segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cavaco, o silencioso

 



 


Diz-se por ai que Aníbal Cavaco Silva foi reconduzido, como líder supremo da nação, com 52.95% (2231346 votos). Diz-se, mas ao que parece ele não sabe! Será que alguém o avisa que ele é e será por mais uns tempos o Presidente da República? Porque sinceramente não entendo como ele se pode manter alheio à situação do país, argumentando que ainda não tomou posse?! Ou será que, com mais este tabu, ele está a dizer que a partir de 9 de Março - o Dia de Cinzas - ele irá ser um “novo” Presidente, i.e., como se tivesse nascido outra vez? Porque, se assim for, cá o esperamos para ver...e crer!


 


 


 

Cavaco, o silencioso

 



 


Diz-se por ai que Aníbal Cavaco Silva foi reconduzido, como líder supremo da nação, com 52.95% (2231346 votos). Diz-se, mas ao que parece ele não sabe! Será que alguém o avisa que ele é e será por mais uns tempos o Presidente da República? Porque sinceramente não entendo como ele se pode manter alheio à situação do país, argumentando que ainda não tomou posse?! Ou será que, com mais este tabu, ele está a dizer que a partir de 9 de Março - o Dia de Cinzas - ele irá ser um “novo” Presidente, i.e., como se tivesse nascido outra vez? Porque, se assim for, cá o esperamos para ver...e crer!


 


 


 

VAI E VEM

 



 


 


 


Li agora mesmo na edição online do Público que  "ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou hoje que o esforço que Portugal terá de fazer em termos de contas públicas terá de ser acompanhado pelas decisões certas a nível europeu, caso contrário, poderá ser em vão". 


Mas, afinal é o diz que disse. De manhã a gente vai e agora vai “se”. Vai “se” a Europa se portar bem. Isto afinal é um número de trapézio. Trapézio e com rede, para a malta não se magoar. Moral: entre o vai, da manhã, ao vai “se”, do final do dia, o melhor não seria mesmo um vá "se"?!


 


 

VAI E VEM

 



 


 


 


Li agora mesmo na edição online do Público que  "ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou hoje que o esforço que Portugal terá de fazer em termos de contas públicas terá de ser acompanhado pelas decisões certas a nível europeu, caso contrário, poderá ser em vão". 


Mas, afinal é o diz que disse. De manhã a gente vai e agora vai “se”. Vai “se” a Europa se portar bem. Isto afinal é um número de trapézio. Trapézio e com rede, para a malta não se magoar. Moral: entre o vai, da manhã, ao vai “se”, do final do dia, o melhor não seria mesmo um vá "se"?!


 


 

Um achado...

Um achado...

o poder segundo Bocage


 


O Leão e o Porco


 


O rei dos animais, o rugidor leão, 
Com o porco engraçou, não sei por que razão. 
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna 
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna): 
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes, 
Poder de despachar os brutos pretendentes, 
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça, 
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça; 
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar, 
E a sua ocupação dormir, comer, fossar. 
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria, 
Soltavam contra ele injúria sobre injúria 
Os outros animais, dizendo-lhe com ira: 
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!» 
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais, 
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais! 
Dos filhos para o génio olhai com madureza; 
Não há poder algum que mude a natureza: 
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos 
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos. 

 in "Fábulas"

o poder segundo Bocage


 


O Leão e o Porco


 


O rei dos animais, o rugidor leão, 
Com o porco engraçou, não sei por que razão. 
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna 
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna): 
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes, 
Poder de despachar os brutos pretendentes, 
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça, 
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça; 
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar, 
E a sua ocupação dormir, comer, fossar. 
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria, 
Soltavam contra ele injúria sobre injúria 
Os outros animais, dizendo-lhe com ira: 
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!» 
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais, 
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais! 
Dos filhos para o génio olhai com madureza; 
Não há poder algum que mude a natureza: 
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos 
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos. 

 in "Fábulas"

minimalismo político

 



 


Recordo-me de uma citação de Anatole France, escritor francês, na qual ele se lamentava da política, dizendo: “Perdoo à República que governe mal porque governa pouco”! Hoje, quase um século passado sobre o seu tempo, esta afirmação não tem sentido algum e, no entanto a história repete-se com agravante de que se governa muito e mal. Não deveríamos pugnar por um sentimento minimalista da acção, i.e., exigindo que se governe bem porque se governa pouco? 

minimalismo político

 



 


Recordo-me de uma citação de Anatole France, escritor francês, na qual ele se lamentava da política, dizendo: “Perdoo à República que governe mal porque governa pouco”! Hoje, quase um século passado sobre o seu tempo, esta afirmação não tem sentido algum e, no entanto a história repete-se com agravante de que se governa muito e mal. Não deveríamos pugnar por um sentimento minimalista da acção, i.e., exigindo que se governe bem porque se governa pouco? 

Aqui há gato

Como a Correia do Norte é um país do terceiro mundo, sem acesso às tecnologia da informação, os ricos irmãos do Sul querem ajudá-los a sair da situação de total desinformação a que estão votados, e, desta forma, libertarem-se do jugo comunista. Assim, o governo de Seul, segundo o Jornal Público, tem enviado "panfletos a dar conta da situação no Egipto". Esta acção faz parte de uma campanha psicológica, na qual o Exército sul-coreano já "enviou alimentos, medicamentos e rádios para os habitantes, numa iniciativa que pretende encorajar os norte-coreanos à mudança." Ou seja, na impossibilidade de terem cães para caçar, os sul coreanos enviaram gatos...Pois, o que é preciso é "enviar" incentivos!


