terça-feira, 17 de abril de 2012

Originalidade da Literatura Portuguesa


Em a “Originalidade da Literatura Portuguesa”, escrito em 1977, Jacinto Prado Coelho faz uma análise muito interessante das nossas letras. Cito-o aqui, porque, em determinado momento, cita Miguel de Unamuno quando este (a propósito da dor) escreve que “o culto da dor parece ser um dos sentimentos mais característicos deste melancólico e saudoso Portugal”. Acrescentando ainda que “para Portugal o Sol nunca nasce: morre sempre no mar, teatro dos seus grandes feitos e berço e sepulcro das suas glórias”.


Do meu ponto de vista não há muito a acrescentar. Da muita e boa literatura portuguesa (mesmo com algumas excepções) notamos que ela é de facto pesarosa. Se é certo que, por exemplo, a passagem de século, com autores como Oliveira Martins, Guerra Junqueiro (que chega mesmo a por termo à vida), António Nobre, entre outros era por excelência decadentista, noto que na maioria dos escritores mais actuais esse sentimento não foi – nem pode ser – dissipado. Um país que tem na saudade o mote do seu devir tem a literatura que merece e que espelha a massa de que somo feitos.  Os que não gostarem que emigrem!


 


"Originalidade da Literatura Portuguesa", Biblioteca Breve, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Ministério da Educação, 1977.

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