quarta-feira, 18 de abril de 2012

A propósito dos 170 anos do nascimento de Antero de Quental

Idílio


de Antero de Quental






Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;


Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:


Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces


O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.



5 comentários:

  1. António Pereira de Carvalho18 de abril de 2012 às 10:11

    “Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”
    Fernando Pessoa
    (1888-1935)

    "Para viver a dois, antes, é necessário ser um.” Aqui é que está muitas vezes o grande equívoco!!!

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    1. Esse txt é falsamente atribuído ao Fernando Pessoa e a praga do falso autor se espalhou pela net. É uma pena, pois Pessoa tem centenas de textos fantásticos.Para verificação:
      http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3613766
      http://pt.wikiquote.org/wiki/Fernando_Pessoa

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    2. Pois é. Obrigada pelo seu comentário ao comentário.

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  2. António Pereira de Carvalho18 de abril de 2012 às 10:22

    Na mão de Deus, na sua mão direita,
    Descansou afinal meu coração.
    Do palácio encantado da Ilusão
    Desci a passo e passo a escada estreita.

    Como as flores mortais, com que se enfeita
    A ignorância infantil, despojo vão,
    Depois do Ideal e da Paixão
    A forma transitória e imperfeita.

    Como criança, em lôbrega jornada,
    Que a mãe leva ao colo agasalhada
    E atravessa, sorrindo vagamente,

    Selvas, mares, areias do deserto...
    Dorme o teu sono, coração liberto,
    Dorme na mão de Deus eternamente!

    Antero de Quental, in "Sonetos"

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  3. António Pereira de Carvalho18 de abril de 2012 às 11:07

    Frente a frente

    Nada podeis contra o amor,
    Contra a cor da folhagem,
    contra a carícia da espuma,
    contra a luz, nada podeis.

    Podeis dar-nos a morte,
    a mais vil, isso podeis
    - e é tão pouco!

    Eugénio de Andrade

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