«Na guerra como no amor, é muitas vezes mais difícil acabar do que começar»
domingo, 30 de novembro de 2014
Shakespeare for ever
«Os Homens de poucas palavras são os melhores Homens»
Henrique V
«A suspeita assombra sempre o espírito culpado»
Henrique VI
«O mal que os homens praticam sobrevive-lhes»
Júlio César
«Boa Noite! Boa Noite! A despedida é uma tão doce tristeza que continuarei a dizer Boa Noite até que seja de manhã»
Romeo e Julieta
«Prazeres violentos têm violentos epílogos»
Romeo e Julieta
«O curso do verdadeiro amor nunca foi suave»
Sonho de uma noite de Verão
«Lembrar o que se perdeu torna a lembrança doce»
Está bem o que acaba bem
«A sabedoria e a bondade parecem vis a quem é vil»
Rei Lear
«Quando o sofrimento chega não é um espião solitário; chega em batalhões»
Hamlet
«Partiste para sempre. Nunca mais voltarás, nunca mais»
Rei Lear
«Deverei comparar-te a um dia de Verão?»
Soneto 18
«O resto... é silêncio»
Hamlet
Shakespeare for ever
«Os Homens de poucas palavras são os melhores Homens»
Henrique V
«A suspeita assombra sempre o espírito culpado»
Henrique VI
«O mal que os homens praticam sobrevive-lhes»
Júlio César
«Boa Noite! Boa Noite! A despedida é uma tão doce tristeza que continuarei a dizer Boa Noite até que seja de manhã»
Romeo e Julieta
«Prazeres violentos têm violentos epílogos»
Romeo e Julieta
«O curso do verdadeiro amor nunca foi suave»
Sonho de uma noite de Verão
«Lembrar o que se perdeu torna a lembrança doce»
Está bem o que acaba bem
«A sabedoria e a bondade parecem vis a quem é vil»
Rei Lear
«Quando o sofrimento chega não é um espião solitário; chega em batalhões»
Hamlet
«Partiste para sempre. Nunca mais voltarás, nunca mais»
Rei Lear
«Deverei comparar-te a um dia de Verão?»
Soneto 18
«O resto... é silêncio»
Hamlet
sábado, 29 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Benetton a marcar pontos (desta vez)
Está gira a ideia, e começo a pensar que esta preocupação com a violência das mulheres vem a propósito, não por algum tipo de feminismo que odeio, mas porque as mulheres são cada vez mais mal amadas e maltratadas pelos homens (não forçosamente com maus tratos físicos, mas sim com desprezos e desrespeitos o que é preciso mudar).
Benetton a marcar pontos (desta vez)
Está gira a ideia, e começo a pensar que esta preocupação com a violência das mulheres vem a propósito, não por algum tipo de feminismo que odeio, mas porque as mulheres são cada vez mais mal amadas e maltratadas pelos homens (não forçosamente com maus tratos físicos, mas sim com desprezos e desrespeitos o que é preciso mudar).
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
So middle class
Assim que ouvi na televisão que «o companheiro da ex-mulher de Sócrates foi à prisão visitar o ex-marido da mulher», só me ocorreu um comentário à Downton Abbey: It´s so middle class!
So middle class
Assim que ouvi na televisão que «o companheiro da ex-mulher de Sócrates foi à prisão visitar o ex-marido da mulher», só me ocorreu um comentário à Downton Abbey: It´s so middle class!
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Lido no Facebook II
"É possível deter um ex-primeiro-ministro para interrogatório sem se ser espectacular? Como? O juiz Carlos Alexandre chegava ao pé de Sócrates ao volante de um táxi e dizia-lhe “entre, já lhe explico” e depois interrogava-o às voltas pela cidade."
Lido no Facebook II
"É possível deter um ex-primeiro-ministro para interrogatório sem se ser espectacular? Como? O juiz Carlos Alexandre chegava ao pé de Sócrates ao volante de um táxi e dizia-lhe “entre, já lhe explico” e depois interrogava-o às voltas pela cidade."
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Acredito
Fernando Pinto Monteiro e José Sócrates almoçaram na terça-feira no Hotel Aviz (não fossem os telefones estarem sob escuta). No almoço antes da prisão preventiva do ex-primeiro Ministro, os dois comensais só falaram de livros, mais especificamente do livro que Sócrates tinha para lhe oferecer (provavelmente porque não sabia o que fazer ao stock de 30 mil que lá tinha em casa, a fazer fé no que dizem as notícias), falaram de viagens, Sócrates ia a Paris e se calhar Pinto Monteiro estava a pensar em ir a Punta Cana, quem sabe, e falaram do Lula da Silva. Não tocaram em temas de justiça. Nem ao de leve.
Bem me lembro do caso Face Oculta e do processo paralelo que os procuradores de Aveiro abriram contra José Sócrates enviado para Lisboa.
Havia escutas mas os escutados mudaram todos de telefone.
Acredito
Fernando Pinto Monteiro e José Sócrates almoçaram na terça-feira no Hotel Aviz (não fossem os telefones estarem sob escuta). No almoço antes da prisão preventiva do ex-primeiro Ministro, os dois comensais só falaram de livros, mais especificamente do livro que Sócrates tinha para lhe oferecer (provavelmente porque não sabia o que fazer ao stock de 30 mil que lá tinha em casa, a fazer fé no que dizem as notícias), falaram de viagens, Sócrates ia a Paris e se calhar Pinto Monteiro estava a pensar em ir a Punta Cana, quem sabe, e falaram do Lula da Silva. Não tocaram em temas de justiça. Nem ao de leve.
Bem me lembro do caso Face Oculta e do processo paralelo que os procuradores de Aveiro abriram contra José Sócrates enviado para Lisboa.
Havia escutas mas os escutados mudaram todos de telefone.
domingo, 23 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Sócrates detido, RTP com vaga para comentador e um blog mudo
Sócrates foi detido esta sexta-feira no Aeroporto da Portela, em Lisboa, quando chegava de Paris. Uma das causas da detenção está relacionada com a casa avaliada em três milhões de euros onde o ex-primeiro-ministro residiu quando tirou um curso na capital francesa, depois de deixar o governo. Os investigadores querem saber de onde veio o dinheiro para comprar a habitação. Sócrates disse sempre que pediu um empréstimo ao banco para poder pagar o aluguer do apartamento. PGR confirma que Sócrates é suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.
Resultados paralelos:
Sócrates detido, RTP ganha uma vaga para comentador e há um blog (Câmara Corporativa) em risco de ficar mudo, se não mesmo inactivo.
Sócrates detido, RTP com vaga para comentador e um blog mudo
Sócrates foi detido esta sexta-feira no Aeroporto da Portela, em Lisboa, quando chegava de Paris. Uma das causas da detenção está relacionada com a casa avaliada em três milhões de euros onde o ex-primeiro-ministro residiu quando tirou um curso na capital francesa, depois de deixar o governo. Os investigadores querem saber de onde veio o dinheiro para comprar a habitação. Sócrates disse sempre que pediu um empréstimo ao banco para poder pagar o aluguer do apartamento. PGR confirma que Sócrates é suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal e corrupção.
Resultados paralelos:
Sócrates detido, RTP ganha uma vaga para comentador e há um blog (Câmara Corporativa) em risco de ficar mudo, se não mesmo inactivo.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Ora há uma frase deste artigo que eu subscrevo
Estava a ler este artigo do Público e deparei-me com a seguinte descrição: «Barba grande, cabelo despenteado, camisas de flanela aos quadrados, gorros de malha, botas e mochila às costas. Descontraídos, despreocupados. “Algumas mulheres, fartas de ter de partilhar os seus cremes com os metrossexuais e de competir por um lugar ao espelho com mais tempo com o secador e alisador, adoram este novo espécime, que pretende resgatar uma masculinidade em risco de extinção”, explica o diário espanhol El País.
O escritor Tom Puzak também fez uma descrição dos “novos homens”: “O lumbersexual vai de bar em bar, mas parece que acabou de cortar um pinheiro. Na mochila carrega um MacBook Air, mas aparenta guardar um machado de lenhador”».
O sublinhado é meu, e é com isto que eu concordo.
Ora há uma frase deste artigo que eu subscrevo
Estava a ler este artigo do Público e deparei-me com a seguinte descrição: «Barba grande, cabelo despenteado, camisas de flanela aos quadrados, gorros de malha, botas e mochila às costas. Descontraídos, despreocupados. “Algumas mulheres, fartas de ter de partilhar os seus cremes com os metrossexuais e de competir por um lugar ao espelho com mais tempo com o secador e alisador, adoram este novo espécime, que pretende resgatar uma masculinidade em risco de extinção”, explica o diário espanhol El País.
