quarta-feira, 2 de abril de 2014

Bancos querem livrar-se da dívida soberana


O BPI anunciou ontem a venda de metade da carteira de dívida pública portuguesa e italiana, para libertar capital que lhe permita pagar de uma vez por todas o "empréstimo sob a forma de CoCo´s" que recebeu do Estado. 


Com isto o banco liderado por Fernando Ulrich liberta capital. Porquê? Porque em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III) que impõem que menos valias potenciais na exposição à dívida soberana e respectivas coberturas, sejam deduzidas aos fundos próprios. Isto mesmo explicou Fernando Ulrich quando disse que "a posição de dívida pública que tínhamos neste novo quadro era grande demais".


 


Esta nova contabilidade das potenciais menos valias da carteira de dívida soberana levará a que outros bancos sigam o BPI. Nenhum banco quer pôr o seu capital à mercê de mais um tsunami soberano. 


Veja-se: o BPI tinha no fim do ano passado 2.675 milhões de euros de dívida soberana em carteira (6% do activo do BPI), o banco já uma vez tinha sido apanhado desprevenido com os títulos soberanos da Grécia, e depois com a carteira de OT´s que teve de ser registada ao valor de mercado por imposição da EBA, abrindo fortes "buracos" no seu rácio de capital (que é aliás o princípio desta história do Estado no capital do banco). Em Março o BPI já só tinha cerca de 1.400 milhões de euros em dívida soberana (o peso no activo do banco era já só de 3%) e este é um percurso irreversível.


 


 O BPI prefere penalizar os resultados, uma vez que vende com menos valia (de 135,2 milhões) e libertar capital (liberta 269 milhões). A prudência é a imagem de marca de Ulrich. Desta forma o BPI consegue, ao mesmo tempo, pouco mais de metade do que precisa para expulsar o Estado do seu capital (a grande obsessão de Fernando Ulrich). O banqueiro tem o desígnio secreto de ir de férias já sem o Estado a ditar regras no BPI e a cobrar juros de 9%.


 


 Mas tudo depende do Banco de Portugal e do resultados dos testes que se avizinham.


 

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