terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Um dia ainda se fará jurisprudência


O que se passou nos jornais I e Sol é tão somente o resultado dos motivos inquinados porque se compram e criam jornais. Com algumas excepções louváveis, e penso que as excepções sabem quem são, os jornais servem interesses de poder, pessoal ou institucional, e toda a estrutura obedece a essa lógica. Na prática acaba tudo da mesma maneira, mais dívidas do que receitas, pressões ilegitimas para aceitar condições inaceitáveis, e despedimentos em massa, muitas vezes não convenientemente indemnizados. 


Um dia ainda se fará jurisprudência sobre até onde podem ir os jornais (em termos de gestão) e os seus líderes. É preciso profissionalizar de facto a profissão que vive num limbo entre a lei e o hábito.


Um dia ainda se balizará a arbitrariedade. Um dia ainda se balizará a alavancagem. Um dia ainda se limitará o poder com uma regulação mais intrusiva. Já disse várias vezes aqui que os jornalistas têm de ter um regulador com a força de uma CMVM, onde os jornalistas possam dentro dos próprios jornais assegurar o cumprimento de uma série de normas que constam do seu estatuto e códigos, incluindo a própria liberdade de expressão (porque a ERC está muito virada para as condicionantes da liberdade de expressão vindas de fora do jornais, mas e quanto às condicionantes da liberdade de expressão vindas de dentro?), um regulador que consiga fazer cumprir o CCT. 


No jornalismo entre a lei e a prática vai um mundo. A notícia de que aos jornalistas do I/Sol foi lhes dito que para ficarem têm de abdicar da antiguidade e baixar os salários, bate claramente neste ponto.


Os jornalismo só será digno quando se livrar das suspeitas, e só se livrará das suspeitas se as suas regras legais e éticas (definidas nos estatutos e códigos) forem soberanas.

1 comentário:

  1. Excelente texto.
    Eu acredito que os jornais só funcionam e duram, se for pelas boas razões. E acho que o público tem essa percepção. O problema é que eu sei isso, a Maria sabe isso, mas alguns proprietários não sabem, e muitos não querem saber. Compram, vendem, despedem, arrasam. Isto não é um problema dos jornais e dos jornalistas. É um problema da democracia. E isso tende a ser memorizado. Um abraço

    ResponderEliminar