segunda-feira, 9 de abril de 2012

Marcelo, Queiroz Pereira e o absurdo dos argumentos tendenciosos


Não consigo ver a lógica neste argumento de Marcelo Rebelo de Sousa. No seu comentário semanal na TVI, Marcelo disse isto :“Todos os Governos utilizam a CGD como correia de transmissão e, nos casos de participações que não têm nada que ver com a actividade bancária, como barriga de aluguer”. Até aqui muito bem, não posso concordar mais. Tem sido essa a tradição, e a participação da CGD na Cimpor resulta de uma operação bancária que foi aproveitada pelo governo anterior para liderar políticas de desenhos de estratégias de empresas industriais e para pôr políticos em administrações.


Mas depois, parte daquela premissa verdadeira para uma conclusão falsa. Reparem:


"O caso específico da OPA sobre a Cimpor, a Caixa foi utilizada pelo Governo. O Governo dá ordens à CGD e a CGD cumpre, obviamente que a decisão foi do Ministro das Finanças”.
Ora bolas, mas isto é o oposto do que acaba de dizer.  Marcelo diz que a CGD não pode ser barriga de aluguer, não pode ter participações que nada têm a ver com a actividade bancária, para imediatamente a seguir criticar a decisão da CGD, que tem só um accionista (o Estado), para vender uma participação que nada tem a ver com a actividade bancária. Marcelo critica que a CGD seja barriga de aluguer para o desenho de estratégias accionistas e depois parece querer incentivar que a CGD seja mais uma vez usada para o mesmo fim, que se recuse a vender na OPA, fique com a participação e assim faça o favor ao Pedro Queiroz Pereira, que é mais um daqueles empresários portugueses que quer controlar empresas sem capital. E isto tudo com um slogan convincente que é o de ser o Estado quem manda na CGD. Pois claro que é, é o único accionista. Esta não é a questão, a questão é como é que o Estado manda na CGD. A CGD é um banco do Estado e não um fundo soberano do Estado português. E como tal tem de ser gerido como um banco. Marcelo diz “nem sequer o acordo com a troika veio resolver esse problema”. Ora aí está outra contradição. Uma vez que foi precisamente a "troika" que deu ordens para a CGD vender todas as participações financeiras e concentrar-se apenas na actividade bancária. A decisão de a CGD ter de vender os 9,6% da Cimpor vai no sentido das regras da troika, e não o contrário.


Viva a honestidade intelectual!


 


Também publicado no Corta-Fitas

2 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho10 de abril de 2012 às 10:19

    ‎"Eticamente falidos"
    Vicente Jorge Silva

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  2. António Pereira de Carvalho16 de abril de 2012 às 14:23

    “Coloca a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa, não te alies aos moralmente inferiores, não receies corrigir teus erros.”
    Confúcio
    (551-479 a. C)

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