domingo, 26 de fevereiro de 2017

Óscares

Cinema é La la Land. Os outros são sobretudo filmes de causas (Moonlight, Vedações, Elementos Secretos) políticas.

Óscares

Cinema é La la Land. Os outros são sobretudo filmes de causas (Moonlight, Vedações, Elementos Secretos) políticas.

Muito bom este artigo do João Miguel Tavares (Centeno escolhe Louçã para Banco de Portugal)

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O ministro das Finanças, Mário Centeno, propôs Francisco Louçã, Francisco Murteira Nabo, João Talone e Luis Nazaré para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal, foi a notícia da semana passada.


Vale a pena reproduzir aqui o artigo de opinião do João Miguel Tavares, sobre a nomeação de Francisco Louçã para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal.


As aventuras de Louçã no Banco de Portugal


Este é só mais um exemplo de que neste país vale tudo, porque ninguém leva realmente a sério coisa nenhuma.Não sei se é Francisco Louçã que está mais capitalista, se é o Banco de Portugal que está mais revolucionário, mas esta sua nomeação para o Conselho Consultivo do banco central português parece uma partida de Carnaval. Após o comunicado do Conselho de Ministros declarar que a nomeação de Louçã se justifica pela sua “reconhecida competência em matérias económico-financeiras e empresariais” estava à espera, a todo o momento, que a ministra da Presidência saltasse de trás de uma cortina vestida de índio, com uma pistola de estalidos, a ulular: “Era no gozo! Esqueçam lá isso do Louçã!” Mas não. Parece que é mesmo a sério.


Desculpem. Se o trotskista Francisco Louçã foi nomeado para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal eu exijo ser duplamente nomeado para a Comissão Política do Bloco de Esquerda e para o Comité Central do PCP. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa encontram o meu mail no final deste texto. É só indicarem os dias e as horas das reuniões, que eu apareço lá com uns livros de Milton Friedman e John Stuart Mill. Tal como Louçã, dispenso remuneração. É mesmo só pelo divertimento e pelo prazer em apresentar “opiniões fora da ortodoxia”, que foi a justificação que Francisco Louçã deu ao Diário de Notícias para a sua nomeação.


Às tantas o Banco de Portugal agora é a Assembleia da República, e tem de ter representação das várias sensibilidades parlamentares. Seria uma boa notícia para o senhor do Partido dos Animais, mas uma péssima notícia para o país. O Banco de Portugal faz parte do Eurosistema, e o Eurosistema tem como objectivo primordial definir e executar a política monetária do euro. Para quem tem falta de memória, recordo que a opinião de Francisco Louçã sobre o euro é esta: “O euro é destruidor de Portugal.” E esta: “É preciso pensar na saída do euro.” E esta: “O euro não tem salvação.” Ora, receio bem que isto não seja propriamente fugir à “ortodoxia”. Isto é simplesmente não acreditar na missão fundamental do banco que tem o dever de aconselhar. Faz tanto sentido quanto um vegetariano comer todos os dias um bitoque ao almoço para fugir à “ortodoxia”. Um homossexual dormir exclusivamente com mulheres para fugir à “ortodoxia”. Ou o papa Francisco passar a aconselhar o ayatollah Khamenei para fugir à “ortodoxia”.


Já vi gente criticar a nomeação de Louçã pelo facto de ele não ter, ao contrário do que se diz no comunicado do governo, qualquer “competência em matérias empresariais”. É verdade que não tem, mas esse está longo de ser o principal problema. O problema, minhas senhoras e meus senhores, é que Francisco Louçã não acredita no capitalismo. Está no seu inteiro direito, como é óbvio, mas não acredita. E acreditar no capitalismo deveria ser o mínimo dos mínimos para aconselhar o Banco de Portugal. Eu sei que muitos olham para o Bloco e para o PCP como uns partidos cheios de boas intenções e nenhumas consequências práticas. Mas eles têm princípios e objectivos políticos. Leiam os estatutos do Bloco, se faz favor. Está logo no artigo 1º: “O Bloco de Esquerda é um movimento político de cidadãs e cidadãos que (…) se comprometem (…) com a busca de alternativas ao capitalismo.” Francisco Louçã entregou o cartão de sócio da agremiação e não avisou ninguém? Converteu-se ao capitalismo e não sabemos? Ou este é só mais um exemplo de que neste país vale tudo, porque ninguém leva realmente a sério coisa nenhuma? Eu voto nesta última hipótese.


 


O sonho da esquerda é virar capitalista

Muito bom este artigo do João Miguel Tavares (Centeno escolhe Louçã para Banco de Portugal)

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O ministro das Finanças, Mário Centeno, propôs Francisco Louçã, Francisco Murteira Nabo, João Talone e Luis Nazaré para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal, foi a notícia da semana passada.


Vale a pena reproduzir aqui o artigo de opinião do João Miguel Tavares, sobre a nomeação de Francisco Louçã para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal.


As aventuras de Louçã no Banco de Portugal


Este é só mais um exemplo de que neste país vale tudo, porque ninguém leva realmente a sério coisa nenhuma.Não sei se é Francisco Louçã que está mais capitalista, se é o Banco de Portugal que está mais revolucionário, mas esta sua nomeação para o Conselho Consultivo do banco central português parece uma partida de Carnaval. Após o comunicado do Conselho de Ministros declarar que a nomeação de Louçã se justifica pela sua “reconhecida competência em matérias económico-financeiras e empresariais” estava à espera, a todo o momento, que a ministra da Presidência saltasse de trás de uma cortina vestida de índio, com uma pistola de estalidos, a ulular: “Era no gozo! Esqueçam lá isso do Louçã!” Mas não. Parece que é mesmo a sério.


Desculpem. Se o trotskista Francisco Louçã foi nomeado para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal eu exijo ser duplamente nomeado para a Comissão Política do Bloco de Esquerda e para o Comité Central do PCP. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa encontram o meu mail no final deste texto. É só indicarem os dias e as horas das reuniões, que eu apareço lá com uns livros de Milton Friedman e John Stuart Mill. Tal como Louçã, dispenso remuneração. É mesmo só pelo divertimento e pelo prazer em apresentar “opiniões fora da ortodoxia”, que foi a justificação que Francisco Louçã deu ao Diário de Notícias para a sua nomeação.


Às tantas o Banco de Portugal agora é a Assembleia da República, e tem de ter representação das várias sensibilidades parlamentares. Seria uma boa notícia para o senhor do Partido dos Animais, mas uma péssima notícia para o país. O Banco de Portugal faz parte do Eurosistema, e o Eurosistema tem como objectivo primordial definir e executar a política monetária do euro. Para quem tem falta de memória, recordo que a opinião de Francisco Louçã sobre o euro é esta: “O euro é destruidor de Portugal.” E esta: “É preciso pensar na saída do euro.” E esta: “O euro não tem salvação.” Ora, receio bem que isto não seja propriamente fugir à “ortodoxia”. Isto é simplesmente não acreditar na missão fundamental do banco que tem o dever de aconselhar. Faz tanto sentido quanto um vegetariano comer todos os dias um bitoque ao almoço para fugir à “ortodoxia”. Um homossexual dormir exclusivamente com mulheres para fugir à “ortodoxia”. Ou o papa Francisco passar a aconselhar o ayatollah Khamenei para fugir à “ortodoxia”.


Já vi gente criticar a nomeação de Louçã pelo facto de ele não ter, ao contrário do que se diz no comunicado do governo, qualquer “competência em matérias empresariais”. É verdade que não tem, mas esse está longo de ser o principal problema. O problema, minhas senhoras e meus senhores, é que Francisco Louçã não acredita no capitalismo. Está no seu inteiro direito, como é óbvio, mas não acredita. E acreditar no capitalismo deveria ser o mínimo dos mínimos para aconselhar o Banco de Portugal. Eu sei que muitos olham para o Bloco e para o PCP como uns partidos cheios de boas intenções e nenhumas consequências práticas. Mas eles têm princípios e objectivos políticos. Leiam os estatutos do Bloco, se faz favor. Está logo no artigo 1º: “O Bloco de Esquerda é um movimento político de cidadãs e cidadãos que (…) se comprometem (…) com a busca de alternativas ao capitalismo.” Francisco Louçã entregou o cartão de sócio da agremiação e não avisou ninguém? Converteu-se ao capitalismo e não sabemos? Ou este é só mais um exemplo de que neste país vale tudo, porque ninguém leva realmente a sério coisa nenhuma? Eu voto nesta última hipótese.


 


O sonho da esquerda é virar capitalista

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Um grande filme


 


Ontem vi o último filme de Denzel Washington, Fences (Vedações, em português). É a adaptação de uma peça de teatro de  August Wilson datada de 1987, tendo vencido então o Pulitzer do Teatro.


 


Gostei muito deste filme. Gostei do argumento e em especial a análise fria, dura sobre as relações humanas onde muitas vezes criamos barreiras (vedações) que nos afasta, e nos torna solitários.


Com um elenco particularmente reduzido destaco em particular o desempenho de Viola Davis. Uma verdadeira diva!


Este "Vedações" está longe de ser uma obra prima, mas que me convenceu, lá isso convenceu!


 


 

Um grande filme


 


Ontem vi o último filme de Denzel Washington, Fences (Vedações, em português). É a adaptação de uma peça de teatro de  August Wilson datada de 1987, tendo vencido então o Pulitzer do Teatro.


 


Gostei muito deste filme. Gostei do argumento e em especial a análise fria, dura sobre as relações humanas onde muitas vezes criamos barreiras (vedações) que nos afasta, e nos torna solitários.


Com um elenco particularmente reduzido destaco em particular o desempenho de Viola Davis. Uma verdadeira diva!


