segunda-feira, 30 de novembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
Lido no Facebook (começaram as gaffes do novo PM)
“A Turquia é um velho e estratégico aliado de Portugal, nosso parceiro como membro fundador da NATO, em 1959 (...)"- António Costa, em declarações ao Conselho Europeu, pela primeira vez como primeiro-ministro.
1-A NATO foi fundada em 1949, não 1959.
2-A Turquia não foi membro fundador da NATO.
Lido no Facebook (começaram as gaffes do novo PM)
“A Turquia é um velho e estratégico aliado de Portugal, nosso parceiro como membro fundador da NATO, em 1959 (...)"- António Costa, em declarações ao Conselho Europeu, pela primeira vez como primeiro-ministro.
1-A NATO foi fundada em 1949, não 1959.
2-A Turquia não foi membro fundador da NATO.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
O que interessa numa notícia não é o onde, nem o quando, é o porquê
Ao rever um filme do 007 daqueles que fazem jus ao estilo, o Amanhã Nunca Morre, com Pierce Brosnan, há um guru dos media (o mau da fita) que diz uma coisa muito interessante. "Quando eu tinha 16 anos trabalhei num jornal em Hong Kong. Era um pasquim, mas o director ensinou-me uma coisa muito importante. A chave para uma grande história, não é o onde, nem o quê, nem quando, mas o porquê".
Interessante ideia esta que o mais importante, e aquilo que verdadeiramente interessa, é o porquê. O porquê é a chave do mundo
O que interessa numa notícia não é o onde, nem o quando, é o porquê
Ao rever um filme do 007 daqueles que fazem jus ao estilo, o Amanhã Nunca Morre, com Pierce Brosnan, há um guru dos media (o mau da fita) que diz uma coisa muito interessante. "Quando eu tinha 16 anos trabalhei num jornal em Hong Kong. Era um pasquim, mas o director ensinou-me uma coisa muito importante. A chave para uma grande história, não é o onde, nem o quê, nem quando, mas o porquê".
Interessante ideia esta que o mais importante, e aquilo que verdadeiramente interessa, é o porquê. O porquê é a chave do mundo
Terrorismos
Acabei de ler, "Assassinos sanguinários que se melindram facilmente", ou seja, a última crónica de Ricardo Araújo Pereira para a Visão. Está bem escrita. E, para variar, concordo com ele! Eu também gosto de viver "(...)num mundo em que temos a liberdade de nos ofendermos uns aos outros!"
É terrível pensar que neste Velho Continente, que "Deu mundos ao Mundo", estejamos reféns da intransigência religiosa dos outros!
Terrorismos
Acabei de ler, "Assassinos sanguinários que se melindram facilmente", ou seja, a última crónica de Ricardo Araújo Pereira para a Visão. Está bem escrita. E, para variar, concordo com ele! Eu também gosto de viver "(...)num mundo em que temos a liberdade de nos ofendermos uns aos outros!"
É terrível pensar que neste Velho Continente, que "Deu mundos ao Mundo", estejamos reféns da intransigência religiosa dos outros!
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Quatro décadas de democracia
Tinha 9 anos, mas já tinha memória. Portanto, aqui vai, passadas quatro décadas, o meu agradecimento aos militares que possibilitaram a (verdadeira) democracia em Portugal.
Quatro décadas de democracia
Tinha 9 anos, mas já tinha memória. Portanto, aqui vai, passadas quatro décadas, o meu agradecimento aos militares que possibilitaram a (verdadeira) democracia em Portugal.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Muitos ex-Sócrates, preocupação com quotas, muitos políticos, alguns académicos, poucos gestores
Aí está o Governo que sai do sonho de António Costa. O xeque-mate resultou. Estava escrito nas estrelas.
A esquerda está desnorteada. Já só lhe resta Cavaco Silva para exercitar o seu natural papel de oposição. Mas mesmo isso vai acabar em Janeiro. E depois, em quem vai bater o PCP e o Bloco de Esquerda? No Carlos Costa? No futuro presidente? Na oposição?
Vamos ao Governo de Costa, que é um verdadeiro jogador de xadrez na política:
Há muitos ex-governantes de Sócrates (o primeiro-ministro incluído): Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Capoulas Santos e Pedro Marques.
Nota-se uma preocupação com as minorias na composição do elenco governativo.
Há quatro mulheres.
Há muitos académicos, muitos amigos de António Costa, e muitos políticos.
Na Justiça? Temos a representante da melhor família de Angola: Uma eficiente procuradora há mais de 30 anos, que ocupou nos últimos oito anos um dos cargos mais importantes do Ministério Público, como procuradora-geral distrital de Lisboa, responsável pelo maior dos quatro distritos judiciais do país. Foi pioneira ao criar um site onde se reporta diariamente a actividade do Ministério Público.
Próxima de José Eduardo dos Santos.
Para as Finanças? O Centeno, claro. Mário Centeno leva consigo Ricardo Felix Mourinho.
Para a Economia? Manuel Caldeira Cabral, claro. Um parente do Dom Duarte no Governo socialista. Economista e académico da Universidade do Minho. Era próximo de António José Seguro.
Estes dois economistas eram mais do que esperados, pois são considerados os melhores quadros na esfera do PS.
Para os Negócios Estrangeiros? O "amigo" do Sérgio Figueiredo (chamou-lhe uma vez num artigo “O ayatollah de Barcarena”): Augusto Santos Silva (ainda acabarão amigos e aos abraços). A pasta de Santos Silva ganhou importância pois os Assuntos Europeus ficam no Ministério dos Negócios Estrangeiros. O tema Europa passa para as mãos dos Negócios Estrangeiros, o que parece ser um sinal de desvalorização dos assuntos europeus. Margarida Marques será secretária de Estado dos Assuntos Europeus.
O Mar fica com Ana Paula Vitorino (a "amiga" - espero que se perceba a ironia - de Armando Vara). A ex-senhora dos transportes passa a governar sobre os mares.
De entre as amigas do Primeiro Ministro, constam a Constança Urbano de Sousa que será ministra da Administração Interna e Maria Manuel Leitão Marques que terá a tutela da Presidência e da Modernização Administrativa - levando consigo como secretária de Estado, Graça Fonseca. Ambas são colaboradoras de sempre de António Costa.
Eduardo Cabrita fica como ministro adjunto e é a primeira vez que é Governo. Grande amigo de Vitalino Canas.
Eduardo Cabrita é casado com a ministra Ana Paula Vitorino.
A Defesa foi entregue a Azeredo Lopes, que liderou a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Foi porta-voz da candidatura de Rui Moreira à autarquia do Porto. Será agora o sucessor de Aguiar-Branco na Defesa.
Miguel Prata Roque secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e Mariana Vieira da Silva (filha do ministro com o mesmo nome) secretária de Estado Adjunta do primeiro-ministro.
O jurista Miguel Prata Roque, apontado como secretário de estado da presidência do Conselho de Ministros, é o advogado de José Sócrates na providência cautelar interposta contra o CM e a CMTV em relação à publicação de notícias sobre a Operação Marquês.
António Costa jogou em quase todas as frentes. Reparem, pôs o advogado que assina o processo que proíbe o Correio da Manhã de publicar notícias sobre a Operação Marquês e ao mesmo tempo um ex-presidente da ERC vai para o Governo.
O Ministério do Planeamento e Infraestruturas, o ministério que mais caro costuma ser aos socialistas (keynesianos), vulgo Obras Públicas. Fica com Pedro Marques (não Lopes).
Este economista, que foi secretário de Estado da Segurança Social entre 2005 e 2011, foi um dos responsáveis pela reforma da Segurança Social de 2007, quando o ministério era liderado por Vieira da Silva.
O meramente político Carlos César será um “super” líder parlamentar.
