quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"Eu não me revejo nesse comentário", foi assim que respondeu Zeinal Bava


Zeinal Bava quando questionado porque a PT aplicou cerca de 500 milhões de euros na dívida da ESI, uma empresa sem avaliação de risco, sem rating, respondeu que a ESI era dona da ESFG que tinha rating da Moody´s e da Fitch. «Então porque é que não investiram na dívida da ESFG?», perguntam-lhe. «Porque a mãe era ESI era dona da ESFG, que tinha um rating, a ESI tinha contas também». 


Há provas finais de que, caso a ESI não cumprisse, o BES pagava? «Eu não tenho essas provas. A parceria estratégica dava-nos o conforto de que iriam cumprir». «Tínhamos administradores comuns, BES e PT»


«Lembro-me de haver, há muitos anos atrás, essa preocupação de haver cartas conforto do BES».  


«Com certeza que a equipa tinha uma noção do que era o risco [da ESI]».


– É estranho que fale das contas da ESI, uma vez que o relatório da PwC refere que o prospecto da emissão de dívida da ESI que a PT subscreveu quando ainda era CEO, em 2013, apenas continha as contas da ESI de 2010 e 2011...


«Estranho em que aspecto?», pergunta para responder. Disse depois de muito pensar: «As contas de 2012....». Gaguejou. É interpelado: «a Price diz...». Responde: «Eu não tenho o relatório da Price, tenho apenas o resumo». 


«Havia da parte da PT a convicção que era tudo investimentos no nosso parceiro. Para nós era risco BES, que era o parceiro da PT».  «Havia um histórico, sempre pagaram, e essas  aplicações foram reembolsadas. Foram pagas».


Para Zeinal Bava toda a resposta à aplicação da tesouraria da PT no GES tinha origem no acordo de parceria estratégica com o BES assinado em 2000, quando ele ainda não estava no board.


Zeinal Bava claramente vinha preparado para responder pela aplicação da PT em papel comercial da Rioforte que é aquela que ocorre depois da sua saída da PT (4 de Junho de 2013) para a Oi. O foco da sua preparação era desmentir a sua responsabilidade na compra da dívida da Rioforte. Depois de sair da PT SGPS foi para a Oi dedicar-se à parte operacional e desligou-se da PT SGPS (por causa do conflito de interesse).Não sabia, não estava lá, etc, nem tinha que saber, por causa desse conflito de interesse. Fez questão de explicar que a PT Portugal só passou a gerir os excedentes de tesouraria a partir de 5 de Maio de 2014, antes disso era decidido na PT SGPS (era isto que queria explicar para demonstrar que não tem nada a ver com a aplicação da Rioforte que levou a PT à falência).


Zeinal não pensou que o confrontassem exaustivamente com as aplicações da PT SGPS na ESI e outras empresas do GES até 4 Junho de 2013, quando ainda era CEO da PT.


Até ao dia 4 de Junho não houve reparos aos investimentos da PT na ESI. Disse Zeinal como que em resposta ao relatório e reparos da PwC feitos mais tarde.


Ninguém assinou os documentos que autorizam os investimentos da PT no GES. Nem o director de finanças corporativas, nem o CFO, nem o CEO, conforme regulamentos internos. 


Zeinal disse: «havia uma relação de confiança com o BES e a CGD e é normal que um documento que não chegue de manhã e chegue à tarde»


Zeinal sempre que a pergunta era mais difícil, tentava fugir para a dimensão da PT e do número de clientes que tinha, etc. para a parte operacional, tal e qual como fazia nas conferências de imprensa. 


Dominou o inquérito quando o tema foi puramente financeiro. Disse com desenvoltura quando questionado porque é que a PT emitiu divida de mil milhões para depois investir 500 milhões no GES. Explicou à deputada que esta estava a comparar erradamente os preços de dívida a 7 anos com os preços da dívida a dois ou três meses. O preço de um empréstimo a sete anos (emissão da PT) não pode ser comparado ao preço de um empréstimo a dois meses (ESI), onde a PT aplicou metade desses mil milhões emitidos a uma taxa de quatro e tal por cento.


Discutiram a diferença entre excedente de tesouraria e flexibilidade financeira. «Excedente de tesouraria é ter mais dinheiro do que o eu preciso. Flexibilidade financeira é alargar prazos de financiamento, não é o mesmo que excedente de tesouraria».


Zeinal Bava tentou a todo o custo evitar dizer que foi o CFO Luís Pacheco de Melo (de quem é amigo) quem aprovou os investimentos na ESI.


Remeteu para os procedimentos internos. Em 2004 decidiu-se que se os investimentos de tesouraria fossem em empresas com participação qualificada tinha de haver um escrutínio ex-ante da comissão de auditoria. A ordem de 2004 delegava em qualquer um dos três - CFO, CEO, ou director de finanças corporativas - aprovar essas aplicações.


Em 2010 a comissão de governo, para flexibilizar, isentou, para excedentes de tesouraria, essa obrigação (deixou de ser um dos três a ter de aprovar essas aplicações). E foi o que se viu... 


 

"Eu não me revejo nesse comentário", foi assim que respondeu Zeinal Bava


Zeinal Bava quando questionado porque a PT aplicou cerca de 500 milhões de euros na dívida da ESI, uma empresa sem avaliação de risco, sem rating, respondeu que a ESI era dona da ESFG que tinha rating da Moody´s e da Fitch. «Então porque é que não investiram na dívida da ESFG?», perguntam-lhe. «Porque a mãe era ESI era dona da ESFG, que tinha um rating, a ESI tinha contas também». 


Há provas finais de que, caso a ESI não cumprisse, o BES pagava? «Eu não tenho essas provas. A parceria estratégica dava-nos o conforto de que iriam cumprir». «Tínhamos administradores comuns, BES e PT»


«Lembro-me de haver, há muitos anos atrás, essa preocupação de haver cartas conforto do BES».  


«Com certeza que a equipa tinha uma noção do que era o risco [da ESI]».


– É estranho que fale das contas da ESI, uma vez que o relatório da PwC refere que o prospecto da emissão de dívida da ESI que a PT subscreveu quando ainda era CEO, em 2013, apenas continha as contas da ESI de 2010 e 2011...


«Estranho em que aspecto?», pergunta para responder. Disse depois de muito pensar: «As contas de 2012....». Gaguejou. É interpelado: «a Price diz...». Responde: «Eu não tenho o relatório da Price, tenho apenas o resumo». 


«Havia da parte da PT a convicção que era tudo investimentos no nosso parceiro. Para nós era risco BES, que era o parceiro da PT».  «Havia um histórico, sempre pagaram, e essas  aplicações foram reembolsadas. Foram pagas».


Para Zeinal Bava toda a resposta à aplicação da tesouraria da PT no GES tinha origem no acordo de parceria estratégica com o BES assinado em 2000, quando ele ainda não estava no board.


Zeinal Bava claramente vinha preparado para responder pela aplicação da PT em papel comercial da Rioforte que é aquela que ocorre depois da sua saída da PT (4 de Junho de 2013) para a Oi. O foco da sua preparação era desmentir a sua responsabilidade na compra da dívida da Rioforte. Depois de sair da PT SGPS foi para a Oi dedicar-se à parte operacional e desligou-se da PT SGPS (por causa do conflito de interesse).Não sabia, não estava lá, etc, nem tinha que saber, por causa desse conflito de interesse. Fez questão de explicar que a PT Portugal só passou a gerir os excedentes de tesouraria a partir de 5 de Maio de 2014, antes disso era decidido na PT SGPS (era isto que queria explicar para demonstrar que não tem nada a ver com a aplicação da Rioforte que levou a PT à falência).


Zeinal não pensou que o confrontassem exaustivamente com as aplicações da PT SGPS na ESI e outras empresas do GES até 4 Junho de 2013, quando ainda era CEO da PT.


Até ao dia 4 de Junho não houve reparos aos investimentos da PT na ESI. Disse Zeinal como que em resposta ao relatório e reparos da PwC feitos mais tarde.


Ninguém assinou os documentos que autorizam os investimentos da PT no GES. Nem o director de finanças corporativas, nem o CFO, nem o CEO, conforme regulamentos internos. 


Zeinal disse: «havia uma relação de confiança com o BES e a CGD e é normal que um documento que não chegue de manhã e chegue à tarde»


Zeinal sempre que a pergunta era mais difícil, tentava fugir para a dimensão da PT e do número de clientes que tinha, etc. para a parte operacional, tal e qual como fazia nas conferências de imprensa. 


Dominou o inquérito quando o tema foi puramente financeiro. Disse com desenvoltura quando questionado porque é que a PT emitiu divida de mil milhões para depois investir 500 milhões no GES. Explicou à deputada que esta estava a comparar erradamente os preços de dívida a 7 anos com os preços da dívida a dois ou três meses. O preço de um empréstimo a sete anos (emissão da PT) não pode ser comparado ao preço de um empréstimo a dois meses (ESI), onde a PT aplicou metade desses mil milhões emitidos a uma taxa de quatro e tal por cento.


Discutiram a diferença entre excedente de tesouraria e flexibilidade financeira. «Excedente de tesouraria é ter mais dinheiro do que o eu preciso. Flexibilidade financeira é alargar prazos de financiamento, não é o mesmo que excedente de tesouraria».


Zeinal Bava tentou a todo o custo evitar dizer que foi o CFO Luís Pacheco de Melo (de quem é amigo) quem aprovou os investimentos na ESI.


Remeteu para os procedimentos internos. Em 2004 decidiu-se que se os investimentos de tesouraria fossem em empresas com participação qualificada tinha de haver um escrutínio ex-ante da comissão de auditoria. A ordem de 2004 delegava em qualquer um dos três - CFO, CEO, ou director de finanças corporativas - aprovar essas aplicações.


Em 2010 a comissão de governo, para flexibilizar, isentou, para excedentes de tesouraria, essa obrigação (deixou de ser um dos três a ter de aprovar essas aplicações). E foi o que se viu... 


 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Aposta

Aposto que a OPA do La Caixa ao BPI vai ter sucesso... e eu gosto de apostar com alguma segurança :)

Aposta

Aposto que a OPA do La Caixa ao BPI vai ter sucesso... e eu gosto de apostar com alguma segurança :)

CaixaBank já pediu o registo da OPA. Compra do Novo Banco oblige. Vite, vite!