Este "Vedações" está longe de ser uma obra prima, mas que me convenceu, lá isso convenceu!


 


 

Razzie Award ou o outro lado do cinema!


Porque o cinema tem dois lados fiquem com este. São os piores filmes do ano. São os Razzie Award!

Razzie Award ou o outro lado do cinema!


Porque o cinema tem dois lados fiquem com este. São os piores filmes do ano. São os Razzie Award!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Não se assustem. As offshores dos 10 mil milhões de euros não trazem perdas para o Estado

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Foi o anterior Governo, com Paulo Núncio a Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que estipulou que o prazo de caducidade para a liquidação de imposto em atraso, que é de 4 anos no geral, tenha passado para 12 anos desde que uma offshore esteja envolvida. Portanto sobra tempo para cobrar impostos se for esse o caso no tratamento das 20 declarações das transferências das offshore. 


Como é que se faz essas declarações? É preciso preencher o modelo 38. Normalmente a entrega às Finanças dessas declarações é posterior à realização das transferências para as offshore, e essas declarações foram enviadas, só não foram tratadas as 20 declarações. Tratamento significa cruzar dados para saber se essas transferências tinham um propósito ilícito, ou origem de fundos ilícito.


Mas não há prejuízo irremediável para o Estado. 

Não se assustem. As offshores dos 10 mil milhões de euros não trazem perdas para o Estado

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Foi o anterior Governo, com Paulo Núncio a Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que estipulou que o prazo de caducidade para a liquidação de imposto em atraso, que é de 4 anos no geral, tenha passado para 12 anos desde que uma offshore esteja envolvida. Portanto sobra tempo para cobrar impostos se for esse o caso no tratamento das 20 declarações das transferências das offshore. 


Como é que se faz essas declarações? É preciso preencher o modelo 38. Normalmente a entrega às Finanças dessas declarações é posterior à realização das transferências para as offshore, e essas declarações foram enviadas, só não foram tratadas as 20 declarações. Tratamento significa cruzar dados para saber se essas transferências tinham um propósito ilícito, ou origem de fundos ilícito.


Mas não há prejuízo irremediável para o Estado. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Intemporal!


 "A cegueira do juízo e amor-próprio é muito maior que a cegueira dos olhos".



Padre António Vieira; "Sermões"

Intemporal!


 "A cegueira do juízo e amor-próprio é muito maior que a cegueira dos olhos".



Padre António Vieira; "Sermões"

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Le Pen no reino da estupidez.


 


É por gente assim, espertalhões, que o populismo vai de vento em popa. Portanto, em vez de uma Le Pen é bom que a França escolha um doce Macron (diz-se macaron)

Le Pen no reino da estupidez.


 


É por gente assim, espertalhões, que o populismo vai de vento em popa. Portanto, em vez de uma Le Pen é bom que a França escolha um doce Macron (diz-se macaron)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Lá e cá!

Esta manhã, porque é o dia Mundial da Rádio, ouvi no Fórum TSF um jornalista, creio que o sub-director de um jornal económico, a dizer que a política hoje faz-se conforme os caracteres do twitter. Achei que a metáfora era pertinente e bem actual. Trump usa e abusa dessa rede social.


Por cá as redes sociais não tem essas funções, nem tampouco - porque regime político é diferente - o nosso presidente tem tanto poder como o seu homólogo norte-americano, mas não é o que parece.


Como fala - ou ameaça falar - de tudo e de nada qualquer dia ninguém lhe liga patavina! 

Lá e cá!

Esta manhã, porque é o dia Mundial da Rádio, ouvi no Fórum TSF um jornalista, creio que o sub-director de um jornal económico, a dizer que a política hoje faz-se conforme os caracteres do twitter. Achei que a metáfora era pertinente e bem actual. Trump usa e abusa dessa rede social.


Por cá as redes sociais não tem essas funções, nem tampouco - porque regime político é diferente - o nosso presidente tem tanto poder como o seu homólogo norte-americano, mas não é o que parece.


Como fala - ou ameaça falar - de tudo e de nada qualquer dia ninguém lhe liga patavina! 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

CGD foi a peça de dominó que caiu no jogo do Governo

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António Costa tinha acabado de chegar ao Governo e queria fazer da sua bandeira política a banca. Achou que ali havia um filão de oposição política porque eram todos casos complicados e de difícil solução, porque há limitações financeiras e legislativas (se não houvesse falta de dinheiro e não se estivesse sob a alçada do BCE e da DGComp era fácil resolver. Por isso é que qualquer comparação com a intervenção dos ingleses no Lloyds Bank é absurda).


António Costa pensou que tudo se conseguia negociando e tendo o principal árbitro da legislação do seu lado (o Presidente da República) pôs mãos à obra.


Nomeou comissários para negociar com banqueiros, prometeu trocas e baldrocas Tudo em nome das negociações para criar soluções para o sistema bancário. Isto acabou com o Governo a criar uma legislação que permitisse ao BPI ser comprado em OPA pelo CaixaBank (retirando da equação os accionistas angolanos), e em troca foi lá buscar o vice-presidente do banco para ter um banqueiro que convencesse Bruxelas a aceitar uma série de coisas difíceis de aceitar, como um acordo para que os bancos não tivessem de suportar o excessivo peso das perdas do Fundo de Resolução com a venda do Novo Banco, e um aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos que fosse significativo (e que não fosse considerado ajuda de Estado) para ajudar a CGD a fazer write-offs de créditos, reforçar imparidades, e pagar ao Estado os CoCos de quase mil milhões de euros. 


Na cabeça do primeiro-ministro era um jogo de xadrez que bem jogado levaria ao xeque-mate. Angolanos fora do BPI, António Domingues na CGD para fazer um mega aumento de capital, sem que este fosse considerado ajuda de Estado, depois o BPI iria comprar o Novo Banco com benesses a garantias do Estado (de Frankfurt e Bruxelas) em nome da promoção da consolidação bancária. Os chineses e os angolanos que se acotovelassem no BCP. Costa e Marcelo facilitaram as leis para que tudo fosse permitido em tempo record, para não dar tempo para correr mal.


Na CGD António Domingues para além de pedir o fim da subjugação do banco ao estatuto do gestor público, pediu a isenção dos deveres de transparência em quatro emails (sem nunca falar do Tribunal Constitucional, diz o Público) e também total autonomia na gestão do banco público. O Governo aceitou as condições, mas sem nunca se comprometer por escrito com a questão do Constitucional. Mas na verdade essa questão nunca foi um lapso. O Governo aceitou aliás que fossem os advogados de António Domingues a desenhar a lei que melhor cabia a António Domingues e à sua administração e gestão para a CGD. O Ministério das Finanças confirmou que foi António Domingues a preparar a legislação que iria concretizar a excepção para si e para os restantes administradores da CGD, Mais. Aceitou que fosse a CGD a pagar a factura dos advogados e da consultora Mckinsey [que desenhou o plano de capitalização da CGD] à posteriori. Isto não será crime? Isto de levar a uma instituição pública uma factura de assessores jurídicos e consultores que não foram contratados pela CGD e são-no à posteriori. Não era preciso prévio concurso público?


Os emails enviados por António Domingues ao Ministério das Finanças antes da sua contratação, consultados pelos jornais, são segundo o Público uma extensa lista de exigências, explícitas e implícitas (fica por saber porque não transformou as implícitas em explícitas?), para que aceitasse assumir a presidência da Caixa Geral de Depósitos. António Domingues queria menos exigências de transparência sobre os rendimentos e património dos administradores e nenhum controlo político sobre a gestão, equiparando totalmente o banco público ao privado.


O Governo aceitou tudo e tinha a cobertura do Presidente da República para fazer passar tudo (promulgou em tempo recorde a mudança do estatuto do gestor público).O Governo e o Presidente sabiam que os advogados (que falharam a sua missão) de António Domingues fizeram a alteração ao Estatuto de Gestor Público achando que essa seria suficiente para libertar todos os administradores das obrigações de divulgar as declarações de rendimentos e património normalmente exigida a quem desempenha cargos públicos. 


O jogo de António Costa foi sendo construido meticulosamente mas as peças do dominó começaram a ruir. O tempo não esteve do lado do primeiro-ministro.  No BPI o processo arrastou-se numa sucessão de assembleias gerais suspensas por querelas jurídicas, ao ponto de o CaixaBank só esta semana ter conseguido comprar o BPI. O tempo não ajudou ao interesse do BPI no Novo Banco.


Na CGD, desde logo os entraves europeus a algumas exigências do então novo presidente CGD. Entrave a nomes de administradores e ao modelo de governo. Meses a fio à espera. As exigências de António Domingues ameaçavam ser um problema político mas com o Presidente da República a defender em coro a mudança de estatutos da CGD, o Governo pensou que podia resolver-se. Os fins justificam os meios. Tudo em nome de uma solução para problema da Caixa. 


Deixaram todos correr a coisa da isenção dos deveres de transparência. Mas Luís Marques Mendes trouxe o caso a público questionando se seria um lapso uma vez que havia uma lei de 1983 que obriga os detentores de cargos público (todos sem excepção) a apresentar as declarações de rendimentos e património ao Constitucional. O prazo do Tribunal Constitucional para os gestores apresentarem as declarações ainda estava a correr quando o tema rebenta nos jornais, e, ou muito me engano, ou isso ajudou a que se traduzisse numa tentativa de forçar os gestores a regularizarem a sua situação antes do fim do prazo. Mas acabou com a saída deles.


No entanto a substituição de António Domingues não fechou o dossier político da CGD.


Com o tempo a escolha de António Domingues revelou-se a ser mais parte do problema político do que da solução e lançaram-no aos lobos. As mudanças de administração da CGD acabam por adiar todo o plano para a CGD para este ano. 