O escritor Tom Puzak também fez uma descrição dos “novos homens”: “O lumbersexual vai de bar em bar, mas parece que acabou de cortar um pinheiro. Na mochila carrega um MacBook Air, mas aparenta guardar um machado de lenhador”».
O sublinhado é meu, e é com isto que eu concordo.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
O FIM DO QUE ERA by Expresso
Artigo do Expresso Diário do dia 11 de Setembro (em baixo o link):
O Meu TOP
O FIM DO QUE ERA
Mais um livro sobre os Espírito Santo que ainda não é um livro a mais.
1.O Fim da Era Espírito Santo
Maria Teixeira Alves
Alêtheia
Chegarão os dias em que não haverá cão nem gato que não escreva livros sobre a queda dos Espírito Santo. Por enquanto, ainda estamos nos dias em que não há cão nem gato que os não leia. E os primeiros livros que estão a ser publicados são sobretudo de jornalistas, que têm memória fresca dos acontecimentos diários do último ano - que complementam com a história e a evolução das últimas décadas do império da família, que colapsou este verão, depois de vários meses de intenso escândalo relatado nas páginas de jornais.
A vez pertence agora a Maria Teixeira Alves, jornalista de economia que acompanha a área de banca há 20 anos, tendo estado na frente do noticiário em diversos casos da história da banca privada em Portugal, nomeadamente de vários escândalos: o colapso do BCP da era Jardim Gonçalves (sobre o qual publicou ou livro “Terramoto BCP”), a nacionalização do BPN ou a queda do BPP. O maior de todos os escândalos estava no entanto reservado para os anos de 2013/2014. E é sobre ele que Maria Teixeira Alves publica mais de 500 páginas, que contam a história e várias histórias deste colapso - incluindo, como convém a uma jornalista, várias novidades (notícias, portanto).
Ricardo Salgado, aqui tratado como “o derradeiro banqueiro”, é a figura central de uma trama real, sobre a qual só o tempo dará a distância necessária para se lhe escrever a História. Antes dos historiadores, escrevem os jornalistas. Um livro para ler mesmo no arranque da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso, cujas ramificações e consequências estão ainda por medir.
Expresso Diário, dia 11 de Novembro
O FIM DO QUE ERA by Expresso
Artigo do Expresso Diário do dia 11 de Setembro (em baixo o link):
O Meu TOP
O FIM DO QUE ERA
Mais um livro sobre os Espírito Santo que ainda não é um livro a mais.
1.O Fim da Era Espírito Santo
Maria Teixeira Alves
Alêtheia
Chegarão os dias em que não haverá cão nem gato que não escreva livros sobre a queda dos Espírito Santo. Por enquanto, ainda estamos nos dias em que não há cão nem gato que os não leia. E os primeiros livros que estão a ser publicados são sobretudo de jornalistas, que têm memória fresca dos acontecimentos diários do último ano - que complementam com a história e a evolução das últimas décadas do império da família, que colapsou este verão, depois de vários meses de intenso escândalo relatado nas páginas de jornais.
A vez pertence agora a Maria Teixeira Alves, jornalista de economia que acompanha a área de banca há 20 anos, tendo estado na frente do noticiário em diversos casos da história da banca privada em Portugal, nomeadamente de vários escândalos: o colapso do BCP da era Jardim Gonçalves (sobre o qual publicou ou livro “Terramoto BCP”), a nacionalização do BPN ou a queda do BPP. O maior de todos os escândalos estava no entanto reservado para os anos de 2013/2014. E é sobre ele que Maria Teixeira Alves publica mais de 500 páginas, que contam a história e várias histórias deste colapso - incluindo, como convém a uma jornalista, várias novidades (notícias, portanto).
Ricardo Salgado, aqui tratado como “o derradeiro banqueiro”, é a figura central de uma trama real, sobre a qual só o tempo dará a distância necessária para se lhe escrever a História. Antes dos historiadores, escrevem os jornalistas. Um livro para ler mesmo no arranque da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso, cujas ramificações e consequências estão ainda por medir.
Expresso Diário, dia 11 de Novembro
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
O Fim da Era Espírito Santo (excerto I)
A propriedade tem um peso tão sagrado, que ameaçá‑la é correr o risco de ficar detido entre a desunião dos vivos, mais pesada que a justiça.
No dia em que se reuniram na Rua São Bernardo à Estrela os nove representantes do clã, a polícia judiciária estava a vasculhar computadores na sede do Banco Espírito Santo e já um séquito de jornalistas cercava as saídas da Rua Barata Salgueiro. Era o início da tarde de um princípio de Novembro e um Verão de São Martinho espreitava por entre as árvores semi‑despidas do Outono. A reunião estava para decorrer no 195 da Avenida da Liberdade, mas porque o Ministério Público surgiu de rompante na sede do banco, os nove do Conselho Superior da família dirigiram‑se para a sede do grupo que espreita o Jardim da Estrela.
Fora assim para fugir às garras da imprensa que os representantes dos cinco ramos da velha família de banqueiros escolheram a casa cor‑de‑rosa com portadas verdes, que é o quartel‑general da família Espírito Santo. Sentam‑se à mesa nove, mas só cinco votam.
Reinava aquela calma que antecede as grandes catástrofes, marcada por um indelével rasto que o não dito deixa. Ricardo Salgado; José Manuel Espírito Santo e o seu sobrinho Ricardo Abecassis Espírito Santo; António Roquette Ricciardi e seu filho José Maria Espírito Santo Ricciardi; Manuel Fernando Espírito Santo em representação da sua mãe, Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo, e o seu irmão Fernando Espírito Santo; e aquele que era uma espécie de Espírito Santo «por adopção», Mário Mosqueira do Amaral com o seu filho Pedro, estavam na sala.
Ricardo Salgado há muito que era tema de conversa frívola nos petit comités de amigos, os portugueses dizem mal de tudo com uma insinceridade genial. Mas foram as notícias dos jornais e as informações que iam chegando de um velho ex‑aliado da família, Pedro Queiroz Pereira, que desencadearam um incómodo no coração de, pelo menos, três membros do clã: António Roquette Ricciardi; José Maria, seu filho; e Ricardo Abecassis Espírito Santo, o parente do Brasil. Não fora um mero acaso, o facto de uns meses antes, o capitão da indústria – a quem, há um par de anos, tinha sido atribuído, pelo Presidente da República, a grã‑cruz da Ordem de Mérito Industrial – ter avisado José Maria Ricciardi da situação financeira das empresas que sustentavam todo o Grupo Espírito Santo, ainda longe de saber que por debaixo do tapete havia muito mais dívida por reconhecer e que escondia a verdadeira situação de falência técnica do Grupo Espírito Santo. Por causa da sociedade que tinha com a família Espírito Santo, por herança, na Espírito Santo Control, Pedro Queiroz Pereira tinha conseguido informações que acabam por culminar com a derrocada do império da família Espírito Santo, que afinal estava enterrado numa espiral de dívidas incontroláveis. José Maria Ricciardi ficou apavorado.
Voltemos atrás. Nos dias que antecederam a reunião de patriarcas, os representantes dos vários ramos da mais velha família de banqueiros do país tinham‑se encontrado em surdina para discutir o corrupio de notícias contra o homem em quem tinham depositado a liderança do banco com o nome da família, que tem 145 anos.
O Fim da Era Espírito Santo (excerto I)
A propriedade tem um peso tão sagrado, que ameaçá‑la é correr o risco de ficar detido entre a desunião dos vivos, mais pesada que a justiça.
No dia em que se reuniram na Rua São Bernardo à Estrela os nove representantes do clã, a polícia judiciária estava a vasculhar computadores na sede do Banco Espírito Santo e já um séquito de jornalistas cercava as saídas da Rua Barata Salgueiro. Era o início da tarde de um princípio de Novembro e um Verão de São Martinho espreitava por entre as árvores semi‑despidas do Outono. A reunião estava para decorrer no 195 da Avenida da Liberdade, mas porque o Ministério Público surgiu de rompante na sede do banco, os nove do Conselho Superior da família dirigiram‑se para a sede do grupo que espreita o Jardim da Estrela.
Fora assim para fugir às garras da imprensa que os representantes dos cinco ramos da velha família de banqueiros escolheram a casa cor‑de‑rosa com portadas verdes, que é o quartel‑general da família Espírito Santo. Sentam‑se à mesa nove, mas só cinco votam.
