segunda-feira, 28 de abril de 2014

Obrigado, Vasco

Soneto do amor e da morte



quando eu morrer murmura esta canção 

que escrevo para ti. quando eu morrer 

fica junto de mim, não queiras ver 

as aves pardas do anoitecer 

a revoar na minha solidão. 

 

quando eu morrer segura a minha mão, 

põe os olhos nos meus se puder ser, 

se inda neles a luz esmorecer, 

e diz do nosso amor como se não 

 

tivesse de acabar, sempre a doer, 

sempre a doer de tanta perfeição 

que ao deixar de bater-me o coração 

fique por nós o teu inda a bater, 

quando eu morrer segura a minha mão. 

 


Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"

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