
quarta-feira, 31 de março de 2010
Jogar xadrez com a morte

Jogar xadrez com a morte

Freud e a luta entre a pulsão da vida contra a pulsão da morte, esta está a ganhar
A cupidez
por MANUEL MARIA CARRILHO
Os estereótipos são aquelas coisas que, com as intenções mais diversas, toda a gente diz sem saber bem o que está a dizer. São eles que frequentemente reduzem personagens extraordinárias a uma simples fórmula, que se cola a um aspecto, a uma faceta da sua vida.
Com Keynes, a fórmula que ficou foi a da associação do seu nome ao intervencionismo do Estado. Não me surpreendeu por isso o espanto de tantos, quando há semanas aqui falei da fortíssima ligação de Keynes com a cultura, tanto no plano da criação como da sua difusão, e que o levou a fundar e dirigir o Arts Council - em acumulação, note-se, com a direcção do Bank of England!
Hoje vou talvez espantar um pouco mais esses leitores, com um outro aspecto da obra de Keynes: o da sua proximidade com a psicanálise e as ideias do seu criador, Sigmund Freud, sobre as quais ele chegou mesmo a escrever.
Em 1930, um ano depois do colapso bolsista, Freud e Keynes editaram dois textos singulares: Freud publica o Mal-estar na Cultura, e Keynes lança As Perspectivas Económicas para os Nossos Netos. São reflexões sobre a evolução da sociedade, num momento que era então de generalizada perplexidade.
Freud expõe a sua visão sombria sobre a evolução do mundo, alicerçada na ideia de que a civilização contém no seu próprio interior, a par com a força (a pulsão, como ele a designa) de vida que lhe deu forma, uma outra força, de natureza autodestruidora, a pulsão de morte. Para Freud, a luta entre elas é, na história da humanidade, tão constante como inconsciente. A novidade é que o resultado dessa luta se tornou cada vez mais favorável às forças autodestrutivas, obsessivamente orientadas para o domínio da natureza e para a acumulação de bens.
A visão que Keynes expõe então era mais optimista do que a de Freud, sobretudo porque a sua opção foi olhar para o longo prazo (para o tempo dos seus netos), apostando que a humanidade conseguiria resolver, como disse, o "problema económico". A utopia keynesiana antecipava então, no prazo de cer- ca de um século, o fim das lutas de classes e dos conflitos entre nações e esboçava um mundo em que a humanidade se libertaria da escassez e das preocupações materiais des-de que se dotasse da "organização adequada" - os economistas, dizia, poderiam mesmo vir a não ter mais relevância do que os dentistas…
Mas, apesar do contraste que decorre destas visões - e que, no essencial, definem uma polarização que continua a alimentar muitas controvérsias actuais -, Freud e Keynes partilharam várias ideias. Uma dessas convergências encontra-se no modo como pensaram o dinheiro, a moeda, na sua ligação com a psicologia individual e a natureza do mercado.
É que a moeda não é para Keynes, ao contrário do que pensavam e pensam muitos economistas, um instrumento neutro destinado a facilitar a troca. Não, a moeda é uma invenção que remete para a dinâmica das pulsões mais inconscientes da humanidade, que interfere com a ansiedade humana (acalmando-a ou intensificando-a), dá um valor ao tempo, despersonaliza as relações sociais, torna a dívida abstracta e permite - como disse G. Simmel - que os homens possam deixar de se olhar nos olhos uns dos outros.
E é na cupidez, no amor irracional do dinheiro, que Keynes vê o motor do capitalismo. E como Freud tinha recorrido a Thanatos para explicar a pulsão de autodestruição, Keynes recorre a Midas para explicar o modo como o dinheiro se pode tornar, de intermediário da troca, na finalidade última da actividade humana: "Auri sacra fames!…"
Na sua Teoria Geral, Keynes fará referência explícita a Freud (e a outros psicanalistas, como Ferenczi e Jones) para sublinhar a pertinência das suas análises sobre a relação do dinheiro com certos episódios do desenvolvimento infantil, uma das mais controversas teses do criador da psicanálise. E mais claro ainda é o modo como subscreve a hipótese freudiana da ligação da civilização à sublimação das pulsões humanas mais básicas. Quadro em que a cupidez lhe aparece como um catalisador fundamental da libido individual, seja no sentido da abstinência e da poupança, seja no da fruição e do consumo.
Claro que estas opções, mais do que individuais, são eminentemente colectivas - e também aqui Keynes se revela um bom leitor de Freud: se a influência social se faz sobretudo por contágio, a imitação sobrepõe-se à racionalidade e o mercado corre amiúde o risco de se enganar. J. Stiglitz não diz hoje outra coisa, quando fala da finança contemporânea.
Freud e a luta entre a pulsão da vida contra a pulsão da morte, esta está a ganhar
A cupidez
por MANUEL MARIA CARRILHO
Os estereótipos são aquelas coisas que, com as intenções mais diversas, toda a gente diz sem saber bem o que está a dizer. São eles que frequentemente reduzem personagens extraordinárias a uma simples fórmula, que se cola a um aspecto, a uma faceta da sua vida.
Com Keynes, a fórmula que ficou foi a da associação do seu nome ao intervencionismo do Estado. Não me surpreendeu por isso o espanto de tantos, quando há semanas aqui falei da fortíssima ligação de Keynes com a cultura, tanto no plano da criação como da sua difusão, e que o levou a fundar e dirigir o Arts Council - em acumulação, note-se, com a direcção do Bank of England!
Hoje vou talvez espantar um pouco mais esses leitores, com um outro aspecto da obra de Keynes: o da sua proximidade com a psicanálise e as ideias do seu criador, Sigmund Freud, sobre as quais ele chegou mesmo a escrever.
Em 1930, um ano depois do colapso bolsista, Freud e Keynes editaram dois textos singulares: Freud publica o Mal-estar na Cultura, e Keynes lança As Perspectivas Económicas para os Nossos Netos. São reflexões sobre a evolução da sociedade, num momento que era então de generalizada perplexidade.
