quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Discurso de Cavaco é puxão de orelhas a António Costa


Eis o que acaba de dizer o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva:


Portugal precisa de uma solução governativa que assegure a estabilidade política e que permita cumprir os compromissos internacionais historicamente assumidos e as grandes opções estratégicas adoptadas (sufragadas nas eleições de 4 de Outubro). 
Lamento profundamente que numa altura em que importa consolidar a trajectoria de crescimento e de criação de emprego, interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do superior interesse nacional.
Indigitei hoje Pedro Passos Coelho para formar governo. Líder do maior partido da coligação que venceu as eleições.


Tive presente que em 40 anos de democracia portuguesa o partido mais votado foi convidado a formar Governo.


Tive também presente que a UE é uma opção estratégica do país. Fora da União Europeia e da zona euro o futuro de Portugal seria catastrófico.


Em 40 anos de democracia nunca os Governos de Portugal dependeram de forças políticas anti-europeístas (puxão de orelhas à aliança conveniente da esquerda que inclui partidos anti-europeístas e anti-Nato).


É meu dever impedir que seja posta em causa a credibilidade e confiança dos mercados no país.


É incompreensivel que as forças partidárias europeístas não tenham chegado a um entendimento quando há pouco tempo na Assembleia da República,  votaram em conjunto a aprovação dos Tratado orçamental, tratado de lisboa e mecanismo europeu de estabilidade  (os demais partidos votaram sempre contra).


Se o governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade que o país precisa, considero ser muito mais grave as consequências financeiras, economicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas (que não apresentaram garantias de uma solução alternativa, estável, duradoira e credível ). 


A nomeação do primeiro-ministro pelo PR não encerra a formação do Governo, cabe aos deputados da Assembleia da República a última palavra. A rejeição do programa do governo implica a sua demissão. É pois aos deputados que cabe apreciar o programa de governo no prazo de 10 dias depois de nomeado, e decidir em consciência e tendo em conta o superior interesse nacional.


Eu assumo as minhas responsabilidades constitucionais 


Compete agora aos senhores deputados assumir as suas.


O que se retira daqui.


Um grande puxão de orelhas a António Costa e á sua frágil coligação de esquerda. 


Um lamento à falta de entendimento dos partidos europeístas. 


Um claro chumbo à solução de um Governo que alie forças anti-europeístas. Chama-lhe mesmo grave.


E, em tom grave como nunca se viu, apela à responsabilidade (individual) de cada deputado, a chamar os deputados para votarem pela sua consciência e não por disciplina de voto.


António Costa propôs um acordo com os partidos de esquerda (BE e PCP) que não passa de um acordo de incidência parlamentar. O PS insiste nisso pela boca do João Soares.


Marco António Costa, do PSD, por sua vez diz que a decisão do Presidente da República constitui o respeito pela expressão democrática do acto eleitoral.


 


 


 

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