O pedido de registo deu hoje (25 de Fevereiro) entrada na CMVM. Logo, e se não houver pedido de informações adicionais que paralisam a contagem do prazo, a CMVM tem oito dias para avaliar o prospecto e decidir se dá ou não o registo. Sem demoras o registo é concedido até 5 de Março. Entretanto a administração do BPI tem oito dias para se pronunciar sobre a OPA. 


A OPA, uma vez registada, começa a correr o seu prazo que vai desde duas a 10 semanas.
O que significa poder estar concluída algures entre o fim de Março e o meio de Maio. 
A pressa é para ir a tempo de o BPI avançar com uma proposta vinculativa ao Novo Banco.


 

CaixaBank já pediu o registo da OPA. Compra do Novo Banco oblige. Vite, vite!


O pedido de registo deu hoje (25 de Fevereiro) entrada na CMVM. Logo, e se não houver pedido de informações adicionais que paralisam a contagem do prazo, a CMVM tem oito dias para avaliar o prospecto e decidir se dá ou não o registo. Sem demoras o registo é concedido até 5 de Março. Entretanto a administração do BPI tem oito dias para se pronunciar sobre a OPA. 


A OPA, uma vez registada, começa a correr o seu prazo que vai desde duas a 10 semanas.
O que significa poder estar concluída algures entre o fim de Março e o meio de Maio. 
A pressa é para ir a tempo de o BPI avançar com uma proposta vinculativa ao Novo Banco.


 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Pode o BPI ainda sonhar com o Novo Banco?


Vamos fazer as contas aos prazos da OPA do CaixaBank ao BPI?


O que diz a lei? Diz que a sociedade visada está limitada a actos de gestão corrente. O que à partida exclui aquisições, distribuição extraordinária de dividendos, etc.


A partir do momento em que tome conhecimento da decisão de lançamento de oferta pública de aquisição que incida sobre mais de um terço dos valores mobiliários da respectiva categoria e até ao apuramento do resultado ou até à cessação, em momento anterior, do respectivo processo, o órgão de administração da sociedade visada não pode praticar actos susceptíveis de alterar de modo relevante a situação patrimonial da sociedade visada que não se reconduzam à gestão normal da sociedade e que possam afectar de modo significativo os objectivos anunciados pelo oferente.


O anúncio preliminar foi lançado no dia 17 de Fevereiro último.


A lei diz que o Caixabank (oferente) tem de: Requerer o registo da oferta no prazo de 20 dias, prorrogável pela CMVM até 60 dias nas ofertas públicas de troca. 


Assim o Caixabank tem de pedir o registo da oferta (o que implica a CMVM ter de aprovar antes o prospecto) até ao dia 9 de Março. Se tudo correr normalmente. 


O registo de oferta pública de aquisição implica a aprovação do respectivo prospecto e baseia-se em critérios de legalidade.


A CMVM tem um prazo para dar o registo e o comunicar: A aprovação do prospecto pela CMVM, bem como o registo ou a sua recusa devem ser comunicados ao oferente no prazo de oito dias, em oferta pública de aquisição.


Os prazos referidos no número anterior contam-se a partir da recepção do pedido ou das informações complementares solicitadas ao oferente ou a terceiros.


Assim, a CMVM tem até ao dia 17 de Março para aprovar o registo. Se tudo correr sem contratempos e sem adiamentos dos prazos. 


O anúncio de lançamento da OPA pela CaixaBank deve ser publicado, em simultâneo com a divulgação do prospecto.


A lei diz ainda que:


O órgão de administração da sociedade visada deve, no prazo de oito dias a contar da recepção dos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento e no prazo de cinco dias após a divulgação de adenda aos documentos da oferta, enviar ao oferente e à CMVM e divulgar ao público um relatório elaborado nos termos do artigo 7.º sobre a oportunidade e as condições da oferta.


Depois da aprovação do registo a administração de Fernando Ulrich tem aparentemente até ao dia 17 de Março para elaborar o relatório sobre a OPA. Isto é, para avaliar a OPA do seu accionista Caixabank. 


O que disse o BPI?


Nos termos previstos pelo artigo 181º do Código dos Valores Mobiliários, o Conselho de Administração do Banco BPI, S.A. deverá elaborar um relatório sobre a oportunidade e as condições da oferta no prazo de oito dias, contados a partir da data em que receba do oferente os respectivos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento. Independentemente dos desenvolvimentos do processo da Oferta, o Banco BPI prosseguirá sem alterações e com inteira normalidade o seu plano de actividades, incluindo a anunciada candidatura à aquisição do Novo Banco, nos termos estabelecidos pelas Autoridades.


O Banco BPI garante que prossegue a candidatura ao Novo Banco.


Ora, há 15 instituições pré-qualificadas no processo de venda que têm até 20 de Março para apresentarem propostas não vinculativas


Ou seja, a proposta, sendo não vinculativa não obriga à aquisição, logo o BPI não está impedido de apresentar uma proposta não vinculativa à compra do Novo Banco apesar da circunstância em que se encontra (sob OPA). Ou seja, esta oferta não vinculativa não viola a "Limitação dos poderes da sociedade visada" (artigo 182º do CVM) aplicável a quem está na pendência de uma oferta pública.


Mas, e para a proposta vinculativa?


Há sempre a possibilidade de a OPA estar resolvida antes do fim do concurso do Novo Banco.  Isto é, se a oferta vinculativa à compra Novo Banco se fizer depois do apuramento do resultado da oferta.


É provável este cenário?


O prazo da oferta pode variar entre 2 e 10 semanas pois a CMVM, por sua própria iniciativa ou a pedido do oferente, pode prorrogar a oferta em caso de revisão, lançamento de oferta concorrente ou quando a protecção dos interesses dos destinatários o justifique.


Se a OPA demorar duas semanas entre fim de Março e princípio de Abril pode haver um desfecho da OPA. Se demorar 10 semanas, só lá para 25 de Maio estaríamos a apurar os resultados da OPA do Caixabank. Nessa altura ainda poderia estar a decorrer o prazo para apresentação das propostas vinculativas à compra do Novo Banco? É o que não se sabe.


Mas há excepções legais. Que nuances legais que podem ajudar à operação de compra do Novo Banco?


A lei prevê que a administração do BPI aprove actos que não sejam de gestão corrente, desde que se convoque uma Assembleia Geral do BPI para tal. Para isso essa reunião tem de ser convocada com 15 dias de antecedência (prazo mais curto que o normal). Depois da entrega da oferta não vinculativa, o BPI pode convocar a AG para este feito.


O BPI terá ainda de convocar uma Assembleia Geral para votar a desblindagem de estatutos, antes do fim do prazo da OPA, pois que é uma das condições de sucesso da oferta. Penso que o prazo entre a convocação e a realização da AG terá aqui de ser um mês.


Aparentemente terão de ser convocadas duas AG. Pois a excepção ao 182º, definido no número 1, alínea b, exige uma AG exclusiva para a excepção às limitações a que está sujeita a sociedade visada - o BPI - na pendência de uma Oferta. Ou sejam, a discussão da oferta vinculativa à compra do Novo Banco, terá de ser feita numa AG diferente daquela que votará a desblindagem dos estatutos do BPI para que a OPA prossiga. 


Ambos os temas exigem 75% dos votos emitidos em AG. 


 As deliberações da assembleia geral (...) bem como as relativas à distribuição antecipada de dividendos e de outros rendimentos, apenas podem ser tomadas pela maioria exigida para a alteração dos estatutos. Os estatutos dizem que são precisos 75% dos votos expressos. Mas diz também que todos os votos do BPI são emitidos e depois não são contados os que ultrapassam os 20%. Ou seja os votos do La Caixa são emitidos e são expressos na totalidade, mas apenas são contados em 20%. Votos emitidos ou votos expressos são a mesma coisa. Aliás a lei é explicita: 2 - Os estatutos das sociedades abertas sujeitas a lei pessoal portuguesa (...) não podem fazer depender a alteração ou a eliminação das restrições referentes à transmissão ou ao exercício do direito de voto de quórum deliberativo mais agravado do que o respeitante a 75 % dos votos emitidos. Isto é, 75% dos votos expressos não podem tornar mais difícil a desblindagem do que 75% dos votos emitidos. 


Há ainda outra questão em análise. O facto de o oferente ser espanhol está sujeito à lei espanhola.


O mesmo artigo (182º) do CVM, no número seis, diz que O regime previsto neste artigo [182º] não é aplicável a ofertas públicas de aquisição dirigidas por sociedades oferentes que não estejam sujeitas às mesmas regras ou que sejam dominadas por sociedade que não se sujeite às mesmas regras.


Aqui teremos de ver que regime legal rege o Caixabank, o oferente. 


Penso que o BPI pode avançar para o Novo Banco no que à lei diz respeito. Mas a grande dependência da OPA resulta do factor capacidade financeira. Aquisições exigem capital e o BPI terá de o pedir aos seus accionistas. A oferta vinculativa sobre o Novo Banco terá de ter no horizonte a capacidade financeira efectiva para a compra, caso venha a ser o vencedor do concurso. Isto é, o BPI terá de fazer um aumento de capital a tempo de concluir a aquisição. Se a OPA se atrasar, isso pode comprometer a demonstração da capacidade financeira na oferta vinculativa ao Novo Banco. 


O BPI terá de fazer uma oferta vinculativa ao Novo Banco já com a OPA do Caixabank a caminho do sucesso, ou já resolvida. A AG que votará a desblindagem deverá de ter em agenda uma autorização para um aumento do capital do BPI. 


Se a OPA falhar, o BPI só pode avançar para a compra do Novo Banco com o agreement dos accionistas para um aumento de capital. É preciso que os três maiores accionistas votem a favor desse aumento de capital.


 


 

Pode o BPI ainda sonhar com o Novo Banco?


Vamos fazer as contas aos prazos da OPA do CaixaBank ao BPI?


O que diz a lei? Diz que a sociedade visada está limitada a actos de gestão corrente. O que à partida exclui aquisições, distribuição extraordinária de dividendos, etc.


A partir do momento em que tome conhecimento da decisão de lançamento de oferta pública de aquisição que incida sobre mais de um terço dos valores mobiliários da respectiva categoria e até ao apuramento do resultado ou até à cessação, em momento anterior, do respectivo processo, o órgão de administração da sociedade visada não pode praticar actos susceptíveis de alterar de modo relevante a situação patrimonial da sociedade visada que não se reconduzam à gestão normal da sociedade e que possam afectar de modo significativo os objectivos anunciados pelo oferente.


O anúncio preliminar foi lançado no dia 17 de Fevereiro último.