 


 



 


 (c) http://holsi.blogspot.com/


 


 


 


 


 


 

Aqui há gato

Como a Correia do Norte é um país do terceiro mundo, sem acesso às tecnologia da informação, os ricos irmãos do Sul querem ajudá-los a sair da situação de total desinformação a que estão votados, e, desta forma, libertarem-se do jugo comunista. Assim, o governo de Seul, segundo o Jornal Público, tem enviado "panfletos a dar conta da situação no Egipto". Esta acção faz parte de uma campanha psicológica, na qual o Exército sul-coreano já "enviou alimentos, medicamentos e rádios para os habitantes, numa iniciativa que pretende encorajar os norte-coreanos à mudança." Ou seja, na impossibilidade de terem cães para caçar, os sul coreanos enviaram gatos...Pois, o que é preciso é "enviar" incentivos!


 


 



 


 (c) http://holsi.blogspot.com/


 


 


 


 


 


 

Os vampiros estão, decididamente, na moda


O presidente do BPI, Fernando Ulrich disse hoje variadíssimas coisas.


Em primeiro lugar, disse que a intenção do Governo "de pedir um reforço da base de capital do sistema bancário era um «erro histórico»". Em segundo lugar, quando interrogado sobre a intenção de Teixeira dos Santos de se realizarem «tão cedo quanto possível» novos testes de stress e «mais exigentes», ele argumentou: «Fizeram-se testes de stress e como foram bons é porque não foram exigentes. O que se quer é sangue»! Pois, quanto nós, os vampiros estão, decididamente, na moda!


 

Os vampiros estão, decididamente, na moda


O presidente do BPI, Fernando Ulrich disse hoje variadíssimas coisas.


Em primeiro lugar, disse que a intenção do Governo "de pedir um reforço da base de capital do sistema bancário era um «erro histórico»". Em segundo lugar, quando interrogado sobre a intenção de Teixeira dos Santos de se realizarem «tão cedo quanto possível» novos testes de stress e «mais exigentes», ele argumentou: «Fizeram-se testes de stress e como foram bons é porque não foram exigentes. O que se quer é sangue»! Pois, quanto nós, os vampiros estão, decididamente, na moda!


 

Retratos assassinos?

Na altura eram marca de inocência. Hoje, ao que parece, matam. 

Retratos assassinos?

Na altura eram marca de inocência. Hoje, ao que parece, matam. 

Em frente, marche!

 


 


 


"Aconteça o que acontecer, não nos desviaremos dos objectivos". Ministro Teixeira dos Santos.

Em frente, marche!

 


 


 


"Aconteça o que acontecer, não nos desviaremos dos objectivos". Ministro Teixeira dos Santos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O futuro?

 


O futuro?

 


A geração está à rasca


 


Quando os japoneses estão à rasca, seguem as instruções. Se fizéssemos o mesmo, porventura, seria mais fácil.

A geração está à rasca


 


Quando os japoneses estão à rasca, seguem as instruções. Se fizéssemos o mesmo, porventura, seria mais fácil.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Será que acertarão?


Estas sãos as previsões do Google para os Óscares. Será que o cinema é assim tão previsível?

Será que acertarão?


Estas sãos as previsões do Google para os Óscares. Será que o cinema é assim tão previsível?

Por causa de uma coisa que eu li

Recordo-me de uma passagem do libreto do  "Barbeiro de Sevilha" [Beaumarchais]: "Apresso-me a rir de tudo, com medo de ser obrigado a chorar."


 




Por causa de uma coisa que eu li

Recordo-me de uma passagem do libreto do  "Barbeiro de Sevilha" [Beaumarchais]: "Apresso-me a rir de tudo, com medo de ser obrigado a chorar."


 




sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Distracções com o pagamento da conta da água, dá direito a pesada execução fiscal

Atraso na conta da água, leva a coisa para execução fiscal e obriga ao pagamento de custas e juros de mora. A conta da água pode ficar pelo triplo do valor.


 


E quando falta a água poderemos nós executar o Estado com custas e juros de mora?


 


Faço minha a indignação de Eça de Queiroz:


 



 


Ilus. e Ex.mo Senhor Carlos Pinto Coelho


digno director da Companhia das Águas e


digno membro do Partido Legitimista:


 


Dois factos igualmente graves e igualmente importantes, para mim, me levam a dirigir a V. Exa. estas humildes regras: o primeiro é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.


Abundam os Carlistas e escassearam as águas, eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Exa., a responsabilidade da canalização e a do direito divino.


Se eu tiver fortuna de exacerbar até às lágrimas a justa comoção de V. Exa., que eu interponha o meu contador, Exmo. Senhor, que eu interponha nas relações de sensibilidade de V. Exa., com o Mundo externo; e que essas lágrimas benditas de industrial e de político caiam na minha bandeira!


E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Exa. o permite, dos nossos contratos. Em virtude do meu escrito, devidamente firmado por V. Exa., e por mim, temos nós – um para com o outro – um certo número de direitos e encargos. Eu obriguei-me, para com V. Exa., a pagar a despesa de uma encanação, e aluguer de um contador e o preço da água que consumisse.