O Novo Banco continua sem ser vendido e com uma conjuntura política mais difícil agora: um Ministro das Finanças enfraquecido pelas polémicas à volta da CGD.


No fim da história. O embaraço criado pelo convite a António Domingues promete fazer moça ao Ministério das Finanças. O Novo Banco está em contra-relógio para a sua sobrevivência, como banco autónomo e fora do estatuto de banco de transição (o que implica vender 100% dos activos e das acções).


A CGD vai fazer um aumento de capital gigante depois de apresentar prejuízos exorbitantes e pode não cumprir os compromissos de regressar aos lucros já este ano. Porque os lucros não nascem nas árvores e o banco tem de fazer uma emissão de subordinadas de elevada subordinação com um juro altíssimo. 


P.S O António Lobo Xavier desvendou porque razão não se lembraram os advogados de Domingues da lei de 1983. Está explicado: Lobo Xavier chama a atenção para o facto de a alteração no Estatuto ser da “competência do Governo”, ou seja, “o Governo podia legislar sobre essa matéria”, “coisa que fez ao abrigo das férias de verão disfarçadamente”. Contudo, a lei de 1983 que viria a obrigar a apresentação das declarações está no âmbito das competências da Assembleia da República e, por isso, “o Governo não podia mudar sozinho”.

CGD foi a peça de dominó que caiu no jogo do Governo

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António Costa tinha acabado de chegar ao Governo e queria fazer da sua bandeira política a banca. Achou que ali havia um filão de oposição política porque eram todos casos complicados e de difícil solução, porque há limitações financeiras e legislativas (se não houvesse falta de dinheiro e não se estivesse sob a alçada do BCE e da DGComp era fácil resolver. Por isso é que qualquer comparação com a intervenção dos ingleses no Lloyds Bank é absurda).


António Costa pensou que tudo se conseguia negociando e tendo o principal árbitro da legislação do seu lado (o Presidente da República) pôs mãos à obra.


Nomeou comissários para negociar com banqueiros, prometeu trocas e baldrocas Tudo em nome das negociações para criar soluções para o sistema bancário. Isto acabou com o Governo a criar uma legislação que permitisse ao BPI ser comprado em OPA pelo CaixaBank (retirando da equação os accionistas angolanos), e em troca foi lá buscar o vice-presidente do banco para ter um banqueiro que convencesse Bruxelas a aceitar uma série de coisas difíceis de aceitar, como um acordo para que os bancos não tivessem de suportar o excessivo peso das perdas do Fundo de Resolução com a venda do Novo Banco, e um aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos que fosse significativo (e que não fosse considerado ajuda de Estado) para ajudar a CGD a fazer write-offs de créditos, reforçar imparidades, e pagar ao Estado os CoCos de quase mil milhões de euros. 


Na cabeça do primeiro-ministro era um jogo de xadrez que bem jogado levaria ao xeque-mate. Angolanos fora do BPI, António Domingues na CGD para fazer um mega aumento de capital, sem que este fosse considerado ajuda de Estado, depois o BPI iria comprar o Novo Banco com benesses a garantias do Estado (de Frankfurt e Bruxelas) em nome da promoção da consolidação bancária. Os chineses e os angolanos que se acotovelassem no BCP. Costa e Marcelo facilitaram as leis para que tudo fosse permitido em tempo record, para não dar tempo para correr mal.


Na CGD António Domingues para além de pedir o fim da subjugação do banco ao estatuto do gestor público, pediu a isenção dos deveres de transparência em quatro emails (sem nunca falar do Tribunal Constitucional, diz o Público) e também total autonomia na gestão do banco público. O Governo aceitou as condições, mas sem nunca se comprometer por escrito com a questão do Constitucional. Mas na verdade essa questão nunca foi um lapso. O Governo aceitou aliás que fossem os advogados de António Domingues a desenhar a lei que melhor cabia a António Domingues e à sua administração e gestão para a CGD. O Ministério das Finanças confirmou que foi António Domingues a preparar a legislação que iria concretizar a excepção para si e para os restantes administradores da CGD, Mais. Aceitou que fosse a CGD a pagar a factura dos advogados e da consultora Mckinsey [que desenhou o plano de capitalização da CGD] à posteriori. Isto não será crime? Isto de levar a uma instituição pública uma factura de assessores jurídicos e consultores que não foram contratados pela CGD e são-no à posteriori. Não era preciso prévio concurso público?


Os emails enviados por António Domingues ao Ministério das Finanças antes da sua contratação, consultados pelos jornais, são segundo o Público uma extensa lista de exigências, explícitas e implícitas (fica por saber porque não transformou as implícitas em explícitas?), para que aceitasse assumir a presidência da Caixa Geral de Depósitos. António Domingues queria menos exigências de transparência sobre os rendimentos e património dos administradores e nenhum controlo político sobre a gestão, equiparando totalmente o banco público ao privado.


O Governo aceitou tudo e tinha a cobertura do Presidente da República para fazer passar tudo (promulgou em tempo recorde a mudança do estatuto do gestor público).O Governo e o Presidente sabiam que os advogados (que falharam a sua missão) de António Domingues fizeram a alteração ao Estatuto de Gestor Público achando que essa seria suficiente para libertar todos os administradores das obrigações de divulgar as declarações de rendimentos e património normalmente exigida a quem desempenha cargos públicos. 


O jogo de António Costa foi sendo construido meticulosamente mas as peças do dominó começaram a ruir. O tempo não esteve do lado do primeiro-ministro.  No BPI o processo arrastou-se numa sucessão de assembleias gerais suspensas por querelas jurídicas, ao ponto de o CaixaBank só esta semana ter conseguido comprar o BPI. O tempo não ajudou ao interesse do BPI no Novo Banco.


Na CGD, desde logo os entraves europeus a algumas exigências do então novo presidente CGD. Entrave a nomes de administradores e ao modelo de governo. Meses a fio à espera. As exigências de António Domingues ameaçavam ser um problema político mas com o Presidente da República a defender em coro a mudança de estatutos da CGD, o Governo pensou que podia resolver-se. Os fins justificam os meios. Tudo em nome de uma solução para problema da Caixa. 


Deixaram todos correr a coisa da isenção dos deveres de transparência. Mas Luís Marques Mendes trouxe o caso a público questionando se seria um lapso uma vez que havia uma lei de 1983 que obriga os detentores de cargos público (todos sem excepção) a apresentar as declarações de rendimentos e património ao Constitucional. O prazo do Tribunal Constitucional para os gestores apresentarem as declarações ainda estava a correr quando o tema rebenta nos jornais, e, ou muito me engano, ou isso ajudou a que se traduzisse numa tentativa de forçar os gestores a regularizarem a sua situação antes do fim do prazo. Mas acabou com a saída deles.


No entanto a substituição de António Domingues não fechou o dossier político da CGD.


Com o tempo a escolha de António Domingues revelou-se a ser mais parte do problema político do que da solução e lançaram-no aos lobos. As mudanças de administração da CGD acabam por adiar todo o plano para a CGD para este ano. 


O Novo Banco continua sem ser vendido e com uma conjuntura política mais difícil agora: um Ministro das Finanças enfraquecido pelas polémicas à volta da CGD.


No fim da história. O embaraço criado pelo convite a António Domingues promete fazer moça ao Ministério das Finanças. O Novo Banco está em contra-relógio para a sua sobrevivência, como banco autónomo e fora do estatuto de banco de transição (o que implica vender 100% dos activos e das acções).


A CGD vai fazer um aumento de capital gigante depois de apresentar prejuízos exorbitantes e pode não cumprir os compromissos de regressar aos lucros já este ano. Porque os lucros não nascem nas árvores e o banco tem de fazer uma emissão de subordinadas de elevada subordinação com um juro altíssimo. 


P.S O António Lobo Xavier desvendou porque razão não se lembraram os advogados de Domingues da lei de 1983. Está explicado: Lobo Xavier chama a atenção para o facto de a alteração no Estatuto ser da “competência do Governo”, ou seja, “o Governo podia legislar sobre essa matéria”, “coisa que fez ao abrigo das férias de verão disfarçadamente”. Contudo, a lei de 1983 que viria a obrigar a apresentação das declarações está no âmbito das competências da Assembleia da República e, por isso, “o Governo não podia mudar sozinho”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De vida e para a vida


Sem darmos conta disto somos um discos riscado: as questões são sempre as mesmas que, embora os protagonistas sejam outros, voltam. Não para nos assombrar, mas para darem conta da nossa condição, da nossa "finitude". Todavia, e como há sempre uma volta a dar, criamos os nossos refúgios, como seja a memória, para continuarmos no nosso caminho.


Falo, como devem entender, da morte! Não da minha, já que mais dia menos dia chegarei ao fim deste percurso de vida, mas da dos outros. Que, seja pelo luto e pela dor que comporta, é sempre a nossa: porque, aliás “quem morre são os outros”, máxima lapidar de Marcel Duchamp, é o retrato da nossa condição, mesmo quando –  e variando os cenários – em nome da sobrevivência, de interesses indivisíveis, como ideal de uma "ideia de paz" que quase sempre justifica a guerra, tenhamos que matar!


O disco está riscado, é um facto. A História da Humanidade, se vermos bem as coisas, não passa de ser isso mesmo, inclusive quando alguns iluminados diziam que não se repete e /ou cantavam o seu fim.


Este é o lamento de um pai, de um pai solidário. De pensar que o destino de Bernardo Dourado, ou de outro qualquer anónimo jogador de rugby, podia ser o dos meus filhos.


O jovem jogador de rugby da equipa do Caldas da Rainha, de apenas 16 anos de idade, perdeu a vida quando treinava: foi traído pelo seu coração. Foi traído a fazer um desporto, que amava e pelo qual deu a sua vida.