A lei diz que o Caixabank (oferente) tem de: Requerer o registo da oferta no prazo de 20 dias, prorrogável pela CMVM até 60 dias nas ofertas públicas de troca. 


Assim o Caixabank tem de pedir o registo da oferta (o que implica a CMVM ter de aprovar antes o prospecto) até ao dia 9 de Março. Se tudo correr normalmente. 


O registo de oferta pública de aquisição implica a aprovação do respectivo prospecto e baseia-se em critérios de legalidade.


A CMVM tem um prazo para dar o registo e o comunicar: A aprovação do prospecto pela CMVM, bem como o registo ou a sua recusa devem ser comunicados ao oferente no prazo de oito dias, em oferta pública de aquisição.


Os prazos referidos no número anterior contam-se a partir da recepção do pedido ou das informações complementares solicitadas ao oferente ou a terceiros.


Assim, a CMVM tem até ao dia 17 de Março para aprovar o registo. Se tudo correr sem contratempos e sem adiamentos dos prazos. 


O anúncio de lançamento da OPA pela CaixaBank deve ser publicado, em simultâneo com a divulgação do prospecto.


A lei diz ainda que:


O órgão de administração da sociedade visada deve, no prazo de oito dias a contar da recepção dos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento e no prazo de cinco dias após a divulgação de adenda aos documentos da oferta, enviar ao oferente e à CMVM e divulgar ao público um relatório elaborado nos termos do artigo 7.º sobre a oportunidade e as condições da oferta.


Depois da aprovação do registo a administração de Fernando Ulrich tem aparentemente até ao dia 17 de Março para elaborar o relatório sobre a OPA. Isto é, para avaliar a OPA do seu accionista Caixabank. 


O que disse o BPI?


Nos termos previstos pelo artigo 181º do Código dos Valores Mobiliários, o Conselho de Administração do Banco BPI, S.A. deverá elaborar um relatório sobre a oportunidade e as condições da oferta no prazo de oito dias, contados a partir da data em que receba do oferente os respectivos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento. Independentemente dos desenvolvimentos do processo da Oferta, o Banco BPI prosseguirá sem alterações e com inteira normalidade o seu plano de actividades, incluindo a anunciada candidatura à aquisição do Novo Banco, nos termos estabelecidos pelas Autoridades.


O Banco BPI garante que prossegue a candidatura ao Novo Banco.


Ora, há 15 instituições pré-qualificadas no processo de venda que têm até 20 de Março para apresentarem propostas não vinculativas


Ou seja, a proposta, sendo não vinculativa não obriga à aquisição, logo o BPI não está impedido de apresentar uma proposta não vinculativa à compra do Novo Banco apesar da circunstância em que se encontra (sob OPA). Ou seja, esta oferta não vinculativa não viola a "Limitação dos poderes da sociedade visada" (artigo 182º do CVM) aplicável a quem está na pendência de uma oferta pública.


Mas, e para a proposta vinculativa?


Há sempre a possibilidade de a OPA estar resolvida antes do fim do concurso do Novo Banco.  Isto é, se a oferta vinculativa à compra Novo Banco se fizer depois do apuramento do resultado da oferta.


É provável este cenário?


O prazo da oferta pode variar entre 2 e 10 semanas pois a CMVM, por sua própria iniciativa ou a pedido do oferente, pode prorrogar a oferta em caso de revisão, lançamento de oferta concorrente ou quando a protecção dos interesses dos destinatários o justifique.


Se a OPA demorar duas semanas entre fim de Março e princípio de Abril pode haver um desfecho da OPA. Se demorar 10 semanas, só lá para 25 de Maio estaríamos a apurar os resultados da OPA do Caixabank. Nessa altura ainda poderia estar a decorrer o prazo para apresentação das propostas vinculativas à compra do Novo Banco? É o que não se sabe.


Mas há excepções legais. Que nuances legais que podem ajudar à operação de compra do Novo Banco?


A lei prevê que a administração do BPI aprove actos que não sejam de gestão corrente, desde que se convoque uma Assembleia Geral do BPI para tal. Para isso essa reunião tem de ser convocada com 15 dias de antecedência (prazo mais curto que o normal). Depois da entrega da oferta não vinculativa, o BPI pode convocar a AG para este feito.


O BPI terá ainda de convocar uma Assembleia Geral para votar a desblindagem de estatutos, antes do fim do prazo da OPA, pois que é uma das condições de sucesso da oferta. Penso que o prazo entre a convocação e a realização da AG terá aqui de ser um mês.


Aparentemente terão de ser convocadas duas AG. Pois a excepção ao 182º, definido no número 1, alínea b, exige uma AG exclusiva para a excepção às limitações a que está sujeita a sociedade visada - o BPI - na pendência de uma Oferta. Ou sejam, a discussão da oferta vinculativa à compra do Novo Banco, terá de ser feita numa AG diferente daquela que votará a desblindagem dos estatutos do BPI para que a OPA prossiga. 


Ambos os temas exigem 75% dos votos emitidos em AG. 


 As deliberações da assembleia geral (...) bem como as relativas à distribuição antecipada de dividendos e de outros rendimentos, apenas podem ser tomadas pela maioria exigida para a alteração dos estatutos. Os estatutos dizem que são precisos 75% dos votos expressos. Mas diz também que todos os votos do BPI são emitidos e depois não são contados os que ultrapassam os 20%. Ou seja os votos do La Caixa são emitidos e são expressos na totalidade, mas apenas são contados em 20%. Votos emitidos ou votos expressos são a mesma coisa. Aliás a lei é explicita: 2 - Os estatutos das sociedades abertas sujeitas a lei pessoal portuguesa (...) não podem fazer depender a alteração ou a eliminação das restrições referentes à transmissão ou ao exercício do direito de voto de quórum deliberativo mais agravado do que o respeitante a 75 % dos votos emitidos. Isto é, 75% dos votos expressos não podem tornar mais difícil a desblindagem do que 75% dos votos emitidos. 


Há ainda outra questão em análise. O facto de o oferente ser espanhol está sujeito à lei espanhola.


O mesmo artigo (182º) do CVM, no número seis, diz que O regime previsto neste artigo [182º] não é aplicável a ofertas públicas de aquisição dirigidas por sociedades oferentes que não estejam sujeitas às mesmas regras ou que sejam dominadas por sociedade que não se sujeite às mesmas regras.


Aqui teremos de ver que regime legal rege o Caixabank, o oferente. 


Penso que o BPI pode avançar para o Novo Banco no que à lei diz respeito. Mas a grande dependência da OPA resulta do factor capacidade financeira. Aquisições exigem capital e o BPI terá de o pedir aos seus accionistas. A oferta vinculativa sobre o Novo Banco terá de ter no horizonte a capacidade financeira efectiva para a compra, caso venha a ser o vencedor do concurso. Isto é, o BPI terá de fazer um aumento de capital a tempo de concluir a aquisição. Se a OPA se atrasar, isso pode comprometer a demonstração da capacidade financeira na oferta vinculativa ao Novo Banco. 


O BPI terá de fazer uma oferta vinculativa ao Novo Banco já com a OPA do Caixabank a caminho do sucesso, ou já resolvida. A AG que votará a desblindagem deverá de ter em agenda uma autorização para um aumento do capital do BPI. 


Se a OPA falhar, o BPI só pode avançar para a compra do Novo Banco com o agreement dos accionistas para um aumento de capital. É preciso que os três maiores accionistas votem a favor desse aumento de capital.


 


 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Espingardas para o BPI

O grupo Violas, accionista fundador do BPI, mais precisamente os herdeiros da família que sempre teve boas relações com Artur Santos Silva, reforçou a sua posição no banco após o anúncio da OPA do CaixaBank. A “holding” Violas Ferreira Financial investiu 10,7 milhões para passar a controlar mais de 2,5% da instituição liderada por Fernando Ulrich.


Com este investimento, a Violas Ferreira volta a ter uma participação qualificada no BPI.


Ora porque será que reforçaram?


Preparam espingardas para a Assembleia Geral do BPI que votará a desblindagem de estatutos, condição sine qua non para o sucesso da OPA. Os prazos apertam porque há um Novo Banco para comprar e há que despachar a OPA antes que seja impossível comprar o lado bom do velho BES.

Espingardas para o BPI

O grupo Violas, accionista fundador do BPI, mais precisamente os herdeiros da família que sempre teve boas relações com Artur Santos Silva, reforçou a sua posição no banco após o anúncio da OPA do CaixaBank. A “holding” Violas Ferreira Financial investiu 10,7 milhões para passar a controlar mais de 2,5% da instituição liderada por Fernando Ulrich.


Com este investimento, a Violas Ferreira volta a ter uma participação qualificada no BPI.


Ora porque será que reforçaram?


Preparam espingardas para a Assembleia Geral do BPI que votará a desblindagem de estatutos, condição sine qua non para o sucesso da OPA. Os prazos apertam porque há um Novo Banco para comprar e há que despachar a OPA antes que seja impossível comprar o lado bom do velho BES.

Os piores da red carpet

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1- Kelly Osbourne, campeã do mau gosto. Cabelo roxo?! Vestido rodado para uma mulher tamanho 44?!


2- Ava DuVernay num vestido Prada horrível a puxar ao indiano


3- Blanca Blanco em labaredas!


4- Chloe Grace Moretz no engordativo vestido Miu Miu. Parece uma camilha.. 


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E os homens? 


1- A abrir a galeria da tragédia, estão estes dois passarinhos: David Burtka e Neil Patrick Harris, um de branco, estilo criado de mesa (Brunello Cucinelli) e o outro de smoking ... cinzento claro. Sem comentários.


2- Jared Leto num smoking, ou lá o que isto é, desenhado pela Givenchy. Pavoroso da cabeça aos pés. Desde a côr a tudo o resto.


3- Mário Lopez isto é um smoking? Parece o "fato de domingo" do galã da Reboleira. 


4- David Oyelowo e um smoking... encarnado?! Quase tão mau como o que o jogador Messi se apresenta nas galas.


 


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1- Jeff Goldblum e Adrien Brody, ambos vestidos por Dolce & Gabbana. O primeiro melhor que o segundo. Brody so kitsch!


2- J.K. Simmons e Michelle Schumacher. J.K. Simmons ganhou o óscar de melhor actor secundário pelo seu trabalho em Whiplash, mas usa o smoking como se fosse para um rodeo.


3- Keira Knightley  embrulhada num vestido Valentino, floral e grotesco. Parece uma matrona.


