
Se um fiscal das finanças entrar num estabelecimento e perguntar ao gerente quantos cafés foram facturados, estou seguro que o número é reduzido. Um café custa em média 0.65 cêntimos, o que não é muito significativo. Porém, se ninguém pedir recibos, tendo em conta os cafés que são bebidos diariamente o número no fim do mês é já muito significativo, o que reflecte uma questão bem mais preocupante: a fuga aos impostos e / ou a malfadada economia paralela. Se em vez de cafés, o produto for pneus, gasolina, revisões automóveis então a situação é verdadeiramente preocupante.
A fuga aos impostos e a economia paralela não é um problema de hoje, é quase tão velho como a nossa história colectiva. Também sei que num país ideal,e porventura utópico, onde todos eram bons cidadãos, muito provavelmente as crises económicas e financeiras como a que vivemos seriam raras ou até inexistentes, pelo que a ideia de se premiar um cidadão cumpridor é interessante e um bom incentivo.
Dito isto. Eu não compreendo a escolha do governo no que respeita à forma escolhida para incentivar quem cumpre as suas regras fiscais: carros de luxo! Bólides de grande qualidade de um famoso construtor alemão, a Audi? Que farão os felizardos cidadãos com tamanha sorte? Já pensaram nos custos inerentes, como sejam; as revisões, os impostos, o combustível, etc.? Não haveriam outras formas mais interessantes e úteis (para o vencedor) de se premiar quem cumpre as regras fiscais?
Eu não sei. De facto não sei mesmo! Só não me parece que oferecer carros seja uma grande ajuda, principalmente se a pessoa em causa é pobre e está desempregada? A não ser que a estratégia seja mesmo a de incentivar a classe média, e a classe média alta, i.e., os que verdadeiramente tem interesse em ao fugir ao fisco, a cumprirem as suas obrigações, pois tomara ao pobre ter dinheiro para pedir facturas?!
P.S.: Este post deve-se ao facto de ter sido considerado influenciável e de não perceber o alcance da medida. Portanto pergunto encarecidamente: será isto?
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