sábado, 30 de abril de 2016

Fazer do Sporting um clube vencedor revela que Jorge Jesus faz parte de uma elite


Sou uma orgulhosa leiga em futebol,apesar de ter o futebol ter feito parte de uma grande parte da minha vida familiar. Sou de uma geração que acha que a bola é uma coisa de homens e também nessa feminilidade, algo old fashion, tenho orgulho.


Mas ultimamente por motivos paralelos comecei a ligar mais a isto de o Sporting poder ser campeão (sempre fui do Sporting) e estando em disputa com o Benfica pelo estatuto de campeão.


Jorge Jesus participa da natureza do génio, porque conseguir manter a concentração e a autoestima perante as críticas, os constantes processos em tribunal que são movidos contra o Sporting e contra o seu treinador.


Pelo que julgo perceber o Sporting é um clube que não tem a capacidade financeira do Benfica e do Porto. Estar no encalço do campeonato nestas circunstâncias é muito mais dificil. Jorge Jesus participa da natureza do génio quando todos pensam que é eunuco, por dizer frases politicamente incorrectas, ou mesmo incoerentes.


As pessoas parecem não perceber que a "soberba" de Jorge Jesus é estratégica, porque com essa atitude de «venham que não medo, porque sou melhor que vocês», cria orgulho na equipe, um espirito de união e intimida os adversários. Claro que é uma estratégia com riscos, quando perde não lhe perdoam. Mas até agora diria que essa "soberba estratégica" tem dado bons frutos. 


É o maior. 


A soberba estratégica é muito óbvia, mas é muito menos prejudicial do que a soberba subtil, porque esta se leva a sério.

Fazer do Sporting um clube vencedor revela que Jorge Jesus faz parte de uma elite


Sou uma orgulhosa leiga em futebol,apesar de ter o futebol ter feito parte de uma grande parte da minha vida familiar. Sou de uma geração que acha que a bola é uma coisa de homens e também nessa feminilidade, algo old fashion, tenho orgulho.


Mas ultimamente por motivos paralelos comecei a ligar mais a isto de o Sporting poder ser campeão (sempre fui do Sporting) e estando em disputa com o Benfica pelo estatuto de campeão.


Jorge Jesus participa da natureza do génio, porque conseguir manter a concentração e a autoestima perante as críticas, os constantes processos em tribunal que são movidos contra o Sporting e contra o seu treinador.


Pelo que julgo perceber o Sporting é um clube que não tem a capacidade financeira do Benfica e do Porto. Estar no encalço do campeonato nestas circunstâncias é muito mais dificil. Jorge Jesus participa da natureza do génio quando todos pensam que é eunuco, por dizer frases politicamente incorrectas, ou mesmo incoerentes.


As pessoas parecem não perceber que a "soberba" de Jorge Jesus é estratégica, porque com essa atitude de «venham que não medo, porque sou melhor que vocês», cria orgulho na equipe, um espirito de união e intimida os adversários. Claro que é uma estratégia com riscos, quando perde não lhe perdoam. Mas até agora diria que essa "soberba estratégica" tem dado bons frutos. 


É o maior. 


A soberba estratégica é muito óbvia, mas é muito menos prejudicial do que a soberba subtil, porque esta se leva a sério.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Talvez verdade mais esquecida de sempre

Tudo (absolutamente tudo) o que fazemos, tem influência nos outros.

Talvez verdade mais esquecida de sempre

Tudo (absolutamente tudo) o que fazemos, tem influência nos outros.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tarda mas não demora


 Presidente da República anuncia condecoração póstuma a Salgueiro Maia


Estive lá, e com naturalidade aplaudi. Porém, e conhecendo a personalidade de Fernando Salgueiro Maia - das mais simples que conheci - ser ou não condecorado não era a questão. Ele não foi um herói acidental, o derrube do antigo regime, e a implantação de um modelo verdadeiramente democrático - foi também um dos garantes do 25 de Novembro - era somente uma missão, que cumpriu sem nada pedir em troca!

Tarda mas não demora


 Presidente da República anuncia condecoração póstuma a Salgueiro Maia


Estive lá, e com naturalidade aplaudi. Porém, e conhecendo a personalidade de Fernando Salgueiro Maia - das mais simples que conheci - ser ou não condecorado não era a questão. Ele não foi um herói acidental, o derrube do antigo regime, e a implantação de um modelo verdadeiramente democrático - foi também um dos garantes do 25 de Novembro - era somente uma missão, que cumpriu sem nada pedir em troca!

domingo, 24 de abril de 2016

Purple Rain

Há formas e formas de se homenagear alguém, e a forma como Adam Levive, dos Maroon 5, canta e toca "Purple Rain", que aqui recordo, é simplesmente divinal.


Como não tive oportunidade de lamentar a morte deste grande senhor da pop, deixo a versão deste fabuloso hit.


Purple Rain

Há formas e formas de se homenagear alguém, e a forma como Adam Levive, dos Maroon 5, canta e toca "Purple Rain", que aqui recordo, é simplesmente divinal.


Como não tive oportunidade de lamentar a morte deste grande senhor da pop, deixo a versão deste fabuloso hit.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A nova lei da blindagem dá mais poder aos administradores dos bancos e favorece o mais rápido a pedir a AG


A nova lei materializada pelo Decreto-Lei n.º 20/2016 publicado ontem, dia 20 de Abril, sobre as desblindagens de votos, segundo o qual, a partir de 1 de Julho e até ao fim do ano, os bancos que tiverem os votos blindados têm de convocar uma Assembleia Geral (AG) para deliberar a manutenção ou revogação desses limites de voto é uma lei tão condicionada, mas tão condicionada, que o resultado é o seguinte:


1- É só para bancos (e só há dois com votos blindados)


2- Dá um enorme poder aos administradores de bancos, porque tem esta minudência (escandalosa a meu ver): «a deliberação sobre a manutenção ou revogação desses limites [de voto], quando proposta pelo órgão de administração, não está sujeita a quaisquer limites à detenção ou ao exercício de direitos de voto, nem a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais. Logo, quando não é proposta pelo órgão de administração está sujeita a quaisquer limites à detenção e ao exercício de direitos de voto, assim como a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais.


3- Favorece os accionistas que se anteciparem à convocatória, se o objectivo for manter a blindagem.


4- Favorece o BCP porque basta que a proposta seja remetida por um accionista para aumentar as probabilidades de a manutenção dos limites de voto.


5- Pretende favorecer o CaixaBank porque permite que a administração do BPI proponha o fim de blindagem de votos e nesse caso o CaixaBank volta a alteração de estatutos com 44,1% dos votos, e ainda para a aprovação basta que 66% dos votos expressos seja favorável


6- Cria o sério risco de a Santoro de Isabel dos Santos se antecipar à convocatória e nesse caso, reparem nesta pérola, a probablidade de a blindagem cair no BPI é praticamente nula. Pois se for um accionista a propôr a desblindagem o CaixaBank só pode votar com 20% de votos e a maioria necessária para alterar os estatutos é de 75%.


Uma pérola esta lei, uma pérola!


Mas quem é que se lembrou de criar condições que só se aplicam quando a proposta é feita pela administração? Que advogados estes! 


 

A nova lei da blindagem dá mais poder aos administradores dos bancos e favorece o mais rápido a pedir a AG


A nova lei materializada pelo Decreto-Lei n.º 20/2016 publicado ontem, dia 20 de Abril, sobre as desblindagens de votos, segundo o qual, a partir de 1 de Julho e até ao fim do ano, os bancos que tiverem os votos blindados têm de convocar uma Assembleia Geral (AG) para deliberar a manutenção ou revogação desses limites de voto é uma lei tão condicionada, mas tão condicionada, que o resultado é o seguinte:


1- É só para bancos (e só há dois com votos blindados)


2- Dá um enorme poder aos administradores de bancos, porque tem esta minudência (escandalosa a meu ver): «a deliberação sobre a manutenção ou revogação desses limites [de voto], quando proposta pelo órgão de administração, não está sujeita a quaisquer limites à detenção ou ao exercício de direitos de voto, nem a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais. Logo, quando não é proposta pelo órgão de administração está sujeita a quaisquer limites à detenção e ao exercício de direitos de voto, assim como a quaisquer requisitos de quórum ou maioria agravados relativamente aos legais.


3- Favorece os accionistas que se anteciparem à convocatória, se o objectivo for manter a blindagem.


4- Favorece o BCP porque basta que a proposta seja remetida por um accionista para aumentar as probabilidades de a manutenção dos limites de voto.


5- Pretende favorecer o CaixaBank porque permite que a administração do BPI proponha o fim de blindagem de votos e nesse caso o CaixaBank volta a alteração de estatutos com 44,1% dos votos, e ainda para a aprovação basta que 66% dos votos expressos seja favorável


6- Cria o sério risco de a Santoro de Isabel dos Santos se antecipar à convocatória e nesse caso, reparem nesta pérola, a probablidade de a blindagem cair no BPI é praticamente nula. Pois se for um accionista a propôr a desblindagem o CaixaBank só pode votar com 20% de votos e a maioria necessária para alterar os estatutos é de 75%.


Uma pérola esta lei, uma pérola!


Mas quem é que se lembrou de criar condições que só se aplicam quando a proposta é feita pela administração? Que advogados estes! 


 

O algodão não engana

 



Não sei se o algodão se pode enganar. Pouco importa. Quem não se engana, e consequentemente não nos engana é o Partido Comunista Português. É trigo limpo. Podemos criticar o estar ideológico dos comunistas, mas também nada poderemos fazer. Eles são assim, e por isso – mesmo que nos pareça ser uma afronta – é com naturalidade que eles tem duvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia, e ao longo da sua vida enquanto organização política tenham feito os mais diversos "autos de fé".


O PCP é um partido em contra ciclo já que são a única organização verdadeiramente comunista existente no velho mundo ocidental, i.e., sobrevivente à queda do Muro de Berlim. E a única coisa que ainda os faz sobreviver é o sindicalismo. A CGTP é a sua bengala!


