quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

BPI entre a espada e a parede


Deixar de ter uma participação de controlo no Banco de Fomento Angola (BFA); levar o banco a reduzir a sua carteira de dívida pública angolana ou comprar o Novo Banco para diluir o peso do BFA no balanço são as principais opções que o BPI terá de ter em cima da mesa para responder às exigências do Banco Central Europeu (BCE). Mas paradoxalmente a compra do Novo Banco está cada vez mais distante.


A exclusão de Angola da lista de países considerados equiparados à União Europeia para propósitos de regulamentação e supervisão impactam negativamente no capital do banco liderado por Fernando Ulrich em 90 pontos base, quase 1%. Só para se ter uma ideia, o total de Activos Ponderados pelo Risco (RWA) atribuíveis à exposição indirecta do Banco BPI ao Estado Angolano e ao BNA era de 799 milhões de euros e 437 milhões de euros, respectivamente, antes desta mudança. Com a aplicação, a partir de 1 de Janeiro de 2015, dos novos ponderadores, os RWA atribuíveis ao Estado Angolano aumentam para 3.616 milhões de euros e os RWA atribuíveis ao BNA aumentam para 1.297 milhões de euros, o que corresponde a um aumento total de RWA de 3,7 mil milhões de euros. Foi fatal para o banco mais bem comportado do sistema.


Angola sair da lista de países terceiros com regulamentação e supervisão equivalentes às da União Europeia não é nada de admirar. Basta ver o caso do BESA para estranhar como pode alguma vez ser considerado equivalente à UE. Mas que essa evidência se tornou uma maçada para um dos mais importantes bancos portugueses isso tornou. O BFA é a jóia da coroa do BPI que tem visto o negócio no mercado doméstico contrair-se. O BFA pesa quase 50% nos proveitos bancários e um terço nos depósitos do banco português. A situação não é fácil para o banco. É uma espécie de 'escolha de Sofia' deixar de controlar o BFA e consolidar todos os resultados angolanos ou ter de reforçar o capital.


Fernando Ulrich vai ainda ter de decidir entre reduzir a exposição indirecta em kwanzas do Banco BPI ao Estado Angolano, traduzida em títulos da dívida pública angolana detidos pelo BFA e em crédito concedido ao Estado Angolano pelo BFA e ao Banco Nacional de Angola, traduzida em reservas mínimas de caixa, outros depósitos e reportes também do BFA. Em alternativa pode crescer por aquisições e reduzir o peso relativo de Angola no seu balanço consolidado. Mas para isso também não tem capital. 


Vejamos: 


O BPI pode vender 1% do BFA para deixar de ter o controlo do banco. Mas há ainda o risco de a exposição a dívida soberana Angolana ter de ser drásticamente reduzida – o que tem forte impacto nas receitas do banco. O limite para investir em dívida soberana angolana (que é de 25% dos fundos próprios consolidados)  – o limite dos grandes riscos – foi ultrapassado com estas alterações contabilísticas europeias. 


Por outro lado as probabilidades de compra do Novo Banco são agora mais baixas. Pois o capital do banco é mais baixo e a compra do Novo Banco exige capital. Estando o Santander Totta e outros na corrida a pressão no preço é maior. O preço que o BPI pode oferecer é facilmente coberto pelo Santander que tem uma grande capacidade financeira (acaba de fazer um aumento de capital o banco espanhol). 


Como é que o BPI pode comprar o Novo Banco? Teria de convencer os accionistas todos (incluindo angolanos e alemães) a irem a um aumento de capital. 


Mas há o cenário alternativo de o Caixa Bank comprar o Novo Banco, em substituição do seu participado BPI (o La Caixa tem 44,1% do BPI). Mas como faria depois a integração do BPI com o Novo Banco, não tendo o La Caixa 100%, ou sequer mais de 50%, do banco liderado por Fernando Ulrich?


O BPI pode fazer um grande aumento de capital protegido pelo La Caixa. Onde este garanta que se os angolanos da Santoro e os alemães da Allianz não quiserem investir, o La Caixa estaria lá para pôr o capital, e assim iria reforçar a sua posição no BPI. Até podia correr o risco de ter de lançar obrigatoriamente uma OPA sobre o BPI. Mas dadas as sinergias que daí retiraria compensa ao Caixa Bank esse investimento?


Talvez o Novo Banco esteja destinado a ser do Santander. Eduardo Stock da Cunha iria parar à casa da partida. Será que gosta da ideia?


E o BPI o que fará sem a maioria do BFA?  Sem Novo Banco não lhe restará alternativa senão vender uma parte do BFA.


Amanhã o BPI apresenta resultados. Serão esperadas perguntas sobre o enublado caminho do banco.  


 


 


 

BPI entre a espada e a parede


Deixar de ter uma participação de controlo no Banco de Fomento Angola (BFA); levar o banco a reduzir a sua carteira de dívida pública angolana ou comprar o Novo Banco para diluir o peso do BFA no balanço são as principais opções que o BPI terá de ter em cima da mesa para responder às exigências do Banco Central Europeu (BCE). Mas paradoxalmente a compra do Novo Banco está cada vez mais distante.


A exclusão de Angola da lista de países considerados equiparados à União Europeia para propósitos de regulamentação e supervisão impactam negativamente no capital do banco liderado por Fernando Ulrich em 90 pontos base, quase 1%. Só para se ter uma ideia, o total de Activos Ponderados pelo Risco (RWA) atribuíveis à exposição indirecta do Banco BPI ao Estado Angolano e ao BNA era de 799 milhões de euros e 437 milhões de euros, respectivamente, antes desta mudança. Com a aplicação, a partir de 1 de Janeiro de 2015, dos novos ponderadores, os RWA atribuíveis ao Estado Angolano aumentam para 3.616 milhões de euros e os RWA atribuíveis ao BNA aumentam para 1.297 milhões de euros, o que corresponde a um aumento total de RWA de 3,7 mil milhões de euros. Foi fatal para o banco mais bem comportado do sistema.


Angola sair da lista de países terceiros com regulamentação e supervisão equivalentes às da União Europeia não é nada de admirar. Basta ver o caso do BESA para estranhar como pode alguma vez ser considerado equivalente à UE. Mas que essa evidência se tornou uma maçada para um dos mais importantes bancos portugueses isso tornou. O BFA é a jóia da coroa do BPI que tem visto o negócio no mercado doméstico contrair-se. O BFA pesa quase 50% nos proveitos bancários e um terço nos depósitos do banco português. A situação não é fácil para o banco. É uma espécie de 'escolha de Sofia' deixar de controlar o BFA e consolidar todos os resultados angolanos ou ter de reforçar o capital.


Fernando Ulrich vai ainda ter de decidir entre reduzir a exposição indirecta em kwanzas do Banco BPI ao Estado Angolano, traduzida em títulos da dívida pública angolana detidos pelo BFA e em crédito concedido ao Estado Angolano pelo BFA e ao Banco Nacional de Angola, traduzida em reservas mínimas de caixa, outros depósitos e reportes também do BFA. Em alternativa pode crescer por aquisições e reduzir o peso relativo de Angola no seu balanço consolidado. Mas para isso também não tem capital. 


Vejamos: 


O BPI pode vender 1% do BFA para deixar de ter o controlo do banco. Mas há ainda o risco de a exposição a dívida soberana Angolana ter de ser drásticamente reduzida – o que tem forte impacto nas receitas do banco. O limite para investir em dívida soberana angolana (que é de 25% dos fundos próprios consolidados)  – o limite dos grandes riscos – foi ultrapassado com estas alterações contabilísticas europeias. 


Por outro lado as probabilidades de compra do Novo Banco são agora mais baixas. Pois o capital do banco é mais baixo e a compra do Novo Banco exige capital. Estando o Santander Totta e outros na corrida a pressão no preço é maior. O preço que o BPI pode oferecer é facilmente coberto pelo Santander que tem uma grande capacidade financeira (acaba de fazer um aumento de capital o banco espanhol). 


Como é que o BPI pode comprar o Novo Banco? Teria de convencer os accionistas todos (incluindo angolanos e alemães) a irem a um aumento de capital. 


Mas há o cenário alternativo de o Caixa Bank comprar o Novo Banco, em substituição do seu participado BPI (o La Caixa tem 44,1% do BPI). Mas como faria depois a integração do BPI com o Novo Banco, não tendo o La Caixa 100%, ou sequer mais de 50%, do banco liderado por Fernando Ulrich?


O BPI pode fazer um grande aumento de capital protegido pelo La Caixa. Onde este garanta que se os angolanos da Santoro e os alemães da Allianz não quiserem investir, o La Caixa estaria lá para pôr o capital, e assim iria reforçar a sua posição no BPI. Até podia correr o risco de ter de lançar obrigatoriamente uma OPA sobre o BPI. Mas dadas as sinergias que daí retiraria compensa ao Caixa Bank esse investimento?


Talvez o Novo Banco esteja destinado a ser do Santander. Eduardo Stock da Cunha iria parar à casa da partida. Será que gosta da ideia?


E o BPI o que fará sem a maioria do BFA?  Sem Novo Banco não lhe restará alternativa senão vender uma parte do BFA.