V. Exa. fornecia, eu pagava. Faltamos, evidentemente, à fé deste contrato; eu, se não pagar, V. Exa., se não fornecer.


Se eu não pagar, faz isto: corta-me a canalização.


Quando V. Exa. não fornecer, o que hei-de fazer, Exmo. Senhor? É evidente que para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino, eu preciso, no análogo àquele em que V. Exa. me cortaria a canalização, de cortar alguma coisa a V. Exa.


Oh! E hei-de cortar-lha!…


Eu não peço indemnizações pela perda que estou sofrendo, eu não peço contas, eu não peço explicações, eu chego a nem sequer pedir água. Não quero pôr a Companhia em dificuldades, não quero causar-lhe desgostos nem prejuízos…


Quero apenas esta pequena desafronta, bem simples e bem razoável, perante o direito e a justiça distribuída: – quero cortar uma coisa a V. Exa.!


Rogo-lhe, Exmo. Senhor, a especial fineza de me dizer, imediatamente, peremptoriamente, sem evasivas nem tergiversações, qual é a coisa que, no mais santo uso do meu pleno direito, eu posso cortar a V. Exa.


Tenho a honra de ser


De V. Exa. com muita consideração


e com algumas tesouras

Distracções com o pagamento da conta da água, dá direito a pesada execução fiscal

Atraso na conta da água, leva a coisa para execução fiscal e obriga ao pagamento de custas e juros de mora. A conta da água pode ficar pelo triplo do valor.


 


E quando falta a água poderemos nós executar o Estado com custas e juros de mora?


 


Faço minha a indignação de Eça de Queiroz:


 



 


Ilus. e Ex.mo Senhor Carlos Pinto Coelho


digno director da Companhia das Águas e


digno membro do Partido Legitimista:


 


Dois factos igualmente graves e igualmente importantes, para mim, me levam a dirigir a V. Exa. estas humildes regras: o primeiro é a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças Carlistas sobre as tropas Republicanas, em Espanha: o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.


Abundam os Carlistas e escassearam as águas, eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Exa., a responsabilidade da canalização e a do direito divino.


Se eu tiver fortuna de exacerbar até às lágrimas a justa comoção de V. Exa., que eu interponha o meu contador, Exmo. Senhor, que eu interponha nas relações de sensibilidade de V. Exa., com o Mundo externo; e que essas lágrimas benditas de industrial e de político caiam na minha bandeira!


E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Exa. o permite, dos nossos contratos. Em virtude do meu escrito, devidamente firmado por V. Exa., e por mim, temos nós – um para com o outro – um certo número de direitos e encargos. Eu obriguei-me, para com V. Exa., a pagar a despesa de uma encanação, e aluguer de um contador e o preço da água que consumisse.


V. Exa. fornecia, eu pagava. Faltamos, evidentemente, à fé deste contrato; eu, se não pagar, V. Exa., se não fornecer.


Se eu não pagar, faz isto: corta-me a canalização.


Quando V. Exa. não fornecer, o que hei-de fazer, Exmo. Senhor? É evidente que para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino, eu preciso, no análogo àquele em que V. Exa. me cortaria a canalização, de cortar alguma coisa a V. Exa.


Oh! E hei-de cortar-lha!…


Eu não peço indemnizações pela perda que estou sofrendo, eu não peço contas, eu não peço explicações, eu chego a nem sequer pedir água. Não quero pôr a Companhia em dificuldades, não quero causar-lhe desgostos nem prejuízos…


Quero apenas esta pequena desafronta, bem simples e bem razoável, perante o direito e a justiça distribuída: – quero cortar uma coisa a V. Exa.!


Rogo-lhe, Exmo. Senhor, a especial fineza de me dizer, imediatamente, peremptoriamente, sem evasivas nem tergiversações, qual é a coisa que, no mais santo uso do meu pleno direito, eu posso cortar a V. Exa.


Tenho a honra de ser


De V. Exa. com muita consideração


e com algumas tesouras

Só com carroça

Em nome de um suposto plano de Poupança Energética que visa responder ao aumento dos preços dos combustíveis que, segundo as contas do governo de Madrid permitirá poupar cerca de 15% na gasolina e 11% no gasóleo, o limite máximo de velocidade permitido nas auto-estradas espanholas vai passar dos actuais 120 para 110 Km. Ora, com o andar da carruagem qualquer dia só andaremos nas "careteras españolas" de carroça.


 


 


Só com carroça

Em nome de um suposto plano de Poupança Energética que visa responder ao aumento dos preços dos combustíveis que, segundo as contas do governo de Madrid permitirá poupar cerca de 15% na gasolina e 11% no gasóleo, o limite máximo de velocidade permitido nas auto-estradas espanholas vai passar dos actuais 120 para 110 Km. Ora, com o andar da carruagem qualquer dia só andaremos nas "careteras españolas" de carroça.


 


 


Isto é que é tortura

Parece que neste país há pessoas que não sabem o que é tortura. E como uma imagem vale mais do que mil palavras aqui vai.


Isto, meninos e meninas, graúdos e graúdas, é tortura!



 




 

Isto é que é tortura

Parece que neste país há pessoas que não sabem o que é tortura. E como uma imagem vale mais do que mil palavras aqui vai.