Freud expõe a sua visão sombria sobre a evolução do mundo, alicerçada na ideia de que a civilização contém no seu próprio interior, a par com a força (a pulsão, como ele a designa) de vida que lhe deu forma, uma outra força, de natureza autodestruidora, a pulsão de morte. Para Freud, a luta entre elas é, na história da humanidade, tão constante como inconsciente. A novidade é que o resultado dessa luta se tornou cada vez mais favorável às forças autodestrutivas, obsessivamente orientadas para o domínio da natureza e para a acumulação de bens.
A visão que Keynes expõe então era mais optimista do que a de Freud, sobretudo porque a sua opção foi olhar para o longo prazo (para o tempo dos seus netos), apostando que a humanidade conseguiria resolver, como disse, o "problema económico". A utopia keynesiana antecipava então, no prazo de cer- ca de um século, o fim das lutas de classes e dos conflitos entre nações e esboçava um mundo em que a humanidade se libertaria da escassez e das preocupações materiais des-de que se dotasse da "organização adequada" - os economistas, dizia, poderiam mesmo vir a não ter mais relevância do que os dentistas…
Mas, apesar do contraste que decorre destas visões - e que, no essencial, definem uma polarização que continua a alimentar muitas controvérsias actuais -, Freud e Keynes partilharam várias ideias. Uma dessas convergências encontra-se no modo como pensaram o dinheiro, a moeda, na sua ligação com a psicologia individual e a natureza do mercado.
É que a moeda não é para Keynes, ao contrário do que pensavam e pensam muitos economistas, um instrumento neutro destinado a facilitar a troca. Não, a moeda é uma invenção que remete para a dinâmica das pulsões mais inconscientes da humanidade, que interfere com a ansiedade humana (acalmando-a ou intensificando-a), dá um valor ao tempo, despersonaliza as relações sociais, torna a dívida abstracta e permite - como disse G. Simmel - que os homens possam deixar de se olhar nos olhos uns dos outros.
E é na cupidez, no amor irracional do dinheiro, que Keynes vê o motor do capitalismo. E como Freud tinha recorrido a Thanatos para explicar a pulsão de autodestruição, Keynes recorre a Midas para explicar o modo como o dinheiro se pode tornar, de intermediário da troca, na finalidade última da actividade humana: "Auri sacra fames!…"
Na sua Teoria Geral, Keynes fará referência explícita a Freud (e a outros psicanalistas, como Ferenczi e Jones) para sublinhar a pertinência das suas análises sobre a relação do dinheiro com certos episódios do desenvolvimento infantil, uma das mais controversas teses do criador da psicanálise. E mais claro ainda é o modo como subscreve a hipótese freudiana da ligação da civilização à sublimação das pulsões humanas mais básicas. Quadro em que a cupidez lhe aparece como um catalisador fundamental da libido individual, seja no sentido da abstinência e da poupança, seja no da fruição e do consumo.
Claro que estas opções, mais do que individuais, são eminentemente colectivas - e também aqui Keynes se revela um bom leitor de Freud: se a influência social se faz sobretudo por contágio, a imitação sobrepõe-se à racionalidade e o mercado corre amiúde o risco de se enganar. J. Stiglitz não diz hoje outra coisa, quando fala da finança contemporânea.
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Donde vem o ódio a Bento XVI?

Serve isto para dizer que Bento XVI, sendo um téologo brilhante, um visionário, um filósofo, é mal amado. As suas encíclicas, são verdadeiros tratados filosóficos. Logo na sua primeira carta, Deus Caritas Est, rebate as ideias de Nietzche: "Na crítica ao cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado veneno a beber ao eros, que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício". Vale a pena ler.
Eu quero aqui dizer que Bento XVI não inspira o amor, mas defende-o.
Donde vem o ódio a Bento XVI?
Na primeira encíclica, o Papa escolheu para tema o amor. "« Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele » (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho."
Bento XVI escolhe falar do amor, para precisamente por a tónica da nossa existência na origem do amor: o Amor Homem/Mulher. Aqui está o primeiro grande incómodo de Bento XVI, para um mundo que acha que no ser humano há o direito de se escolher uma orientação sexual, diferente da natural.
No primeiro capitulo, Bento XVI diz;
A UNIDADE DO AMOR
NA CRIAÇÃO
E NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
"Em primeiro lugar, recordemos o vasto campo semântico da palavra «amor»: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam. Surge então a questão: todas estas formas de amor no fim de contas unificam-se sendo o amor, apesar de toda a diversidade das suas manifestações, em última instância um só, ou, ao contrário, utilizamos uma mesma palavra para indicar realidades totalmente diferentes?"
"Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade mas de certa forma impõe-se ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de eros".
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
Noutra encíclica Bento XVI vem falar da criação. Outro incómodo:
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2010
"SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO
O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»[1] e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade.
O papa Bento XVI afirmou que 'salvar' a humanidade do comportamento homossexual ou transsexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento.
«A Igreja também deve proteger o homem da destruição de si mesmo. Um tipo de ecologia humana é necessária», declarou o pontífice no seu discurso na Cúria, a administração central do Vaticano. «As florestas tropicais merecem nossa protecção. E os homens, como criaturas, não merecem nada menos do que isto» diz Bento XVI.
A Igreja Católica diz que, embora a homossexualidade não seja um pecado (uma vez que não é uma escolha), os actos sexuais são.
Grande incómodo. Há que matar o Papa, há que matar a credibilidade do Papa.
Bento XVI vem em Maio a Portugal, país católico, que maioritariamente é contra o casamento homossexual. Desde então não param as notícias sobre os escândalos de pedofilia que existem há muito, lamentavelmente, nas igrejas, católica ou não, e que existem nas famílias, mesmo que sejam ateias. Bento XVI tem o amargo papel de trazer o mal para a ribalta, para o poder aniquilar.
