quinta-feira, 26 de abril de 2012

Misantropos

Pedro Mexia no Mundo dos Vivos


 


"Alceste, meu próximo


 


(...) O misantropo gosta de poucas pessoas, pessoas que conhece e uma de cada vez. Gosta da humanidade, mas não da Humanidade [multidão]. Claro que também há falsos misantropos. Os niilistas, por exemplo, parecem detestar toda a gente, mas gostam mesmo é da boémia (...). O niilismo é um ressentimento sofisticado, e o verdadeiro misantropo não é ressentido, é um puritano. Pode ser pessimista antropológico, mas ainda assim cultiva, no fundo, alguma ilusão sobre a espécie, que justificam que se desiluda, ou que viva em permanente desilusão. (...).


Escrevendo sobre o misantropo (1666) de Moliére, peça que traduziu, Vasco Graça Moura diz: «[Alceste, o protagonista] opõe-se à sociedade do seu tempo  pela sua exigência de rigor, franqueza e sinceridade totais nos comportamentos, rejeitando qualquer espécie de convenção hipócrita nas relações entre as pessoas. Essa exigência ética fá-lo soçobrar num pessimismo irremediável e numa crescente recusa de contactos com o género humano, a ponto de pôr em causa as sua próprias amizades».


(...) O misantropo detesta a pieguice, a frase feita, a bondade usada na lapela (...), os consensos fabricados, a feira de vaidades mundanas (...). O que Alceste de Moliére não suportava era a civilidade como mentira, o culto das aparências, a lisonja como estratégia, a bonomia como farsa, a empatia como embuste. Os misantropos só gostam verdadeiramente de alguma coisa ou de alguém se for uma distinção, uma afinidade electiva, caso contrário gostamos de tudo e de todos e isso não vale nada."


 


Senti-me compreendida!

6 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho26 de abril de 2012 às 10:29

    “Paz na terra aos homens de boa vontade. Isto é, paz para muito poucos.”
    Millôr Fernandes
    (16.8.1923-27.3.2012)
    88 anos

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  2. António Pereira de Carvalho26 de abril de 2012 às 10:32

    SEM MARGEM A DÚVIDAS
    Se você ainda mantém
    A intenção moral-visual
    De só encarar homens de bem
    Segue este meu conselho:
    Sai da rua,
    Vai pra casa,
    Tranca a porta
    E quebra o espelho.
    Millôr Fernandes
    (16.8.1923-27.3.2012)
    88 anos

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  3. António Pereira de Carvalho26 de abril de 2012 às 10:35

    Alguém terá dito que "a hipocrisia é uma forma superior de educação". Costumo dizer que ela poderá ser uma forma superior, mas de abjecção.

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  4. António Pereira de Carvalho26 de abril de 2012 às 10:37

    Antes bem acompanhado do que só. Mas antes só que mal acompanhado.

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  5. António Pereira de Carvalho26 de abril de 2012 às 11:01

    “A mediocridade é a arte de não ter inimigos”
    Luis Felipe Angell (Sofocleto)
    (1926-2004)

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  6. António Pereira de Carvalho26 de abril de 2012 às 11:16

    "A questão que às vezes me deixa louco:
    Louco sou eu, ou são os outros ?"
    Albert Einstein
    (1879-1955)

    Como te compreendo, Albert!!!

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