Reinava aquela calma que antecede as grandes catástrofes, marcada por um indelével rasto que o não dito deixa. Ricardo Salgado; José Manuel Espírito Santo e o seu sobrinho Ricardo Abecassis Espírito Santo; António Roquette Ricciardi e seu filho José Maria Espírito Santo Ricciardi; Manuel Fernando Espírito Santo em representação da sua mãe, Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo, e o seu irmão Fernando Espírito Santo; e aquele que era uma espécie de Espírito Santo «por adopção», Mário Mosqueira do Amaral com o seu filho Pedro, estavam na sala.
Ricardo Salgado há muito que era tema de conversa frívola nos petit comités de amigos, os portugueses dizem mal de tudo com uma insinceridade genial. Mas foram as notícias dos jornais e as informações que iam chegando de um velho ex‑aliado da família, Pedro Queiroz Pereira, que desencadearam um incómodo no coração de, pelo menos, três membros do clã: António Roquette Ricciardi; José Maria, seu filho; e Ricardo Abecassis Espírito Santo, o parente do Brasil. Não fora um mero acaso, o facto de uns meses antes, o capitão da indústria – a quem, há um par de anos, tinha sido atribuído, pelo Presidente da República, a grã‑cruz da Ordem de Mérito Industrial – ter avisado José Maria Ricciardi da situação financeira das empresas que sustentavam todo o Grupo Espírito Santo, ainda longe de saber que por debaixo do tapete havia muito mais dívida por reconhecer e que escondia a verdadeira situação de falência técnica do Grupo Espírito Santo. Por causa da sociedade que tinha com a família Espírito Santo, por herança, na Espírito Santo Control, Pedro Queiroz Pereira tinha conseguido informações que acabam por culminar com a derrocada do império da família Espírito Santo, que afinal estava enterrado numa espiral de dívidas incontroláveis. José Maria Ricciardi ficou apavorado.
Voltemos atrás. Nos dias que antecederam a reunião de patriarcas, os representantes dos vários ramos da mais velha família de banqueiros do país tinham‑se encontrado em surdina para discutir o corrupio de notícias contra o homem em quem tinham depositado a liderança do banco com o nome da família, que tem 145 anos.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Sobre a OPA de Isabel dos Santos
Esta OPA é genial. Isabel dos Santos tenta matar três coelhos numa só cajadada. Ao lançar uma OPA sobre a PT SGPS têm em vista o operador português de telecomunicações, ao mesmo tempo procura resolver o diferendo sobre a Unitel (angolana detida em parte pela PT) e adquire uma posição relevante na Oi, no Brasil. Se fosse fácil fazia o pleno. Mas o que decide uma OPA são as condições da oferta. Por isso vai ter de rever o preço porque é baixo. Isto se quiser convencer os pequenos accionistas a vender. Penso que a empresária, aconselhada pelos bons advogados, deu um preço baixo porque esperava concorrência na OPA e quer ter margem para o subir. O primeiro oferente tem vantagens num "leilão de OPA".
O problema são as condições que terão de ser alteradas. A limitação dos direitos de voto da PT SGPS na futura Oi ou a possibilidade de a PT SGPS poder comprar acções da CorpCo (empresa resultante da combinação de negócios) no mercado, além da fatia de 11,4% estipulada anteriormente, são alguns dos items que a empresária pondera alterar para levar a operação em frente.
Esta OPA é genial mas difícil.
Sobre a OPA de Isabel dos Santos
Esta OPA é genial. Isabel dos Santos tenta matar três coelhos numa só cajadada. Ao lançar uma OPA sobre a PT SGPS têm em vista o operador português de telecomunicações, ao mesmo tempo procura resolver o diferendo sobre a Unitel (angolana detida em parte pela PT) e adquire uma posição relevante na Oi, no Brasil. Se fosse fácil fazia o pleno. Mas o que decide uma OPA são as condições da oferta. Por isso vai ter de rever o preço porque é baixo. Isto se quiser convencer os pequenos accionistas a vender. Penso que a empresária, aconselhada pelos bons advogados, deu um preço baixo porque esperava concorrência na OPA e quer ter margem para o subir. O primeiro oferente tem vantagens num "leilão de OPA".
O problema são as condições que terão de ser alteradas. A limitação dos direitos de voto da PT SGPS na futura Oi ou a possibilidade de a PT SGPS poder comprar acções da CorpCo (empresa resultante da combinação de negócios) no mercado, além da fatia de 11,4% estipulada anteriormente, são alguns dos items que a empresária pondera alterar para levar a operação em frente.
Esta OPA é genial mas difícil.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
The translation
The property has a weight so sacred that it is threatening to take the risk of getting arrested disunity among the living, heavier than justice.
The day they met at Rua São Bernardo à Estrela, the nine representatives of the clan Espírito Santo, the police were rummaging computers at Banco Espirito Santo and an entourage of journalists surrounded the exits of Rua Barata Salgueiro. It was the early afternoon of a early November and a summer of St. Martin peeped through the half-naked autumn trees. The meeting was to be held at 195 Liberty Avenue, but because the prosecutor came thundering at the head office of the bank, the nine members of the Superior Council of the family raced to the old house, headquarter of the group, that faces the Jardim da Estrela.
Out so to escape the clutches of the press that representatives of the five branches of the old banking family chose the pink house with green shutters, which is the headquarters of the Espírito Santo family. All nine sit at table, but only five vote.
Ruled that calm before the great disasters, marked by an indelible trail that unsaid leaves.
The translation
The property has a weight so sacred that it is threatening to take the risk of getting arrested disunity among the living, heavier than justice.
The day they met at Rua São Bernardo à Estrela, the nine representatives of the clan Espírito Santo, the police were rummaging computers at Banco Espirito Santo and an entourage of journalists surrounded the exits of Rua Barata Salgueiro. It was the early afternoon of a early November and a summer of St. Martin peeped through the half-naked autumn trees. The meeting was to be held at 195 Liberty Avenue, but because the prosecutor came thundering at the head office of the bank, the nine members of the Superior Council of the family raced to the old house, headquarter of the group, that faces the Jardim da Estrela.
Out so to escape the clutches of the press that representatives of the five branches of the old banking family chose the pink house with green shutters, which is the headquarters of the Espírito Santo family. All nine sit at table, but only five vote.
Ruled that calm before the great disasters, marked by an indelible trail that unsaid leaves.
Revelations
Did you know?
Fernando Ulrich was the first to warn the Bank of Portugal that the Banco Espírito Santo was being subjected to high risks, and that they were going unnoticed. He did it at 2012, with documentation. The focus of the complaint was the loans of BES Angola, which doubled the deposits. But the Espírito Santo Liquidity Fund, which is treated later in a denounce made by Pedro Queiroz Pereira, was also part of the president of BPI´s worries. The BPI was aware of the risk of ESI because it was his client, and warned the Bank of Portugal that the fund had in portfolio debt of companies that had no rating, nor were evaluated by no one.
Did you know that Ricardo Salgado asked directly to Carlos Calvário, the risk manager, the ESI rating of 2012?
Did you know that Nuno Amado, president of Millennium BCP also warned the Governor to the fact of the Espírito Santo liquidity fund translate a bizarre logical of family holdings funding?
Did you know it was because José Maria Ricciardi was at the board of EDP, in the last eight years, that the company ever invested in commercial paper of the Espírito Santo holdings?
Did you know that the Bank of Portugal has imposed a capital increase in BES, de EUR 1.045 millions to capitalize the bank, because at this time he did not know the large exposure, direct and indirectly, to family holdings?
Did you know that the Bank of Portugal, within ring fencing, tried to put Rioforte directly owned the Bank (finishing the ESFG) to get direct access to dividends from BES to repay the debt? Solution that is suggested by Jose Honorio.
Did you know Vítor Bento started to invite Amilcar Morais Pires to keep in the board of BES as manager of international portfolio because Ricardo Salgado asked and recommended him, but soon was disinvited, after Vítor Bento knew new circumstances related by the Bank of Portugal (which was withdrawing its reputation)?
Did you know tha Ricardo Salgado became angry with Joaquim Goes when he warns for the risks of exposure to the Bank Group's holdings?
Did you know that Vítor Bento was take by surprise when the opinion maker Luís Marques Mendes announced in TV the measure of resolution for BES?
Do you know the first meeting between Vitor Bento, has CEO of BES, and the Minister of Finance, occur only on the Thursday before Resolution?
Do you know that the initiative to abandon the board of Novo Banco was taken, not by Vítor Bento, but by one of the other two?
Do you know Ricardo Salgado was under threat of loss the eligibility for BESI administrator during months until he is forced, by the presidente of Bank of Portugal, of dimisión?