Diz o Expresso que a ligação institucional entre o Palácio de São Bento e a residência oficial do primeiro-ministro caberá ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos (foi por pouco que não apanhámos com o outro... ufa...), também representa qualquer coisa, mas não me lembro bem o quê.
Vieira da Silva volta ao Trabalho e Segurança Social e Capoulas Santos volta à Agricultura.
O ministro da saúde Adalberto Campos Fernandes, ex-administrador do Hospital de Santa Maria, será ministro da Saúde (já confirmou!)
Há dois génios académicos no Governo de António Costa: Tiago Brandão Rodrigues, investigador bioquímico, ocupa a pasta da Educação e Manuel Heitor, professor catedrático do Técnico, antigo secretário de Estado de Mariano Gago, fica com a Inovação, Ciência e Ensino Superior. É a quota dos oficialmente inteligentes.
O Ambiente (renomeado Ministério do Ambiente e Mobilidade) será entregue a João Matos Fernandes, que ocupava até aqui a presidência das Águas do Porto. Isto não será incompatível? Este é o único gestor do Governo.
E a cultura? Essa deram a João Soares, o filho do fundador do PS.
Este patchwork quase levava para o poder alguém de direita, ou um ex-banqueiro, só para que todas a forças de poder estejam representadas. Suspeito que António Costa ainda pensou nisso. Mas não se atreveu a tanto.
Latest news: António Costa acaba de integrar no seu executivo, uma secretária de estado cega: Ana Sofia Antunes. Muito bem.
São Bento já deve estar a preparar uma rampa para handicapé, como num célebre filme do Woody Allen onde o retrato de um homem perfeito era loiro, musculado, fazia ginástica todos os dias, com voz aveludada, e a sua casa perfeita à beira mar tinha uma rampa para cadeirinhas de roda.
Muitos ex-Sócrates, preocupação com quotas, muitos políticos, alguns académicos, poucos gestores
Aí está o Governo que sai do sonho de António Costa. O xeque-mate resultou. Estava escrito nas estrelas.
A esquerda está desnorteada. Já só lhe resta Cavaco Silva para exercitar o seu natural papel de oposição. Mas mesmo isso vai acabar em Janeiro. E depois, em quem vai bater o PCP e o Bloco de Esquerda? No Carlos Costa? No futuro presidente? Na oposição?
Vamos ao Governo de Costa, que é um verdadeiro jogador de xadrez na política:
Há muitos ex-governantes de Sócrates (o primeiro-ministro incluído): Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, Capoulas Santos e Pedro Marques.
Nota-se uma preocupação com as minorias na composição do elenco governativo.
Há quatro mulheres.
Há muitos académicos, muitos amigos de António Costa, e muitos políticos.
Na Justiça? Temos a representante da melhor família de Angola: Uma eficiente procuradora há mais de 30 anos, que ocupou nos últimos oito anos um dos cargos mais importantes do Ministério Público, como procuradora-geral distrital de Lisboa, responsável pelo maior dos quatro distritos judiciais do país. Foi pioneira ao criar um site onde se reporta diariamente a actividade do Ministério Público.
Próxima de José Eduardo dos Santos.
Para as Finanças? O Centeno, claro. Mário Centeno leva consigo Ricardo Felix Mourinho.
Para a Economia? Manuel Caldeira Cabral, claro. Um parente do Dom Duarte no Governo socialista. Economista e académico da Universidade do Minho. Era próximo de António José Seguro.
Estes dois economistas eram mais do que esperados, pois são considerados os melhores quadros na esfera do PS.
Para os Negócios Estrangeiros? O "amigo" do Sérgio Figueiredo (chamou-lhe uma vez num artigo “O ayatollah de Barcarena”): Augusto Santos Silva (ainda acabarão amigos e aos abraços). A pasta de Santos Silva ganhou importância pois os Assuntos Europeus ficam no Ministério dos Negócios Estrangeiros. O tema Europa passa para as mãos dos Negócios Estrangeiros, o que parece ser um sinal de desvalorização dos assuntos europeus. Margarida Marques será secretária de Estado dos Assuntos Europeus.
O Mar fica com Ana Paula Vitorino (a "amiga" - espero que se perceba a ironia - de Armando Vara). A ex-senhora dos transportes passa a governar sobre os mares.
De entre as amigas do Primeiro Ministro, constam a Constança Urbano de Sousa que será ministra da Administração Interna e Maria Manuel Leitão Marques que terá a tutela da Presidência e da Modernização Administrativa - levando consigo como secretária de Estado, Graça Fonseca. Ambas são colaboradoras de sempre de António Costa.
Eduardo Cabrita fica como ministro adjunto e é a primeira vez que é Governo. Grande amigo de Vitalino Canas.
Eduardo Cabrita é casado com a ministra Ana Paula Vitorino.
A Defesa foi entregue a Azeredo Lopes, que liderou a Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Foi porta-voz da candidatura de Rui Moreira à autarquia do Porto. Será agora o sucessor de Aguiar-Branco na Defesa.
Miguel Prata Roque secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e Mariana Vieira da Silva (filha do ministro com o mesmo nome) secretária de Estado Adjunta do primeiro-ministro.
O jurista Miguel Prata Roque, apontado como secretário de estado da presidência do Conselho de Ministros, é o advogado de José Sócrates na providência cautelar interposta contra o CM e a CMTV em relação à publicação de notícias sobre a Operação Marquês.
António Costa jogou em quase todas as frentes. Reparem, pôs o advogado que assina o processo que proíbe o Correio da Manhã de publicar notícias sobre a Operação Marquês e ao mesmo tempo um ex-presidente da ERC vai para o Governo.
O Ministério do Planeamento e Infraestruturas, o ministério que mais caro costuma ser aos socialistas (keynesianos), vulgo Obras Públicas. Fica com Pedro Marques (não Lopes).
Este economista, que foi secretário de Estado da Segurança Social entre 2005 e 2011, foi um dos responsáveis pela reforma da Segurança Social de 2007, quando o ministério era liderado por Vieira da Silva.
O meramente político Carlos César será um “super” líder parlamentar.
Diz o Expresso que a ligação institucional entre o Palácio de São Bento e a residência oficial do primeiro-ministro caberá ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos (foi por pouco que não apanhámos com o outro... ufa...), também representa qualquer coisa, mas não me lembro bem o quê.
Vieira da Silva volta ao Trabalho e Segurança Social e Capoulas Santos volta à Agricultura.
O ministro da saúde Adalberto Campos Fernandes, ex-administrador do Hospital de Santa Maria, será ministro da Saúde (já confirmou!)
Há dois génios académicos no Governo de António Costa: Tiago Brandão Rodrigues, investigador bioquímico, ocupa a pasta da Educação e Manuel Heitor, professor catedrático do Técnico, antigo secretário de Estado de Mariano Gago, fica com a Inovação, Ciência e Ensino Superior. É a quota dos oficialmente inteligentes.
O Ambiente (renomeado Ministério do Ambiente e Mobilidade) será entregue a João Matos Fernandes, que ocupava até aqui a presidência das Águas do Porto. Isto não será incompatível? Este é o único gestor do Governo.
E a cultura? Essa deram a João Soares, o filho do fundador do PS.
Este patchwork quase levava para o poder alguém de direita, ou um ex-banqueiro, só para que todas a forças de poder estejam representadas. Suspeito que António Costa ainda pensou nisso. Mas não se atreveu a tanto.
Latest news: António Costa acaba de integrar no seu executivo, uma secretária de estado cega: Ana Sofia Antunes. Muito bem.
São Bento já deve estar a preparar uma rampa para handicapé, como num célebre filme do Woody Allen onde o retrato de um homem perfeito era loiro, musculado, fazia ginástica todos os dias, com voz aveludada, e a sua casa perfeita à beira mar tinha uma rampa para cadeirinhas de roda.