O tema chegou ao celibato sacerdotal, disciplina e não dogma da Igreja. Até certo ponto a vantagem do casamento dos padres católicos pode muito bem estar no facto de afastar dos seminários aqueles que querem fugir ao casamento. Mas não é o facto de se ser sexualmente activo que evita as perversões (a meu ver aqui cabe muita coisa).
Júlio Machado Vaz, a pedofilia e o celibato sacerdotal
Júlio Machado Vaz no programa da Antena 1 "O amor é", a propósito dos casos de pedofilia de alguns padres da Igreja Católica, diz que é um perfeito disparate afirmar que a culpa destes casos de pedofilia radicam no celibato forçado dos padres católicos.
As disfunções sexuais e, em particular, que levam à pedofilia tanto podem acontecer em casados, como em celibatários, referia.
E para ilustrar a sua teoria, deu o exemplo do recente violador de Telheiras que, apesar de ter uma namorada e (tudo o indica) uma vida sexualmente activa, ainda assim, violava outras mulheres.
"Se existisse um sistema de vasos comunicantes, rematava, um homem com uma parceira sexual necessariamente sentir-se-ia sempre satisfeito ao ponto de não cometer excessos em matéria sexual. Mas não é isso que acontece".
"Tenho para mim que os casos de padres pedófilos está, antes, relacionado com pessoas que, na realidade, ou não têm vocação sacerdotal ou se a têm, não interiorizaram suficientemente as obrigações decorrentes dessa vocação".
A Igreja pode responsável ser pela falta de acompanhamento a que vota muitos padres, sobretudo, diocesanos.
Mas não pode o Papa ser acusado de cumplicidade de um crime hediondo, como a pedofilia.
Já agora, a título de exemplo da campanha negra que se faz ao Papa, na edição do Diário de Notícias, há um artigo com este título
"PJ investiga três novos casos de padres católicos"
Quando se começa a ler: "Mas, ao que o DN apurou, em 2007 estiveram indiciados apenas três ministros de culto, sendo um deles o caso do pastor evangélico que agora aguarda julgamento. Os outros dois, um na Guarda e outro no Funchal, que se presumem padres católicos - os dados a que o DN teve acesso apenas referem ministros de culto -, foram arquivados por falta de indícios" PRESUMEM-SE CATÓLICOS?! Mas no título não diz católicos?
Donde vem o ódio a Bento XVI?

Serve isto para dizer que Bento XVI, sendo um téologo brilhante, um visionário, um filósofo, é mal amado. As suas encíclicas, são verdadeiros tratados filosóficos. Logo na sua primeira carta, Deus Caritas Est, rebate as ideias de Nietzche: "Na crítica ao cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado veneno a beber ao eros, que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício". Vale a pena ler.
Eu quero aqui dizer que Bento XVI não inspira o amor, mas defende-o.
Donde vem o ódio a Bento XVI?
Na primeira encíclica, o Papa escolheu para tema o amor. "« Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele » (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho."
Bento XVI escolhe falar do amor, para precisamente por a tónica da nossa existência na origem do amor: o Amor Homem/Mulher. Aqui está o primeiro grande incómodo de Bento XVI, para um mundo que acha que no ser humano há o direito de se escolher uma orientação sexual, diferente da natural.
No primeiro capitulo, Bento XVI diz;
A UNIDADE DO AMOR
NA CRIAÇÃO
E NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
"Em primeiro lugar, recordemos o vasto campo semântico da palavra «amor»: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam. Surge então a questão: todas estas formas de amor no fim de contas unificam-se sendo o amor, apesar de toda a diversidade das suas manifestações, em última instância um só, ou, ao contrário, utilizamos uma mesma palavra para indicar realidades totalmente diferentes?"
"Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade mas de certa forma impõe-se ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de eros".
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
Noutra encíclica Bento XVI vem falar da criação. Outro incómodo:
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2010
"SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO
O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»[1] e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade.
O papa Bento XVI afirmou que 'salvar' a humanidade do comportamento homossexual ou transsexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento.
«A Igreja também deve proteger o homem da destruição de si mesmo. Um tipo de ecologia humana é necessária», declarou o pontífice no seu discurso na Cúria, a administração central do Vaticano. «As florestas tropicais merecem nossa protecção. E os homens, como criaturas, não merecem nada menos do que isto» diz Bento XVI.
A Igreja Católica diz que, embora a homossexualidade não seja um pecado (uma vez que não é uma escolha), os actos sexuais são.
Grande incómodo. Há que matar o Papa, há que matar a credibilidade do Papa.
Bento XVI vem em Maio a Portugal, país católico, que maioritariamente é contra o casamento homossexual. Desde então não param as notícias sobre os escândalos de pedofilia que existem há muito, lamentavelmente, nas igrejas, católica ou não, e que existem nas famílias, mesmo que sejam ateias. Bento XVI tem o amargo papel de trazer o mal para a ribalta, para o poder aniquilar.
O tema chegou ao celibato sacerdotal, disciplina e não dogma da Igreja. Até certo ponto a vantagem do casamento dos padres católicos pode muito bem estar no facto de afastar dos seminários aqueles que querem fugir ao casamento. Mas não é o facto de se ser sexualmente activo que evita as perversões (a meu ver aqui cabe muita coisa).
Júlio Machado Vaz, a pedofilia e o celibato sacerdotal
Júlio Machado Vaz no programa da Antena 1 "O amor é", a propósito dos casos de pedofilia de alguns padres da Igreja Católica, diz que é um perfeito disparate afirmar que a culpa destes casos de pedofilia radicam no celibato forçado dos padres católicos.
As disfunções sexuais e, em particular, que levam à pedofilia tanto podem acontecer em casados, como em celibatários, referia.