Amanhã o BPI apresenta resultados. Serão esperadas perguntas sobre o enublado caminho do banco.  


 


 


 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Notas Gregas


Nota 1


Foi criada na União Europeia a ideia que a construção europeia chegou ao cume da montanha, e que, doravante, tudo rolaria sobre rodas. Trata-se de um grave erro, natural em políticos incultos e sem uma mínima ideia da História da Europa e dos Europeus. A História da Europa não é – como nunca foi – um dado adquirido, antes pelo contrário, pelo que seria urgente oferecer aos nossos dirigentes um pequeno e profundo ensaio sobre Nós: “ Europa: Uma Aventura Inacabada” (2004)  de Zygmunt Bauman (1925). Com efeito, e passados 10 anos sobre a edição deste livro, os acontecimentos políticos do passado domingo na Grécia demonstram que a montanha pariu um rato. Nada está naturalmente perdido (embora Bruxelas e as chefias europeias desconfiem) é tão-somente mais um ajuste numa brilhante e longa história!


Nota 2


Dizem que a direita e a esquerda são como o azeite e a água, não se misturam... Enfim, isto é uma certeza popular, com provas cientificas. Falo da água e do azeite... porque os gregos querem provar que , ao fim e ao cabo, a esquerda e a direita podem coabitar.. Enfim, na Grécia tudo é possível!


Nota 3


Ouvir Catarina Martins a falar no rescaldo da vitória do Syriza até parecia que foi ela quem ganhou as eleições, e eu até senti arrepios... Mas não foi. Por outro lado, já se conhece o futuro homem forte das finanças gregas e não me parece, a  ver pela notícia,  que seja tão radical quanto isso. 


 

Notas Gregas


Nota 1


Foi criada na União Europeia a ideia que a construção europeia chegou ao cume da montanha, e que, doravante, tudo rolaria sobre rodas. Trata-se de um grave erro, natural em políticos incultos e sem uma mínima ideia da História da Europa e dos Europeus. A História da Europa não é – como nunca foi – um dado adquirido, antes pelo contrário, pelo que seria urgente oferecer aos nossos dirigentes um pequeno e profundo ensaio sobre Nós: “ Europa: Uma Aventura Inacabada” (2004)  de Zygmunt Bauman (1925). Com efeito, e passados 10 anos sobre a edição deste livro, os acontecimentos políticos do passado domingo na Grécia demonstram que a montanha pariu um rato. Nada está naturalmente perdido (embora Bruxelas e as chefias europeias desconfiem) é tão-somente mais um ajuste numa brilhante e longa história!


Nota 2


Dizem que a direita e a esquerda são como o azeite e a água, não se misturam... Enfim, isto é uma certeza popular, com provas cientificas. Falo da água e do azeite... porque os gregos querem provar que , ao fim e ao cabo, a esquerda e a direita podem coabitar.. Enfim, na Grécia tudo é possível!


Nota 3


Ouvir Catarina Martins a falar no rescaldo da vitória do Syriza até parecia que foi ela quem ganhou as eleições, e eu até senti arrepios... Mas não foi. Por outro lado, já se conhece o futuro homem forte das finanças gregas e não me parece, a  ver pela notícia,  que seja tão radical quanto isso. 


 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Heart of stone

IMG_0425 (3).JPG


 


Because you never breaks that heart of stone. 

Heart of stone

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Because you never breaks that heart of stone. 

Primeira grande mudança na Grécia...

A morte de Demis Roussos... deve ter sido de desgosto da vitória do Syriza nas eleições.


 



 

Primeira grande mudança na Grécia...

A morte de Demis Roussos... deve ter sido de desgosto da vitória do Syriza nas eleições.


 



 

domingo, 25 de janeiro de 2015

A cereja na tragédia grega

Syriza vence na Grécia. 

A cereja na tragédia grega

Syriza vence na Grécia. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A invisibilidade

pcoelho.jpg


Recordo de ter lido, há alguns anos, que na opinião de um filósofo espanhol, vivemos numa Sociedade Invisível. Se, por um lado, como o tempo foi passando, perdi, de certa forma, a capacidade de argumentar, por outro lado, e à boleia desta interessante ideia, graças ao populismo malabarista de alguns, podemos concluir que há gente invisível. Ou sejam, pessoas que actuando invisivelmente, que  de tudo são capazes, passam incólumes.


Uma verdade que esta imagem (encontrada aqui) reflecte na perfeição! 


 

A invisibilidade

pcoelho.jpg


Recordo de ter lido, há alguns anos, que na opinião de um filósofo espanhol, vivemos numa Sociedade Invisível. Se, por um lado, como o tempo foi passando, perdi, de certa forma, a capacidade de argumentar, por outro lado, e à boleia desta interessante ideia, graças ao populismo malabarista de alguns, podemos concluir que há gente invisível. Ou sejam, pessoas que actuando invisivelmente, que  de tudo são capazes, passam incólumes.


Uma verdade que esta imagem (encontrada aqui) reflecte na perfeição! 


 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Hoje é dia de pensar nas crianças

Hoje é dia de pensar no supremo interesse das crianças. As modas podem mudar mas só há filhos porque há pai e mãe. Essa realidade é imutável porque é a única verdadeira. Os filhos adoptados são crianças iguais às outras. Merecem ter direito ao mesmo. É nelas que se tem de pensar. Dar a cada criança um pai e uma mãe. 


Amar uma criança é querer isso para ela, não é querer tê-la sob a alçada custe o que custar.


Tudo o resto são campanhas mais ou menos políticas e nada mais do que isso. 


O PSD tem de ser responsável. 


Tenho dito e aguardo o espírito Charlie que tantos apregoam para respeitar as opiniões divergentes. Elas são muito mais do que se pode pensar. A opinião da moda só domina nos jornais.

Hoje é dia de pensar nas crianças

Hoje é dia de pensar no supremo interesse das crianças. As modas podem mudar mas só há filhos porque há pai e mãe. Essa realidade é imutável porque é a única verdadeira. Os filhos adoptados são crianças iguais às outras. Merecem ter direito ao mesmo. É nelas que se tem de pensar. Dar a cada criança um pai e uma mãe. 


Amar uma criança é querer isso para ela, não é querer tê-la sob a alçada custe o que custar.


Tudo o resto são campanhas mais ou menos políticas e nada mais do que isso. 


O PSD tem de ser responsável. 


Tenho dito e aguardo o espírito Charlie que tantos apregoam para respeitar as opiniões divergentes. Elas são muito mais do que se pode pensar. A opinião da moda só domina nos jornais.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Birdman, cinema e literatura

“De que falamos quando falamos de amor”, de Robert Carver inspira a comédia negra Birdman do realizador mexicano Alejandro González Iñarritu. O filme chama-se Birdman (A Inesperada Virtude da Ignorância) - uma boa tradução a deste título.


O filme é memorável e o mais provável é ganhar o Óscar de melhor filme. Mesmo contra o Boyhood, que é óptimo.O Óscar de melhor actor também vai para Michael Keaton. 


O suícido do actor é um tema deveras actual em hollywood que viu desaparecer recentemente grandes estrelas.


Birdman é um filme de grandes interpretações e magníficos momentos como aquele em que Mike (Edward Norton) partilha com Sam (Ema Stone) no terraço a jogar verdade ou consequência, em que Mike o actor escolhe sempre a verdade, "porque a verdade é mais interessante".


Já agora a peça de Carver aparece como acessória ao enredo. Mas "de que falamos quando falamos de amor" é um título interessante. Apetece responder.


O livro são pequeninos contos - episódios do quotidiano - que falam de amor, de todas as formas de amor – e muito da falta dele -, amor fraterno, amor amante, amor conjugal, amor perdido, amor reencontrado, amor amizade e de desamor, muito desamor… São pequenos relatos de amor, de desejo, de morte, de egoísmo e de crueldade como só o amor frustado pode ter.

Birdman, cinema e literatura

“De que falamos quando falamos de amor”, de Robert Carver inspira a comédia negra Birdman do realizador mexicano Alejandro González Iñarritu. O filme chama-se Birdman (A Inesperada Virtude da Ignorância) - uma boa tradução a deste título.


O filme é memorável e o mais provável é ganhar o Óscar de melhor filme. Mesmo contra o Boyhood, que é óptimo.O Óscar de melhor actor também vai para Michael Keaton. 


O suícido do actor é um tema deveras actual em hollywood que viu desaparecer recentemente grandes estrelas.


Birdman é um filme de grandes interpretações e magníficos momentos como aquele em que Mike (Edward Norton) partilha com Sam (Ema Stone) no terraço a jogar verdade ou consequência, em que Mike o actor escolhe sempre a verdade, "porque a verdade é mais interessante".


Já agora a peça de Carver aparece como acessória ao enredo. Mas "de que falamos quando falamos de amor" é um título interessante. Apetece responder.


O livro são pequeninos contos - episódios do quotidiano - que falam de amor, de todas as formas de amor – e muito da falta dele -, amor fraterno, amor amante, amor conjugal, amor perdido, amor reencontrado, amor amizade e de desamor, muito desamor… São pequenos relatos de amor, de desejo, de morte, de egoísmo e de crueldade como só o amor frustado pode ter.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Que país este!