Do you know it was Pedro Passos Coelho who ask António Horta Osório for help in the Novo Bank, and because of that the Bank of Portugal invited Eduardo da Cunha Stock?
Do you know at the last minute Ricardo Salgado convinced family members to invest in commercial paper of family holdings?
Do you know general Kopelipa, from Angola, invested 700 million euros in ESI?
Do you know that the cash outflow from BESA, by the hands of Álvaro Sobrinho, occurs more or less at the same time of the increase capital of family holdings, where the investores were allies and friends in various geographies?
Do you know that in all geographies where BES was, the Group Espírito Santo had allies and partners who were invited to invest in capital of family holdings (Control and ESI, and others), or to invest in their debt?
Do you know that the GES was preparing to make another issue of Rioforte´s debt at June 20?
Do you know that Eduardo da Cunha invited to stay with him in Novo Banco´s board, the old managers João Freixa and Jorge Martins, but they did not accept?
Do you know that Hotel Palácio offered the stay of Ricardo Salgado?
Do you know the family house of Ricardo Salgado, which belonged to his mother, may be on sale?
Do you know that there are people in the family who tried to raise the money before freezing accounts, and become suspect of a process in the prosecution?
Revelations
Did you know?
Fernando Ulrich was the first to warn the Bank of Portugal that the Banco Espírito Santo was being subjected to high risks, and that they were going unnoticed. He did it at 2012, with documentation. The focus of the complaint was the loans of BES Angola, which doubled the deposits. But the Espírito Santo Liquidity Fund, which is treated later in a denounce made by Pedro Queiroz Pereira, was also part of the president of BPI´s worries. The BPI was aware of the risk of ESI because it was his client, and warned the Bank of Portugal that the fund had in portfolio debt of companies that had no rating, nor were evaluated by no one.
Did you know that Ricardo Salgado asked directly to Carlos Calvário, the risk manager, the ESI rating of 2012?
Did you know that Nuno Amado, president of Millennium BCP also warned the Governor to the fact of the Espírito Santo liquidity fund translate a bizarre logical of family holdings funding?
Did you know it was because José Maria Ricciardi was at the board of EDP, in the last eight years, that the company ever invested in commercial paper of the Espírito Santo holdings?
Did you know that the Bank of Portugal has imposed a capital increase in BES, de EUR 1.045 millions to capitalize the bank, because at this time he did not know the large exposure, direct and indirectly, to family holdings?
Did you know that the Bank of Portugal, within ring fencing, tried to put Rioforte directly owned the Bank (finishing the ESFG) to get direct access to dividends from BES to repay the debt? Solution that is suggested by Jose Honorio.
Did you know Vítor Bento started to invite Amilcar Morais Pires to keep in the board of BES as manager of international portfolio because Ricardo Salgado asked and recommended him, but soon was disinvited, after Vítor Bento knew new circumstances related by the Bank of Portugal (which was withdrawing its reputation)?
Did you know tha Ricardo Salgado became angry with Joaquim Goes when he warns for the risks of exposure to the Bank Group's holdings?
Did you know that Vítor Bento was take by surprise when the opinion maker Luís Marques Mendes announced in TV the measure of resolution for BES?
Do you know the first meeting between Vitor Bento, has CEO of BES, and the Minister of Finance, occur only on the Thursday before Resolution?
Do you know that the initiative to abandon the board of Novo Banco was taken, not by Vítor Bento, but by one of the other two?
Do you know Ricardo Salgado was under threat of loss the eligibility for BESI administrator during months until he is forced, by the presidente of Bank of Portugal, of dimisión?
Do you know it was Pedro Passos Coelho who ask António Horta Osório for help in the Novo Bank, and because of that the Bank of Portugal invited Eduardo da Cunha Stock?
Do you know at the last minute Ricardo Salgado convinced family members to invest in commercial paper of family holdings?
Do you know general Kopelipa, from Angola, invested 700 million euros in ESI?
Do you know that the cash outflow from BESA, by the hands of Álvaro Sobrinho, occurs more or less at the same time of the increase capital of family holdings, where the investores were allies and friends in various geographies?
Do you know that in all geographies where BES was, the Group Espírito Santo had allies and partners who were invited to invest in capital of family holdings (Control and ESI, and others), or to invest in their debt?
Do you know that the GES was preparing to make another issue of Rioforte´s debt at June 20?
Do you know that Eduardo da Cunha invited to stay with him in Novo Banco´s board, the old managers João Freixa and Jorge Martins, but they did not accept?
Do you know that Hotel Palácio offered the stay of Ricardo Salgado?
Do you know the family house of Ricardo Salgado, which belonged to his mother, may be on sale?
Do you know that there are people in the family who tried to raise the money before freezing accounts, and become suspect of a process in the prosecution?
domingo, 9 de novembro de 2014
sábado, 8 de novembro de 2014
25 anos da queda do muro de Berlim
O mundo antes de 1989 e o mundo depois de 1989. O que mudou? Até 1989 a modernidade ficava do lado de cá do muro. A Europa evoluia do lado de cá do muro. Para lá do muro o mundo parara no tempo. É disso que me lembro quando me lembro do muro de Berlim. A Alemanha de lá era austera, pobre, comunista e controlada. A Alemanha de cá era moderna, rica e capitalista, democrática. Uma tinha o marco alemão oriental, outra tinha simplesmente o marco alemão. Uma tinha por lema «Proletários do mundo, uni-vos»; a outra «Unidade, justiça e liberdade».
Eu não passava de uma adolescente nessa altura, na altura do muro e na altura da sua queda, adolescente num país com pretensões ocidentais, mas ainda tão pobre como um país de leste. Um país conservador e tradicionalista, com uma estética datada, mas a espreitar as novas modas de Londres e Paris. O que eu via nessa altura? Pouco mais do que o meu universo, o meu eixo Lisboa-Cascais, os pequenos luxos de uma vida típica de uma adolescente naquele ambiente estorilense. Bôites com bolas de espelhos e de entrada condicionada, enchumaços, veludos cotelês, lodens, sabrinas de verniz, bandoletes, tafetás, Benetton (não havia Zara), Migacho, Kookai, festas, gelados, praia, barcos e optimistes, pouco se questionava nessa altura, muito pouco. Muito pouco se abordava nas conversas para lá das coisas banais, triviais e ligeiras da vidinha rotineira, entre aulas, festas, cafés, praia, e Vangogo, News ou 2001. Amores e desamores.
Berlim dividido ao meio era uma coisa que não questionava, era uma realidade que nascera antes de eu nascer. Não questionamos facilmente aquilo que existia antes de nós existirmos, talvez não nos sintamos com legitimidade para tal.
O muro existia antes de mim e isso dava-lhe uma consistência inegável. Acho que talvez me tenha passado pela cabeça, nalgum momento, que aquilo de dividir ao meio uma cidade (Berlim) e um país, não tinha grande nexo, penso que sim, que pensei nisso como um absurdo, mas era assim que era e não valia a pena pensar muito no assunto. Lembro-me de nessa altura ter de fixar duas capitais da Alemanha, a da RFA, Bona, e a da RDA, Berlim. Mas pensei nisso como quem pensa numa Guiné Bissau e numa Guiné Conacri. Havia duas Alemanhas, pronto, também havia várias Guinés.
Hoje penso que bizarro e terrível que era um povo estar encarcerado por um muro que impedia os alemães de se visitarem uns aos outros. Será que hoje, sem muro, se visitam?
Se é um fenómeno datado? Não sei. Há muros que não são de pedra, mas não são menos muros que os outros. Nesse aspecto nada mudou desde então, há muros construídos a separar pessoas, e muros por construir. O mundo está carregado de muros.
25 anos da queda do muro de Berlim
O mundo antes de 1989 e o mundo depois de 1989. O que mudou? Até 1989 a modernidade ficava do lado de cá do muro. A Europa evoluia do lado de cá do muro. Para lá do muro o mundo parara no tempo. É disso que me lembro quando me lembro do muro de Berlim. A Alemanha de lá era austera, pobre, comunista e controlada. A Alemanha de cá era moderna, rica e capitalista, democrática. Uma tinha o marco alemão oriental, outra tinha simplesmente o marco alemão. Uma tinha por lema «Proletários do mundo, uni-vos»; a outra «Unidade, justiça e liberdade».