No actual cenário da esquerda em Portugal, o PCP viu o seu espaço de acção limitado com o sucesso do Bloco de Esquerda. Os resultados das últimas eleições, tanto legislativas, como presidenciais, são esclarecedores. E, portanto, eles vêem-se obrigados a serem o que sempre foram. Um partido conservador.


Neste sentido a notícia que nos informa que eles são contra a mudança de nome do Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania, proposta pelo partido de Catarina Martins, é, por um lado, natural, e, por outro, uma golfada de ar fresco. Até porque um não comunista, como eu, subscreve as palavras de Jorge Machado:"É uma matéria claramente não prioritária", e, principalmente "não é uma questão de género mas de gramática".


 

O algodão não engana

 



Não sei se o algodão se pode enganar. Pouco importa. Quem não se engana, e consequentemente não nos engana é o Partido Comunista Português. É trigo limpo. Podemos criticar o estar ideológico dos comunistas, mas também nada poderemos fazer. Eles são assim, e por isso – mesmo que nos pareça ser uma afronta – é com naturalidade que eles tem duvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia, e ao longo da sua vida enquanto organização política tenham feito os mais diversos "autos de fé".


O PCP é um partido em contra ciclo já que são a única organização verdadeiramente comunista existente no velho mundo ocidental, i.e., sobrevivente à queda do Muro de Berlim. E a única coisa que ainda os faz sobreviver é o sindicalismo. A CGTP é a sua bengala!


No actual cenário da esquerda em Portugal, o PCP viu o seu espaço de acção limitado com o sucesso do Bloco de Esquerda. Os resultados das últimas eleições, tanto legislativas, como presidenciais, são esclarecedores. E, portanto, eles vêem-se obrigados a serem o que sempre foram. Um partido conservador.


Neste sentido a notícia que nos informa que eles são contra a mudança de nome do Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania, proposta pelo partido de Catarina Martins, é, por um lado, natural, e, por outro, uma golfada de ar fresco. Até porque um não comunista, como eu, subscreve as palavras de Jorge Machado:"É uma matéria claramente não prioritária", e, principalmente "não é uma questão de género mas de gramática".


 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Marcelo tinha a lei para promulgar e não promulgou para ajudar Isabel dos Santos? I Beg Your Pardon!


Fotografia do Público


Não deixo de me indignar com esta notícia:


Marcelo Rebelo de Sousa admite que lei foi retida à espera de acordo entre BPI e Isabel dos Santos. Mas então o Presidente da República tem uma lei para promulgar e não promulga para ajudar a empresária angolana? Adiaram-na por um mês, para que entretanto Isabel dos Santos vendesse uma posição de maior valor (porque assim que a blindagem cair os 20% da Isabel dos Santos valem mesmo 20%, não servem para muito)? Isto é legitimo? 


“Retivemos a lei à espera que houvesse acordo”, disse Marcelo, considerando que a opção encontrada foi a “possível”, não a desejável. 


“É com pena que eu verifico que depois de haver um esforço por parte do Governo e do Presidente da República” de adiar a decisão durante um mês para que ambas as partes pudessem chegar a um acordo “isso não foi possível”, lamentou Marcelo.


E isto tudo com a cumplicidade do Primeiro-Ministro?


Promulga agora? Como quem diz, não te portaste bem Isabelinha, lançamos a bomba atómica.


Mas isto é normal?


Se o Presidente da República tem uma lei para promulgar, promulga-a, ou não. Agora isto de arranjar aqui uma artimanha para forçar a negociações, parece-me surrealista. Espero que a Quadratura do Círculo, não deixe passar em branco.


E para acabar em beleza ainda diz: "esta legislação tem, ainda assim, uma vantagem, que é a de só entrar em vigor no dia 1 de Julho deste ano", salientou o chefe de Estado, acrescentando que "ainda dá um tempo" que pode ser aproveitado para "haver uma solução".


Mas porque carga de água há-de o CaixaBank aceitar um acordo com Isabel dos Santos se tem o caminho livre para dominar o BPI e deixar a empresária angolana agarrada a 20% de um banco que será quase 70% dos espanhóis, com os votos em pleno?


Mas isto é algum jogo de xadrez?


O que vai fazer agora Marcelo promulgar uma lei que revoga a anterior que acaba de promulgar, só para dar uma mãozinha a Isabel dos Santos? Vai pressionar Carlos Costa a dar idoneidade aos administradores angolanos do BIC Portugal para criar condições para um acordo?


E isto tudo em aliança com o primeiro-ministro com quem funciona em perfeita sintonia, ao nível de um Dupond e Dupont, ou de um Senhor Feliz, Senhor Contente (Diga à gente, diga à gente como vai este país!)?

Marcelo tinha a lei para promulgar e não promulgou para ajudar Isabel dos Santos? I Beg Your Pardon!


Fotografia do Público


Não deixo de me indignar com esta notícia:


Marcelo Rebelo de Sousa admite que lei foi retida à espera de acordo entre BPI e Isabel dos Santos. Mas então o Presidente da República tem uma lei para promulgar e não promulga para ajudar a empresária angolana? Adiaram-na por um mês, para que entretanto Isabel dos Santos vendesse uma posição de maior valor (porque assim que a blindagem cair os 20% da Isabel dos Santos valem mesmo 20%, não servem para muito)? Isto é legitimo? 


“Retivemos a lei à espera que houvesse acordo”, disse Marcelo, considerando que a opção encontrada foi a “possível”, não a desejável. 


“É com pena que eu verifico que depois de haver um esforço por parte do Governo e do Presidente da República” de adiar a decisão durante um mês para que ambas as partes pudessem chegar a um acordo “isso não foi possível”, lamentou Marcelo.


E isto tudo com a cumplicidade do Primeiro-Ministro?


Promulga agora? Como quem diz, não te portaste bem Isabelinha, lançamos a bomba atómica.


Mas isto é normal?


Se o Presidente da República tem uma lei para promulgar, promulga-a, ou não. Agora isto de arranjar aqui uma artimanha para forçar a negociações, parece-me surrealista. Espero que a Quadratura do Círculo, não deixe passar em branco.


E para acabar em beleza ainda diz: "esta legislação tem, ainda assim, uma vantagem, que é a de só entrar em vigor no dia 1 de Julho deste ano", salientou o chefe de Estado, acrescentando que "ainda dá um tempo" que pode ser aproveitado para "haver uma solução".


Mas porque carga de água há-de o CaixaBank aceitar um acordo com Isabel dos Santos se tem o caminho livre para dominar o BPI e deixar a empresária angolana agarrada a 20% de um banco que será quase 70% dos espanhóis, com os votos em pleno?


Mas isto é algum jogo de xadrez?


O que vai fazer agora Marcelo promulgar uma lei que revoga a anterior que acaba de promulgar, só para dar uma mãozinha a Isabel dos Santos? Vai pressionar Carlos Costa a dar idoneidade aos administradores angolanos do BIC Portugal para criar condições para um acordo?


E isto tudo em aliança com o primeiro-ministro com quem funciona em perfeita sintonia, ao nível de um Dupond e Dupont, ou de um Senhor Feliz, Senhor Contente (Diga à gente, diga à gente como vai este país!)?

A guerra fria entre Portugal e Angola


Há muito que se sente, mas ninguém se atreve a assumir.


É tão grande a vontade da elite Angolana conquistar a Europa, como parece ser a vontade da Europa de afastar Angola do poder económico europeu.


Isabel dos Santos é a guerreira de Angola. Não aceita de ânimo leve que não reconheçam Angola como equiparada à Europa em supervisão e legislação. 


Mas a Europa é muito forte unida e nessa medida é imbatível.


O que se passa no BPI é só a expressão dessa guerra fria. 


Contemos a história recente: Angola tinha imposto uma regra lá que obrigou o BFA, tradicionalmente 100% do BPI, a entregar uma parte a sócios angolanos. Surge Isabel dos Santos com a Unitel para ficar com 49,9% do BFA.


Uma coisa leva à outra e a Santoro entra como sócia do BPI em Lisboa.


Isabel dos Santos começou por entrar "a bem" no BPI quando, com a crise financeira pós-Lehman Brother, o brasileiro Itaú quis saltar fora e a empresária angolana fica com 18,58%. 


Isabel dos Santos que já dominava outras empresas portuguesas (NOS, por exemplo) entrava com chave de ouro na Europa.


Mas em Angola a parceria de Isabel dos Santos com a Sonae é rompida,  e em vez do lançamento dos hipermercados Continente em Angola, é lançada uma marca sua de hipermercados. Começa aí a mancha no seu estado de graça em Portugal.


A quebra brutal do preço do petróleo numa economia excessivamente dependente dele, deita Angola  a uma crise económica como há muito não se via. 


No inicio do mês de Dezembro de 2014, no rescaldo do caso GES em Portugal, a supervisão única europeia, exercida pelo Banco Central Europeu exclui Angola da lista de territórios com uma regulamentação e supervisão financeiras equivalentes às dos países da União Europeia. Até aí, os investimentos dos bancos nacionais em Angola tinham um risco igual aos da Alemanha, depois disso o risco passou a ponderar a 100% no rácio de capital dos bancos. A exposição dos bancos a Angola é medida tanto pelas participações accionistas em bancos como pela carteira de dívida soberana angolana que o banco detém. Este foi um duro golpe para a actividade do BPI pois tem por imposição do BCE de reduzir a sua exposição aos grandes riscos de Angola, e uma facada para o orgulho magoado angolano.   Esta decisão da Europa foi conhecida quatro meses depois de a exposição a Angola ter sido uma das razões para o Banco Espírito Santo ter sido alvo de uma medida de resolução por parte do Banco de Portugal.


Talvez seja apenas coincidência temporal com o caso BESA, onde sob a liderança do banqueiro da família Madaleno, o banco vê-se a braços com o desaparecimento de dinheiro.


Ontem, depois do turbilhão no BPI, eis que o Expresso anuncia que a Procuradoria Geral da República de Angola reabriu a investigação aos acontecimentos que levaram à queda do Banco Espírito Santo de Angola (BESA). As autoridade judiciais querem saber o que levou à criação de um buraco de quatro mil milhões de dólares na instituição e estão a pedir novas informações, estando a ser “ajudadas” por autoridades judiciais portuguesas.