A PT sob a presidência de Zeinal Bava e pelas mãos de Rui Pedro Soares tentou comprar ou ter uma participação importante na TVI. Depois de uma guerra mediática entre Manuela Moura Guedes e José Sócrates.


O então presidente da comissão executiva da PT chegou a garantir na comissão de inquérito que o interesse na compra de uma participação minoritária na Media Capital era «estritamente empresarial».


Em 2010 Zeinal Bava dizia que Rui Pedro Soares entrou no negócio PT/TVI porque era o administrador «mais à mão» no dia 19 de Junho à entrada para uma reunião com a Prisa.


A Controlinveste foi a senhora que se seguiu. Os bancos (incluindo o BES) converteram créditos em capital. Logo a gestão dos jornais e da empresa sofreram alterações. O que até podia ser normal. O advogado que é o chairman da empresa é por coincidência o advogado de Sócrates, de Ricardo Salgado, entre outras. Agora surge a notícia que o Director do JN foi escolhido por Sócrates e concretizado pelo presidente da Controlinveste diz o Correio da Manhã.


Mas havia mais lugares no grupo Controlinveste em que houve tentativas de sugerir nomes dos quais não vou falar aqui porque ainda não foram notícia.


O BES financiou a compra de jornais, deu empréstimos sem qualquer racionalidade económica. Eu se for pedir 5 milhões para comprar uma casa que vale um milhão a mim ninguém me dá, mas a imprensa é uma área especial. 


Os jornalistas muito independentes e irreverentes começaram a ser mal vistos, quando não mesmo afastados. 


Não se sabe por que milagre, mas talvez este Governo, ou a troika também, tenham alguma coisa a ver com isso, mas de repente esse mundo começou a ruir. Ainda não acabou totalmente a queda, mas está nesse caminho.


Zeinal Bava já não está. Ricardo Salgado já não está. Os aliados de Ricardo Salgado no BES já não estão. Sócrates está preso. E as notícias e as escutas começam a trazer à luz do dia as ligações perigosas que estavam encapotadas. 


Este mundo era um lugar estranho. 


O mundo mudou e até às eleições ainda mudará mais. 

Que país este!

A PT sob a presidência de Zeinal Bava e pelas mãos de Rui Pedro Soares tentou comprar ou ter uma participação importante na TVI. Depois de uma guerra mediática entre Manuela Moura Guedes e José Sócrates.


O então presidente da comissão executiva da PT chegou a garantir na comissão de inquérito que o interesse na compra de uma participação minoritária na Media Capital era «estritamente empresarial».


Em 2010 Zeinal Bava dizia que Rui Pedro Soares entrou no negócio PT/TVI porque era o administrador «mais à mão» no dia 19 de Junho à entrada para uma reunião com a Prisa.


A Controlinveste foi a senhora que se seguiu. Os bancos (incluindo o BES) converteram créditos em capital. Logo a gestão dos jornais e da empresa sofreram alterações. O que até podia ser normal. O advogado que é o chairman da empresa é por coincidência o advogado de Sócrates, de Ricardo Salgado, entre outras. Agora surge a notícia que o Director do JN foi escolhido por Sócrates e concretizado pelo presidente da Controlinveste diz o Correio da Manhã.


Mas havia mais lugares no grupo Controlinveste em que houve tentativas de sugerir nomes dos quais não vou falar aqui porque ainda não foram notícia.


O BES financiou a compra de jornais, deu empréstimos sem qualquer racionalidade económica. Eu se for pedir 5 milhões para comprar uma casa que vale um milhão a mim ninguém me dá, mas a imprensa é uma área especial. 


Os jornalistas muito independentes e irreverentes começaram a ser mal vistos, quando não mesmo afastados. 


Não se sabe por que milagre, mas talvez este Governo, ou a troika também, tenham alguma coisa a ver com isso, mas de repente esse mundo começou a ruir. Ainda não acabou totalmente a queda, mas está nesse caminho.


Zeinal Bava já não está. Ricardo Salgado já não está. Os aliados de Ricardo Salgado no BES já não estão. Sócrates está preso. E as notícias e as escutas começam a trazer à luz do dia as ligações perigosas que estavam encapotadas. 


Este mundo era um lugar estranho. 


O mundo mudou e até às eleições ainda mudará mais. 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Prefácio

O livro é como um biombo, o autor despe-se por detrás. O que eu gostava que dissessem sobre este livro é que se trata do retrato impiedoso e irónico da sociedade portuguesa contemporânea, num tempo em que os sonhos se tornam mitos, as alianças de poder subterrâneas autênticas caricaturas. Ter o mundo aos pés é apenas uma ilusão bem esgalhada, que perigosamente parece real e é apenas uma questão de tempo até descobrirmos que tudo não passou de uma ilusão. A queda do Grupo Espírito Santo é um paradigma dessa desilusão, desse mito da infalibilidade.
Não somos nada, nunca seremos nada mas temos todos os sonhos do mundo, para invocar Álvaro de Campos. O poder é por definição temporário. Nem pode ser de outra maneira, por isso emana um atractivo tão irresistível. Mas a verdadeira liberdade é não ter vaidade. Mais cedo ou mais tarde essa constatação cai-nos como um raio. É inevitável. Ricardo Salgado acaba por descobrir essa dura verdade, quando tudo se desmorona e literalmente o mundo lhe cai em cima.
Ricardo Salgado é o banqueiro da época da fénix renascida das grandes famílias que foram exiladas pela revolução do 25 de Abril de 1974, e pela vertente de revolução do proletariado em que se converte o PREC de 1975. O Banco Espírito Santo era o último bastião dessa burguesia financeira endinheirada, glamorosa no Estado Novo e que embasbacava o comum dos homens, que lhe prestava voluntariamente vassalagem. A certa altura parecia conjugarem-se todas as forças da sociedade para certificar que o Presidente do BES passasse a ser a face do poder supremo, o rei sol, e o banqueiro entranhou esse poder. O poder sobre os outros é uma tentação fácil de entranhar. Mas de algum modo sabia que esse poder acabaria com o fim dos grupos familiares. Lutou até ao fim para manter essa realidade, até que esse crescimento começava a exigir dinheiro e começando a faltar dinheiro, o banqueiro não teve outra saída senão o crédito. Não é de hoje a maravilhosa aliança entre dívida e poder. Pensara talvez que a importância do Grupo e do Banco Espírito Santo era um seguro contra a impiedosa actuação dos reguladores. O risco sistémico servia de protecção a uma falência e era o garante que o Estado estaria sempre lá para salvar o BES, enganou-se.
Este livro procura ser o retrato irónico de uma sociedade que vive fascinada pelo poder sobre alguém e onde se formam alianças estratégicas, informais, com a finalidade de manter o status quo. Portugal, como há um século tão bem descrito n´Os Maias de Eça, é um país endividado, obcecado com classes sociais e jantarinhos.
Um retrato satírico da sociedade portuguesa, que afinal não está tão distante assim da sociedade retratada por Eça de Queiroz.
Uma parada de costumes de uma sociedade prisioneira das aparências, onde todos estão constantemente em cena como num palco permanente onde importa mais parecer do que ser. O que foi a gestão do Grupo Espírito Santo senão isso?
É quase impossível na natureza humana erradicar o poder, a vaidade aguça essa paixão.
Na sociedade portuguesa ter Ricardo Salgado como aliado era ter a protecção da burguesia financeira, vagamente aparentada da aristocracia, e bem sabemos como em Portugal isso é apreciado. Aliar-se a Ricardo Salgado era um privilégio e em nome desse privilégio tudo valia e tudo se legitimava.

Este não pretende ser o retrato exaustivo do que se passou, é uma fotografia trabalhada. Tive a pretensão de aplicar os aforismos sobre a natureza humana às pessoas que por acaso conheci. Parti dos factos públicos e escrevi a história como eu a interpretei.
Tento ter a delicadeza de não ser grotesca nas minhas interpretações das pessoas e das situações, julgo ter dentro de mim o bom senso e o bom gosto para o ter conseguido.
Se não foram estes exactamente os sentimentos e motivações dos protagonistas, podiam ter sido. Parti para isso do meu conhecimento da história e da leitura dos factos públicos.
Neste retrato figurado prefiro salientar o humano, que é comum a cada um de nós, nas pessoas envolvidas. No fim do dia somos todos iguais.
Não vejam neste livro o realismo factual, mas antes uma ficção realista.
Este livro pretende ter algum sentido de humor, espero ter conseguido isso, mas não se pense que o humor é uma troça, não é de todo. O humor é quase sempre prova de uma desilusão profunda. Algo que, por ser subtil, não tem nome, nem aspecto. É uma sobra de dor, mas não é dor, como escreveu uma vez Agustina Bessa Luís.
Acho que as coisas grandiosas devem ser narradas de uma maneira simples, as coisas mesquinhas de uma maneira subtil.


 


«Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das ciências, da admiração das grandes personagens, das mistificações da política, do fanatismo dos reformadores, da superstição d›este grande universo, e da adoração de mim mesmo.»


