segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Escrever é uma montagem"


 


Está em cartaz uma comédia francesa com algum interesse: Quai d'Orsay, em português Palácio das Necessidades. Retrato satírico de um Ministro dos Negócios Estrangeiros do país das luzes: a França. Alexandre Taillard de Worms é uma força a considerar no espectro mundial, a sua missão é sustentada na sua trindade de conceitos diplomáticos: legitimidade, unidade e eficácia. Ele enfrenta os neoconservadores americanos, os russos corrompidos e os gananciosos chineses. É o retrato satírico do epicentro da sociedade ocidental, baseada nos valores da liberdade, igualdade, fraternidade que é o lema da revolução francesa. A sociedade ocidental é bem filha deste lema.


A ironia à volta do vazio do conteúdo dos discursos; da incoerência entre o discurso oficial e a posição dos bastidores; dos truques diplomáticos; do abuso das citações (Heráclito); em suma da forma em detrimento do conteúdo. Mas, para quem faz da escrita a sua profissão há uma frase que é inesquecível pela sua sinceridade. "Toda a gente sabe que escrever é uma montagem", diz o Ministro, de marcador florescente em riste na mão. Muito bom. Tem uma grande dose de verdade esta frase.

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