Eu não passava de uma adolescente nessa altura, na altura do muro e na altura da sua queda, adolescente num país com pretensões ocidentais, mas ainda tão pobre como um país de leste. Um país conservador e tradicionalista, com uma estética datada, mas a espreitar as novas modas de Londres e Paris. O que eu via nessa altura? Pouco mais do que o meu universo, o meu eixo Lisboa-Cascais, os pequenos luxos de uma vida típica de uma adolescente naquele ambiente estorilense. Bôites com bolas de espelhos e de entrada condicionada, enchumaços, veludos cotelês, lodens, sabrinas de verniz, bandoletes, tafetás, Benetton (não havia Zara), Migacho, Kookai, festas, gelados, praia, barcos e optimistes, pouco se questionava nessa altura, muito pouco. Muito pouco se abordava nas conversas para lá das coisas banais, triviais e ligeiras da vidinha rotineira, entre aulas, festas, cafés, praia, e Vangogo, News ou 2001. Amores e desamores.
Berlim dividido ao meio era uma coisa que não questionava, era uma realidade que nascera antes de eu nascer. Não questionamos facilmente aquilo que existia antes de nós existirmos, talvez não nos sintamos com legitimidade para tal.
O muro existia antes de mim e isso dava-lhe uma consistência inegável. Acho que talvez me tenha passado pela cabeça, nalgum momento, que aquilo de dividir ao meio uma cidade (Berlim) e um país, não tinha grande nexo, penso que sim, que pensei nisso como um absurdo, mas era assim que era e não valia a pena pensar muito no assunto. Lembro-me de nessa altura ter de fixar duas capitais da Alemanha, a da RFA, Bona, e a da RDA, Berlim. Mas pensei nisso como quem pensa numa Guiné Bissau e numa Guiné Conacri. Havia duas Alemanhas, pronto, também havia várias Guinés.
Hoje penso que bizarro e terrível que era um povo estar encarcerado por um muro que impedia os alemães de se visitarem uns aos outros. Será que hoje, sem muro, se visitam?
Se é um fenómeno datado? Não sei. Há muros que não são de pedra, mas não são menos muros que os outros. Nesse aspecto nada mudou desde então, há muros construídos a separar pessoas, e muros por construir. O mundo está carregado de muros.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Revelações
O Fim da Era Espírito Santo
Sabia que?
Foi Fernando Ulrich o primeiro a enviar para o Governador do Banco de Portugal e a fazer avisos ao Governo que o BES estava a ser alvo de elevados riscos, e que estavam a passar despercebidos. Fê-lo em 2012 com documentação. O enfoque era a exposição do capital do BES ao BES Angola. Mas também o Fundo Espírito Santo Liquidez que mais tarde é tratado na denúncia de Pedro Queiroz Pereira. O BPI tinha conhecimento do risco da ESI porque era sua cliente e avisou o Banco de Portugal que aquele fundo tinha dívida de empresas em carteira que não tinham rating, nem eram avaliadas por ninguém.
Sabia que foi Ricardo Salgado que pediu o rating de 2012 da ESI a Carlos Calvário da direcção de risco, directamente?
Sabia que Nuno Amado, do BCP, também alertou o Governador para o facto de o fundo Espírito Santo Liquidez traduzir uma lógica de financiamento das holdings familiares?
Sabia que foi por José Maria Ricciardi ser administrador da EDP que nunca esta empresa investiu em papel comercial das holdings da família Espírito Santo?
Sabia que o Banco de Portugal impôs um aumento de capital no BES, de mil e quarenta e cinco milhões de euros, para capitalizar o banco porque nesta altura ainda não sabia da exposição indirecta do banco às holdings familiares?
Sabia que O Banco de Portugal, na reestruturação com vista ao ring fencing queria que a Rioforte ficasse directamente com o Banco (acabando com a ESFG) para ficar com acesso directo aos dividendos do banco para poder pagar a dívida? Solução que é sugerida por José Honório.
Sabia que Vítor Bento convidou Amílcar Morais Pires para administrador com o pelouro internacional porque Ricardo Salgado lhe pediu e recomendou, mas foi desconvidado depois porque Vítor Bento soube de novas circunstâncias pelo Banco de Portugal (que lhe ia retirar a idoneidade)?
Sabia que Ricardo Salgado se zangou com Joaquim Goes quando ele alerta para os riscos da exposição do Banco às holdings do Grupo?
Sabia que Vítor Bento ficou surpreendido quando ouviu Marques Mendes falar da solução do Banco de Portugal para o BES?
Sabia que Vítor Bento reuniu-se pela primeira vez, desde que era presidente do BES, com a Ministra das Finanças na Quinta-Feira antes da Resolução?
Sabia que a iniciativa de deixarem o Novo Banco não foi de Vítor Bento, mas sim de um dos outros dois?
Sabia que foi sob a ameaça de perda de idoneidade para ser administrador do BESI que Carlos Costa forçou à saída de Ricardo Salgado do BES?
Sabia que foi Pedro Passos Coelho que contactou António Horta Osório para pedir ajuda para o Novo Banco, e que foi daí que saiu o convite do Banco de Portugal a Eduardo Stock da Cunha?
Sabia que à última da hora Ricardo Salgado convenceu pessoas da família a investir em papel comercial das holdings?
Sabia que Kopelipa investiu 700 milhões no capital da ESI?
Sabia que a saída de dinheiro do BESA, pelas mãos de Álvaro Sobrinho, ocorre na mesma altura dos aumentos de capital das holdings familiares, em que eram convidados aliados e amigos de várias geografias?
Sabia que em todas as geografias onde estava o Grupo BES e os bancos da ESFG havia aliados e parceiros que eram convidados a entrar nas holdings familiares (Control e ESI, e outras), ou a investir na dívida delas?
Sabia que o GES preparava-se para fazer uma emissão de nova dívida da Rioforte a 20 de Junho?
Sabia que Eduardo Stock da Cunha convidou para ficarem com ele no Novo Banco João Freixa e Jorge Martins e estes não aceitaram?
Sabia que o Hotel Palácio ofereceu a estadia a Ricardo Salgado?
Sabia que a casa da família de Ricardo Salgado, que era da mãe, pode estar já à venda?
Sabia que há pessoas da família que tentaram levantar o dinheiro antes do congelamento e ficaram com um processo no Ministério Público?
Revelações
O Fim da Era Espírito Santo
Sabia que?
Foi Fernando Ulrich o primeiro a enviar para o Governador do Banco de Portugal e a fazer avisos ao Governo que o BES estava a ser alvo de elevados riscos, e que estavam a passar despercebidos. Fê-lo em 2012 com documentação. O enfoque era a exposição do capital do BES ao BES Angola. Mas também o Fundo Espírito Santo Liquidez que mais tarde é tratado na denúncia de Pedro Queiroz Pereira. O BPI tinha conhecimento do risco da ESI porque era sua cliente e avisou o Banco de Portugal que aquele fundo tinha dívida de empresas em carteira que não tinham rating, nem eram avaliadas por ninguém.
Sabia que foi Ricardo Salgado que pediu o rating de 2012 da ESI a Carlos Calvário da direcção de risco, directamente?
Sabia que Nuno Amado, do BCP, também alertou o Governador para o facto de o fundo Espírito Santo Liquidez traduzir uma lógica de financiamento das holdings familiares?
Sabia que foi por José Maria Ricciardi ser administrador da EDP que nunca esta empresa investiu em papel comercial das holdings da família Espírito Santo?
Sabia que o Banco de Portugal impôs um aumento de capital no BES, de mil e quarenta e cinco milhões de euros, para capitalizar o banco porque nesta altura ainda não sabia da exposição indirecta do banco às holdings familiares?
Sabia que O Banco de Portugal, na reestruturação com vista ao ring fencing queria que a Rioforte ficasse directamente com o Banco (acabando com a ESFG) para ficar com acesso directo aos dividendos do banco para poder pagar a dívida? Solução que é sugerida por José Honório.
Sabia que Vítor Bento convidou Amílcar Morais Pires para administrador com o pelouro internacional porque Ricardo Salgado lhe pediu e recomendou, mas foi desconvidado depois porque Vítor Bento soube de novas circunstâncias pelo Banco de Portugal (que lhe ia retirar a idoneidade)?
Sabia que Ricardo Salgado se zangou com Joaquim Goes quando ele alerta para os riscos da exposição do Banco às holdings do Grupo?
Sabia que Vítor Bento ficou surpreendido quando ouviu Marques Mendes falar da solução do Banco de Portugal para o BES?
Sabia que Vítor Bento reuniu-se pela primeira vez, desde que era presidente do BES, com a Ministra das Finanças na Quinta-Feira antes da Resolução?
Sabia que a iniciativa de deixarem o Novo Banco não foi de Vítor Bento, mas sim de um dos outros dois?