E para ilustrar a sua teoria, deu o exemplo do recente violador de Telheiras que, apesar de ter uma namorada e (tudo o indica) uma vida sexualmente activa, ainda assim, violava outras mulheres.
"Se existisse um sistema de vasos comunicantes, rematava, um homem com uma parceira sexual necessariamente sentir-se-ia sempre satisfeito ao ponto de não cometer excessos em matéria sexual. Mas não é isso que acontece".
"Tenho para mim que os casos de padres pedófilos está, antes, relacionado com pessoas que, na realidade, ou não têm vocação sacerdotal ou se a têm, não interiorizaram suficientemente as obrigações decorrentes dessa vocação".
A Igreja pode responsável ser pela falta de acompanhamento a que vota muitos padres, sobretudo, diocesanos.
Mas não pode o Papa ser acusado de cumplicidade de um crime hediondo, como a pedofilia.
Já agora, a título de exemplo da campanha negra que se faz ao Papa, na edição do Diário de Notícias, há um artigo com este título
"PJ investiga três novos casos de padres católicos"
Quando se começa a ler: "Mas, ao que o DN apurou, em 2007 estiveram indiciados apenas três ministros de culto, sendo um deles o caso do pastor evangélico que agora aguarda julgamento. Os outros dois, um na Guarda e outro no Funchal, que se presumem padres católicos - os dados a que o DN teve acesso apenas referem ministros de culto -, foram arquivados por falta de indícios" PRESUMEM-SE CATÓLICOS?! Mas no título não diz católicos?
Donde vem o ódio a Bento XVI?

Serve isto para dizer que Bento XVI, sendo um téologo brilhante, um visionário, um filósofo, é mal amado. As suas encíclicas, são verdadeiros tratados filosóficos. Logo na sua primeira carta, Deus Caritas Est, rebate as ideias de Nietzche: "Na crítica ao cristianismo que se foi desenvolvendo com radicalismo crescente a partir do iluminismo, esta novidade foi avaliada de forma absolutamente negativa. Segundo Friedrich Nietzsche, o cristianismo teria dado veneno a beber ao eros, que, embora não tivesse morrido, daí teria recebido o impulso para degenerar em vício". Vale a pena ler.
Eu quero aqui dizer que Bento XVI não inspira o amor, mas defende-o.
Donde vem o ódio a Bento XVI?
Na primeira encíclica, o Papa escolheu para tema o amor. "« Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele » (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho."
Bento XVI escolhe falar do amor, para precisamente por a tónica da nossa existência na origem do amor: o Amor Homem/Mulher. Aqui está o primeiro grande incómodo de Bento XVI, para um mundo que acha que no ser humano há o direito de se escolher uma orientação sexual, diferente da natural.
No primeiro capitulo, Bento XVI diz;
A UNIDADE DO AMOR
NA CRIAÇÃO
E NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
"Em primeiro lugar, recordemos o vasto campo semântico da palavra «amor»: fala-se de amor da pátria, amor à profissão, amor entre amigos, amor ao trabalho, amor entre pais e filhos, entre irmãos e familiares, amor ao próximo e amor a Deus. Em toda esta gama de significados, porém, o amor entre o homem e a mulher, no qual concorrem indivisivelmente corpo e alma e se abre ao ser humano uma promessa de felicidade que parece irresistível, sobressai como arquétipo de amor por excelência, de tal modo que, comparados com ele, à primeira vista todos os demais tipos de amor se ofuscam. Surge então a questão: todas estas formas de amor no fim de contas unificam-se sendo o amor, apesar de toda a diversidade das suas manifestações, em última instância um só, ou, ao contrário, utilizamos uma mesma palavra para indicar realidades totalmente diferentes?"
"Ao amor entre homem e mulher, que não nasce da inteligência e da vontade mas de certa forma impõe-se ao ser humano, a Grécia antiga deu o nome de eros".
http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html
Noutra encíclica Bento XVI vem falar da criação. Outro incómodo:
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2010
"SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO
O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»[1] e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade.
O papa Bento XVI afirmou que 'salvar' a humanidade do comportamento homossexual ou transsexual é tão importante quanto salvar as florestas do desmatamento.
«A Igreja também deve proteger o homem da destruição de si mesmo. Um tipo de ecologia humana é necessária», declarou o pontífice no seu discurso na Cúria, a administração central do Vaticano. «As florestas tropicais merecem nossa protecção. E os homens, como criaturas, não merecem nada menos do que isto» diz Bento XVI.
A Igreja Católica diz que, embora a homossexualidade não seja um pecado (uma vez que não é uma escolha), os actos sexuais são.
Grande incómodo. Há que matar o Papa, há que matar a credibilidade do Papa.
Bento XVI vem em Maio a Portugal, país católico, que maioritariamente é contra o casamento homossexual. Desde então não param as notícias sobre os escândalos de pedofilia que existem há muito, lamentavelmente, nas igrejas, católica ou não, e que existem nas famílias, mesmo que sejam ateias. Bento XVI tem o amargo papel de trazer o mal para a ribalta, para o poder aniquilar.
O tema chegou ao celibato sacerdotal, disciplina e não dogma da Igreja. Até certo ponto a vantagem do casamento dos padres católicos pode muito bem estar no facto de afastar dos seminários aqueles que querem fugir ao casamento. Mas não é o facto de se ser sexualmente activo que evita as perversões (a meu ver aqui cabe muita coisa).
Júlio Machado Vaz, a pedofilia e o celibato sacerdotal
Júlio Machado Vaz no programa da Antena 1 "O amor é", a propósito dos casos de pedofilia de alguns padres da Igreja Católica, diz que é um perfeito disparate afirmar que a culpa destes casos de pedofilia radicam no celibato forçado dos padres católicos.
As disfunções sexuais e, em particular, que levam à pedofilia tanto podem acontecer em casados, como em celibatários, referia.
E para ilustrar a sua teoria, deu o exemplo do recente violador de Telheiras que, apesar de ter uma namorada e (tudo o indica) uma vida sexualmente activa, ainda assim, violava outras mulheres.