O peso da família
Só isto diz tudo. Felizmente que vai ser de curta duração (i hope so)
Ministro da Cultura: João Soares, finalmente o Governo
O peso da família
Só isto diz tudo. Felizmente que vai ser de curta duração (i hope so)
Ministro da Cultura: João Soares, finalmente o Governo
Chapéu!
Na história do semipresidencialismo em Portugal, Aníbal Cavaco Silva deu um baile aos seus antecessores. O Presidente deu-nos uma lição.
Podemos não gostar de António Costa, podemos não ser socialistas e, tampouco, gostar de deste governo à esquerda, que provavelmente terá os dias contados! No entanto, ao indigitar Costa, ele poupa-nos de males piores. Ou seja: Em pouco mais de um mês, ele tornou-se no melhor presidente do Portugal Democrático!
E por isso tiro-lhe o chapéu!
Chapéu!
Na história do semipresidencialismo em Portugal, Aníbal Cavaco Silva deu um baile aos seus antecessores. O Presidente deu-nos uma lição.
Podemos não gostar de António Costa, podemos não ser socialistas e, tampouco, gostar de deste governo à esquerda, que provavelmente terá os dias contados! No entanto, ao indigitar Costa, ele poupa-nos de males piores. Ou seja: Em pouco mais de um mês, ele tornou-se no melhor presidente do Portugal Democrático!
E por isso tiro-lhe o chapéu!
De olho na validade
Cavaco indigita Costa. Não há nenhuma novidade. Já era esperado. Agora, e de olho na validade, a pergunta que se coloca é esta: Até quando a esquerda estará unida?
Ontem escrevi aqui que a Cavaco Silva só cabia lavar as mãos como Pilatos. Dito e feito. É o que se lê nas entrelinhas da nota enviada à comunicação social pela Presidência da República: "Tal situação prolongar-se-ia por tempo indefinido, dada a impossibilidade, ditada pela Constituição, de proceder, até ao mês de Abril do próximo ano, à dissolução da Assembleia da República e à convocação de eleições legislativas."
De olho na validade
Cavaco indigita Costa. Não há nenhuma novidade. Já era esperado. Agora, e de olho na validade, a pergunta que se coloca é esta: Até quando a esquerda estará unida?
Ontem escrevi aqui que a Cavaco Silva só cabia lavar as mãos como Pilatos. Dito e feito. É o que se lê nas entrelinhas da nota enviada à comunicação social pela Presidência da República: "Tal situação prolongar-se-ia por tempo indefinido, dada a impossibilidade, ditada pela Constituição, de proceder, até ao mês de Abril do próximo ano, à dissolução da Assembleia da República e à convocação de eleições legislativas."
A adversidade descobre as virtudes (e a falta delas)
Lembro-me sempre da expressão criada por Hannah Arendt, a banalidade do mal, para contextualizar as relações humanas em contextos adversos. Segundo a filósofa judia alemã, naturalizada norte-americana, Adolf Eichmann não possuía um histórico de traços anti-semitas e não apresentava características de um carácter distorcido ou doentio. Agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender na carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questionar, com o maior zelo e eficiência, sem pensar sobre o Bem ou o Mal que pudessem causar.
A banalidade do mal é contagiante? É. Podemos sempre dizer que o bem também é contagiante? É. Mas num contexto adverso, o bem tem menos força de contágio.
O mal existe e está sempre ligado ao ódio provocado pela inveja, pelo preconceito, e pelo complexo de inferioridade. Mas depois existem as metástases do mal, que na tese de Arendt se aplicava a Eichmann, que não tendo esse sentimento, tinha o seu desejo pessoal de subir profissionalmente e por isso cumpria as ordens do mal.
Mas há mais metástases do mal: a banalidade da cobardia na adversidade. "A adversidade descobre as virtudes".
É tão banal que "na adversidade se conhecem os amigos" que até se tornou provérbio popular.
Contra a adversidade só a coragem.
"A adversidade faz heróis"
A adversidade descobre as virtudes (e a falta delas)
Lembro-me sempre da expressão criada por Hannah Arendt, a banalidade do mal, para contextualizar as relações humanas em contextos adversos. Segundo a filósofa judia alemã, naturalizada norte-americana, Adolf Eichmann não possuía um histórico de traços anti-semitas e não apresentava características de um carácter distorcido ou doentio. Agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender na carreira profissional, na mais perfeita lógica burocrática. Cumpria ordens sem questionar, com o maior zelo e eficiência, sem pensar sobre o Bem ou o Mal que pudessem causar.
A banalidade do mal é contagiante? É. Podemos sempre dizer que o bem também é contagiante? É. Mas num contexto adverso, o bem tem menos força de contágio.
O mal existe e está sempre ligado ao ódio provocado pela inveja, pelo preconceito, e pelo complexo de inferioridade. Mas depois existem as metástases do mal, que na tese de Arendt se aplicava a Eichmann, que não tendo esse sentimento, tinha o seu desejo pessoal de subir profissionalmente e por isso cumpria as ordens do mal.
Mas há mais metástases do mal: a banalidade da cobardia na adversidade. "A adversidade descobre as virtudes".
É tão banal que "na adversidade se conhecem os amigos" que até se tornou provérbio popular.
Contra a adversidade só a coragem.
"A adversidade faz heróis"
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Sobre a realidade

Esta imagem é perturbadora, como é enganadora. Perturba muito e é enganadora. É enganadora já que quem a postou não conhece o mundo onde vive. Um mundo que, fruto da sua religião, que professa o Amor, sempre foi acolhedora. Perturba porque o outro, ainda limitado ás trevas de onde veio, não o compreende, nem tampouco o consegue assimilar.
Porém há algo que meu ver é mais assustador: o facto de no Islão não terem a noção do tempo em que vivem, e que a história não se repete. Porque se repetisse um dia seríamos nós (imaginem o caricato) a procurar recuperar o que outrora foi nosso: Um Portugal que vai do Minho até Timor (incluindo o Brasil)!
Nota:
Este post tem alguns dias, e escrevi-o aqui, mas deixo-o à vossa consideração.
Sobre a realidade

Esta imagem é perturbadora, como é enganadora. Perturba muito e é enganadora. É enganadora já que quem a postou não conhece o mundo onde vive. Um mundo que, fruto da sua religião, que professa o Amor, sempre foi acolhedora. Perturba porque o outro, ainda limitado ás trevas de onde veio, não o compreende, nem tampouco o consegue assimilar.
Porém há algo que meu ver é mais assustador: o facto de no Islão não terem a noção do tempo em que vivem, e que a história não se repete. Porque se repetisse um dia seríamos nós (imaginem o caricato) a procurar recuperar o que outrora foi nosso: Um Portugal que vai do Minho até Timor (incluindo o Brasil)!
Nota:
Este post tem alguns dias, e escrevi-o aqui, mas deixo-o à vossa consideração.
Pilatos em Belém
Eu acho que Cavaco Silva fez bem em escrever uma carta ao PS e a António Costa. Tal como a Maria, concordo com as advertências. No entanto não há volta a dar. O Presidente da República tem que indigitar o secretário-geral socialista para Primeiro-Ministro. Mesmo que, e á boleia das suas incongruências político e ideológicas, tenha curta validade!
Cavaco (e bem) fez o que tinha que fazer. Advertir. No entanto, fruto de todas as peripécias pós-eleitorais (porque ele está constitucionalmente limitado), o pobre coitado vê-se como um Pilatos em Belém. Tem que lavar as mãos!
Pilatos em Belém
Eu acho que Cavaco Silva fez bem em escrever uma carta ao PS e a António Costa. Tal como a Maria, concordo com as advertências. No entanto não há volta a dar. O Presidente da República tem que indigitar o secretário-geral socialista para Primeiro-Ministro. Mesmo que, e á boleia das suas incongruências político e ideológicas, tenha curta validade!