P.J. PROUDHON


 


Agradeço a todos os que se disponibilizaram a ajudar-me, porque foi a prova que me respeitam profissionalmente, e isso é um reconhecimento importante para mim. Posso dizer que ninguém a quem eu pedi para me receber me recusou. Mesmo os que por força das suas profissões e das suas enormes responsabilidades em bancos e empresas tinham pouco tempo. Se se encontravam fora do país disponibilizaram-se a falar por telefone. Foi muito gratificante escrever este livro pelo interessante que foi ouvir o que as pessoas tinham para me dizer e contar sobre esta história, que é só e mais nada o maior escândalo capitalista do país do século! Claro que com o tempo muitas das «novidades» que este livro revelava foram saindo nos jornais, mas este nunca pretendeu ser um livro de revelações bombásticas.
Podia aqui fazer uma lista de amigos a quem devo ajuda para este livro, mas terei evidentemente de destacar o Francisco Mendia, que foi incansável. Tenho de agradecer ao Manuel Lancastre, que esteve sempre disponível para trocar ideias e dar sugestões; ao António Albuquerque, meu ex-colega do Diário Económico, que sempre me apoiou neste livro, e também ao João Cortez Lobão, que esteve sempre disponível para me ajudar, e conhece, como eu, as dificuldades porque passa um jornalista para ter notícias de negócios e de bancos.
Agradeço especialmente a todos os banqueiros, empresários e advogados (alguns deles amigos do coração), e alguns assessores de imprensa, que não se importaram de me reservar um bocadinho do seu precioso tempo para me receber, ouvir e trocar ideias. É bem verdade que já me conhecem e aturam há tanto tempo que já estão habituados.
Agradeço à minha família, em especial ao meu tio Carlos Queiroz, uma das vítimas da falência do Grupo Espírito Santo, que me ajudou neste livro.
Tenho de agradecer a alguns colegas meus do Diário Económico que também foram boas ajudas e sobra-me um mundo de ajudas de amigas e amigos meus que tenho a certeza preferem ficar anónimos, como por exemplo o João, o João, o Bernardo, o Luís, o Pedro, o Paulo, o Manel, o António, o Gonçalo, o Salvador, o Bruno, o Francisco, o Nuno, o André, o Miguel, o Jorge, o Diogo, o Carlos e o Tomaz. Agradeço ainda todas as ajudas de desconhecidos que a partir de outro país me ajudavam com notícias de outras sucursais e filiais. A todos os que esporadicamente me iam dando dicas, quer pelas redes sociais, quer presencialmente.
Agradeço às minhas grandes amigas – Rita, Isabelinha, Margarida, Catarina (minha prima), Conceição, Teresa, Joana, Sofia e Patrícia – a paciência de me aturarem a falar deste tema.


E ao Francisco por me ter encorajado a escrever.

Prefácio

O livro é como um biombo, o autor despe-se por detrás. O que eu gostava que dissessem sobre este livro é que se trata do retrato impiedoso e irónico da sociedade portuguesa contemporânea, num tempo em que os sonhos se tornam mitos, as alianças de poder subterrâneas autênticas caricaturas. Ter o mundo aos pés é apenas uma ilusão bem esgalhada, que perigosamente parece real e é apenas uma questão de tempo até descobrirmos que tudo não passou de uma ilusão. A queda do Grupo Espírito Santo é um paradigma dessa desilusão, desse mito da infalibilidade.
Não somos nada, nunca seremos nada mas temos todos os sonhos do mundo, para invocar Álvaro de Campos. O poder é por definição temporário. Nem pode ser de outra maneira, por isso emana um atractivo tão irresistível. Mas a verdadeira liberdade é não ter vaidade. Mais cedo ou mais tarde essa constatação cai-nos como um raio. É inevitável. Ricardo Salgado acaba por descobrir essa dura verdade, quando tudo se desmorona e literalmente o mundo lhe cai em cima.
Ricardo Salgado é o banqueiro da época da fénix renascida das grandes famílias que foram exiladas pela revolução do 25 de Abril de 1974, e pela vertente de revolução do proletariado em que se converte o PREC de 1975. O Banco Espírito Santo era o último bastião dessa burguesia financeira endinheirada, glamorosa no Estado Novo e que embasbacava o comum dos homens, que lhe prestava voluntariamente vassalagem. A certa altura parecia conjugarem-se todas as forças da sociedade para certificar que o Presidente do BES passasse a ser a face do poder supremo, o rei sol, e o banqueiro entranhou esse poder. O poder sobre os outros é uma tentação fácil de entranhar. Mas de algum modo sabia que esse poder acabaria com o fim dos grupos familiares. Lutou até ao fim para manter essa realidade, até que esse crescimento começava a exigir dinheiro e começando a faltar dinheiro, o banqueiro não teve outra saída senão o crédito. Não é de hoje a maravilhosa aliança entre dívida e poder. Pensara talvez que a importância do Grupo e do Banco Espírito Santo era um seguro contra a impiedosa actuação dos reguladores. O risco sistémico servia de protecção a uma falência e era o garante que o Estado estaria sempre lá para salvar o BES, enganou-se.
Este livro procura ser o retrato irónico de uma sociedade que vive fascinada pelo poder sobre alguém e onde se formam alianças estratégicas, informais, com a finalidade de manter o status quo. Portugal, como há um século tão bem descrito n´Os Maias de Eça, é um país endividado, obcecado com classes sociais e jantarinhos.
Um retrato satírico da sociedade portuguesa, que afinal não está tão distante assim da sociedade retratada por Eça de Queiroz.
Uma parada de costumes de uma sociedade prisioneira das aparências, onde todos estão constantemente em cena como num palco permanente onde importa mais parecer do que ser. O que foi a gestão do Grupo Espírito Santo senão isso?
É quase impossível na natureza humana erradicar o poder, a vaidade aguça essa paixão.
Na sociedade portuguesa ter Ricardo Salgado como aliado era ter a protecção da burguesia financeira, vagamente aparentada da aristocracia, e bem sabemos como em Portugal isso é apreciado. Aliar-se a Ricardo Salgado era um privilégio e em nome desse privilégio tudo valia e tudo se legitimava.

Este não pretende ser o retrato exaustivo do que se passou, é uma fotografia trabalhada. Tive a pretensão de aplicar os aforismos sobre a natureza humana às pessoas que por acaso conheci. Parti dos factos públicos e escrevi a história como eu a interpretei.
Tento ter a delicadeza de não ser grotesca nas minhas interpretações das pessoas e das situações, julgo ter dentro de mim o bom senso e o bom gosto para o ter conseguido.
Se não foram estes exactamente os sentimentos e motivações dos protagonistas, podiam ter sido. Parti para isso do meu conhecimento da história e da leitura dos factos públicos.
Neste retrato figurado prefiro salientar o humano, que é comum a cada um de nós, nas pessoas envolvidas. No fim do dia somos todos iguais.
Não vejam neste livro o realismo factual, mas antes uma ficção realista.
Este livro pretende ter algum sentido de humor, espero ter conseguido isso, mas não se pense que o humor é uma troça, não é de todo. O humor é quase sempre prova de uma desilusão profunda. Algo que, por ser subtil, não tem nome, nem aspecto. É uma sobra de dor, mas não é dor, como escreveu uma vez Agustina Bessa Luís.
Acho que as coisas grandiosas devem ser narradas de uma maneira simples, as coisas mesquinhas de uma maneira subtil.


 


«Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das ciências, da admiração das grandes personagens, das mistificações da política, do fanatismo dos reformadores, da superstição d›este grande universo, e da adoração de mim mesmo.»


P.J. PROUDHON


 


Agradeço a todos os que se disponibilizaram a ajudar-me, porque foi a prova que me respeitam profissionalmente, e isso é um reconhecimento importante para mim. Posso dizer que ninguém a quem eu pedi para me receber me recusou. Mesmo os que por força das suas profissões e das suas enormes responsabilidades em bancos e empresas tinham pouco tempo. Se se encontravam fora do país disponibilizaram-se a falar por telefone. Foi muito gratificante escrever este livro pelo interessante que foi ouvir o que as pessoas tinham para me dizer e contar sobre esta história, que é só e mais nada o maior escândalo capitalista do país do século! Claro que com o tempo muitas das «novidades» que este livro revelava foram saindo nos jornais, mas este nunca pretendeu ser um livro de revelações bombásticas.
Podia aqui fazer uma lista de amigos a quem devo ajuda para este livro, mas terei evidentemente de destacar o Francisco Mendia, que foi incansável. Tenho de agradecer ao Manuel Lancastre, que esteve sempre disponível para trocar ideias e dar sugestões; ao António Albuquerque, meu ex-colega do Diário Económico, que sempre me apoiou neste livro, e também ao João Cortez Lobão, que esteve sempre disponível para me ajudar, e conhece, como eu, as dificuldades porque passa um jornalista para ter notícias de negócios e de bancos.
Agradeço especialmente a todos os banqueiros, empresários e advogados (alguns deles amigos do coração), e alguns assessores de imprensa, que não se importaram de me reservar um bocadinho do seu precioso tempo para me receber, ouvir e trocar ideias. É bem verdade que já me conhecem e aturam há tanto tempo que já estão habituados.
Agradeço à minha família, em especial ao meu tio Carlos Queiroz, uma das vítimas da falência do Grupo Espírito Santo, que me ajudou neste livro.
Tenho de agradecer a alguns colegas meus do Diário Económico que também foram boas ajudas e sobra-me um mundo de ajudas de amigas e amigos meus que tenho a certeza preferem ficar anónimos, como por exemplo o João, o João, o Bernardo, o Luís, o Pedro, o Paulo, o Manel, o António, o Gonçalo, o Salvador, o Bruno, o Francisco, o Nuno, o André, o Miguel, o Jorge, o Diogo, o Carlos e o Tomaz. Agradeço ainda todas as ajudas de desconhecidos que a partir de outro país me ajudavam com notícias de outras sucursais e filiais. A todos os que esporadicamente me iam dando dicas, quer pelas redes sociais, quer presencialmente.
Agradeço às minhas grandes amigas – Rita, Isabelinha, Margarida, Catarina (minha prima), Conceição, Teresa, Joana, Sofia e Patrícia – a paciência de me aturarem a falar deste tema.


