quarta-feira, 29 de outubro de 2014
A carteira de crédito do BES, por Fernando Ulrich
A carteira de crédito do Banco Espírito Santo é o retrato do percurso do banco. Fernando Ulrich principal candidato à compra do Novo Banco, expôs de forma clara o que todos comentam em surdina e ninguém se atreve a dizer às claras. Para isso baseou-se mais uma vez nas informações oficiais. «A carteira de crédito a empresas do BES era de 40,3 mil milhões de euros. Mas, destes, 23,6 mil milhões de euros estava concedido a empresas de cinco sectores: Construção e Obras Públicas; Activos Imobiliários; Actividades Financeiras (aqui são sobretudo holdings); Serviços Prestados às empresas (engloba muitas coisas, não sei bem o que é); Outras Actividades de Serviços Colectivos, que também engloba muitas coisas, incluindo clubes de futebol. Nestes segmentos o BPI tinha apenas 3,5 mil milhões de euros em crédito e eu fico muito contente de só termos 3,5 biliões nestes sectores onde o potencial de risco de crédito é significativo, maior do que o resto». O banqueiro continua: «Quando vamos ao resto às PME Exportadoras (texteis, calçado, papel, metalomecânica) o crédito e garantias do BES é de 16,7 mil milhões e o do BPI é de 10,2 mil milhões. É maior no BES, mas essa diferença não é tão grande quando se olha com mais atenção. O BPI é maior no crédito a particulares (um tem 13 bi e o outro 12 bi). No crédito que interessa o BES não era muito maior que o BPI. «Além disso em Imóveis, Unidades de Participação em Fundos de Recuperação, e em Fundos de Imobiliário que estão nas carteiras das seguradoras, o BES tinha 5,8 mil milhões e o BPI só 300 milhões e eu fico muito contente porque é uma zona que eu também não gosto. Por isso até vermos o balanço do Novo Banco auditado, e até fazermos uma due-dilligence, porque sendo nós um dos bancos interessados, vamos ter de fazer uma due-dilligence, não podemos garantir que os 4,9 mil milhões são suficientes, e se não forem haverá algum dano para a economia portuguesa, e afectaria todos os bancos do sistema». Atentem a estas sábias palavras. Há muita informação aqui nas entrelinhas.
A carteira de crédito do BES, por Fernando Ulrich
A carteira de crédito do Banco Espírito Santo é o retrato do percurso do banco. Fernando Ulrich principal candidato à compra do Novo Banco, expôs de forma clara o que todos comentam em surdina e ninguém se atreve a dizer às claras. Para isso baseou-se mais uma vez nas informações oficiais. «A carteira de crédito a empresas do BES era de 40,3 mil milhões de euros. Mas, destes, 23,6 mil milhões de euros estava concedido a empresas de cinco sectores: Construção e Obras Públicas; Activos Imobiliários; Actividades Financeiras (aqui são sobretudo holdings); Serviços Prestados às empresas (engloba muitas coisas, não sei bem o que é); Outras Actividades de Serviços Colectivos, que também engloba muitas coisas, incluindo clubes de futebol. Nestes segmentos o BPI tinha apenas 3,5 mil milhões de euros em crédito e eu fico muito contente de só termos 3,5 biliões nestes sectores onde o potencial de risco de crédito é significativo, maior do que o resto». O banqueiro continua: «Quando vamos ao resto às PME Exportadoras (texteis, calçado, papel, metalomecânica) o crédito e garantias do BES é de 16,7 mil milhões e o do BPI é de 10,2 mil milhões. É maior no BES, mas essa diferença não é tão grande quando se olha com mais atenção. O BPI é maior no crédito a particulares (um tem 13 bi e o outro 12 bi). No crédito que interessa o BES não era muito maior que o BPI. «Além disso em Imóveis, Unidades de Participação em Fundos de Recuperação, e em Fundos de Imobiliário que estão nas carteiras das seguradoras, o BES tinha 5,8 mil milhões e o BPI só 300 milhões e eu fico muito contente porque é uma zona que eu também não gosto. Por isso até vermos o balanço do Novo Banco auditado, e até fazermos uma due-dilligence, porque sendo nós um dos bancos interessados, vamos ter de fazer uma due-dilligence, não podemos garantir que os 4,9 mil milhões são suficientes, e se não forem haverá algum dano para a economia portuguesa, e afectaria todos os bancos do sistema». Atentem a estas sábias palavras. Há muita informação aqui nas entrelinhas.