Cavaco (e bem) fez o que tinha que fazer. Advertir. No entanto, fruto de todas as peripécias pós-eleitorais (porque ele está constitucionalmente limitado), o pobre coitado vê-se como um Pilatos em Belém. Tem que lavar as mãos!
Serei a única a achar que as advertências de Cavaco são muito pertinentes?

Estou a ouvir os candidatos a Presidente da República sobre as advertências de Cavaco Silva ao Governo de Costa, e a temer o pior para o que aí vem. Mas todos acharam excessivo?! Excessivo?! Então o argumento do Marcelo é a volta da volta! Diz: "faz menos sentido falar da estabilidade do sistema financeiro que isso é como quem levanta dúvidas sobre a estabilidade do sistema financeiro, e o Presidente da República é o último a levantar dúvidas sobre o sistema financeiro". Oh Meu Deus, mas só eu é que acho que este argumento vale para todas as advertências? Só eu é que acho que o Presidente falou precisamente da maior preocupação de 2016: a estabilidade do sistema financeiro, precisamente porque ela pode estar em causa com um governo despesista e a favor das nacionalizações?
O actual Presidente da República mostrou ser o mais responsável do país ao pedir a António Costa, estas garantias:
a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.
Serei a única a achar que as advertências de Cavaco são muito pertinentes?

Estou a ouvir os candidatos a Presidente da República sobre as advertências de Cavaco Silva ao Governo de Costa, e a temer o pior para o que aí vem. Mas todos acharam excessivo?! Excessivo?! Então o argumento do Marcelo é a volta da volta! Diz: "faz menos sentido falar da estabilidade do sistema financeiro que isso é como quem levanta dúvidas sobre a estabilidade do sistema financeiro, e o Presidente da República é o último a levantar dúvidas sobre o sistema financeiro". Oh Meu Deus, mas só eu é que acho que este argumento vale para todas as advertências? Só eu é que acho que o Presidente falou precisamente da maior preocupação de 2016: a estabilidade do sistema financeiro, precisamente porque ela pode estar em causa com um governo despesista e a favor das nacionalizações?
O actual Presidente da República mostrou ser o mais responsável do país ao pedir a António Costa, estas garantias:
a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.
domingo, 22 de novembro de 2015
Fernando Pessoa: Compreendo-te, tu é que não me amas
B. Ah, compreendo-te, compreendo-te.
B. Ah, compreendo-te, compreendo-te. Tu é que me não amas. Amas em mim o teu filho futuro.
A. Não, tu é que me não compreendes, tu não compreendes a mulher. Amo-te e amo em ti o pai do meu filho futuro. São duas cousas que eu amo em ti. Se não tivéssemos filhos eu não deixaria de te amar. Como queres compreender as mulheres se te julgas superior a elas? (...)
B. Ah, mas tu não me amas por uma razão pura. O que tu amas é o lar que eu te darei — eu, o marido, o filho que vier, a casa, o arranjo da casa, a companhia que faremos um ao outro, os amigos que, casal, teremos... (...) Vê como somos diferentes! Tu amas-me porque precisas de mim; eu amo-te porque me não és precisa. Amas-me com amor baixo com que se amam as cousas essenciais, eu amo-te com o alto amor com que se amam as cousas supérfluas.
A. Supérfluas! Que (...) me não podes amar! Ai de ti se eu te amasse como tu julgas (...) e alto. Ai dos homens se nós amássemos assim! O supérfluo é o que se pode deitar fora. Ninguém pensa em levar o supérfluo para o céu... Quando uma mulher ama, o homem que ama [...]
«Diálogo no Jardim do Palácio». Ficção e Teatro. Fernando Pessoa. (Introdução, organização e notas de António Quadros.
Fernando Pessoa: Compreendo-te, tu é que não me amas
B. Ah, compreendo-te, compreendo-te.
B. Ah, compreendo-te, compreendo-te. Tu é que me não amas. Amas em mim o teu filho futuro.
A. Não, tu é que me não compreendes, tu não compreendes a mulher. Amo-te e amo em ti o pai do meu filho futuro. São duas cousas que eu amo em ti. Se não tivéssemos filhos eu não deixaria de te amar. Como queres compreender as mulheres se te julgas superior a elas? (...)
B. Ah, mas tu não me amas por uma razão pura. O que tu amas é o lar que eu te darei — eu, o marido, o filho que vier, a casa, o arranjo da casa, a companhia que faremos um ao outro, os amigos que, casal, teremos... (...) Vê como somos diferentes! Tu amas-me porque precisas de mim; eu amo-te porque me não és precisa. Amas-me com amor baixo com que se amam as cousas essenciais, eu amo-te com o alto amor com que se amam as cousas supérfluas.
A. Supérfluas! Que (...) me não podes amar! Ai de ti se eu te amasse como tu julgas (...) e alto. Ai dos homens se nós amássemos assim! O supérfluo é o que se pode deitar fora. Ninguém pensa em levar o supérfluo para o céu... Quando uma mulher ama, o homem que ama [...]
«Diálogo no Jardim do Palácio». Ficção e Teatro. Fernando Pessoa. (Introdução, organização e notas de António Quadros.
Jung: vemos melhor quando olhamos para dentro de nós
"Your vision will become clear only when you can look into your own heart. " (Like the guy in this work by Salvador Dali) -Carl Jung
Jung: vemos melhor quando olhamos para dentro de nós
"Your vision will become clear only when you can look into your own heart. " (Like the guy in this work by Salvador Dali) -Carl Jung
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Deus perdoa-lhes, que não sabem o que fazem
Hoje no Parlamento votou-se uma lei que não abona a favor das crianças que não têm pais biológicos. Esta é a minha convicção e espero com isso não ofender ninguém, porque não é essa a minha intenção. Mas para quem acredita na realidade como ela é, e na natureza com sua referência, não pode pensar de outra maneira.
Mas estes "pais" da nova era têm muita força, e queriam muito filhos, os filhos de um sonho impossível, portanto as crianças terão de viver nessa realidade, que com toda a certeza ultrapassará aquela que é à imagem e semelhança da realidade biológica. Mas neste mundo quem não tem razão, tem quórum para compensar e o quórum ganha. Vivemos na era da tirania do número.
Prometi não abordar este tema de forma veemente, porque a minha indignação num caso de maioria de parlamento de oposição, não tem qualquer utilidade. Mas não resisto a dizer que amor é uma coisa diferente de "compor um ramalhete", ou "concretizar um sonho impossível". Amor pode bem ser abdicar de um sonho impossível.
Deus perdoa-lhes, que não sabem o que fazem
Hoje no Parlamento votou-se uma lei que não abona a favor das crianças que não têm pais biológicos. Esta é a minha convicção e espero com isso não ofender ninguém, porque não é essa a minha intenção. Mas para quem acredita na realidade como ela é, e na natureza com sua referência, não pode pensar de outra maneira.
Mas estes "pais" da nova era têm muita força, e queriam muito filhos, os filhos de um sonho impossível, portanto as crianças terão de viver nessa realidade, que com toda a certeza ultrapassará aquela que é à imagem e semelhança da realidade biológica. Mas neste mundo quem não tem razão, tem quórum para compensar e o quórum ganha. Vivemos na era da tirania do número.
Prometi não abordar este tema de forma veemente, porque a minha indignação num caso de maioria de parlamento de oposição, não tem qualquer utilidade. Mas não resisto a dizer que amor é uma coisa diferente de "compor um ramalhete", ou "concretizar um sonho impossível". Amor pode bem ser abdicar de um sonho impossível.
Rank Xerox
Costumo seguir o Eurico de Barros (como o João Lopes) como critico de cinema. Desta feita a respeito da sua crítica do “remake” de “O Segredo dos Seus Olhos”, filme argentino de Juan José Campanella vencedor do Óscar de melhor filme estrangeiro.
