Zeinal Bava quando questionado porque a PT aplicou cerca de 500 milhões de euros na dívida da ESI, uma empresa sem avaliação de risco, sem rating, respondeu que a ESI era dona da ESFG que tinha rating da Moody´s e da Fitch. «Então porque é que não investiram na dívida da ESFG?», perguntam-lhe. «Porque a mãe era ESI era dona da ESFG, que tinha um rating, a ESI tinha contas também».
Há provas finais de que, caso a ESI não cumprisse, o BES pagava? «Eu não tenho essas provas. A parceria estratégica dava-nos o conforto de que iriam cumprir». «Tínhamos administradores comuns, BES e PT»
«Lembro-me de haver, há muitos anos atrás, essa preocupação de haver cartas conforto do BES».
«Com certeza que a equipa tinha uma noção do que era o risco [da ESI]».
– É estranho que fale das contas da ESI, uma vez que o relatório da PwC refere que o prospecto da emissão de dívida da ESI que a PT subscreveu quando ainda era CEO, em 2013, apenas continha as contas da ESI de 2010 e 2011...
«Estranho em que aspecto?», pergunta para responder. Disse depois de muito pensar: «As contas de 2012....». Gaguejou. É interpelado: «a Price diz...». Responde: «Eu não tenho o relatório da Price, tenho apenas o resumo».
«Havia da parte da PT a convicção que era tudo investimentos no nosso parceiro. Para nós era risco BES, que era o parceiro da PT». «Havia um histórico, sempre pagaram, e essas aplicações foram reembolsadas. Foram pagas».
Para Zeinal Bava toda a resposta à aplicação da tesouraria da PT no GES tinha origem no acordo de parceria estratégica com o BES assinado em 2000, quando ele ainda não estava no board.
Zeinal Bava claramente vinha preparado para responder pela aplicação da PT em papel comercial da Rioforte que é aquela que ocorre depois da sua saída da PT (4 de Junho de 2013) para a Oi. O foco da sua preparação era desmentir a sua responsabilidade na compra da dívida da Rioforte. Depois de sair da PT SGPS foi para a Oi dedicar-se à parte operacional e desligou-se da PT SGPS (por causa do conflito de interesse).Não sabia, não estava lá, etc, nem tinha que saber, por causa desse conflito de interesse. Fez questão de explicar que a PT Portugal só passou a gerir os excedentes de tesouraria a partir de 5 de Maio de 2014, antes disso era decidido na PT SGPS (era isto que queria explicar para demonstrar que não tem nada a ver com a aplicação da Rioforte que levou a PT à falência).
Zeinal não pensou que o confrontassem exaustivamente com as aplicações da PT SGPS na ESI e outras empresas do GES até 4 Junho de 2013, quando ainda era CEO da PT.
Até ao dia 4 de Junho não houve reparos aos investimentos da PT na ESI. Disse Zeinal como que em resposta ao relatório e reparos da PwC feitos mais tarde.
Ninguém assinou os documentos que autorizam os investimentos da PT no GES. Nem o director de finanças corporativas, nem o CFO, nem o CEO, conforme regulamentos internos.
Zeinal disse: «havia uma relação de confiança com o BES e a CGD e é normal que um documento que não chegue de manhã e chegue à tarde»
Zeinal sempre que a pergunta era mais difícil, tentava fugir para a dimensão da PT e do número de clientes que tinha, etc. para a parte operacional, tal e qual como fazia nas conferências de imprensa.
Dominou o inquérito quando o tema foi puramente financeiro. Disse com desenvoltura quando questionado porque é que a PT emitiu divida de mil milhões para depois investir 500 milhões no GES. Explicou à deputada que esta estava a comparar erradamente os preços de dívida a 7 anos com os preços da dívida a dois ou três meses. O preço de um empréstimo a sete anos (emissão da PT) não pode ser comparado ao preço de um empréstimo a dois meses (ESI), onde a PT aplicou metade desses mil milhões emitidos a uma taxa de quatro e tal por cento.
Discutiram a diferença entre excedente de tesouraria e flexibilidade financeira. «Excedente de tesouraria é ter mais dinheiro do que o eu preciso. Flexibilidade financeira é alargar prazos de financiamento, não é o mesmo que excedente de tesouraria».
Zeinal Bava tentou a todo o custo evitar dizer que foi o CFO Luís Pacheco de Melo (de quem é amigo) quem aprovou os investimentos na ESI.
Remeteu para os procedimentos internos. Em 2004 decidiu-se que se os investimentos de tesouraria fossem em empresas com participação qualificada tinha de haver um escrutínio ex-ante da comissão de auditoria. A ordem de 2004 delegava em qualquer um dos três - CFO, CEO, ou director de finanças corporativas - aprovar essas aplicações.
Em 2010 a comissão de governo, para flexibilizar, isentou, para excedentes de tesouraria, essa obrigação (deixou de ser um dos três a ter de aprovar essas aplicações). E foi o que se viu...