso. Na altura todos os bancos apostavam que obrigações hipotecárias eram sem risco. O gestor visionário foi bater à porta de todos os grandes bancos dos Estados Unidos a propor-lhe investir na queda dessas obrigações, e daí surgiu o produto financeiro Crédit Default Swap (um seguro accionado quando a queda se verificar). Depois disto outros três investidores em várias partes do sistema aperceberam-se da mesma oportunidade ganhar com a perda. Houve compra de instrumentos (swaps) que apostavam na queda das obrigações contra os bancos que apostavam na subida. Os CDO (collateralized debt obligation) e os sucessivos CDO sintéticos foram o gatilho que fizeram explodir a crise do subprime por todo o mundo. Nos Estados Unidos culminou com a falência do Lehman Brothers e com o bail-out de muitos dos grandes bancos norte-americanos, e fusões patrocinadas pelas autoridades. O arquitecto desta bomba relógio: Alan Greenspan.


O filme é fabuloso na maior parte do tempo, e na forma simples e despretensiosa com que descreve acontecimentos técnicos de alta complexidade, e só peca pelo tom moralista com que finaliza o filme. Tornando-o ideológico e recorrendo a slogans óbvios acabou por sujar uma boa obra cinematográfica. 


O filme, elogiado pelo crítico Eurico de Barros aqui, que o descreve como um filme pop cool que "conta a história real de um pequeno e heteróclito grupo de investidores, quase todos na periferia do sistema financeiro, que adivinhou que a bolha ia rebentar e apostou contra o mercado, expondo-se à incredulidade e mesmo à troça geral, até os factos lhes darem razão — e uma fortuna em lucros", está candidato a melhor filme para os Óscares de 2016 e o realizador está também nomeado. O filme recebeu uma nomeação para os globos de ouro como melhor comédia. Nada mal para uma filme de baixo custo de produção.

A Queda de Wall Street


O filme que relata os visionários que previram a furacão que varreu Wall Street, com a explosão do mercado hipotecário subprime e que apostaram na queda das obrigações hipotecárias que iam desde os ratings piores aos melhores, está aí nos cinemas. Com realização de Adam McKay o filma adopta o livro de Michael Lewis. 


Mais ou menos foi isto que se passou: Um dia Michael Burry que tinha uma gestora de hedge funds, deu-se ao trabalho de analisar a situação dos créditos hipotecários que compunham as séries de obrigações hipotecárias que eram consideradas de risco triple A (bom risco) e descobriu que a componente de empréstimos hipotecários de alto risco (mesmo já com incumprimentos) era 65% dessas Obrigações. Estava a vender-se embrulhado em produto de bom risco autênticas carteiras de credito tóxico. Previu em 2005 que em 2007 quando as taxas de juros de crédito à habitação fossem predominantemente variáveis que a maioria dos detentores desses créditos ia deixar de pagar as suas casas, ia haver uma explosão da bomba imobiliária. A concessão de crédito com hipoteca estava a ser tão fácil que cada pessoa tinha mais do que uma casa a crédito, e alugava e ganhava dinheiro. Mas a recessão, o desemprego e a subida dos juros ia acabar com este paraíso. Na altura todos os bancos apostavam que obrigações hipotecárias eram sem risco. O gestor visionário foi bater à porta de todos os grandes bancos dos Estados Unidos a propor-lhe investir na queda dessas obrigações, e daí surgiu o produto financeiro Crédit Default Swap (um seguro accionado quando a queda se verificar). Depois disto outros três investidores em várias partes do sistema aperceberam-se da mesma oportunidade ganhar com a perda. Houve compra de instrumentos (swaps) que apostavam na queda das obrigações contra os bancos que apostavam na subida. Os CDO (collateralized debt obligation) e os sucessivos CDO sintéticos foram o gatilho que fizeram explodir a crise do subprime por todo o mundo. Nos Estados Unidos culminou com a falência do Lehman Brothers e com o bail-out de muitos dos grandes bancos norte-americanos, e fusões patrocinadas pelas autoridades. O arquitecto desta bomba relógio: Alan Greenspan.