Não vou falar de um filme que ainda não vi. Na retina tenho esta bela obra prima do cinema argentino. Só lamento que o cinema, e em particular o norte-americano, opte pelo "Rank Xerox", a cópia, à originalidade.
E, já agora, por falar em cinema, estou em pulgas para ver a primeira longa-metragem de João Salaviza, "Montanha".
Rank Xerox
Costumo seguir o Eurico de Barros (como o João Lopes) como critico de cinema. Desta feita a respeito da sua crítica do “remake” de “O Segredo dos Seus Olhos”, filme argentino de Juan José Campanella vencedor do Óscar de melhor filme estrangeiro.
Não vou falar de um filme que ainda não vi. Na retina tenho esta bela obra prima do cinema argentino. Só lamento que o cinema, e em particular o norte-americano, opte pelo "Rank Xerox", a cópia, à originalidade.
E, já agora, por falar em cinema, estou em pulgas para ver a primeira longa-metragem de João Salaviza, "Montanha".
Cães, gatos e o ideal da paz

Os cães não se dão bem com os gatos! Ora, sendo verdade esta imagem parece ser uma utopia. No entanto, não o é. A verdadeira paz não existe, procura-se! Por outro lado, mais do que uma utopia, ela é uma lição, justifica a importância dos diálogos ecuménicos e de sabermos dialogar com o outro.
É o outro que permite a nossa existência. Porque, como escreveu Emmanuel Mounier, filósofo cristão e personalista francês, “o acto de amor é a mais forte certeza do homem, o “cogito” existencial irrefutável".
Tradicionalmente, o termo religião, na sua etimológica, portanto, latina, que dizer religare, ou seja, tendo como objecto religar "o homem a Deus". Porém, como diz um especialista, é "uma ideia bonita...mas sem fundamento. Etimologia falsa, embora cheia de boas intenções".
Como não sou especialista em etimologia, mas parto do principio utópico que as palavras tem, deverão ter, um significado ideal, e olhando novamente para estes arqui-inimigos abraçados, peço a Deus (ou será aos deuses?) que as religiões nos religuem numa paz perpétua, que os acontecimentos da semana passada denegriram.
Cães, gatos e o ideal da paz

Os cães não se dão bem com os gatos! Ora, sendo verdade esta imagem parece ser uma utopia. No entanto, não o é. A verdadeira paz não existe, procura-se! Por outro lado, mais do que uma utopia, ela é uma lição, justifica a importância dos diálogos ecuménicos e de sabermos dialogar com o outro.
É o outro que permite a nossa existência. Porque, como escreveu Emmanuel Mounier, filósofo cristão e personalista francês, “o acto de amor é a mais forte certeza do homem, o “cogito” existencial irrefutável".
Tradicionalmente, o termo religião, na sua etimológica, portanto, latina, que dizer religare, ou seja, tendo como objecto religar "o homem a Deus". Porém, como diz um especialista, é "uma ideia bonita...mas sem fundamento. Etimologia falsa, embora cheia de boas intenções".
Como não sou especialista em etimologia, mas parto do principio utópico que as palavras tem, deverão ter, um significado ideal, e olhando novamente para estes arqui-inimigos abraçados, peço a Deus (ou será aos deuses?) que as religiões nos religuem numa paz perpétua, que os acontecimentos da semana passada denegriram.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
É a religião, estúpido!
O Padre Gonçalo Portocarreo Almada assinou ontem, no Observador, um texto brilhante que o reproduzo. Estou completamente de acordo com ele.
"No rescaldo dos terríveis atentados terroristas verificados na capital francesa na passada sexta-feira, 13 de Novembro, é de supor uma reacção anti-religiosa em França e em todo o mundo livre. Depois de ultrapassada a dor inicial e a profunda indignação por tão abjectos actos, de que há tantas vítimas a deplorar, é provável uma certa relutância pela religião professada pelos terroristas e, em geral, por todas as crenças, enquanto potenciais factores de desestabilização social.
Não seria muito de estranhar que, à pergunta sobre a razão destes atentados, haja quem responda, como se de uma evidência se tratasse:
– É a religião, estúpido!
Sim, há de facto um elemento religioso na génese destes crimes, mas seria superficial e injusto considerar que, em geral, todas as religiões ou, em particular, a islâmica, são de facto incompatíveis com a sociedade democrática e pluralista. As generalizações, que são tão redutoras como sedutoras, são também muito perigosas. Um judeu, que seja assassino, não faz criminoso todo o seu povo, como um árabe terrorista também não converte em homicidas os seus compatriotas.
Aliás, há muitos muçulmanos que não se revêem naquele extremismo, por muito que este se afirme devoto de Alá e do seu profeta. Por maioria de razão, as outras religiões não têm por que ser objecto de suspeição, por muito que nos doa, e certamente dói, que uns terroristas, invocando o santo nome de Deus, tenham morto dezenas de cidadãos franceses, como já antes acontecera em Londres, Madrid e Nova Iorque. Pior ainda foi a terrível matança de duzentas crianças sírias, agora noticiada, com imagens que não é possível ver sem um estremecimento de horror.
Há quem queira aproveitar-se destes gravíssimos acontecimentos para exigir uma sociedade laica e intolerante para com todas as religiões, na medida em que este tipo de agressões pode ocorrer em qualquer parte. É verdade que sempre houve grupos religiosos fundamentalistas, cujas práticas foram, ou são, profundamente perturbadoras da paz. Mas seria fazer o jogo dessas facções reconhecer como autêntica a sua religiosidade que, na realidade, mais não é do que um disfarce para o seu criminoso propósito.
Os movimentos terroristas dos anos 70 – recordem-se as Brigadas Vermelhas e o grupo Baader-Meinhof, por exemplo – também se apresentavam com a pretensa legitimidade de quem age em nome da justiça social, como exércitos revolucionários ao serviço do proletariado. Mas essa fachada mais não era do que o pretexto para uma prática assassina, responsável pela morte de inúmeras vítimas inocentes.
Será que a motivação, essencialmente política, desses movimentos terroristas é suficiente para crer necessariamente conflituosa a intervenção pública dos cidadãos e portanto que, a bem da paz e da segurança dos povos, há que abolir essa participação, ou seja, a democracia?! Foi, de facto, assim que procederam os diversos totalitarismos, quer de direita, como o fascismo e o nazismo, quer de esquerda, como o comunismo. Mas esse seria um remédio pior do que a doença: não se vence o terrorismo com o totalitarismo, mas com mais e melhor democracia. É saudável a diversidade de pontos de vista políticos, desde que não afecte as liberdades, direitos e garantias fundamentais.
Não será exagerado afirmar que o regime democrático pluralista, tal como acontece na quase totalidade dos países europeus, é um legado da matriz cristã da sua cultura. Como disse Bento XVI, no Bundestag, “foi na base da convicção da existência de um Deus criador que se desenvolveu a ideia dos direitos humanos, a ideia da igualdade de todos os homens perante a lei, o conhecimento da inviolabilidade da dignidade humana de cada pessoa e a consciência da responsabilidade dos homens pelo seu agir”. Outros povos, que não tiveram este antecedente cristão, também não têm hoje uma tão arraigada prática democrática, nem uma tão consistente vivência dos direitos fundamentais. Não se combate a agressividade do fundamentalismo religioso com o laicismo, nem muito menos com a abolição das crenças, mas com mais e melhor formação para a liberdade, também religiosa, e para a solidariedade social.
Portanto, se é inegável que o factor religioso está relacionado com algumas manifestações espúrias de violência, também é verdade que, principalmente, inspira uma cultura da liberdade e da responsabilidade cívica, patente em inúmeras instituições de assistência social e de serviço aos mais desfavorecidos. À pergunta sobre a razão de tantos hospitais, tantos asilos e orfanatos, tantas creches, escolas e universidades, tantas leprosarias, dispensários médicos e lares de terceira idade cristãos, há que responder como dizia o outro:
– É a religião, estúpido!"
