domingo, 1 de abril de 2012

O mercado do amor e a necessidade de rating


 


Não consigo deixar de lamentar quando olho à minha volta e o que vejo, na minha geração, são pessoas, amarguradas, traumatizadas, inseguras, vaidosas, calculistas e narcisistas, moralistas, e depois cheias de manhas nas explicações que dão a si próprias e às outras.


Não há nada de espontâneo. Com os anos a espontaneidade passa a ser apenas uma pose (e uma das mais eficazes). Já não há nada de puro. Ninguém se fascina com o outro depois de o ouvir falar ou rir. As pessoas fascinam-se pelos sinais exteriores de poder. É a futilidade do poder e da vaidade que dita o destino.


Todos desconfiam uns dos outros e bem assim do amor. Desconfiam de uma coisa estranha, do valor da pessoa. Uma lógica de mercado aplicada ao amor ao próximo. O primado da razão e do cálculo. Teremos cada um de nós que começar a ter ratings e certificados de qualidade, pois que até o amor passou a ser um mercado de cotações?. 


No outro dia olhei para um grupo de miúdos de vinte anos, que dançavam sevilhanas e cantavam, e senti-me em casa ali. A maneira como se divertiam, como se abraçavam, como se encantavam com uns com os outros, a maneira como são felizes por estarem juntos, fez-me sentir confortável. Será que isto faz de mim uma figura cómica ou uma figura trágica? De repente assustei-me, porque pensei que provavelmente não encontraria esse amor, essa minha casa, nos meus pares. Porque o tempo passou e as suas almas oxidaram. 

3 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho2 de abril de 2012 às 10:47

    “Convém deixar ao morrer algumas dívidas incobráveis, para que alguém nos chore com sinceridade.”
    Jacinto Benavente y Martinez
    (1866-1954)
    Nobel de Literatura em 1922

    Compreendo-a, de que maneira, mas, apesar de tudo, "Olhe que não! Olhe que não!"

    ResponderEliminar
  2. entendo perfeitamente e fico feliz por saber que há mais gente a pensar e a sentir assim para além de mim :) (já agora adoro este blog. Parabéns,)

    ResponderEliminar