segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Os Óscares e a sua gestão difícil das quotas das minorias

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Os americanos são um povo que quer atingir a perfeição através da justiça e submetem tudo a essa lógica protestante. Por isso há em cada americano um justiceiro. Serve isto para dizer que qualquer avaliação de qualidade está balizada pelas quotas da minorias, pela condescendência aos "fracos e oprimidos", e uma certa intolerância e antipatia pelos caucasianos, bonitos, casados e bem sucedidos (são logo considerados perigosos republicanos). 


São conhecidos os protestos dos afro-americanos por não ter havido nomeados da sua "comunidade". Pouco importa se mereciam ou não, mas tinha de haver uma quota. Foi aliás motivo de chacota pelo apresentador (por sua vez, também digníssimo representante de outra minoria, aliás todos os anos parece repetir-se o caso na apresentação da cerimónia. Será por mero acaso? Serão critérios de mérito que precedem à escolha do apresentador? Ou serão critérios "políticos"?) quando, a certa altura  faz uma piada, a de que os Óscares vão premiar “the best and the whitest – sorry – brightest” (os melhores e os mais brancos). Uma referência aos protestos pela falta de nomeados negros.


A riqueza foi também criticada pelo franzino Neil Patrick Harris, quando faz uma piada à fortuna da Oprah Winfrey – comparando a fortuna da apresentadora ao orçamento de “Sniper Americano” (realizado pelo republicano Clint Eastwood). Mas a afro-americana Oprah não pareceu achar piada. Mais uma acha para a fogueira das contestações da comunidade?


Os momentos mais víris da sessão foram a subida ao palco do actor Jack Black para tentar elevar o registo de comédia que estava a ser impresso pelo apresentador (não estava muito alto, convenhamos), e o abraço sexy de John Travolta à actriz Scarlett Johansson, com um vestido verde bom para as curvas :). Aliás vai ser a fotografia que mais marcará a sessão dos Óscares de 2015, parece-me.


Patrícia Arquette, que ganhou o Óscar de melhor actriz secundária com o seu papel em Boyhood, usou o prémio para exaltar mais uma "minoria oprimida", desta vez as mulheres (!!!) – nunca me senti tal. Foi o primeiro discurso político da noite: defesa da igualdade de direitos para as mulheres, por Patrícia Arquette. Uma feminista, portanto.


Começam a parecer os velhos discursos das "Miss", que assim que ganhavam o prémio sentiam necessidade de o dedicar aos pobres do mundo e a dizer que tudo o que queriam era a paz mundial. 


Deve ser difícil neste contexto, agradar a gregos e a troianos e ainda ter de escolher os melhores por critérios cinematográficos. Mas ainda assim a escolha não foi totalmente desprovida de sentido. Discordando da escolha do Óscar para melhor argumento adaptado que foi entregue ao filme "Teoria da Imitação", quando devia ter sido entregue à Teoria de Tudo – o filme que deu o Óscar de melhor actor a Eddie Redmayne, merecidamente, diga-se. Pode dizer-se que as escolhas foram merecidas. Foi merecido o Óscar de melhor filme a Birdman - a Inesperada Virtude da Ignorância (bom e revelador título para este filme). Tive pena de Boyhood ter sido o grande derrotado da noite, mas foi vítima de estar na corrida aos lugares cimeiros. O filme que disputa os melhores títulos está sempre naquela posição de: ou ganha tudo ou nada.


O melhor filme a concurso era o Grand Budapest Hotel, de Wes Andersen, e ganhou muitos Óscares mas apenas técnicos e nenhum dos principais. 


 


Eis a lista completa de vencedores dos Óscares 2015:


Melhor Filme
Birdman


Melhor Realizador
Alejandro González Iñárritu (Birdman)


Melhor Actor
Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)


Melhor Actriz
Julianne Moore (O Meu Nome é Alice)


Melhor Actor Secundário
J.K. Simmons (Whiplash)


Melhor Actriz Secundária
Patricia Arquette (Boyhood)


Melhor Argumento Original
Birdman


Melhor Argumento Adaptado
O Jogo da Imitação


Melhor Filme de Animação (Longa-Metragem)
Big Hero 6 – Os Novos Heróis


Melhor Filme Estrangeiro
Ida (Polónia)


Melhor Filme de Animação (Curta-Metragem)
Festim


Melhor Documentário (Longa-Metragem)
Citizenfour


Melhor Documentário (Curta-Metragem)
Crisis  Hotline: Veterans Press 1


Melhor Curta-Metragem
The Phone Call


Melhor Fotografia
“Birdman” (Emmanuel Lubezki)


Melhor Montagem
Whiplash


Melhor Banda Sonora Original
Alexandre Desplat – Grand  Budapest Hotel


Melhor Canção Original
“Glory” – Selma (John Stephens e Lonnie Lynn)


Melhor Edição de Som
Sniper Americano


Melhor Mistura Sonora
Whiplash


Melhor Direcção Artística
Grand  Budapest Hotel


Melhores Efeitos Visuais
Interstellar


Melhor Guarda-Roupa
Grand Budapest Hotel


Melhor Caracterização
Grand  Budapest Hotel

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