4- Kelly Preston, vestida por Gustavo Cadile, e John Travolta vestido pelo seu mau gosto. Uma corrente em vez de um laço?!


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1- Kevin Hart num smoking branco e preto da Lanvin e com uns sapatos Dior. Pior era difícil, mas não impossível, como se verá.


2- Lady Gaga cantou a música no coração de forma surpreendente, mostrou ser melhor do que o seu normal boneco sugere. Mas a toilette não foi o seu forte. Escolheu este vestido Azzedine Alaia com umas luvas encarnadas (de borracha?!) que mais parecia que ia fazer limpezas. 


3- Questlove. What a name (o verdadeiro nome é Ahmir Khalib Thompson)! What a tuxedo! My God! Caricata esta fatiota que substituiu o tradicional smoking do protocolo. Pior é mesmo impossível!


4- Will I Am. É assim que se intitula o rapper William James Adam. E veste-se desta forma. Lamentável. 


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E agora a galeria dos horrores:


1 - Colleen Atwood, terrível!


2- Diane Warren pretendendo mostrar ser uma rock star chic, mas a não passar de uma mulher masculina num smoking prateado, parece que vai cantar Sinatra.


 3- Mas o top do horror na passadeira dos óscares foi mesmo esta dupla, de nomes Tegan e Sarah. Não há palavras que descrevam esta facada na estética.


4- Lorelei Linklater num vestido bastante feio da Gabriela Cadena. Bom mas pelo menos é feminino.


Destaque ainda para Patrícia Arquette que tinha um vestido sóbrio, preto e branco, mas cujo feitio não disfarçava aquele corpo roliço. 


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Os piores da red carpet

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1- Kelly Osbourne, campeã do mau gosto. Cabelo roxo?! Vestido rodado para uma mulher tamanho 44?!


2- Ava DuVernay num vestido Prada horrível a puxar ao indiano


3- Blanca Blanco em labaredas!


4- Chloe Grace Moretz no engordativo vestido Miu Miu. Parece uma camilha.. 


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E os homens? 


1- A abrir a galeria da tragédia, estão estes dois passarinhos: David Burtka e Neil Patrick Harris, um de branco, estilo criado de mesa (Brunello Cucinelli) e o outro de smoking ... cinzento claro. Sem comentários.


2- Jared Leto num smoking, ou lá o que isto é, desenhado pela Givenchy. Pavoroso da cabeça aos pés. Desde a côr a tudo o resto.


3- Mário Lopez isto é um smoking? Parece o "fato de domingo" do galã da Reboleira. 


4- David Oyelowo e um smoking... encarnado?! Quase tão mau como o que o jogador Messi se apresenta nas galas.


 


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1- Jeff Goldblum e Adrien Brody, ambos vestidos por Dolce & Gabbana. O primeiro melhor que o segundo. Brody so kitsch!


2- J.K. Simmons e Michelle Schumacher. J.K. Simmons ganhou o óscar de melhor actor secundário pelo seu trabalho em Whiplash, mas usa o smoking como se fosse para um rodeo.


3- Keira Knightley  embrulhada num vestido Valentino, floral e grotesco. Parece uma matrona.


4- Kelly Preston, vestida por Gustavo Cadile, e John Travolta vestido pelo seu mau gosto. Uma corrente em vez de um laço?!


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1- Kevin Hart num smoking branco e preto da Lanvin e com uns sapatos Dior. Pior era difícil, mas não impossível, como se verá.


2- Lady Gaga cantou a música no coração de forma surpreendente, mostrou ser melhor do que o seu normal boneco sugere. Mas a toilette não foi o seu forte. Escolheu este vestido Azzedine Alaia com umas luvas encarnadas (de borracha?!) que mais parecia que ia fazer limpezas. 


3- Questlove. What a name (o verdadeiro nome é Ahmir Khalib Thompson)! What a tuxedo! My God! Caricata esta fatiota que substituiu o tradicional smoking do protocolo. Pior é mesmo impossível!


4- Will I Am. É assim que se intitula o rapper William James Adam. E veste-se desta forma. Lamentável. 


PicMonkey Collage2.jpg


E agora a galeria dos horrores:


1 - Colleen Atwood, terrível!


2- Diane Warren pretendendo mostrar ser uma rock star chic, mas a não passar de uma mulher masculina num smoking prateado, parece que vai cantar Sinatra.


 3- Mas o top do horror na passadeira dos óscares foi mesmo esta dupla, de nomes Tegan e Sarah. Não há palavras que descrevam esta facada na estética.


4- Lorelei Linklater num vestido bastante feio da Gabriela Cadena. Bom mas pelo menos é feminino.


Destaque ainda para Patrícia Arquette que tinha um vestido sóbrio, preto e branco, mas cujo feitio não disfarçava aquele corpo roliço. 


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Os melhores da red carpet (Óscares 2015)

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1- O vestido cor de coral da Anna Kendrick (estilista Thakoon)


2- O vestido rosa desmaiado da Gwyneth Paltrow (de Ralph & Russo)


3- O vestido metalizado da Laura Dern, desenhado pela Alberta Ferretti 


4- Ninguém gostou, mas eu acho um dos melhores este vestido brilhante da Nicole Kidman, desenhado pela Louis Vuitton.


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Homens sóbrios e clássicos


1- Alejandro Gonzalez Inarritu e Maria Eladia Hagerman


2- Chris Pine (Fred Leighton)


3- Clint Eastwood e Bradley Cooper (os homens mais bonitos no seu tempo). O smoking é Salvatore Ferragamo


4- Andy Samberg com a sua mulher que apareceu vestida de noiva?!


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1- Felicity Jones neste vestido de Alexander McQueen


2- Jamie Chung neste vestido fantástico cor de chumbo


3- Jennifer Aniston num Versace cor de champagne


4- Jennifer Hudson com um vestido de um amarelo clássico da Romona Keveza


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1- Nancy Carell (vestido de Monique Lhuillier) e Steve Carell (Bruno Cucinelli), porque a tradição ainda é o que era.


2- Sophie Hunter e Benedict Cumberbatch (de smoking branco, mas clássico)


3- Karolina Kurkova (num vestido Marchesa)


4- Kerry Washington num vestido sóbrio da Miu Miu.


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1- Viola Davis num vestido cor de champagne de Zac Posen 


2- Zendaya num vestido clássico, branco, uma vez mais.


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1- Lupita Nyong num vestido de perólas da Calvin Klein. Aqui em detalhe:


Lupita_Nyongo (2).jpg


 


2- Paige Butcher com um vestido roxo bonito e Eddie Murphy a quem podiamos pedir um whisky por engano se ele não fosse uma estrela de cinema universal.


3- Janne Tyldum e Morten Tyldum. O elogio da normalidade. Sóbrios e o vestido dela é top. Ele é meio esgadelhado, mas pelo menos tem um smoking banal.Aqui o banal é bom.

Os melhores da red carpet (Óscares 2015)

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1- O vestido cor de coral da Anna Kendrick (estilista Thakoon)


2- O vestido rosa desmaiado da Gwyneth Paltrow (de Ralph & Russo)


3- O vestido metalizado da Laura Dern, desenhado pela Alberta Ferretti 


4- Ninguém gostou, mas eu acho um dos melhores este vestido brilhante da Nicole Kidman, desenhado pela Louis Vuitton.


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Homens sóbrios e clássicos


1- Alejandro Gonzalez Inarritu e Maria Eladia Hagerman


2- Chris Pine (Fred Leighton)


3- Clint Eastwood e Bradley Cooper (os homens mais bonitos no seu tempo). O smoking é Salvatore Ferragamo


4- Andy Samberg com a sua mulher que apareceu vestida de noiva?!


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1- Felicity Jones neste vestido de Alexander McQueen


2- Jamie Chung neste vestido fantástico cor de chumbo


3- Jennifer Aniston num Versace cor de champagne


4- Jennifer Hudson com um vestido de um amarelo clássico da Romona Keveza


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1- Nancy Carell (vestido de Monique Lhuillier) e Steve Carell (Bruno Cucinelli), porque a tradição ainda é o que era.


2- Sophie Hunter e Benedict Cumberbatch (de smoking branco, mas clássico)


3- Karolina Kurkova (num vestido Marchesa)


4- Kerry Washington num vestido sóbrio da Miu Miu.


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1- Viola Davis num vestido cor de champagne de Zac Posen 


2- Zendaya num vestido clássico, branco, uma vez mais.


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1- Lupita Nyong num vestido de perólas da Calvin Klein. Aqui em detalhe:


Lupita_Nyongo (2).jpg


 


2- Paige Butcher com um vestido roxo bonito e Eddie Murphy a quem podiamos pedir um whisky por engano se ele não fosse uma estrela de cinema universal.


3- Janne Tyldum e Morten Tyldum. O elogio da normalidade. Sóbrios e o vestido dela é top. Ele é meio esgadelhado, mas pelo menos tem um smoking banal.Aqui o banal é bom.

Os Óscares e a sua gestão difícil das quotas das minorias

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Os americanos são um povo que quer atingir a perfeição através da justiça e submetem tudo a essa lógica protestante. Por isso há em cada americano um justiceiro. Serve isto para dizer que qualquer avaliação de qualidade está balizada pelas quotas da minorias, pela condescendência aos "fracos e oprimidos", e uma certa intolerância e antipatia pelos caucasianos, bonitos, casados e bem sucedidos (são logo considerados perigosos republicanos). 


São conhecidos os protestos dos afro-americanos por não ter havido nomeados da sua "comunidade". Pouco importa se mereciam ou não, mas tinha de haver uma quota. Foi aliás motivo de chacota pelo apresentador (por sua vez, também digníssimo representante de outra minoria, aliás todos os anos parece repetir-se o caso na apresentação da cerimónia. Será por mero acaso? Serão critérios de mérito que precedem à escolha do apresentador? Ou serão critérios "políticos"?) quando, a certa altura  faz uma piada, a de que os Óscares vão premiar “the best and the whitest – sorry – brightest” (os melhores e os mais brancos). Uma referência aos protestos pela falta de nomeados negros.


A riqueza foi também criticada pelo franzino Neil Patrick Harris, quando faz uma piada à fortuna da Oprah Winfrey – comparando a fortuna da apresentadora ao orçamento de “Sniper Americano” (realizado pelo republicano Clint Eastwood). Mas a afro-americana Oprah não pareceu achar piada. Mais uma acha para a fogueira das contestações da comunidade?


