Nunca fui uma acérrima defensora do regresso ao regime monárquico em Portugal (embora ache que a Constituição não o devesse proibir). Nunca soube muito bem explicar porquê, mas também não é de estranhar uma vez que só se pode ser monárquico por uma questão afectiva (que é uma área do cérebro diferente da da lógica). Como diria António Filipe Pimentel (Director do Museu Nacional de Arte Antiga) numa entrevista à revista monárquica Correio Real, "as pessoas movem-se por afectos, aliás o António Damásio estudou exactamente isso. O Erro de Descartes é isso mesmo, é imaginar que a humanidade se gere apenas por pressupostos de natureza racional, quando na verdade não gere. Muito mais, aliás, se gere por pressupostos emotivos (o quadro do iluminismo foi muito importante mas não resume a vida)".
Mas agora com este acontecimento em Espanha fez-se me luz.
O Rei de Espanha aceitou um convite do empresário saudita Eyad Kayali para ir caçar elefantes para o Botswana. Mas o Rei de Espanha é o Chefe de Estado. Pode um Chefe de Estado, na sua agenda privada, ignorar a situação do país? Recordo que Espanha está em risco de ter que ser intervencionada pelo FMI. Claro que não. Sua Majestade o Rei Dom Juan Carlos fez mal porque um Chefe de Estado não pode comportar-se como se a situação económico-financeira de um país nada tivesse a ver consigo. Seria evidentemente alvo de severas críticas o nosso Chefe de Estado se, à beira da entrada da troika, fosse caçar elefantes para África. O próprio monarca realizou o mau gosto do seu gesto e disse de uma forma simples "Sinto muito. Enganei-me e não voltará a acontecer."
Porque é que isto acontece? Porque nos regimes monárquicos a Casa Real, pelo facto de não ser política, escapa ao escrutínio da guerras partidárias. Se fosse cá Cavaco Silva teria em cima de si os olhos de uma oposição partidária, que não esquece de que quadrante político é o Presidente da República. Isto tem um lado mau, porque o Presidente da República é muitas vezes apanhado nas guerras políticas movidas pela oposição e isso enfraquece a legitimidade do Chefe de Estado, mas por outro isso também lhe dá mais responsabilidade, e não lhe dá margem para muitas "agendas privadas".
Em Espanha depois do incidente diplomático, chamemos-lhe assim, institui-se que a agenda privada do rei passará a ser do domínio público. Ora aí está uma forma de resolver este problema.
Quando postei o "boneco" do Elefante Babar, que faz parte do universo de muita e muita gente, anda não tinha reparado neste teu post e com o qual estou completamente de acordo.
ResponderEliminar“Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram.”
ResponderEliminarVoltaire
(1694-1778)
Eis outra importante diferença!!!
“Há um remédio para as culpas, reconhecê-las.”
ResponderEliminarFranz Grillparzer
(1791-1872)
Eis outra, significativa, diferença!!!