Isto, meninos e meninas, graúdos e graúdas, é tortura!



 




 

Quarto com vista para a rua

"Quem és tu que queres julgar,


com vista que só alcança um palmo,


coisas que estão a mil milhas ?"


"Paraíso" 
Dante Alighieri


 


 


Daqui onde estou, i.e., no meu universo confinado às linhas de horizonte, que marcam e acentuam a nossa realidade, sou tão somente o que quero ou (porventura) me deixam ser. Porque, mesmo que não tenha que ter medo das palavras ou até, ser for necessário, de pedir desculpas é importante reconhecer que deste quarto com vista para a rua estou longe de ver o mundo – é certo que ninguém humanamente o está, ou seja, de ver a totalidade! Criticar, apontar o dedo, como se fossemos donos da verdade, é demasiado fácil. De uma (pseudo) verdade que (naturalmente) confinada à área do quarto e aos “curtos horizontes” que a vista possibilita, chega-se facilmente à conclusão que é mais fácil apontar o dedo, pôr a cabeça debaixo da areia, do que enfrentar a realidade de caras. Porque, e mesmo que entenda que o recurso à violência deva ser sempre empregue em última instância, admito que o “real” tem justificações que são incontornáveis. Após ter lido o testemunho destes dois guardas prisionais reconheço, também, que é mais fácil atirar a primeira pedra do que “pegar os touros pelos cornos”. Se não for assim, ou seja, se estivermos exclusivamente confinados aos nossos quartos com vista para a rua, passaremos a vida a assobiar para o lado!


 


 


 



Townscape (1967) - Vista da Cidade
José Paulo Moreira da Fonseca (b 1922)



As vistas, por mais bonitas que sejam, são sempre curtas.


 

Quarto com vista para a rua

"Quem és tu que queres julgar,


com vista que só alcança um palmo,


coisas que estão a mil milhas ?"


"Paraíso" 
Dante Alighieri


 


 


Daqui onde estou, i.e., no meu universo confinado às linhas de horizonte, que marcam e acentuam a nossa realidade, sou tão somente o que quero ou (porventura) me deixam ser. Porque, mesmo que não tenha que ter medo das palavras ou até, ser for necessário, de pedir desculpas é importante reconhecer que deste quarto com vista para a rua estou longe de ver o mundo – é certo que ninguém humanamente o está, ou seja, de ver a totalidade! Criticar, apontar o dedo, como se fossemos donos da verdade, é demasiado fácil. De uma (pseudo) verdade que (naturalmente) confinada à área do quarto e aos “curtos horizontes” que a vista possibilita, chega-se facilmente à conclusão que é mais fácil apontar o dedo, pôr a cabeça debaixo da areia, do que enfrentar a realidade de caras. Porque, e mesmo que entenda que o recurso à violência deva ser sempre empregue em última instância, admito que o “real” tem justificações que são incontornáveis. Após ter lido o testemunho destes dois guardas prisionais reconheço, também, que é mais fácil atirar a primeira pedra do que “pegar os touros pelos cornos”. Se não for assim, ou seja, se estivermos exclusivamente confinados aos nossos quartos com vista para a rua, passaremos a vida a assobiar para o lado!


 


 


 



Townscape (1967) - Vista da Cidade
José Paulo Moreira da Fonseca (b 1922)



As vistas, por mais bonitas que sejam, são sempre curtas.


 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Marinho Pinto, é fácil falar....

A propósito da notícia do Público, onde Marinho Pinto critica a "exibição doentia de poder e de autoridade", que considera "inadmissível num Estado de Direito" e "desconforme com os valores da Constituição", devido à divulgação das imagens do uso das Taser na cadeia de Paços de Ferreira, tenho a dizer que criticar é fácil. Mas como mudar um preso violento de uma cela que ele tornou imunda de propósito e insuportável para os outros? Gostava de saber como é que Marinho Pinto ia lá buscar um preso daqueles? Imaginem o caso de um preso altamente violento, um Aníbal the Canibal, é preciso de mudá-lo de cela.... como é que Marinho Pinto pensa que isso se pode fazer? Às vezes é preciso ir ao fundo das questões para ter o retrato completo dos acontecimentos e não sucumbir à comoção evidente provocada por imagens.


É preciso cuidado com o poder das imagens para criar realidades.


Eu percebo que aquelas imagens choquem, porque há uma aparência de tortura, mas é preciso procurar a verdade para lá das aparências. E o uso de tasers (choques eléctricos) para imobilizar presos é uma violência, mas também o é uma prisão. Não há nada mais violento que uma prisão... uma pessoa presa numa cela metade da vida, que violento. Ainda por cima naquele caso, numa cela imunda, ou na vizinhança de uma cela imunda. No entanto as prisões são mais do que necessárias.

Não estou a defender o uso da tasers, porque não percebo o real impacto daquelas armas imobilizadoras, mas estou apenas a servir de advogado do diabo, e a pedir para se não fazerem julgamentos muito rápidos da polícia e dos GISP porque há uma verdade para lá da aparência impressionante dessas imagens. 

Marinho Pinto, é fácil falar....