Desde que Bruxelas excluiu Angola do estatuto que dava aos seus bancos o mesmo risco que a qualquer país europeu, que Isabel dos Santos tem sido especialmente dura e intransigente em tudo o que seja Europa, com quem tem uma relação de amor/ódio.


Quando o CaixaBank lançou a primeira OPA sobre o BPI, na tentativa de  recapitalizar o BPI para ir ao Novo Banco Isabel dos Santos revelou-se: Opôs-se com todas as forças. Primeiro porque a OPA era barata demais, dizia (eu sempre achei que era um falso argumento) e queria antes uma fusão com o BCP em que sem gastar dinheiro ficava a dominar o BCP+BPI através da troca de acções e com a aliança à Sonangol. Essa operação servia-lhe pois retiraria o BPI da esfera CaixaBank e ainda se livraria de um incómodo presidente chamado Fernando Ulrich. O peso subtil de Ulrich é uma coisa com que Isabel dos Santos não contava. As elites portuguesas ainda têm força, mesmo que às vezes essa força não se veja ou seja propositadamente ignorada. Há uma subtil luta de classes que subsiste no nosso país e resiste ao tempo e a que Angola é particularmente sensível, até porque é um modelo que foi sempre reproduzido em Angola. Portugal por onde passa deixa a sua marca, para o bem ou para o mal.


Isabel dos Santos chumba a desblindagem de votos, a OPA do CaixaBank cai e o Novo Banco escapa às mãos do BPI. Mas o problema dos grandes riscos continua lá. 


Num ano não houve progressos negociais. Pelo contrário a tensão entre ambos aumentou. Mas o BCE não dorme e começa a perceber o entrave que pode ser para a gestão de um banco um investidor como Isabel dos Santos. Há que admitir que o BCE está subtilmente a tentar criar bancos grandes europeus e a restringir ao máximo o peso de accionistas de países que não consideram com risco semelhante ao Europeu. Angola não vai ter a vida facilitada no sector bancário europeu. o BCP poderá ser o próximo alvo de atenção do BCE, pois que lá tem um accionista relevante, a Sonangal. Mais um aumento de capital e a Sonangol fica à beira de diluir a sua posição. O dinheiro deixou de abundar em Angola.


O BPI apresenta mais tarde um spin-off dos activos angolanos em que o BFA sai debaixo do BPI (onde este tem 50,1%) e passa para a posse directa dos seus accionistas. Não mudava nada e ajudava ao BPI a cumprir os grandes riscos. Mas Isabel dos Santos volta a arranjar uma alternativa que sabe ser impossível de aceitar e com esse pretexto chumba o spin-off. Parece estar a tourear o BCE como castigo por ter votado os bancos angolanos à categoria de alto risco.


O prazo dado para o BCE para o BPI aproxima-se do fim e as negociações a sério começam, com advogados e um embaixador político do Governo. A primeira tentativa de chegar a acordo falha. Mas ainda há tempo. Tenta-se novo acordo. Paralelamente o Governo, o BCE e a CMVM preparam um plano B. Já todos perceberam que o mood de Isabel dos Santos é instável e que pode mudar de ideias em cima do acontecimento. O plano B é alterar a lei de modo a que as blindagens de votos deixem de ter eficácia, e a blindagem de votos cair na pendência de uma Oferta. Se tudo correr para o torto, acciona-se o plano B e em 24 horas é lançada uma OPA.


No último dia do prazo do BCE, o CaixaBank e a Santoro chegam a acordo. Mas não anunciam qual é. Parece este segredo indicar um mau prenuncio. Faltam autorizações dos reguladores. 


Entretanto Isabel dos Santos ainda tem o BIC Portugal, um banco pequeno, dominado pelo seu amigo Fernando Teles. O mandato da administração de Mira Amaral chega ao fim numa altura crítica das relações com Angola. Os orgãos sociais são aprovados em AG, mas nunca mais são aprovados pelo Banco de Portugal. Estranho.


A uma semana de serem anunciados os detalhes do acordo, zás, Isabel dos Santos altera as condições do acordo. Fica tudo parvo. No fundo já toda a gente temia que isso acontecesse sem o admitir. Ficámos a saber que a meio da semana Isabel dos Santos foi chamada ao Banco de Portugal para lhe dizer que não iria ser dada idoneidade nem a Jaime Pereira, nem a Fernando Teles. Isabel dos Santos faz depender o acordo com o BPI da aprovação dos seus homens de confiança no BIC Portugal. Mas o Banco de Portugal não é em Luanda. O Banco de Portugal de Carlos Costa não cede (nem a Ricardo Salgado cedeu e era bem mais difícil). O capricho cumpriu-se então. Isabel dos Santos desfaz o acordo, mais uma vez com uma exigência que leva ao rompimento do acordo


Isabel dos Santos queria era estar na banca em Portugal, ao ponto de querer cotar o BFA em Lisboa. 


O resultado deste braço de ferro pode bem ser a nacionalização (lá arranjarão um pretexto mais profissional) do BFA. Mas perdido por 100, perdido por mil. No que não podes ser feliz não te demores ó BPI.


O Estado avança com a alternativa, com o plano B. Amanhã há a OPA do CaixaBank. Tudo a postos para o controlo do banco liderado por Fernando Ulrich.


Uma acção um voto e o CaixaBank passa a dominar o BPI. Pode ser que até o spin-off dos activos angolanos passe. Mas a guerra fria, que será perdida para Isabel dos Santos e para Angola, ainda vai continuar. Há um board para escolher no BIC, e os motivos da recusa da idoneidade aos dois gestores angolanos são uma procissão que ainda vai no adro.


Publicado originalmente no Corta-Fitas

A guerra fria entre Portugal e Angola


Há muito que se sente, mas ninguém se atreve a assumir.


É tão grande a vontade da elite Angolana conquistar a Europa, como parece ser a vontade da Europa de afastar Angola do poder económico europeu.


Isabel dos Santos é a guerreira de Angola. Não aceita de ânimo leve que não reconheçam Angola como equiparada à Europa em supervisão e legislação. 


Mas a Europa é muito forte unida e nessa medida é imbatível.


O que se passa no BPI é só a expressão dessa guerra fria. 


Contemos a história recente: Angola tinha imposto uma regra lá que obrigou o BFA, tradicionalmente 100% do BPI, a entregar uma parte a sócios angolanos. Surge Isabel dos Santos com a Unitel para ficar com 49,9% do BFA.


Uma coisa leva à outra e a Santoro entra como sócia do BPI em Lisboa.


Isabel dos Santos começou por entrar "a bem" no BPI quando, com a crise financeira pós-Lehman Brother, o brasileiro Itaú quis saltar fora e a empresária angolana fica com 18,58%. 


Isabel dos Santos que já dominava outras empresas portuguesas (NOS, por exemplo) entrava com chave de ouro na Europa.


Mas em Angola a parceria de Isabel dos Santos com a Sonae é rompida,  e em vez do lançamento dos hipermercados Continente em Angola, é lançada uma marca sua de hipermercados. Começa aí a mancha no seu estado de graça em Portugal.


A quebra brutal do preço do petróleo numa economia excessivamente dependente dele, deita Angola  a uma crise económica como há muito não se via. 


No inicio do mês de Dezembro de 2014, no rescaldo do caso GES em Portugal, a supervisão única europeia, exercida pelo Banco Central Europeu exclui Angola da lista de territórios com uma regulamentação e supervisão financeiras equivalentes às dos países da União Europeia. Até aí, os investimentos dos bancos nacionais em Angola tinham um risco igual aos da Alemanha, depois disso o risco passou a ponderar a 100% no rácio de capital dos bancos. A exposição dos bancos a Angola é medida tanto pelas participações accionistas em bancos como pela carteira de dívida soberana angolana que o banco detém. Este foi um duro golpe para a actividade do BPI pois tem por imposição do BCE de reduzir a sua exposição aos grandes riscos de Angola, e uma facada para o orgulho magoado angolano.   Esta decisão da Europa foi conhecida quatro meses depois de a exposição a Angola ter sido uma das razões para o Banco Espírito Santo ter sido alvo de uma medida de resolução por parte do Banco de Portugal.


Talvez seja apenas coincidência temporal com o caso BESA, onde sob a liderança do banqueiro da família Madaleno, o banco vê-se a braços com o desaparecimento de dinheiro.


Ontem, depois do turbilhão no BPI, eis que o Expresso anuncia que a Procuradoria Geral da República de Angola reabriu a investigação aos acontecimentos que levaram à queda do Banco Espírito Santo de Angola (BESA). As autoridade judiciais querem saber o que levou à criação de um buraco de quatro mil milhões de dólares na instituição e estão a pedir novas informações, estando a ser “ajudadas” por autoridades judiciais portuguesas.


Desde que Bruxelas excluiu Angola do estatuto que dava aos seus bancos o mesmo risco que a qualquer país europeu, que Isabel dos Santos tem sido especialmente dura e intransigente em tudo o que seja Europa, com quem tem uma relação de amor/ódio.


Quando o CaixaBank lançou a primeira OPA sobre o BPI, na tentativa de  recapitalizar o BPI para ir ao Novo Banco Isabel dos Santos revelou-se: Opôs-se com todas as forças. Primeiro porque a OPA era barata demais, dizia (eu sempre achei que era um falso argumento) e queria antes uma fusão com o BCP em que sem gastar dinheiro ficava a dominar o BCP+BPI através da troca de acções e com a aliança à Sonangol. Essa operação servia-lhe pois retiraria o BPI da esfera CaixaBank e ainda se livraria de um incómodo presidente chamado Fernando Ulrich. O peso subtil de Ulrich é uma coisa com que Isabel dos Santos não contava. As elites portuguesas ainda têm força, mesmo que às vezes essa força não se veja ou seja propositadamente ignorada. Há uma subtil luta de classes que subsiste no nosso país e resiste ao tempo e a que Angola é particularmente sensível, até porque é um modelo que foi sempre reproduzido em Angola. Portugal por onde passa deixa a sua marca, para o bem ou para o mal.