domingo, 26 de outubro de 2014
sábado, 25 de outubro de 2014
Hiroshima Meu Amor, do Resnais
Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, na RTP 2, quando já começava a duvidar que a qualidade existia.
- Tenho uma moral duvidosa.
- O que é uma moral duvidosa?
Hiroshima Meu Amor, do Resnais
Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, na RTP 2, quando já começava a duvidar que a qualidade existia.
- Tenho uma moral duvidosa.
- O que é uma moral duvidosa?
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Pobre condição a de jornalista
Não posso deixar de me indignar de cada vez que almoço com alguém, virem a correr comentar que a pessoa x ou y foi vista a almoçar com uma «jornalista».
Imaginem que eu era médica e de cada vez que me vissem a almoçar com alguém achassem que essa pessoa estava doente, era de doidos. Eu não sou apenas jornalista – sou mulher, sou amiga – nem estou 24 horas por dia a ser jornalista. Ser jornalista é uma profissão como outra qualquer. Eu tenho amigos, apesar e independentemente das profissões. De cada vez que me virem a almoçar com alguém mediático não pensem que estou «a sacar histórias», estou apenas a almoçar com amigos. Nada mais. Não limitem mais a liberdade do que ela está limitada por outras circunstâncias. Não criem juízos de valor fáceis. Obrigada!
Pobre condição a de jornalista
Não posso deixar de me indignar de cada vez que almoço com alguém, virem a correr comentar que a pessoa x ou y foi vista a almoçar com uma «jornalista».
Imaginem que eu era médica e de cada vez que me vissem a almoçar com alguém achassem que essa pessoa estava doente, era de doidos. Eu não sou apenas jornalista – sou mulher, sou amiga – nem estou 24 horas por dia a ser jornalista. Ser jornalista é uma profissão como outra qualquer. Eu tenho amigos, apesar e independentemente das profissões. De cada vez que me virem a almoçar com alguém mediático não pensem que estou «a sacar histórias», estou apenas a almoçar com amigos. Nada mais. Não limitem mais a liberdade do que ela está limitada por outras circunstâncias. Não criem juízos de valor fáceis. Obrigada!
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
A Revolução Altruísta está a caminho
Matthieu Ricard, escritor budista, dá hoje uma entrevista ao suplemento Weekend do Jornal de Negócios, em que diz uma coisa interessante e que é aliás o título: «A Revolução Altruísta Está a Caminho».
Deus queira que tenha razão, já vem tarde.
É a grande mudança cultural que é preciso imprimir, a cultura do altruísmo. Séculos de egoísmo, da filosofia dos interesses e do imperativo da partilha de vantagens, séculos de valor de sucesso, competição e de invejas não trouxeram a felicidade às pessoas.
A Revolução Altruísta está a caminho
Matthieu Ricard, escritor budista, dá hoje uma entrevista ao suplemento Weekend do Jornal de Negócios, em que diz uma coisa interessante e que é aliás o título: «A Revolução Altruísta Está a Caminho».
Deus queira que tenha razão, já vem tarde.
É a grande mudança cultural que é preciso imprimir, a cultura do altruísmo. Séculos de egoísmo, da filosofia dos interesses e do imperativo da partilha de vantagens, séculos de valor de sucesso, competição e de invejas não trouxeram a felicidade às pessoas.