A propósito da notícia do Público, onde Marinho Pinto critica a "exibição doentia de poder e de autoridade", que considera "inadmissível num Estado de Direito" e "desconforme com os valores da Constituição", devido à divulgação das imagens do uso das Taser na cadeia de Paços de Ferreira, tenho a dizer que criticar é fácil. Mas como mudar um preso violento de uma cela que ele tornou imunda de propósito e insuportável para os outros? Gostava de saber como é que Marinho Pinto ia lá buscar um preso daqueles? Imaginem o caso de um preso altamente violento, um Aníbal the Canibal, é preciso de mudá-lo de cela.... como é que Marinho Pinto pensa que isso se pode fazer? Às vezes é preciso ir ao fundo das questões para ter o retrato completo dos acontecimentos e não sucumbir à comoção evidente provocada por imagens.


É preciso cuidado com o poder das imagens para criar realidades.


Eu percebo que aquelas imagens choquem, porque há uma aparência de tortura, mas é preciso procurar a verdade para lá das aparências. E o uso de tasers (choques eléctricos) para imobilizar presos é uma violência, mas também o é uma prisão. Não há nada mais violento que uma prisão... uma pessoa presa numa cela metade da vida, que violento. Ainda por cima naquele caso, numa cela imunda, ou na vizinhança de uma cela imunda. No entanto as prisões são mais do que necessárias.

Não estou a defender o uso da tasers, porque não percebo o real impacto daquelas armas imobilizadoras, mas estou apenas a servir de advogado do diabo, e a pedir para se não fazerem julgamentos muito rápidos da polícia e dos GISP porque há uma verdade para lá da aparência impressionante dessas imagens. 

Uma coisa a despropósito que soa (muito) bem

 


Rainbow Arabia's "This Life is Practice"


 


Uma coisa a despropósito que soa (muito) bem

 


Rainbow Arabia's "This Life is Practice"


 


Da questão árabe à ideia de democracia

Logo a seguir ao 25 de Abril, uma dessas editoras da moda de então, a Futura, publicou um livro de um universitário norte-americano precisamente intitulado “Democracia”. Recordo a obra de Carl Cohen na medida em que ele, a páginas tantas, faz referência a um conceito particularmente interessante, justo e eficaz: o da “amplitude democrática”.


 


Ora, sabemos que o conceito puro de democracia é ineficaz, utópico, e até indesejável. Pois em nome desse ideal foram feitas as maiores barbaridades da história. É preciso recordar que foi em nome desse ideal que foi estruturado idealmente o comunismo. Todos sabemos no que isso deu! No entanto, partir do pressuposto “ocidentalizante”, i.e., teoricamente racionalista, de que, à cabeça, a democracia é impossível nos países árabes é frustrante.


 


A Índia é, para todos os efeitos, a democracia mais populosa do mundo e, no entanto, serão eles, nos nossos padrões, verdadeiramente democráticos? Que raio de democracia é esta em que, não raras vezes, a transição é feita matando-se como aconteceu com Indira Gandhi, em 1984, e, mais tarde, com o seu filho Rajiv Gandhi, em 1991? Será assim verdadeiramente impossível uma democracia “arábica”?


 


Acontece, todavia, que a questão é diversa. Em bom rigor, de per si, nem é política. Porque, de facto a democracia é uma “questão interior” – “A democracia”, escreve Lacroix, é “uma aventura – a aventura do pensamento no interior da sociedade humana”, pelo que tinha razão Alain quando afirmou que “uma democracia sem espírito não pode durar muito tempo”! E, por outro lado, tal como no cristianismo é fundada no amor: “A democracia é de essência evangélica e tem por motor o amor” [Bergson]. Ou seja, “o democrata reconhece-se no respeito escrupuloso pelo pensamento de outrem. E é precisamente este respeito que o anti-democrata recusa e teme!”


 


Da questão árabe à ideia de democracia

Logo a seguir ao 25 de Abril, uma dessas editoras da moda de então, a Futura, publicou um livro de um universitário norte-americano precisamente intitulado “Democracia”. Recordo a obra de Carl Cohen na medida em que ele, a páginas tantas, faz referência a um conceito particularmente interessante, justo e eficaz: o da “amplitude democrática”.


 


Ora, sabemos que o conceito puro de democracia é ineficaz, utópico, e até indesejável. Pois em nome desse ideal foram feitas as maiores barbaridades da história. É preciso recordar que foi em nome desse ideal que foi estruturado idealmente o comunismo. Todos sabemos no que isso deu! No entanto, partir do pressuposto “ocidentalizante”, i.e., teoricamente racionalista, de que, à cabeça, a democracia é impossível nos países árabes é frustrante.


 


A Índia é, para todos os efeitos, a democracia mais populosa do mundo e, no entanto, serão eles, nos nossos padrões, verdadeiramente democráticos? Que raio de democracia é esta em que, não raras vezes, a transição é feita matando-se como aconteceu com Indira Gandhi, em 1984, e, mais tarde, com o seu filho Rajiv Gandhi, em 1991? Será assim verdadeiramente impossível uma democracia “arábica”?


 


Acontece, todavia, que a questão é diversa. Em bom rigor, de per si, nem é política. Porque, de facto a democracia é uma “questão interior” – “A democracia”, escreve Lacroix, é “uma aventura – a aventura do pensamento no interior da sociedade humana”, pelo que tinha razão Alain quando afirmou que “uma democracia sem espírito não pode durar muito tempo”! E, por outro lado, tal como no cristianismo é fundada no amor: “A democracia é de essência evangélica e tem por motor o amor” [Bergson]. Ou seja, “o democrata reconhece-se no respeito escrupuloso pelo pensamento de outrem. E é precisamente este respeito que o anti-democrata recusa e teme!”


