Acabo de ouvir o António Lobo Xavier a defender o dinheiro dos contribuintes para ajudar a banca. Vamos lá a ver:
O que se passou com o Novo Banco, Banif e CGD?
O Novo Banco está pior do que estava quando houve a Resolução, e agora precisa de mais 400 milhões para se poder capitalizar. Mas na altura a venda do banco por 1,5 mil milhões ou dois mil milhões era uma má venda. Porque os bancos do Fundo de Resolução iam encaixar uma perda face aos 4,9 mil milhões injectados e isso era impensável. Venda-se mais tarde, noutro modelo, dizia-se e vai de chutar para canto. O que vamos ver é que a perda para os bancos vai ser maior e o banco não vai valorizar daqui até Agosto. E veremos se em Agosto se vende.
O Banif dizem que agora é que está mal. Mas o Banif está mal há muitos anos, e foi há dois anos que se descobriu. No caso do Banif o problema do banco é sério e hoje já só se resolve com grandes perdas para o Estado e o tempo não ajudou o banco. Nos últimos dias saíram do Banif 600 milhões de euros em levantamentos.
É preciso ver que os bancos (quer o NB quer o Banif) foram intervencionados ao som de leis europeias e que o BCE tem hoje a supervisão dos maiores bancos europeus.
Mas toda a gente acha que "basta vender". Soluções à la banca de investimento que acreditam que tudo se vende depende da engenharia e modelo financeiro. Mas isso do basta vender, não chega. Porque é mais fácil dizer que "basta vender" sentado num estúdio de televisão, do que vender numa mesa de negociações. Vender pode trazer mais custos do que proveitos. Isso pode não permitir a venda.
Os bancos são vítimas de má gestão e de supervisão apertada do BCE. Andam em bolandas entre resolver problemas de gestão irresponsável encobertos no passado e sobreviver às exigências do supervisor que procura criar almofadas de capital para travar o impacto no sistema das gestões ruinosas. Assim quer o Banif, quer o Novo Banco, quer a CGD (que foi intervencionada, que nunca pagou os CoCos de 900 milhões) quando estão a fugir dos erros passados da gestão levam com as leis do BCE, que exigem mais capital em função do risco da carteira de crédito.
Portugal ainda vive com os fantasmas do "amiguismo" amador que usava a cunha com uma legitimidade natural e de repente isto virou profissional e a cunha passou a tráfico de influências.
Os bancos viviam nesta lógica da facilidade amigável e de repente, zás, a carteira do imobiliário não tem colaterais suficientes e o mercado sofreu um rombo, o país foi intervencionado para evitar a falência, e hoje isso pesa-lhes no capital.
A Caixa, o banco do Estado que toda a gente jurava ser sólido, de um dia para o outro levou com a EBA e teve de receber 900 milhões de euros de CoCo´s do Estado. Depois leva com a Concorrência de Bruxelas a dizer que isto é concorrência desleal e desvirtua a concorrência e a CGD tem de pagar os 900 milhões ao Estado. E agora, para além de não ter gerado capital suficiente para pagar os CoCo´s, leva com o BCE a dizer que com aquela carteira de crédito a CGD tem de ter um common equity tier 1 muito superior ao que tinha e lá passa a CGD de ser a ancora do sistema financeiro para ser um dos mais frágeis.
A culpa é do governo? Não. Mas o Governo é o alvo mais fácil.
Agora a nacionalização torna o fardo mais intrusivo. Resta saber se é mais eficaz. O BPN não foi a melhor experiência.
Se um banco precisa de ser nacionalizado, e sendo Portugal um país onde a rentabilidade não impera (é mais provável haver condições para, depois de nacionalizar o Lloyds, o recuperar), é porque não consegue sobreviver numa lógica de mercado.
Os bancos portugueses, na actividade doméstica, têm rentabilidades mínimas para os capitais que têm. Isto é que ninguém quer assumir. E cada vez mais os bancos portugueses estão a ser empurrados para vender activos e a ficarem resumidos à actividade em Portugal. É uma pescadinha de rabo na boca.
P.S. O Banif poderá ser ajudado pelo BCE, depois de ter perdido depósitos. Vamos ver como corre o desfecho do "caso Banif", que tem o epílogo nos próximos dias. As acções estão suspensas, supostamente por propostas de compra do Santander e Popular.
A pescada é só uma, as expectativas não transbordam da mesma forma ao longo do período de vida dos activos. Em economia a firmeza é medida a partir de convenções, portanto os activos são desclassificados e as "barreiras de contenção" amparam os desvios. Um banco é uma empresa alavancada e submetida primeiro à sua opinião e depois às consequências da economia, derivadas em parte dessas decisões iniciais.
ResponderEliminarLiberdade sem responsabilidade, acaba em socialismo. As empresas seguradoras e bem não se metem em riscos catastróficos, tipo forjar valores, mentalidade, e outros quesitos humanos.