
Este acordo entre o PCP e o PS parece-me aquelas relações ditadas pela vontade, mesmo contra a evidência da falta de amor. Não sei se este paralelismo se deve ao facto de estar a escrever este post ao som do love my life [don´t hurt me] dos Queen, e talvez por inspiração da música, vejo que este entendimento nasce de uma vontade muito forte - e o que tem de ser tem muita força, e o que tem de ser é impedir a direita (que ganhou as eleições - silly voters) de chegar ao Governo - que se sobrepõe à falta de amor. Dúvidas houvesse e dissipar-se-iam quando olho para a televisão e vejo em roda-pé: "O PCP diz que o documento só vem provar a necessidade de derrubar a coligação PSD/CDS-PP". Quem diz é o porta-voz do PCP na SIC Notícias.
Isto faz-me lembrar aquelas relações assentes em vantagens tão apaixonantes que até se esquecem da falta de amor um pelo outro.
As vantagens são tantas que se ultrapassa isso de não gostar verdadeiramente do outro. Já vi grandes amores a serem "mortos" em nome dessa vontade para que outra coisa alternativa se mantenha ou se componha.
Assim parece este entendimento. O PCP não aceita respeitar o Tratado Orçamental, nem aceita que o défice tenha de ser 3% e não 4%, porque não 4%?. Respeitará o PCP Tratado Orçamental? "Obviamente, nós não fazemos isso", disse Jerónimo de Sousa.
"A luta para alterar essas regras não vai deixar de fazer parte do ADN do partido", disse o comunista.
Na SIC Notícias, o secretário-geral do PCP falou ainda sobre as intervenções que o Estado português foi obrigado a fazer para acudir a vários bancos. Com o exemplo do BES, Jerónimo de Sousa deixou claro que o PCP defende “o controlo público da banca” para parar com a “sangria” que tem afectado os portugueses. Estão a ver bem o papel que o PCP reserva ao BCE para ditar regras em bancos nacionais não estão?
“Defendemos o controlo público da banca, neste caso concreto em que se corre o risco de vender barato um banco com esta dimensão e em que o Estado já pôs dinheiro e corre o risco de pôr mais. [Então], entrega à privatização e depois quem paga?”, começou por perguntar o líder comunista. “Mais uma vez a solução parece ser sempre a mesma. Esta realidade tem de ser tratada politicamente. O que é que preciso mais para levar a esta exigência desse controlo público da banca? Depois de tantos escândalos, depois do BPP, BPN, do BES, o que é preciso mais para acabar com esta sangria que estão fazer aos portugueses para acudir aos desmames da banca?”, interrogou Jerónimo de Sousa, antes de criticar o “falhanço redondo do sistema de supervisão”.
Ora bem, o Estado segundo o PCP vai nacionalizar o Novo Banco, o Banif e se o BCP não se apressa a pagar os 750 milhões de euros de CoCo´s que deve ao Estado acaba nacionalizado.
Alguma vez um partido que pensa assim e tem essa linha no seu ADN pode gostar do PS, e vice-versa? Claro que não. Se há partido que privatizou foi o PS. Se há partido que aderiu à CEE foi o PS. Se há partido abriu o país à iniciativa privada foi o PS, Se há partido que quer o euro é o PS. Se há partido que chamou a troika foi o PS. Se há partido que defende o tratado orçamental é o PS.
É certo que têm em comum com o PCP a defesa incondicional e a qualquer preço do Estado Social, assim como têm em comum com o Bloco de Esquerda a defesa das questões fracturantes (este partido tem mais alguma coisa no programa?), mas tirando essas duas bandeiras ideológicas nada mais os une. Então porque se unem? Porque as vantagens são superiores à falta de amor.
Passemos ao futuro:
Com o PCP a ditar regras de Governo vai reverter-se o processo de subconcessão da empresa Metropolitano de Lisboa. Mas não só. Querem revogar todo o processo de “privatização” das empresas Metro do Porto e Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
A privatização da TAP, também deve voltar para trás. A que custo e quem o paga?
A CGD que vai ter de vender activos para reforçar o capital como o vai fazer numa tutela que defende tudo nacionalizado?
Mas e o dinheiro há? O dinheiro chega?
A visita da troika a Portugal para a terceira avaliação pós-programa estava pré-agendada para Dezembro, mas poderá passar para o arranque do próximo ano de forma a beneficiar de uma clarificação da situação política e orçamental no País. Vamos ver como reage a troika a um governo com estas exigências comunistas.
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