 


Que perigos se escondem por detrás destas revoluções do mundo árabe?

É preciso cuidado com o que se esconde por detrás de palavras "belas" como Democracia e Liberdade.


 


 


Para ler em Corta-Fitas.


 

Que perigos se escondem por detrás destas revoluções do mundo árabe?

É preciso cuidado com o que se esconde por detrás de palavras "belas" como Democracia e Liberdade.


 


 


Para ler em Corta-Fitas.


 

Já devia ter imaginado

"O que está a acontecer agora não é o poder do povo é o terrorismo internacional de Bin Laden"


Kadhafi acusa rebeldes de servirem os interesses de Bin Laden. Quem mais do que o suspeito do costume?


 

Já devia ter imaginado

"O que está a acontecer agora não é o poder do povo é o terrorismo internacional de Bin Laden"


Kadhafi acusa rebeldes de servirem os interesses de Bin Laden. Quem mais do que o suspeito do costume?


 

unus ut est said , est said [O que está dito, está dito]

"Coragem é o que é preciso para ficar de pé e falar; coragem é também o que é preciso para sentar e ouvir. "
Sir Winston Churchill

unus ut est said , est said [O que está dito, está dito]

"Coragem é o que é preciso para ficar de pé e falar; coragem é também o que é preciso para sentar e ouvir. "
Sir Winston Churchill

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O brinquedo do dia

O brinquedo do dia

Velhos tempos


 


Durante a Cimeira União Europeia-África Kadhafi instalou uma tenda no forte São Julião da Barra em Oeiras. Trouxe camelos, areia, os cozinheiros. Tudo porque está montado no petróleo, e é o maior fornecedor europeu.


 


Isso agora já começa a ser arqueologia. Kadhafi não vai baixar as armas. E antes de ser deposto destrói a Líbia e os tão ambicionados poços de petróleo.

Velhos tempos


 


Durante a Cimeira União Europeia-África Kadhafi instalou uma tenda no forte São Julião da Barra em Oeiras. Trouxe camelos, areia, os cozinheiros. Tudo porque está montado no petróleo, e é o maior fornecedor europeu.


 


Isso agora já começa a ser arqueologia. Kadhafi não vai baixar as armas. E antes de ser deposto destrói a Líbia e os tão ambicionados poços de petróleo.

A vida imita a arte


 


Em Novembro de 2010, o escritor egípcio Tarek Osman lançou um livro "Egypt on the Brink: From Nasser to Mubarak" onde prevê uma revolução com origem na classe média e liderada pelos jovens.


 

A vida imita a arte


 


Em Novembro de 2010, o escritor egípcio Tarek Osman lançou um livro "Egypt on the Brink: From Nasser to Mubarak" onde prevê uma revolução com origem na classe média e liderada pelos jovens.


 

O hábito faz o monge. O "Taser" o bruto!

Drama num acto


Palco escolhido Prisão de Paços Ferreira


Setembro de 2010


 


Polícia: Sr. Gouveia? Vai limpar a sua cela? Sim ou não? 

P: Levante-se da cama. Não vai limpar a cela? Não vai limpar nada?

P: Ponha-se em pé. Vire-se de costas. Olhe para a janela. O sr. vai ser retirado daqui. Olhe para a janela, não se mexa.

[disparo do Taser]

Preso: (grito)

P2: esteja calado!

P3: Olha os fios! Olha os fios!

P: Não mexe! Mãos atrás das costas! Mãos atrás das costas! Não mexe!

P: Ninguém o vai magoar. Ninguém o vai magoar. Ninguém o vai magoar…

P: Fale comigo. Qual é o seu número? Qual é o seu número? 

Preso: (diz o número)

P: Como é que o sr. se chama?

Preso: (diz o nome completo)

P: Neste momento vai limpar a cela. Está compreendido?

P: Levante-se. Levante os pés! Saia para fora! Olha os fios…

P: Para ali. Contorna. Calma. 

P: ???? da Guarda Prisional, do sr. chefe de guardas e vai limpar a cela?

Preso: Limpo… Limpo…

P: Enquanto o sr. não tomar medidas para ser um ser arrumado o sr. vai ser altamente violentado. Há dúvidas?

Preso: Não.

P: Levante-se!

Preso: eu já disse tudo. Eu já disse tudo.

P: Consegue-se levantar sr. Gouveia!

Preso: deixem-me pôr de pé se faz favor.

P: então, faça o favor de se levantar.

P: Só com uma perna, isso…

P: Vire-se de costas. Vire-se de costas. Neste momento o sr. vai limpar a cela.

P: Filma a cela, Alfa, filma a cela bem filmada em todos os cantos. Cagalhões… Quero essa merda bem filmada.

P: … primeiro vais lavar a cela para ficar em condições. A seguir vai limpar a cela em frente aos colegas, ouviste?

[Chega um enfermeiro]

P:… não, os grampos vão manter-se como estão. Ele vai limpar…

P2: atenção aos fios que ele pode ter algum movimento violento para si [enfermeiro].

P: não toque nos fios está em sr. dr. Verifique o homem.

