A coligação de direita ganhou, mas ao não ter maioria absoluta vai estar permanentemente a ser "cozida em lume brando" pela esquerda.
O que aí vem é muito preocupante. A esquerda só se une nas questões fracturantes (é evidente que o PS nunca poderia formar governo com um Bloco de Esquerda que quer nacionalizações e admite a saída do euro, mas nas questões fracturantes estão em sintonia com toda a esquerda). Por isso vamos ter o aborto gratuito e a co-adopção e adopção de crianças pelos homossexuais. Depois com o PAN com um deputado e havendo sintonia ideológica de toda a esquerda para isso, vamos ter o fim das corridas de toiros. Vamos viver num mundo de esquerda, liderado por um Governo de direita altamente condicionado e a ter permanentemente a cabeça no cepo.
As questões mais relacionadas com a sustentabilidade das finanças públicas começarão por ter o apoio do PS, embora cheio de contrapartidas caríssimas.
Novo Banco e outros bancos mais
Uma das coisas que estará em cima da mesa das negociações será o tema dos lesados do BES, com o PS a querer ganhar votos para quando o Governo cair (o que não será no fim da legislatura). A actividade do Banco de Portugal vai estar, por isso, muito condicionada. A venda do Novo Banco vai ser um desafio, e a probabilidade de não se fazer tão cedo vai ser cada vez maior. A politização da venda é praticamente inevitável. Não há interessados no Novo Banco e num país em que os testes de stress poderão deixar os bancos a precisar de aumentos de capital ainda mais difícil se torna. O interesse de bancos europeus (nomeadamente dos espanhóis do Caixabank) não passa de uma miragem. Os bancos vão contrair um empréstimo para pagar ao Estado, para tentar tirar o Estado da equação, mas o problema do valor do Novo Banco não se resolve com empréstimos e não vai melhorar no curto prazo. Será que esta administração (de Eduardo Stock da Cunha) se irá manter num cenário de "eternização" do banco de transicção?
O caso Banif vai saltar para a ribalta. Com a Rentipar praticamente falida a probabilidade de o Estado ficar definitivamente com o Banif é grande, e politicamente haverá dividendos disto para a oposição.
A banca portuguesa tem um enorme cabo da tormentas para atravessar, e já se sabe o quanto o Bloco de Esquerda adora usar a banca como bandeira de intervenção. Desde logo porque há testes de stress e há o BCE a impôr um common equity tier I para cada banco em função do risco das suas carteiras de crédito. Depois há um aumento de capital do Novo Banco que deverá conseguido através da redução do balanço do Novo Banco. O Fundo de Resolução e as suas perdas estão aos ombros dos bancos do sistema. O BCP tem três frentes de ataques: As perdas de uma venda do Novo Banco; a quebra da economia angolana (por causa do preço do petróleo) e a alteração da legislação na Polónia que pretende imputar aos bancos os custos da conversão dos créditos em francos suíços na moeda local. Depois, para agravar isto tudo, ainda tem de pagar a dívida ao Estado em 2016 os 750 milhões de euros em CoCo´s. A actividade do BCP em Portugal vale cerca de 3 mil milhões de euros em termos de capitalização bolsista, as operações polaca e africana valem cerca de 1000 milhões cada uma. Portanto 5 mil milhões tudo. Mas a este valor teremos de fazer abatimentos. Desde logo descontar a parcela de 750 milhões da dívida ao Estado que o BCP terá de liquidar até ao fim de 2016. O BCP tem às costas o peso da sua dimensão no sistema: suporta a segunda maior fatia das perdas do Fundo de Resolução. Há ainda dúvidas sobre a contabilização dos famosos DTA (activos por impostos diferidos que podem ser transformados em créditos fiscais em caso de lucros futuros) lançadas pela Europa. O BCP é, em todo o sistema, o banco que mais beneficia deste regime. Os accionistas que há ano e meio participaram no aumento de capital (a 6,5 cêntimos) e os investidores que aceitaram em Junho trocar obrigações subordinadas por acções registam ainda perdas acentuadas. Há ainda quem defenda que o BCP deveria fazer um Reverse Stock Split para diminuir o numero de acções e obrigar os fundos a fecharem os descobertos.
O BPI, por sua vez, está a braços com uma guerra "política" com a sua accionista angolana. Não consegue entendimentos prévios para nada e anuncia tudo sem a garantia da aprovação da sua accionista Santoro. O Caixabank está ali entre a espada e a parede, porque quer ajudar o BPI mas tem um accionista a fazer-lhe braço de ferro. O que é certo é que o BPI tem de resolver a exposição aos grandes riscos em Angola e para isso tem de reduzir a participação no BFA a ponto de deixar de consolidar integralmente.
O banco liderado por Fernando Ulrich acabou por propor entregar aos seus accionistas a maioria do capital do Banco de Fomento Angola, além de outros interesses no sector financeiro africano, para respeitar as exigências do Banco Central Europeu que exigia que o BPI reduza a concentração de riscos ao Estado angolano. Mas nem por isso a Santoro se mostrou apoiante desta operação que na prática se traduz numa transferência para uma nova empresa, cujos accionistas serão os investidores que têm acções do BPI, de 50,1% do BFA, 30% do BCI, 100% do BPI Moçambique e outros activos de suporte daquelas unidades de negócio. E, de seguida, entregará aos seus accionistas as acções desta empresa, na proporção das suas posições no BPI. A proposta diz que a nova empresa será cotada na Euronext Lisbon e terá um capital de 46 milhões de euros.
As privatizações acabaram. A venda da TAP foi o canto do cisne. Dois dias antes das eleições a Concorrência autorizou a venda à Gateway. Recorde-se que o PS tinha ameaçado em campanha reverter a venda da TAP e da STCP. Com a coligação a governar essas privatizações não serão revertidas, mas tudo o que for privatizações futuras estão comprometidas. O país vai caminhar para um pântano de decisões bloqueadas.
Ainda poderá haver outro mau agoiro: o futuro da AutoEuropa em Portugal. Com o escândalo mundial da Volskswagen (da emissão de poluentes nos carros a diesel) e os custos inerentes a isso, a produtora alemã de automóveis poderá reequacionar os seus investimentos internacionais. Uma saída de Portugal não seria uma boa notícia nem para o país, nem para a coligação que o Governa.
Maria não acredito que a CDU - e eu sei do que estou a falar - vai aceitar a abolição das corridas de touros. Se sim então lá se vai o apoio nas terras ribatejanas onde a festa brava é bem mais importante do que as ideologias.
ResponderEliminarNo que respeita ás ditas questões fracturantes não não falo, a ver vamos!