Isabel dos Santos chumba a desblindagem de votos, a OPA do CaixaBank cai e o Novo Banco escapa às mãos do BPI. Mas o problema dos grandes riscos continua lá. 


Num ano não houve progressos negociais. Pelo contrário a tensão entre ambos aumentou. Mas o BCE não dorme e começa a perceber o entrave que pode ser para a gestão de um banco um investidor como Isabel dos Santos. Há que admitir que o BCE está subtilmente a tentar criar bancos grandes europeus e a restringir ao máximo o peso de accionistas de países que não consideram com risco semelhante ao Europeu. Angola não vai ter a vida facilitada no sector bancário europeu. o BCP poderá ser o próximo alvo de atenção do BCE, pois que lá tem um accionista relevante, a Sonangal. Mais um aumento de capital e a Sonangol fica à beira de diluir a sua posição. O dinheiro deixou de abundar em Angola.


O BPI apresenta mais tarde um spin-off dos activos angolanos em que o BFA sai debaixo do BPI (onde este tem 50,1%) e passa para a posse directa dos seus accionistas. Não mudava nada e ajudava ao BPI a cumprir os grandes riscos. Mas Isabel dos Santos volta a arranjar uma alternativa que sabe ser impossível de aceitar e com esse pretexto chumba o spin-off. Parece estar a tourear o BCE como castigo por ter votado os bancos angolanos à categoria de alto risco.


O prazo dado para o BCE para o BPI aproxima-se do fim e as negociações a sério começam, com advogados e um embaixador político do Governo. A primeira tentativa de chegar a acordo falha. Mas ainda há tempo. Tenta-se novo acordo. Paralelamente o Governo, o BCE e a CMVM preparam um plano B. Já todos perceberam que o mood de Isabel dos Santos é instável e que pode mudar de ideias em cima do acontecimento. O plano B é alterar a lei de modo a que as blindagens de votos deixem de ter eficácia, e a blindagem de votos cair na pendência de uma Oferta. Se tudo correr para o torto, acciona-se o plano B e em 24 horas é lançada uma OPA.


No último dia do prazo do BCE, o CaixaBank e a Santoro chegam a acordo. Mas não anunciam qual é. Parece este segredo indicar um mau prenuncio. Faltam autorizações dos reguladores. 


Entretanto Isabel dos Santos ainda tem o BIC Portugal, um banco pequeno, dominado pelo seu amigo Fernando Teles. O mandato da administração de Mira Amaral chega ao fim numa altura crítica das relações com Angola. Os orgãos sociais são aprovados em AG, mas nunca mais são aprovados pelo Banco de Portugal. Estranho.


A uma semana de serem anunciados os detalhes do acordo, zás, Isabel dos Santos altera as condições do acordo. Fica tudo parvo. No fundo já toda a gente temia que isso acontecesse sem o admitir. Ficámos a saber que a meio da semana Isabel dos Santos foi chamada ao Banco de Portugal para lhe dizer que não iria ser dada idoneidade nem a Jaime Pereira, nem a Fernando Teles. Isabel dos Santos faz depender o acordo com o BPI da aprovação dos seus homens de confiança no BIC Portugal. Mas o Banco de Portugal não é em Luanda. O Banco de Portugal de Carlos Costa não cede (nem a Ricardo Salgado cedeu e era bem mais difícil). O capricho cumpriu-se então. Isabel dos Santos desfaz o acordo, mais uma vez com uma exigência que leva ao rompimento do acordo


Isabel dos Santos queria era estar na banca em Portugal, ao ponto de querer cotar o BFA em Lisboa. 


O resultado deste braço de ferro pode bem ser a nacionalização (lá arranjarão um pretexto mais profissional) do BFA. Mas perdido por 100, perdido por mil. No que não podes ser feliz não te demores ó BPI.


O Estado avança com a alternativa, com o plano B. Amanhã há a OPA do CaixaBank. Tudo a postos para o controlo do banco liderado por Fernando Ulrich.


Uma acção um voto e o CaixaBank passa a dominar o BPI. Pode ser que até o spin-off dos activos angolanos passe. Mas a guerra fria, que será perdida para Isabel dos Santos e para Angola, ainda vai continuar. Há um board para escolher no BIC, e os motivos da recusa da idoneidade aos dois gestores angolanos são uma procissão que ainda vai no adro.


Publicado originalmente no Corta-Fitas

domingo, 17 de abril de 2016

E como está a vossa imaginação?

 


legos.jpgHá uma expressão na nossa língua que retrata bem os tempos que vivemos, e que fruto das circunstância me assusta verdadeiramente: o futuro do nosso mundo, e, na qualidade de pai, o futuro dos nossos filhos: Quem não tem cão, caça com o gato!


 


Nos próximos dias – foi inaugurada ontem – decorre a primeira edição do Santarém Fan Event - for LEGO Lovers e que terminará a 25 de Abril. É um exposição de criações feitas em legos, onde há de tudo, até uma justíssima homenagem ao homem que partindo de Santarém, ajudou à deposição do regime anterior, Salgueiro Maia. Há também monumentos de todos os cantos do mundo, incluindo a fachada do Palácio das Lezírias, actual edifício da Câmara Municipal de Santarém. E, quiçá, ainda veremos um dia por cá, tal como acontecerá brevemente,no Meo Arena, uma réplica do Titanic, o célebre barco que se afundou há 104 anos!


 


Estas construções, na sua maioria são obras de pessoas que, durante horas-a-fio, as construíram, e a quem tiro o chapéu. Porém, não é aqui que reside a questão central da minha preocupação. É a sociedade “ready made” em que vivemos. É a sociedade – recordando um clássico do rock português – do “mastiga e deita fora”!


 


A economia, de há anos a esta parte, está pensada em modos diferentes. Hoje quando compramos um qualquer electrodoméstico ou um lego sabemos, desde logo, que são descartáveis. As máquinas são pensadas com tempos de vida útil bastante curtos, que nem merecem ser reparados. Um arranjo de uma máquina – e sem garantia – é demasiado caro, ou seja, são fabricadas de forma a serem trocadas por outras. Ora esta ideia é, noutros moldes bem diferentes, é levada à letra pela Lego,  ou seja, que inunda o mercado com uma quantidade de criações diversas que impedem os jovens – como no nosso tempo de as repensar, de construírem algo de diferente. De serem imaginativos!


 


Na minha juventude a lego vendia peças, e cabia-nos a tarefa de, com elas, criar alguma coisa. Éramos imaginativos. Também é verdade que não tínhamos outras solicitações. Não haviam Ipads, computadores e a televisão resumia-se a quatro canais. Tal como os jovens africanos e outros – regra geral pobres – que para se divertirem a jogar futebol, tinham que criar, com trapos, as suas bolas, estamos felizes a criar os nossos universos, a sermos imaginativos. Caso quiséssemos divertir éramos obrigados a imaginar, a encontrar soluções.


 


Em suma, caçávamos com gatos.


 


Hoje, e para mal geral, vivemos formatados. Vivemos à mercê do que o mercado nos impinge. O que é grave e não augura nada de bom!

E como está a vossa imaginação?

 


legos.jpgHá uma expressão na nossa língua que retrata bem os tempos que vivemos, e que fruto das circunstância me assusta verdadeiramente: o futuro do nosso mundo, e, na qualidade de pai, o futuro dos nossos filhos: Quem não tem cão, caça com o gato!


 


Nos próximos dias – foi inaugurada ontem – decorre a primeira edição do Santarém Fan Event - for LEGO Lovers e que terminará a 25 de Abril. É um exposição de criações feitas em legos, onde há de tudo, até uma justíssima homenagem ao homem que partindo de Santarém, ajudou à deposição do regime anterior, Salgueiro Maia. Há também monumentos de todos os cantos do mundo, incluindo a fachada do Palácio das Lezírias, actual edifício da Câmara Municipal de Santarém. E, quiçá, ainda veremos um dia por cá, tal como acontecerá brevemente,no Meo Arena, uma réplica do Titanic, o célebre barco que se afundou há 104 anos!


 


Estas construções, na sua maioria são obras de pessoas que, durante horas-a-fio, as construíram, e a quem tiro o chapéu. Porém, não é aqui que reside a questão central da minha preocupação. É a sociedade “ready made” em que vivemos. É a sociedade – recordando um clássico do rock português – do “mastiga e deita fora”!


 


A economia, de há anos a esta parte, está pensada em modos diferentes. Hoje quando compramos um qualquer electrodoméstico ou um lego sabemos, desde logo, que são descartáveis. As máquinas são pensadas com tempos de vida útil bastante curtos, que nem merecem ser reparados. Um arranjo de uma máquina – e sem garantia – é demasiado caro, ou seja, são fabricadas de forma a serem trocadas por outras. Ora esta ideia é, noutros moldes bem diferentes, é levada à letra pela Lego,  ou seja, que inunda o mercado com uma quantidade de criações diversas que impedem os jovens – como no nosso tempo de as repensar, de construírem algo de diferente. De serem imaginativos!


 


Na minha juventude a lego vendia peças, e cabia-nos a tarefa de, com elas, criar alguma coisa. Éramos imaginativos. Também é verdade que não tínhamos outras solicitações. Não haviam Ipads, computadores e a televisão resumia-se a quatro canais. Tal como os jovens africanos e outros – regra geral pobres – que para se divertirem a jogar futebol, tinham que criar, com trapos, as suas bolas, estamos felizes a criar os nossos universos, a sermos imaginativos. Caso quiséssemos divertir éramos obrigados a imaginar, a encontrar soluções.


 


Em suma, caçávamos com gatos.