E lá se vai o vapor…
Aqui por Santarém há três casas que vendem os ditos cigarros electrónicos, e todas elas tem o mesmo argumento comercial: é mais barato e faz menos mal do que os cigarros convencionais. Eu que sou um fumador fui levado a experimentar, e desde Agosto até agora tenho notado que, efectivamente, o “cigarro a vapor” é bem mais barato e seguramente menos nocivo...!
Porém, e como pude ler no Público, o governo não está no mesmo cumprimento de onda, pelo que, e como foi anunciado esta quarta-feira, na proposta de Orçamento de Estado para 2015, “o preço dos cigarros electrónicos vai aumentar 240% com o novo imposto”. Assim, e como adiantou ao jornal Tiago Machado, presidente da Associação Portuguesa de Cigarros Electrónicos (APECE), “produtos que custam actualmente 2,5 euros e que, com a nova tributação, passarão a custar 8,5 euros”.
Não entendo esta medida, como não concordo com ela por duas razões: por um lado, dá a entender que o governo (directa ou indirectamente) anda a ceder a pressões das tabaqueiras e, por outro, (uma vez mais) mostra que o governo, na ânsia de arrecadar dinheiro e cumprir metas, castiga sempre os mesmos!
E lá se vai o vapor…
Aqui por Santarém há três casas que vendem os ditos cigarros electrónicos, e todas elas tem o mesmo argumento comercial: é mais barato e faz menos mal do que os cigarros convencionais. Eu que sou um fumador fui levado a experimentar, e desde Agosto até agora tenho notado que, efectivamente, o “cigarro a vapor” é bem mais barato e seguramente menos nocivo...!
Porém, e como pude ler no Público, o governo não está no mesmo cumprimento de onda, pelo que, e como foi anunciado esta quarta-feira, na proposta de Orçamento de Estado para 2015, “o preço dos cigarros electrónicos vai aumentar 240% com o novo imposto”. Assim, e como adiantou ao jornal Tiago Machado, presidente da Associação Portuguesa de Cigarros Electrónicos (APECE), “produtos que custam actualmente 2,5 euros e que, com a nova tributação, passarão a custar 8,5 euros”.
Não entendo esta medida, como não concordo com ela por duas razões: por um lado, dá a entender que o governo (directa ou indirectamente) anda a ceder a pressões das tabaqueiras e, por outro, (uma vez mais) mostra que o governo, na ânsia de arrecadar dinheiro e cumprir metas, castiga sempre os mesmos!
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Duas faces
A CML diz que as inundações se devem a chuva atípica. A chuva contrapõe dizendo que as inundações se devem a gestões camarárias atípicas.
A chuva tem razão. Fosse qual fosse a gestão camarária este é um cenário recorrente, fruto do desmazelo urbanístico que desde sempre caracteriza a cidade de Lisboa. Como é possível edificar-se uma cidade sob linhas de água e de ribeiras que, de um dia para o outro, desapareceram?
Duas faces
A CML diz que as inundações se devem a chuva atípica. A chuva contrapõe dizendo que as inundações se devem a gestões camarárias atípicas.
A chuva tem razão. Fosse qual fosse a gestão camarária este é um cenário recorrente, fruto do desmazelo urbanístico que desde sempre caracteriza a cidade de Lisboa. Como é possível edificar-se uma cidade sob linhas de água e de ribeiras que, de um dia para o outro, desapareceram?
sábado, 11 de outubro de 2014
Não percebo esta histeria
Não percebo esta histeria das indignações por Pedro Passos Coelho se ter sentado à mesa com José Maria Ricciardi. Mas há alguma coisa contra o presidente do BESI que o impeça de ser banqueiro? Ou só por se chamar Espírito Santo tem de passar a usar uma marca na lapela? Porque não pode o Primeiro Ministro jantar na mesma mesa com vários banqueiros incluindo o José Maria Ricciardi, que é presidente do banco de investimento? Será que ainda se lembram que José Maria Ricciardi foi um dos que denunciou o caso BES e que foi um dos que quiseram tirar de lá Ricardo Salgado «por motivos que se dispensou de revelar»? Arranjem motivos válidos para indignação, please!