"Se existisse um sistema de vasos comunicantes, rematava, um homem com uma parceira sexual necessariamente sentir-se-ia sempre satisfeito ao ponto de não cometer excessos em matéria sexual. Mas não é isso que acontece".
"Tenho para mim que os casos de padres pedófilos está, antes, relacionado com pessoas que, na realidade, ou não têm vocação sacerdotal ou se a têm, não interiorizaram suficientemente as obrigações decorrentes dessa vocação".
A Igreja pode responsável ser pela falta de acompanhamento a que vota muitos padres, sobretudo, diocesanos.
Mas não pode o Papa ser acusado de cumplicidade de um crime hediondo, como a pedofilia.
Já agora, a título de exemplo da campanha negra que se faz ao Papa, na edição do Diário de Notícias, há um artigo com este título
"PJ investiga três novos casos de padres católicos"
Quando se começa a ler: "Mas, ao que o DN apurou, em 2007 estiveram indiciados apenas três ministros de culto, sendo um deles o caso do pastor evangélico que agora aguarda julgamento. Os outros dois, um na Guarda e outro no Funchal, que se presumem padres católicos - os dados a que o DN teve acesso apenas referem ministros de culto -, foram arquivados por falta de indícios" PRESUMEM-SE CATÓLICOS?! Mas no título não diz católicos?
quinta-feira, 25 de março de 2010
Este blog vai mudar
Voltarei em força, quando tudo estiver concluído.
Obrigada
Maria
Este blog vai mudar
Voltarei em força, quando tudo estiver concluído.
Obrigada
Maria
Este blog vai mudar
Voltarei em força, quando tudo estiver concluído.
Obrigada
Maria
sexta-feira, 19 de março de 2010
A beleza do erro
Agustina in A Ronda da Noite
A beleza é aquilo que mais abate o nosso fingimento.
Agustina in Vale Abraão
Sobre os que se dizem orgulhosamente ateus
Agustina
Insatisfação crónica
A beleza do erro
Agustina in A Ronda da Noite
A beleza é aquilo que mais abate o nosso fingimento.
Agustina in Vale Abraão
A beleza do erro
Agustina in A Ronda da Noite
A beleza é aquilo que mais abate o nosso fingimento.
Agustina in Vale Abraão
Sobre os que se dizem orgulhosamente ateus
Agustina
Sobre os que se dizem orgulhosamente ateus
Agustina
Insatisfação crónica
Insatisfação crónica
domingo, 14 de março de 2010
Uma Outra Educação
Uma Outra Educação
Uma Outra Educação
sexta-feira, 12 de março de 2010
Eu já sabia, mas é sempre bom ver confirmado em estudos
Um estudo da 'London School of Economics and Political Science' revela que um QI elevado deixa os homens mais propensos à monogamia.
Diz o estudo da Universidade britânica que homens com um QI mais alto dão maior importância a valores como a monogamia e a verdade.
"A análise empírica [...] mostra que homens mais inteligentes valorizam mais a monogamia e a exclusividade sexual do que os homens menos inteligentes", afirmou o Dr. Satoshi Kanazawa, responsável pela investigação, ao 'The Guardian'.
O mesmo especialista afirmou também que esta relação entre inteligência e monogamia tem a sua origem na evolução da espécie, tendo em consideração que os seres mais inteligentes são os que têm maior capacidade de adaptação a novos modelos comportamentais.
A monogamia e a fidelidade são valores adquiridos ao longo dos tempos, visto que o homem primitivo era potencialmente promíscuo.
O mesmo estudo, que se centra exclusivamente no género masculino, revela ainda que o ateísmo e o liberalismo são valores mais defendidos entre os homens mais inteligentes.
A pesquisa não revela, contudo, se esta correlação se pode estabelecer também nas mulheres.
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Eu já sabia, mas é sempre bom ver confirmado em estudos
Um estudo da 'London School of Economics and Political Science' revela que um QI elevado deixa os homens mais propensos à monogamia.
Diz o estudo da Universidade britânica que homens com um QI mais alto dão maior importância a valores como a monogamia e a verdade.
"A análise empírica [...] mostra que homens mais inteligentes valorizam mais a monogamia e a exclusividade sexual do que os homens menos inteligentes", afirmou o Dr. Satoshi Kanazawa, responsável pela investigação, ao 'The Guardian'.
O mesmo especialista afirmou também que esta relação entre inteligência e monogamia tem a sua origem na evolução da espécie, tendo em consideração que os seres mais inteligentes são os que têm maior capacidade de adaptação a novos modelos comportamentais.
A monogamia e a fidelidade são valores adquiridos ao longo dos tempos, visto que o homem primitivo era potencialmente promíscuo.
O mesmo estudo, que se centra exclusivamente no género masculino, revela ainda que o ateísmo e o liberalismo são valores mais defendidos entre os homens mais inteligentes.
A pesquisa não revela, contudo, se esta correlação se pode estabelecer também nas mulheres.
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Eu já sabia, mas é sempre bom ver confirmado em estudos
Um estudo da 'London School of Economics and Political Science' revela que um QI elevado deixa os homens mais propensos à monogamia.
Diz o estudo da Universidade britânica que homens com um QI mais alto dão maior importância a valores como a monogamia e a verdade.
"A análise empírica [...] mostra que homens mais inteligentes valorizam mais a monogamia e a exclusividade sexual do que os homens menos inteligentes", afirmou o Dr. Satoshi Kanazawa, responsável pela investigação, ao 'The Guardian'.
O mesmo especialista afirmou também que esta relação entre inteligência e monogamia tem a sua origem na evolução da espécie, tendo em consideração que os seres mais inteligentes são os que têm maior capacidade de adaptação a novos modelos comportamentais.
A monogamia e a fidelidade são valores adquiridos ao longo dos tempos, visto que o homem primitivo era potencialmente promíscuo.