Não sei se existem mortes santas, sei que umas são seguramente melhores do que outras, sem sofrimento!


Sei, todavia que a vida não para, que a Terra continua a girar, e que hoje, aqui em Santarém, e um pouco por todo o lado, os jovens e menos jovens, continuarão a jogar este desporto. Um desporto é uma escola de vida e para a vida. E seguramente que a vida do Bernardo não será esquecida. Que ele descanse em paz


 

De vida e para a vida


Sem darmos conta disto somos um discos riscado: as questões são sempre as mesmas que, embora os protagonistas sejam outros, voltam. Não para nos assombrar, mas para darem conta da nossa condição, da nossa "finitude". Todavia, e como há sempre uma volta a dar, criamos os nossos refúgios, como seja a memória, para continuarmos no nosso caminho.


Falo, como devem entender, da morte! Não da minha, já que mais dia menos dia chegarei ao fim deste percurso de vida, mas da dos outros. Que, seja pelo luto e pela dor que comporta, é sempre a nossa: porque, aliás “quem morre são os outros”, máxima lapidar de Marcel Duchamp, é o retrato da nossa condição, mesmo quando –  e variando os cenários – em nome da sobrevivência, de interesses indivisíveis, como ideal de uma "ideia de paz" que quase sempre justifica a guerra, tenhamos que matar!


O disco está riscado, é um facto. A História da Humanidade, se vermos bem as coisas, não passa de ser isso mesmo, inclusive quando alguns iluminados diziam que não se repete e /ou cantavam o seu fim.


Este é o lamento de um pai, de um pai solidário. De pensar que o destino de Bernardo Dourado, ou de outro qualquer anónimo jogador de rugby, podia ser o dos meus filhos.


O jovem jogador de rugby da equipa do Caldas da Rainha, de apenas 16 anos de idade, perdeu a vida quando treinava: foi traído pelo seu coração. Foi traído a fazer um desporto, que amava e pelo qual deu a sua vida.


Não sei se existem mortes santas, sei que umas são seguramente melhores do que outras, sem sofrimento!


Sei, todavia que a vida não para, que a Terra continua a girar, e que hoje, aqui em Santarém, e um pouco por todo o lado, os jovens e menos jovens, continuarão a jogar este desporto. Um desporto é uma escola de vida e para a vida. E seguramente que a vida do Bernardo não será esquecida. Que ele descanse em paz


 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Uma pergunta

Já escrevi aqui o que penso sobre a adaptação ao cinema do livro de Shusaku Endo, "Silêncio". Hoje  assisti, aqui, em Santarém, a uma brilhante palestra sobre este tema pela mão de um historiador e padre jesuíta.


Além de ter sido brilhante, e ter ajudado a contextualizar, historicamente a trama do filme, leva-me a reflectir, enquanto cristão, o problema da evangelização. Até  que ponto o nosso Deus é melhor que os deuses dos outros? Ou, por outras palavras, não será que a fronteira entre o nosso Deus e o Deus dos outros é nula, já que a criação, enquanto fenómeno transversal à humanidade, é indivisível, e não admite esta parafernália de divindades?


Deus, como disse bem São Tomás de Aquino, é omnipresente, "está em todo o lado". Há caminhos para chegarmos até Ele. Portanto, pergunto, se a humanidade não seria moralmente mais feliz se em vez dos fundamentalismo se preocupasse com os seu fundamentos?


 

Uma pergunta

Já escrevi aqui o que penso sobre a adaptação ao cinema do livro de Shusaku Endo, "Silêncio". Hoje  assisti, aqui, em Santarém, a uma brilhante palestra sobre este tema pela mão de um historiador e padre jesuíta.


Além de ter sido brilhante, e ter ajudado a contextualizar, historicamente a trama do filme, leva-me a reflectir, enquanto cristão, o problema da evangelização. Até  que ponto o nosso Deus é melhor que os deuses dos outros? Ou, por outras palavras, não será que a fronteira entre o nosso Deus e o Deus dos outros é nula, já que a criação, enquanto fenómeno transversal à humanidade, é indivisível, e não admite esta parafernália de divindades?


Deus, como disse bem São Tomás de Aquino, é omnipresente, "está em todo o lado". Há caminhos para chegarmos até Ele. Portanto, pergunto, se a humanidade não seria moralmente mais feliz se em vez dos fundamentalismo se preocupasse com os seu fundamentos?


 

A Arte: da estética ao devir de uma nova estética!


Gilles Deleuze e Félix Guattari “Em o que é a filosofia?” (Presença; 1992, p.2) defendem a tese da relação intima entre a filosofia e o conceito, já que a sua missão “consiste em criar conceitos”. O mesmo acontece com a arte, porque esta, e enquanto representação da vanguarda, seja na actualidade, seja no decurso da construção do “objecto de arte” aos longo dos tempos, teve esse objectivo. Caso contrário : não criando conceito, “escolas”, nunca existiria uma História da Arte, nem tampouco existiria a Arte. E a resposta à pergunta “o que é a Arte?”, seria um beco sem saída. Porém, mesmo sem grande respostas e/ou soluções para esta pergunta, a Arte existe!


Observemos a questão na preservativa clássica da estética, i.e., fundamentada em Aristóteles, no qual a resposta esgotaria-se enquanto “imitação da vida”. A arte aqui limitava-se a não ser mais do que um processo, cujo o enfoque era exclusivamente técnico. Interpretar o real, copiando-o ou interpretando-a perante a necessidade funcional como acontece, por exemplo, na arte religiosa ou nas funções práticas das peças de porcelana, de prata etc. No contexto da arte religiosa, havia uma evidente “necessidade comunicativa”, i.e., através de uma pintura ou um artefacto religioso, e em especial dos crucifixos , procura-se uma ligação com o transcendente. No entanto, como viria a acontecer mais tarde, no século XIX, a ideia de arte ganha uma nova dimensão. Ou seja, não tinha que ser exclusivamente funcional, como já não “bastava” copiar e / ou “simular” (religião) para existir. Porque, de facto, o discurso artístico alterou-se. Houve uma clara inversão: a “vida passou a imitar a Arte”! Porque, e na esteira Wilde, se tornou-se sinónimo de mentira, passou a ser enganadora e, principalmente, a estética “mudou de lugar”! Doravante, a estética já não se encontra no objecto em si mas no sujeito que a vê e a aufere. Tornou-se, de um lado, num bem de consumo, como passou a ser (finalmente) conceptual. A Arte ganhou uma nova, e mais “libertadora” natureza. Sendo que o “Ser” - ser arte, ser artista – passou, portanto, a depender de factores externos. Daí que muitos considerem que a própria estética – arte enquanto exercitação do real ou “domesticação” do belo, tenha sido enterrada.


Neste processo, como na vida social propriamente dita, tal como na dicotomia direita / esquerda, o elogio da estética é uma atitude conservadora e a arte conceptual tenha adquirido uma “nova natureza”. Houve, portanto, uma imensa revolução, uma vez que a técnica passou a ser instrumental, e tenha “enterrado” - nos seus moldes mais clássicos e de status – o academismo. Hoje para se ser artista não é exigível uma formação académica. E este processo foi vital para a definição ou resposta à nossa pergunta. Porque enquanto elemento “de e para” a transcendência” o academismo procurava “ovelhas”, isto é, discípulos e continuadores mas nunca criadores de “hipóteses para o belo”. É, neste sentido, que sou, quero ser e estarei “felizmente” condenado a ser: um “hipotético artista”. Porque, e fruto dos tempos actuais e (naturalmente) globais, a ideia de arte é cada vez mais sistémica e o artista só existe enquanto “elemento sensorial”, i.e., uma vez que tem que se expor para o ser. É, por um lado, uma existência condicionada, e por outro, torna-nos (sejam-mos músicos, escritores, etc) reféns da crítica! Uma crítica que, também ela fruto das mais diversas contingências, tenda a ser conformista. Porque os espaços de afirmação da novidade – novos artistas, novos processos etc. – são sempre limitados. Hoje existe, por quem expõe ou o que é exposto, um imenso medo para o risco e uma clara ditadura, fruto das regras ou modas ditadas pelo sistema. Assim – porventura sempre foi assim - a Arte “não tem facilitada a sua tarefa de representar a irregularidade” [Daniel Innerarity; 2009]. Portanto, urge uma redefinição da crítica. De uma crítica que permita novos passo na construção de novos caminhos para Arte, e (re)leituras do belo e, que, quiçá, possibilite a “ressurreição” da estética?


De uma nova estética, que liberte e se liberte dos seus diversos fantasmas!


 


Sobre a imagem escolhida:


Pintura sobre tela cartonada, sem título e pertencente a uma colecção privada, feita em 2016 e que esteve patente na minha primeira exposição individual, em Tomar: "#1".


Terei uma nova exposição, desta feita em Lisboa, na primavera.


Darei novas informações brevemente!

A Arte: da estética ao devir de uma nova estética!


Gilles Deleuze e Félix Guattari “Em o que é a filosofia?” (Presença; 1992, p.2) defendem a tese da relação intima entre a filosofia e o conceito, já que a sua missão “consiste em criar conceitos”. O mesmo acontece com a arte, porque esta, e enquanto representação da vanguarda, seja na actualidade, seja no decurso da construção do “objecto de arte” aos longo dos tempos, teve esse objectivo. Caso contrário : não criando conceito, “escolas”, nunca existiria uma História da Arte, nem tampouco existiria a Arte. E a resposta à pergunta “o que é a Arte?”, seria um beco sem saída. Porém, mesmo sem grande respostas e/ou soluções para esta pergunta, a Arte existe!