É a religião, estúpido!
O Padre Gonçalo Portocarreo Almada assinou ontem, no Observador, um texto brilhante que o reproduzo. Estou completamente de acordo com ele.
"No rescaldo dos terríveis atentados terroristas verificados na capital francesa na passada sexta-feira, 13 de Novembro, é de supor uma reacção anti-religiosa em França e em todo o mundo livre. Depois de ultrapassada a dor inicial e a profunda indignação por tão abjectos actos, de que há tantas vítimas a deplorar, é provável uma certa relutância pela religião professada pelos terroristas e, em geral, por todas as crenças, enquanto potenciais factores de desestabilização social.
Não seria muito de estranhar que, à pergunta sobre a razão destes atentados, haja quem responda, como se de uma evidência se tratasse:
– É a religião, estúpido!
Sim, há de facto um elemento religioso na génese destes crimes, mas seria superficial e injusto considerar que, em geral, todas as religiões ou, em particular, a islâmica, são de facto incompatíveis com a sociedade democrática e pluralista. As generalizações, que são tão redutoras como sedutoras, são também muito perigosas. Um judeu, que seja assassino, não faz criminoso todo o seu povo, como um árabe terrorista também não converte em homicidas os seus compatriotas.
Aliás, há muitos muçulmanos que não se revêem naquele extremismo, por muito que este se afirme devoto de Alá e do seu profeta. Por maioria de razão, as outras religiões não têm por que ser objecto de suspeição, por muito que nos doa, e certamente dói, que uns terroristas, invocando o santo nome de Deus, tenham morto dezenas de cidadãos franceses, como já antes acontecera em Londres, Madrid e Nova Iorque. Pior ainda foi a terrível matança de duzentas crianças sírias, agora noticiada, com imagens que não é possível ver sem um estremecimento de horror.
Há quem queira aproveitar-se destes gravíssimos acontecimentos para exigir uma sociedade laica e intolerante para com todas as religiões, na medida em que este tipo de agressões pode ocorrer em qualquer parte. É verdade que sempre houve grupos religiosos fundamentalistas, cujas práticas foram, ou são, profundamente perturbadoras da paz. Mas seria fazer o jogo dessas facções reconhecer como autêntica a sua religiosidade que, na realidade, mais não é do que um disfarce para o seu criminoso propósito.
Os movimentos terroristas dos anos 70 – recordem-se as Brigadas Vermelhas e o grupo Baader-Meinhof, por exemplo – também se apresentavam com a pretensa legitimidade de quem age em nome da justiça social, como exércitos revolucionários ao serviço do proletariado. Mas essa fachada mais não era do que o pretexto para uma prática assassina, responsável pela morte de inúmeras vítimas inocentes.
Será que a motivação, essencialmente política, desses movimentos terroristas é suficiente para crer necessariamente conflituosa a intervenção pública dos cidadãos e portanto que, a bem da paz e da segurança dos povos, há que abolir essa participação, ou seja, a democracia?! Foi, de facto, assim que procederam os diversos totalitarismos, quer de direita, como o fascismo e o nazismo, quer de esquerda, como o comunismo. Mas esse seria um remédio pior do que a doença: não se vence o terrorismo com o totalitarismo, mas com mais e melhor democracia. É saudável a diversidade de pontos de vista políticos, desde que não afecte as liberdades, direitos e garantias fundamentais.
Não será exagerado afirmar que o regime democrático pluralista, tal como acontece na quase totalidade dos países europeus, é um legado da matriz cristã da sua cultura. Como disse Bento XVI, no Bundestag, “foi na base da convicção da existência de um Deus criador que se desenvolveu a ideia dos direitos humanos, a ideia da igualdade de todos os homens perante a lei, o conhecimento da inviolabilidade da dignidade humana de cada pessoa e a consciência da responsabilidade dos homens pelo seu agir”. Outros povos, que não tiveram este antecedente cristão, também não têm hoje uma tão arraigada prática democrática, nem uma tão consistente vivência dos direitos fundamentais. Não se combate a agressividade do fundamentalismo religioso com o laicismo, nem muito menos com a abolição das crenças, mas com mais e melhor formação para a liberdade, também religiosa, e para a solidariedade social.
Portanto, se é inegável que o factor religioso está relacionado com algumas manifestações espúrias de violência, também é verdade que, principalmente, inspira uma cultura da liberdade e da responsabilidade cívica, patente em inúmeras instituições de assistência social e de serviço aos mais desfavorecidos. À pergunta sobre a razão de tantos hospitais, tantos asilos e orfanatos, tantas creches, escolas e universidades, tantas leprosarias, dispensários médicos e lares de terceira idade cristãos, há que responder como dizia o outro:
– É a religião, estúpido!"
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Banqueiros com medo de um Governo de esquerda
A maior prova de que os banqueiros têm medo de um Governo de António Costa é isto: Os banqueiros saíram hoje da reunião com o Presidente da República a dizer o mesmo por outras palavras:
José de Matos, Presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos, considerou hoje que é importante "salvaguardar as condições de estabilidade para o sistema financeiro e estabilidade macroeconómica em geral para o país".
Nuno Amado, Presidente do Millennium BCP, disse hoje estar “bem confiante” de que “um futuro novo governo” irá dar atenção à necessidade de estabilidade para manter a confiança e o investimento. E que "o essencial é cumprir os compromissos mais importantes que o país tem ao nível europeu”.
Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, “Se porventura o doutor António Costa for indigitado para ser o próximo primeiro-ministro eu pessoalmente confio no doutor António Costa e no Partido Socialista de que terão o sentido de responsabilidade necessário para manter o país num caminho de rigor e de garantia de estabilidade no sistema financeiro”.
“Só com rigor nas finanças públicas e estabilidade no sistema financeiro será possível continuar a melhorar de forma gradual e sustentável as condições de vida dos portugueses”.
Eduardo Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, defendeu hoje que “Portugal vai ter que continuar a garantir junto dos mercados internacionais que honra os seus compromissos, que é uma pessoa de bem, e que a trajetória que temos vindo a ter de consolidação de finanças públicas e de melhoria da nossa posição externa se mantém e não é interrompida”
António Vieira Monteiro, Presidente do Santander Totta, defende executivo "forte e estável" e considera necessário cumprir “obrigações internacionais”.
Fernando Faria de Oliveira, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos disse que "todos os portugueses desejarão que o próximo Governo que vier a ser constituído tenha capacidade de ação estratégica, muita lucidez e grande realismo". "É fundamental desde logo criar um clima de confiança e de segurança junto dos cidadãos, junto dos mercados, quer se trate de mercados financeiros, quer de mercados políticos".
Banqueiros com medo de um Governo de esquerda
A maior prova de que os banqueiros têm medo de um Governo de António Costa é isto: Os banqueiros saíram hoje da reunião com o Presidente da República a dizer o mesmo por outras palavras:
José de Matos, Presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos, considerou hoje que é importante "salvaguardar as condições de estabilidade para o sistema financeiro e estabilidade macroeconómica em geral para o país".
Nuno Amado, Presidente do Millennium BCP, disse hoje estar “bem confiante” de que “um futuro novo governo” irá dar atenção à necessidade de estabilidade para manter a confiança e o investimento. E que "o essencial é cumprir os compromissos mais importantes que o país tem ao nível europeu”.
Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, “Se porventura o doutor António Costa for indigitado para ser o próximo primeiro-ministro eu pessoalmente confio no doutor António Costa e no Partido Socialista de que terão o sentido de responsabilidade necessário para manter o país num caminho de rigor e de garantia de estabilidade no sistema financeiro”.