O mesmo estudo, que se centra exclusivamente no género masculino, revela ainda que o ateísmo e o liberalismo são valores mais defendidos entre os homens mais inteligentes.
A pesquisa não revela, contudo, se esta correlação se pode estabelecer também nas mulheres.
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quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
O que é uma pressão?
Mas também é verdade que o problema não está na tentativa de pressão, mas sim na eficácia dessas tentativas, ou seja na cedência a pressões. É verdade, mas só até certo ponto. Também é verdade que quem diz isso quer obviamente pôr o ónus da culpa nos jornalista.
E isso parece que é assim, parece, mas não é.
Não são só os telefonemas directos do primeiro ministro, ou não são de todo esses telefonemas, se os jornalistas, e em particular os Directores, não cederem 'em toda a linha editorial'.
O que pressiona é a mudança de propriedade. De repente um canal de televisão, um jornal, etc, é comprado por partes relacionadas com o Governo, ou com outro qualquer protagonista de poder, não importa qual, e os jornalistas sentem que já não podem escrever livremente sobre um determinado assunto, sob o perigo de ficarem sem emprego. Não são os telefonemas, é a possibilidade de se ficar sem emprego se se continuar a investigar um determinado assunto, que pressiona. É por isso que é preciso uma autoridade com poderes reais para defender os jornalistas, incluindo, e assim for preciso, do próprio canal de televisão ou jornal onde trabalha. Só assim se garante a liberdade de imprensa num país que é curto em capacidade financeira para ser independente do poder.
É também importante dizer que Portugal é um país de 'cunhas', sem elas é impossível existir aqui, pelo que há poderes invisíveis que pressionam. São aquelas teias de relações que não estão instituídas formalmente e que de repente se fazem sentir. Essas nunca vão ser provadas, nem demonstradas em comissões de ética.
Há ainda outra forma de asfixia democrática, esta mais difícil de contornar. Estou a falar na ditadura do pensamento único, que é legitimado pela imprensa. A própria imprensa contribui para a asfixia democrática, ao condenar, ridicularizando, as ideias que não coincidem com as que querem instituir na opinião pública. A imprensa contribui para a formação de mentalidades, e não abdica desse papel, e aí não gosta do contraditório. É nas ideias feitas, que não podem ser rebatidas, que está também a asfixia democrática. A ridicularização de quem pensa de maneira diferente, para calar opiniões dissonantes é um método muito socrático, diria eu, mas deste Sócrates que temos cá por casa, não do outro, da antiga Grécia. Porque esse defendia precisamente que não déssemos por certo nenhum conceito, nem nenhuma certeza, pois só assim poderíamos chegar ao conhecimento .
Para finalizar quero dizer que sou jornalista de economia, sempre escrevi notícias incómodas. Comecei como jornalista no O Independente, que era um jornal incómodo. Lá escrevi uma notícia sobre uma construtora, que pôs a nú a sua realidade financeira, e que levou à falência da empresa, estou a falar da Somec.
Escrevi, já no Semanário Económico, sobre a Portugal Telecom (raramente o que escrevi agradou à empresa); escrevi notícias que não agradaram ao BCP de Jardim Gonçalves, ao BES, à EDP, and so on. Fui sempre pressionada, mas nunca tive medo das pressões. Nunca deixei de respeitar as pessoas/empresas sobre quem escrevi, nem eles a mim.
Finalmente, escrevi um livro sobre a crise do BCP, e recusei-me a alinhar pela opinião dominante. Fui fortemente criticada, a começar pela pessoa que convidei para apresentar o meu livro. Sofri as pressões das críticas que vinham de todos os lados, desde os reguladores, dos amigos, dos jornalistas, dos envolvidos na história. Arrisquei a escrever um romance sobre histórias contemporâneas, fazendo retratos de carácter de pessoas vivas. Fui criticada por o fazer, e só as vozes da crítica se calaram quando viram que o livro escorregava bem e tinha sucesso. E que afinal não ofendia ninguém. Nunca fraquejei.
Mas acho que nunca como hoje se sente tanto pudor na escrita, tanta contenção nas palavras usadas. Basta ler os jornais para sentir a "auto-censura". Nunca como hoje sinto que qualquer passo em falso pode ter um preço.
Hoje dou por mim a ter medo dos telefones poderem estar a ser escutados. Não mando mails que possam comprometer pessoas (desde que vi a baixaria do DN publicar um mail de um jornal concorrente, a divulgar a fonte de um jornal concorrente, em vésperas de eleições, e ainda por cima a ser elogiado por uma parte dos jornalistas, isso condicionou a minha liberdade de confiança)
A única coisa que ainda faço, e temo que não seja por muito tempo, é escrever a opinião em blogs e nas redes sociais,. E mesmo aí sinto as pressões do "politicamente correcto" que não admite desalinhados.
O que é uma pressão?
Mas também é verdade que o problema não está na tentativa de pressão, mas sim na eficácia dessas tentativas, ou seja na cedência a pressões. É verdade, mas só até certo ponto. Também é verdade que quem diz isso quer obviamente pôr o ónus da culpa nos jornalista.
E isso parece que é assim, parece, mas não é.
Não são só os telefonemas directos do primeiro ministro, ou não são de todo esses telefonemas, se os jornalistas, e em particular os Directores, não cederem 'em toda a linha editorial'.
O que pressiona é a mudança de propriedade. De repente um canal de televisão, um jornal, etc, é comprado por partes relacionadas com o Governo, ou com outro qualquer protagonista de poder, não importa qual, e os jornalistas sentem que já não podem escrever livremente sobre um determinado assunto, sob o perigo de ficarem sem emprego. Não são os telefonemas, é a possibilidade de se ficar sem emprego se se continuar a investigar um determinado assunto, que pressiona. É por isso que é preciso uma autoridade com poderes reais para defender os jornalistas, incluindo, e assim for preciso, do próprio canal de televisão ou jornal onde trabalha. Só assim se garante a liberdade de imprensa num país que é curto em capacidade financeira para ser independente do poder.
