A propósito do artigo no Blog Corta-Fitas gerou-se uma onda de comentários que conduziu à discussão sobre Direita e Esquerda.
Deixo aqui o meu comentário a um leitor de esquerda que se intitula "comunista", porque julgo que ajuda à discussão:
A Direita defende o mérito e que este seja premiado. O problema de defender "os mais fracos", em vez dos que têm mérito, está no conceito de "mais fracos". É que às tantas está-se a premiar os camaradas em detrimento dos bons, em nome dessa solidariedade de esquerda.
A direita é humana, e maior parte da actividade de assistência social é feita por pessoas de direita (vide Banco Alimentar).
A direita trata as mulheres com uma certa reverência, pela sua feminilidade. Não trata as mulheres como homens, porque elas de facto não o são.
A esquerda é muito igualitária na teoria mas na prática nunca escolhe as mulheres para líderes de nada. Basta ver que a direita tinha uma ministra das finanças. A esquerda tem mulheres em ministérios que não são de grande poder. Vou dar outro exemplo de que tenho experiência. O jornalismo. As redacções são dominadas por pessoas de raiz de esquerda, agora vejam lá quantas mulheres estão à frente dos projectos... Já os banqueiros (esses malandros capitalistas) têm mulheres no seu board.
Para a direita o Estado é para os desfavorecidos e não tem de subsidiar todos por igual.
O Estado tem de deixar de ter funções de empresário, e passar a ser apenas regulador.
A direita defende as instituições e as suas autonomias, o que inclui a independência de poderes (daí que o governo anterior tenha delegado todo o problema da banca no Banco de Portugal e BCE). Defende absolutamente a independência dos diferentes orgãos de soberania.
A direita é contra organizações e coligações informais. Poderes e alianças de poderes paralelos (por exemplo maçonaria).
A direita defende a família e a vida.
P.S. Se o mérito imperasse a defesa dos trabalhadores fazia-se naturalmente. Mas este mundo não é o ideal e por isso a defesa dos trabalhadores (bandeira da esquerda com a qual concordo), torna-se imprescindível num mundo de manhosos que querem despedir para contratar e promover amigos. Mas se os valores fossem outros essa defesa dos trabalhadores não precisava de ser tão cerrada.
Este comentário surge em resposta a outro de um leitor que diz o seguinte:
A CDU é a instituição que mais defende:
- Os direitos dos trabalhadores
- A defesa dos mais fracos
- A promoção da igualdade entre todos, homens e mulheres, nomeadamente
- Os serviços públicos
- Um Estado forte
- Os valores patrióticos
- Os ideais progressistas
- A ecologia
E temos trabalho que fala por nós, desde os nossos deputados aos nossos autarcas. Isto é um facto, não é um ponto de vista.
Depois surge um outro comentário sobre o conceito de mérito que diz o seguinte:
Esta conversa do mérito que direita tanto brande é tão básica que chega a ser um retrato perfeito da sua inteligência. É que o mérito não é um termo que tem um conteúdo concreto que seja facilmente matéria de acordo geral. Méritos há muitos. Como os chapeus. O mérito, por exemplo, já foi o de conseguir criar um mercado de habitação sub-prime e ganhar biliões com um produto sem viabilidade enquanto não estoirou e ter sabido preservar a fortuna depois de ter estoirado.
Sabe-se se lá que mais outros méritos desses andam por aí? Com certeza muitos.
Eu até acho que a máfia siciliana, ou russa, ou chinesa deve ser bastante meritocrática. Se calhar bem mais do que qualquer coisa que você já viu ou conseguiu você mesma...
Vou reproduzir aqui a minha resposta, igualmente por achar que ajuda ao debate do tema:
Mérito é ser o melhor no que faz. O que me está a querer dizer é "como se mede o mérito?". Pois claro que o mérito está ligado a objectivos. Mas se o respeito pelas instituições for uma constante não há lugar para se chamar mérito ao que não é (máfias). As máfias são na verdade o oposto do mérito. As alianças, as irmandades, as internacionais disto e daquilo que o que promovem são os seus, são o oposto do mérito.
Eu conheço bem a história do subprime. Uma sociedade meritocratica como a dos Estados Unidos (nenhuma o é tanto) pode levar ao excesso de querer mostrar resultados a todo o custo. Mas para isso é que existem os reguladores. Porque perseguir o mérito em lucros (e evitar ser demitido em AG por não os ter) pode levar a assumir riscos excessivos. Mas para travar isso estão lá (ou deviam estar) os reguladores.
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