 


Hoje, e para mal geral, vivemos formatados. Vivemos à mercê do que o mercado nos impinge. O que é grave e não augura nada de bom!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Faço minhas as indignações de António Lobo Xavier


Partilho completamente das indignações de António Lobo Xavier proferidas na Quadratura do Círculo:


"Diogo Lacerda Machado, o grande amigo do primeiro ministro que é mandado a negociações. Não é possível numa democracia ter representantes de um primeiro-ministro que não estejam integrados nalgum modo no aparelho do Estado. É possivel ter advogados. Agora representantes mandatários, através de um mandato não escrito e não formalizado, que vivem de um poder de facto, que vivem de uma influência de facto que é expressamente invocada como tendo por base uma grande amizade, é uma coisa que não se pode passar numa democracia. Só não falo mais alto é porque há aqui uma certa ingenuidade. A explicação de que era melhor como estava porque era mais barato para o Estado, é confrangedora. 


Reparem que Pedro Passos Coelho teve um consultor para as privatizações, que foi António Borges. Mas esse nunca ninguém se lembrou de dizer que foi escolhido com base na amizade e confiança, e nunca ninguém se lembrou de o mandatar sem contrato, e mesmo assim, o uso desses instrumentos pelo Governo que depois saem fora de qualquer controle, são inaceitáveis".


Eu acrescentaria que Diogo Lacerda Machado deve ser o único homem na história que assina contrato quando os trabalhos já acabaram. Agora que a TAP já é 50% do Estado, que os Lesados do BES já assinaram memorandos de entendimento com reguladores, e que a Isabel dos Santos chegou a acordo com o CaixaBank no BPI, é que lhe assinam um contrato? Agora o que vai o senhor fazer? Ir à procura de negócios privados para dar uso ao contrato? Vai disputar terreno na venda do Novo Banco com Sérgio Monteiro?


Esta então é de gritos:


Diz António Lobo Xavier: "O presidente do sindicato dos impostos, pressionado pelos jornalistas para explicar porque que é que tinham sido apanhados uma série de funcionários do fisco em corrupção e fraudes, disse: 'Bom, é preciso ver, a austeridade imposta pelo anterior governo depois tem estas consequências' [adorei o tom]. E ninguém se indigna".


Concordo, claro! Faço minha a indignação do António Lobo Xavier. E eu sou jornalista.


 


 

Faço minhas as indignações de António Lobo Xavier


Partilho completamente das indignações de António Lobo Xavier proferidas na Quadratura do Círculo:


"Diogo Lacerda Machado, o grande amigo do primeiro ministro que é mandado a negociações. Não é possível numa democracia ter representantes de um primeiro-ministro que não estejam integrados nalgum modo no aparelho do Estado. É possivel ter advogados. Agora representantes mandatários, através de um mandato não escrito e não formalizado, que vivem de um poder de facto, que vivem de uma influência de facto que é expressamente invocada como tendo por base uma grande amizade, é uma coisa que não se pode passar numa democracia. Só não falo mais alto é porque há aqui uma certa ingenuidade. A explicação de que era melhor como estava porque era mais barato para o Estado, é confrangedora. 


Reparem que Pedro Passos Coelho teve um consultor para as privatizações, que foi António Borges. Mas esse nunca ninguém se lembrou de dizer que foi escolhido com base na amizade e confiança, e nunca ninguém se lembrou de o mandatar sem contrato, e mesmo assim, o uso desses instrumentos pelo Governo que depois saem fora de qualquer controle, são inaceitáveis".


Eu acrescentaria que Diogo Lacerda Machado deve ser o único homem na história que assina contrato quando os trabalhos já acabaram. Agora que a TAP já é 50% do Estado, que os Lesados do BES já assinaram memorandos de entendimento com reguladores, e que a Isabel dos Santos chegou a acordo com o CaixaBank no BPI, é que lhe assinam um contrato? Agora o que vai o senhor fazer? Ir à procura de negócios privados para dar uso ao contrato? Vai disputar terreno na venda do Novo Banco com Sérgio Monteiro?


Esta então é de gritos:


Diz António Lobo Xavier: "O presidente do sindicato dos impostos, pressionado pelos jornalistas para explicar porque que é que tinham sido apanhados uma série de funcionários do fisco em corrupção e fraudes, disse: 'Bom, é preciso ver, a austeridade imposta pelo anterior governo depois tem estas consequências' [adorei o tom]. E ninguém se indigna".


Concordo, claro! Faço minha a indignação do António Lobo Xavier. E eu sou jornalista.


 


 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Remédio santo

Ando eu ás voltas dos livros, tira pó daqui, tira aranha dali, que veio parar às mãos um pequeno livro de Baudelaire, lido há muito tempo, e, como eu gosto, todo sublinhado. A florescente como mandam as minhas regras.


Em "Da essência do riso" o escritor francês alvitra sobre o riso, e em particular na sua relação com as artes plásticas, i.e., com os caricaturistas de então.


Da obra, e para enquadramento deste post, cito: "O Homem sábio só ri tremendo. (...) Receia o riso, assim como receia os espectáculos mundanos, a concupiscência. Detém-se à beira do riso como à beira da tentação. Existe portanto (...) uma certa contradição secreta entre o seu carácter de homem sábio e o carácter primordial do riso". E acrescenta: "Faço notar (...) que o Homem sábio por excelência, o Verbo incarnado, nunca se riu. Aos olhos Daquele que tudo sabe e tudo pode, o cómico existe. E no entanto o Verbo Incarnado conheceu a cólera, e mesmo as lágrimas"


Não sei se sou sábio, o que tampouco me importa. Sei, todavia, reconhecer a importância higiénica do riso. Até porque, para tremer, conhecer a cólera e chorar basta acordar e "entrar no real". Ora como não quero que isso aconteça, e porque, tal como o José Manuel Fernandes, não gosto que me tomem por parvo, o melhor é mesmo tremer de rir, até que a barriga doa! É um remédio santo!


 

Remédio santo

Ando eu ás voltas dos livros, tira pó daqui, tira aranha dali, que veio parar às mãos um pequeno livro de Baudelaire, lido há muito tempo, e, como eu gosto, todo sublinhado. A florescente como mandam as minhas regras.


Em "Da essência do riso" o escritor francês alvitra sobre o riso, e em particular na sua relação com as artes plásticas, i.e., com os caricaturistas de então.


Da obra, e para enquadramento deste post, cito: "O Homem sábio só ri tremendo. (...) Receia o riso, assim como receia os espectáculos mundanos, a concupiscência. Detém-se à beira do riso como à beira da tentação. Existe portanto (...) uma certa contradição secreta entre o seu carácter de homem sábio e o carácter primordial do riso". E acrescenta: "Faço notar (...) que o Homem sábio por excelência, o Verbo incarnado, nunca se riu. Aos olhos Daquele que tudo sabe e tudo pode, o cómico existe. E no entanto o Verbo Incarnado conheceu a cólera, e mesmo as lágrimas"


Não sei se sou sábio, o que tampouco me importa. Sei, todavia, reconhecer a importância higiénica do riso. Até porque, para tremer, conhecer a cólera e chorar basta acordar e "entrar no real". Ora como não quero que isso aconteça, e porque, tal como o José Manuel Fernandes, não gosto que me tomem por parvo, o melhor é mesmo tremer de rir, até que a barriga doa! É um remédio santo!


 

Doidos à solta


 


“A extinção de freguesias imposta por PSD e CDS, contra a vontade das populações e das autarquias, inseriu-se numa estratégia de empobrecimento do nosso regime democrático, afastando os eleitos dos eleitores e retirando possibilidades de participação das populações, e não só não conduziu à eliminação de assimetrias, como pelo contrário, as agravou”.


João Oliveira, líder parlamentar comunista que, no encerramento das jornadas parlamentares do PCP, em Bragança, propôs isto e mais algumas coisitas.


 


Eu não sei em que país este senhor vive. Eu vivo em Portugal que é um país democrático. Bem sei - mas já pareço um disco riscado - que o nosso modelo de democracia não interessa ao PCP. Aliás, nunca interessou. O problema não são as baboseiras, ou as lições de democracia que nos querem impingir, mas é o PS, e por arrasto, o BE, que por estarem amarrados a eles, seguramente que irão viabilizar esta maluquice.

Doidos à solta


 


“A extinção de freguesias imposta por PSD e CDS, contra a vontade das populações e das autarquias, inseriu-se numa estratégia de empobrecimento do nosso regime democrático, afastando os eleitos dos eleitores e retirando possibilidades de participação das populações, e não só não conduziu à eliminação de assimetrias, como pelo contrário, as agravou”.


João Oliveira, líder parlamentar comunista que, no encerramento das jornadas parlamentares do PCP, em Bragança, propôs isto e mais algumas coisitas.


 


Eu não sei em que país este senhor vive. Eu vivo em Portugal que é um país democrático. Bem sei - mas já pareço um disco riscado - que o nosso modelo de democracia não interessa ao PCP. Aliás, nunca interessou. O problema não são as baboseiras, ou as lições de democracia que nos querem impingir, mas é o PS, e por arrasto, o BE, que por estarem amarrados a eles, seguramente que irão viabilizar esta maluquice.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Guterres, saias e a ONU...

21.01-Guterres.jpg


Se, por ocasião das presidenciais, havia no Partido Socialista um candidato natural, ele era António Guterres. Porém, o anterior alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, não avançou, e os socialistas dividiram-se entre duas listas: Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.


Porque não avançou o antigo primeiro-ministro? Terá sido pela amizade que une, desde a juventude, a Marcelo Rebelo de Sousa? Porque teria medo de perder contra o antigo comentador televisivo, e sem a exposição mediática deste? Ou porque, no seu íntimo, quer ser o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU)?


Qualquer das perguntas parece válida, no entanto Guterres apostou na ONU. Está no seu direito em o fazer. Todavia o cenário não lhe é favorável. Sobretudo porque, como reconheceu entre amigos, "(...) não ter condições para iniciar a tempo da sua candidatura a secretário-geral das Nações Unidas uma operação de mudança de sexo..." De facto, o novo secretário-geral dessa organização internacional deverá ser do sexo feminino. O que se compreende na perfeição. O século XXI, diz-se, é o século delas.