“Só com rigor nas finanças públicas e estabilidade no sistema financeiro será possível continuar a melhorar de forma gradual e sustentável as condições de vida dos portugueses”.
Eduardo Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, defendeu hoje que “Portugal vai ter que continuar a garantir junto dos mercados internacionais que honra os seus compromissos, que é uma pessoa de bem, e que a trajetória que temos vindo a ter de consolidação de finanças públicas e de melhoria da nossa posição externa se mantém e não é interrompida”
António Vieira Monteiro, Presidente do Santander Totta, defende executivo "forte e estável" e considera necessário cumprir “obrigações internacionais”.
Fernando Faria de Oliveira, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos disse que "todos os portugueses desejarão que o próximo Governo que vier a ser constituído tenha capacidade de ação estratégica, muita lucidez e grande realismo". "É fundamental desde logo criar um clima de confiança e de segurança junto dos cidadãos, junto dos mercados, quer se trate de mercados financeiros, quer de mercados políticos".
Ora aí está a estratégia do PS detectada por um economista
Quem não gosta de sentir que há pessoas que vêem o mesmo que nós? Pois é. António Nogueira Leite percebeu que tudo isto tem uma estratégia: o PS vai "dar" o dinheiro que o PSD/CDS amealharam para com isso ganhar eleições. O que distingue do Governo de Sócrates de 2009? Provavelmente nada.
Reparem, o economista António Nogueira Leite disse hoje que um eventual Governo do PS apoiado por BE e PCP trará um “hiato de abundância” sem ter em conta “a falta de capital” da economia portuguesa.
“Como observador, parece-me que é para ganhar eleições”, disse António Nogueira Leite, em Coimbra.
A aplicação do programa de Governo do PS, negociado com Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, “vai fazer muita gente contente nos próximos anos”, admitiu o professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
Bingo!
Ora aí está a estratégia do PS detectada por um economista
Quem não gosta de sentir que há pessoas que vêem o mesmo que nós? Pois é. António Nogueira Leite percebeu que tudo isto tem uma estratégia: o PS vai "dar" o dinheiro que o PSD/CDS amealharam para com isso ganhar eleições. O que distingue do Governo de Sócrates de 2009? Provavelmente nada.
Reparem, o economista António Nogueira Leite disse hoje que um eventual Governo do PS apoiado por BE e PCP trará um “hiato de abundância” sem ter em conta “a falta de capital” da economia portuguesa.
“Como observador, parece-me que é para ganhar eleições”, disse António Nogueira Leite, em Coimbra.
A aplicação do programa de Governo do PS, negociado com Bloco de Esquerda, PCP e Verdes, “vai fazer muita gente contente nos próximos anos”, admitiu o professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
Bingo!
Humor como arma
Quando o jornal satírico francês “Charlie Hebdo” foi brutalmente atacado, no passado mês de Janeiro, as pessoas, tal como eu, mesmo que não gostando do estilo, assumiram-se, por todo o mundo civilizado, como "Je suis Charlie Hebdo!".
O jornal foi abalado mas não morreu. Os fundamentalistas perderam a batalha!
E perante a tragédia da passada sexta-feira, os humoristas franceses - assim como outras publicações francesas em outros registos - mostram o nervo, escrevendo: “Ils ont les armes. On les emmerde. On a le champagne!”
Humor como arma
Quando o jornal satírico francês “Charlie Hebdo” foi brutalmente atacado, no passado mês de Janeiro, as pessoas, tal como eu, mesmo que não gostando do estilo, assumiram-se, por todo o mundo civilizado, como "Je suis Charlie Hebdo!".
O jornal foi abalado mas não morreu. Os fundamentalistas perderam a batalha!
E perante a tragédia da passada sexta-feira, os humoristas franceses - assim como outras publicações francesas em outros registos - mostram o nervo, escrevendo: “Ils ont les armes. On les emmerde. On a le champagne!”
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Uma carta de amor em resposta ao ódio
“You will not have my hatred”
Antoine Leiris, cuja mulher Hélène Muyal, foi assassinada pelo ISIS no Bataclan em Paris, escreveu aos seus assassinos. Ao contrário do que seria esperado não lhe respondeu com ódio, respondeu-lhe com uma coisa que eles, na sua suposta religião, não conseguem perceber, e que os cristãos têm e os distingue dos outros: O AMOR. Nunca o ISIS saberá que DEUS é AMOR. Isso é uma inferioridade daquelas pobres criaturas. O jornalista da rádio francesa France Bleu (que categoria de jornalista) escreveu das cartas mais bonitas que se pode escrever a quem acaba de matar a mulher que ama. Em que diz o seguinte:
“On Friday evening you stole the life of an exceptional person, the love of my life, the mother of my son, but you will not have my hatred.
“I don’t know who you are and I don’t want to know, you are dead souls. If this God for whom you kill blindly made us in his image, every bullet in the body of my wife is a wound in his heart.
“So no, I will not give you the satisfaction of hating you. You want it, but to respond to hatred with anger would be to give in to the same ignorance that made you what you are.”
Deus é Amor! Deus é Vida!
Uma carta de amor em resposta ao ódio
“You will not have my hatred”
Antoine Leiris, cuja mulher Hélène Muyal, foi assassinada pelo ISIS no Bataclan em Paris, escreveu aos seus assassinos. Ao contrário do que seria esperado não lhe respondeu com ódio, respondeu-lhe com uma coisa que eles, na sua suposta religião, não conseguem perceber, e que os cristãos têm e os distingue dos outros: O AMOR. Nunca o ISIS saberá que DEUS é AMOR. Isso é uma inferioridade daquelas pobres criaturas. O jornalista da rádio francesa France Bleu (que categoria de jornalista) escreveu das cartas mais bonitas que se pode escrever a quem acaba de matar a mulher que ama. Em que diz o seguinte:
“On Friday evening you stole the life of an exceptional person, the love of my life, the mother of my son, but you will not have my hatred.
“I don’t know who you are and I don’t want to know, you are dead souls. If this God for whom you kill blindly made us in his image, every bullet in the body of my wife is a wound in his heart.
“So no, I will not give you the satisfaction of hating you. You want it, but to respond to hatred with anger would be to give in to the same ignorance that made you what you are.”
Deus é Amor! Deus é Vida!
Cavaco disse e bem: "Eu estive cinco meses em gestão"
"Eu estive cinco meses em gestão", lembra Cavaco Silva. Espero que seja mesmo um aviso à navegação.
O Presidente da República tentou esta segunda-feira, na Madeira, desdramatizar a actual situação política do país, lembrando que em 1987, enquanto primeiro-ministro, esteve cinco meses à frente de um governo em gestão.
Sinceramente, não sei porque há-de ser pior a gestão corrente do Governo anterior (liderado por Pedro Passos Coelho) do que a gestão precária de um partido minoritário que conta com o ódio à direita como aliado para Governar.
Sinceramente Senhor Presidente da República, decida consoante a sua experiência e não siga as opiniões destes "treinadores de bancada" que a única coisa que fazem é reproduzir opiniões fáceis e clichés. O que sabem eles o que é melhor para o país? Nada. Absolutamente nada.
Cavaco disse e bem: "Eu estive cinco meses em gestão"
"Eu estive cinco meses em gestão", lembra Cavaco Silva. Espero que seja mesmo um aviso à navegação.
O Presidente da República tentou esta segunda-feira, na Madeira, desdramatizar a actual situação política do país, lembrando que em 1987, enquanto primeiro-ministro, esteve cinco meses à frente de um governo em gestão.
Sinceramente, não sei porque há-de ser pior a gestão corrente do Governo anterior (liderado por Pedro Passos Coelho) do que a gestão precária de um partido minoritário que conta com o ódio à direita como aliado para Governar.