Observemos a questão na preservativa clássica da estética, i.e., fundamentada em Aristóteles, no qual a resposta esgotaria-se enquanto “imitação da vida”. A arte aqui limitava-se a não ser mais do que um processo, cujo o enfoque era exclusivamente técnico. Interpretar o real, copiando-o ou interpretando-a perante a necessidade funcional como acontece, por exemplo, na arte religiosa ou nas funções práticas das peças de porcelana, de prata etc. No contexto da arte religiosa, havia uma evidente “necessidade comunicativa”, i.e., através de uma pintura ou um artefacto religioso, e em especial dos crucifixos , procura-se uma ligação com o transcendente. No entanto, como viria a acontecer mais tarde, no século XIX, a ideia de arte ganha uma nova dimensão. Ou seja, não tinha que ser exclusivamente funcional, como já não “bastava” copiar e / ou “simular” (religião) para existir. Porque, de facto, o discurso artístico alterou-se. Houve uma clara inversão: a “vida passou a imitar a Arte”! Porque, e na esteira Wilde, se tornou-se sinónimo de mentira, passou a ser enganadora e, principalmente, a estética “mudou de lugar”! Doravante, a estética já não se encontra no objecto em si mas no sujeito que a vê e a aufere. Tornou-se, de um lado, num bem de consumo, como passou a ser (finalmente) conceptual. A Arte ganhou uma nova, e mais “libertadora” natureza. Sendo que o “Ser” - ser arte, ser artista – passou, portanto, a depender de factores externos. Daí que muitos considerem que a própria estética – arte enquanto exercitação do real ou “domesticação” do belo, tenha sido enterrada.


Neste processo, como na vida social propriamente dita, tal como na dicotomia direita / esquerda, o elogio da estética é uma atitude conservadora e a arte conceptual tenha adquirido uma “nova natureza”. Houve, portanto, uma imensa revolução, uma vez que a técnica passou a ser instrumental, e tenha “enterrado” - nos seus moldes mais clássicos e de status – o academismo. Hoje para se ser artista não é exigível uma formação académica. E este processo foi vital para a definição ou resposta à nossa pergunta. Porque enquanto elemento “de e para” a transcendência” o academismo procurava “ovelhas”, isto é, discípulos e continuadores mas nunca criadores de “hipóteses para o belo”. É, neste sentido, que sou, quero ser e estarei “felizmente” condenado a ser: um “hipotético artista”. Porque, e fruto dos tempos actuais e (naturalmente) globais, a ideia de arte é cada vez mais sistémica e o artista só existe enquanto “elemento sensorial”, i.e., uma vez que tem que se expor para o ser. É, por um lado, uma existência condicionada, e por outro, torna-nos (sejam-mos músicos, escritores, etc) reféns da crítica! Uma crítica que, também ela fruto das mais diversas contingências, tenda a ser conformista. Porque os espaços de afirmação da novidade – novos artistas, novos processos etc. – são sempre limitados. Hoje existe, por quem expõe ou o que é exposto, um imenso medo para o risco e uma clara ditadura, fruto das regras ou modas ditadas pelo sistema. Assim – porventura sempre foi assim - a Arte “não tem facilitada a sua tarefa de representar a irregularidade” [Daniel Innerarity; 2009]. Portanto, urge uma redefinição da crítica. De uma crítica que permita novos passo na construção de novos caminhos para Arte, e (re)leituras do belo e, que, quiçá, possibilite a “ressurreição” da estética?


De uma nova estética, que liberte e se liberte dos seus diversos fantasmas!


 


Sobre a imagem escolhida:


Pintura sobre tela cartonada, sem título e pertencente a uma colecção privada, feita em 2016 e que esteve patente na minha primeira exposição individual, em Tomar: "#1".


Terei uma nova exposição, desta feita em Lisboa, na primavera.


Darei novas informações brevemente!

O caso mais flagrante de favorecimento a gestores

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Não é novidade mas agora há provas documentais. O Governo aceitou que fosse António Domingues a desenhar a lei que melhor lhe servia. Os advogados contratados por António Domingues (que falharam redondamente na sua missão) mas que o Ministro das Finanças aceitou que fossem pagos à posteriori pela CGD é que desenharam a lei que retira os gestores do banco do estatuto do gestor público. Mas esqueceram-se da lei de 1983 que obriga à declaração de rendimentos do TC. Este é o caso mais flagrante de favorecimento de um Governo português a gestores de que há memória.


O Sócrates ainda tentava disfarçar.

O caso mais flagrante de favorecimento a gestores

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Não é novidade mas agora há provas documentais. O Governo aceitou que fosse António Domingues a desenhar a lei que melhor lhe servia. Os advogados contratados por António Domingues (que falharam redondamente na sua missão) mas que o Ministro das Finanças aceitou que fossem pagos à posteriori pela CGD é que desenharam a lei que retira os gestores do banco do estatuto do gestor público. Mas esqueceram-se da lei de 1983 que obriga à declaração de rendimentos do TC. Este é o caso mais flagrante de favorecimento de um Governo português a gestores de que há memória.


O Sócrates ainda tentava disfarçar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dois filmes, duas realidades.



Recentemente tenho aproveitado para fazer o que não fazia há anos. Ir ao cinema. Decidi que este ano iria ver a maioria dos filmes candidatos a um óscar, e de preferência um dos candidatos ao melhor filme do ano. Isto para concluir que a entrega anual das estatuetas é - creio que já o foi menos - um atentado à 7ª Arte. Diria mesmo que é pôr o "Rossio na Betesga".


No passado sábado vi "Silêncio" de Martin Scorsese, um projecto com mais de 25 anos de maturação em que o realizador italo-americano adapta o romance homónimo do japonês Shusaku Endo.


Neste filme, como escreve o crítico de cinema do Observador, Eurico de Barros, o realizador "instala-nos em cheio no centro da dor. Dor física, dor emocional, dor intelectual, dor espiritual". A que acrescento no meio de uns quantos equívocos históricos: se é certo que na história jesuíta no Japão tenha existido, em 1633, a apostasia do Padre Cristóvão Ferreira a personagem interpretada por Andrew Garfield não existiu e é um erro histórico que pode levar a enganos desnecessários. De facto na história da evangelização feita pelos portugueses no extremo-oriente existiu um célebre Padre João Rodrigues SJ, apelidado pelos japoneses de Tçuzu (o Intérprete). Este missionário jesuíta, de origem portuguesa, que também viveu na China (morreria em Macau), ficou conhecido por ter escrito o primeiro dicionário de japonês-português e a primeira gramática da língua japonesa. Ou seja, tudo leva a crer (na narrativa deste filme) que este também tenha apotasiado, o que naturalmente é falso.


Sou um fã das obras de Scorsese, e se é certo que o filme nos leve a reflectir sobre a nossa religião, e sobretudo a forma como fomos transmitindo a "Nossa" mensagem, não me encheu as medidas. Acrescento ainda - e é uma nota muito pessoal - que o meu pai, que viveu em Tóquio entre 1966 e 1968, e de onde sou natural, conheceu e privou com Shusaku Endo, e com quem correspondia até à sua morte em 1996. Em 1973, ele escreveu "Uma vida de Jesus", obra na qual procurou transmitir aos seus concidadãos a mensagem do cristianismo. Está traduzido em português (ASA, livro de bolso) e é maravilhoso.


 


Hoje, e num registo completamente diferente, vi o grande candidato a ganhar várias estatuetas: La La Land - Melodia de Amor, de e escrito por Damien Chazelle.


La La Land é uma adaptação da expressão "lalaland" e que significa: "to think that things that are completely impossible might happen, rather than understanding how things really are" e que, grosso modo, poderemos traduzir como " estar fora da realidade".


Bem sei que um do méritos desta arte é a magia, o faz de conta. Porém, e mesmo que o filme seja particularmente bem realizado, seja esteticamente bonito e tenha uma banda sonora agradável é extremamente pobre - para um amante de cinema como eu - pensar que este ano (a fazer fé nos Globos de Ouros ganhos) este divertimento possa ser considerado como o futuro melhor filme do ano. É esperar para ver.


 


 


 


 

Dois filmes, duas realidades.



Recentemente tenho aproveitado para fazer o que não fazia há anos. Ir ao cinema. Decidi que este ano iria ver a maioria dos filmes candidatos a um óscar, e de preferência um dos candidatos ao melhor filme do ano. Isto para concluir que a entrega anual das estatuetas é - creio que já o foi menos - um atentado à 7ª Arte. Diria mesmo que é pôr o "Rossio na Betesga".


No passado sábado vi "Silêncio" de Martin Scorsese, um projecto com mais de 25 anos de maturação em que o realizador italo-americano adapta o romance homónimo do japonês Shusaku Endo.


Neste filme, como escreve o crítico de cinema do Observador, Eurico de Barros, o realizador "instala-nos em cheio no centro da dor. Dor física, dor emocional, dor intelectual, dor espiritual". A que acrescento no meio de uns quantos equívocos históricos: se é certo que na história jesuíta no Japão tenha existido, em 1633, a apostasia do Padre Cristóvão Ferreira a personagem interpretada por Andrew Garfield não existiu e é um erro histórico que pode levar a enganos desnecessários. De facto na história da evangelização feita pelos portugueses no extremo-oriente existiu um célebre Padre João Rodrigues SJ, apelidado pelos japoneses de Tçuzu (o Intérprete). Este missionário jesuíta, de origem portuguesa, que também viveu na China (morreria em Macau), ficou conhecido por ter escrito o primeiro dicionário de japonês-português e a primeira gramática da língua japonesa. Ou seja, tudo leva a crer (na narrativa deste filme) que este também tenha apotasiado, o que naturalmente é falso.