Os momentos mais víris da sessão foram a subida ao palco do actor Jack Black para tentar elevar o registo de comédia que estava a ser impresso pelo apresentador (não estava muito alto, convenhamos), e o abraço sexy de John Travolta à actriz Scarlett Johansson, com um vestido verde bom para as curvas :). Aliás vai ser a fotografia que mais marcará a sessão dos Óscares de 2015, parece-me.


Patrícia Arquette, que ganhou o Óscar de melhor actriz secundária com o seu papel em Boyhood, usou o prémio para exaltar mais uma "minoria oprimida", desta vez as mulheres (!!!) – nunca me senti tal. Foi o primeiro discurso político da noite: defesa da igualdade de direitos para as mulheres, por Patrícia Arquette. Uma feminista, portanto.


Começam a parecer os velhos discursos das "Miss", que assim que ganhavam o prémio sentiam necessidade de o dedicar aos pobres do mundo e a dizer que tudo o que queriam era a paz mundial. 


Deve ser difícil neste contexto, agradar a gregos e a troianos e ainda ter de escolher os melhores por critérios cinematográficos. Mas ainda assim a escolha não foi totalmente desprovida de sentido. Discordando da escolha do Óscar para melhor argumento adaptado que foi entregue ao filme "Teoria da Imitação", quando devia ter sido entregue à Teoria de Tudo – o filme que deu o Óscar de melhor actor a Eddie Redmayne, merecidamente, diga-se. Pode dizer-se que as escolhas foram merecidas. Foi merecido o Óscar de melhor filme a Birdman - a Inesperada Virtude da Ignorância (bom e revelador título para este filme). Tive pena de Boyhood ter sido o grande derrotado da noite, mas foi vítima de estar na corrida aos lugares cimeiros. O filme que disputa os melhores títulos está sempre naquela posição de: ou ganha tudo ou nada.


O melhor filme a concurso era o Grand Budapest Hotel, de Wes Andersen, e ganhou muitos Óscares mas apenas técnicos e nenhum dos principais. 


 


Eis a lista completa de vencedores dos Óscares 2015:


Melhor Filme
Birdman


Melhor Realizador
Alejandro González Iñárritu (Birdman)


Melhor Actor
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)


Melhor Actriz
Julianne Moore (O Meu Nome é Alice)


Melhor Actor Secundário
J.K. Simmons (Whiplash)


Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood)


Melhor Argumento Original
Birdman


Melhor Argumento Adaptado
O Jogo da Imitação


Melhor Filme de Animação (Longa-Metragem)
Big Hero 6 – Os Novos Heróis


Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Polónia)


Melhor Filme de Animação (Curta-Metragem)
Festim


Melhor Documentário (Longa-Metragem)
Citizenfour


Melhor Documentário (Curta-Metragem)
Crisis  Hotline: Veterans Press 1


Melhor Curta-Metragem
The Phone Call


Melhor Fotografia
“Birdman” (Emmanuel Lubezki)


Melhor Montagem
Whiplash


Melhor Banda Sonora Original
Alexandre Desplat – Grand  Budapest Hotel


Melhor Canção Original
“Glory” – Selma (John Stephens e Lonnie Lynn)


Melhor Edição de Som
Sniper Americano


Melhor Mistura Sonora
Whiplash


Melhor Direcção Artística
Grand  Budapest Hotel


Melhores Efeitos Visuais
Interstellar


Melhor Guarda-Roupa
Grand Budapest Hotel


Melhor Caracterização
Grand  Budapest Hotel

Os Óscares e a sua gestão difícil das quotas das minorias

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Os americanos são um povo que quer atingir a perfeição através da justiça e submetem tudo a essa lógica protestante. Por isso há em cada americano um justiceiro. Serve isto para dizer que qualquer avaliação de qualidade está balizada pelas quotas da minorias, pela condescendência aos "fracos e oprimidos", e uma certa intolerância e antipatia pelos caucasianos, bonitos, casados e bem sucedidos (são logo considerados perigosos republicanos). 


São conhecidos os protestos dos afro-americanos por não ter havido nomeados da sua "comunidade". Pouco importa se mereciam ou não, mas tinha de haver uma quota. Foi aliás motivo de chacota pelo apresentador (por sua vez, também digníssimo representante de outra minoria, aliás todos os anos parece repetir-se o caso na apresentação da cerimónia. Será por mero acaso? Serão critérios de mérito que precedem à escolha do apresentador? Ou serão critérios "políticos"?) quando, a certa altura  faz uma piada, a de que os Óscares vão premiar “the best and the whitest – sorry – brightest” (os melhores e os mais brancos). Uma referência aos protestos pela falta de nomeados negros.


A riqueza foi também criticada pelo franzino Neil Patrick Harris, quando faz uma piada à fortuna da Oprah Winfrey – comparando a fortuna da apresentadora ao orçamento de “Sniper Americano” (realizado pelo republicano Clint Eastwood). Mas a afro-americana Oprah não pareceu achar piada. Mais uma acha para a fogueira das contestações da comunidade?


Os momentos mais víris da sessão foram a subida ao palco do actor Jack Black para tentar elevar o registo de comédia que estava a ser impresso pelo apresentador (não estava muito alto, convenhamos), e o abraço sexy de John Travolta à actriz Scarlett Johansson, com um vestido verde bom para as curvas :). Aliás vai ser a fotografia que mais marcará a sessão dos Óscares de 2015, parece-me.


Patrícia Arquette, que ganhou o Óscar de melhor actriz secundária com o seu papel em Boyhood, usou o prémio para exaltar mais uma "minoria oprimida", desta vez as mulheres (!!!) – nunca me senti tal. Foi o primeiro discurso político da noite: defesa da igualdade de direitos para as mulheres, por Patrícia Arquette. Uma feminista, portanto.


Começam a parecer os velhos discursos das "Miss", que assim que ganhavam o prémio sentiam necessidade de o dedicar aos pobres do mundo e a dizer que tudo o que queriam era a paz mundial. 


Deve ser difícil neste contexto, agradar a gregos e a troianos e ainda ter de escolher os melhores por critérios cinematográficos. Mas ainda assim a escolha não foi totalmente desprovida de sentido. Discordando da escolha do Óscar para melhor argumento adaptado que foi entregue ao filme "Teoria da Imitação", quando devia ter sido entregue à Teoria de Tudo – o filme que deu o Óscar de melhor actor a Eddie Redmayne, merecidamente, diga-se. Pode dizer-se que as escolhas foram merecidas. Foi merecido o Óscar de melhor filme a Birdman - a Inesperada Virtude da Ignorância (bom e revelador título para este filme). Tive pena de Boyhood ter sido o grande derrotado da noite, mas foi vítima de estar na corrida aos lugares cimeiros. O filme que disputa os melhores títulos está sempre naquela posição de: ou ganha tudo ou nada.


O melhor filme a concurso era o Grand Budapest Hotel, de Wes Andersen, e ganhou muitos Óscares mas apenas técnicos e nenhum dos principais. 


 


Eis a lista completa de vencedores dos Óscares 2015:


Melhor Filme
Birdman


Melhor Realizador
Alejandro González Iñárritu (Birdman)


Melhor Actor
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)


Melhor Actriz
Julianne Moore (O Meu Nome é Alice)


Melhor Actor Secundário
J.K. Simmons (Whiplash)


Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood)


Melhor Argumento Original
Birdman


Melhor Argumento Adaptado
O Jogo da Imitação


Melhor Filme de Animação (Longa-Metragem)
Big Hero 6 – Os Novos Heróis


Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Polónia)


Melhor Filme de Animação (Curta-Metragem)
Festim


Melhor Documentário (Longa-Metragem)
Citizenfour


Melhor Documentário (Curta-Metragem)
Crisis  Hotline: Veterans Press 1


Melhor Curta-Metragem
The Phone Call


Melhor Fotografia
“Birdman” (Emmanuel Lubezki)


Melhor Montagem
Whiplash


Melhor Banda Sonora Original
Alexandre Desplat – Grand  Budapest Hotel


Melhor Canção Original
“Glory” – Selma (John Stephens e Lonnie Lynn)


Melhor Edição de Som
Sniper Americano


Melhor Mistura Sonora
Whiplash


Melhor Direcção Artística
Grand  Budapest Hotel


Melhores Efeitos Visuais
Interstellar


Melhor Guarda-Roupa
Grand Budapest Hotel


Melhor Caracterização
Grand  Budapest Hotel

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Boyhood

Boyhood.jpg


Boyhood, o filme que imita a vida. Porque a vida acontece-nos. Podemos tentar mudar as circuntâncias, mas poucas são as vezes que o conseguimos. Nesse aspecto Richard Linklater, o realizador que já tinha feito o filme Antes do Amanhecer, foi de uma grande sabedoria


 

Boyhood

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Boyhood, o filme que imita a vida. Porque a vida acontece-nos. Podemos tentar mudar as circuntâncias, mas poucas são as vezes que o conseguimos. Nesse aspecto Richard Linklater, o realizador que já tinha feito o filme Antes do Amanhecer, foi de uma grande sabedoria


 

And the Oscar goes to...

Apostas:


Melhor Filme
Birdman


Melhor Realizador
Richard Linklater, por Boyhood – Momentos de uma Vida


Melhor Actor
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo


Melhor Actriz
Julianne Moore, em O Meu Nome é Alice


Melhor Actor Secundário
Edward Norton, em Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)


Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette, em Boyhood – Momentos de uma Vida


Melhor Argumento Adaptado
A Teoria de tudo


Melhor Argumento Original
Grand Budapest Hotel


Melhor Filme em Língua Estrangeira
Ida, Polónia


Melhor Direcção de Fotografia
Ida


Melhor Guarda Roupa
The Grand Budapest Hotel


Melhor Montagem
Grand Budapest Hotel


Melhor Caracterização
Birdman


Melhor Banda Sonora
Grand Budapest Hotel, de Alexandre Desplat


Melhor Canção
Glory, em Selma


Direcção Artística
Grand Budapest Hotel


Montagem de Som
Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)


Mistura de Som
Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)


Efeitos Visuais
Interstellar


Melhor Documentário (longa metragem)
The Salt of The Earth


Longa Metragem de Animação
Os Monstros das Caixas


 


Resultado: 10 certos

And the Oscar goes to...