P: cuidado com os fios e se houver alguma coisa é o Sierra que trata do assunto.

P: já sabes que se te mexes vais logo parar ao chão.

P: quer passar para o outro lado, se quiser passe por cima dos fios. Pode ficar agarrado…

P: Ok. Tá tudo limpo?

Enfermeiro: Sim, sim.

P: Ok. Há zero baixas!

P: ????. O sr. pode sair da cela!

P: sr. Gouveia, venha na minha direcção por favor. Cabeça baixa! Vamos embora! Vire à direita! Vai entrar na sua cela.

P: Comece a limpar sr. Gouveia, comece a limpar, sr. Gouveia. Comece a limpar. Ainda não limpou nada.

Preso: (começa a limpar o chão da cela com os pés)

P: sr. Gouveia, acabe a limpeza, sr. Gouveia. Saia cá para fora. Pode sair cá para fora. Pode sair pronto. Vá para a sua nova cela. Vá para a sua nova cela! À direita. Aquela de onde acabou de sair. Vá para a sua cela. 

P: Baixe a cabeça, sr. Gouveia.

P2: Toma, desinfectante, queres?

P: Sr. Gouveia vai-se deitar aí…

P: Olha aí! Olha aí!

P: Deite-se na cama. Barriga para baixo…

P: Luvas de látex, luvas de látex, tens?

P: Vire-se para lá. Você pode estar calado?

P: álcool, álcool.

P2: O sr. enfermeiro, queres?

P: Quero.

P2: Tá a chegar.

P: como é que o sr. se chama?

Preso: (diz o nome)

P: qual é o seu número?

Preso: (diz o número)


 


 


 


 


Para mais informação complementar aquii.

O hábito faz o monge. O "Taser" o bruto!

Drama num acto


Palco escolhido Prisão de Paços Ferreira


Setembro de 2010


 


Polícia: Sr. Gouveia? Vai limpar a sua cela? Sim ou não? 

P: Levante-se da cama. Não vai limpar a cela? Não vai limpar nada?

P: Ponha-se em pé. Vire-se de costas. Olhe para a janela. O sr. vai ser retirado daqui. Olhe para a janela, não se mexa.

[disparo do Taser]

Preso: (grito)

P2: esteja calado!

P3: Olha os fios! Olha os fios!

P: Não mexe! Mãos atrás das costas! Mãos atrás das costas! Não mexe!

P: Ninguém o vai magoar. Ninguém o vai magoar. Ninguém o vai magoar…

P: Fale comigo. Qual é o seu número? Qual é o seu número? 

Preso: (diz o número)

P: Como é que o sr. se chama?

Preso: (diz o nome completo)

P: Neste momento vai limpar a cela. Está compreendido?

P: Levante-se. Levante os pés! Saia para fora! Olha os fios…

P: Para ali. Contorna. Calma. 

P: ???? da Guarda Prisional, do sr. chefe de guardas e vai limpar a cela?

Preso: Limpo… Limpo…

P: Enquanto o sr. não tomar medidas para ser um ser arrumado o sr. vai ser altamente violentado. Há dúvidas?

Preso: Não.

P: Levante-se!

Preso: eu já disse tudo. Eu já disse tudo.

P: Consegue-se levantar sr. Gouveia!

Preso: deixem-me pôr de pé se faz favor.

P: então, faça o favor de se levantar.

P: Só com uma perna, isso…

P: Vire-se de costas. Vire-se de costas. Neste momento o sr. vai limpar a cela.

P: Filma a cela, Alfa, filma a cela bem filmada em todos os cantos. Cagalhões… Quero essa merda bem filmada.

P: … primeiro vais lavar a cela para ficar em condições. A seguir vai limpar a cela em frente aos colegas, ouviste?

[Chega um enfermeiro]

P:… não, os grampos vão manter-se como estão. Ele vai limpar…

P2: atenção aos fios que ele pode ter algum movimento violento para si [enfermeiro].

P: não toque nos fios está em sr. dr. Verifique o homem.

P: cuidado com os fios e se houver alguma coisa é o Sierra que trata do assunto.

P: já sabes que se te mexes vais logo parar ao chão.

P: quer passar para o outro lado, se quiser passe por cima dos fios. Pode ficar agarrado…

P: Ok. Tá tudo limpo?

Enfermeiro: Sim, sim.

P: Ok. Há zero baixas!

P: ????. O sr. pode sair da cela!

P: sr. Gouveia, venha na minha direcção por favor. Cabeça baixa! Vamos embora! Vire à direita! Vai entrar na sua cela.

P: Comece a limpar sr. Gouveia, comece a limpar, sr. Gouveia. Comece a limpar. Ainda não limpou nada.

Preso: (começa a limpar o chão da cela com os pés)

P: sr. Gouveia, acabe a limpeza, sr. Gouveia. Saia cá para fora. Pode sair cá para fora. Pode sair pronto. Vá para a sua nova cela. Vá para a sua nova cela! À direita. Aquela de onde acabou de sair. Vá para a sua cela. 

P: Baixe a cabeça, sr. Gouveia.

P2: Toma, desinfectante, queres?

P: Sr. Gouveia vai-se deitar aí…

P: Olha aí! Olha aí!

P: Deite-se na cama. Barriga para baixo…

P: Luvas de látex, luvas de látex, tens?

