terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

La Caixa com BPI para o xeque mate à compra do Novo Banco


A chegar ao ponto de ter de apresentar ofertas para comprar o Novo Banco, e estando na corrida mais catorze concorrentes e entre eles estando o "abonado" Santander e o determinado grupo chinês Fosun, é chegada a hora da já esperada OPA do La Caixa ao BPI. Só com o La Caixa podia o BPI comprar o Novo Banco. E o Novo Banco, se por um lado permite ao BPI ter aquela posição de destaque que apenas ao de longe aspirou, por outro e desde que foram introduzidas alterações regulatórias ao sistema bancário angolano, permite resolver um problema urgente ao banco português: o BPI precisa de reduzir o peso relativo do BFA no seu balanço e uma forma de o fazer é aumentar o seu balanço. 


Vamos ver então se a OPA ao BPI tem condições de sucesso ou não. Os espanhóis do CaixaBank lançaram uma OPA sobre o BPI, propondo 1,329 euros por acção, e propõem-se a pagar pelas acções que ainda não têm 1,082 mil milhões de euros. 


A oferta, a pagar em numerário, está condicionada a que o CaixaBank supere os 50% do capital do BPI e à eliminação do limite de 20% dos direitos de voto no BPI. Para a supressão deste limite é necessário o voto favorável de 75% do capital representado na Assembleia Geral de Accionistas do BPI que se convocará para o efeito, no qual o CaixaBank apenas poderá votar por 20%. O histórico recente do BPI é de forte participação nas assembleias-gerais dos accionistas. Na última esteve presente 85% do capital (cerca de 64% do capital do banco teria de votar a favor da desblindagem). O catalão Caixabank é actualmente o maior accionista, com 44,1%, ou seja só precisa de comprar 5,9% para superar os 50% que exige na OPA. Mas ainda tem de fazer passar a desblindagem e o BPI tem ainda dois fortes accionistas, a Santoro de Isabel dos Santos com 18,6% do capital e os alemães da Allianz com 8,4%. No total estes três accionistas têm 71,1% do capital do Banco BPI.


A forma como esta OPA está construída sugere que o La Caixa deixa em aberto que a Santoro e a Allianz se mantenham no capital do BPI e participem na aventura da aquisição do Novo Banco. Mas para isso é preciso que seja o La Caixa a mandar. Estará Isabel dos Santos de acordo? Soube Isabel dos Santos desta intenção de OPA? Muito provavelmente sim. Seria difícil que Fernando Ulrich, que está obviamente de acordo com a OPA (daqui a 8 dias haverá o relatório do Conselho de Administração a pronunciar-se sobre a oferta), não avisasse uma das suas principais aliadas em Angola, onde o BPI tem a maioria do maior banco angolano. 


Já o grupo alemão aparece como um subtil aliado, pois no comunicado do banco espanhol é referida a intenção de manter  vigente a actual aliança de bancaseguros do BPI com a seguradora Allianz. 


O CaixaBank acredita que a oferta sobre o BPI poderá estar concluída no segundo trimestre de 2015. As instituições pré-qualificadas para a compra do Novo Banco têm até 20 de Março para apresentarem as suas ofertas de compra não vinculativas. Vamos ver se desta vez o BPI se funde com o ex-BES.


A ver se acabamos esta história dizendo a célebre frase: Que estranho caminho teve o BES de percorrer para chegar até ao BPI.

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