Apostas:


Melhor Filme
Birdman


Melhor Realizador
Richard Linklater, por Boyhood – Momentos de uma Vida


Melhor Actor
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo


Melhor Actriz
Julianne Moore, em O Meu Nome é Alice


Melhor Actor Secundário
Edward Norton, em Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)


Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette, em Boyhood – Momentos de uma Vida


Melhor Argumento Adaptado
A Teoria de tudo


Melhor Argumento Original
Grand Budapest Hotel


Melhor Filme em Língua Estrangeira
Ida, Polónia


Melhor Direcção de Fotografia
Ida


Melhor Guarda Roupa
The Grand Budapest Hotel


Melhor Montagem
Grand Budapest Hotel


Melhor Caracterização
Birdman


Melhor Banda Sonora
Grand Budapest Hotel, de Alexandre Desplat


Melhor Canção
Glory, em Selma


Direcção Artística
Grand Budapest Hotel


Montagem de Som
Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)


Mistura de Som
Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância)


Efeitos Visuais
Interstellar


Melhor Documentário (longa metragem)
The Salt of The Earth


Longa Metragem de Animação
Os Monstros das Caixas


 


Resultado: 10 certos

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vítor Bento dixit

Vítor Bento sobre a governação de Portugal em austeridade: 


“Tendo-se deparado com a ameaça de bancarrota, por se lhe terem fechado as normais fontes de financiamento proporcionadas pelo mercado, e continuando a acumular consideráveis défices – nas contas externas e nas contas públicas -, não tinha alternativa senão empreender um exigente programa de ajustamento da sua economia, negociado com as autoridades comunitárias, de cuja assistência financeira ficou dependente para não falhar pagamentos e poder distribuir os custos do ajustamento por vários anos.”

Vítor Bento dixit

Vítor Bento sobre a governação de Portugal em austeridade: 


“Tendo-se deparado com a ameaça de bancarrota, por se lhe terem fechado as normais fontes de financiamento proporcionadas pelo mercado, e continuando a acumular consideráveis défices – nas contas externas e nas contas públicas -, não tinha alternativa senão empreender um exigente programa de ajustamento da sua economia, negociado com as autoridades comunitárias, de cuja assistência financeira ficou dependente para não falhar pagamentos e poder distribuir os custos do ajustamento por vários anos.”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

BPI, BFA e Santoro que futuro?


Vamos cá pensar na lógica desta OPA do Caixabank ao BPI e da relação que essa operação tem com o excesso de exposição do BPI a Angola desde que os investimentos naquele país passaram a ser ponderados pelo risco a 100 por cento e não a 20% como era antes da decisão do BCE. Esta decisão regulatória, que resulta do facto de o BCE ter retirado aos bancos angolanos o estatuto de equiparado a banco europeu, abriu no BPI uma fenda no capital de mais de três mil milhões de euros.  Isto porquê? Porque cada banco só pode ter 25% do capital em risco para cada devedor. Ora com o ponderador do risco em Angola a disparar o BPI terá de reforçar o capital ou reduzir a exposição a Angola. 


Quanto é que o BPI precisa de capital a mais para manter a maioria do BFA, e continuar a consolidar integralmente? Precisa de aproximadamente 12 mil milhões de euros. Ora a integração do Novo Banco dá-lhe o quê? Mais ou menos 5,5 mil milhões, porque são os 4,9 mil milhões, mais os impostos diferidos de cerca de 600 milhões. Mais coisa, menos coisa, pois que ainda poderão haver outras pequenas operações de libertação de capital no Novo Banco.


Ou seja, a compra do Novo Banco não chega per si para resolver o gap de capital provocado pelo excesso de riscos angolanos. O BPI terá de reduzir a participação no BFA para uma posição inferior a 50%, para deixar de consolidar integramente e passar a consolidar por equivalência patrimonial (linha a linha e não todos os activos e passivos). Em alternativa poderá vender dívida pública angolana (3,8 mil milhões é o que tem), mas nesta altura quem é que quer comprar essa dívida?


Serve isto para dizer que em troca de Isabel dos Santos (Santoro) votar a favor da desblindagem no BPI (e eventualmente vender acções na OPA) o banco de Fernando Ulrich "dá-lhe" uma fatia do BFA. É o que parece decorrer daqui.


Se o La Caixa tiver sucesso na OPA ao BPI, terá de haver dois aumentos de capital, um logo no La Caixa e outro no BPI para este comprar o Novo Banco. 


 

BPI, BFA e Santoro que futuro?


Vamos cá pensar na lógica desta OPA do Caixabank ao BPI e da relação que essa operação tem com o excesso de exposição do BPI a Angola desde que os investimentos naquele país passaram a ser ponderados pelo risco a 100 por cento e não a 20% como era antes da decisão do BCE. Esta decisão regulatória, que resulta do facto de o BCE ter retirado aos bancos angolanos o estatuto de equiparado a banco europeu, abriu no BPI uma fenda no capital de mais de três mil milhões de euros.  Isto porquê? Porque cada banco só pode ter 25% do capital em risco para cada devedor. Ora com o ponderador do risco em Angola a disparar o BPI terá de reforçar o capital ou reduzir a exposição a Angola. 


Quanto é que o BPI precisa de capital a mais para manter a maioria do BFA, e continuar a consolidar integralmente? Precisa de aproximadamente 12 mil milhões de euros. Ora a integração do Novo Banco dá-lhe o quê? Mais ou menos 5,5 mil milhões, porque são os 4,9 mil milhões, mais os impostos diferidos de cerca de 600 milhões. Mais coisa, menos coisa, pois que ainda poderão haver outras pequenas operações de libertação de capital no Novo Banco.


Ou seja, a compra do Novo Banco não chega per si para resolver o gap de capital provocado pelo excesso de riscos angolanos. O BPI terá de reduzir a participação no BFA para uma posição inferior a 50%, para deixar de consolidar integramente e passar a consolidar por equivalência patrimonial (linha a linha e não todos os activos e passivos). Em alternativa poderá vender dívida pública angolana (3,8 mil milhões é o que tem), mas nesta altura quem é que quer comprar essa dívida?


Serve isto para dizer que em troca de Isabel dos Santos (Santoro) votar a favor da desblindagem no BPI (e eventualmente vender acções na OPA) o banco de Fernando Ulrich "dá-lhe" uma fatia do BFA. É o que parece decorrer daqui.


Se o La Caixa tiver sucesso na OPA ao BPI, terá de haver dois aumentos de capital, um logo no La Caixa e outro no BPI para este comprar o Novo Banco. 


 

Tsipras aceita prolongamentos mas mantém-se firme em não usar gravata

Agora o Governo do Syriza diz que vai afinal pedir a extensão do empréstimo mas não do programa da troika. A Grécia "não se deixa chantagear com ultimatos”, dizia o primeiro ministro grego. Tsipras recusou um prolongamento do programa de assistência financeira à Grécia. Mas o  Schäuble foi contundente: “Enquanto o Governo grego não quiser nenhum programa, não preciso de pensar em opções”.


Isto quem manda é quem tem o dinheiro. 


Mais um bocado e o Syriza mantém a irreverência apenas para o uso da gravata.


Tsipras aceita prolongamentos mas mantém-se firme em não usar gravata

Agora o Governo do Syriza diz que vai afinal pedir a extensão do empréstimo mas não do programa da troika. A Grécia "não se deixa chantagear com ultimatos”, dizia o primeiro ministro grego. Tsipras recusou um prolongamento do programa de assistência financeira à Grécia. Mas o  Schäuble foi contundente: “Enquanto o Governo grego não quiser nenhum programa, não preciso de pensar em opções”.


Isto quem manda é quem tem o dinheiro. 


Mais um bocado e o Syriza mantém a irreverência apenas para o uso da gravata.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Os filhos da primavera árabe

Nunca me canso de pensar que estes terroristas assassinos que por aí andam são os frutos da primavera árabe. O Egipto está pior, a Líbia está pior. Foi como saltar da frigideira para o lume. 

Os filhos da primavera árabe

Nunca me canso de pensar que estes terroristas assassinos que por aí andam são os frutos da primavera árabe. O Egipto está pior, a Líbia está pior. Foi como saltar da frigideira para o lume. 

A Teoria de Tudo


 


A história fabulosa e bem realizada (por James Marsh) de Stephen Hawking talvez não chegue a ganhar a estatuteta de melhor filme, mas nunca nos sairá do coração.


Várias coisas surgem à ideia quando se conhece melhor Stephen Hawking, o brilhante fisico teórico e cosmólogo britânico, emblemático ateu que considerava que Deus não cabia nas explicações da origem do mundo. O pai da teoria do buraco negro, depois por si própria rebatida, e da teoria do Big Bang na criação do mundo.


O mais curioso do seu ateísmo é ter casado com uma mulher crente e religiosa, que cantava no coro da igreja, Jane Wilde casou com ele apesar da doença esclerose lateral amiotrófica que lhe foi detectada e que lhe dava dois anos de vida em condições trágicas. O amor e a vida que teve apesar dessas circunstâncias são só por si a prova evidente da existência de Deus. Stephen Hawking teve uma família fabulosa (três filhos) como muitos não têm e foi reconhecido pelo seu brilhantismo em toda a sua carreira como investigador. É, claro está, britânico. Tivesse ele tido o azar de ter vivido em Portugal e teria tido uma vida trágica. Nunca teria casado, seria abandonado e ninguém lhe daria créditos para as suas teorias e estudos.

A Teoria de Tudo


 


A história fabulosa e bem realizada (por James Marsh) de Stephen Hawking talvez não chegue a ganhar a estatuteta de melhor filme, mas nunca nos sairá do coração.


Várias coisas surgem à ideia quando se conhece melhor Stephen Hawking, o brilhante fisico teórico e cosmólogo britânico, emblemático ateu que considerava que Deus não cabia nas explicações da origem do mundo. O pai da teoria do buraco negro, depois por si própria rebatida, e da teoria do Big Bang na criação do mundo.


O mais curioso do seu ateísmo é ter casado com uma mulher crente e religiosa, que cantava no coro da igreja, Jane Wilde casou com ele apesar da doença esclerose lateral amiotrófica que lhe foi detectada e que lhe dava dois anos de vida em condições trágicas. O amor e a vida que teve apesar dessas circunstâncias são só por si a prova evidente da existência de Deus. Stephen Hawking teve uma família fabulosa (três filhos) como muitos não têm e foi reconhecido pelo seu brilhantismo em toda a sua carreira como investigador. É, claro está, britânico. Tivesse ele tido o azar de ter vivido em Portugal e teria tido uma vida trágica. Nunca teria casado, seria abandonado e ninguém lhe daria créditos para as suas teorias e estudos.