Sabia que foi sob a ameaça de perda de idoneidade para ser administrador do BESI que Carlos Costa forçou à saída de Ricardo Salgado do BES?
Sabia que foi Pedro Passos Coelho que contactou António Horta Osório para pedir ajuda para o Novo Banco, e que foi daí que saiu o convite do Banco de Portugal a Eduardo Stock da Cunha?
Sabia que à última da hora Ricardo Salgado convenceu pessoas da família a investir em papel comercial das holdings?
Sabia que Kopelipa investiu 700 milhões no capital da ESI?
Sabia que a saída de dinheiro do BESA, pelas mãos de Álvaro Sobrinho, ocorre na mesma altura dos aumentos de capital das holdings familiares, em que eram convidados aliados e amigos de várias geografias?
Sabia que em todas as geografias onde estava o Grupo BES e os bancos da ESFG havia aliados e parceiros que eram convidados a entrar nas holdings familiares (Control e ESI, e outras), ou a investir na dívida delas?
Sabia que o GES preparava-se para fazer uma emissão de nova dívida da Rioforte a 20 de Junho?
Sabia que Eduardo Stock da Cunha convidou para ficarem com ele no Novo Banco João Freixa e Jorge Martins e estes não aceitaram?
Sabia que o Hotel Palácio ofereceu a estadia a Ricardo Salgado?
Sabia que a casa da família de Ricardo Salgado, que era da mãe, pode estar já à venda?
Sabia que há pessoas da família que tentaram levantar o dinheiro antes do congelamento e ficaram com um processo no Ministério Público?
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
O ironia da História
Quando em 2006 o BES aliado ao Estado inviabilizaram a compra da Portugal Telecom pela Sonaecom, por motivos estratégicos do BES, não se imaginava que o decurso dos acontecimentos iria levar a PT para os braços da Sonaecom oito anos depois.
O estranho caminho que percorreu a PT nesses oito anos acabou por a deixar à venda, numa corrida desenfreada para a comprar à brasileira Oi hoje a dona dela.
A Altice deu o tiro de partida e quer comprar a empresa que tem a Meo custe o que custar, já tem a Cabovisão e interessa-lhe muito a PT.
Depois apareceu o Fundo Apax Partners, um fundo de private equity que faz investimentos de prazos muito longos, que está afincadamente a reunir-se com os accionistas portugueses.
Mas a cartada final é jogada por quem há oito anos foi vencido pelas alianças de poder. A Sonaecom e a Isabel dos Santos, aliados na NOS, numa sociedade que se chama ZOPT SGPS, são os grandes concorrentes que poderão afastar os outros dois da competição. O Governo não se mete no assunto. Não é o estilo de Pedro Passos Coelho. Mas a verdade é que a proposta dos donos da NOS pode responder a esses apelos dos velhos do Restelo para uma intervenção em defesa de uma PT portuguesa.
Resta agora saber o que diz a autoridade da concorrência.
O ironia da História
Quando em 2006 o BES aliado ao Estado inviabilizaram a compra da Portugal Telecom pela Sonaecom, por motivos estratégicos do BES, não se imaginava que o decurso dos acontecimentos iria levar a PT para os braços da Sonaecom oito anos depois.
O estranho caminho que percorreu a PT nesses oito anos acabou por a deixar à venda, numa corrida desenfreada para a comprar à brasileira Oi hoje a dona dela.
A Altice deu o tiro de partida e quer comprar a empresa que tem a Meo custe o que custar, já tem a Cabovisão e interessa-lhe muito a PT.
Depois apareceu o Fundo Apax Partners, um fundo de private equity que faz investimentos de prazos muito longos, que está afincadamente a reunir-se com os accionistas portugueses.
Mas a cartada final é jogada por quem há oito anos foi vencido pelas alianças de poder. A Sonaecom e a Isabel dos Santos, aliados na NOS, numa sociedade que se chama ZOPT SGPS, são os grandes concorrentes que poderão afastar os outros dois da competição. O Governo não se mete no assunto. Não é o estilo de Pedro Passos Coelho. Mas a verdade é que a proposta dos donos da NOS pode responder a esses apelos dos velhos do Restelo para uma intervenção em defesa de uma PT portuguesa.
Resta agora saber o que diz a autoridade da concorrência.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
Artigo do Expresso sobre o livro: O Fim da Era Espírito Santo
Expresso Diário 31 de Outubro:
LIVRO
Obsessão de Ricardo Salgado em manter o grupo dentro da família levou ao fim do BES
TEXTO CONCEIÇÃO ANTUNES
MAIS UM O caso BES e as atribulações dos Espírito Santo são objeto de mais um livro
Sai hoje o livro “O Fim da Era Espírito Santo”, da jornalista Maria Teixeira Alves, que resulta de uma investigação que fez em 2013 sobre maior banco português. “Tudo, mas tudo, na gestão de Ricardo Salgado tinha um fim único, premeditado e secreto: manter o grupo dentro da família. Foi por isso que chegou a este ponto”, garante a autora
Inicialmente, a ideia era retratar a guerra de poder entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, mas os factos evoluíram a um ritmo tal que o seu foco alargou-se à falência do maior império familiar português - revela a jornalista Maria Teixeira Alves, sobre o seu livro “O Fim da Era Espírito Santo”, que hoje começou a ser posto à venda nas livrarias.
“Era uma sensação estranha: eu estava a escrever o livro enquanto as coisas estavam a acontecer e a sair nos jornais”, faz notar Maria Teixeira Alves, que começou a recolher informação para este livro em setembro de 2013.
“Falei com toda a gente com quem pude falar, os banqueiros todos, empresários, advogados, assessores e várias pessoas de Cascais. Só não consegui falar com Ricardo Salgado, apesar de ter tentado”, adianta a jornalista.
O que mais a surpreendeu, no âmbito desta investigação, foi “a irresponsabilidade de tudo o que foi feito na gestão de Ricardo Salgado” e que resultou de “uma estratégia meticulosamente seguida”. Segundo Maria Teixeira Alves, “tudo, mas tudo, na gestão de Ricardo Salgado tinha um fim único e premeditado: reforçar o capital das 'holdings' para arranjar dinheiro com o objetivo do grupo se manter dentro da família. Foi por isso que a situação chegou a este ponto”.
Frisa ainda que a obsessão do líder do grupo Espírito Santo em manter o grupo na família, “era um motivo secreto de que nunca ninguém se tinha apercebido, nem mesmo as pessoas que estavam à volta de Ricardo Salgado”.
O lançamento do livro “O Fim da Era Espírito Santo” vai decorrer na próxima segunda-feira, 3 de novembro, no Grémio Literário, com apresentação de João Duque. Seguem-se alguns excertos:
A HISTÓRIA E OS “AMIGOS DA FAMÍLIA”
“Muito antes disto, mesmo muito antes, lá para o virar do século, no ano 2000, na altura em que o Banco Santander acaba por comprar o Banco Totta & Açores, depois de algumas contendas que agora não interessa detalhar, herdara o banco de Emílio Botín também 7% da ES Control. António Champalimaud, como bom amigo da família Espírito Santo, e provavelmente por causa daquela solidariedade que existe entre famílias semelhantes em valores, estética, conceitos e percursos históricos, também lá tinha o seu quinhão de 7%. Quando o Totta é vendido, António Horta Osório, que liderava o Santander em Portugal, quis saber quanto é que aquilo valia, e pediu as contas consolidadas. Mas recebera a resposta de que não as podiam dar. Na altura o banqueiro pensou que seria uma estratégia de proteger a empresa familiar dos olhos da concorrência. Mas afinal não era isso. Era mais simples. Não podiam dar as contas consolidadas tão somente porque não tinham as contas consolidadas. Já nessa altura a contabilidade daquelas empresas era um mistério”.
'PENETRAS' NOS ANTROS DE RICARDO SALGADO
“Mas a história do Totta e dos seus 7% da ES Control não acaba aqui. Para perceber o que se passava, António Horta Osório e Miguel Bragança decidem: 'Vamos à Assembleia Geral desta empresa!'. Apanharam o avião para Lausanne e, com os 7% que tinham, entraram pela reunião da família (e aliados) adentro. Era um encontro que funcionava como uma espécie de Assembleia Geral da ES Control. Ricardo Salgado ficou pasmado ao ver ali o banqueiro concorrente. Esta incursão ‘penetra’ pelos antros dos Espírito Santo levou Ricardo Salgado a apressar-se a negociar com os irreverentes banqueiros a compra dos seus 7% da holding familiar, por uma pipa de massa na altura. Hoje percebe-se porque Ricardo Salgado comprara tão prontamente aquelas ações, foi para não ter António Horta Osório e Miguel Bragança à perna. 14 anos antes de Pedro Queiroz Pereira, os 'golden boys' da banca tinham- se livrado daquela maldita participação, sem qualquer alarido”.