Ora acontece que o problema é outro, e mais profundo do que resumir esta eleição a uma questão de saias. É a organização que está em jogo. Ou seja, não é o tempo de se repensar a mesma, i.e., que nada ou pouco evoluiu desde os tempos fundadores? Por exemplo, não vos parece caricato, mesmo insensato, que a estrutura mais importante da ONU, O Conselho de Segurança, se mantenha inalterável, quando o mundo se transformou vertiginosamente desde 1945? Que capacidade tem a ONU para reagir ás questões da actualidade, como por exemplo o Estado Islâmico, e a proliferação do terrorismo fundamentalista?


Estas e outras questões são bem mais importantes do que o sexo do futuro secretário-geral. Mas, para já, tudo irá ficar na mesma!


 


 


 


 


 

Guterres, saias e a ONU...

21.01-Guterres.jpg


Se, por ocasião das presidenciais, havia no Partido Socialista um candidato natural, ele era António Guterres. Porém, o anterior alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, não avançou, e os socialistas dividiram-se entre duas listas: Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.


Porque não avançou o antigo primeiro-ministro? Terá sido pela amizade que une, desde a juventude, a Marcelo Rebelo de Sousa? Porque teria medo de perder contra o antigo comentador televisivo, e sem a exposição mediática deste? Ou porque, no seu íntimo, quer ser o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU)?


Qualquer das perguntas parece válida, no entanto Guterres apostou na ONU. Está no seu direito em o fazer. Todavia o cenário não lhe é favorável. Sobretudo porque, como reconheceu entre amigos, "(...) não ter condições para iniciar a tempo da sua candidatura a secretário-geral das Nações Unidas uma operação de mudança de sexo..." De facto, o novo secretário-geral dessa organização internacional deverá ser do sexo feminino. O que se compreende na perfeição. O século XXI, diz-se, é o século delas.


Ora acontece que o problema é outro, e mais profundo do que resumir esta eleição a uma questão de saias. É a organização que está em jogo. Ou seja, não é o tempo de se repensar a mesma, i.e., que nada ou pouco evoluiu desde os tempos fundadores? Por exemplo, não vos parece caricato, mesmo insensato, que a estrutura mais importante da ONU, O Conselho de Segurança, se mantenha inalterável, quando o mundo se transformou vertiginosamente desde 1945? Que capacidade tem a ONU para reagir ás questões da actualidade, como por exemplo o Estado Islâmico, e a proliferação do terrorismo fundamentalista?


Estas e outras questões são bem mais importantes do que o sexo do futuro secretário-geral. Mas, para já, tudo irá ficar na mesma!


 


 


 


 


 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bad, bad bank


Não há milagres, quando um crédito é tóxico alguém fica a perder, se não é o banco e os seus accionistas, é o Estado. Vejamos o caso espanhol. Por causa da ajuda da troika à banca espanhola, e na sequência do respectivo memorando de entendimento, foi criado o bad bank, que agora o nosso primeiro-ministro quer que seja criado para os bancos nacionais.


O Sareb adquiriu uma carteira de activos (créditos ao sector imobiliário) de 50,78 mil milhões de euros, entregando como contrapartida dívida com aval do Estado. Os bancos podem assim utilizar esta dívida com aval dos contribuintes espanhóis como garantia perante o Banco Central Europeu (BCE) para obter financiamento barato, ou seja liquidez.


No caso espanhol, estes activos imobiliários "tóxicos" são créditos para construção imobiliária em situação de incumprimento ou com risco de morosidade, bem como imóveis e terrenos que as entidades financeiras tiveram que assumir por falta de pagamento de hipotecas.


Em três anos, de 2012 a 2015, segundo dados divulgados pelo Sareb, esta instituição vendeu mais de 35 mil imóveis em Espanha e reduziu a sua carteira "tóxica" em 15,3%, passando de 50,78 mil milhões de euros para 42,9 mil milhões. Como se vê não foi grande coisa.


Um dos bancos que passou mais activos para o Sareb (recebendo em troca mais de 19 mil milhões de euros em dívida com aval do Estado) chama-se Bankia e é apontado como um dos maiores responsáveis pelo agravamento do "buraco" orçamental espanhol dos últimos anos.


Na semana passada Carlos Costa respondia assim ao deputado Galamba sobre os casos espanhol e irlandês:


"Eu gostaria muito de ter tido a possibilidade de criar um NAMA ou um SAREB em Portugal se eu tivesse finanças públicas capazes de suportar o financiamento de um NAMA ou de um SAREB". "Eu para criar um NAMA ou um SAREB tenho que ter a capacidade para destacar do balanço dos bancos um conjunto de activos e, simultaneamente, recapitalizar os bancos nesse montante".


O aumento da dívida do Estado é levantado pelo Governador do Banco de Portugal, ao mesmo tempo que "isto não pode acontecer de forma sistemática enquanto os bancos tiverem de suportar perda de capital significativa para fazer esse tipo de operação". Isto, "porque têm de vender abaixo do valor no balanço. Os valores no balanço estão correctos, em lógica de continuação de negócio. Só que quem vem comprar, compra abaixo desses valores. A menos que haja a possibilidade de construir um sistema de garantias que permita titularizar esses activos, e assim interessar investidores com visão de longo prazo e capazes de ficar com esses activos nos seus balanços", explicou citado pela Lusa.


Isto é, se os bancos vendessem essa carteira abaixo do valor do balanço teriamde registar as perdas e com isso consomem o capital o que deixaria os bancos insolventes.


Como pode o Estado português suportar um bad bank do sector financeiro português? Quando estamos a falar de uma carteira de malparado a rondar os 20 mil milhões de euros?


Eis uma resposta de um seguidor do Twitter que percebe destas matérias




  1. Na sua essência mais simplificada, podemos resumir isto da seguinte forma: O Estado cria um veículo financeiro com intuito de acumular os tais activos indesejados da banca, para isso o Estado terá que investir cerca de 20% dos tais 20 mil milhões de euros em questão, este valor pode ser mais ou menos, depende da regulamentação vigente do BCE/BdP para veículos financeiros deste género. Este investimento do Estado são capitais próprios do veículo para alavancar através da emissão de obrigações (até atingir os tais 20MM€), dívida essa colateralizada pelo contribuinte (garantia do Estado) e que será colocado no mercado com um rating que permitirá o BCE incluir no seu programa de compra de obrigações/activos, o que na gíria irá garantir sempre o “Bid” dos títulos o que se traduz numa taxa de juro baixa para essas emissões. Com capital angariado através da emissão de obrigações, o veículo agora poderá avançar para as aquisições dos activos indesejados da banca, que o fará ao valor de balanço, com o intuito de os segurar para o (muito) longo prazo.



  2.  Actualmente os bancos seguram estes activos de acordo com uma regra contabilística de “Mark-to-Maturity”, o que significa que mesmo que um activo semelhante esteja a ser negociado no mercado com perdas de 30% (por ex), o banco não precisa de provisionar essas potenciais perdas pois alega que detém os activos com o intuito da maturidade, o que permite contabilizar no seu balanço com o seu valor de emissão (i.e. sem perdas). No entanto, vender esse activo abaixo desse preço implica adoptar a regra de “Mark-to-Market” pois efectivamente está a realizar a perda, e é obrigado a incorporar esse resultado nos capitais próprio da instituição. Há outra circunstância que também obriga os bancos a realizar perdas, que é a circunstância de um crédito estar malparado durante tanto tempo que, de acordo com a regulamentação, o banco é obrigado a assumir o prejuízo. Ou seja, o banco precisa de se desfazer (i.e. vender) destes activos o mais rapidamente possível e obrigatoriamente sem perdas. Naturalmente só um veículo do género BadBank com apoio do Estado é que se sujeitará a esta circunstância.



  3.  À semelhança de outros veículos financeiros semelhantes do Estado português: Parvalorem e Finangeste. O mais provável é que várias vezes ao longo de vários anos o Estado será obrigado a reforçar o capital deste BadBank, principalmente devido ao facto que alguns dos créditos que farão parte da sua carteira serão simplesmente incobráveis e o BadBank terá que assumir as perdas, assim sendo os aumentos de capital servirão para manter o seu rácio de endividamento dentro dos limites regulamentares.


  4. Há ainda a versão italiana, que evita o bad-bank, pois o estado vende garantia aos bancos para estes poderem incluir nos lotes de activos que querem vender no mercado, de certa forma é como se estivessem a pagar ao Estado um seguro sobre o lote que querem vender a um terceiro. Serve ao fim ao cabo para o mercado não pagar um valor tão baixo pelo activo pois o tóxico é aliviado com a garantia do Estado. Mas os bancos italianos têm mercado para a dívida...

Bad, bad bank


Não há milagres, quando um crédito é tóxico alguém fica a perder, se não é o banco e os seus accionistas, é o Estado. Vejamos o caso espanhol. Por causa da ajuda da troika à banca espanhola, e na sequência do respectivo memorando de entendimento, foi criado o bad bank, que agora o nosso primeiro-ministro quer que seja criado para os bancos nacionais.


O Sareb adquiriu uma carteira de activos (créditos ao sector imobiliário) de 50,78 mil milhões de euros, entregando como contrapartida dívida com aval do Estado. Os bancos podem assim utilizar esta dívida com aval dos contribuintes espanhóis como garantia perante o Banco Central Europeu (BCE) para obter financiamento barato, ou seja liquidez.


No caso espanhol, estes activos imobiliários "tóxicos" são créditos para construção imobiliária em situação de incumprimento ou com risco de morosidade, bem como imóveis e terrenos que as entidades financeiras tiveram que assumir por falta de pagamento de hipotecas.


Em três anos, de 2012 a 2015, segundo dados divulgados pelo Sareb, esta instituição vendeu mais de 35 mil imóveis em Espanha e reduziu a sua carteira "tóxica" em 15,3%, passando de 50,78 mil milhões de euros para 42,9 mil milhões. Como se vê não foi grande coisa.


Um dos bancos que passou mais activos para o Sareb (recebendo em troca mais de 19 mil milhões de euros em dívida com aval do Estado) chama-se Bankia e é apontado como um dos maiores responsáveis pelo agravamento do "buraco" orçamental espanhol dos últimos anos.