É também importante dizer que Portugal é um país de 'cunhas', sem elas é impossível existir aqui, pelo que há poderes invisíveis que pressionam. São aquelas teias de relações que não estão instituídas formalmente e que de repente se fazem sentir. Essas nunca vão ser provadas, nem demonstradas em comissões de ética.
Há ainda outra forma de asfixia democrática, esta mais difícil de contornar. Estou a falar na ditadura do pensamento único, que é legitimado pela imprensa. A própria imprensa contribui para a asfixia democrática, ao condenar, ridicularizando, as ideias que não coincidem com as que querem instituir na opinião pública. A imprensa contribui para a formação de mentalidades, e não abdica desse papel, e aí não gosta do contraditório. É nas ideias feitas, que não podem ser rebatidas, que está também a asfixia democrática. A ridicularização de quem pensa de maneira diferente, para calar opiniões dissonantes é um método muito socrático, diria eu, mas deste Sócrates que temos cá por casa, não do outro, da antiga Grécia. Porque esse defendia precisamente que não déssemos por certo nenhum conceito, nem nenhuma certeza, pois só assim poderíamos chegar ao conhecimento .
Para finalizar quero dizer que sou jornalista de economia, sempre escrevi notícias incómodas. Comecei como jornalista no O Independente, que era um jornal incómodo. Lá escrevi uma notícia sobre uma construtora, que pôs a nú a sua realidade financeira, e que levou à falência da empresa, estou a falar da Somec.
Escrevi, já no Semanário Económico, sobre a Portugal Telecom (raramente o que escrevi agradou à empresa); escrevi notícias que não agradaram ao BCP de Jardim Gonçalves, ao BES, à EDP, and so on. Fui sempre pressionada, mas nunca tive medo das pressões. Nunca deixei de respeitar as pessoas/empresas sobre quem escrevi, nem eles a mim.
Finalmente, escrevi um livro sobre a crise do BCP, e recusei-me a alinhar pela opinião dominante. Fui fortemente criticada, a começar pela pessoa que convidei para apresentar o meu livro. Sofri as pressões das críticas que vinham de todos os lados, desde os reguladores, dos amigos, dos jornalistas, dos envolvidos na história. Arrisquei a escrever um romance sobre histórias contemporâneas, fazendo retratos de carácter de pessoas vivas. Fui criticada por o fazer, e só as vozes da crítica se calaram quando viram que o livro escorregava bem e tinha sucesso. E que afinal não ofendia ninguém. Nunca fraquejei.
Mas acho que nunca como hoje se sente tanto pudor na escrita, tanta contenção nas palavras usadas. Basta ler os jornais para sentir a "auto-censura". Nunca como hoje sinto que qualquer passo em falso pode ter um preço.
Hoje dou por mim a ter medo dos telefones poderem estar a ser escutados. Não mando mails que possam comprometer pessoas (desde que vi a baixaria do DN publicar um mail de um jornal concorrente, a divulgar a fonte de um jornal concorrente, em vésperas de eleições, e ainda por cima a ser elogiado por uma parte dos jornalistas, isso condicionou a minha liberdade de confiança)
A única coisa que ainda faço, e temo que não seja por muito tempo, é escrever a opinião em blogs e nas redes sociais,. E mesmo aí sinto as pressões do "politicamente correcto" que não admite desalinhados.
O que é uma pressão?
Mas também é verdade que o problema não está na tentativa de pressão, mas sim na eficácia dessas tentativas, ou seja na cedência a pressões. É verdade, mas só até certo ponto. Também é verdade que quem diz isso quer obviamente pôr o ónus da culpa nos jornalista.
E isso parece que é assim, parece, mas não é.
Não são só os telefonemas directos do primeiro ministro, ou não são de todo esses telefonemas, se os jornalistas, e em particular os Directores, não cederem 'em toda a linha editorial'.
O que pressiona é a mudança de propriedade. De repente um canal de televisão, um jornal, etc, é comprado por partes relacionadas com o Governo, ou com outro qualquer protagonista de poder, não importa qual, e os jornalistas sentem que já não podem escrever livremente sobre um determinado assunto, sob o perigo de ficarem sem emprego. Não são os telefonemas, é a possibilidade de se ficar sem emprego se se continuar a investigar um determinado assunto, que pressiona. É por isso que é preciso uma autoridade com poderes reais para defender os jornalistas, incluindo, e assim for preciso, do próprio canal de televisão ou jornal onde trabalha. Só assim se garante a liberdade de imprensa num país que é curto em capacidade financeira para ser independente do poder.
É também importante dizer que Portugal é um país de 'cunhas', sem elas é impossível existir aqui, pelo que há poderes invisíveis que pressionam. São aquelas teias de relações que não estão instituídas formalmente e que de repente se fazem sentir. Essas nunca vão ser provadas, nem demonstradas em comissões de ética.
Há ainda outra forma de asfixia democrática, esta mais difícil de contornar. Estou a falar na ditadura do pensamento único, que é legitimado pela imprensa. A própria imprensa contribui para a asfixia democrática, ao condenar, ridicularizando, as ideias que não coincidem com as que querem instituir na opinião pública. A imprensa contribui para a formação de mentalidades, e não abdica desse papel, e aí não gosta do contraditório. É nas ideias feitas, que não podem ser rebatidas, que está também a asfixia democrática. A ridicularização de quem pensa de maneira diferente, para calar opiniões dissonantes é um método muito socrático, diria eu, mas deste Sócrates que temos cá por casa, não do outro, da antiga Grécia. Porque esse defendia precisamente que não déssemos por certo nenhum conceito, nem nenhuma certeza, pois só assim poderíamos chegar ao conhecimento .