Sou um fã das obras de Scorsese, e se é certo que o filme nos leve a reflectir sobre a nossa religião, e sobretudo a forma como fomos transmitindo a "Nossa" mensagem, não me encheu as medidas. Acrescento ainda - e é uma nota muito pessoal - que o meu pai, que viveu em Tóquio entre 1966 e 1968, e de onde sou natural, conheceu e privou com Shusaku Endo, e com quem correspondia até à sua morte em 1996. Em 1973, ele escreveu "Uma vida de Jesus", obra na qual procurou transmitir aos seus concidadãos a mensagem do cristianismo. Está traduzido em português (ASA, livro de bolso) e é maravilhoso.


 


Hoje, e num registo completamente diferente, vi o grande candidato a ganhar várias estatuetas: La La Land - Melodia de Amor, de e escrito por Damien Chazelle.


La La Land é uma adaptação da expressão "lalaland" e que significa: "to think that things that are completely impossible might happen, rather than understanding how things really are" e que, grosso modo, poderemos traduzir como " estar fora da realidade".


Bem sei que um do méritos desta arte é a magia, o faz de conta. Porém, e mesmo que o filme seja particularmente bem realizado, seja esteticamente bonito e tenha uma banda sonora agradável é extremamente pobre - para um amante de cinema como eu - pensar que este ano (a fazer fé nos Globos de Ouros ganhos) este divertimento possa ser considerado como o futuro melhor filme do ano. É esperar para ver.


 


 


 


 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Os portugueses e o Trump. Bem podem dar cabo dele nos Ecos de Aljustrel

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Não se fala de outra coisa nos jornais. Trump, Trump, Trump. Os jornalistas portugueses dão cabo do Donald Trump em cada letra que escrevem (não estou a proferir qualquer opinião sobre o presidente dos EUA, note-se). Mas não consigo deixar de olhar para os portugueses como uma continua caricatura do Eça de Queiroz. Continuamos a ser uma caricatura do Eça.


Há uma personagem do Eça de Queiroz que era director de um jornal de Aljustrel com o nome de Ecos. Era o jornal Ecos, de Aljustrel. Há uns anos Vasco Pulido Valente usou a personagem de um conto do Eça para ilustrar o ego desproporcionado dos portugueses. Na coluna que em 1999 escrevia no DN "Faz de Conta" - VPV comentava as opiniões exacerbadas que se proferiam quando se debatia no parlamento português a intervenção da NATO na Jugoslávia.  Produziam-se manifestos anti-guerra, tal como hoje se proferem gritos anti-Trump e anti-políticas do Trump. VPV fez na altura a comparação com história do Eça sobre o director dos Ecos de Aljustrel. Quando Bismarck invadiu a França, o bom homem, a espumar de fúria, ameaçou com veemência: «Deixem estar que amanhã já dou cabo dele nos Ecos.» 


Como se os Ecos de Aljustrel chegassem a Berlim, ou mesmo a Paris.


Assim estamos nós, a dar cabo do Trump nos Ecos de Aljustrel.

Os portugueses e o Trump. Bem podem dar cabo dele nos Ecos de Aljustrel

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Não se fala de outra coisa nos jornais. Trump, Trump, Trump. Os jornalistas portugueses dão cabo do Donald Trump em cada letra que escrevem (não estou a proferir qualquer opinião sobre o presidente dos EUA, note-se). Mas não consigo deixar de olhar para os portugueses como uma continua caricatura do Eça de Queiroz. Continuamos a ser uma caricatura do Eça.


Há uma personagem do Eça de Queiroz que era director de um jornal de Aljustrel com o nome de Ecos. Era o jornal Ecos, de Aljustrel. Há uns anos Vasco Pulido Valente usou a personagem de um conto do Eça para ilustrar o ego desproporcionado dos portugueses. Na coluna que em 1999 escrevia no DN "Faz de Conta" - VPV comentava as opiniões exacerbadas que se proferiam quando se debatia no parlamento português a intervenção da NATO na Jugoslávia.  Produziam-se manifestos anti-guerra, tal como hoje se proferem gritos anti-Trump e anti-políticas do Trump. VPV fez na altura a comparação com história do Eça sobre o director dos Ecos de Aljustrel. Quando Bismarck invadiu a França, o bom homem, a espumar de fúria, ameaçou com veemência: «Deixem estar que amanhã já dou cabo dele nos Ecos.» 


Como se os Ecos de Aljustrel chegassem a Berlim, ou mesmo a Paris.


Assim estamos nós, a dar cabo do Trump nos Ecos de Aljustrel.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Descobri Alberto Gonçalves e passou a ser o meu cronista de eleição

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Confesso que apesar de jornalista leio poucos editoriais (quase nenhuns na verdade) e opiniões (que ainda assim leio mais), excepto quando alguma coisa me chama a atenção logo no inicio, ou alguma rede social chama a atenção para o artigo.


Não tenho grande curiosidade de ler os editoriais porque sei como pensa quem os escreve e por isso a minha curiosidade é zero. Opinião, leio apenas as que me parecem mais interessantes.


No meio de tantos artigos de opinião nos meios de comunicação, perdi o Alberto Gonçalves no DN. Só me apercebi dele quando estoirou a noticia de que a mudança de direcção do DN levou a que fosse dispensado de escrever lá (agora percebo porquê).


Percebi pela polémica que era um opinion maker da ala direita, mas só hoje, quando entrei no Corta Fitas, li o Alberto Gonçalves. É de facto uma pedrada no charco. Corajoso e inteligente.


Num começo ligeiramente alusivo ao histórico discurso de Martin Luther King (sim hoje o pensamento de direita é que é vítima de censura e ostracismo), Alberto Gonçalves troça da opinião da moda, da ditadura do mainstream (haja alguém como eu na esfera da escrita). Parabéns Alberto Gonçalves.  


Deixo aqui o artigo, porque merece ser reproduzido:


«O meu nome é Alberto Gonçalves e tenho um sonho.


Sonho escrever crónicas que possam ser apreciadas pelos cidadãos que acham a menina Mortágua e o dr. Louçã economistas de gabarito.


Sonho escrever crónicas que louvem a habilidade diplomática e o génio retórico do dr. Costa.


Sonho escrever crónicas que saltitem de júbilo pelo facto de partidos estalinistas ajudarem ao governo do país.


Sonho escrever crónicas que se orgulhem da influência do eng. Guterres nos destinos da Terra.


Sonho escrever crónicas que resgatem o enorme contributo do eng. Sócrates para o progresso pátrio.


Sonho escrever crónicas que apelem a consensos em volta dos poderes oficiais e oficiosos que só querem o nosso bem.


Sonho escrever crónicas que tomem partido pelas “causas” justas, daquelas que têm vítimas fixas e culpados fatais.


Sonho escrever crónicas tão despidas de interesses – mas não de interesse – quanto os isentos comentários televisivos dos “senadores” do PSD.


Sonho escrever crónicas que usem as palavras “descrispação” e “proactividade”.


Sonho escrever crónicas que repitam cada cliché disponível acerca do perigo que o sr. Trump representa.


Sonho escrever crónicas que se derretam de admiração pelas “selfies”, pelos “afectos” e pelos obituários, salvo seja, do prof. Marcelo.


Sonho escrever crónicas que denunciem as patifarias dos banqueiros, excepto dos que são perseguidos por Pedro Passos Coelho.


Sonho escrever crónicas que sublinhem o pacifismo do islão e o belicismo israelita e a culpa ocidental.


Sonho escrever crónicas que me candidatem a uma assessoria de imprensa ou a outro posto assim digno.


Sonho escrever crónicas que agradem às inúmeras personalidades de relevo que transformaram Portugal naquilo que é».


Mas não consigo: falta-me a espécie de talento que apenas raras dezenas (ou no máximo centenas) dos meus colegas de ofício possuem. Com boa vontade, o que sou capaz de fazer é o tipo de coisas que indivíduos desprovidos de patriotismo, consciência social e sentido de Estado poderão apreciar, aqui no Observador, a partir deste sábado. Os restantes não digam que não avisei».

Descobri Alberto Gonçalves e passou a ser o meu cronista de eleição

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Confesso que apesar de jornalista leio poucos editoriais (quase nenhuns na verdade) e opiniões (que ainda assim leio mais), excepto quando alguma coisa me chama a atenção logo no inicio, ou alguma rede social chama a atenção para o artigo.


Não tenho grande curiosidade de ler os editoriais porque sei como pensa quem os escreve e por isso a minha curiosidade é zero. Opinião, leio apenas as que me parecem mais interessantes.


No meio de tantos artigos de opinião nos meios de comunicação, perdi o Alberto Gonçalves no DN. Só me apercebi dele quando estoirou a noticia de que a mudança de direcção do DN levou a que fosse dispensado de escrever lá (agora percebo porquê).


Percebi pela polémica que era um opinion maker da ala direita, mas só hoje, quando entrei no Corta Fitas, li o Alberto Gonçalves. É de facto uma pedrada no charco. Corajoso e inteligente.


Num começo ligeiramente alusivo ao histórico discurso de Martin Luther King (sim hoje o pensamento de direita é que é vítima de censura e ostracismo), Alberto Gonçalves troça da opinião da moda, da ditadura do mainstream (haja alguém como eu na esfera da escrita). Parabéns Alberto Gonçalves.  


Deixo aqui o artigo, porque merece ser reproduzido:


«O meu nome é Alberto Gonçalves e tenho um sonho.


Sonho escrever crónicas que possam ser apreciadas pelos cidadãos que acham a menina Mortágua e o dr. Louçã economistas de gabarito.


Sonho escrever crónicas que louvem a habilidade diplomática e o génio retórico do dr. Costa.


Sonho escrever crónicas que saltitem de júbilo pelo facto de partidos estalinistas ajudarem ao governo do país.


Sonho escrever crónicas que se orgulhem da influência do eng. Guterres nos destinos da Terra.