P.S. Alguém se indigna por Ricardo Salgado e Mário Soares se visitarem?
Não percebo esta histeria
Não percebo esta histeria das indignações por Pedro Passos Coelho se ter sentado à mesa com José Maria Ricciardi. Mas há alguma coisa contra o presidente do BESI que o impeça de ser banqueiro? Ou só por se chamar Espírito Santo tem de passar a usar uma marca na lapela? Porque não pode o Primeiro Ministro jantar na mesma mesa com vários banqueiros incluindo o José Maria Ricciardi, que é presidente do banco de investimento? Será que ainda se lembram que José Maria Ricciardi foi um dos que denunciou o caso BES e que foi um dos que quiseram tirar de lá Ricardo Salgado «por motivos que se dispensou de revelar»? Arranjem motivos válidos para indignação, please!
P.S. Alguém se indigna por Ricardo Salgado e Mário Soares se visitarem?
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
O cínico
“As acções não geram reações, nem todo crime tem castigo, os bumerangues não voltam para nossa mão, a bondade não gera obrigatoriamente bondade, na maior parte apenas ingratidão ou uma gorjeta que mal dá para um pingado (…) Estamos apenas fugindo das pequenas humilhações diárias, quando não das grandes. Estamos correndo da nossa incapacidade de conseguir um amor, um bom emprego, ou simplesmente a paciência do cretino buzinando atrás”, escreveu o autor do A Norte de Mim Mesmo.
O cínico
“As acções não geram reações, nem todo crime tem castigo, os bumerangues não voltam para nossa mão, a bondade não gera obrigatoriamente bondade, na maior parte apenas ingratidão ou uma gorjeta que mal dá para um pingado (…) Estamos apenas fugindo das pequenas humilhações diárias, quando não das grandes. Estamos correndo da nossa incapacidade de conseguir um amor, um bom emprego, ou simplesmente a paciência do cretino buzinando atrás”, escreveu o autor do A Norte de Mim Mesmo.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
As Comissões de Inquérito querem mesmo saber do BES?
Começam hoje os trabalhos de Comissão de Inquérito ao caso BES. Bem sei que ficou definido que, no prazo de dez dias, ou seja, até 19 de Outubro, os partidos terão de entregar requerimentos e pedidos de audição. Havendo 10 dias para que sejam apresentadas as pessoas que os partidos querem ouvir nesta comissão de inquérito. Mas até agora o que se ouviu é que se vai chamar os elementos da troika. Quer tudo saber quando é que a Comissão sabia que o BES teria de ser alvo de uma Resolução. O Bloco de Esquerda vai apresentar requerimentos para ouvir os membros da 'troika' na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, anunciou hoje a deputada Mariana Mortágua. Querem todos saber quando é que o Governo sabia, quando é que o Governador sabia.
Mas pergunto interessa alguma coisa saber como chegou o BES até esta situação de ruptura? Como é possível que Ricardo Salgado não seja o primeiro a ser nomeado para uma Comissão de Inquérito ao caso BES? Como?
Mas alguém quer mesmo saber o que se passou ou querem arranjar pretextos políticos para tentar entalar o Governo?