Sinceramente Senhor Presidente da República, decida consoante a sua experiência e não siga as opiniões destes "treinadores de bancada" que a única coisa que fazem é reproduzir opiniões fáceis e clichés. O que sabem eles o que é melhor para o país? Nada. Absolutamente nada.
Cozinhados à portuguesa

Há coisas que não se dizem mesmo que sejam verdade! Cavaco Silva só esteve em gestão porque Mário Soares, então eleito Presidente da República, e que queria queimar Victor Constâncio e o seu aqui-inimigo, Ramalho Eanes, não possibilitando um governo maioritário, entre o PS e o PRD, dissolveu a Assembleia da República, abrindo as portas aos sucessivos governos maioritários dos sociais democratas.
Com este reparo, e esta espécie de cozinhado à portuguesa, Cavaco pretende, de duas uma: marinar um coelho, desgastando-o, e fritar o futuro inquilino de Belém, abrindo as portas a uma vitória presidencial da esquerda!
Goste-se ou não, há uma solução contra-natura em São Bento, que no entanto é melhor, em todos os sentidos, para a direita. Como o cozinhado de Costa não dará grande coisa, a coligação ganhará com folgo as futuras eleições legislativas, remetendo a esquerda para um imenso deserto político!
Cozinhados à portuguesa

Há coisas que não se dizem mesmo que sejam verdade! Cavaco Silva só esteve em gestão porque Mário Soares, então eleito Presidente da República, e que queria queimar Victor Constâncio e o seu aqui-inimigo, Ramalho Eanes, não possibilitando um governo maioritário, entre o PS e o PRD, dissolveu a Assembleia da República, abrindo as portas aos sucessivos governos maioritários dos sociais democratas.
Com este reparo, e esta espécie de cozinhado à portuguesa, Cavaco pretende, de duas uma: marinar um coelho, desgastando-o, e fritar o futuro inquilino de Belém, abrindo as portas a uma vitória presidencial da esquerda!
Goste-se ou não, há uma solução contra-natura em São Bento, que no entanto é melhor, em todos os sentidos, para a direita. Como o cozinhado de Costa não dará grande coisa, a coligação ganhará com folgo as futuras eleições legislativas, remetendo a esquerda para um imenso deserto político!
Desnorte
Eu tenho sérios problemas em compreender a direita portuguesa. Tenho mesmo. Não estou com isto a dizer que Rui Rio, pelo seu passado, profissional e, sobretudo, político, não seja um bom candidato presidencial. É bem melhor do que Sampaio da Nóvoa (sem experiência política), Maria de Belém, Henrique Neto - o nosso Dom Quixote - e, claro está, que os invariáveis candidatos da "verdadeira" esquerda: uma eurodeputada e um ex-padre.
No entanto, como animal político, como agente e, principal, especialista em política (e q.b. de intriga), Marcelo Rebelo de Sousa parece ser, para mim, o melhor candidato a Belém. É um homem da direita, mas é sobretudo um homem com margem de manobra no centro, e, portanto, próximo da classe média, ou seja, os votantes que regra geral povoam o espaço habitual aos indecisos e, inclusive, aos abstencionistas.
Neste sentido, e depois de dar o dito pelo não dito, esta notícia preocupa-me, como, uma vez mais, prova que a direita gere mal as suas convicções. Para mim, eles são demasiado conservadores. Ou seja, deverão entender, e muito em particular no contexto sui generis das eleições presidenciais, que para ganharem as suas batalhas é preciso ter vistas largas, ir ao encontro do eleitorado do centro e, em particular, do centro esquerda! A mim só me resta esperar e ver o que dirão as próximas sondagens.... já que, seguramente, servirão de bússola a algumas almas desnorteadas...
Desnorte
Eu tenho sérios problemas em compreender a direita portuguesa. Tenho mesmo. Não estou com isto a dizer que Rui Rio, pelo seu passado, profissional e, sobretudo, político, não seja um bom candidato presidencial. É bem melhor do que Sampaio da Nóvoa (sem experiência política), Maria de Belém, Henrique Neto - o nosso Dom Quixote - e, claro está, que os invariáveis candidatos da "verdadeira" esquerda: uma eurodeputada e um ex-padre.
No entanto, como animal político, como agente e, principal, especialista em política (e q.b. de intriga), Marcelo Rebelo de Sousa parece ser, para mim, o melhor candidato a Belém. É um homem da direita, mas é sobretudo um homem com margem de manobra no centro, e, portanto, próximo da classe média, ou seja, os votantes que regra geral povoam o espaço habitual aos indecisos e, inclusive, aos abstencionistas.
Neste sentido, e depois de dar o dito pelo não dito, esta notícia preocupa-me, como, uma vez mais, prova que a direita gere mal as suas convicções. Para mim, eles são demasiado conservadores. Ou seja, deverão entender, e muito em particular no contexto sui generis das eleições presidenciais, que para ganharem as suas batalhas é preciso ter vistas largas, ir ao encontro do eleitorado do centro e, em particular, do centro esquerda! A mim só me resta esperar e ver o que dirão as próximas sondagens.... já que, seguramente, servirão de bússola a algumas almas desnorteadas...
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Rostos na idade da trevas
Este é o meu rosto solidário com Paris, e com todos que, à mercê dos fundamentalistas islâmicos, perderam a vida na"Cidade Luz"*
Este tipo de terrorismo, ao contrário dos actos terrorista de cariz político, que um pouco por todo o lado, ocorreram na Europa nos anos 70 e 80, veio para ficar!
É uma nova forma de guerra. Daí que estes rostos solidários vieram também para ficar: hoje é a bandeira francesa, um dia será infelizmente a bandeira de outro qualquer país Ocidental... De um ocidente que se mostra completamente incapaz de lidar com as trevas a que eles nos remeteram.
*Este texto merece uma atenta leitura. É interessante procurar saber porque razão a capital francesa é a cidade de eleição para os atentados?
Rostos na idade da trevas
Este é o meu rosto solidário com Paris, e com todos que, à mercê dos fundamentalistas islâmicos, perderam a vida na"Cidade Luz"*
Este tipo de terrorismo, ao contrário dos actos terrorista de cariz político, que um pouco por todo o lado, ocorreram na Europa nos anos 70 e 80, veio para ficar!
É uma nova forma de guerra. Daí que estes rostos solidários vieram também para ficar: hoje é a bandeira francesa, um dia será infelizmente a bandeira de outro qualquer país Ocidental... De um ocidente que se mostra completamente incapaz de lidar com as trevas a que eles nos remeteram.
*Este texto merece uma atenta leitura. É interessante procurar saber porque razão a capital francesa é a cidade de eleição para os atentados?
domingo, 15 de novembro de 2015
Paris vale bem uma missa
Gostava de ver nas televisões de todo o mundo, um missa ao ar livre numa praça de Paris, com os franceses a rezarem em conjunto e em voz alta, pelas vítimas dos atentados de sexta-feira. Imaginem uma praça com velas acesas a ecoar a avé maria. Isso sim seria uma resposta eficaz ao ódio do ISIS.
A ideia de que em cada atentado a fé cristã cresce é lhes fatal.
Uma Avé Maria em francês seria muito mais eficaz do que a Marseillaise, para um grupo de assassinos que faz o que faz em nome da guerra santa. Mas os franceses não parecem perceber isso.
Paris vale bem uma missa
Gostava de ver nas televisões de todo o mundo, um missa ao ar livre numa praça de Paris, com os franceses a rezarem em conjunto e em voz alta, pelas vítimas dos atentados de sexta-feira. Imaginem uma praça com velas acesas a ecoar a avé maria. Isso sim seria uma resposta eficaz ao ódio do ISIS.
A ideia de que em cada atentado a fé cristã cresce é lhes fatal.
Uma Avé Maria em francês seria muito mais eficaz do que a Marseillaise, para um grupo de assassinos que faz o que faz em nome da guerra santa. Mas os franceses não parecem perceber isso.