E ao Francisco por me ter encorajado a escrever.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ser ou não ser, é (mesmo) a questão do momento

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Quando dos acontecimentos de Paris eu fui na onda, e, como os demais, num quase uníssono, disse que eu também era um Charlie. Disse-o e volto a dizer: “Je suis Charlie”, como poderia ser um Cid, um Vilhena, um Vasco… até mesmo um Bordalo Pinheiro, já que sou, sempre fui, um defensor da liberdade de expressão. Porém, também sou realista, e tal como o Papa Francisco, também acho que "ninguém pode insultar a fé das outras pessoas", sobretudo se o saco ou capacidade de encaixe é terrivelmente pequena!

Ser ou não ser, é (mesmo) a questão do momento

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Quando dos acontecimentos de Paris eu fui na onda, e, como os demais, num quase uníssono, disse que eu também era um Charlie. Disse-o e volto a dizer: “Je suis Charlie”, como poderia ser um Cid, um Vilhena, um Vasco… até mesmo um Bordalo Pinheiro, já que sou, sempre fui, um defensor da liberdade de expressão. Porém, também sou realista, e tal como o Papa Francisco, também acho que "ninguém pode insultar a fé das outras pessoas", sobretudo se o saco ou capacidade de encaixe é terrivelmente pequena!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O triângulo PDVSA - BES - Goldman Sachs ou Bank of America

António Souto explicou à deputada Mariana Mortágua, mas não foi bem entendido. Esta é uma operação complexa e que permitiu três coisas: que o BES financiasse as elevadas necessidades de tesouraria da PDVSA; que os intervenientes investissem em papel comercial do GES; e que os bancos norte-americanos financiassem a petrolífera venezuelana contornando o embargo dos Estados Unidos à Venzuela. 


Vejamos:


Mariana Mortágua falou de uma operação especifica de uma construtura chinesa e de uma operação com a Goldman Sachs. Mas essa foi apenas uma delas. Há outras feitas nos mesmos moldes com o Bank of America. 


O que se fazia?


A PDVSA precisava de pagar a fornecedores a um prazo longo, mais ou menos ao longo de três anos. O BES assumia o risco PDVSA para pagar aos fornecedores. Emitia cartas de crédito que garantiam o pagamento da PDVSA ao seu fornecedor. O BES assumia o risco PDVSA, mas não tinha liquidez e por isso estabelecia um acordo de contraparte com outro banco que assegurasse a liquidez e esse era a Goldman Sachs ou o Bank of America. 


Estas operações foram aprovadas em conselho do banco e dada a elevada exposição foram pedidos colaterais à PDVSA.


O que disse António Souto?


A certa diz que a Goldman Sachs quis tomar parte do risco e desta forma partilhou com o BES essa função. Dividiam as comissões. Mas por causa do embargo dos Estados Unidos à Venezuela, a Goldman Sachs não quis aparecer na operação e negociou com o BES uma operação de financiamento back-to-back. À medida que o BES era obrigado a financiar o fornecedor da PDVSA pedia à Goldman Sachs para desembolsar o dinheiro. Depois à medida que a PDVSA pagasse ao BES, mais ou menos ao fim de um ano e meio, o BES pagava à Goldman Sachs.


O que não disse António Souto?


Que estas operações com a PDVSA eram comuns, isto é, o financiamento a fornecedores da PDVSA. Algumas fizeram-se com o Bank of America em vez de ser com a Goldman Sachs. O circuito era o mesmo. O BES assumia o risco PDVSA ou partilhava-o com o banco contraparte, que disponibilizava a liquidez. Os bancos americanos é que ficavam no fundo a financiar a PDVSA sem o assumirem. Mais. Os fornecedores da PDVSA podiam receber mais cedo se investissem em papel comercial das empresas do GES. A PDVSA podia ter um desconto no pagamento da carta de crédito ao BES se investisse em papel comercial do GES o remanescente.


A proporção de dinheiro que em cada operação ia parar ao GES ia desde os 30% aos 50%. Isso ninguém disse. Mas era sempre aí que tudo ia parar. Muitas operações de financiamento de grande dimensão tinham por contrapartida um investimento na dívida ou capital da ESI, ES Control, Rioforte, etc.


 Outra coisa interessante que disse o administrador do BES que tinha o pelouro do crédito a empresas, é sobre o mesmo mecanismo das cartas garantia, mas desta vez aos clientes do BES Angola. Segundo António Souto a confirmação de cartas de crédito e sua liquidação nunca pesaram mais do que 500 milhões de euros num total de exposição de 3,3 mil milhões de euros do BES ao BESA. A desmentir Álvaro Sobrinho portanto.


Havia importadores angolanos que abriam cartas de crédito a favor de exportadores portugueses o BES confirmava as cartas de crédito. Os exportadores exportavam e o BES pagava aos exportadores. O BES debitava de seguida ao BESA esse dinheiro que tinha adiantado e este ia pedir o dinheiro ao importador angolano. Alguns, muitos, não pagaram, mas nunca estes créditos justificaram mais do 500 ou 550 milhões de euros. O BESA é que tinha de ir cobrar aos importadores angolanos. Essa responsabilidade de analisar o risco dos clientes era do BESA. 


Ou seja há muito mais do que o crédito a empresas exportadoras a justificar os créditos malparados do BESA. 


Mais uma vez é preciso ver que operações estão ligadas ao financiamento do GES.


Sendo que é conhecido que os accionistas do BESA eram também investidores na ESI, na Control, quiça Rioforte e ESFG. 


Sobre o argumento de o dinheiro nunca ter saído de Portugal que Álvaro Sobrinho, o rico angolano como se intitulou, usou para explicar que o crédito do BES ao BESA favoreceu o BES. António Souto riu-se do disparate: «O dinheiro estar cá ou lá é irrelevante o que interessa é a que balanço é que pertence».

O triângulo PDVSA - BES - Goldman Sachs ou Bank of America

António Souto explicou à deputada Mariana Mortágua, mas não foi bem entendido. Esta é uma operação complexa e que permitiu três coisas: que o BES financiasse as elevadas necessidades de tesouraria da PDVSA; que os intervenientes investissem em papel comercial do GES; e que os bancos norte-americanos financiassem a petrolífera venezuelana contornando o embargo dos Estados Unidos à Venzuela. 


Vejamos:


Mariana Mortágua falou de uma operação especifica de uma construtura chinesa e de uma operação com a Goldman Sachs. Mas essa foi apenas uma delas. Há outras feitas nos mesmos moldes com o Bank of America. 


O que se fazia?


A PDVSA precisava de pagar a fornecedores a um prazo longo, mais ou menos ao longo de três anos. O BES assumia o risco PDVSA para pagar aos fornecedores. Emitia cartas de crédito que garantiam o pagamento da PDVSA ao seu fornecedor. O BES assumia o risco PDVSA, mas não tinha liquidez e por isso estabelecia um acordo de contraparte com outro banco que assegurasse a liquidez e esse era a Goldman Sachs ou o Bank of America. 


Estas operações foram aprovadas em conselho do banco e dada a elevada exposição foram pedidos colaterais à PDVSA.


O que disse António Souto?


A certa diz que a Goldman Sachs quis tomar parte do risco e desta forma partilhou com o BES essa função. Dividiam as comissões. Mas por causa do embargo dos Estados Unidos à Venezuela, a Goldman Sachs não quis aparecer na operação e negociou com o BES uma operação de financiamento back-to-back. À medida que o BES era obrigado a financiar o fornecedor da PDVSA pedia à Goldman Sachs para desembolsar o dinheiro. Depois à medida que a PDVSA pagasse ao BES, mais ou menos ao fim de um ano e meio, o BES pagava à Goldman Sachs.


O que não disse António Souto?


Que estas operações com a PDVSA eram comuns, isto é, o financiamento a fornecedores da PDVSA. Algumas fizeram-se com o Bank of America em vez de ser com a Goldman Sachs. O circuito era o mesmo. O BES assumia o risco PDVSA ou partilhava-o com o banco contraparte, que disponibilizava a liquidez. Os bancos americanos é que ficavam no fundo a financiar a PDVSA sem o assumirem. Mais. Os fornecedores da PDVSA podiam receber mais cedo se investissem em papel comercial das empresas do GES. A PDVSA podia ter um desconto no pagamento da carta de crédito ao BES se investisse em papel comercial do GES o remanescente.