ALGO ESTAVA PODRE NO REINO DOS ESPÍRITO SANTO
“O segredo mais bem guardado da sociedade portuguesa é que já antes um outro banqueiro tinha alertado o Banco de Portugal e Pedro Passos Coelho de que algo estava podre no reino dos Espírito Santo. O que vira o banqueiro visionário é que um problema se estava a criar e a avolumar no Banco Espírito Santo, pois há muito que havia sinais evidentes de que o Grupo se estava a financiar com dinheiro dos clientes, através de um Fundo de que já falaremos. Mas nessa altura ainda tudo era muito nebuloso, ninguém sabia ao certo o que se passava porque a raiz do problema estava num Grã Ducado, onde os longos braços do Governador não chegavam”.
QUEM DESCOBRIU O BURACO NAS CONTAS?
“Em rigor, não fora Pedro Queiroz Pereira que descobrira as contas do Grupo Espírito Santo, foi o Banco de Portugal. Mas havia há muito entre os banqueiros quem se questionasse sobre o que se passava com o BES Angola e com esse fundo de investimento de nome ES Liquidez. Os banqueiros, nos termos da lei que rege os bancos, têm a obrigação e o dever da defesa da estabilidade do sistema financeiro. Fora isso que levara várias vezes Fernando Ulrich e mais tarde também Nuno Amado a alertarem o vice governador do Banco de Portugal para o que se estava a passar, pelo menos desde 2008, com alguns produtos que o BES comercializava no mercado e que pareciam revelar uma situação de fragilidade financeira do Banco e do Grupo Espírito Santo”. “Havia alguma perplexidade como é que aqueles produtos que mostravam haver uma lógica de financiamento estranha dentro do Grupo Espírito Santo eram comercializados junto de clientes”, diz um banqueiro. Foi essa perplexidade que alertara para o problema que se começava a avolumar no BES. “Eram uns produtos enrolados”, dizia-se”.
NÃO ERA PRECISO SER UM EINSTEIN PARA VER O PROBLEMA DO BES ANGOLA
“Havia também da parte do Presidente do BPI uma preocupação especial com a situação do BES Angola, que tinha, desde essa altura, um balanço desequilibrado e desalinhado com os seus concorrentes angolanos. O BPI tem em Angola o seu BFA, e o BCP o recente Millennium Angola. “Não era preciso ser um Einstein, bastava estar razoavelmente atento e informado destas matérias, para perceber que desde 2009, pelo menos, se estava a construir um grande problema no BESA, então em 2011 e 2012 era óbvio, pelas enormes proporções que tomava. Um rácio de transformação de depósitos em crédito de mais de 200% significava um gap comercial que só podia estar a ser financiado pelo BES. Isso explica que a exposição do BESA ao BES tenha passado de 1,5 mil milhões de euros em 2008 para 3,3 mil milhões de euros no fim de 2013, e isso punha em risco a situação líquida do BES em Portugal. Como é que ninguém viu isto?”, pergunta o banqueiro português, que várias vezes alertou, de forma documentada, as autoridades para o problema”.
AMÍLCAR MORAIS PIRES RECOMENDADO COMO “PROFISSIONAL DE PRIMEIRA ÁGUA”
“Comentava-se nos meios financeiros que terá partido da equipa de Carlos Costa (no seu diálogo permanente com o núcleo duro do BES) a indicação do conselheiro de Estado para Presidente do BES. Mas sabe-se, e isto é certo, que o convite para presidente é feito por Ricardo Salgado, que lhe diz ser o seu nome aquele que mais consenso reúne entre a ESFG, que nesta altura ainda preside, e o Crédit Agrícole. Depois de o convidar é provável que lhe tenha recomendado manter Amílcar Morais Pires, pois “trata-se de um profissional de primeira água”. E de facto, uma das primeiras notícias depois de [Vítor Bento] ter aceitado ser presidente é que tinha a intenção de manter o anterior administrador financeiro. Mas em pelouros sem grande acesso ao financiamento e dívida. Fica-lhe destinado o pelouro internacional, pois que o dossier de Angola já estava nas suas mãos, não é que tenha especialmente agradado ao homem que até aí geria o banco na sombra de Ricardo Salgado. Amílcar Morais Pires lá aceitou o pelouro internacional que lhe dera Vítor Bento, mas o contexto rapidamente se alterara e o convite foi-lhe retirado”.
Artigo do Expresso sobre o livro: O Fim da Era Espírito Santo
Expresso Diário 31 de Outubro:
LIVRO
Obsessão de Ricardo Salgado em manter o grupo dentro da família levou ao fim do BES
TEXTO CONCEIÇÃO ANTUNES
MAIS UM O caso BES e as atribulações dos Espírito Santo são objeto de mais um livro
Sai hoje o livro “O Fim da Era Espírito Santo”, da jornalista Maria Teixeira Alves, que resulta de uma investigação que fez em 2013 sobre maior banco português. “Tudo, mas tudo, na gestão de Ricardo Salgado tinha um fim único, premeditado e secreto: manter o grupo dentro da família. Foi por isso que chegou a este ponto”, garante a autora
Inicialmente, a ideia era retratar a guerra de poder entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, mas os factos evoluíram a um ritmo tal que o seu foco alargou-se à falência do maior império familiar português - revela a jornalista Maria Teixeira Alves, sobre o seu livro “O Fim da Era Espírito Santo”, que hoje começou a ser posto à venda nas livrarias.
“Era uma sensação estranha: eu estava a escrever o livro enquanto as coisas estavam a acontecer e a sair nos jornais”, faz notar Maria Teixeira Alves, que começou a recolher informação para este livro em setembro de 2013.
“Falei com toda a gente com quem pude falar, os banqueiros todos, empresários, advogados, assessores e várias pessoas de Cascais. Só não consegui falar com Ricardo Salgado, apesar de ter tentado”, adianta a jornalista.
O que mais a surpreendeu, no âmbito desta investigação, foi “a irresponsabilidade de tudo o que foi feito na gestão de Ricardo Salgado” e que resultou de “uma estratégia meticulosamente seguida”. Segundo Maria Teixeira Alves, “tudo, mas tudo, na gestão de Ricardo Salgado tinha um fim único e premeditado: reforçar o capital das 'holdings' para arranjar dinheiro com o objetivo do grupo se manter dentro da família. Foi por isso que a situação chegou a este ponto”.
Frisa ainda que a obsessão do líder do grupo Espírito Santo em manter o grupo na família, “era um motivo secreto de que nunca ninguém se tinha apercebido, nem mesmo as pessoas que estavam à volta de Ricardo Salgado”.
O lançamento do livro “O Fim da Era Espírito Santo” vai decorrer na próxima segunda-feira, 3 de novembro, no Grémio Literário, com apresentação de João Duque. Seguem-se alguns excertos:
A HISTÓRIA E OS “AMIGOS DA FAMÍLIA”
“Muito antes disto, mesmo muito antes, lá para o virar do século, no ano 2000, na altura em que o Banco Santander acaba por comprar o Banco Totta & Açores, depois de algumas contendas que agora não interessa detalhar, herdara o banco de Emílio Botín também 7% da ES Control. António Champalimaud, como bom amigo da família Espírito Santo, e provavelmente por causa daquela solidariedade que existe entre famílias semelhantes em valores, estética, conceitos e percursos históricos, também lá tinha o seu quinhão de 7%. Quando o Totta é vendido, António Horta Osório, que liderava o Santander em Portugal, quis saber quanto é que aquilo valia, e pediu as contas consolidadas. Mas recebera a resposta de que não as podiam dar. Na altura o banqueiro pensou que seria uma estratégia de proteger a empresa familiar dos olhos da concorrência. Mas afinal não era isso. Era mais simples. Não podiam dar as contas consolidadas tão somente porque não tinham as contas consolidadas. Já nessa altura a contabilidade daquelas empresas era um mistério”.