Como é que não está tudo já a pedir aos banqueiros, Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Ricardo Abecassis Espírito Santo, e outros como Manuel Fernando Espírito Santo que era chairman da Rioforte e João Pena CEO para irem ao Parlamento. Como não chama o contabilista da ESI, Francisco Machado Cruz? Como não se chama o presidente do ISP, para saber o que foi feito nas companhias de seguros Tranquilidade, ES Seguros e BES Vida (atentem a esta)? Como não chamar os administradores envolvidos no caso Tranquilidade? Como não chamar os da PT, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, Luís Pacheco de Melo? Até diria mais, como não se chama Álvaro Sobrinho que contribuiu para a ruína do BES com os créditos marados no BESA? Mas aonde é que pensam que o BESA se financiava para dar crédito? Como é que não convocam os que assistiram áquilo? José Maria Ricciardi já se disponibilizou caso quisessem para responder. Ou será que o caso BES, para os deputados, passa ao lado dos banqueiros da família? Se forem sérios, a troika, o Governo, o Banco de Portugal são os figurantes do verdadeiro caso BES. Ou no limite para chegarem a até eles, muitos inquéritos têm de fazer antes.
As Comissões de Inquérito querem mesmo saber do BES?
Começam hoje os trabalhos de Comissão de Inquérito ao caso BES. Bem sei que ficou definido que, no prazo de dez dias, ou seja, até 19 de Outubro, os partidos terão de entregar requerimentos e pedidos de audição. Havendo 10 dias para que sejam apresentadas as pessoas que os partidos querem ouvir nesta comissão de inquérito. Mas até agora o que se ouviu é que se vai chamar os elementos da troika. Quer tudo saber quando é que a Comissão sabia que o BES teria de ser alvo de uma Resolução. O Bloco de Esquerda vai apresentar requerimentos para ouvir os membros da 'troika' na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, anunciou hoje a deputada Mariana Mortágua. Querem todos saber quando é que o Governo sabia, quando é que o Governador sabia.
Mas pergunto interessa alguma coisa saber como chegou o BES até esta situação de ruptura? Como é possível que Ricardo Salgado não seja o primeiro a ser nomeado para uma Comissão de Inquérito ao caso BES? Como?
Mas alguém quer mesmo saber o que se passou ou querem arranjar pretextos políticos para tentar entalar o Governo?
Como é que não está tudo já a pedir aos banqueiros, Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, Ricardo Abecassis Espírito Santo, e outros como Manuel Fernando Espírito Santo que era chairman da Rioforte e João Pena CEO para irem ao Parlamento. Como não chama o contabilista da ESI, Francisco Machado Cruz? Como não se chama o presidente do ISP, para saber o que foi feito nas companhias de seguros Tranquilidade, ES Seguros e BES Vida (atentem a esta)? Como não chamar os administradores envolvidos no caso Tranquilidade? Como não chamar os da PT, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, Luís Pacheco de Melo? Até diria mais, como não se chama Álvaro Sobrinho que contribuiu para a ruína do BES com os créditos marados no BESA? Mas aonde é que pensam que o BESA se financiava para dar crédito? Como é que não convocam os que assistiram áquilo? José Maria Ricciardi já se disponibilizou caso quisessem para responder. Ou será que o caso BES, para os deputados, passa ao lado dos banqueiros da família? Se forem sérios, a troika, o Governo, o Banco de Portugal são os figurantes do verdadeiro caso BES. Ou no limite para chegarem a até eles, muitos inquéritos têm de fazer antes.
Outono
O Jardim da Casa-Museu Passos Canavarro, em Santarém, numa tarde outonal...
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?
A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!
E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...
Olavo Bilac, in "Poesias"
Outono
O Jardim da Casa-Museu Passos Canavarro, em Santarém, numa tarde outonal...
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?
A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!
E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...
Olavo Bilac, in "Poesias"
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Finalmente alguém põe o dedo na ferida
"A maior debilidade da economia portuguesa são os gestores, não são os trabalhadores", disse o Governador, reconhecendo que, também por isso, as PME "são muito sensíveis a pequenos acidentes financeiros", o que, por sua vez, "influencia o balanço dos bancos".
Faço minhas as palavras do Governador. O problema de Portugal é a mediocridade de alguns gestores.