Sonho escrever crónicas que resgatem o enorme contributo do eng. Sócrates para o progresso pátrio.


Sonho escrever crónicas que apelem a consensos em volta dos poderes oficiais e oficiosos que só querem o nosso bem.


Sonho escrever crónicas que tomem partido pelas “causas” justas, daquelas que têm vítimas fixas e culpados fatais.


Sonho escrever crónicas tão despidas de interesses – mas não de interesse – quanto os isentos comentários televisivos dos “senadores” do PSD.


Sonho escrever crónicas que usem as palavras “descrispação” e “proactividade”.


Sonho escrever crónicas que repitam cada cliché disponível acerca do perigo que o sr. Trump representa.


Sonho escrever crónicas que se derretam de admiração pelas “selfies”, pelos “afectos” e pelos obituários, salvo seja, do prof. Marcelo.


Sonho escrever crónicas que denunciem as patifarias dos banqueiros, excepto dos que são perseguidos por Pedro Passos Coelho.


Sonho escrever crónicas que sublinhem o pacifismo do islão e o belicismo israelita e a culpa ocidental.


Sonho escrever crónicas que me candidatem a uma assessoria de imprensa ou a outro posto assim digno.


Sonho escrever crónicas que agradem às inúmeras personalidades de relevo que transformaram Portugal naquilo que é».


Mas não consigo: falta-me a espécie de talento que apenas raras dezenas (ou no máximo centenas) dos meus colegas de ofício possuem. Com boa vontade, o que sou capaz de fazer é o tipo de coisas que indivíduos desprovidos de patriotismo, consciência social e sentido de Estado poderão apreciar, aqui no Observador, a partir deste sábado. Os restantes não digam que não avisei».

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Jorge Coelho acha que a solução contra o egoísmo é a... eutanásia (actualizado)

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Estava a ouvir a Quadratura do Círculo que chamou ao debate o último dos temas fracturantes que falta aprovar. Eu respeito a opinião da esquerda, agora não posso respeitar os argumentos.


Vou citar Jorge Coelho:


"Imagine a pessoa que você mais ama neste mundo a sofrer muito, a pedir que já não aguenta mais com dor e  sofrimento, e não haver condição nenhuma de ser recuperado, e a pessoa com que vê a outra a sofrer, talvez por egoísmo, de ver se há alguma hipótese da pessoa sobreviver, não acompanhar este pedido da pessoa".


Mas depois apresenta um argumento contrário.


"Outra situação: Na sociedade egoísta em que vivemos pode haver razões que como hoje levam a haver muitas pessoas que são pura e simplesmente abandonadas em hospitais e em lares e ninguém da família as procura, quem é que nos diz que para resolver esse problema não é aplicada uma eventual lei desta natureza". Falava portanto da despenalização da morte assistida. Inicialmente não percebi e li neste exemplo um argumento a favor da eutanásia. Mas depois chamaram-me a atenção de que Jorge Coelho neste exemplo estaria a alertar para o risco de banalização da eutanásia. Pelo que altero o post que tinha escrito inicialmente.


 Apresenta-se contra o referendo e na verdade acaba por ser a favor de adiar o problema. Porque não consegue decidir? Ou porque é contra a eutanásia?

Jorge Coelho acha que a solução contra o egoísmo é a... eutanásia (actualizado)

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Estava a ouvir a Quadratura do Círculo que chamou ao debate o último dos temas fracturantes que falta aprovar. Eu respeito a opinião da esquerda, agora não posso respeitar os argumentos.


Vou citar Jorge Coelho:


"Imagine a pessoa que você mais ama neste mundo a sofrer muito, a pedir que já não aguenta mais com dor e  sofrimento, e não haver condição nenhuma de ser recuperado, e a pessoa com que vê a outra a sofrer, talvez por egoísmo, de ver se há alguma hipótese da pessoa sobreviver, não acompanhar este pedido da pessoa".


Mas depois apresenta um argumento contrário.


"Outra situação: Na sociedade egoísta em que vivemos pode haver razões que como hoje levam a haver muitas pessoas que são pura e simplesmente abandonadas em hospitais e em lares e ninguém da família as procura, quem é que nos diz que para resolver esse problema não é aplicada uma eventual lei desta natureza". Falava portanto da despenalização da morte assistida. Inicialmente não percebi e li neste exemplo um argumento a favor da eutanásia. Mas depois chamaram-me a atenção de que Jorge Coelho neste exemplo estaria a alertar para o risco de banalização da eutanásia. Pelo que altero o post que tinha escrito inicialmente.


 Apresenta-se contra o referendo e na verdade acaba por ser a favor de adiar o problema. Porque não consegue decidir? Ou porque é contra a eutanásia?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Serão precisos comentários?


 

Serão precisos comentários?


 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A única sátira genial a Donald Trump. Touché para os holandeses



 

A única sátira genial a Donald Trump. Touché para os holandeses



 

Eutanásia, não! Uma reflexão sobre o livre arbítrio.

 



 


 


1| A propósito ou quase sempre a propósito de questões ruptura - que é o que não falta por ai, e já fez correr muita tinta - contrapõe-se a questão do livre arbítrio que, e de forma muito genérica, é “o poder que cada indivíduo tem de escolher suas acções, que caminho quer seguir”. É, para muitas pessoas, sinónimo de liberdade. O que é, no entanto, e a meu ver, uma falácia. Já que supõe que a ideia e à prática da liberdade seja um conceito e uma prática universal. Supõe também que vivemos “à nossa imagem”, e nesse sentido a sociedade era o confronto de liberdades que se opõem. Era, portanto, a vitória da anarquia sobre a ordem.


Se é certo que o excesso de ordem, como acontece em regimes totalitários, seja inaceitável, o seu contrario seria o caos. A solução seria uma sociedade socialmente moderada que, na media das suas regras, possibilite a convivência entre os seus membros.


Recentemente, entre as medidas tomadas, e quase em catadupa, pela Administração Trump, há uma com a qual concordo em absoluto, e que repousa claramente na ideia do livre arbítrio. Estou a referir ao cancelamento dos apoios prestados a quem tenha abortado, e que foi uma bandeira do Presidente Obama. Embora não me choque que uma pessoa aborte – nomeadamente em situações muito particulares e, regra geral, já reguladas, como seja a violação ou a má formação do feto, a ideia que se aborte como se fosse anticonceptivo é perfeitamente chocante. As pessoas – e existem meios para o prevenir – tem que ser responsáveis pelos seus actos. É um pouco parecido com as brincadeiras – e muitas vezes é do que se trata – em que os acidentes mortais acontecem.


Um bom exemplo do livre arbítrio é a utilização de cintos de segurança ou de capacetes para condutores de motas. Como sabemos a sua utilização, é pelo o código da estrada, obrigatório. Porém, será que esta imposição legal é justa, já que a segurança de cada um deveria depender da nossa percepção de risco? Porque razão os pais não dão a uma criança um saco de plástico? Não existe, que eu saiba, uma lei que os impeça, no entanto estamos cientes dos risco de morte por asfixia que essa atitude comportaria.


Em suma, e em meu entender, o livre arbítrio depende unicamente da nossa visão da realidade, sendo a forma como somos capazes de a gerir. Se eu decidir andar sem cinto de segurança a decisão é exclusívamente minha. É reflexo da minha autonomia. Porém, como vivemos com outros, e diariamente somos expostos a todos os diversos risco esta autonomia "morre à nascença". Ou seja, é a percepção do real, por parte do legislador, que tornou a utilização dos meios de segurança - sejam eles quais forem - obrigatórios. Imaginemos que na minha autonomia faço finca-pé e decido que não quero usar cinto de segurança. Tenho um acidente grave, que necessita de internamento hospitalar porque razão os "cidadãos cumpridores" vão, com o seu impostos, pagar a minha reabilitação?


 


2| Esta introdução serve para reflectir sobre uma tema que está na ordem do dia. A eutanásia. Ou seja, a ideia de suicídio assistido para pessoas doentes em estado terminal.


Nunca passei por situação parecida. Ouvi, por exemplo, quando conduzia, na TSF, relatos impressionantes e, sobretudo, recordo “Mar adentro”, um enorme filme em que esta matéria é o leitmotiv  do seu argumento. Nomeadamente, a relação complexa entre um doente em estado terminal e sua vontade de libertação, e o direito a morrer condignamente!


Muitas, e seguramente diversas, são as nossas visões sobre a morte, como também são diversas as formas como a medicina lida com o óbvio. Se podemos exigir a um advogado que nos resolva esta ou aquela situação, em rigor um médico não tem "essa" varinha de condão, não nos podendo oferecer a eternidade! Vive da sua circunstancia, onde o repto é fazer com que os seres humanos consigam ter a melhor qualidade de vida possível, inclusive a deles próprios! Recordo as palavras do filho de médico que lamentando-se, dizia: “Salvou tanta gente, que se esqueceu de se salvar a ele próprio!”


A redundância das palavras da “jet set” Lili Caneças é óbvia. Efectivamente estar vivo é o contrário de estar morto. Porém, o que está em jogo nesta questão é outra coisa. É a morte com dignidade.


Na relação com o paciente que lida com esta evidência, a medicina, desde os tempos gregos, tem três hipóteses, sendo que uma delas é o antónimo da outra. A eutanásia, a ortotanásia e a distanásia.