A proporção de dinheiro que em cada operação ia parar ao GES ia desde os 30% aos 50%. Isso ninguém disse. Mas era sempre aí que tudo ia parar. Muitas operações de financiamento de grande dimensão tinham por contrapartida um investimento na dívida ou capital da ESI, ES Control, Rioforte, etc.


 Outra coisa interessante que disse o administrador do BES que tinha o pelouro do crédito a empresas, é sobre o mesmo mecanismo das cartas garantia, mas desta vez aos clientes do BES Angola. Segundo António Souto a confirmação de cartas de crédito e sua liquidação nunca pesaram mais do que 500 milhões de euros num total de exposição de 3,3 mil milhões de euros do BES ao BESA. A desmentir Álvaro Sobrinho portanto.


Havia importadores angolanos que abriam cartas de crédito a favor de exportadores portugueses o BES confirmava as cartas de crédito. Os exportadores exportavam e o BES pagava aos exportadores. O BES debitava de seguida ao BESA esse dinheiro que tinha adiantado e este ia pedir o dinheiro ao importador angolano. Alguns, muitos, não pagaram, mas nunca estes créditos justificaram mais do 500 ou 550 milhões de euros. O BESA é que tinha de ir cobrar aos importadores angolanos. Essa responsabilidade de analisar o risco dos clientes era do BESA. 


Ou seja há muito mais do que o crédito a empresas exportadoras a justificar os créditos malparados do BESA. 


Mais uma vez é preciso ver que operações estão ligadas ao financiamento do GES.


Sendo que é conhecido que os accionistas do BESA eram também investidores na ESI, na Control, quiça Rioforte e ESFG. 


Sobre o argumento de o dinheiro nunca ter saído de Portugal que Álvaro Sobrinho, o rico angolano como se intitulou, usou para explicar que o crédito do BES ao BESA favoreceu o BES. António Souto riu-se do disparate: «O dinheiro estar cá ou lá é irrelevante o que interessa é a que balanço é que pertence».

Osborne tinha razão, eles voam mesmo!

esperma.jpg


 Os espermatozóides segundo Antony van Leeuwenhoek (1632-1723) não sabiam voar


 


Depois de ter lido isto, sou obrigado a reconhecer que as crónicas de Osborne, célebre cruzado inglês que ajudou Afonso Henriques na Tomada de Lisboa, afinal não são ficção cientifica, os espermatozóides voam mesmo. Com efeito, o cruzado falava dos nossos ares de forma tão eloquente que dizia serem tão bons, que era o bastante para engravidar as vacas. Ora, e como mais vale tarde do que nunca, aproveito este momento para lhe tirar o chapéu, o medievo inglês sabia do que falava!


 

Osborne tinha razão, eles voam mesmo!

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 Os espermatozóides segundo Antony van Leeuwenhoek (1632-1723) não sabiam voar


 


Depois de ter lido isto, sou obrigado a reconhecer que as crónicas de Osborne, célebre cruzado inglês que ajudou Afonso Henriques na Tomada de Lisboa, afinal não são ficção cientifica, os espermatozóides voam mesmo. Com efeito, o cruzado falava dos nossos ares de forma tão eloquente que dizia serem tão bons, que era o bastante para engravidar as vacas. Ora, e como mais vale tarde do que nunca, aproveito este momento para lhe tirar o chapéu, o medievo inglês sabia do que falava!


 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O complexo de culpa do Ocidente

O COMPLEXO DE CULPA DO OCIDENTE


O livro é de 2008, e o autor é Pascal Bruckner. Acabo de saber da sua existência e ainda não o li. Mas o título estava nas minhas notas para uma futura análise ao que se passa com a Europa e com os Estados Unidos, neste tempo em que eu vivo. Pensei sempre que há um complexo de culpa neste ocidente, desde o pós-segunda guerra mundial e que explica estes valores em que vivemos. Esta tirânia da compaixão pelas minorias e a tolerância com tudo o que soe a desfavorecido, quer o seja ou não. Olha-se para o Médio Oriente e o que se vê são os judeus ricos e os palestinos pobres, logo não há uma dúvida em que lado se está. A culpa leva a que os Europeus se projectem nas minorias e nos desfavorecidos. Os ocidentais só se sentem bem na identificação com os "fracos e oprimidos".


A paz e o bem estar no mundo ocidental criou um complexo de culpa na Europa tal (com o epicentro em França) que lhe deu para esta caridade por tudo o que mexe, e que vê tudo o que é diferente ora com paternalismo (uma soberba do avesso) ou com desconfiança pelo o que lhe soa superior. É uma forma de expurgar a culpa, parece-me, esta identificação com as causas das minorias. Assim assistimos ao exagero de ver em cada banqueiro um bandido e em cada emigrante (e quanto mais ilegal melhor) um mártir e santo. Em cada pessoa bonita, loira, bem sucedida, e inteligente recai sobre ela uma série de desconfianças. Já as minorias são imediatamente imaculadas. É o resultado de um complexo de culpa histórico.


Sempre achei isso e sempre achei que os Estados Unidos imitaram a Europa nessa mentalidade de ver tudo pelos olhos dos injustiçados. Este Ocidente que só consegue ver injustiça nos pobres e culpa nos ricos, injustiça nos diferentes e culpa nos comuns, é um Ocidente que se apaixona pelos supostos fracos e oprimidos e culpa os bem sucedidos. Há chavões e palavras criadas para condenar quem não alinha com estes valores.


Mas há uma tirania nesta visão deturpada. Por exemplo, se alguém se levanta a pedir para se ser mais rigoroso na recepção de emigrantes, atiram-lhes logo com as acusações violentas de xenofobia. É quase a fogueira dos tempos modernos a intriga e má língua. Mas quando se olha para categorias e não para pessoas há o risco de se ser cego aos detalhes.


Fomos assistindo a uma Europa que quer ser outra coisa, que quer ter outra pele, que recusa o passado.


O Ocidente despreza facilmente o cristianismo em que foi construído para se apaixonar e adoptar imediatamente um budismo. O Tibete faz as delicias deste Ocidente culpado, pois tem todos os ingredientes para fazer os ocidentais sentirem-se identificados e compreendidos.


Voltemos ao livro. O autor deste livro, tem outro que se chama A Tirania da Inocência, o que também é um título interessante.


Sobre «O complexo de culpa do Ocidente». O que diz o resumo do livro de Pascal Bruckner? «Todo o mundo nos odeia e eles têm toda a razão: é esta a convicção da maioria dos europeus e, a fortiori, dos franceses. Desde 1945 que o nosso continente vive dominado pelo tormento e pelo arrependimento. Martirizando-se com as atrocidades do passado, as guerras constantes, as perseguições religiosas, a escravatura, o fascismo, o comunismo, a sua História não foi senão uma longa cadeia de carnificinas, o que culminou nas duas Guerras Mundiais, ou seja, num suicídio fanático. Face a este sentimento de culpa, uma elite de intelectuais e políticos entrega os seus títulos e vota-se à manutenção da chama dessa culpa, à semelhança do que fizeram os guardiães do fogo: deste modo, o 'Ocidente' passou a estar em dívida para com tudo o que ele não representa, a ser suspeito em todos os acontecimentos, condenado a reparar todos os males. À medida que se vão remoendo, os países europeus esquecem-se que eles, e só eles, fizeram esforços para vencerem, reflectirem e se isentarem desta barbárie. E se o acto de contrição não fosse senão a outra face da abdicação?»


Voilá. Alguém já escreveu esse livro que eu um dia imaginei ao de leve.

O complexo de culpa do Ocidente

O COMPLEXO DE CULPA DO OCIDENTE


O livro é de 2008, e o autor é Pascal Bruckner. Acabo de saber da sua existência e ainda não o li. Mas o título estava nas minhas notas para uma futura análise ao que se passa com a Europa e com os Estados Unidos, neste tempo em que eu vivo. Pensei sempre que há um complexo de culpa neste ocidente, desde o pós-segunda guerra mundial e que explica estes valores em que vivemos. Esta tirânia da compaixão pelas minorias e a tolerância com tudo o que soe a desfavorecido, quer o seja ou não. Olha-se para o Médio Oriente e o que se vê são os judeus ricos e os palestinos pobres, logo não há uma dúvida em que lado se está. A culpa leva a que os Europeus se projectem nas minorias e nos desfavorecidos. Os ocidentais só se sentem bem na identificação com os "fracos e oprimidos".


A paz e o bem estar no mundo ocidental criou um complexo de culpa na Europa tal (com o epicentro em França) que lhe deu para esta caridade por tudo o que mexe, e que vê tudo o que é diferente ora com paternalismo (uma soberba do avesso) ou com desconfiança pelo o que lhe soa superior. É uma forma de expurgar a culpa, parece-me, esta identificação com as causas das minorias. Assim assistimos ao exagero de ver em cada banqueiro um bandido e em cada emigrante (e quanto mais ilegal melhor) um mártir e santo. Em cada pessoa bonita, loira, bem sucedida, e inteligente recai sobre ela uma série de desconfianças. Já as minorias são imediatamente imaculadas. É o resultado de um complexo de culpa histórico.