O filme é fabuloso na maior parte do tempo, e na forma simples e despretensiosa com que descreve acontecimentos técnicos de alta complexidade, e só peca pelo tom moralista com que finaliza o filme. Tornando-o ideológico e recorrendo a slogans óbvios acabou por sujar uma boa obra cinematográfica. 


O filme, elogiado pelo crítico Eurico de Barros aqui, que o descreve como um filme pop cool que "conta a história real de um pequeno e heteróclito grupo de investidores, quase todos na periferia do sistema financeiro, que adivinhou que a bolha ia rebentar e apostou contra o mercado, expondo-se à incredulidade e mesmo à troça geral, até os factos lhes darem razão — e uma fortuna em lucros", está candidato a melhor filme para os Óscares de 2016 e o realizador está também nomeado. O filme recebeu uma nomeação para os globos de ouro como melhor comédia. Nada mal para uma filme de baixo custo de produção.

Como o IGCP desvendou a factura socialista


Não há milagres quando toca a balanços. Receitas (activos) de um lado, despesas - que quando superam as receitas são financiadas com dívida - (passivo) do outro. 


As promessas do Governo, as benesses, as reversões, os aumentos, tudo custa dinheiro ao Orçamento de Estado. Então o que pensou o bom do Costa e o bom do Centeno? "A gente dá já e paga depois. Se calhar já não estaremos cá nós para pagar. Logo se vê. A gente dá já, e ganhamos o eleitorado para irmos a eleições e ganharmos".


Assim vejamos:


A redução do défice público será mais lenta. O reverso da medalha é que entre 2016 e 2019 será necessário financiar nos mercados mais 10,9 mil milhões de euros


Os défices orçamentais previstos pelo Governo para o período 2016 a 2019 exigirão que o Estado português financie nos mercados 17,1 mil milhões de euros, o que representa um acréscimo de 10,9 mil milhões de euros face aos planos tornados públicos há apenas quatro meses (6,2 mil milhões, quase três vezes menos). O aumento é notado pela UTAO, a unidade técnica a trabalhar no Parlamento na sua última nota de análise à dívida pública.


Estes dados ficaram públicos (grande maçada) porque o IGCP, liderado por Cristina Casalinho, fez uma apresentação aos investidores onde consta aquele mapa.


O défice público será de 2,8% do PIB este ano, o que compara com a anterior previsão de 1,8% do PIB; e baixará para 1,5% em 2019, o que contrasta com a anterior previsão de um excedente orçamental nesse ano.


Segundo a UTAO isso significa em termos de necessidades de financiamento acrescidas: "O défice orçamental do Estado fixar-se-á em 5 mil milhões de euros, 3,8 mil milhões de euros e 3,1 mil milhões de euros em 2017, 2018 e 2019, respectivamente", o que configura "uma revisão em alta face à última previsão [comunicada pelo IGCP aos investidores em Setembro]". "Em termos acumulados, entre 2017 e 2019, será necessário financiar cerca de mais 9 mil milhões de euros do que o previsto em Outubro de 2015".


O Estado atira ainda 6,6 mil milhões de dívida do FMI para pagar depois da legislatura (sendo o custo médio da dívida do FMI de 4,7% e estando nos 2,6% os juros da nossa dívida a dez anos no mercado). Pois o Estado previa pagar antecipadamente ao FMI 16,9 mil milhões de euros, e agora diz que só vai reembolsar 10,3 mil milhões de euros.


Segundo o Negócios: «Como o défice previsto para este ano foi também revisto em alta de 3,2 mil milhões de euros para 5,2 mil milhões de euros, mais dois mil milhões de euros, conclui-se que, na legislatura, o acréscimo de necessidades de financiamento face à anterior previsão será de cerca de 11 mil milhões de euros, que terão de ser financiados nos mercados. Estas não são as necessidades totais de financiamento do Estado. Ao défice orçamental, será necessário adicionar compras de activos e as amortizações de dívida. Ao todo, entre 2016 e 2019, o IGCP terá de financiar 73 mil milhões de euros, quase tanto como o dinheiro pedido emprestado à troika. Este valor representa um aumento de 9 mil milhões de euros face aos planos de há quatro meses».