La Caixa com BPI para o xeque mate à compra do Novo Banco


A chegar ao ponto de ter de apresentar ofertas para comprar o Novo Banco, e estando na corrida mais catorze concorrentes e entre eles estando o "abonado" Santander e o determinado grupo chinês Fosun, é chegada a hora da já esperada OPA do La Caixa ao BPI. Só com o La Caixa podia o BPI comprar o Novo Banco. E o Novo Banco, se por um lado permite ao BPI ter aquela posição de destaque que apenas ao de longe aspirou, por outro e desde que foram introduzidas alterações regulatórias ao sistema bancário angolano, permite resolver um problema urgente ao banco português: o BPI precisa de reduzir o peso relativo do BFA no seu balanço e uma forma de o fazer é aumentar o seu balanço. 


Vamos ver então se a OPA ao BPI tem condições de sucesso ou não. Os espanhóis do CaixaBank lançaram uma OPA sobre o BPI, propondo 1,329 euros por acção, e propõem-se a pagar pelas acções que ainda não têm 1,082 mil milhões de euros. 


A oferta, a pagar em numerário, está condicionada a que o CaixaBank supere os 50% do capital do BPI e à eliminação do limite de 20% dos direitos de voto no BPI. Para a supressão deste limite é necessário o voto favorável de 75% do capital representado na Assembleia Geral de Accionistas do BPI que se convocará para o efeito, no qual o CaixaBank apenas poderá votar por 20%. O histórico recente do BPI é de forte participação nas assembleias-gerais dos accionistas. Na última esteve presente 85% do capital (cerca de 64% do capital do banco teria de votar a favor da desblindagem). O catalão Caixabank é actualmente o maior accionista, com 44,1%, ou seja só precisa de comprar 5,9% para superar os 50% que exige na OPA. Mas ainda tem de fazer passar a desblindagem e o BPI tem ainda dois fortes accionistas, a Santoro de Isabel dos Santos com 18,6% do capital e os alemães da Allianz com 8,4%. No total estes três accionistas têm 71,1% do capital do Banco BPI.


A forma como esta OPA está construída sugere que o La Caixa deixa em aberto que a Santoro e a Allianz se mantenham no capital do BPI e participem na aventura da aquisição do Novo Banco. Mas para isso é preciso que seja o La Caixa a mandar. Estará Isabel dos Santos de acordo? Soube Isabel dos Santos desta intenção de OPA? Muito provavelmente sim. Seria difícil que Fernando Ulrich, que está obviamente de acordo com a OPA (daqui a 8 dias haverá o relatório do Conselho de Administração a pronunciar-se sobre a oferta), não avisasse uma das suas principais aliadas em Angola, onde o BPI tem a maioria do maior banco angolano. 


Já o grupo alemão aparece como um subtil aliado, pois no comunicado do banco espanhol é referida a intenção de manter  vigente a actual aliança de bancaseguros do BPI com a seguradora Allianz. 


O CaixaBank acredita que a oferta sobre o BPI poderá estar concluída no segundo trimestre de 2015. As instituições pré-qualificadas para a compra do Novo Banco têm até 20 de Março para apresentarem as suas ofertas de compra não vinculativas. Vamos ver se desta vez o BPI se funde com o ex-BES.


A ver se acabamos esta história dizendo a célebre frase: Que estranho caminho teve o BES de percorrer para chegar até ao BPI.

La Caixa com BPI para o xeque mate à compra do Novo Banco


A chegar ao ponto de ter de apresentar ofertas para comprar o Novo Banco, e estando na corrida mais catorze concorrentes e entre eles estando o "abonado" Santander e o determinado grupo chinês Fosun, é chegada a hora da já esperada OPA do La Caixa ao BPI. Só com o La Caixa podia o BPI comprar o Novo Banco. E o Novo Banco, se por um lado permite ao BPI ter aquela posição de destaque que apenas ao de longe aspirou, por outro e desde que foram introduzidas alterações regulatórias ao sistema bancário angolano, permite resolver um problema urgente ao banco português: o BPI precisa de reduzir o peso relativo do BFA no seu balanço e uma forma de o fazer é aumentar o seu balanço. 


Vamos ver então se a OPA ao BPI tem condições de sucesso ou não. Os espanhóis do CaixaBank lançaram uma OPA sobre o BPI, propondo 1,329 euros por acção, e propõem-se a pagar pelas acções que ainda não têm 1,082 mil milhões de euros. 


A oferta, a pagar em numerário, está condicionada a que o CaixaBank supere os 50% do capital do BPI e à eliminação do limite de 20% dos direitos de voto no BPI. Para a supressão deste limite é necessário o voto favorável de 75% do capital representado na Assembleia Geral de Accionistas do BPI que se convocará para o efeito, no qual o CaixaBank apenas poderá votar por 20%. O histórico recente do BPI é de forte participação nas assembleias-gerais dos accionistas. Na última esteve presente 85% do capital (cerca de 64% do capital do banco teria de votar a favor da desblindagem). O catalão Caixabank é actualmente o maior accionista, com 44,1%, ou seja só precisa de comprar 5,9% para superar os 50% que exige na OPA. Mas ainda tem de fazer passar a desblindagem e o BPI tem ainda dois fortes accionistas, a Santoro de Isabel dos Santos com 18,6% do capital e os alemães da Allianz com 8,4%. No total estes três accionistas têm 71,1% do capital do Banco BPI.


A forma como esta OPA está construída sugere que o La Caixa deixa em aberto que a Santoro e a Allianz se mantenham no capital do BPI e participem na aventura da aquisição do Novo Banco. Mas para isso é preciso que seja o La Caixa a mandar. Estará Isabel dos Santos de acordo? Soube Isabel dos Santos desta intenção de OPA? Muito provavelmente sim. Seria difícil que Fernando Ulrich, que está obviamente de acordo com a OPA (daqui a 8 dias haverá o relatório do Conselho de Administração a pronunciar-se sobre a oferta), não avisasse uma das suas principais aliadas em Angola, onde o BPI tem a maioria do maior banco angolano. 


Já o grupo alemão aparece como um subtil aliado, pois no comunicado do banco espanhol é referida a intenção de manter  vigente a actual aliança de bancaseguros do BPI com a seguradora Allianz. 


O CaixaBank acredita que a oferta sobre o BPI poderá estar concluída no segundo trimestre de 2015. As instituições pré-qualificadas para a compra do Novo Banco têm até 20 de Março para apresentarem as suas ofertas de compra não vinculativas. Vamos ver se desta vez o BPI se funde com o ex-BES.


A ver se acabamos esta história dizendo a célebre frase: Que estranho caminho teve o BES de percorrer para chegar até ao BPI.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Masterchef Australia e as agruras das mulheres bonitas


Masterchef Australia é, para além de um excelente curso e concurso de cozinheiros, e de um excelente programa de televisão, um retrato do ser humano, e do comportamento perante a competição. É um retrato universal do comportamento humano em sociedade. É um retrato das forças e fraquezas, da solidariedade pelos mais fracos, da inveja dos mais fortes, da natural simpatia pelo sexo oposto e rivalidade pelo mesmo sexo.


Reparem neste episódio


Os júris Gary Mehigan, George Calombaris e o crítico Matt Presto tinham escolhido a menina mais bonita do concurso, a modelo Sarah Todd, para regressar ao concurso depois de ter sido eliminada uns episódios atrás. Foi através de um concurso que recuperaram a concorrente, mas talvez as audiências tenham justificado o seu regresso. Sarah, é preciso que se diga, é uma das melhores cozinheiras a concurso. Sempre se notou uma simpatia especial do júri (e provavelmente da audiência) pela Sarah, que além de obviamente bonita (é modelo) era uma das cozinheiras mais profissionais com recurso a técnicas profissionais próprias da cozinha de autor. Talvez essa simpatia do júri fosse na verdade uma protecção face à hostilidade subtil de que era alvo de algumas das concorrentes. Ou talvez a simpatia do júri provocasse uma inveja nos demais. 


O impacto que a beleza provoca dá origem a uma série de reacções, que vão desde a simpatia à ostracização. Nota-se nos outros concorrentes, sobretudo nas mulheres, uma competição permanente e uma certa antipatia materializada em pouca tolerância pela Sarah. 


O concurso ia numa fase em que Tracy, uma excelente cozinheira, tinha ganho a vantagem de escolher os ingredientes e o tempo de preparação dos seus concorrentes (ao todo 11). A escolha dos tempos obedecia a três categorias: 60 minutos; 30 minutos; e 15 minutos. Estava eu a pensar que Tracy iria ser simpática com os homens, naturalmente, e dar-lhe mais tempo e os ingredientes mais fáceis, sobretudo àqueles que são mais próximos, ou que seria mais benevolente com aqueles que não constituem ameaças qualitativas, o que seria normal uma vez que quer ganhar a competição. Normalmente iria favorecer a sua melhor amiga, e iria de certeza escolher duas mulheres, as mais eficientes e bonitas, para lhes dar as piores circunstâncias: 15 minutos. E, pensei, aposto como vai escolher a Sarah para as piores condições de tempo e ingrediente. Iria ser especialmente castigada por ser bonita e melhor cozinheira que as outras. E assim foi, Tracy deu-lhe 15 minutos e escolheu como ingrediente a Dobrada. A Sarah riu-se com a tolerância de quem já esperava que isso lhe acontecesse, que fosse ela a escolhida para o pior tempo e pior ingrediente.


A outra escolhida para os 15 minutos foi Kira, e deu-lhe uma perna de peru, que a levou ao teste de pressão. 


Serve isto para dizer que não é incomum esta ostracização à beleza, sobretudo quando ela é associada à eficiência e à inteligência. As pessoas bonitas e com qualidades acima da média são geralmente muito admiradas e parecem ter o mundo aos pés, mas na verdade são também muito mal amadas pelos seus pares, e muito castigadas por eles. Fazem despertar a inveja e por algum sentimento de injustiça e de necessidade de compensação, as pessoas parecem achar que se deve corrigir o privilégio da natureza.


Este episódio vem confirmar o que há muito já sabia. 


Mas descansem-se que nem assim derrotaram a Sarah. Sarah conseguiu a proeza de cozinhar dobrada frita em polme com molho de tomate em 15 minutos e ser um dos melhores pratos da competição, para desgosto, provavelmente, da Tracy.


Há ainda outro fenómeno interessante a constatar. As pessoas não simpatizam com os tatuados e freaks e assim a tatuada e de orelhas rasgadas, Renae, levou com a maldade de ter de cozinhar uma assustadora enguia. Mas também ela ultrapassou com distinção o desafio.


