sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dúvidas para Vítor Bento

Neste artigo e especialmente nestas suas duas sentenças Vítor Bento parece defender uma espécie de fundo comunitário para pagar subsídios de desemprego e defende politicas keynesianas para "salvar" a Europa dos desequilíbrios estruturais.


A insistência dos Excedentários – por razões inerentes às suas funções de preferência social – em não prescindir de excedentes externos, contornando o seu dever de ajustamento, tem duas possíveis consequências. Insistindo-se na eliminação unilateral dos défices dos Deficitários, toda a zona euro ficará excedentária e o excedente será reciclado para financiar a procura e o emprego no Resto do Mundo, com sacrifício do bem estar social na Eurozona. Mas se, por outro lado, este bem estar quiser ser salvaguardado, então terá que se aceitar que aqueles excedentes terão que ser espelhados em défices noutros países da união monetária e que deverão ser reciclados (de preferência através de investimento e transferências) para financiar esses défices e colmatar a falta de procura global na zona euro.


(...)

 

O que coloca um importante desafio, cuja resposta deve constituir a principal preocupação da política económica da zona euro: como conciliar a necessidade de ajustamento das finanças públicas de cada país com a necessidade de promover a procura interna no conjunto da zona euro? Um maior orçamento (redistributivo) federal, com capacidade de endividamento da própria União e a reconciliação de alguns excessos de endividamento público individuais com um endividamento globalmente sustentável de toda a zona euro (como é o caso), serão condições necessárias, embora não suficientes. Por sua vez, a federalização dos subsídios de desemprego poderá ser um bom começo para a primeira, e um programa de despesa pública (preferencialmente na forma de investimento) suportado no orçamento comunitário e financiado pelos Excedentários será uma boa forma de reciclar internamente os seus excedentes externos.

 


Defende Vítor Bento uma teoria puramente monetária do ciclo económico? Isso não cria a ilusão que a inflação permanente cria crescimento económico eterno?


Espera Vítor Bento pôr os Estados a financiar a economia com o investimento público? Mas a procura justifica esse investimento?

E como é que espera dinamizar o investimento público sem agravar o défice público? 

Em alternativa defende que os países excedentários devem financiar o consumo nos países deficitários, isto significa que acredita no consumo como motor do crescimento económico por excelência? Defende Vítor Bento a política do dinheiro fácil? Não foi o excesso de crédito? E o crédito barato que conduziu à crise de dívida soberana?

No dia em que a procura dentro da Europa parar de aumentar o que é que acontece? A oferta e a procura equilibram-se? E o que acontece à Economia nessa altura? Nova deflação?

Não há no aumento das exportações esse aumento da procura que Vítor Bento aponta como sendo o busílis da questão?

Defende Vítor Bento que pôr a Alemanha a pagar o subsidio de desemprego dos gregos vai criar crescimento económico na Grécia?

 

Vítor Bento não fala da medida de quantitative easing adoptada recentemente pelo BCE. Não há nesta medida uma resposta a parte dos problemas apontados por Vítor Bento?

 

Será mesmo a crise europeia uma conflito entre nações ou será entre sectores económicos? Ler Michael Pettis.

Poderá a política monetária transformar uma Argentina num Japão? Ler Michael Pettis 

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