Na semana passada Carlos Costa respondia assim ao deputado Galamba sobre os casos espanhol e irlandês:


"Eu gostaria muito de ter tido a possibilidade de criar um NAMA ou um SAREB em Portugal se eu tivesse finanças públicas capazes de suportar o financiamento de um NAMA ou de um SAREB". "Eu para criar um NAMA ou um SAREB tenho que ter a capacidade para destacar do balanço dos bancos um conjunto de activos e, simultaneamente, recapitalizar os bancos nesse montante".


O aumento da dívida do Estado é levantado pelo Governador do Banco de Portugal, ao mesmo tempo que "isto não pode acontecer de forma sistemática enquanto os bancos tiverem de suportar perda de capital significativa para fazer esse tipo de operação". Isto, "porque têm de vender abaixo do valor no balanço. Os valores no balanço estão correctos, em lógica de continuação de negócio. Só que quem vem comprar, compra abaixo desses valores. A menos que haja a possibilidade de construir um sistema de garantias que permita titularizar esses activos, e assim interessar investidores com visão de longo prazo e capazes de ficar com esses activos nos seus balanços", explicou citado pela Lusa.


Isto é, se os bancos vendessem essa carteira abaixo do valor do balanço teriamde registar as perdas e com isso consomem o capital o que deixaria os bancos insolventes.


Como pode o Estado português suportar um bad bank do sector financeiro português? Quando estamos a falar de uma carteira de malparado a rondar os 20 mil milhões de euros?


Eis uma resposta de um seguidor do Twitter que percebe destas matérias




  1. Na sua essência mais simplificada, podemos resumir isto da seguinte forma: O Estado cria um veículo financeiro com intuito de acumular os tais activos indesejados da banca, para isso o Estado terá que investir cerca de 20% dos tais 20 mil milhões de euros em questão, este valor pode ser mais ou menos, depende da regulamentação vigente do BCE/BdP para veículos financeiros deste género. Este investimento do Estado são capitais próprios do veículo para alavancar através da emissão de obrigações (até atingir os tais 20MM€), dívida essa colateralizada pelo contribuinte (garantia do Estado) e que será colocado no mercado com um rating que permitirá o BCE incluir no seu programa de compra de obrigações/activos, o que na gíria irá garantir sempre o “Bid” dos títulos o que se traduz numa taxa de juro baixa para essas emissões. Com capital angariado através da emissão de obrigações, o veículo agora poderá avançar para as aquisições dos activos indesejados da banca, que o fará ao valor de balanço, com o intuito de os segurar para o (muito) longo prazo.



  2.  Actualmente os bancos seguram estes activos de acordo com uma regra contabilística de “Mark-to-Maturity”, o que significa que mesmo que um activo semelhante esteja a ser negociado no mercado com perdas de 30% (por ex), o banco não precisa de provisionar essas potenciais perdas pois alega que detém os activos com o intuito da maturidade, o que permite contabilizar no seu balanço com o seu valor de emissão (i.e. sem perdas). No entanto, vender esse activo abaixo desse preço implica adoptar a regra de “Mark-to-Market” pois efectivamente está a realizar a perda, e é obrigado a incorporar esse resultado nos capitais próprio da instituição. Há outra circunstância que também obriga os bancos a realizar perdas, que é a circunstância de um crédito estar malparado durante tanto tempo que, de acordo com a regulamentação, o banco é obrigado a assumir o prejuízo. Ou seja, o banco precisa de se desfazer (i.e. vender) destes activos o mais rapidamente possível e obrigatoriamente sem perdas. Naturalmente só um veículo do género BadBank com apoio do Estado é que se sujeitará a esta circunstância.



  3.  À semelhança de outros veículos financeiros semelhantes do Estado português: Parvalorem e Finangeste. O mais provável é que várias vezes ao longo de vários anos o Estado será obrigado a reforçar o capital deste BadBank, principalmente devido ao facto que alguns dos créditos que farão parte da sua carteira serão simplesmente incobráveis e o BadBank terá que assumir as perdas, assim sendo os aumentos de capital servirão para manter o seu rácio de endividamento dentro dos limites regulamentares.


  4. Há ainda a versão italiana, que evita o bad-bank, pois o estado vende garantia aos bancos para estes poderem incluir nos lotes de activos que querem vender no mercado, de certa forma é como se estivessem a pagar ao Estado um seguro sobre o lote que querem vender a um terceiro. Serve ao fim ao cabo para o mercado não pagar um valor tão baixo pelo activo pois o tóxico é aliviado com a garantia do Estado. Mas os bancos italianos têm mercado para a dívida...

domingo, 10 de abril de 2016

Há boas ideias que não passam disso mesmo, como o banco mau do Costa


"Acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas", explicou o Primeiro-Ministro na entrevista ao DN/TSF.


É fácil pensar: olha que boa ideia! Como é que não nos lembrámos disto antes?


Porque é mais fácil criar um banco mau numa entrevista do que criá-lo na prática. Ora vejamos, tirar ao activo uma parte dele obriga a que  entre dinheiro em substtituição. Ora quem é que dá a diferença entre o dinheiro que o veículo paga (tem sempre que ser com um grande desconto) e o montante de créditos que sai do balanço?


Segunda pergunta, quem financia o veículo para ficar com os créditos? Podem ir ao mercado e emitir obrigações indexadas as esses créditos (titularizar), é certo, mas isso quer dizer que serão os clientes a ficar com o risco e depois, será certamente preciso uma garantia do Estado para essa colocação. 


Há o risco do crédito malparado de 20 mil milhões de euros se vir a tornar num problema maior.


Resultado, não é do pé para a mão que se arranja 11% do PIB para limpar os balanços dos bancos.


Talvez tenha sido por isso que ninguém se lembrou antes.

Há boas ideias que não passam disso mesmo, como o banco mau do Costa


"Acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas", explicou o Primeiro-Ministro na entrevista ao DN/TSF.


É fácil pensar: olha que boa ideia! Como é que não nos lembrámos disto antes?


Porque é mais fácil criar um banco mau numa entrevista do que criá-lo na prática. Ora vejamos, tirar ao activo uma parte dele obriga a que  entre dinheiro em substtituição. Ora quem é que dá a diferença entre o dinheiro que o veículo paga (tem sempre que ser com um grande desconto) e o montante de créditos que sai do balanço?


Segunda pergunta, quem financia o veículo para ficar com os créditos? Podem ir ao mercado e emitir obrigações indexadas as esses créditos (titularizar), é certo, mas isso quer dizer que serão os clientes a ficar com o risco e depois, será certamente preciso uma garantia do Estado para essa colocação. 


Há o risco do crédito malparado de 20 mil milhões de euros se vir a tornar num problema maior.


Resultado, não é do pé para a mão que se arranja 11% do PIB para limpar os balanços dos bancos.


Talvez tenha sido por isso que ninguém se lembrou antes.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O peso da solidariedade política

De manhã li que António Costa tinha demonstrado solidariedade política a João Soares. Pela tarde soube que o Primeiro-Ministro aceitou o pedido de demissão política apresentado pelo agora ex-ministro da cultura.


Este facto, demonstra duas coisa. Por um lado que a solidariedade política não vale grande coisa. E, sobretudo, que a cultura serve para encher chouriços. Se fosse outra pasta, mais vital, tipo finanças ou economia, a cantiga era outra!

O peso da solidariedade política

De manhã li que António Costa tinha demonstrado solidariedade política a João Soares. Pela tarde soube que o Primeiro-Ministro aceitou o pedido de demissão política apresentado pelo agora ex-ministro da cultura.


Este facto, demonstra duas coisa. Por um lado que a solidariedade política não vale grande coisa. E, sobretudo, que a cultura serve para encher chouriços. Se fosse outra pasta, mais vital, tipo finanças ou economia, a cantiga era outra!

Malhar, malhar

chaplin_02.jpg


A minha memória está ficar curta. Está mesmo. Se é certo que as bofetadas de Soares ainda estão bem frescas, graças ao “google it”, e principalmente à memória e à acutilância militante de João Miguel Tavares, recordo que os "donos desta coisa chamada democracia", gostam de malhar. É um facto, que os anais, tal como o algodão, não se esquecem do célebre “Quem se meter com o PS leva!”!


A tirada de Jorge Coelho deixou lastro. Não morreu virgem, a ficar remetida a estar inscrita na pedra. Muito pelo contrário. Ontem Soares, incapaz de separa o eu do político, porque também vai em modas, escolheu o Facebook, para “oferecer chapadas”. O PS, que pela voz de Santos Silva, disse, em 2009, que “eu cá gosto é de malhar na direita”, tornou-se num partido trauliteiro, que gosta de malhar.


Georges Burdeau (1905-1988), politólogo e constitucionalista francês, escreveu que o "Estado é o troféu da política". O PS levou-o demasiado a peito, tornou-o num ringue de box. Quando a solução, é bem mais simples, gratuita, e higiénica: "A disciplina do silêncio".


 


P.S. - Já agora continuem. Dá sempre para rir. (nota PS, aqui não é lido como post scriptum)


 

Malhar, malhar

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A minha memória está ficar curta. Está mesmo. Se é certo que as bofetadas de Soares ainda estão bem frescas, graças ao “google it”, e principalmente à memória e à acutilância militante de João Miguel Tavares, recordo que os "donos desta coisa chamada democracia", gostam de malhar. É um facto, que os anais, tal como o algodão, não se esquecem do célebre “Quem se meter com o PS leva!”!


A tirada de Jorge Coelho deixou lastro. Não morreu virgem, a ficar remetida a estar inscrita na pedra. Muito pelo contrário. Ontem Soares, incapaz de separa o eu do político, porque também vai em modas, escolheu o Facebook, para “oferecer chapadas”. O PS, que pela voz de Santos Silva, disse, em 2009, que “eu cá gosto é de malhar na direita”, tornou-se num partido trauliteiro, que gosta de malhar.


Georges Burdeau (1905-1988), politólogo e constitucionalista francês, escreveu que o "Estado é o troféu da política". O PS levou-o demasiado a peito, tornou-o num ringue de box. Quando a solução, é bem mais simples, gratuita, e higiénica: "A disciplina do silêncio".