Para finalizar quero dizer que sou jornalista de economia, sempre escrevi notícias incómodas. Comecei como jornalista no O Independente, que era um jornal incómodo. Lá escrevi uma notícia sobre uma construtora, que pôs a nú a sua realidade financeira, e que levou à falência da empresa, estou a falar da Somec.
Escrevi, já no Semanário Económico, sobre a Portugal Telecom (raramente o que escrevi agradou à empresa); escrevi notícias que não agradaram ao BCP de Jardim Gonçalves, ao BES, à EDP, and so on. Fui sempre pressionada, mas nunca tive medo das pressões. Nunca deixei de respeitar as pessoas/empresas sobre quem escrevi, nem eles a mim.
Finalmente, escrevi um livro sobre a crise do BCP, e recusei-me a alinhar pela opinião dominante. Fui fortemente criticada, a começar pela pessoa que convidei para apresentar o meu livro. Sofri as pressões das críticas que vinham de todos os lados, desde os reguladores, dos amigos, dos jornalistas, dos envolvidos na história. Arrisquei a escrever um romance sobre histórias contemporâneas, fazendo retratos de carácter de pessoas vivas. Fui criticada por o fazer, e só as vozes da crítica se calaram quando viram que o livro escorregava bem e tinha sucesso. E que afinal não ofendia ninguém. Nunca fraquejei.
Mas acho que nunca como hoje se sente tanto pudor na escrita, tanta contenção nas palavras usadas. Basta ler os jornais para sentir a "auto-censura". Nunca como hoje sinto que qualquer passo em falso pode ter um preço.
Hoje dou por mim a ter medo dos telefones poderem estar a ser escutados. Não mando mails que possam comprometer pessoas (desde que vi a baixaria do DN publicar um mail de um jornal concorrente, a divulgar a fonte de um jornal concorrente, em vésperas de eleições, e ainda por cima a ser elogiado por uma parte dos jornalistas, isso condicionou a minha liberdade de confiança)
A única coisa que ainda faço, e temo que não seja por muito tempo, é escrever a opinião em blogs e nas redes sociais,. E mesmo aí sinto as pressões do "politicamente correcto" que não admite desalinhados.
terça-feira, 9 de março de 2010
Câmara Clara
Cuidado com as palavras, as palavras criam realidades, diz Mário Simões psiquiatra
Hoje a gula é mais mal vista do que a homossexualidade.idem
Há memórias que herdamos de coisas que não vivemos (foram vividas antes de nós) e há memórias que temos de quando ainda nem tinhamos os mecanismos da memória desenvolvida. idem
Mário Simões é Psiquiatra; Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa; Presidente do Conselho Consultivo da ALUBRAT em Portugal; Autor na área dos Estados Modificados de Consciência.
Câmara Clara
Interessante programa do canal 2 de Paula Moura Pinheiro:
Cuidado com as palavras, as palavras criam realidades, diz Mário Simões psiquiatra
Hoje a gula é mais mal vista do que a homossexualidade.idem
Há memórias que herdamos de coisas que não vivemos (foram vividas antes de nós) e há memórias que temos de quando ainda nem tínhamos os mecanismos da memória desenvolvida. idem
Mário Simões é Psiquiatra; Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa; Presidente do Conselho Consultivo da ALUBRAT em Portugal; Autor na área dos Estados Modificados de Consciência.
Câmara Clara
Interessante programa do canal 2 de Paula Moura Pinheiro:
Cuidado com as palavras, as palavras criam realidades, diz Mário Simões psiquiatra
Hoje a gula é mais mal vista do que a homossexualidade.idem
Há memórias que herdamos de coisas que não vivemos (foram vividas antes de nós) e há memórias que temos de quando ainda nem tínhamos os mecanismos da memória desenvolvida. idem
Mário Simões é Psiquiatra; Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa; Presidente do Conselho Consultivo da ALUBRAT em Portugal; Autor na área dos Estados Modificados de Consciência.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Marketing directo, não, marketing óbvio

Luís Pacheco de Melo; Carlos Alves Duarte; Manuel Rosa da Silva e Shakhaf Wine.
Marketing directo, não, marketing óbvio

Luís Pacheco de Melo; Carlos Alves Duarte; Manuel Rosa da Silva e Shakhaf Wine.
Marketing directo, não, marketing óbvio

Luís Pacheco de Melo; Carlos Alves Duarte; Manuel Rosa da Silva e Shakhaf Wine.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Quem mandou comprar a TVI?
Bem... só se pode concluir que Rui Pedro Soares e Henrique Granadeiro (chairman da PT, que disse ter avisado o PM da compra da TVI, um dia antes de o PM ter desmentido que sabia) queriam comprar a TVI, sem ninguém saber. Era um presente-surpresa!
Quem mandou comprar a TVI?
Bem... só se pode concluir que Rui Pedro Soares e Henrique Granadeiro (chairman da PT, que disse ter avisado o PM da compra da TVI, um dia antes de o PM ter desmentido que sabia) queriam comprar a TVI, sem ninguém saber. Era um presente-surpresa!
Quem mandou comprar a TVI?
Bem... só se pode concluir que Rui Pedro Soares e Henrique Granadeiro (chairman da PT, que disse ter avisado o PM da compra da TVI, um dia antes de o PM ter desmentido que sabia) queriam comprar a TVI, sem ninguém saber. Era um presente-surpresa!
quarta-feira, 3 de março de 2010
A idade da inocência e o respeito pela bondade
Agustina sobre o seu marido, que conheceu por anúncio.
Ora aí está...
A idade da inocência e o respeito pela bondade
Agustina sobre o seu marido, que conheceu por anúncio.
A idade da inocência e o respeito pela bondade
Agustina sobre o seu marido, que conheceu por anúncio.
Ora aí está...
Ora aí está...
terça-feira, 2 de março de 2010
A sabedoria torna todas as ideias permanentemente actuais
Agustina
A sabedoria torna todas as ideias permanentemente actuais
Agustina