Finalmente alguém põe o dedo na ferida
"A maior debilidade da economia portuguesa são os gestores, não são os trabalhadores", disse o Governador, reconhecendo que, também por isso, as PME "são muito sensíveis a pequenos acidentes financeiros", o que, por sua vez, "influencia o balanço dos bancos".
Faço minhas as palavras do Governador. O problema de Portugal é a mediocridade de alguns gestores.
sábado, 4 de outubro de 2014
Tudo são restos, por Ana Vidigal

Da exposição da Sala do Veado, de Ana Vidigal, interessou-me sobretudo o texto que reproduzo aqui.
"Oú va-t-ón?"
Tudo isto são restos. Restos de momentos que ninguém quis, porque não gostaram de se ver, restos do primeiro filme em que me lembro de ter chorado. Restos de frases que roubei, de textos que me deram, de coisas que li e nunca esqueci. São coisas assim aos cacos mas todas juntas. E é tudo uma contradição. Enquanto luto pelo esquecimento da imagem capturada, procuro uma nova que só existe provocada pela sensação da que está por baixo. Mas acho que isto é o normal para quem quer mostrar o seu passado, tapando-o. No fundo, no fundo andamos sempre a jogar às escondidas.
Interessante texto.
Tudo são restos, por Ana Vidigal

Da exposição da Sala do Veado, de Ana Vidigal, interessou-me sobretudo o texto que reproduzo aqui.
"Oú va-t-ón?"
Tudo isto são restos. Restos de momentos que ninguém quis, porque não gostaram de se ver, restos do primeiro filme em que me lembro de ter chorado. Restos de frases que roubei, de textos que me deram, de coisas que li e nunca esqueci. São coisas assim aos cacos mas todas juntas. E é tudo uma contradição. Enquanto luto pelo esquecimento da imagem capturada, procuro uma nova que só existe provocada pela sensação da que está por baixo. Mas acho que isto é o normal para quem quer mostrar o seu passado, tapando-o. No fundo, no fundo andamos sempre a jogar às escondidas.
Interessante texto.
Os meus restos
O texto de apresentação da exposição da Ana Vidigal pôs-me a pensar em qual o primeiro filme em que chorei. Tem graça, mas acho que foi num desses filmes pascais, foi com a história de Jesus Cristo a primeira vez que chorei num filme. Jesus de Nazaré, acho que se chamava assim. A mim o Bambi não me marcou nada. Nem sequer me lembro especialmente. Adorei a Gata Borralheira, ou Cinderela, era o meu filme preferido, e depois talvez a Bela Adormecida. As fábulas com animais nunca me interessaram especialmente. Porque será?
Nas séries de televisão lembro-me de adorar o Flash Gordon; a Wonder Woman; O crime disse ela; os filmes baseados nos romances da Agatha christie também gostava e gosto muito. Gostava imenso de uma série que se chamava os pequenos vagabundos e lembro-me de estar apaixonada pelo Jean-Loup.
A minha infância era isso.
Os meus restos
O texto de apresentação da exposição da Ana Vidigal pôs-me a pensar em qual o primeiro filme em que chorei. Tem graça, mas acho que foi num desses filmes pascais, foi com a história de Jesus Cristo a primeira vez que chorei num filme. Jesus de Nazaré, acho que se chamava assim. A mim o Bambi não me marcou nada. Nem sequer me lembro especialmente. Adorei a Gata Borralheira, ou Cinderela, era o meu filme preferido, e depois talvez a Bela Adormecida. As fábulas com animais nunca me interessaram especialmente. Porque será?
Nas séries de televisão lembro-me de adorar o Flash Gordon; a Wonder Woman; O crime disse ela; os filmes baseados nos romances da Agatha christie também gostava e gosto muito. Gostava imenso de uma série que se chamava os pequenos vagabundos e lembro-me de estar apaixonada pelo Jean-Loup.
A minha infância era isso.