 


P.S. - Já agora continuem. Dá sempre para rir. (nota PS, aqui não é lido como post scriptum)


 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Whatsapp do João Soares, by Inimigo Público


Continua aqui


 


 


 

Whatsapp do João Soares, by Inimigo Público


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Offshores created by Mossack Fonseca

Offshores created by Mossack Fonseca

A razão de Putin


O Presidente russo, Vladimir Putin, "acusou os Estados Unidos de envolvimento na divulgação das listas com o objectivo de desestabilizar a Rússia." Tem razão. Não só a Rússia mas a maioria dos Estados Europeus.


Se reparamos bem não há qualquer americano envolvido na investigação levada a cabo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), curiosamente com sede em Washington. O que leva a perguntar: Quem é que financia as suas actividades?


O ICIJ foi fundado em 1997, pelo jornalista americano Chuck Lewis e é tutelado pelo Centro para a Integridade Pública, que entre os seus fundadores contam grandes fortunas norte-americanas, como seja: a Ford Foundation, o Carnegie Endowment, o Rockefeller Family Fund e a W K Kellogg Foundation.


Por outro lado, a ausência de norte-americanos nesta "lista negra" avançada pelo ICIJ, resulta do facto de os Estados Unidos terem "os seus" paraísos fiscais. Acresce ainda que nos EUA imposto devidos à criação de riqueza, incluindo fundos de investimento, são particularmente irrisórios, na ordem dos 6-7%.


Daí que o Presidente Russo tenha razão quando, ironizando, disse: “passaram a pente fino esses paraísos fiscais mas o vosso humilde servidor não figura”!

A razão de Putin


O Presidente russo, Vladimir Putin, "acusou os Estados Unidos de envolvimento na divulgação das listas com o objectivo de desestabilizar a Rússia." Tem razão. Não só a Rússia mas a maioria dos Estados Europeus.


Se reparamos bem não há qualquer americano envolvido na investigação levada a cabo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), curiosamente com sede em Washington. O que leva a perguntar: Quem é que financia as suas actividades?


O ICIJ foi fundado em 1997, pelo jornalista americano Chuck Lewis e é tutelado pelo Centro para a Integridade Pública, que entre os seus fundadores contam grandes fortunas norte-americanas, como seja: a Ford Foundation, o Carnegie Endowment, o Rockefeller Family Fund e a W K Kellogg Foundation.


Por outro lado, a ausência de norte-americanos nesta "lista negra" avançada pelo ICIJ, resulta do facto de os Estados Unidos terem "os seus" paraísos fiscais. Acresce ainda que nos EUA imposto devidos à criação de riqueza, incluindo fundos de investimento, são particularmente irrisórios, na ordem dos 6-7%.


Daí que o Presidente Russo tenha razão quando, ironizando, disse: “passaram a pente fino esses paraísos fiscais mas o vosso humilde servidor não figura”!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Para que serve o jornalismo?

o-JOURNALIST-facebook.jpg


 


Quando fiz o 10º ano fui aluno de introdução ao jornalismo. Era básico. O livro, escrito por um cubano - na altura era o que havia no mercado - era faccioso q.b. Porém, nesse tempo os jornalistas eram jornalistas. Hoje ganharam um novo estatuto. Tornaram-se numa espécie de polícias da boa moral e dos bons costumes.


Acho bem. Não tenho mesmo nada a opor, no entanto fica a questão: afinal para que é o jornalismo?

Para que serve o jornalismo?

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Quando fiz o 10º ano fui aluno de introdução ao jornalismo. Era básico. O livro, escrito por um cubano - na altura era o que havia no mercado - era faccioso q.b. Porém, nesse tempo os jornalistas eram jornalistas. Hoje ganharam um novo estatuto. Tornaram-se numa espécie de polícias da boa moral e dos bons costumes.


Acho bem. Não tenho mesmo nada a opor, no entanto fica a questão: afinal para que é o jornalismo?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Jornalismo online e o Panamá Papers


A utilização da internet, tanto para obtenção como para difusão de informações por parte dos jornalistas, é uma tendência irreversível.


A utilização da web como “ambiente de pesquisa” está generalizada de forma extensa.


Nas actividades de pesquisa e produção de texto, começamos a perceber, que muitas vezes é possível descobrir uma notícia apenas utilizando a web como fonte.


O caso do Panamá Papers, investigação sobre o uso de offshores para fins alegamente ilícitos, levada a cabo por uma associação de jornalistas (The International Consortium of Investigative Journalists) é a expressão dessa tendência. 


Mas será a internet uma fonte credível? Ou uma fonte que se basta a si própria? 


Uma das coisas que se repara é que na ausência de alguns países na lista de 50 países apanhados nos documentos do Panamá, que revelam a criação de empresas em paraísos fiscais para actos ilícitos. 


Sobretudo nota-se a ausência de países como a Alemanha (alguém reparava e bem que o escritório de advogados do Panamá que alegadamente tinha produzido as informações que foram parar à net (de que forma? Lícita?) tinha origem alemã, o Mossack Fonseca). Mas também não está a Austria, Moçambique, Roménia, Chipre, Estados Unidos (how predictable), Israel, Finlândia, Noruega, Suécia, Irão, Quénia, Austrália.. 


O facto de se levantar a questão da completude e independência da informação neste caso (há quem tenha imediatamente publicado a lista dos patrocinadores da associação de jornalistas), levanta a questão da fragilidade da investigação com recurso apenas a fontes online (sem fontes resultante de contacto pessoal, o face-to-face apesar de tudo ainda trás algumas vantagens à credibilidade das fontes).


Ou seja, a utilização de pesquisa na Internet como fonte para jornalismo é uma tendência de facto imparável, mas não é ausente de vicissitudes e limitações.No entanto, está-se a aperfeiçoar esse caminho.


Há várias universidades (americanas e outras) com cursos para jornalismo online (é este um dos qualificativos usados). Há uma quantidade de técnicas de pesquisa a todos os níveis para além do Google que vão até ao Facebook e Twitter, blogs, tudo o que possa ser interessante. É utilizado, por exemplo, para descobrir relações entre pessoas, quem é sócio de quem, ou comportamentos que possam ser pistas para qualquer coisa. O resultado pode servir de apoio ou pode ser a própria notícia. Em Stanford, por exemplo vão mais longe: cursos de especialização em programação informática para jornalistas aprenderem a retirar informação de Big Data, à semelhança do que fazem os espiões. Por exemplo, nos EUA, análise de cadernos eleitorais para descobrir determinados padrões e correlações. 


Vamos começar a assistir a Leaks por esse mundo fora. Podia dizer em tom irónico que o jornalista que tiver habilidades de pirata informático levará vantagem no futuro.


 

Jornalismo online e o Panamá Papers


A utilização da internet, tanto para obtenção como para difusão de informações por parte dos jornalistas, é uma tendência irreversível.


A utilização da web como “ambiente de pesquisa” está generalizada de forma extensa.


Nas actividades de pesquisa e produção de texto, começamos a perceber, que muitas vezes é possível descobrir uma notícia apenas utilizando a web como fonte.


O caso do Panamá Papers, investigação sobre o uso de offshores para fins alegamente ilícitos, levada a cabo por uma associação de jornalistas (The International Consortium of Investigative Journalists) é a expressão dessa tendência. 


Mas será a internet uma fonte credível? Ou uma fonte que se basta a si própria? 


Uma das coisas que se repara é que na ausência de alguns países na lista de 50 países apanhados nos documentos do Panamá, que revelam a criação de empresas em paraísos fiscais para actos ilícitos. 


Sobretudo nota-se a ausência de países como a Alemanha (alguém reparava e bem que o escritório de advogados do Panamá que alegadamente tinha produzido as informações que foram parar à net (de que forma? Lícita?) tinha origem alemã, o Mossack Fonseca). Mas também não está a Austria, Moçambique, Roménia, Chipre, Estados Unidos (how predictable), Israel, Finlândia, Noruega, Suécia, Irão, Quénia, Austrália.. 


O facto de se levantar a questão da completude e independência da informação neste caso (há quem tenha imediatamente publicado a lista dos patrocinadores da associação de jornalistas), levanta a questão da fragilidade da investigação com recurso apenas a fontes online (sem fontes resultante de contacto pessoal, o face-to-face apesar de tudo ainda trás algumas vantagens à credibilidade das fontes).


Ou seja, a utilização de pesquisa na Internet como fonte para jornalismo é uma tendência de facto imparável, mas não é ausente de vicissitudes e limitações.No entanto, está-se a aperfeiçoar esse caminho.


Há várias universidades (americanas e outras) com cursos para jornalismo online (é este um dos qualificativos usados). Há uma quantidade de técnicas de pesquisa a todos os níveis para além do Google que vão até ao Facebook e Twitter, blogs, tudo o que possa ser interessante. É utilizado, por exemplo, para descobrir relações entre pessoas, quem é sócio de quem, ou comportamentos que possam ser pistas para qualquer coisa. O resultado pode servir de apoio ou pode ser a própria notícia. Em Stanford, por exemplo vão mais longe: cursos de especialização em programação informática para jornalistas aprenderem a retirar informação de Big Data, à semelhança do que fazem os espiões. Por exemplo, nos EUA, análise de cadernos eleitorais para descobrir determinados padrões e correlações. 


Vamos começar a assistir a Leaks por esse mundo fora. Podia dizer em tom irónico que o jornalista que tiver habilidades de pirata informático levará vantagem no futuro.


 

sábado, 2 de abril de 2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

No dia das petas

marocas.jpg


No dia das mentiras estes suaram para fazer a sua, que ilustrei-a à minha maneira!


 


"Marcelo convida Mark Zuckerberg para Conselho de Estado e pede que traga Oculus Rift"


 


 


 

No dia das petas

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No dia das mentiras estes suaram para fazer a sua, que ilustrei-a à minha maneira!


 


"Marcelo convida Mark Zuckerberg para Conselho de Estado e pede que traga Oculus Rift"