 

 


 

Como o IGCP desvendou a factura socialista


Não há milagres quando toca a balanços. Receitas (activos) de um lado, despesas - que quando superam as receitas são financiadas com dívida - (passivo) do outro. 


As promessas do Governo, as benesses, as reversões, os aumentos, tudo custa dinheiro ao Orçamento de Estado. Então o que pensou o bom do Costa e o bom do Centeno? "A gente dá já e paga depois. Se calhar já não estaremos cá nós para pagar. Logo se vê. A gente dá já, e ganhamos o eleitorado para irmos a eleições e ganharmos".


Assim vejamos:


A redução do défice público será mais lenta. O reverso da medalha é que entre 2016 e 2019 será necessário financiar nos mercados mais 10,9 mil milhões de euros


Os défices orçamentais previstos pelo Governo para o período 2016 a 2019 exigirão que o Estado português financie nos mercados 17,1 mil milhões de euros, o que representa um acréscimo de 10,9 mil milhões de euros face aos planos tornados públicos há apenas quatro meses (6,2 mil milhões, quase três vezes menos). O aumento é notado pela UTAO, a unidade técnica a trabalhar no Parlamento na sua última nota de análise à dívida pública.


Estes dados ficaram públicos (grande maçada) porque o IGCP, liderado por Cristina Casalinho, fez uma apresentação aos investidores onde consta aquele mapa.


O défice público será de 2,8% do PIB este ano, o que compara com a anterior previsão de 1,8% do PIB; e baixará para 1,5% em 2019, o que contrasta com a anterior previsão de um excedente orçamental nesse ano.


Segundo a UTAO isso significa em termos de necessidades de financiamento acrescidas: "O défice orçamental do Estado fixar-se-á em 5 mil milhões de euros, 3,8 mil milhões de euros e 3,1 mil milhões de euros em 2017, 2018 e 2019, respectivamente", o que configura "uma revisão em alta face à última previsão [comunicada pelo IGCP aos investidores em Setembro]". "Em termos acumulados, entre 2017 e 2019, será necessário financiar cerca de mais 9 mil milhões de euros do que o previsto em Outubro de 2015".


O Estado atira ainda 6,6 mil milhões de dívida do FMI para pagar depois da legislatura (sendo o custo médio da dívida do FMI de 4,7% e estando nos 2,6% os juros da nossa dívida a dez anos no mercado). Pois o Estado previa pagar antecipadamente ao FMI 16,9 mil milhões de euros, e agora diz que só vai reembolsar 10,3 mil milhões de euros.


Segundo o Negócios: «Como o défice previsto para este ano foi também revisto em alta de 3,2 mil milhões de euros para 5,2 mil milhões de euros, mais dois mil milhões de euros, conclui-se que, na legislatura, o acréscimo de necessidades de financiamento face à anterior previsão será de cerca de 11 mil milhões de euros, que terão de ser financiados nos mercados. Estas não são as necessidades totais de financiamento do Estado. Ao défice orçamental, será necessário adicionar compras de activos e as amortizações de dívida. Ao todo, entre 2016 e 2019, o IGCP terá de financiar 73 mil milhões de euros, quase tanto como o dinheiro pedido emprestado à troika. Este valor representa um aumento de 9 mil milhões de euros face aos planos de há quatro meses».


 

 


 

Sou pela paz

paz.jpg


Em Novembro todos fomos franceses. A brutalidade dos ataques assim o justificou. No entanto, e com a quantidade de ataques terroristas que proliferam, ali e acolá, ontem houve um em Jacarta, na véspera em Istambul, corremos o risco de sermos do mundo todo, ou seja, em nome de coisa aparentemente simples que teima em ser uma memória: a Paz.


Eu sou pela paz!

Sou pela paz

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Em Novembro todos fomos franceses. A brutalidade dos ataques assim o justificou. No entanto, e com a quantidade de ataques terroristas que proliferam, ali e acolá, ontem houve um em Jacarta, na véspera em Istambul, corremos o risco de sermos do mundo todo, ou seja, em nome de coisa aparentemente simples que teima em ser uma memória: a Paz.