P: Vire-se para lá. Você pode estar calado?

P: álcool, álcool.

P2: O sr. enfermeiro, queres?

P: Quero.

P2: Tá a chegar.

P: como é que o sr. se chama?

Preso: (diz o nome)

P: qual é o seu número?

Preso: (diz o número)


 


 


 


 


Para mais informação complementar aquii.

Quando o telemóvel ainda não era a regra

 






Que saudades desse tempo!

Quando o telemóvel ainda não era a regra

 






Que saudades desse tempo!

Com a crise o melhor é meter mais água


Porque será que não nos contentamos com o que temos e queremos sempre mais? A noticia  faz-me lembrar um pouco aquele velho anuncio do Restaurador Olex...Um branco de carapinha...! Pois é, não tem sentido! Portanto, pergunto: qual é a lógica de se construir, em Mangualde, no interior do país, um simulacro de praia? Quais serão os seus custos, incluindo os ambientais?


Porque será que num país pobre e, ainda por cima,  em crise acentudada,  ainda há gente que quer meter mais água?


 


 


 

Com a crise o melhor é meter mais água


Porque será que não nos contentamos com o que temos e queremos sempre mais? A noticia  faz-me lembrar um pouco aquele velho anuncio do Restaurador Olex...Um branco de carapinha...! Pois é, não tem sentido! Portanto, pergunto: qual é a lógica de se construir, em Mangualde, no interior do país, um simulacro de praia? Quais serão os seus custos, incluindo os ambientais?


Porque será que num país pobre e, ainda por cima,  em crise acentudada,  ainda há gente que quer meter mais água?


 


 


 

Homens de direita são mais bonitos


 


 


"Um estudo de três economistas, da Suécia e da Finlándia, revela os candidatos de direita são considerados mais bonitos que os de esquerda e isso beneficia-os nas eleições".


 


Bem quanto à primeira parte da sentença, tudo certo, os homens de direita são mais bonitos. Quanto a isso os beneficiarem nas eleições, não se tem visto a direita com grandes vitórias.

Homens de direita são mais bonitos


 


 


"Um estudo de três economistas, da Suécia e da Finlándia, revela os candidatos de direita são considerados mais bonitos que os de esquerda e isso beneficia-os nas eleições".


 


Bem quanto à primeira parte da sentença, tudo certo, os homens de direita são mais bonitos. Quanto a isso os beneficiarem nas eleições, não se tem visto a direita com grandes vitórias.

Às vezes Deus castiga-nos com as nossas preces


 


Jenny Holzer
Azan art collection


 


 


Lembra-me uma coisa que Karen Blixen diz ao Denys Finch Hatton, quando ele aceita finalmente ir viver com ela: "às vezes Deus castiga-nos com as nossas preces".

Às vezes Deus castiga-nos com as nossas preces


 


Jenny Holzer
Azan art collection


 


 


Lembra-me uma coisa que Karen Blixen diz ao Denys Finch Hatton, quando ele aceita finalmente ir viver com ela: "às vezes Deus castiga-nos com as nossas preces".

Puto de cera

Segundo o DN Justin Bieber (de 16 anos), o novo ícone da pop, de origem  canadiana, vai ter estátua de cera no museu Madade Tussauds, em Londres. A qual irá custar cerca de 177 mil euros e durará cerca de 4 meses a ser feita.


Para ele "ser imortalizado num boneco de cera ao lado de alguns dos meus ídolos, como o Michael Jackson, o Prince, a Beyoncé, ou Usher, o meu mentor, é incrivelmente emocionante". Compreende-se. São os sonhos de um jovem imberbe!


Todavia não escrevo aqui para debruçar-me sobre as qualidades deste jovem canadiano, até porque desconheço de todo. Só não compreendo este investimento do museu inglês. Ora, se ele tem só 16 anos, é natural que - caso consiga - mais cedo ou mais tarde se torne num homenzinho. E sabe-se lá se neste tempo que a dita cuja demora a ser feita ele não será tocado por camadas avassaladoras de acne? E há tanta gente a quem fazia-lhe jeito esse dinheirinho! 


 


 


O cara-de-pau de hoje é teen, canta e (ainda) não sabe o que é acne!

Puto de cera

Segundo o DN Justin Bieber (de 16 anos), o novo ícone da pop, de origem  canadiana, vai ter estátua de cera no museu Madade Tussauds, em Londres. A qual irá custar cerca de 177 mil euros e durará cerca de 4 meses a ser feita.


Para ele "ser imortalizado num boneco de cera ao lado de alguns dos meus ídolos, como o Michael Jackson, o Prince, a Beyoncé, ou Usher, o meu mentor, é incrivelmente emocionante". Compreende-se. São os sonhos de um jovem imberbe!


Todavia não escrevo aqui para debruçar-me sobre as qualidades deste jovem canadiano, até porque desconheço de todo. Só não compreendo este investimento do museu inglês. Ora, se ele tem só 16 anos, é natural que - caso consiga - mais cedo ou mais tarde se torne num homenzinho. E sabe-se lá se neste tempo que a dita cuja demora a ser feita ele não será tocado por camadas avassaladoras de acne? E há tanta gente a quem fazia-lhe jeito esse dinheirinho! 


 


 


O cara-de-pau de hoje é teen, canta e (ainda) não sabe o que é acne!