'PENETRAS' NOS ANTROS DE RICARDO SALGADO
“Mas a história do Totta e dos seus 7% da ES Control não acaba aqui. Para perceber o que se passava, António Horta Osório e Miguel Bragança decidem: 'Vamos à Assembleia Geral desta empresa!'. Apanharam o avião para Lausanne e, com os 7% que tinham, entraram pela reunião da família (e aliados) adentro. Era um encontro que funcionava como uma espécie de Assembleia Geral da ES Control. Ricardo Salgado ficou pasmado ao ver ali o banqueiro concorrente. Esta incursão ‘penetra’ pelos antros dos Espírito Santo levou Ricardo Salgado a apressar-se a negociar com os irreverentes banqueiros a compra dos seus 7% da holding familiar, por uma pipa de massa na altura. Hoje percebe-se porque Ricardo Salgado comprara tão prontamente aquelas ações, foi para não ter António Horta Osório e Miguel Bragança à perna. 14 anos antes de Pedro Queiroz Pereira, os 'golden boys' da banca tinham- se livrado daquela maldita participação, sem qualquer alarido”.
ALGO ESTAVA PODRE NO REINO DOS ESPÍRITO SANTO
“O segredo mais bem guardado da sociedade portuguesa é que já antes um outro banqueiro tinha alertado o Banco de Portugal e Pedro Passos Coelho de que algo estava podre no reino dos Espírito Santo. O que vira o banqueiro visionário é que um problema se estava a criar e a avolumar no Banco Espírito Santo, pois há muito que havia sinais evidentes de que o Grupo se estava a financiar com dinheiro dos clientes, através de um Fundo de que já falaremos. Mas nessa altura ainda tudo era muito nebuloso, ninguém sabia ao certo o que se passava porque a raiz do problema estava num Grã Ducado, onde os longos braços do Governador não chegavam”.
QUEM DESCOBRIU O BURACO NAS CONTAS?
“Em rigor, não fora Pedro Queiroz Pereira que descobrira as contas do Grupo Espírito Santo, foi o Banco de Portugal. Mas havia há muito entre os banqueiros quem se questionasse sobre o que se passava com o BES Angola e com esse fundo de investimento de nome ES Liquidez. Os banqueiros, nos termos da lei que rege os bancos, têm a obrigação e o dever da defesa da estabilidade do sistema financeiro. Fora isso que levara várias vezes Fernando Ulrich e mais tarde também Nuno Amado a alertarem o vice governador do Banco de Portugal para o que se estava a passar, pelo menos desde 2008, com alguns produtos que o BES comercializava no mercado e que pareciam revelar uma situação de fragilidade financeira do Banco e do Grupo Espírito Santo”. “Havia alguma perplexidade como é que aqueles produtos que mostravam haver uma lógica de financiamento estranha dentro do Grupo Espírito Santo eram comercializados junto de clientes”, diz um banqueiro. Foi essa perplexidade que alertara para o problema que se começava a avolumar no BES. “Eram uns produtos enrolados”, dizia-se”.
NÃO ERA PRECISO SER UM EINSTEIN PARA VER O PROBLEMA DO BES ANGOLA
“Havia também da parte do Presidente do BPI uma preocupação especial com a situação do BES Angola, que tinha, desde essa altura, um balanço desequilibrado e desalinhado com os seus concorrentes angolanos. O BPI tem em Angola o seu BFA, e o BCP o recente Millennium Angola. “Não era preciso ser um Einstein, bastava estar razoavelmente atento e informado destas matérias, para perceber que desde 2009, pelo menos, se estava a construir um grande problema no BESA, então em 2011 e 2012 era óbvio, pelas enormes proporções que tomava. Um rácio de transformação de depósitos em crédito de mais de 200% significava um gap comercial que só podia estar a ser financiado pelo BES. Isso explica que a exposição do BESA ao BES tenha passado de 1,5 mil milhões de euros em 2008 para 3,3 mil milhões de euros no fim de 2013, e isso punha em risco a situação líquida do BES em Portugal. Como é que ninguém viu isto?”, pergunta o banqueiro português, que várias vezes alertou, de forma documentada, as autoridades para o problema”.
AMÍLCAR MORAIS PIRES RECOMENDADO COMO “PROFISSIONAL DE PRIMEIRA ÁGUA”
“Comentava-se nos meios financeiros que terá partido da equipa de Carlos Costa (no seu diálogo permanente com o núcleo duro do BES) a indicação do conselheiro de Estado para Presidente do BES. Mas sabe-se, e isto é certo, que o convite para presidente é feito por Ricardo Salgado, que lhe diz ser o seu nome aquele que mais consenso reúne entre a ESFG, que nesta altura ainda preside, e o Crédit Agrícole. Depois de o convidar é provável que lhe tenha recomendado manter Amílcar Morais Pires, pois “trata-se de um profissional de primeira água”. E de facto, uma das primeiras notícias depois de [Vítor Bento] ter aceitado ser presidente é que tinha a intenção de manter o anterior administrador financeiro. Mas em pelouros sem grande acesso ao financiamento e dívida. Fica-lhe destinado o pelouro internacional, pois que o dossier de Angola já estava nas suas mãos, não é que tenha especialmente agradado ao homem que até aí geria o banco na sombra de Ricardo Salgado. Amílcar Morais Pires lá aceitou o pelouro internacional que lhe dera Vítor Bento, mas o contexto rapidamente se alterara e o convite foi-lhe retirado”.
sábado, 1 de novembro de 2014
Indignações bacocas
Os jornalistas de economia estiveram em numerosas acções de bancos e empresas nos mais variados sítios do mundo, nas mais variadas ocasiões, nos mais exóticos lugares. Eram acções de aproximação entre os jornalistas e os administradores das empresas. O que é útil para o jornalismo de investigação, pois o acesso fácil aos responsáveis torna a investigação mais fácil e as confirmações ou não das notícias mais rápidas. Mas se isso fosse impedimento para depois se escrever imparcialmente sobre essas empresas, ou esses bancos, então seria outra coisa, Então estaríamos mal. Vem isto a propósito de muitos julgamentos fáceis que por aí se fazem a propósito do BES. Se os jornalistas que estiveram nessas conferências de imprensa do banco, quem diz do banco, diz da Galp, da EDP, do BCP, e muitas outras, não pudessem depois escrever livremente sobre essas empresas e sobre os acontecimentos mais do que óbvios em que essas empresas estão envolvidas é que seria de estranhar, não acham? Mas as pessoas parecem ficar indignadas que os jornalistas de economia que iam em viagens escrevam sobre o colapso do Grupo. Por acaso acharão essas pessoas que é ingratidão?
Posso dizer que os jornalistas que estiveram nas acções dos bancos eram os melhores jornalistas de banca, no geral, e sempre escreveram livremente sobre essas empresas, quer sobre as coisas boas, quer sobre as coisas más, e assim é que deve ser. Não há uma relação de causalidade entre uma viagem e um notícia boa. Posso mesmo dizer que os favores e as viagens não têm relação nenhuma, porque há mais favores sem viagens, do que o contrário.
As relações de amizade e pessoais não se alteraram com nenhuma derrocada do GES, isso também é preciso dizer.As que existiam continuarão a existir.
Indignações bacocas
Os jornalistas de economia estiveram em numerosas acções de bancos e empresas nos mais variados sítios do mundo, nas mais variadas ocasiões, nos mais exóticos lugares. Eram acções de aproximação entre os jornalistas e os administradores das empresas. O que é útil para o jornalismo de investigação, pois o acesso fácil aos responsáveis torna a investigação mais fácil e as confirmações ou não das notícias mais rápidas. Mas se isso fosse impedimento para depois se escrever imparcialmente sobre essas empresas, ou esses bancos, então seria outra coisa, Então estaríamos mal. Vem isto a propósito de muitos julgamentos fáceis que por aí se fazem a propósito do BES. Se os jornalistas que estiveram nessas conferências de imprensa do banco, quem diz do banco, diz da Galp, da EDP, do BCP, e muitas outras, não pudessem depois escrever livremente sobre essas empresas e sobre os acontecimentos mais do que óbvios em que essas empresas estão envolvidas é que seria de estranhar, não acham? Mas as pessoas parecem ficar indignadas que os jornalistas de economia que iam em viagens escrevam sobre o colapso do Grupo. Por acaso acharão essas pessoas que é ingratidão?
Posso dizer que os jornalistas que estiveram nas acções dos bancos eram os melhores jornalistas de banca, no geral, e sempre escreveram livremente sobre essas empresas, quer sobre as coisas boas, quer sobre as coisas más, e assim é que deve ser. Não há uma relação de causalidade entre uma viagem e um notícia boa. Posso mesmo dizer que os favores e as viagens não têm relação nenhuma, porque há mais favores sem viagens, do que o contrário.
As relações de amizade e pessoais não se alteraram com nenhuma derrocada do GES, isso também é preciso dizer.As que existiam continuarão a existir.