Sempre achei isso e sempre achei que os Estados Unidos imitaram a Europa nessa mentalidade de ver tudo pelos olhos dos injustiçados. Este Ocidente que só consegue ver injustiça nos pobres e culpa nos ricos, injustiça nos diferentes e culpa nos comuns, é um Ocidente que se apaixona pelos supostos fracos e oprimidos e culpa os bem sucedidos. Há chavões e palavras criadas para condenar quem não alinha com estes valores.


Mas há uma tirania nesta visão deturpada. Por exemplo, se alguém se levanta a pedir para se ser mais rigoroso na recepção de emigrantes, atiram-lhes logo com as acusações violentas de xenofobia. É quase a fogueira dos tempos modernos a intriga e má língua. Mas quando se olha para categorias e não para pessoas há o risco de se ser cego aos detalhes.


Fomos assistindo a uma Europa que quer ser outra coisa, que quer ter outra pele, que recusa o passado.


O Ocidente despreza facilmente o cristianismo em que foi construído para se apaixonar e adoptar imediatamente um budismo. O Tibete faz as delicias deste Ocidente culpado, pois tem todos os ingredientes para fazer os ocidentais sentirem-se identificados e compreendidos.


Voltemos ao livro. O autor deste livro, tem outro que se chama A Tirania da Inocência, o que também é um título interessante.


Sobre «O complexo de culpa do Ocidente». O que diz o resumo do livro de Pascal Bruckner? «Todo o mundo nos odeia e eles têm toda a razão: é esta a convicção da maioria dos europeus e, a fortiori, dos franceses. Desde 1945 que o nosso continente vive dominado pelo tormento e pelo arrependimento. Martirizando-se com as atrocidades do passado, as guerras constantes, as perseguições religiosas, a escravatura, o fascismo, o comunismo, a sua História não foi senão uma longa cadeia de carnificinas, o que culminou nas duas Guerras Mundiais, ou seja, num suicídio fanático. Face a este sentimento de culpa, uma elite de intelectuais e políticos entrega os seus títulos e vota-se à manutenção da chama dessa culpa, à semelhança do que fizeram os guardiães do fogo: deste modo, o 'Ocidente' passou a estar em dívida para com tudo o que ele não representa, a ser suspeito em todos os acontecimentos, condenado a reparar todos os males. À medida que se vão remoendo, os países europeus esquecem-se que eles, e só eles, fizeram esforços para vencerem, reflectirem e se isentarem desta barbárie. E se o acto de contrição não fosse senão a outra face da abdicação?»


Voilá. Alguém já escreveu esse livro que eu um dia imaginei ao de leve.

Já chega, mas gosto da iniciativa

Ponto final parágrafo: já chega de Charlie, afinal a vida continua.... Não obstante, e palmas para o esforço, o portal Sapo está de parabéns.


sapo.jpg


 


 

Já chega, mas gosto da iniciativa

Ponto final parágrafo: já chega de Charlie, afinal a vida continua.... Não obstante, e palmas para o esforço, o portal Sapo está de parabéns.


sapo.jpg


 


 

Preconceitos :)

Preconceitos :)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Uma explicação


 


Imagem actualizada, encontrada aqui.


 


A reboque dos atentados ocorridos em Paris, em que se inclui o ataque ao supermercado Cacher na Porte de Vincennes, e olhando para a mole humana que marcha contra o medo na capital francesa – que agrega pessoas dos mais variados pólos ideológicos – , cheguei a uma conclusão. A que se deve mobilização? Se a explicação não é ideológica, então o que os leva a marchar?


Se o ataque aos pilares do ocidentalismo é, por si só, um bom motivo. Creio bem que existe uma outra variável que não pode ser ignorada. Com efeito, há uma componente temporal que não pode ser escamoteada: Hoje, no Ocidente (e por maioria de razão nas grandes metrópoles europeias) perdemos a dimensão do amanhã, de futuro, e isto é que é (para mim) verdadeiramente preocupante! Efectivamente, ficamos invariavelmente reféns do nosso devir. E a noção de futuro que sempre foi a mole do nosso próprio desenvolvimento (cientifico, político, social, etc.) perdeu-se, ou está doravante condicionado por estas gentes!

Uma explicação


 


Imagem actualizada, encontrada aqui.


 


A reboque dos atentados ocorridos em Paris, em que se inclui o ataque ao supermercado Cacher na Porte de Vincennes, e olhando para a mole humana que marcha contra o medo na capital francesa – que agrega pessoas dos mais variados pólos ideológicos – , cheguei a uma conclusão. A que se deve mobilização? Se a explicação não é ideológica, então o que os leva a marchar?


Se o ataque aos pilares do ocidentalismo é, por si só, um bom motivo. Creio bem que existe uma outra variável que não pode ser ignorada. Com efeito, há uma componente temporal que não pode ser escamoteada: Hoje, no Ocidente (e por maioria de razão nas grandes metrópoles europeias) perdemos a dimensão do amanhã, de futuro, e isto é que é (para mim) verdadeiramente preocupante! Efectivamente, ficamos invariavelmente reféns do nosso devir. E a noção de futuro que sempre foi a mole do nosso próprio desenvolvimento (cientifico, político, social, etc.) perdeu-se, ou está doravante condicionado por estas gentes!

Tiê - Dois (Como dois estranhos)


Como dois estranhos
Cada um na sua estrada
Nos deparamos, numa esquina
Num lugar comum


E aí? Quais são seus planos?
Eu até que tenho vários
Se me acompanhar
No caminho eu posso te contar


E mesmo assim, eu queria te perguntar
Se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar
Se tem espaço de sobra no seu coração
Quer levar minha bagagem ou não?


E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio


De dia, vou me mostrar de longe
De noite, você verá de perto
O certo e o incerto, a gente vai saber


E mesmo assim, queria te contar
Que eu talvez tenho aqui comigo
Eu tenho alguma coisa pra te dar
Tem espaço de sobra no meu coração
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão


E mesmo assim, queria te contar
Que eu tenho aqui comigo alguma coisa pra te dar
Tem espaço de sobra no meu coração
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão

Tiê - Dois (Como dois estranhos)


Como dois estranhos
Cada um na sua estrada
Nos deparamos, numa esquina
Num lugar comum


E aí? Quais são seus planos?
Eu até que tenho vários
Se me acompanhar
No caminho eu posso te contar


E mesmo assim, eu queria te perguntar
Se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar
Se tem espaço de sobra no seu coração
Quer levar minha bagagem ou não?


E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio


De dia, vou me mostrar de longe
De noite, você verá de perto
O certo e o incerto, a gente vai saber


E mesmo assim, queria te contar
Que eu talvez tenho aqui comigo
Eu tenho alguma coisa pra te dar
Tem espaço de sobra no meu coração
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão


E mesmo assim, queria te contar
Que eu tenho aqui comigo alguma coisa pra te dar
Tem espaço de sobra no meu coração
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Tantos Charlies

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 Mais "Charlies" aqui.

Tantos Charlies

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 Mais "Charlies" aqui.

A profissão ainda está no adro

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Servirá de consolo saber que as autoridades (leia-se forças de segurança) francesas mataram os dois suspeitos do ataque ao "Charlie Hebdo" e o autor do sequestro em Paris? Não sei não, para mim a profissão ainda está no adro!

A profissão ainda está no adro

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Servirá de consolo saber que as autoridades (leia-se forças de segurança) francesas mataram os dois suspeitos do ataque ao "Charlie Hebdo" e o autor do sequestro em Paris? Não sei não, para mim a profissão ainda está no adro!

Corta!


 Acabo de ler que a Academia tem medo que os Óscares sejam aborrecidos, pelo que decidiram, e como para grandes males há grandes remédios, investir bastante dinheiro em publicidade para não deixar fugir as audiências. De facto, não há grande surpresa nesta decisão, há muito que o cinema para Hollywood deixou de ser uma arte!


 

Corta!


 Acabo de ler que a Academia tem medo que os Óscares sejam aborrecidos, pelo que decidiram, e como para grandes males há grandes remédios, investir bastante dinheiro em publicidade para não deixar fugir as audiências. De facto, não há grande surpresa nesta decisão, há muito que o cinema para Hollywood deixou de ser uma arte!


 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Sobre o meu regresso

Fazia tanto tempo que não cumpria a minha missão de escriba, e desta responder de forma continuada ao convite que a Maria me fez há alguns anos. Por um lado, acho que me faltavam motivos, e por outro, o meu tempo é muitas vezes escasso.


Porém, e graças a Deus, há os fundamentalistas, ou seja, há aqueles que na ambivalência que a moral justifica distinguem de forma obtusa o bem e o mal, pelo que, e à boleia deles, regressei. No entanto, espero bem que isto não signifique um regresso definitivo, porque se assim fosse era razão para termos medo, muito medo. De uma vez por todas tínhamos ficado reféns deles, e isso é verdadeiramente assustador!

Sobre o meu regresso

Fazia tanto tempo que não cumpria a minha missão de escriba, e desta responder de forma continuada ao convite que a Maria me fez há alguns anos. Por um lado, acho que me faltavam motivos, e por outro, o meu tempo é muitas vezes escasso.