A ortotanásia, também conhecida por "eutanásia passiva", consiste em aliviar o sofrimento de um doente terminal através da suspensão de tratamentos que prolongam a vida mas que, perante os avanços da ciência médica (ainda) não resolvem a situação. É a situação em que o paciente ou um familiar em seu nome solicitam que os médicos “desliguem a máquina”. Trata-se de uma situação com consideráveis vantagens, até porque possibilita ao paciente a chamada “boa morte” - e se possível em casa, rodeado daqueles que lhe são mais próximos e queridos! Foi, aliás, o que aconteceu com a morte de João Paulo II. O Santo Padre quando, teve consciência que mais nada era possível, pediu para ir para os seus aposentos, dar tempo ao tempo e, então, morrer serenamente. É, na tradução literal do grego, a "morte correta". Conceito inversamente contrário da distanásia, cujo objectivo é o prolongamento artificial do processo de morte, sabendo de antemão que medicina não prevê possibilidades de melhoria ou de cura. Naturalmente que não concordo com este procedimento. Não leva a lado nenhum, e os seus encargos financeiros são, seja para a família, como para o Estado, desnecessários. Até porque impedem que alguns dos recursos técnico sejam utilizados em situações em que a cura seja uma realidade.


 


3| Não existe na Bíblia qualquer referência directa ao Livre-arbítrio, no entanto Deus oferece "ao ser humano o poder de escolher". Mais tarde, Santo Agostinho volta a este assunto, quando em 395 escreveu “De Libero Arbítrio.”


Nesta obra, elaborada na forma de diálogo entre ele e Evódi, Santo Agostinho apresenta algumas teses a respeito da liberdade humana, tal como aborda a origem do mal moral.


Aqui, ele diferenciou os conceitos de liberdade e de Livre-arbítrio: “se o livre arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal; e a liberdade é o bom uso do livre arbítrio. Isso significa que nem sempre o homem é livre quando põe em uso o livre arbítrio”. Ou seja, o que é importante é a forma como o homem utiliza esse livre arbítrio que está mais relacionado com a vontade.


No seio do espiritismo, segundo a qual “o livre arbítrio é uma das propriedades fundamentais do Espírito”, o ser humano tem a faculdade de escolha, de optar pelo caminho que que quiser seguir e/ ou evitar. Assim, e contrário das teorias deterministas, os actos praticados não são premeditados. Porque racionais, os seres humanos deverão ser responsabilizados pelas atitudes tomadas.


É neste contexto, uma vez existem outros cenários possíveis, que me afirmo, desde já, contrário à liberalização da eutanásia. Ao fazer, o médico torna-se cúmplice dum acto não médico. Já que o objecto da medicina é prolongar a vida dos pacientes. Se não houver, como vimos, uma solução então a ortotanásia parece ser, pese embora ainda não ser aceite legalmente em Portugal, a solução preferível. 


 

Eutanásia, não! Uma reflexão sobre o livre arbítrio.

 



 


 


1| A propósito ou quase sempre a propósito de questões ruptura - que é o que não falta por ai, e já fez correr muita tinta - contrapõe-se a questão do livre arbítrio que, e de forma muito genérica, é “o poder que cada indivíduo tem de escolher suas acções, que caminho quer seguir”. É, para muitas pessoas, sinónimo de liberdade. O que é, no entanto, e a meu ver, uma falácia. Já que supõe que a ideia e à prática da liberdade seja um conceito e uma prática universal. Supõe também que vivemos “à nossa imagem”, e nesse sentido a sociedade era o confronto de liberdades que se opõem. Era, portanto, a vitória da anarquia sobre a ordem.


Se é certo que o excesso de ordem, como acontece em regimes totalitários, seja inaceitável, o seu contrario seria o caos. A solução seria uma sociedade socialmente moderada que, na media das suas regras, possibilite a convivência entre os seus membros.


Recentemente, entre as medidas tomadas, e quase em catadupa, pela Administração Trump, há uma com a qual concordo em absoluto, e que repousa claramente na ideia do livre arbítrio. Estou a referir ao cancelamento dos apoios prestados a quem tenha abortado, e que foi uma bandeira do Presidente Obama. Embora não me choque que uma pessoa aborte – nomeadamente em situações muito particulares e, regra geral, já reguladas, como seja a violação ou a má formação do feto, a ideia que se aborte como se fosse anticonceptivo é perfeitamente chocante. As pessoas – e existem meios para o prevenir – tem que ser responsáveis pelos seus actos. É um pouco parecido com as brincadeiras – e muitas vezes é do que se trata – em que os acidentes mortais acontecem.


Um bom exemplo do livre arbítrio é a utilização de cintos de segurança ou de capacetes para condutores de motas. Como sabemos a sua utilização, é pelo o código da estrada, obrigatório. Porém, será que esta imposição legal é justa, já que a segurança de cada um deveria depender da nossa percepção de risco? Porque razão os pais não dão a uma criança um saco de plástico? Não existe, que eu saiba, uma lei que os impeça, no entanto estamos cientes dos risco de morte por asfixia que essa atitude comportaria.


Em suma, e em meu entender, o livre arbítrio depende unicamente da nossa visão da realidade, sendo a forma como somos capazes de a gerir. Se eu decidir andar sem cinto de segurança a decisão é exclusívamente minha. É reflexo da minha autonomia. Porém, como vivemos com outros, e diariamente somos expostos a todos os diversos risco esta autonomia "morre à nascença". Ou seja, é a percepção do real, por parte do legislador, que tornou a utilização dos meios de segurança - sejam eles quais forem - obrigatórios. Imaginemos que na minha autonomia faço finca-pé e decido que não quero usar cinto de segurança. Tenho um acidente grave, que necessita de internamento hospitalar porque razão os "cidadãos cumpridores" vão, com o seu impostos, pagar a minha reabilitação?


 


2| Esta introdução serve para reflectir sobre uma tema que está na ordem do dia. A eutanásia. Ou seja, a ideia de suicídio assistido para pessoas doentes em estado terminal.


Nunca passei por situação parecida. Ouvi, por exemplo, quando conduzia, na TSF, relatos impressionantes e, sobretudo, recordo “Mar adentro”, um enorme filme em que esta matéria é o leitmotiv  do seu argumento. Nomeadamente, a relação complexa entre um doente em estado terminal e sua vontade de libertação, e o direito a morrer condignamente!


Muitas, e seguramente diversas, são as nossas visões sobre a morte, como também são diversas as formas como a medicina lida com o óbvio. Se podemos exigir a um advogado que nos resolva esta ou aquela situação, em rigor um médico não tem "essa" varinha de condão, não nos podendo oferecer a eternidade! Vive da sua circunstancia, onde o repto é fazer com que os seres humanos consigam ter a melhor qualidade de vida possível, inclusive a deles próprios! Recordo as palavras do filho de médico que lamentando-se, dizia: “Salvou tanta gente, que se esqueceu de se salvar a ele próprio!”


A redundância das palavras da “jet set” Lili Caneças é óbvia. Efectivamente estar vivo é o contrário de estar morto. Porém, o que está em jogo nesta questão é outra coisa. É a morte com dignidade.


Na relação com o paciente que lida com esta evidência, a medicina, desde os tempos gregos, tem três hipóteses, sendo que uma delas é o antónimo da outra. A eutanásia, a ortotanásia e a distanásia.


A ortotanásia, também conhecida por "eutanásia passiva", consiste em aliviar o sofrimento de um doente terminal através da suspensão de tratamentos que prolongam a vida mas que, perante os avanços da ciência médica (ainda) não resolvem a situação. É a situação em que o paciente ou um familiar em seu nome solicitam que os médicos “desliguem a máquina”. Trata-se de uma situação com consideráveis vantagens, até porque possibilita ao paciente a chamada “boa morte” - e se possível em casa, rodeado daqueles que lhe são mais próximos e queridos! Foi, aliás, o que aconteceu com a morte de João Paulo II. O Santo Padre quando, teve consciência que mais nada era possível, pediu para ir para os seus aposentos, dar tempo ao tempo e, então, morrer serenamente. É, na tradução literal do grego, a "morte correta". Conceito inversamente contrário da distanásia, cujo objectivo é o prolongamento artificial do processo de morte, sabendo de antemão que medicina não prevê possibilidades de melhoria ou de cura. Naturalmente que não concordo com este procedimento. Não leva a lado nenhum, e os seus encargos financeiros são, seja para a família, como para o Estado, desnecessários. Até porque impedem que alguns dos recursos técnico sejam utilizados em situações em que a cura seja uma realidade.


 


3| Não existe na Bíblia qualquer referência directa ao Livre-arbítrio, no entanto Deus oferece "ao ser humano o poder de escolher". Mais tarde, Santo Agostinho volta a este assunto, quando em 395 escreveu “De Libero Arbítrio.”


Nesta obra, elaborada na forma de diálogo entre ele e Evódi, Santo Agostinho apresenta algumas teses a respeito da liberdade humana, tal como aborda a origem do mal moral.


Aqui, ele diferenciou os conceitos de liberdade e de Livre-arbítrio: “se o livre arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal; e a liberdade é o bom uso do livre arbítrio. Isso significa que nem sempre o homem é livre quando põe em uso o livre arbítrio”. Ou seja, o que é importante é a forma como o homem utiliza esse livre arbítrio que está mais relacionado com a vontade.


No seio do espiritismo, segundo a qual “o livre arbítrio é uma das propriedades fundamentais do Espírito”, o ser humano tem a faculdade de escolha, de optar pelo caminho que que quiser seguir e/ ou evitar. Assim, e contrário das teorias deterministas, os actos praticados não são premeditados. Porque racionais, os seres humanos deverão ser responsabilizados pelas atitudes tomadas.


É neste contexto, uma vez existem outros cenários possíveis, que me afirmo, desde já, contrário à liberalização da eutanásia. Ao fazer, o médico torna-se cúmplice dum acto não médico. Já que o objecto da medicina é prolongar a vida dos pacientes. Se não houver, como vimos, uma solução então a ortotanásia parece ser, pese embora ainda não ser aceite legalmente em Portugal, a solução preferível.