Eu sou pela paz!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vem aí a grande crise?


Como a decisão do Novo Banco pode provocar uma crise financeira em Portugal?


A decisão do Banco de Portugal de usar as obrigações seniores do BES para recapitalizar o Novo Banco está em vias de se traduzir num problema maior. Os bancos e fundos estrangeiros (BlackRock e Pimco incluidos) deixaram de confiar e não voltam a comprar obrigações de bancos portugueses. Deixem-me pôr isto nestes termos, se os bancos deixarem de conseguir colocar obrigações perdem uma importante fonte de financiamento. Resta-lhes os depósitos, os empréstimos do BCE e do Banco de Portugal. O Mercado Monetário Interbancário fica seriamente ameaçado. 


Aliás, esta medida europeia de usar a dívida sénior para recapitalizar bancos a que são aplicadas Medidas de Resolução poderá acelerar a crise financeira que quer o Royal Bank of Scotland, quer o Societé Generale já vaticinam para 2016.


Ver aqui e aqui os relatos dos dois bancos de investimento.


Basicamente a nova crise que aí vem tem várias frentes de contágio.


A moeda norte-americana tem valorizado à boleia da subida da taxa de juro em meados de Dezembro, determinada pela Reserva Federal (Fed) depois de analisar os dados económicos.


Os reguladores voltam a criar gatilhos para a crise financeira, em vez de a travar (por exemplo a lei que chama os depósitos acima de 100 mil euros e as obrigações seniores de bancos ao resgate, em caso de resolução podem ser gatilhos da crise de financiamento).


A deflação está mesmo à nossa vista e os bancos centrais não a vêem.


O petróleo a 30 dólares o barril, acrescido do facto de o FED ter retirado o estatuto de contraparte a bancos angolanos - A Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu suspender a venda de dólares a bancos sediados em Angola por sistemática violação das regras de regulação do sector e suspeita de que o país possa estar a financiar redes de terrorismo - o que retira a capacidade de indexar o kwanza ao dólar (deverá passar a ser usado o euro), não ajuda o investimento angolano, sobretudo o investimento externo. Há quem diga que Isabel dos Santos poderá já ter mudado de lado no xadrez do poder do BPI, dizem que agora quer vender.


Na verdade o baixo preço de petróleo agrava não só a crise angolana mas também a crise económica do Brasil.


O Royal Bank of Scotland diz que as bandeiras encarnadas deste novo ano são claras: a queda contínua dos preços do petróleo – que pode chegar aos 16 dólares o barril -, a volatilidade na China(em vias de recessão), e diminuição do comércio internacional. A isto juntam-se ainda reduzidos créditos às empresas e o risco de deflação, problemas que foram já notórios nesta primeira semana de Janeiro.

Vem aí a grande crise?


Como a decisão do Novo Banco pode provocar uma crise financeira em Portugal?


A decisão do Banco de Portugal de usar as obrigações seniores do BES para recapitalizar o Novo Banco está em vias de se traduzir num problema maior. Os bancos e fundos estrangeiros (BlackRock e Pimco incluidos) deixaram de confiar e não voltam a comprar obrigações de bancos portugueses. Deixem-me pôr isto nestes termos, se os bancos deixarem de conseguir colocar obrigações perdem uma importante fonte de financiamento. Resta-lhes os depósitos, os empréstimos do BCE e do Banco de Portugal. O Mercado Monetário Interbancário fica seriamente ameaçado. 


Aliás, esta medida europeia de usar a dívida sénior para recapitalizar bancos a que são aplicadas Medidas de Resolução poderá acelerar a crise financeira que quer o Royal Bank of Scotland, quer o Societé Generale já vaticinam para 2016.


Ver aqui e aqui os relatos dos dois bancos de investimento.


Basicamente a nova crise que aí vem tem várias frentes de contágio.


