Estive hoje à tarde no Chiado (paredes meias com o Largo do Carmo) e nem sinal de cravos ou chaimites, nem música nas ruas, nem ninguém que não estivesse normalmente a ver montras e a ir à Fnac. Mal se dá pelo 25 de Abril, se eu não ligasse a televisão poderia perfeitamente passar o dia sem saber que se comemora a Revolução que supostamente mudou Portugal. Não me lembro muito do Portugal de antes do 25 de Abril, tenho uma vaga ideia de Marcelo Caetano na televisão a preto e branco e pouco mais. Lembro-me do início do anos 80 e tenho uma ideia provinciana dessa época (ainda hoje tenho uma ideia de Portugal como um país pouco evoluído, muito preconceituoso, vaidoso, manhoso, pouco culto, e tenho pena). Mas há uma coisa que eu me lembro, de um salto qualitativo entre o fim dos anos 80 e os anos 90, gloriosos anos 90. Isso devemos a quê? À entrada na CEE, que é hoje a União Europeia.
Portugal é membro de facto da União Europeia desde 1 de Janeiro de 1986, após ter apresentado a sua candidatura de adesão a 28 de Março de 1977 e ter assinado o acordo de pré-adesão a 3 de Dezembro de 1980. A verdadeira Revolução para Portugal foi a entrada na União Europeia, o resto é folclore.
Na TV vi muita gente no Rossio a festejar a revolução, mesmo com chuva.
ResponderEliminarEntão foi lá que se concentraram os poucos que festejaram... ah! Está explicado!
Eliminar“Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água”
ResponderEliminarThomas Fuller
(1654-1734)
“A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida”
Miguel de Cervantes Saavedra
(1547-1616)
“Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade”
Fernando Pessoa
(1888-1935)
No mínimo, injusto este post. Para o bem e para o mal, foi de facto uma REVOLUÇÃO, a variadíssimos títulos, o 25 de Abril. Só Salazar tinha firmeza de convicções, justas os injustas. Depois dele a degradação acentuou-se, de forma acelerada e o regime caíu de podre e de maduro. Discordo assim em absoluto da desvalorização feita, assim como da valorização pela entrada na CEE. Talvez alguma deformação profissional explique a posição da autora do post.