Porém, e graças a Deus, há os fundamentalistas, ou seja, há aqueles que na ambivalência que a moral justifica distinguem de forma obtusa o bem e o mal, pelo que, e à boleia deles, regressei. No entanto, espero bem que isto não signifique um regresso definitivo, porque se assim fosse era razão para termos medo, muito medo. De uma vez por todas tínhamos ficado reféns deles, e isso é verdadeiramente assustador!

O Poema Pouco Original do Medo

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O medo vai ter tudo 
pernas 
ambulâncias 
e o luxo blindado 
de alguns automóveis 

Vai ter olhos onde ninguém os veja 
mãozinhas cautelosas 
enredos quase inocentes 
ouvidos não só nas paredes 
mas também no chão 
no tecto 
no murmúrio dos esgotos 
e talvez até (cautela!) 
ouvidos nos teus ouvidos 

O medo vai ter tudo 
fantasmas na ópera 
sessões contínuas de espiritismo 
milagres 
cortejos 
frases corajosas 
meninas exemplares 
seguras casas de penhor 
maliciosas casas de passe 
conferências várias 
congressos muitos 
óptimos empregos 
poemas originais 
e poemas como este 
projectos altamente porcos 
heróis 
(o medo vai ter heróis!) 
costureiras reais e irreais 
operários 
       (assim assim) 
escriturários 
       (muitos) 
intelectuais 
       (o que se sabe) 
a tua voz talvez 
talvez a minha 
com certeza a deles 

Vai ter capitais 
países 
suspeitas como toda a gente 
muitíssimos amigos 
beijos 
namorados esverdeados 
amantes silenciosos 
ardentes 
e angustiados 

Ah o medo vai ter tudo 
tudo 

(Penso no que o medo vai ter 
e tenho medo 
que é justamente 
o que o medo quer) 



O medo vai ter tudo 
quase tudo 
e cada um por seu caminho 
havemos todos de chegar 
quase todos 
a ratos 

Sim 
a ratos 

Alexandre O'Neill, in 'Abandono Viciado' 

O Poema Pouco Original do Medo

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O medo vai ter tudo 
pernas 
ambulâncias 
e o luxo blindado 
de alguns automóveis 

Vai ter olhos onde ninguém os veja 
mãozinhas cautelosas 
enredos quase inocentes 
ouvidos não só nas paredes 
mas também no chão 
no tecto 
no murmúrio dos esgotos 
e talvez até (cautela!) 
ouvidos nos teus ouvidos 

O medo vai ter tudo 
fantasmas na ópera 
sessões contínuas de espiritismo 
milagres 
cortejos 
frases corajosas 
meninas exemplares 
seguras casas de penhor 
maliciosas casas de passe 
conferências várias 
congressos muitos 
óptimos empregos 
poemas originais 
e poemas como este 
projectos altamente porcos 
heróis 
(o medo vai ter heróis!) 
costureiras reais e irreais 
operários 
       (assim assim) 
escriturários 
       (muitos) 
intelectuais 
       (o que se sabe) 
a tua voz talvez 
talvez a minha 
com certeza a deles 

Vai ter capitais 
países 
suspeitas como toda a gente 
muitíssimos amigos 
beijos 
namorados esverdeados 
amantes silenciosos 
ardentes 
e angustiados 

Ah o medo vai ter tudo 
tudo 

(Penso no que o medo vai ter 
e tenho medo 
que é justamente 
o que o medo quer) 



O medo vai ter tudo 
quase tudo 
e cada um por seu caminho 
havemos todos de chegar 
quase todos 
a ratos 

Sim 
a ratos 

Alexandre O'Neill, in 'Abandono Viciado' 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Grandiosidade e revelação

Acabo de ver o trailer deste filme: SONO DE INVERNO. O novo filme de Nuri Bilge Ceylan que venceu a PALMA DE OURO do Festival de Cannes (vai estar em exibição no Nimas a 8 de Janeiro).


No meio dos diálogos (fantásticos) há um que dá respostas ao meu intimo.


Ela para ele: "És um homem culto, justo honesto e consciencioso. Mas às vezes usas essas virtudes para sufocar as pessoas. Para as esmagar e humilhar".


Ele para ela: "Idolatrares um homem como um Deus e depois revoltares-te contra ele por não ser um Deus. Achas isso justo?"


A ideia que ser virtuoso não chega para potenciar o amor dos outros. A ideia que a virtude pode esmagar e revoltar os outros, e que o virtuoso não percebe porque é que é vítima do mal dos outros quando tem tantas virtudes, é uma coisa tão grandiosa na revelação que até arrepia. Parece dar respostas a tantas perguntas e explicar tantos mártires.


A virtude esmaga os outros que não a conseguem ter e dá origem aos maiores males do mundo. É certo. 


Depois a virtude leva à idolatria e não ao amor. Amam-se as fraquezas não as virtudes.


 


 

Grandiosidade e revelação

Acabo de ver o trailer deste filme: SONO DE INVERNO. O novo filme de Nuri Bilge Ceylan que venceu a PALMA DE OURO do Festival de Cannes (vai estar em exibição no Nimas a 8 de Janeiro).


No meio dos diálogos (fantásticos) há um que dá respostas ao meu intimo.


Ela para ele: "És um homem culto, justo honesto e consciencioso. Mas às vezes usas essas virtudes para sufocar as pessoas. Para as esmagar e humilhar".


Ele para ela: "Idolatrares um homem como um Deus e depois revoltares-te contra ele por não ser um Deus. Achas isso justo?"


A ideia que ser virtuoso não chega para potenciar o amor dos outros. A ideia que a virtude pode esmagar e revoltar os outros, e que o virtuoso não percebe porque é que é vítima do mal dos outros quando tem tantas virtudes, é uma coisa tão grandiosa na revelação que até arrepia. Parece dar respostas a tantas perguntas e explicar tantos mártires.


A virtude esmaga os outros que não a conseguem ter e dá origem aos maiores males do mundo. É certo. 


Depois a virtude leva à idolatria e não ao amor. Amam-se as fraquezas não as virtudes.


 


 

Je suis Charlie

Não sou, nunca fui um grande entusiasta dos jornais satíricos, embora aprecie um bom cartoon, pois chegam onde muitas vezes as palavras não conseguem. No entanto, enquanto ocidental, e na minha condição de Homem Livre, não posso ficar indiferente à barbárie, à incapacidade de mentes pequenas serem incapazes de filtrar, i.e., separando o acessório do essencial. Por isso, tanto aqui, tal como postei ali, eu hoje “Je suis Charlie”!  


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Je suis Charlie

Não sou, nunca fui um grande entusiasta dos jornais satíricos, embora aprecie um bom cartoon, pois chegam onde muitas vezes as palavras não conseguem. No entanto, enquanto ocidental, e na minha condição de Homem Livre, não posso ficar indiferente à barbárie, à incapacidade de mentes pequenas serem incapazes de filtrar, i.e., separando o acessório do essencial. Por isso, tanto aqui, tal como postei ali, eu hoje “Je suis Charlie”!  


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Desejos sinceros e inconfessáveis

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Desejos sinceros e inconfessáveis

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O Valor do Silêncio

Hoje, porque me apetece elogiar o silêncio ou,  melhor dizendo, a capacidade de nos sabermos calar, de saber que existem momentos onde a palavra, mesmo que necessária, fere, encontrei este texto de  Clarice Lispector (1968) que me parece adequado, pelo que o partilho aqui:


 


O Valor do Silêncio


“Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro. Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi, e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.” 

O Valor do Silêncio

Hoje, porque me apetece elogiar o silêncio ou,  melhor dizendo, a capacidade de nos sabermos calar, de saber que existem momentos onde a palavra, mesmo que necessária, fere, encontrei este texto de  Clarice Lispector (1968) que me parece adequado, pelo que o partilho aqui:


 


O Valor do Silêncio


“Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro. Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi, e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.” 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Homem do Hino


 


 


Ontem, primeiro dia do ano, o país político ouviu a tradicional Mensagem de Ano Novo do Presidente da República ao país. Eu ouvi-o como se fosse uma espécie de música de fundo: estava à lareira quando na sala ao lado quando Cavaco Silva discursava. 


Podia ter-me levantado, e ir ouvi-lo. Podia mas não o fiz, na realidade já esperava (como li hoje no Público) que ele dissesse o que disse. Só não esperava a reacção do meu filho de quase 6 anos, quando, no final tocou a Portuguesa, disse: "Ó pai anda cá, anda cá ver o homem do hino." 

O Homem do Hino


 


 


Ontem, primeiro dia do ano, o país político ouviu a tradicional Mensagem de Ano Novo do Presidente da República ao país. Eu ouvi-o como se fosse uma espécie de música de fundo: estava à lareira quando na sala ao lado quando Cavaco Silva discursava. 


Podia ter-me levantado, e ir ouvi-lo. Podia mas não o fiz, na realidade já esperava (como li hoje no Público) que ele dissesse o que disse. Só não esperava a reacção do meu filho de quase 6 anos, quando, no final tocou a Portuguesa, disse: "Ó pai anda cá, anda cá ver o homem do hino."