A moeda norte-americana tem valorizado à boleia da subida da taxa de juro em meados de Dezembro, determinada pela Reserva Federal (Fed) depois de analisar os dados económicos.


Os reguladores voltam a criar gatilhos para a crise financeira, em vez de a travar (por exemplo a lei que chama os depósitos acima de 100 mil euros e as obrigações seniores de bancos ao resgate, em caso de resolução podem ser gatilhos da crise de financiamento).


A deflação está mesmo à nossa vista e os bancos centrais não a vêem.


O petróleo a 30 dólares o barril, acrescido do facto de o FED ter retirado o estatuto de contraparte a bancos angolanos - A Reserva Federal dos Estados Unidos decidiu suspender a venda de dólares a bancos sediados em Angola por sistemática violação das regras de regulação do sector e suspeita de que o país possa estar a financiar redes de terrorismo - o que retira a capacidade de indexar o kwanza ao dólar (deverá passar a ser usado o euro), não ajuda o investimento angolano, sobretudo o investimento externo. Há quem diga que Isabel dos Santos poderá já ter mudado de lado no xadrez do poder do BPI, dizem que agora quer vender.


Na verdade o baixo preço de petróleo agrava não só a crise angolana mas também a crise económica do Brasil.


O Royal Bank of Scotland diz que as bandeiras encarnadas deste novo ano são claras: a queda contínua dos preços do petróleo – que pode chegar aos 16 dólares o barril -, a volatilidade na China(em vias de recessão), e diminuição do comércio internacional. A isto juntam-se ainda reduzidos créditos às empresas e o risco de deflação, problemas que foram já notórios nesta primeira semana de Janeiro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A explicação de Centeno para resolver o Banif

"Perante a sucessão mais recente de circunstâncias e desenvolvimentos havidos neste processo, designadamente perante a incapacidade de construir um cenário de viabilidade a médio prazo para o Banif que fosse aceite pela Comissão Europeia, mas também perante o incumprimento já verificado nas condições da respetiva solvabilidade, com tendência acesa de agravamento face à possibilidade de ser ordenado ao Estado Português a recuperação do auxílio concedido em 2013, não parece restar alternativa outra que não passe pela resolução do Banif”.


Sobre as seis propostas para a compra do Banif:


O Ministério das Finanças, de Mário Centeno , informou o supervisor que não “tinha sido possível concretizar a venda do BANIF no âmbito daquele processo de alienação”, porque todas as propostas apresentadas implicavam auxílio de Estado adicional, conduzindo a que a alienação tivesse que ser realizada no quadro da aplicação de medidas de resolução.

A explicação de Centeno para resolver o Banif

"Perante a sucessão mais recente de circunstâncias e desenvolvimentos havidos neste processo, designadamente perante a incapacidade de construir um cenário de viabilidade a médio prazo para o Banif que fosse aceite pela Comissão Europeia, mas também perante o incumprimento já verificado nas condições da respetiva solvabilidade, com tendência acesa de agravamento face à possibilidade de ser ordenado ao Estado Português a recuperação do auxílio concedido em 2013, não parece restar alternativa outra que não passe pela resolução do Banif”.


Sobre as seis propostas para a compra do Banif:


O Ministério das Finanças, de Mário Centeno , informou o supervisor que não “tinha sido possível concretizar a venda do BANIF no âmbito daquele processo de alienação”, porque todas as propostas apresentadas implicavam auxílio de Estado adicional, conduzindo a que a alienação tivesse que ser realizada no quadro da aplicação de medidas de resolução.

O caso está a complicar-se para Eduardo Stock da Cunha

Novo Banco continuou a vender dívida do tempo BES mesmo após medida de resolução.


O Novo Banco vendeu dívida do BES no mercado secundário aos clientes do banco e agora o banco vai ser chamado à responsabilidade. O Novo Banco foi autorizado em Setembro a emitir dívida pelo Fundo de Resolução, mas segundo a notícia não emitiu divida nova sénior do banco. No entanto comercializou divida que herdou do BES.


