quarta-feira, 11 de abril de 2012

Uma coisa são as elites, outra coisa são os snobs


 


Hoje perguntaram-me, em brincadeira, numa conversa de café com colegas de trabalho, se eu seria amiga de Pedro Passos Coelho, e, acrescentavam a tónica de ele viver em Massamá. Este tipo de perguntas (às vezes feitas, outras vezes pensadas em surdina) são tipicamente portuguesas. Claro que respondi o óbvio (para mim): claro que seria. Pedro Passos Coelho é uma pessoa civilizada, inteligente, não vejo uma só razão para não ser uma pessoa a conhecer. Por detrás da pergunta, há também a insinuação de que eu escolho amigos em função de um qualquer estatuto social. A visão da arraia miúda quase sempre se limita a uma aparência associada a uma lógica que lhes é familiar. Aparentemente aquelas pessoas (e muitas outras) acham normal que isso se passe assim, ou seja que o estatuto seja um leitmotiv para as relações humanas. 


Pois assim não é. Porque uma coisa é ser elitista e outra coisa é ser snob. Ser elitista é simplesmente gostar do melhor das pessoas, do melhor carácter, da melhor inteligência, do melhor gosto, da maior sensibilidade, da maior generosidade, da maior delicadeza, da melhor estética, do melhor sorriso, do melhor humor, da maior maturidade, do mérito, do melhor aspecto, da melhor voz, das melhores cores, da maior simpatia, do melhor altruísmo, da melhor honestidade, da melhor educação, do mais culto, do mais genial, do mais sensual. Outra coisa é ser preconceituoso, e decidir as pessoas por critérios exteriores a elas e apesar delas. Ser elitista não é o mesmo que ser deslumbrado com coisas fúteis, como apelidos, poder, dinheiro, etc. Não há nada mais saloio do que gostar das pessoas em função de estatutos. 


E já agora, pior do que os snobs históricos (os preconceitos também são um factor cultural que passa de gerações em gerações), só os novos snobs, que são desprovidos da humanidade que existe nos outros.

7 comentários:

  1. Adorei o texto!
    Se me fizessem essa pergunta, eu também responderia que sim, exactamente pelas mesmas razões.

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  2. António Pereira de Carvalho11 de abril de 2012 às 17:56

    “E era. O grupo de José Mourinho, pensado e escolhido por si. Agora, na caravana portista não entravam apenas bons jogadores. Com José Mourinho optou-se por fazer também uma análise cuidada às qualidades morais dos homens. Tanto quanto bons jogadores, procurou-se bons homens, porque, sendo o futebol um desporto colectivo, é do grupo, como um todo, que tem de emergir a qualidade. Uma equipa para funcionar tem de ser constituída por homens de carácter, que olhem para o grupo como algo mais importante do que cada indivíduo isoladamente. Só o grupo importa e só o grupo é importante preservar.”
    José Mourinho – Um ciclo de vitórias
    Luís Lourenço
    Páginas 123 e 124
    Primebooks, 11ª edição, Setembro de 2004

    Eis um dos principais PORQUÊS do sucesso de Mourinho!!!

    O essencial do essencial é o CARÁCTER. Quase tudo o resto, meros adornos que valem o que valem. Isto é, praticamente nada.

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  3. António Pereira de Carvalho11 de abril de 2012 às 17:56

    “QUAL A PRINCIPAL CARACTERÍSTICA PARA SE SER UM BOM LÍDER?
    A BASE DA LIDERANÇA ESTÁ NO CARÁCTER. SEM ISSO, O RESTO COLAPSA.”
    Entrevista ao semanário SOL (Confidencial, pág. 15) em 25.2.2011
    Managing Partner da Leadersrship Business Consulting
    Carlos Oliveira

    Mais um exemplo...

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  4. António Pereira de Carvalho11 de abril de 2012 às 18:03

    E já agora. Querem que Vos diga quantos indigentes conheço na Lapa, com os quais não ambiciono sequer beber uma água? E aos quais não confiaria sequer a minha cadela para um mero passeio higiénico? Também por lá há gente boa, estimável, recomendável... Como em todo o sítio...

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  5. Gostei do que li Maria. Foi esclarecedor.
    E tambem tomaria a mesma decisão. Identifico-me com o que li.
    Força !

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  6. António de Albuquerque13 de abril de 2012 às 07:05

    Simplesmente verdadeiro

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  7. António Pereira de Carvalho13 de abril de 2012 às 18:29

    "O que marca a diferença é o carácter"

    E também evita quem não faz uso do talento. «Para ser campeão há que ter um talento especial, mas há quem nasça com ele e depois não chegue ao mais alto nível. O que marca a diferença é o caráter, que está ao serviço do talento. Respeito muito quem aproveita o talento, mas quem desperdiça a possibilidade de ter uma carreira de grande sucesso é gente que não me interessa», revelou.

    É de talento, aliás, que trata o livro que tem na cabeceira e cujo protagonista é Rafael Nadal. «Interessa-me saber por que razão este miúdo se transformou num atleta de outro mundo», disse.

    José Mourinho
    Em entrevista à Audi Magazine, reproduzida/transcrita no site MAISFUTEBOL em 13.4.2012, sexta-feria

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