 

Masterchef Australia e as agruras das mulheres bonitas


Masterchef Australia é, para além de um excelente curso e concurso de cozinheiros, e de um excelente programa de televisão, um retrato do ser humano, e do comportamento perante a competição. É um retrato universal do comportamento humano em sociedade. É um retrato das forças e fraquezas, da solidariedade pelos mais fracos, da inveja dos mais fortes, da natural simpatia pelo sexo oposto e rivalidade pelo mesmo sexo.


Reparem neste episódio


Os júris Gary Mehigan, George Calombaris e o crítico Matt Presto tinham escolhido a menina mais bonita do concurso, a modelo Sarah Todd, para regressar ao concurso depois de ter sido eliminada uns episódios atrás. Foi através de um concurso que recuperaram a concorrente, mas talvez as audiências tenham justificado o seu regresso. Sarah, é preciso que se diga, é uma das melhores cozinheiras a concurso. Sempre se notou uma simpatia especial do júri (e provavelmente da audiência) pela Sarah, que além de obviamente bonita (é modelo) era uma das cozinheiras mais profissionais com recurso a técnicas profissionais próprias da cozinha de autor. Talvez essa simpatia do júri fosse na verdade uma protecção face à hostilidade subtil de que era alvo de algumas das concorrentes. Ou talvez a simpatia do júri provocasse uma inveja nos demais. 


O impacto que a beleza provoca dá origem a uma série de reacções, que vão desde a simpatia à ostracização. Nota-se nos outros concorrentes, sobretudo nas mulheres, uma competição permanente e uma certa antipatia materializada em pouca tolerância pela Sarah. 


O concurso ia numa fase em que Tracy, uma excelente cozinheira, tinha ganho a vantagem de escolher os ingredientes e o tempo de preparação dos seus concorrentes (ao todo 11). A escolha dos tempos obedecia a três categorias: 60 minutos; 30 minutos; e 15 minutos. Estava eu a pensar que Tracy iria ser simpática com os homens, naturalmente, e dar-lhe mais tempo e os ingredientes mais fáceis, sobretudo àqueles que são mais próximos, ou que seria mais benevolente com aqueles que não constituem ameaças qualitativas, o que seria normal uma vez que quer ganhar a competição. Normalmente iria favorecer a sua melhor amiga, e iria de certeza escolher duas mulheres, as mais eficientes e bonitas, para lhes dar as piores circunstâncias: 15 minutos. E, pensei, aposto como vai escolher a Sarah para as piores condições de tempo e ingrediente. Iria ser especialmente castigada por ser bonita e melhor cozinheira que as outras. E assim foi, Tracy deu-lhe 15 minutos e escolheu como ingrediente a Dobrada. A Sarah riu-se com a tolerância de quem já esperava que isso lhe acontecesse, que fosse ela a escolhida para o pior tempo e pior ingrediente.


A outra escolhida para os 15 minutos foi Kira, e deu-lhe uma perna de peru, que a levou ao teste de pressão. 


Serve isto para dizer que não é incomum esta ostracização à beleza, sobretudo quando ela é associada à eficiência e à inteligência. As pessoas bonitas e com qualidades acima da média são geralmente muito admiradas e parecem ter o mundo aos pés, mas na verdade são também muito mal amadas pelos seus pares, e muito castigadas por eles. Fazem despertar a inveja e por algum sentimento de injustiça e de necessidade de compensação, as pessoas parecem achar que se deve corrigir o privilégio da natureza.


Este episódio vem confirmar o que há muito já sabia. 


Mas descansem-se que nem assim derrotaram a Sarah. Sarah conseguiu a proeza de cozinhar dobrada frita em polme com molho de tomate em 15 minutos e ser um dos melhores pratos da competição, para desgosto, provavelmente, da Tracy.


Há ainda outro fenómeno interessante a constatar. As pessoas não simpatizam com os tatuados e freaks e assim a tatuada e de orelhas rasgadas, Renae, levou com a maldade de ter de cozinhar uma assustadora enguia. Mas também ela ultrapassou com distinção o desafio.


 

Eurogroup to Greece: Your Move

Finance Minister Jeroen Dijsselbloem


Eurogroup to Greece: Your Move

Eurogroup to Greece: Your Move

Finance Minister Jeroen Dijsselbloem


Eurogroup to Greece: Your Move

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dúvidas para Vítor Bento

Neste artigo e especialmente nestas suas duas sentenças Vítor Bento parece defender uma espécie de fundo comunitário para pagar subsídios de desemprego e defende politicas keynesianas para "salvar" a Europa dos desequilíbrios estruturais.


A insistência dos Excedentários – por razões inerentes às suas funções de preferência social – em não prescindir de excedentes externos, contornando o seu dever de ajustamento, tem duas possíveis consequências. Insistindo-se na eliminação unilateral dos défices dos Deficitários, toda a zona euro ficará excedentária e o excedente será reciclado para financiar a procura e o emprego no Resto do Mundo, com sacrifício do bem estar social na Eurozona. Mas se, por outro lado, este bem estar quiser ser salvaguardado, então terá que se aceitar que aqueles excedentes terão que ser espelhados em défices noutros países da união monetária e que deverão ser reciclados (de preferência através de investimento e transferências) para financiar esses défices e colmatar a falta de procura global na zona euro.


(...)

 

O que coloca um importante desafio, cuja resposta deve constituir a principal preocupação da política económica da zona euro: como conciliar a necessidade de ajustamento das finanças públicas de cada país com a necessidade de promover a procura interna no conjunto da zona euro? Um maior orçamento (redistributivo) federal, com capacidade de endividamento da própria União e a reconciliação de alguns excessos de endividamento público individuais com um endividamento globalmente sustentável de toda a zona euro (como é o caso), serão condições necessárias, embora não suficientes. Por sua vez, a federalização dos subsídios de desemprego poderá ser um bom começo para a primeira, e um programa de despesa pública (preferencialmente na forma de investimento) suportado no orçamento comunitário e financiado pelos Excedentários será uma boa forma de reciclar internamente os seus excedentes externos.

 


Defende Vítor Bento uma teoria puramente monetária do ciclo económico? Isso não cria a ilusão que a inflação permanente cria crescimento económico eterno?


Espera Vítor Bento pôr os Estados a financiar a economia com o investimento público? Mas a procura justifica esse investimento?

E como é que espera dinamizar o investimento público sem agravar o défice público? 

Em alternativa defende que os países excedentários devem financiar o consumo nos países deficitários, isto significa que acredita no consumo como motor do crescimento económico por excelência? Defende Vítor Bento a política do dinheiro fácil? Não foi o excesso de crédito? E o crédito barato que conduziu à crise de dívida soberana?

No dia em que a procura dentro da Europa parar de aumentar o que é que acontece? A oferta e a procura equilibram-se? E o que acontece à Economia nessa altura? Nova deflação?

Não há no aumento das exportações esse aumento da procura que Vítor Bento aponta como sendo o busílis da questão?

Defende Vítor Bento que pôr a Alemanha a pagar o subsidio de desemprego dos gregos vai criar crescimento económico na Grécia?

 

Vítor Bento não fala da medida de quantitative easing adoptada recentemente pelo BCE. Não há nesta medida uma resposta a parte dos problemas apontados por Vítor Bento?

 

Será mesmo a crise europeia uma conflito entre nações ou será entre sectores económicos? Ler Michael Pettis.

Poderá a política monetária transformar uma Argentina num Japão? Ler Michael Pettis 

Dúvidas para Vítor Bento

Neste artigo e especialmente nestas suas duas sentenças Vítor Bento parece defender uma espécie de fundo comunitário para pagar subsídios de desemprego e defende politicas keynesianas para "salvar" a Europa dos desequilíbrios estruturais.


A insistência dos Excedentários – por razões inerentes às suas funções de preferência social – em não prescindir de excedentes externos, contornando o seu dever de ajustamento, tem duas possíveis consequências. Insistindo-se na eliminação unilateral dos défices dos Deficitários, toda a zona euro ficará excedentária e o excedente será reciclado para financiar a procura e o emprego no Resto do Mundo, com sacrifício do bem estar social na Eurozona. Mas se, por outro lado, este bem estar quiser ser salvaguardado, então terá que se aceitar que aqueles excedentes terão que ser espelhados em défices noutros países da união monetária e que deverão ser reciclados (de preferência através de investimento e transferências) para financiar esses défices e colmatar a falta de procura global na zona euro.


(...)

 

O que coloca um importante desafio, cuja resposta deve constituir a principal preocupação da política económica da zona euro: como conciliar a necessidade de ajustamento das finanças públicas de cada país com a necessidade de promover a procura interna no conjunto da zona euro? Um maior orçamento (redistributivo) federal, com capacidade de endividamento da própria União e a reconciliação de alguns excessos de endividamento público individuais com um endividamento globalmente sustentável de toda a zona euro (como é o caso), serão condições necessárias, embora não suficientes. Por sua vez, a federalização dos subsídios de desemprego poderá ser um bom começo para a primeira, e um programa de despesa pública (preferencialmente na forma de investimento) suportado no orçamento comunitário e financiado pelos Excedentários será uma boa forma de reciclar internamente os seus excedentes externos.

 


Defende Vítor Bento uma teoria puramente monetária do ciclo económico? Isso não cria a ilusão que a inflação permanente cria crescimento económico eterno?


Espera Vítor Bento pôr os Estados a financiar a economia com o investimento público? Mas a procura justifica esse investimento?

E como é que espera dinamizar o investimento público sem agravar o défice público? 

Em alternativa defende que os países excedentários devem financiar o consumo nos países deficitários, isto significa que acredita no consumo como motor do crescimento económico por excelência? Defende Vítor Bento a política do dinheiro fácil? Não foi o excesso de crédito? E o crédito barato que conduziu à crise de dívida soberana?

No dia em que a procura dentro da Europa parar de aumentar o que é que acontece? A oferta e a procura equilibram-se? E o que acontece à Economia nessa altura? Nova deflação?

Não há no aumento das exportações esse aumento da procura que Vítor Bento aponta como sendo o busílis da questão?

Defende Vítor Bento que pôr a Alemanha a pagar o subsidio de desemprego dos gregos vai criar crescimento económico na Grécia?

 

Vítor Bento não fala da medida de quantitative easing adoptada recentemente pelo BCE. Não há nesta medida uma resposta a parte dos problemas apontados por Vítor Bento?

 

Será mesmo a crise europeia uma conflito entre nações ou será entre sectores económicos? Ler Michael Pettis.

Poderá a política monetária transformar uma Argentina num Japão? Ler Michael Pettis