Diz a SIC que: "O Novo Banco continuou a vender dívida do tempo BES aos seus balcões mesmo depois da medida de resolução. Num balcão de Torres Vedras, foram vendidos quase 500 mil euros de dívida sénior do BES há quatro meses. Agora, o investidor arrisca-se a perder quase tudo. Entretanto o Banco de Portugal enviou à SIC uma nota a relembrar que dívida sénior que estava no Novo Banco foi devolvida ao BES, afetando os investidores institucionais ou também particulares que a tivessem comprado. Mas o Banco de Portugal não responde à questão em causa nesta reportagem: o Novo Banco continuar a revender estes títulos de dívida nos seus balcões".


Este episódio não vai ajudar à imagem de Eduardo Stock da Cunha (presidente) que tem de gerir um banco com vista à sua venda com o menos perda possível, ao longo deste ano. 


Recentemente o Novo Banco foi recapitalizado mais uma vez e desta feita através do regresso da dívida sénior do BES ao próprio BES "mau". O que implica a perda para os investidores.

O caso está a complicar-se para Eduardo Stock da Cunha

Novo Banco continuou a vender dívida do tempo BES mesmo após medida de resolução.


O Novo Banco vendeu dívida do BES no mercado secundário aos clientes do banco e agora o banco vai ser chamado à responsabilidade. O Novo Banco foi autorizado em Setembro a emitir dívida pelo Fundo de Resolução, mas segundo a notícia não emitiu divida nova sénior do banco. No entanto comercializou divida que herdou do BES.


Diz a SIC que: "O Novo Banco continuou a vender dívida do tempo BES aos seus balcões mesmo depois da medida de resolução. Num balcão de Torres Vedras, foram vendidos quase 500 mil euros de dívida sénior do BES há quatro meses. Agora, o investidor arrisca-se a perder quase tudo. Entretanto o Banco de Portugal enviou à SIC uma nota a relembrar que dívida sénior que estava no Novo Banco foi devolvida ao BES, afetando os investidores institucionais ou também particulares que a tivessem comprado. Mas o Banco de Portugal não responde à questão em causa nesta reportagem: o Novo Banco continuar a revender estes títulos de dívida nos seus balcões".


Este episódio não vai ajudar à imagem de Eduardo Stock da Cunha (presidente) que tem de gerir um banco com vista à sua venda com o menos perda possível, ao longo deste ano. 


Recentemente o Novo Banco foi recapitalizado mais uma vez e desta feita através do regresso da dívida sénior do BES ao próprio BES "mau". O que implica a perda para os investidores.

O verdadeiro valor de um momento

A verdadeira sabedoria está em escrever de forma simples emoções tão intensas. A Iman disse isto sobre o marido antes dele morrer: "Por vezes, não conhecemos o verdadeiro valor de um momento até que ele se transforma numa memória".


Estamos condenados ao atraso. Chegamos sempre atrasados à importância das coisas.

O verdadeiro valor de um momento

A verdadeira sabedoria está em escrever de forma simples emoções tão intensas. A Iman disse isto sobre o marido antes dele morrer: "Por vezes, não conhecemos o verdadeiro valor de um momento até que ele se transforma numa memória".


Estamos condenados ao atraso. Chegamos sempre atrasados à importância das coisas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Há pessoas assim

Frase de Bowie "Sou uma estrela instantânea; basta adicionar água”

Há pessoas assim

Frase de Bowie "Sou uma estrela instantânea; basta adicionar água”

I'm Deranged. David Bowie soundtrack "Lost Highway" 1997


 

I'm Deranged. David Bowie soundtrack "Lost Highway" 1997


 

Estrela radiante


O último álbum da David Bowie, publicado muito recentemente, chama-se "Blackstar".


Não sei a que se deveu a escolha do título. Será uma referência ao cancro que o vitimou? Não sei. Sei que, não obstante a doença, ele até ao fim fez o que gostava de fazer. Boa música!


Assim - e quem sou eu para o criticar - a escolha do título peca por falta de modéstia. Se tu eras alguma coisa, como uma espécie de "epifania musical", eras uma estrela radiante, que trilhava novos rumos na pop e na música rock, que irá fazer falta. Demasiada falta!