Não se me acaba o espanto quando leio estas notícias: "PS quer ouvir ministro das Finanças e presidentes da CGD e Cimpor".
Reza a notícia que o PS considera que "há três aspectos da operação sobre os quais os contribuintes portugueses têm o direito de ser esclarecidos", afirmou à Lusa o deputado socialista Basílio Horta. Ficamos então a saber que o PS quer saber "qual o motivo pelo qual a Caixa Geral de Depósitos está a estudar a possibilidade de vender as suas acções a este preço [5,50 euros], quando ainda há bem pouco tempo [na OPA lançada pela brasileira CSN] teve uma oferta de 6,18 euros e não o quis fazer". EU TENHO A RESPOSTA: Ora, ora, porque na altura a CGD foi mandatada pelo Governo do partido de Basílio Horta, para defender a Cimpor dos brasileiros. Faria de Oliveira fez o que o Ministério das Finanças da altura permitiu e tudo isto teve um desenlace maravilhoso: depois da CGD ter sido "traída" pela Teixeira Duarte, que numa madrugada vendeu tudo o que tinha à Camargo Corrêa, a CGD de Faria de Oliveira, que tinha, bem-intencionadamente, feito um acordo parassocial com a brasileira Votorantim, na esperança de que estes se tornassem num quase sleeping partner de longa duração, viu-se obrigada a sentar-se à mesa das negociações para escolher os órgãos sociais, que é como quem diz, repartir o poder na Cimpor pelos maiores accionistas. Faria de Oliveira, mais uma vez bem-intencionado, escolheu para o lugar de Chairman da Cimpor, que gentilmente os brasileiros lhe cederam nas negociações, Luís Palha da Silva, gestor consagrado. Chegou mesmo a fazer um convite, quando Sócrates (o Primeiro Ministro do partido de Basílio Horta) telefonou directamente a Faria de Oliveira a exigir que para esse lugar fosse o ex-Ministro Mário Lino. Se não fosse a indignação dos jornais (onde eu me incluo, e onde tive 'ameaças' por isso) Mário Lino seria hoje o presidente do Conselho de Administração da Cimpor. Assim Sócrates foi obrigado a ceder e então escolheu para o lugar um socialista menos polémico, António Castro Guerra. Perante tanta intervenção do governo socialista na cobiça pelo poder na Cimpor (que é privada e onde a CGD só tem 9,6% por acaso, porque o seu cliente Manuel Fino não teve dinheiro para pagar um empréstimo), a Camargo Corrêa não hesitou, mudou de advogado e escolheu o mesmo do Governo, e fez o favor de contratar Armando Vara, socialista companheiro dos pecados de Sócrates, para a Cimpor em Moçambique.
Espero ter respondido às dúvidas oportunistas de Basílio Horta.
"Eticamente falidos"
ResponderEliminarVicente Jorge Silva
“Coloca a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa, não te alies aos moralmente inferiores, não receies corrigir teus erros.”
ResponderEliminarConfúcio
(551-479 a. C)